Uma outra visão da Amazônia com o Mirante do Gavião

Um olhar da Amazônia francesa sobre os novos empreendimentos turísticos do Rio Negro

Brasil à Francesa

Durante uma recente estadia na minha região brasileira predileta, descobri o Mirante do Gavião, um hotel surpreendente no meio da natureza, a um pouquinho mais de duas horas de Manaus. Meio lodge de selva e meio hotel design, o conceito agrada amantes de natureza, viajantes em busca de experiência e clientes sofisticados acostumados ao melhor conforto e atendimento.

A arquitetura do hotel é muito diferente de todos os hotéis que já vi na Amazônia. Inspirado dos barcos de madeira tradicionalmente construídos na região, a estrutura redonda dos quartos e do restaurante se integra naturalmente e suavemente no meio ambiente. Nenhuma arvore foi cortada do terreno. A suite familiar de dois andares, que oferece uma vista imperdível sobre o Rio Negro, foi construída em volta de uma castanheira enorme.

Mirante do Gavião. © Foto Sitah

O hotel conta com 7 suites só. O restaurante Camu Camu, cujo cardápio rivalisa…

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No Rio Negro, os caminhos do Eldorado revisitados com charme e sustentabilidade

A piscina e o restaurante do Mirante do Gavião

Desde que foi descoberto em 1541 pelo Francisco Orellana, o Rio Negro sempre atraiu  viajantes e aventureiros. Espanhóis, portugueses, franceses, ingleses e holandeses  procuraram – e nunca encontraram-  as riquezas do El Dorado e os caminhos do lago Manoa. Procuraram – e encontraram- o canal do Cassiquiare, mítico defluente que interliga as bacias do Orinoco e do Rio Negro, delimitando as Guianas.  Nos primeiros tempos da colonização portuguesa, quando a capital ainda era Barcelos e quando Airão Velho ainda não tinha sido invadida pela (falsa) lenda das formigas, o Rio Negro foi a rota principal dos desbravadores buscando das “drogas do sertão”. E mesmo depois dos dois ciclos da borracha, os viajantes continuaram a percorrer o rio, procurando seja os peixes ornamentais seja os mistérios da Bela Adormecida ou dos Seis Lagos.

Por do sol em São Gabriel da Cachoeira

O turismo virou nos últimos anos uma das principais atividades da bacia do Rio Negro, com uma oferta dividida entre a pesca esportivo do Tucunaré na região de Barcelos – em barcos ou nos lodges especializados-, e as trilhas de aventura levando para São Gabriel e o Pico da Neblina. Mas frente as incertezas das pescarias – mudanças nos ritmos das águas e rarefação dos peixes grandes, e as precárias infraestruturas de turismo de aventura, era hora de ver novas opções aparecer, um turismo sustentável trazendo benefícios econômicos  e respeitando não somente os ecossistemas da região, mas  também o desenvolvimento sócio cultural das comunidades ribeirinhas. Essa escolha, combinada com o charme e até o luxo de um empreendimento excepcional, foi feita pelo Mirante do Gavião Amazon Lodge.

Cada detalhe do Mirante combina luxo e sustentabilidade. É a própria arquitetura do hotel, desenhado pelo Atelier O’Reilly mas inspirado dos barcos regionais e que foi realizado por marceneiros de Nova Airão. São os jardins paisagistas que respeitaram toda vegetação inicial, não sendo cortada uma só arvore durante a construção, e oferecem a cada hospede uma perfeita privacidade. São os quartos amplos com uma decoração regional enriquecida com alguns acessórios de conforto internacional -como um banheiro com ofurô- e uma varanda para gozar da vista espetacular. Surpresa ainda no restaurante gastronómico, com um cardápio assinado pela Debora Shornik misturando ingredientes amazônicos e receitas internacionais, e onde os pratos são servidos “a francesa”.

A suite Samauma do Mirante do Gavião

Nos novos caminhos turísticos abertos pelo Mirante do Gavião, as atividades e as excursões são também um grande ponto de destaque. O viajante vai descobrir  não só a natureza selvagem, mas também os seus moradores e as comunidades que vivem em comunhão com o rio e a floresta. Os guias e os tripulantes, todos oriundos da região, desenharam roteiros exclusivos durante os quais os intercâmbios,  espontâneos ou preparados na Fundação Almerinda Malaquias que trabalha em Nova Airão para reconciliar turismo, meio ambiente, geração de rendas, e respeito as culturas dos moradores. Com charme e sustentabilidade, o exemplo do Mirante do Gavião mostra que turismo pode ser um Eldorado do século 21,  abrindo novos caminhos nas beiras do Rio Negro.

Jean-Philippe Pérol

O Jacareaçu da Katerre com seus itinerarios saindo do Mirante

Sete tendências puxando o turismo de bem estar

O bem estar é hoje uma procura cada vez maior dos consumidores, não somente durante o seu dia a dia mas também durante as suas viagens. Com um mercado mundial avaliado pelo Stanford Research Institute em 587 milhões de consumidores e quase 500 bilhões de dólares em receita, as opções de estadias, de atividades, de seminários ou de Spa estão cada vez mais numerosas e diversificadas. As preocupações com alimentação, saúde, exercícios ou até o descanso fazem também parte das ferias e uma procura que se alia à vontade de viver experiências ricas, únicas, inéditas e significativas. E algumas novas tendências desse turismo do bem-estar já estão se destacando.

O Shinrin Yoku, banho de floresta japonês

O Shinrin Yoku, banho de floresta japonês

1. Aproximar-se com a natureza.

A natureza influi na saúde física e mental, reduz a angustia, o estresse ou a pressão. Ela aumenta as emoções positivas, tranquiliza e revitaliza. No Japão esses efeitos terapêuticos são encontrados no “shirin-yoku”, o banho de floresta, quando a mata ajuda a relaxar e a rejuvenescer. Spas estão oferecendo massagens na beira mar, perto de rios, ou em jardins. Trilhas são desenhadas para serem percorridas de pés descalços para poder ficar em contato com a terra. E na Suíça o Null Stern Hotel oferece um quarto sem paredes nem teto.

2. Escolher uma alimentação sadia

Mesmo viajando, os consumidores querem encontrar nos restaurantes uma alimentação sadia e equilibrada. Hotéis de luxo, Spas ou até bistros oferecem produtos bios e receitas “detox”. As tendências destacam smoothies, veggies, algas comestíveis, chá mate, especiarias, gengibre ou leite de amêndoa.

3. Seguir inspirações ancestrais

Os ritos e os tratamentos inspirados de culturas ancestrais estão cada vez mais populares pela sua suposta autenticidade. Os visitantes recebem cuidados físicos e psicológicos para limpar o seu corpo, purificar a sua mente e clarificar os seus pensamentos. As receitas são múltiplas: meditações perto de fogueira, saunas coletivas, banho de fumaça, massagens com pedras ou madeiras quentes, aromaterapia, Ayurveda.

Rocamadour, lugar de destaque do turismo espiritual da França

Rocamadour, lugar de destaque do turismo espiritual da França

4. Tirar um tempo para o turismo espiritual

Aproveitar uma viagem para cuidar de si, esquecer a rotina, descansar, tirar um tempo e pensar em reequilibrar a sua vida. Para responder a essas preocupações, muitos profissionais estão oferecendo produtos de turismo espiritual: retirada num mosteiro, estadia num “ashram”, iniciação ao Qigong ou a medicina tradicional chinesa, cursos de meditação, aulas sobre stress.

5. Escolher tratamentos adiantados ou especializados

Para agradar consumidores cada vez mais experientes, alguns estabelecimentos oferecem serviços inovadores. Alguns Spas ou clínicas oferecem medicinas alternativas como acupunctura, massagens ou reflexologia. Outros integraram tratamentos com luzes, termocoagulação ou radiofrequência. O turismo de bem estar chega assim a se aproximar do turismo medicinal, também em forte crescimento.

6. Combinar descanso com aventura

O bem estar já mostrou que pode muito bem combinar com atividades esportivas ou com turismo de aventura. Depois da adrenalina gerada por um salto de paraquedas, um passeio de ultraleve ou um percurso de arvoturismo, nada melhor que uma massagem, um tratamento de termalismo ou uma meditação para relaxar os músculos do corpo. Pacotes associando Spas com operadores de turismo de aventura oferecem assim experiências mais completas.

7. Participar de festivais e eventos

Cada vez mais festivais ou eventos destacam o bem estar nas suas programações, seja através de sequências de yoga, de meditação ou de massagens, seja exigindo que as comidas e bebidas vendidos durante os eventos sejam bio ou veggie. Alguns festivais, como Wanderlust, AnandaFest e Lolë White Tour, fizeram do bem estar sua principal bandeira.

O turismo de bem estar está crescendo na casa de 12% nos últimos anos, e as tendências para combinar viagens e estilo de vida sadio estão sendo adotadas por todos os setores do trade turísticos. Para seduzir os novos consumidores, todos, sejam hotéis, restaurantes, aeroportos, Spas, festivais, parques ou centro de convenções, vão ter que se juntar a esse estilo de vida mais sadio. E mais tendências vão aparecer, todas elas com oportunidades tanto para os viajantes quanto para os agentes de viagem que acreditarão nessas novas formas de turismo.

Esse artigo foi traduzido de um artigo original da Amélie Racine na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat

O Spa das Sources de Caudalie, especializado em vinoterapia

O Spa das Sources de Caudalie, especializado em vinoterapia

Clientes e hotéis são mesmo prontos a ser eco-responsáveis?

Ferme du Petit Segrie

A Ferme do Petit Segrie, hotel Ecoleader na Provence

Reciclagem, economia de energia, procura de produtos locais,ou apoio a agricultura biológica  são hoje atitudes cada vez mais populares, e os viajantes também afirmam preferir os hotéis eco-responsáveis. Varias pesquisas publicadas recentemente pela Accor, pela Universidade da Florida e pela Booking.com mostraram porem que esse critério não é o mais decisivo nas escolhas, a falta de informação e os custos  impedindo os desejos aparentes dos consumidores de coincidir com as verdadeiras decisões dos clientes.

Planet 21, o programa de desenvolvimento sustentável da Accor

Planet 21, o programa de desenvolvimento sustentável da Accor

A pesquisa da Accor mostra que dois terços dos clientes pensam que a preservação do meio ambiente é necessário para preservar as gerações futuras, e muitas praticas eco-responsaveis são recomendadas, sendo as mulheres e os menos de 30 anos os mais favoráveis  : 80% praticam o lixo seletivo, 81% compram eletrodomésticos eco-energéticos, 75% prefiram os produtos fabricados localmente, 33% comem alimentos biológicos. A maioria deles são também prontos a continuar com essa eco-atitude quando estão hospedados no hotéis: 64% declaram aceitar de receber a fatura somente por email, 61% de jogar o lixo de forma seletiva, 32% de reduzir o serviço de limpeza nos quartos, 31% de receber porções menores nos restaurantes, e 30% de deixar o troco em moeda local para uma associação.

Hotel Roas dos Ventos, premiados com o selo sustentabilidade da Trip Advisor

Hotel Rosa dos Ventos, Ecolider Platinum da Trip Advisor

Mas no mesmo tempo, somente 13% dos viajantes consideram que o compromisso do hotel com a sustentabilidade é um critério de escolha na hora da reserva, 57% não aceitariam um hotel mais eco-responsável mas numa outra localização e 59% não querem abrir mão do conforto para ajudar o meio ambiente. Essa mesma conclusão apareceu também numa pesquisa da Universidade da Florida: a eco-atitude só é aceita se  não prejudica o conforto, seja a climatização, os banheiros ou os serviços. E dois terços dos entrevistados afirmam que eles aceitaria de pagar um pouco mais caro para guardar o mesmo nível de conforto num hotel comprometido com um programa concreto de sustentabilidade.

Ariana Lodge in Turkey, Sustentabilidade na Booking.com

Ariana Lodge in Turkey, Sustentabilidade na Booking.com

Uma terceira pesquisa da Booking.com destaca que 68% dos viajantes seriam prontos a escolher um hotel eco-responsável se a informação fosse claramente fornecida antes da reserva (dois terços declaram não ter sido informados, 39% ignoravam a existência desse tipo de oferta), e se tivesse uma forma de comprovar a realidade das medidas anunciadas pelos hotéis (13% duvidam das promessas feitas). Os motivos de desconfiança são que esses hotéis seriam mais caros (22%) , ou que o serviço seria menos atencioso (10%).

Hotel La Rochette, na Alsacia, um hotel eco-responsável

Hotel La Rochette, um hotel eco-responsável na Alsacia

As três pesquisas mostram claramente que os viajantes estão convencidos da necessidade de respeitar um turismo sustentável. Um numero crescente de estabelecimentos estão reduzindo as suas pegadas ecológicas, preocupados em ser eco-responsáveis, mas esses esforços não são sempre conhecidos dos consumidores. A ausência de normas ou de selos de qualidade internacionais dificulta ainda a divulgação e a credibilidade dos esforços importantes que cada vez mais hotéis estão fazendo, mas é certo que as eco-atitudes serão um critério cada vez mais importante nas escolhas dos viajantes.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo de Claudine Barry na revista on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat

Novidades no turismo alem do Oiapoque

As Ilhas da Salvação, ponto turístico imprescindível da Guiana francesa

As Ilhas da Salvação, ponto turístico imprescindível da Guiana francesa

Com novos voos da Azul entre Belém e Caiena, com a abertura (prevista agora em setembro) da ponte sobre o Rio Oiapoque, e com a facilitação dos vistos, os profissionais da Guiana francesa estão acreditando que o turismo entre os dois países deve entrar numa nova fase de desenvolvimento. Dono da mas importante empresa de receptivo da região, a JAL Voyages,  Jean-Louis Antoine acredita que as inovações tecnológicas e os novos produtos turísticos sustentáveis vão criar oportunidades para o turismo amazônico

Eco-lodge da JAL nos pântanos de Kaw

Eco-lodge da JAL nos pântanos de Kaw

Quais são as novidades do turismo na Guiana francesa ?

A região amazônica tem um forte potencial de produtos originais que não podem ser encontrados em outros lugares. São por exemplo os eco-lodges flutuantes ou as hospedagens na canopeia, ou projetos de pequenos barcos movidos a energia solar, com motores elétricos ideais para não poluir e aproveitar a natureza. Os viajantes querem emoção, querem experiências autenticas, podendo mergulhar nas culturas locais . O papel dos guias, em geral índios ou caboclos, é fundamental para valorizar cada descoberta, seja de uma arvore, de um animal ou de uma paisagem. As excursões propostas agradem os turistas, mas o potencial é muito grande, muito alem dos 200.000 visitantes que a Guiana francesa recebe cada ano.

As cataratas Voltaire

As cataratas Voltaire

Quais são os freios ao crescimento?

O turismo sendo uma atividade transversal, os maiores problemas são as dificuldades de coordenação entre todos os envolvidos. As administrações são competentes e querem ajudar, mas são divididas entre os níveis federal, estadual e municipal, cada um com suas orientações, cada um com seu ritmo, e sem coordenação. Assim as coisas podem andar de um lado  e bloquear no outro. ob_72fbbe_fabius-et-jl-antoineResolvem os problemas de vistos – inclusive para os brasileiros-, mas parem na legislação do setor imobiliário ou na insuficiência de capacidade hoteleira. Dentre dos maiores problemas ainda não resolvidos, destaque-se hoje as exigências de vacinas contra a febre amarela bem como as preocupações dos americanos e dos europeus com a zika. A situação é controlado, mas os clientes são muito relutantes para se vacinar, mesmo si as exigências são impostas pela Organização mundial da saúde para todos os países da região . As pesquisas mostram mesmo que 30% deles desistam da viagem, mais ainda quando são famílias com crianças.

A ponte sobre o Rio Oiapoque

A ponte sobre o Rio Oiapoque

Qual é a primeira urgência para um desenvolvimento turístico sustentável?

A grande prioridade é a capacitação profissional. O turismo pode virar na região amazônica o primeiro empregador, direto ou indireto. Tem que ampliar as vagas nos centros de formação hoteleira ou culinária, ou nos centros de artesanato . A formação de guias –  hoje vinte pessoas por ano que recebem um diploma de qualificação em meio-ambiente amazônico – é essencial, não somente para melhorar a experiência do turista, mas também para atrair para o turismo as populações locais e valorizar os seus conhecimentos do meio ambiente natural e do acervo cultural da Guiana. Inovar na Amazônia é não somente uma necessidade tecnológica, mas também um investimento humano.

 

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo de Bertrand Figuier na revista profissional on-line La Quotidienne

Trilhas na mata da Guiana

Trilhas na mata da Guiana francesa

Em Taiti, dançando com as baleias!

Baleia brincando nas águas da ilha de Rurutu

Na Polinésia francesa, de junho a outubro, é tempo de “whale watching”, ou até de “whale swimming”. Observar as baleias Jubarte, ou mergulhar com elas, começa com uma longa espera,  de uma hora ou mais, olhando a superfície do mar para ver o jato d’agua que elas assopram quando chegam para respirar. Baleia jubarte respirando em MooreaSubindo a três metros de altura, essa nuvem característica jà era usada pelos caçadores do século XIX para definir o perímetro onde tinha que esperar a próxima aparição do animal, cada dez a vinte minutos para uma baleia adulta, quatro a cinco para um filhote. Era um momento de risco até a proibição da caça comercial em 1986, quando a população de baleias tinha caída para 20.000 animais. Depois, virou um momento de alegria, especialmente no hemisfério sul onde vivem hoje 37.000 das 66.000 baleias Jubarte, muitas delas no santuário marinho de 4 milhões de quilômetros quadrados definido pelo governo da Polinésia francesa em 2002.

Baleia pulando em Raiatea

Baleia pulando em Raiatea

Em Taiti, o “whale watching” pode ser praticado desde a terra firma, na própria ilha de Taiti, da “Pointe des Pêcheurs” e de vários pontos da estrada costeira, em Moorea, ou e em Rurutu onde as águas profundas deixam os animais chegar muito perto do litoral. baleine-et-plongeur-tahitiMas as emoções são muito maiores de barco, quando a baleia é localizada, e que o guia decide da aproximação levando o seu grupo na trajetória do animal, permitindo de quase encostar nele e, se tiver sorte, de participar dos pulos espectaculares dados pela mãe e seu filhote. Esse é o mais brincalhão. Cheio de energia com os 300 litros de leite (com 50% de gordura) que ele mama durante o dia, ele pode pular até três vezes seguidas, abrindo as nadadeiras, saindo na vertical para depois virar no ar, e se divertindo batendo nas ondas antes de mergulhar para se reaproximar da mãe.

Mergulhando com as baleias. Foto de Yann Hubert

Mergulhando com as baleias. Foto de Yann Hubert

Autorizado desde 2002 com normas rigorosas, o “whale swimming” é uma das atividades náuticas que mais cresceu em Taiti. Para os apaixonados, o encontro com as baleias têm que ser mais forte, e mais próximo. Barco de aproximão das baleiasChegando perto do local, o guia vai dar o sinal para entrar na água com máscara, snorkel e pé-de-pato. As vezes,  pode logo nesse instante ser ouvido  o canto da baleia Jubarte macho, um dos mais rico do reino animal, com amplos sons graves e agudos que podem lembrar tanto o rugido de um leão, o grito do Chewbacca de Star wars , ou o canto de uma sereia. Cuidando de não perturbar as baleias, os mergulhadores se emocionam com as subidas rápidas e as brincadeiras do filhote, com a massa imponente e poderosa da mãe que, com uma surpreendente delicadeza, sabe ficar perto de sua cria, colada na sua barriga, desenhando nas águas azuis um balé cheio de graça.

Dancando com os golfinhos, foto de Corinne Bourbeillon

Dançando com os golfinhos, foto de Corinne Bourbeillon

No inicio de novembro, as baleias Jubarte deixam a Polinésia francesa para uma viagem de 6000 quilômetros, a maior migração de todos os mamíferos . Serão  40 dias até as águas da Antártica onde poderão encontrar as duas toneladas de krill que elas precisar comer todo dia, acumulando a gordura necessária para voltar em junho do ano seguinte.DSCN1074 - copie Até chegar essa nova temporada, os viajantes poderão todavia se lembrar que as águas de Taiti, Moorea, Rangiroa ou Bora Bora são também um paraíso para se aproximar dos golfinhos, dos tubarões-baleia, dos cachalotes, das tartarugas, dos tubarões  “ponta negra” ou das raias.

 

Esse artigo foi inspirado e adaptado de um artigo original de Benedicte Menu no jornal francês Le Figaro

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Tubarões “ponta negra”em Bora Bora

Na COP21 e frente as mudanças climáticas, o turismo vilão, vítima ou solução?

A geleira "Mer de Glace" perto de Chamonix

A geleira “Mer de Glace” perto de Chamonix

Abrindo dia 30 de Novembro, a Conferência mundial sobre as mudanças climáticas virou logo um sucesso para o turismo parisiense. Enquanto Paris ainda atravessava, segundo as palavras do CEO da Accor, o vácuo dos pós-atentados, a chegada de 147 chefes de Estado e de 196 delegações encheu os hotéis e animou os profissionais.COP21 FOTO inauguração Com uma segurança reforçada, lojas, bares e restaurantes voltaram a oferecer aos moradores e aos visitantes esse arte de viver bem parisiense,  misturando prazeres, alegria e liberdade. Mas para o turismo, a COP21 não vai ser somente um evento único reunindo mas de 40.000 participantes e de 3.000 jornalistas, mas  o ponto de partida de numerosas decisões impactando uma industria que mexe com 1,1 bilhão de viajantes, 2.400 bilhões de USD de faturamento e 105 milhões de colaboradores em todos os países do planeta. E se o turismo aparece pouco na agenda das reuniões, ele vai com certeza ser muito presente seja como vilão, vitima ou solução para os cenários de mudanças climáticas que serão levantados.

A Torre Eiffel com Amor!Responsável hoje por 5% das emissões de Gases de Efeito Estufa, o turismo vai aumentar a  sua pressão sobre o aquecimento global. Com turistas provenientes de mercados mais distantes – especialmente os BRICS -, com novos consumidores das gerações X e Y extremamente pegados a viagens internacionais, o setor vai conhecer um crescimento anual de 4 a 5% e espera 1,5 bilhão de chegadas para 2030.  O seu  dinamismo econômico e social seduz os investidores e os responsáveis políticos em todos os países, todos querendo atrair novos turistas para criar empregos, gerar receitas internacionais, financiar infraestruturas e desenvolver equipamentos culturais. Muito denunciado como poluidor, o turismo produz porém duas vezes menos “GEE” que a média das industrias, e dois terços do seu impacto carbono provém do transporte aéreo. Nesse setor os esforços das construtoras, procurando materiais leves e pesquisando em motores híbridos, vão certamente melhorar ainda os resultados já atingidos (hoje 1% de economia por ano). As grandes companhias aéreas, inclusive a Air France, estão investindo em programas  para limitar as emissões nocivas. Nos outros setores do turismo, e especialmente na hotelaria, os esforços foram concentrados mais especificamente sobre os investimentos em torno da agua e da energia, bem como nas informações para mudar o comportamento do turista.

Piscina e acesso a praia dos bungalows

O turismo vai fazer muito mais, porque é hoje um dos setores mais consciente dos problemas gerados pelas mudanças climáticas, e um dos mais atingidos. É vitima a longo prazo, porque o futuro das estações de esqui pode ser ameaçado pela falta de neve, porque o excesso de calor pode prejudicar as regiões vinícolas, ou porque algumas paradisíacas ilhas do Pacifico podem perder as suas praias frente a subida dos oceanos. É vítima a curto prazo porque as perturbações climáticas – erupções vulcânicas, inundações, terremotos, tsunamis ou furacões – já mostraram nos últimos anos seus impactos devastadores, tanto para as populações locais quanto para os turistas e para toda a economia turística.

Vinhedos no Beaujolais

Devendo prever um fundo de investimento maciço de 100 bilhões de USD, principalmente em favor dos países do Sul, a COP21 pode oferecer ao turismo oportunidades de poder continuar o seu crescimento, melhorando a sua oferta para os consumidores e reduzindo os riscos aleatórios dos profissionais. Artesanato Waimiri AtroariAs novas tendências dos produtos turísticos – procura de destinos diferenciados, respeito as tradições e culturas dos moradores, à gastronomia e aos produtos locais, recusa de qualquer forma de poluição ou respeito pelas energias renováveis- encaixam-se perfeitamente com os objetivos desse fundo. Discreto mas muito presente, o turismo poderia assim  virar um dos grandes favorecidos da conferencia, vendo o reconhecimento dos seus esforços pela sustentabilidade e levando possibilidades de novos investimentos. Especialmente nos países do Sul -inclusive no Brasil-, esses poderiam beneficiar tanto os profissionais até então muito prejudicados com as mudanças climáticas, quanto os viajantes que querem continuar com os seus sonhos de descobertas e de intercâmbios nos quatro cantos do mundo. Então, obrigado Cop21?

Jean-Philippe Pérol

Paris visto do topo da Torre Montparnasse

Paris visto do topo da Torre Montparnasse

No Rio Negro, temporada de pescaria, pós-pescaria, praias e esportes náuticos !

Praias do Rio Negro

Quando acaba o inverno – no Norte, a época da chuva -, as águas dos rios do Amazonas começam a baixar, e os oito a dezessete metros da vazão mudam em algumas semanas todas as suas paisagens. Depois da explosão de beleza e de alegria do Festival de Parintins, começa para o viajante a melhor época do ano para aproveitar o espetacular leque de oportunidades que a natureza oferece nessa tão peculiar região.

Pescaria no por do sol

A mais tradicional é a pesca esportiva. Outrora pouco respeitosas do meio-ambiente, oferecendo condições de conforto as vezes precárias, e  exclusivas de grupos de homens a procura de troféus – tucunarés acima de 10 kilos-, as pescarias souberem se diversificar e se adaptar as novas exigências dos turistas. Tucunaré PacaExigindo o “catch and release”, cuidadosos com a gestão dos dejetos, valorizando as comunidades, os programas oferecidos tem também de se adaptar a crescente presencia de pescadoras ou de acompanhantes mais exigentes na qualidade dos quartos ou das cabinas, mais preocupadas com a dietética e a gastronomia, e mais sensibilizadas as belezas da natureza. Assim como no esqui – onde o “après-ski” virou fundamental – , o “pós-pescaria” está virando um argumento chave para ir pescar no Amazonas. IMG-20121229-00250O Rio Negro Lodge, o maior e mais tradicional dos lodges de pesca, oferece não somente atividades  no seu imponente Club House, mas também uma piscina de agua tratada e mais de 4 quilômetros de trilhas para caminhadas ou passeios de quads.  A preocupação com atividades é a mesma nos barcos de luxo, onde aparecem cursos de Yoga, onde os cardápios são mais sofisticados e onde no descanso dos pescadores constam birdwatching, caiaques ou esportes náuticos .

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As praias e as atividades aquáticas  são atrações únicas de certos rios da Amazônia – sendo os mais conhecidos o Rio Negro, o Tapajós ou o Araguaia.c8 Por ser o mais selvagem, o menos povoado, e ter uma agua preta acida demais para os mosquitos, o Rio Negro é para o turista o mais exclusivo. Enquanto os cruzeiros ecológicos estão disparando em toda a bacia amazônica, suas águas quentes e transparentes, suas praias de areias brancas ou suas imensidões oferecem opções que não podem ser encontradas nas águas barrentas do Peru, do Equador, da Bolívia ou do próprio Rio Amazonas. Nos roteiros dos melhores barcos da região estão agora incluindo paradas nas praias – será do Tupé, das Anavilhanas ou de Barcelos – , esqui náutico de mono ou bi-esquis, pratica de wakeboard, de caiaque ou de paddle, e até passeios de ultra-leve amfibio.

O Belle Amazon com seus dois caiaques

Há quarenta anos, na época que o turismo doméstico apenas começava, Peter Schwabe, um dos maiores profissionais do ramo, jà falava que dois destinos no Brasil tinham as melhores praias do mundo para os turistas: a Ilha de Fernando de Noronha e os rios da Amazônia.Ultra leve amfibio O “Best Traveller choice” da Trip advisor, atribuindo a praia da Baia do Sancho, comprovou a visão dele para Fernando de Noronha. Será que a temporada que começou agora nas águas do Rio Negro comprovará que a profecia era também certa para a Amazônia?

Jean-Philippe Pérol

Aproveitando a praia

 

 

O sonho do Marlon Brando, a sustentabilidade reinventando o turismo de luxo

Piscina e acesso a praia dos bungalows

Anunciado no Brasil durante a Travel Week do ano passado, o mais esperado lançamento hoteleiro de 2014, o The Brando, já cumpriu depois de seis meses todas as suas promessas. BUNGALÔ JPPInaugurado dia 1ero de Julho – dia aniversario da morte do Marlon Brando- , esse resort único na Polinésia Francesa abriu respeitando a risco a visão pioneira em inovação tecnológica e desenvolvimento sustentável do seu inspirador. A menos de 20 minutos de Papeete, o   avião da Air Tetiaroa pousa numa picada na mata de coqueiros e lhe deixa no “motu” Onetahi, ilhota de 78 hectares onde ficam os 35 bungalôs de um, dois ou três quartos, cada um com acesso a praia. Aqui, tudo é feito para o conforto, o bem estar e a privacidade dos hóspedes, com uma perfeição nos mínimos detalhes.APERITIVO É a beleza da arquitetura que mistura tradições polinésias e audácias contemporâneas, o requinte do design interno, a criatividade do “Varua polinesian Spa”, ou a escolha muito esperta dos vinhos da adega do restaurante de gastronomia francesa. Do aperitivo “Dirty Old Bob” ao “Maurice”, hipocampo mascote em vidro de Murano, do nome do restaurante “Les mutinés” aos produtos de beleza da marca Algotherm, cada detalhe contribui a surpreender e agradar o hospede.

O banheiro aberto dos bungalôs

Mas a maior novidade trazida pelo The Brando não de ser um resort de altíssimo luxo. É de ser um projeto completo, pioneiro de tecnologia sustentável e de preservação dos eco-sistemos trazendo beneficios diretos para o turista na qualidade dos serviços e do atendimento.Bicicleta no resort O SWAC, um sistema de ar condicionado utilizando a água do mar chegando a 4 graus das profundezas, ajuda a refrigerar em ótimas condições os quartos e as partes comuns. A agua dessalinizada, e depois remineralizada, é oferecida em garrafas de vidro. Os geradores utilizando o óleo de coco afasta qualquer poluição de diesel. A horta orgânica vai ajudar o chefe a se abastecer em produtos frescas e em ervas ou temperos. Assim que desejado pelo Marlon Brando, os projetos desenvolvidos na “universidade do mar”, estudos sobre os oceanos, proteção dos peixes tropicais ou das tartarugas, são abertos aos hospedes que podem visitar o centro de pesquisas científicas e conversar com os pesquisadores. A preservação do meio ambiente chega a todos os doze “motu” do atol de Tetiaroa, o visitante sendo sempre mais fascinado pelo Motu Reiono , com sua mata primaria e seus caranguejos gigantes, o Motu Rimatu’u e seus milhares de pássaros ou o Motu Horotera e seus banhos de lama.OS ATOLS DE TETIAROA Acompanhando os passeios e explicando o projeto, os guias do resort brilham pela paixão, a competência, a gentileza e a discrição. A qualidade do relacionamento humano, o orgulho e a alegria dos funcionários pela sua participação a esse projeto único, a sua vontade de convencer da sua importância e do seu pioneirismo explicam também o ambiente muito especial criado pelo The Brando.

MULHER DOS PÁSSAROS

Outrora terra sagrada, propriedade exclusiva da família real de Tahiti, Tetiaroa virou com o The Brando não somente um destino único demonstrando a capacidade de excelência e de inovação da Polinésia francesa, mas também um projeto revolucionario transformando a relação entre turismo e sustentabilidade,  agora fator incontornável de qualidade de serviço e de bem estar para o viajante.

Jean-Philippe Pérol

Tartaruga

TURISMO NO AMAZONAS, É HORA!

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Descartando de vir jogar em Manaus, Roy Hodgson, o técnico da seleção inglesa, pisou duas vezes na bola. Primeiro porque teve que engolir o resultado do sorteio que mandou a sua equipe jogar na Arena Amazônia, segundo porque mostrou que não está a par do retorno de Manaus nas rotas do turismo internacional. DSC04046Assim, é com toda lógica que o Amazonas vai ser o destino convidado na Feira Internacional de Turismo que começa em Lisboa dia 12 de Março. Empurrado pela força crescente do turismo ecológico, aproveitando a dinâmica da politica cultural do Estado e os seus numerosos festivais, facilitado pelas novas rotas aéreas vindo dos Estados Unidos e da Europa, o turismo tem agora trunfos para virar um motor de desenvolvimento sustentável para a Amazônia brasileira.

Os tradicionais passeios continuam imperdíveis. São as belezas naturais já elogiadas no livro do Jules Verne ‘A Jangada’, o Encontra das águas, as Vitoria Regia,  os passeios na selva ou nos igapós.DSCN0658 São as saudades da época da borracha quando o Amazonas era o segundo Estado mais rico da Federação, um esbanja de dinheiro ainda visível no Porto flutuante, no prédio da Alfandega, no Little Big Ben, e nas três jóias arquitecturais: o Teatro Amazonas e seu telhado vindo da Alsácia, o Palácio Rio Negro, e o Mercado Municipal, obra dum aluno de Gustave Eiffel, agora muito bem renovado.

 Mas além dos clássicos, queria sugerir três atividades  a incluir sempre que for possível. A primeira é um espetáculo no Teatro. São muitos eventos, de cinema, de jazz, de MPB, e o mais espetacular, o festival de opera que esse ano deve trazer o Carmen de Bizet. Reviver os sonhos extravagentes de Eduardo Ribeiro nesse ambiente extraordinário é para o visitante um momento mágico. c8A segunda surpresa são as praias. Me perdoe o Ceara e a Bahia, mas para mim as praias mas bonitas do Brasil são as praias do Rio Negro, praias de área branca que surgem nas beiras e no meio do Rio de setembro a março, oferecendo todos os esportes náuticos e todas as opções de banhos (inclusive com os botos cor de rosa…), em lugares exclusivos onde só chegara o seu barco. DSC04713A terceira oportunidade a não perder são as visitas das comunidades ribeirinhas, seja indígenas ou caboclas. Povos sofridos, que escreverem a heróica mas terrível historia da região ilustrada nos livros do Ferreira de Castro ou de Márcio Souza (não perder o Museu do Seringal ) , eles sempre tem historias a contar, espetáculos folclóricos a mostrar ou artesanato a oferecer. Inspiraram pintores amazonenses como Moacir Andrade ou Rui Machado. E na hora da ecologia e do eco turismo, o desenvolvimento da região tem que ser aprendido com eles, e para eles.

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O Amazonas tem também hoje uma importante oferta de hotéis (do imponente Hotel Tropical ao charmosíssimo Boutique Hotel Casa Teatro), e vários hotéis de selva de qualidade como o Ecopark ou o Anavilhanas Lodge. Numa região cuja força e beleza nasceram nas águas dos rios e dos igarapés, a melhor opção é porem o barco que oferece não so a hospedagem e um culinário regional, mas a chave para acessar a todas essas belezas que o técnico da seleção inglesa vai ser em breve tão feliz de descobrir.

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Jean-Philippe Pérol