Invino Wine Travel Summit 2020 é adiado para novembro

CLAUDIO SCHAPOCHNIK

QUE GOSTOSO!

Em decorrência da pandemia causada pelo novo Coronavírus (Covid-19) e seguindo as estritas recomendações do Ministério da Saúde e do Governo do Estado de São Paulo, a Cap Amazon Tropical Marketing decidiu adiar a segunda edição do Invino Wine Travel Summit (foto acima edição de 2019/divulgação) para o dia 19 de novembro de 2020. A data original era 6 de abril. A empresa organiza e realiza este que é o melhor evento profissional de enoturismo do País.

O Invino 2020 acontecerá no mesmo local, o Hotel Unique, em São Paulo, com o mesmo programa de conferências, workshops, experiências enogastronômicas e encontros agendados.

“Os 20 expositores, 80 buyers, mais de 30 especialistas e seis patrocinadores estarão presentes neste encontro com profissionalismo, tranquilidade e em clima de celebração, como deve ser!”, finalizam os três sócios da Cap Amazon sobre o Invino, Jean-Philippe Pérol, Fernanda Sarubbi e Renata Rodrigues, em…

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Em Manaus, um novo ciclo do turismo?

O Caxirí, um grande endereço da gastronomia amazonense

Pode parecer um paradoxo, mas somente alguns meses depois do chocante fechamento do mítico Hotel Tropical, Manaus parece aproveitar um grande momento de renovação turística. A cidade, descrita na sua infância pelo génio criativo de Jules Verne, e  marcada no seu auge pela extravagancia de Eduardo Ribeiro, sempre acumulou projetos ou realizações  que favorecerem o urbanismo, a vida cultural, as tradições culinárias e o turismo. Mas, desde do fim do ciclo da zona franca comercial, na época de ouro durante a qual o barco Jumbo da Selvatur levava 300 visitantes por dia para Janauari, a Air France pousava duas vezes por semana, e oito voos por dia chegavam de Sao Paulo, parece que nunca teve tantas novidades hoteleiras e gastronômicas, e tantas ambições  para o turismo do Amazonas .

A Casa Perpetua, a aconchegante herança da borracha

As novidades hoteleiras estão pipocando, mas duas delas mostram claramente as novas tendencias que Manaus está seguindo nas reabilitações exemplares do Largo São Sebastião e das cercanias do Teatro Amazonas. A saudade assumida da grandeza do inicio do seculo passado se vê na Casa Perpetua aonde a empresaria Claudia Mendonça conseguiu transformar uma mansão construída em 1897 pelo desembargador Vidal Pessoa num aconchegante hotel boutique. Com o apoio dos atuais proprietários,  herdeiros do segundo dono, o libanês de cultura francesa François Harb, a casa conseguiu acomodar oito quartos, dois salões, um restaurante e um charmoso patio com uma mini piscina. Dos tradicionais assoalhos bicolores até os impressionantes pé direitos, a arquitetura interna e a decoração são piscar de olhos a época gloriosa (e confusa) da cidade.

O domo do restaurante do Juma Opera olhando as telas do Teatro

Esperado há quase 15 anos, a abertura do Hotel Juma Opera demorou mas não decepcionou os fãs do bem conceituado lodge pertencendo ao mesmo grupo. Escolhendo um casarão do centro histórico, espetacularmente localizado frente a “Opera”, os arquitetos decidiram de manter o espírito da época da borracha, mas de combinar lo com uma decoração apurada, moderna, e com muita inspiração amazônica nas fotos, nos objetos e no ambiente. Um grande lance foi a construção do restaurante no patio, com  uma enorme cúpula de aço e vidro que responde a cúpula coberta de telhas coloridas da Alsácia  do Teatro Amazonas. Assinando um cardápio de pratos regionais,  a chefe Sofia Bendelak mostrou as suas ambições de se juntar ao grupo dos melhores restaurantes gastronômicos amazônicos que já conta com dois grandes talentos manauaras no Banzeiro e no Caxirí.

No mercado municipal, a escola de Gustave Eiffel

A espetacular reabilitação do centro de Manaus se vê também descendo para a beira rio e chegando no Mercado Adolfo Lisboa, cuja beleza a moda de Eiffel combina hoje com um ambiente seguro e limpo. E o visitante tem agora varias opções para beber um suco de taperebá olhando os numerosos “motores de linha” prontos a zarpar para as cidades do interior. A riqueza cultural da cidade encontra aqui a beleza  do Rio Negro, os trunfos do Amazonas para virar um destino turístico “top of mind” no Brasil e no exterior. Há muito tempo sonho de desenvolvimento sustentável da região, o turismo precisa confirmar esse novo impulso resolvendo o seu maior problema, a conectividade. Pronto a oferecer o que for necessário aos possíveis candidatos, a Presidente da Amazonastur, Rosilene Medeiros, conta com um apoio total do governo estadual para aumentar suas ligações aéreas internacionais com os Estados Unidos, o Caribe, e – pourquoi pas?- l’Europe.

Jean Philippe Pérol

 

A espetacular piscina do Juma Opera

O Coronavirus, crises e resiliência do turismo

Na praça Tien An Men, um casal de turistas em vez da costumeira multidão

Desde a explosão do turismo de massa, as crises são parte da realidade do nosso setor. Foram crises politicas, seja com guerras ou com atos de terrorismo, que atingiram o Oriente Medio mas também a Inglaterra, a França, os Estados Unidos, ou a Espanha. Foram desastres naturais, furacões no Caribe, tsunamis na Indonesia e na Tailândia, vulcões na Argentina ou na Islândia. Foram doenças contagiosas como  o SARS e a gripa aviária que castigaram a Asia,  ou a Ebola na África ocidental. Foram desastres industriais  como Tchernobyl na então União Soviética e Fukushima no Japão, ou desastres aéreos cujos traumas vão muito além dos amigos e dos familiares das vítimas. Cada crise impactou as economias das regiões atingidas (e as vezes a economia global), mas o turismo sempre foi fortemente atingido.

Macau sem seus lendários cassinos

Desde o 12 de Dezembro, inicio da crise, e enquanto o balance humano já se aproxima dos 600 mortos, o setor vê as más noticias se acumular. Só hoje, abrindo os jornais, se lê no le Point que a Air France KLM está suspendendo todos os seus voos para China até o 15 de Março,  no New York Times que os cassinos de Macau estão todos fechados, no El Pais que o coronavirus obriga a cancelar dezenas de eventos esportivos e perturba os Jogos de Tóquio, e no O Globo que quase 2 mil pessoas estão sob quarentena no navio cruzeiro World Dream atracado em Hong Kong. Alguns especialistas já estimam que  a epidemia poderá custar de 1 à 1,5% de crescimento ao PIB mundial, e setor de viagens e turismo deve sofrer um impacto negativo global estimado em 100 bilhões de USD ou mais.

Navio de cruzeiro em quarentena no porto de Hong Kong

O tamanho da crise se deve em primeiro lugar ao fato que ela atinge um pais que é o maior mercado mundial de turismo, com 150 milhões de viajantes gastando quase 300 bilhões de USD nas suas viagens internacionais, representando 20% das despesas mundiais. Na própria China são recebidos 60 milhões de visitantes internacionais , e mais de 4 bilhões de viagens domésticos são realizados pelos proprios chineses. As medidas excepcionais tomadas pelo governo chinês – suspensão desde janeiro de todas as viagens organizadas- , pelos grandes países emissores – os Estados Unidos, a Grão Bretanha e a França “desaconselhando” de entrar na China-, ou pelas principais empresas de transporte aero ou marítimo –  British Airways, Lufthansa, Air France, American Airlines, Delta, United, cruzeiros Costa ou  MSC-, explicam também a gravidade da crise que atinge outros países da Asia e ameaça até o Jogos de Tóquio.

A sombra da crise pesa nos Jogos de Tóquio

Mas tão grave que seja a crise, as lições do passado mostram que o turismo tem uma resiliência  extraordinária. Se comparar com outras crises dramáticas das ultimas décadas, podemos encontrar motivos de otimismo. O primeiro é que os mercados não levam mais que quatro a seis meses para voltar a seus níveis anteriores, a tendencia sendo mesmo de diminuição desse prazo. O segundo motivo é que pouquíssimas crises chegaram a provocaram uma queda anual do crescimento, e que, quando foi, uma forte recuperação aconteceu logo o ano seguinte. As previsões da OMT para o final dessa década, 1,8 milhão de turistas internacionais, não deveriam então ser modificadas. Para o Brasil, muito distante do foco da epidemia ,e que parece por enquanto poupado pela doença e pela mídia internacional, podemos continuar a esperar que a retomada econômica e a estabilidade monetária  levam a um novo crescimento do turismo tanto emissor que receptivo

Jean Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue do autor na revista profissional on line Mercado e Eventos

A KLM festejando 100 anos com muito para comemorar

 

A KLM fez questão de festejar os seus 100 anos

A KLM festejou seu centenário, querendo mostrar um pouco do seu passado e muito do seu futuro, analisando o desenvolvimento da empresa ao longo das décadas e o papel que desempenhou na aviação civil internacional antes e depois da associação com a Air France. Uma associação que não quer apagar as diferenças. Assim, enquanto a Air France, com a extraordinária herança francesa e latino americana da Latecoere e da Aeropostale, começou sua história em 1918, Koninklijke Luchtvaart Maatschappij revindica com justo orgulho de ser a mais velha companhia aérea que não trocou de nome. Foi em 1919 que oito investidores criaram a KLM e pediram ao jovem aviador Albert Plesman ser o primeiro diretor da empresa. Um ano depois, o 17 de Maio 1920, o piloto  Jerry Shaw realizava, num De Havilland DH-16, o primeiro voo da empresa entre os aeroportos de Londres e de Amsterdã.

“O centésimo aniversário é uma homenagem aos pioneiros da aviação da KLM, que literalmente colocaram a aviação civil no mapa em todo o mundo. Podemos nos orgulhar de nossa longa lista de conquistas”, declarou Pieter Elbers, presidente e CEO, que lembrou o nem sempre conhecido espirito pioneiro da sua empresa. KLM foi antes da guerra a primeira empresa a ter tripulação comercial especializada, foi em novembro 1945 a primeira a abrir as rotas do Extremo Oriente, e foi, em maio 1946, a primeira a abrir a rota entre a Europa Ocidental e a América do Norte. Nos anos 1970 foi a primeira empresa a participar da aventura do B747-200 que revolucionou o transporte (e o turismo) internacional e  fez disparar o crescimento do transporte de passageiros e de carga.

Dois aviões da Air France e da KLM em Schiphol no dia da OPA

Os anos 1980 e 1990 foram de muitas mudanças, com os choques do desenvolvimento do hub de Schiphol e do acordo com a companhia americana Northwest. O tráfego de passageiros dobrou de 1980 a 1990, mas a rentabilidade não seguiu acompanhando, a KLM tendo pouco viajantes para Amsterdã, e sendo mais procurada pelas passagens baratas  oferecidas aos mochileiros e aos religiosos (no Brasil então com a Raptim). Quando em abril 2004, a Air France lançou sua amigável oferta de compra, a empresa holandesa apresentava um pesado prejuízo de EUR 416 milhões para um volume de vendas de EUR 6,48 bilhões, enquanto a companhia nacional francesa se orgulhava de uma imagem e uma notoriedade excepcionais, com um lucro de EUR 120 milhões para EUR 12,68 bilhões de vendas.

O pessoal se orgulhou da volta por cima

A KLM aproveitou as oportunidades da generosa aliança com a Air France para se reerguer. Em 2019, destacando uma margem bruta de 9,8% contra somente 1,7% da companhia francesa, os resultados se inverteram, e a empresa holandesa se destacou também pela qualidade dos seus serviços e sua notoriedade. O governo holandês, com a cumplicidade dos dirigentes e dos pilotos da KLM, aumentou então a sua participação no capital da Air France-KLM sem avisar o governo francês. A paridade entre os dois países (cada um com 14% das ações do grupo) é a melhor demonstração do extraordinário caminho percorrido pela KLM. Na festa do centenário, o CEO Peter Elbers podia mesmo pedir  aos seus funcionários de ser “enérgicos e confiantes, prontos para enfrentar com otimismo os desafios da sustentabilidade e da inovação do novo século”.

Nos 100 anos da KLM, a tradicional casa Delftware é um palácio. Uma mensagem?

Desde a década de 1950, a KLM apresenta em torno do seu aniversário  casas em miniatura de porcelana Delftware, especialmente projetadas para os 800.000 passageiros da World Business Class em voos intercontinentais, com novas miniaturas adicionadas anualmente. De acordo com a tradição,  a KLM marcou seu centésimo aniversário com a apresentação de uma  nova casa de Delftware, aguardada ansiosamente por colecionadores fiéis em todo o mundo. A centésima miniatura  é uma réplica do Palácio Huis ten Bosch em Haia, o palácio do rei Willem-Alexander e sua família, cujo primeiro exemplar foi presenteada ao Ministro das Finanças dos Países Baixos  Wopke Hoekstra. Presente nas comemorações, Ben Smith, presidente do grupo Air France KLM, lembrou que era normal que cada governo protegesse a sua companhia de bandeira.

Esse artigo foi traduzido e inspirado de um artigo original de Serge Fabre na revista francesa profissional on-line La Quotidienne

 

 

 

Virada de mesa nos ceús brasileiros

A Delta anunciou a decisão estratégica de entrar na LATAM

Mesmo se os líderes de todos os atores brasileiros desta grande jogada afirmam que a situação continua sendo de “business as usual”, o surpreendente anúncio pela Delta Air Lines da aquisição de 20% da Latam vai ter um impacto profundo e duradouro sobre a aviação internacional e até doméstica no Brasil. Aproveitando a boa saúde financeira para consolidar sua rede, a companhia estaunidense anunciou que colocava na mesa US$ 1,9 bilhão para adquirir 20% da LATAM, a maior empresa aérea da América do Sul, membro de One World e aliado de longa data da American Airlines. No mesmo comunicado, a Delta anunciou que ia se desfazer da participação de 9,4% na Gol, deixando inesperadamente a sua parceira Air France sozinha com a jovem líder das viagens domésticas no Brasil.

A Latam vai chegar tambem nos planos da AF KLM?

Mesmo se o anúncio surpreendeu o trade aeronáutico, o mercado já esperava notícias do Chile, já que a Corte Suprema daquele país tinha cassado em maio um projeto de acordo entre Latam, American Airlines, British Airways e Iberia que infringiu, segunda a  decisão, as leis antitruste. Era uma oportunidade para Delta que escolheu, anos atrás, de reforçar a aliança Sky Team com participações financeiras. A companhia adquiriu assim 10% do Grupo Air France KLM (a Air France tem 49% e KLM 31%), 36% da Aeromexico, 10% da Alitalia, e 3,55% da China Eastern. No novo conselho de administração da Latam, os dois representantes da Delta vão curiosamente sentar juntos com um representante da Qatar Airways, dona desde 2016 de 10% das ações e membro da agora concorrente Oneworld.

Delta “moving the people who move the world”

No anúncio ao mercado, a Delta insistiu na parceria estratégica que essa participação na Latam significava, incluindo com um investimento suplementar de US$ 350 milhões que deixa muito provável a entrada da Latam na Sky Team. A aliança deve sair reforçada mesmo se sob a liderança, agora indiscutível, da empresa estadosunidense. A Delta é agora a primeira companhia mundial em volume de vendas, transporta cerca de 200 milhões de passageiros/ano para perto de 300 destinos em 50 países, tem uma frota de quase 1000 aviões (sendo um terço de Airbus) e emprega 80 mil funcionários. A entrada na Latam deve reforçar essa liderança não somente na América do sul (com um reposicionamento no impreterível gateway de Miami) mas também no mundo inteiro.

LATAM, lider tambem no Ecuador e nos demais paises latinos

O gigante criado em 2012 com a absorção da TAM pela LAN Chile transporta 71 milhões de passageiros/ano para 25 países com suas frotas de 350 aviões (sendo dois terços de Airbus). Com as outras suas subsidiarias LATAM Airlines, na Colômbia, no Perú, na Argentina, no Equador e no Paraguai, virou a maior empresa aérea da America do Sul. No Brasil, devemos porem lamentar que a herança do Comandante Rolim não foi talvez muito bem respeitada. Assim não foram transferidas para nova empresa nem a ousadia de management – que levantou a TAM dos Táxi Aéro Marilia até os Transportes Aéros Mercosul-, nem a prioridade ao cliente – que levava o proprio Rolim a entregar suas cartas aos passageiros em Congonhas-, nem a qualidade do serviço – com o tapete vermelho e sem filas de espera nos check-in.

As famosas presencias do Rolim no pé das escadas dos seus aviões

Sem poder ainda medir todos as consequências no Brasil dessa grande jogada da Delta, podemos talvez somente destacar a elegantíssima reação da Gol Linhas Aéreas Inteligentes que, mesmo sendo extremamente prejudicada com essa reviravolta (e ver seus títulos na bolsa despencarem o dia do anúncio), declarou: “a Delta foi uma ótima parceira da Gol e desejamos-lhes sucesso. Valorizamos nossa parceria com a Delta e estamos felizes em ver essa contínua confiança no mercado de aviação da América Latina”.

Esse artigo foi adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista on-line La Quotidienne

O Turismo Francês acreditando no Brasil há 45 anos

Caroline Putnoki na inauguração do novo escritorio da Atout France

Teve muita emoção na terça feira passada, dia 24 de Setembro, durante a inauguração da nova sede da Atout France, a Agência de Desenvolvimento do Turismo Francês no Brasil. Mais de 50 jornalistas, influenciadores e profissionais ficaram impressionados pelos escritórios cujo tamanho, design e modernidade mostravam que a França continuava a acreditar no turismo brasileiro e queria mesmo brigar pela liderança para Europa. O local anterior, na Avenida Paulista, tinha sido ocupado desde da abertura da representação oficial, em 1982. Lá passaram seis diretores da então Maison de la France e depois da Atout France, desde Christian Lepage até Caroline Putnoki, incluindo Alain Roman, Patrice Doyon, Vincent Toulotte, e Emmanuel Marcinkowski, além de Jean Philippe Pérol que ocupou duas vezes a função de 1990 até 1996 e de 2011 até 2017.

Com a Maison de la France, o Turismo Francês acelerou seu crescimento

Antes de ter um escritório próprio, o Turismo Francês já era representado no Brasil. Desde 1976, a Diretoria Air France no Rio de Janeiro tinha uma funcionária oficialmente encarregada de promover o destino junto aos agentes de viagens. Mas nessa época distante, com telex e sem celular ou whatsapp, os controles eram muito distantes e o trabalho de representação muito distante. A dita encarregada nem sabia dessa função e descobriu o seu verdadeiro empregador na véspera de uma auditoria. Naquele momento o seu chefe teve de confessar que ela não era a sua secretária, mas uma funcionária do Ministério do Turismo da França e que, juntos, tiveram de encher as paredes do seu escritório com cartazes das regiões da França, e as prateleiras com folhetos turísticos.

A parceria com Air France faz a força do Turismo Francês há 45 anos

A forte implicação do Turismo Francês no mercado brasileiro é impressionante pela duração – 45 anos- e pela importância – cinco funcionários em 1982, sete em 2019-, mas também pelo seu destaque frente a concorrência. Portugal abriu mais cedo mas acabou integrando o turismo à sua representação comercial, a Itália trabalhou muito tempo desde o seu escritório de Buenos Aires, o Reino Unido sempre hesitou entre Rio de Janeiro, São Paulo e Miami. Depois de apostar na Argentina, a Suíça transferiu o escritório para São Paulo, com grandes investimentos em marketing mas uma estrutura pequena. Outros países europeus – Alemanha, Áustria, Noruega ou Republica Tcheca- trabalham o mercado por meio de agentes integrando câmaras de comércio ou agências de marketing. Junto com a Espanha, a França foi assim a única a sempre investir em uma presência forte e direta no Brasil.

A integração com o trade sempre foi um ponto de destaque do Turismo Francês

Além dos endereços e das equipes, a história da representação do Turismo Francês – dos “Escritório de Turismo do governo francês” até a Maison de la France e depois a Atout France- seguiu também a evolução das tarefas, evolução visível no novo escritório da Alameda Jaú. Outrora principalmente encarregada de distribuir folhetos ao público ou durante as feiras profissionais – no Brasil mais de 20 toneladas por ano-, a equipe concentra agora seus esforços nos eventos próprios e nas mídias sociais, duas atividades onde conseguiram um grande know how e uma reconhecida liderança. Continua por outro lado, há 45 anos, com seus dois grandes trunfos : uma perfeita integração com o trade brasileiro e um suporte que nunca falhou da sua companhia aérea, “la Compagnie Nationale Air France”.

Jean-Philippe Pérol

Das revistas aos influenciadores, a evolução das ações de comunicação

O Tropical de Manaus, saudades de um sonho que não pode acabar

Frente as águas negras do Rio, o Tropical de Manaus

Que tristeza de ler hoje, no querido  jornal manauara A Critica, que o Tropical Hotel de Manaus irá a leilão no dia 25 de julho, e que valor arrecadado será utilizado para o pagamento de dívidas trabalhistas em processos que tramitam no tribunal regional do trabalho. Mesmo esperada desde a suspensão das atividades do hotel em maio – quando a luz foi cortada por falta de pagamento-, essa noticia abalou todos os profissionais do turismo bem como os apaixonados pela Amazonas. Emblemático da nossa saudosa VARIG, o Tropical de Manaus marcou os anos dourados do turismo de Manaus, quando o sucesso da Zona Franca, os oito voos diários para São Paulo, e as ligações internacionais da própria VARIG, mas também da Braniff, da LAP e da Air France atraiam turistas do mundo inteiro no coração da Amazônia brasileira.

O Presidente Giscard num seringal do Mamuri em 1978

A tristeza leva a perguntar quais são as razões que levaram a esse desastre. Alem do desaparecimento da VARIG e das dificuldades da Tropical hotéis, o hotel da Ponta Negra fechou também pelo paradoxo da queda do turismo na Amazonia brasileira num momento da historia aonde o eco-turismo e o turismo verde atraiam cada vez mais viajantes. Enquanto Manaus recebeu nos anos 70 e 80 o Presidente da França, o Rei da Suécia ou o Chanceler da Alemanha, enquanto artistas, escritores, ricos e famosos do mundo inteiro se hospedavam nos quartos do Tropical, são hoje os lodges da Costa Rica, do Vietnã ou da Indonesia  que recebem os maiores fluxos de ecoturistas. E quando esses escolham mesmo de ficar na Amazônia, percebe se a concorrência das Amazônias peruana, colombiana, equatoriana, surinamense ou até francesa.

O charme e o luxo sustentável do Mirante do Gavião

O turismo em Manaus tem porem umas imensas oportunidades com a atualidade das preocupações internacionais para preservar a floresta amazônica, e com a procura de destinos turísticos respondendo as novas tendências do ecoturismo. Num setor de concorrência extrema, o sucesso virá pelos números projetos que já existem, tanto de alojamento – do EcoPark ao Mirante do Gavião, do Juma Lodge ao Hotel Amazônia, ou do Anavilhanas Lodge ao novo Casa Perpetua-, de lazeres  – do Museu da Borracha e do MUSA ao Festival de Ópera-, de cruzeiros – da Katerre ao Aria ou ao Belle Amazon-, ou de restaurantes – do Caxirí ao Banzeiro-. Eles já estão mostrando que o setor soube evoluir, e criar produtos e serviços oferecendo as experiencias que os viajantes procuram.

A Pousada Uacari, a excelência em termo de turismo sustentável

Para crescer mesmo, e deixar a gente sonhar numa reabertura de um grande hotel international na Praia da Ponta Negra, o turismo na Amazônia terá talvez que aproveitar três ideias. A primeira é que a expectativa internacional de proteção do meio ambiente nessa região é imensa, trazendo um dever de excelência nesse setor. O desenvolvimento do turismo será olhada de muito perto, e qualquer desrespeito das práticas exemplares em termo de sustentabilidade, qualquer aceitação de atividades ecologicamente incorretas, terão um enorme impacto em comunicação, e afugentarão os viajantes. A segunda é que o turismo de Manaus só pode ser exclusivo, os fluxos serão sempre pequenos porque o acesso é difícil e as experiencias intimistas. Com poucos visitantes, devem se privilegiar o luxo e o charme. E os produtos e serviços têm que ser de forte valor agregado para trazer ao estado e aos  habitantes os retornos econômicos indispensáveis.

O Teatro Amazonas foi decisivo para construir o mito de Manaus

A terceira ideia é que, marcas excepcionalmente conhecidas no mundo inteiro, Manaus e a Amazônia devem. para voltar a atrair os fluxos de viajantes que necessitam, apostar não somente na natureza, nas matas e nos rios, mas também nas suas Historias – a riqueza do patrimônio, começando pelo Teatro, ou a força do passado terrível do ciclo da borracha-, e nos seus povos – tradições culturais ou, mais ainda, vida autentica das suas comunidades ribeirinhas. Morreu o Hotel Tropical, mas os ingredientes de um novo ciclo do turismo em Manaus existem e podem deixar acreditar que o Fenix pode talvez pousar um dia na praia da Ponta Negra.

Jean Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue”  do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos 

Barco regional de alto padrão, o Belle Amazon navegue nos rios Amazonas, Tapajós e Rio Negro

Invino Wine Travel Summit, a hora do enoturismo

Na Borgonha, um dos oito vinhedos do mundo tombado pela UNESCO

Faltando menos de um mês para a sua inauguração, a expectativa em torno da primeira edição do Invino Wine Travel Summit  já está mostrando que o enoturismo é mesmo um setor que despertou o interesse dos profissionais brasileiros do turismo e do vinho. Patrocinado pela Air France, a Chandon e a Bourgogne, apoiado pela Atout France,  a Wine Paths, o Palace Sources de Caudalie, a Guaspari, a Rouge Brasil, o Forum de Enoturismo e os Wines of Chile, beneficiando da experiência de palestrantes e expositores vindo do Chile, da França, da Argentina e do Brasil, Invino já confirmou as inscrições das mais destacadas operadoras e agencias do setor.

Tradição e qualidade nos vinhedos do Chile

O sucesso do enoturismo é um tendência internacional. Com um indiscutível pioneirismo das vinícolas da costa Oeste americana (líder mundial até hoje com 15 milhões de enoturistas, sendo 3 milhões de estrangeiros), os “Wine tours” se espalharam em todos os grandes destinos produtores, especialmente na França cujas vinícolas recebem 10 milhões de visitantes,  4,2 milhões vindo do exterior. Hoje o mundo tem mais de 40 milhões de enoturistas que  visitam o Stellenbosch ou a Napa Valley, a Rioja espanhola ou o Vale McLaren da Australia, os “climats da Borgonha” ou a rota dos vinhos do Vale Maipo, sem falar dos procuradíssimos  vinhedos da Toscana e da Provence. No Brasil também, o sucesso das rotas gaúchas, catarinenses ou paulistas já atrai mais de um milhão de visitantes por ano.

Les Sources de Caudalie, onde enoturismo combina com bem estar e gastronomia

Os encontros de Invino são importantes devido as evoluções do enoturismo. Para os produtores, o turismo passou da simples atividade complementar a uma ferramenta chave para incrementar e diferenciar a notoriedade das marcas, uma fonte de receitas representando até 20% ou mais das vendas totais. Se transformou em uma grande oportunidade de investimentos, seja nas próprias adegas seja na hotelaria ou no bem estar.  Os perfis dos enoturistas mudaram completamente também. Enquanto os pioneiros, enólogos ou enófilos, exigiam um atendimento completamente focado em numerosas visitas e degustações, o novo enoturista é simplesmente um “bon vivant” ou até um viajante a procura de novas emoções. O vinho vira assim um dos componentes de uma viagem que incorpora também experiências culturais e gastronómicas, momentos para compras e para bem estar, ou passeios para apreciar as belezas naturais de lugares as vezes tombados pela UNESCO.

As vinicolas de Mendonça combinam com proezas arquiteturais

Para os profissionais do turismo que precisam de novos produtos e serviços com forte valor agregado, Invino vai ser um momento privilegiado para descobrir valiosas experiências. Algumas operadoras tanto de receptivo que de exportativo já investiram há muitos anos no enoturismo, e o Brasil tem valiosas realizações em ambas atividades.  Mas um grande trabalho de capacitação ainda tem que ser feito para que os agentes consigam responder aos viajantes interessados, oferecendo o destino, o vinho e o produto mais adaptados para cada perfil.  O potencial é imenso, reforçado pelo fato que os grandes países de enoturismo são ,seja vizinhos – Chile, Argentina ou Uruguai -, seja muito familiares – EEUU, França, Portugal, Itália e Espanha. Mostrando os sucessos e os “savoir-faire” adquiridos, o Invino Wine Travel Summit pode ajudar as agencias a responder a essa nova grande tendência do turismo mundial.

Jean Philippe Pérol

 

A alegria do vinho nos roteiros gauchos

A crise do marketing de destino chega na França

Rendez vous en France, encontro dos parceiros franceses e internacionais

Alem de um brutal corte de orçamentos, a crise que explodiu a semana passada na Atout France, órgão oficial do turismo francês, significa talvez o fim de um modelo de parceria inventado pela equipe de um então ministro do governo Chirac. Exclusiva dos ministérios ou das administrações publicas desde as suas origens no inicio do século XX, a promoção do turismo internacional conheceu em 1987 uma verdadeira revolução. Agregando quatro órgãos oficiais preexistentes, o ministro Descamps convenceu setenta profissionais de entrar como parceiros numa nova estrutura co-gerenciada e co-financiada pelo governo federal e os profissionais públicos e privados do setor. Era o nascimento da Maison de la France,  uma associação que chegaria a juntar 1300 empresas francesas de turismo e a estabelecer relações estreitas com mais de mil operadoras em 35 países.

Com a mudança de 2009, Atout France integrou o Ministério das Relações exteriores

A Maison de la France acompanhou a volta da França na liderança do turismo mundial, e criou um novo modelo de parceria publico privado. Em 2009 virou Atout France, assumindo novas responsabilidades na planificação do turismo e na classificação hoteleira. Nessa trajetória de sucessos, as recentes decisões do governo chocaram os profissionais e a imprensa do trade e econômica. Atout France poderia ser obrigada a reduzir de um terço a sua presencia no exterior, encolhendo o seu quadro de colaboradores e talvez o numero de países onde está operando, um paradoxo para uma autarquia que depende agora do ministério das Relações Exteriores. As ambições do governo francês, 100 milhões de turistas em 2020 e 60 bilhões de euros de receitas, seriam então seriamente ameaçadas.

As campanhas B2C sofrem dos cortes de verbas

É certo que, mesmo se o corte de quatro milhões de Euros  pode parecer limitado porque representa somente 12% do aporte total do governo, as preocupações do setor devem ser tratadas com respeito e seu impacto não devem ser subestimado. Mas seria injusto de colocar toda a responsabilidade da situação nas últimas decisões do atual governo, isso por duas razões. Em primeiro lugar deve ser lembrado que os governos anteriores realizaram cortes mais importantes ainda nos últimos 15 anos, reduzindo de até 75% as verbas de promoção, e cortando de 80% o numero de funcionários públicos colocados gratuitamente a disposição da associação. A novas tarefas de engenharia e classificação, sem dúvidas muito gratificantes e estrategicamente interessantes, foram impostas sem nenhuma contrapartidas financeiras, aumentando mais os custos fixos.

Air France, desde as origens um apoio excepcional para o turismo francês

A redução dos gastos de promoção não foi também exclusiva do governo. As grandes empresas de viagens e turismo que investiam com força ao lado do governo, emprestando funcionários e participando de campanhas de imagem da França, reduziram suas participações.  Se o apoio da Air France continua sendo excepcional, grupos como Accor, Pierre et Vacances ou o Club Med representam hoje menos de um por cento das parcerias acumuladas. Os outros órgãos públicos de promoção, a níveis regionais ou municipais, também diminuíram as suas verbas, não somente porque falta dinheiro público, mas porque são cada vez mais preocupados promover suas próprias marcas com exclusividade, sem necessária associação com o destino França, desprezando as vezes a expertise que Atout France acumulou com seus colaboradores e seus contatos.

O apoio dos profissionais foi decisivo no sucesso da Atout France

Mostrando a insensibilidade do governo sobre a importância do setor, o choque levado pela Atout France com a redução das verbas públicas acelera as perguntas sobre o modelo criado em 1987. Os seus dois pilares, marketing e parcerias, não têm mais o mesmo apelo junto aos profissionais. O marketing perde força, exprimido entre o branding sempre muito ciumento e as vendas só interessadas por ações com resultados concretos e imediatos. Sem o atrativo do dinheiro publico e seu poder de impor mensagens claras, as parcerias são mais escassas  e as ações conjuntas cada vez mais complicadas. O novo modelo que tem que surgir não pode se restringir a uma (necessária) volta das verbas do governo, mas deve reinventar o posicionamento e os investimentos dos profissionais franceses e estrangeiros. Ao governo, sim, a responsabilidade de tomar a liderança dessa reconstrução, aproveitando as competências das suas equipes e as expectativas dos seus parceiros.

Jean Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue”  do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos 

Sucesso de parceria público/privado, um modelo a reinventar?

Depois do Concorde, o sonho do Airbus 380 entra também na Historia

O Airbus A380 da Air France

Em novembro 2009, subindo a bordo do primeiro voo Nova Iorque Paris do A380 da Air France, a sensação era de participar, mais uma vez, do início de uma nova era do transporte aéreo internacional. Anunciado (e sendo) o avião mais silencioso e mais confortável do momento, capaz de transportar de 500 a 800 passageiros, o gigante da Airbus ia trazer para o transporte aéreo internacional uma revolução tão radical que o primeiro Jumbo 747 em 1969. O entusiasmo das 13 grandes companhias  participando em 1996 da primeira apresentação do então A3XX levaram a Airbus a lançar o programa em 2000, conseguindo logo 55 encomendas. A escolha do nome, A380 com o numero 8 vindo da numerologia chinesa, mostrava que a aposta principal era de se posicionar nos grandes hubs asiáticos.