O turismo islandês inventando os seus “Big Five”

Os “Big Five”, no século XIX os 5 animais mais perigosos para os caçadores

Referência distante as grandes caçadas do século XIX, vários países africanos colocam os “Big Five” no coração da sua promoção turística e dos seus safaris fotográficos. As grandes reservas do Botswana, do Quênia, da Namibia, da África do Sul, da Tanzania ou do Zimbabwe se orgulham assim de garantir a seus visitantes encontros seguros com os outrora temidos  leões, leopardos, rinocerontes, búfalos e elefantes. Mas no dia 3 de Março, dia Mundial da vida selvagem, a Islândia mostrou mais uma vez sua criatividade inventando para esse conceito de “Big Five” uma nova vida perto do Circulo Polar Ártico.

As auroras boreais realcem todas as atividades turísticas do pais

Já famosa pelas suas cachoeiras, suas auroras boreais e seus vulcões, a Islândia abriga também uma biodiversidade exclusiva que ela escolheu agora de valorizar na sua promoção turística. Descartando as especies invasivos – inclusive os seus simpáticos cavalos já vedetes de outras campanhas de comunicação-, Visit Islandia focou essa vez cinco animais, suficientemente raros, mas que podem ser vistos em excursões bem planejadas. Foram assim escolhidos como “Big Five” islandeses  a Baleia-jubarte, o Fradinho ou Papagaio-do-mar, o Falcão-gerifalte, a Raposa do ártico e a Rena selvagem.

A baleia jubarte é o mais impressionante dos Big Five da Islândia 

A Islândia é de fato considerada como um dos melhores lugares do mundo para observações de baleias. Com águas ricas em krill, a ilha tem varias baias onde podem ser observadas até 24 tipos de mamíferos marinhos como orca, cachalote, rorqual comum, golfim, baleia azul e baleia jubarte.  Para esta última, a temporada vai de abril até setembro, com excursões organizadas desde sete portos do litoral norte.

O papagaio do mar, um dos xodós dos ornitólogas do mundo inteiro

Milhares de ornitólogas amadores estão visitando cada ano a Islândia para observar esses coloridos pássaros que fazem seus ninhos de março a agosto em barrancos de varias regiões do pais. Perto da capital, as ilhas Akurey e Lundey, as vezes chamadas de « ilhas dos papagaios do mar  », são uma excelente opção, mas a maior colonia fica nas ilhas Vestmann, no sul da ilha, seguindo o famoso roadtrip da Estrada do circulo de ouro.  E para quem procura uma experiência mais original, a gruta de Skrúðshellir, na ilha de Skrúður accueille tem uma colonia de  300 000 animais cujos ninhos são alinhados no proprio chão da caverna.

O falcão da Islândia foi numa época uma exclusividade real

Protegidos pelos reis da Dinamarca, destacado no brazão da então colónia islandesa,  o falcão -gerifalto merece mesmo ser um dos “Big Five ” do país.  É o maior falcão do mundo, a fêmea – maior que o macho-  podendo ter até 1,6 metro de envergadura e pesar perto de 2 quilos. Ainda hoje um dos símbolos da Islândia, ele pode ser encontrado na região Nordeste, perto do lago Mývatn, ou nos arredores da Dettifoss, a mais poderosa cachoeira da Europa.

A raposa ártica é branca no inverno e cinza no verão

Único mamífero  nativo da Islândia, perfeitamente adaptada as duríssimas condições do inverno boreal, a raposa ártica é um dos animais mais procurados pelos amadores de vida selvagem que visitam o país. Capaz de sobreviver em temperaturas extremas, esse caçador experto é difícil de encontrar. O melhor lugar para a sua observação é a reserva natural de  Hornstrandir. Accessível somente de barco, pode ser visitada num passeio de um dia durante o qual será tambem possível de ver baleias, golfinhos, focas e pássaros.

Sem ser exclusivos do país, as renas integram as paisagens do leste

Se podem ser encontradas en quase todos os países nórdicos, as renas são muito embemáticas da Islândia. Elas são encontradas quase exclusivamente no leste, principalmente nos arredores da cidade de Vopnafjörður ou mais no sul, perto da famosa lagoa de Jökulsárlón dentre do parque nacional do Vatnajökull. Quem tiver a sorte de encontrar as renas  durante o inverno, correndo em baixo das luzes das auroras boreais, voltará para sua terra com imagens inesquecíveis.

Cavalos islandeses em liberdade © Business Iceland

Cavalos islandeses em liberdade © Business Iceland

Alem dos « Big Five », a Islândia sabe também promover o seu turismo com seus cavalos, uma raça bem distinta de animais pequenos e muito dóceis, ideais para passeios. A natureza e a vida selvagem do país são assim muito bem aproveitadas, mais ainda pelo sucesso das repetidas campanhas de comunicação criativas que construiram o destino. Em dez anos, o numero de turistas passou de 1,4 à 2,6 milhões e o turismo virou uma das maiores atividades econômicas do pais, gerando 45.000 empregos e 10% do PIB. 

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original da revista francesa profissional on-line Mister Travel  

Montreal, o sucesso da “turismofilia”

Montreal é líder no relacionamento entre moradores e turistas

Enquanto  a temporada de verão de muitas grandes cidades da Europa e do hemisfério Norte foi marcada pelas preocupações com o overturismo, os responsáveis do turismo de Montreal, no Canadá, podem se orgulhar de um balanço 2024 muito positivo. A metrópole quebequense  está seduzindo ainda mais visitantes sem que isso gera muitos atritos com os residentes. Os primeiros números mostraram um crescimento de 4,8% dos visitantes, com um destaque especial para os turistas provenientes dos Estados Unidos (+7,8%) et da França (+3,3%). As maiores atrações foram mais uma vez os grandes festivais culturais, como o Festival de música ao ar livre Osheagá que atraiu quase 150.000 pessoas ou o Final de semana IGA, focado nas famílias, que levou no estádio 68.000 amadores de tênis.

O Festival Osheaga é um dos grandes momentos do verão montrealense

O apoio dos residentes foi importante para este sucesso, assim que foi demonstrado na recente pesquisa realizada pelos serviços de Montreal turismo, seguido o modelo do Resident Sentiment Index da Organização Mundial do Tourisme (ONU Turismo). Realizada pelo segundo ano consecutivo, a pesquisa compara as percepções dos moradores em 13 cidades do mundo ( Barcelona, BerlimBordeauxChicago, Copenhague, Londres, LyonParis, Philadelphia, Québec, TorontoVancouverWashington). Com 30 critérios, são assim estimados os impactos do turismo sobre a economia local, a proteção do meio ambiente, a limpeza das ruas, a animação dos bairros e o desenvolvimento das infraestruturas.

Montreal deve receber mais de 10 milhões de turistas em 2024

Todos os indicadores da pesquisa mostram que os montrealenses sao mais favoráveis ao atendimento dos turistas que os moradores das outras cidades globais. 84% são orgulhosos de receber visitantes internacionais, 7% a mais que a media mundial, 71% estão prontos a receber mais turistas no futuro, 7% a mais que a media, e somente 4% tendo um sentimento de “turistofobia” em relação aos visitantes (1% a menos que a media). Os moradores são 74% a julgar que o setor tem um impacto positivo sobre a qualidade de vida  através da oferta de atividades culturais ou de lazer. Talvez por essa razão, 75% deles são também convencidos que eles participam desse sucesso como verdadeiros embaixadores do turismo  da cidade.

Montreal trabalha também sua atratividade no inverno

Para o presidente de Montreal turismo, Yves Lalumière, os habitantes são mesmo a cara da cidade, um fator essencial da estratégia de destino acolhedor, harmonioso e sustentável. Por isso é importante de sempre manter o diálogo, de valorizar o papel de cada um na experiência dos visitantes, e de insistir nos benefícios trazidos pelos fluxos de turistas  enquanto muitas outras cidades enfrentem desafios de overturismo. A pesquisa ajuda também a lembrar a todos que o turismo é um fator de atratividade, ajudando a trazer investimentos, talentos, ideias e inovações  para melhorar a cidade e a qualidade de vida a seus moradores.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original da revista francesa profissional on-line Mister Travel  

Fretamentos de iates: a Grécia enfrenta novos concorrentes

Segundo os dados publicados pela empresa Riginos Yachts,  líder do setor, os aluguéis de iates tiveram uma alta espetacular  nos últimos anos em todos os portos do Mar Mediterrâneo. Para as embarcações de lazer de mais de 20 metros de comprimento – o principal critério definindo a categoria-, os pedidos passaram de 2350 fretamentos em 2020 para 5800 em 2021, e 7200 em 2022,  se estabilizando a 7100 em 2023. Além da vitalidade do turismo de luxo, e da procura para este tipo de serviços muito exclusivos, o diretor da empresa, Konstantinos Angelopoulos atribui o sucesso da Riginos ao dinamismo de vários mercados, principalmente a Alemanha, a França, a Espanha e a Austrália.

Luxo e exclusividade em todos os iates da Reginos

Mas não é somente na Grécia que os aluguéis de iates estão crescendo. Seguindo as novas tendências do turismo, o fretamento de um barco de luxo com parentes ou amigos é uma oportunidade de viver experiências únicas e de descobrir destinos nem sempre acessíveis de outras formas, isso com o conforto e os serviços de um hotel de 5 estrelas. A Grécia já era líder mundial em 2022 com 26% da procura de iates, e a França e a Itália vinham logo em seguido com 17% cada uma. As tendências se confirmaram em 2023. No Mar Mediterrâneo, a Grécia passou a deter 31% do mercado enquanto a França e a Itália chegaram respetivamente a 20% e 19%. Esses resultados  devem muito, segundo Konstantinos Angelopoulos as isenções de taxas sobre combustível dadas pelo governo grego que compensaram a concorrência de iates mais diversificados e mais modernos oferecidos nos portos italianos e franceses.

O serviço a bordo é fundamental para experiência no iate

Assim, enquanto se trata do número de iates disponíveis para aluguéis em 2023, a Itália ficou em primeiro lugar com 450, seguida da França com 430, a Grécia aparecendo somente em terceiro lugar com 400, e o resto do mundo com 820. Esses números devem continuar a crescer em 2024 com a evolução das vendas, tanto para os barcos novos que para os barcos de segunda mão, dobrando para os iates de mais de 30 metros  e triplicando para os iates de mais de 60 metros. O mesmo crescimento é observado nos estaleiros. Segundo Merjin de Waard, fundador de Superyacht Times e membro do conselho da “Superyacht Life Fondation”, o número de iates de mais de 30 metros em construção passou de 480 em 2021, para 604 em 2022 e 648 em 2023. A maioria dos estaleiros estão sem disponibilidade, e alguns só aceitam encomendas para 2028.

@francisco viana

Paisagens exclusivos e encontros autênticos caracterizam os cruzeiros amazônicos

Alem dos portos tradicionais,  do Mediterrâneo e  do Caribe, os aluguéis de iates estão também crescendo em outros destinos, na Tailândia, na Indonésia, no Emirados, na Arabia Saudita e mais ainda na China que está se projetando como o primeiro mercado mundial para próxima década. O Brasil, com a riqueza do seu litoral e o imenso potencial dos rios amazônicos, é sem dúvidas já candidato para constar nesta lista do destinos inovadores para amadores de iates e de experiências autênticas e exclusivas.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original da revista francesa profissional on-line Mister Travel  

A alta costura se apaixona pela hotelaria de luxo

Moda, cultura e hospedagem são cada vez mais interligadas

A moda está se apaixonando pela hotelaria de luxo … e os gigantes do setor estão aproveitando seu “savoir faire” em produções exclusivas para oferecer novas fórmulas de hospedagens a seus clientes privilegiados, especialmente estadunidenses e árabes. Louis Vuitton, Bulgari, Louboutin, Armani, Dolce & Gabbana, Ferragamo ou até mesmo a revista de moda internacional Elle  estão assim investindo em hotéis com quartos e suítes de luxo, serviços personalizados, incluindo personal shoppers, acessos exclusivos a suas lojas, ou visitas particulares de museus pertencendo às vezes aos mesmos grupos econômicos.

A LVMH abriu em Shanghai um ícone da hotelaria de luxo

O grupo LVMH, já proprietário desde 2018 da marca Belmond e com o Orient Express na sua carteira, ampliou em 2021 sua marca Cheval Blanc com seu esperado palace em Paris, estabelecimento de 70 apartamentos dominando o Rio Sena e oferecendo um spa da Dior. A própria Vuitton deve abrir em 2026 um boutique hotel de “ultra luxo” no Champs Elysées, com a promessa de uma experiência única no universo da famosa marca. O grupo é também dono da Bulgari que comercializa hotéis cinco estrelas em Paris, Londres, Milão, Roma, Tóquio, Dubai, Bali, Pequim e Shanghai. Bulgari anunciou mais aberturas para os dois próximos anos nas Maldivas, em Los Angeles e em Miami Beach.

O “Vermelho”, primeiro hotel do Louboutin em Portugal

No ano passado, o estilista Christian Louboutin inaugurou o  seu primeiro hotel , o “Vermelho” (o nome se refera a cor emblemática da sola dos famosos sapatos, inspirada do esmalte das unhas da sua assessora), na cidade portuguesa de Melides, no Alentejo, a uma hora e meia no sul de Lisboa. O hotel possuí somente 13 quartos e foi construído com um cuidado especial para a sua integração no meio ambiente deste vilarejo que parece ter ficado no século XIX. Azulejos, afrescos, portas e peças únicas são homenagens ao artesanato, a criatividade e a arte para oferecer aos viajantes uma experiência exclusiva.

O Portrait hotel da Ferragamo em Florença têm uma localização excepcional

Na hotelaria italiana, o destaque é a família Ferragamo com a coleção Lungarno, fundada em 1995 e que tem na sua carteira três estabelecimentos da marca Portrait em Milão, Florença  e Roma. Ainda na capital da Toscana, o grupo tem o seu histórico Hotel Lungarno, o Continentale, a Galeria Hotel Art e os Apartamentos Lungarno. As outras marcas italianas de moda investindo em hotéis, não podia também faltar nem a Armani que abriu dois  5 estrelas, um em Milão e outro em Dubaï, nem a Versace, nem mesmo a Dolce & Gabbana.

A suite Gianni do “The Villa” da Versace em Miami

Na famosíssima Casa Casuarina de Miami, ícone da arquitetura dos anos 30 inspirada do Alcazar de Cristovão Colombo em Santo Domingo, a Versace abriu “The Villa” um boutique hotel de luxo de somente 12 suítes, que atrai celebridades pelo seu restaurante e seus salões de eventos. Fazem também parte do grupo o Palazzo Versace em Dubaï e o Grand Lisboa Palace em Macau. Mas quem quer mesmo marcar a hotelaria de luxo em Miami é a Dolce&Gabbana que anunciou o lançamento de um espetacular projeto de condomínio num arranha céu de 320 metros que será aberto até 2028. Estão previstas 259 residências, restaurantes, bares, piscina na cobertura e spa.  O design da fachada e dos interiores deve mostrar as características da marca bem como o encontro do glamour e da elegância da Itália e de Miami.

O futuro   “888 Brickell” da Dolce & Gabbana em Miami

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original da revista francesa profissional on-line Mister Travel  

O novo ranking do turismo na América Latina

A energia mágica de Teotihucán

Publicando as suas esperadas estatísticas 2023, a ONU turismo (ex OMT, Organização Mundial do Turismo) mostrou muita confiança nos resultados da América latina. Superando a pandemia,  essa região do mundo se firmou com suas grandes variedades de belezas naturais, de  experiências culturais e humanas, e de riquezas patrimoniais ou históricas. O novo ranking da ONU turismo destacou evidentemente o México,  um pais que voltou a ser o líder indiscutível do setor, disparando na frente do segundo colocado – a popular Republica Dominicana- e longe do terceiro – a criativa e diversa Colombia.

A República Dominicana se consolidou num tranquilo segundo lugar

Com mais de 38 milhões de entradas, já superando de 13,4% os números de 2019, o turismo internacional do México registrou um aumento de 6,1% em relação a 2022, principalmente nos três paises que representam mais de 76% dos seus visitantes: Estados Unidos, Canada e Columbia. Os números mostram que esses três mercados de proximidade cresceram de 23 à 27% em relação a 2019, sendo responsáveis  pelo sucesso da recuperação pos pandemia de 13,4% do setor, compensando a demora da retomada dos viajantes internacionais oriundos do resto do mundo.

Perto de Cancun, o excepcional acervo maia de Tulum

Perto de Cancun, o excepcional acervo maia de Tulum

Procurando praias, cidades históricas, sítios arqueológicos únicos, cozinha peculiar e festas autenticas, os turistas se concentram principalmente em três regiões do Mexico. Em primeiro lugar se destaca Cancún, a Riviera Maia e o Yucatan, com quase 50% das entradas de turistas, onde os atrativos do Caribe se juntam com as ruinas excepcionais de Tulum, Chichen Itza, Uxmal ou Palenque. Vem depois com 20% das chegadas a cidade de Mexico e seu acervo de turismo urbano combinando as heranças de Teotihuacan e de Tenochtitlan, as arquiteturas coloniais, e um dinamismo envolvente. Com um dinamico coquetel de praias, aventuras e enoturismo, a Baja California vem em terceiro lugar com 11% dos viajantes internacionais.

A experiência exclusivo do por de sol em Los Cabos

O ranking estabelecido pelo relatório da ONU turismo surpreendeu muitos especialistas. O Peru ficou no décimo lugar, um posicionamento decepcionante para um pais já conhecido pela riqueza da sua herança cultural, as suas infraestruturas hoteleiras de qualidade, uma gastronomia que se firmou nos últimos anos e umas campanhas de promoção emblemáticas. O Brasil do seu lado segue num modesto quinto lugar, longe do seu potencial de primeira potência da América latina, e da sua oferta tão abrangente.

Mesmo com seu acervo excepcional, o Brasil não passa de um quinto lugar

Segundo a ONU turismo, o ranking dos paises da América Latina que receberam o maior numero de turistas em 2023 é o seguinte :

1) Mexico : 38,33 milhões

2) República Dominicana : 7,16 milhões

3) Colombia : 4,40 milhões

4) Argentina : 3,89 milhões

5) Brasil : 3,63 milhões

6) Jamaica : 2,48 milhões

7) Uruguai : 2,43 milhões

8) Costa Rica : 2,35 milhões

9) Chile : 2,03 milhões

10) Peru : 2,01 milhões

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original da revista francesa profissional on-line Mister Travel  

American Airlines: o fim dos serviços comerciais para as agências de viagens?

American Airlines com novas estratégias na era da retomada

Esperada desde o mês de Abril, e já realizada nos Estados Unidos apesar das importantes críticas do setor, a reestruturação da sua força de vendas europeia foi anunciada  pela diretoria da American Airlines. Numa decisão dramática, tomada num momento  de forte crescimento do volume de vendas e dos resultados da empresa, todos os funcionários dos serviços comerciais de vendas e de suporte da Alemanha, da Itália, da França e da Espanha foram despedidos. Em toda Europa, foram somente preservadas 10 pessoas da equipe na Inglaterra, além do call center de Liverpool.

A British e a Iberia deverão assumir os serviços cortados

Essa estratégia, coordenada com seus parceiros da One World, segue o exemplo de outras companhias aéreas dentro das alianças concorrentes: a Lufthansa na Star Alliance, ou a Air France com a Delta na  Sky Team, iniciado na América do Norte e inspirado do acordo anterior da KLM com a North West. A restruturação já tinha sido iniciada com um serviço cliente chamado JBS (Joint Business Selling), operado com a British Airways e a Iberia que devem agora assumir todos os serviços da American Airlines. O atendimento personalizado será exclusivo das grandes contas empresariais.

Os agentes duvidam da neutralidade da NDC em relação às vendas diretas

Essa reorganização pode também ser a consequência da vontade da American de favorecer a NDC (New Distribution Capability), uma nova norma tecnológica do setor para a distribuição e a venda de passagens pelas companhias aéreas e as agências de viagens. Com uma oferta muito mais completa que os ferramentas de distribuição tradicional, a NDC é acusada de romper a neutralidade oficial em relação aos circuitos de distribuição. O CEO da American Airlines, Robert Isom, teve que confirmar que todas as medidas tomadas  eram consequências da prioridade dada às vendas  diretas, e que isso poderia ter um impacto sobre o relacionamento com as agências.

Vendas diretas e bleisure devem compensar a queda das viagens de negócios

Mesmo preocupando os profissionais do turismo, a estratégia escolhida, tanto com a NDC, que, com a redução drástica das equipes de vendas, e a aproximação maior com as grandes empresas aparece como uma resposta a queda duradoura das viagens de negócios, cujos volumes são ainda 19,2% abaixo do nível de 2019. Os resultados do primeiro trimestre estão 37% acima do ano passado,  mas de 12 bilhões de USD, tanto pelo aumento de 9,2% da oferta que pelo forte crescimento das tarifas domesticas e internacionais, e as ações da America

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original da revista francesa profissional on-line Mister Travel  

 

Depois do sucesso da Copa, o Qatar aposta nas famílias

Depois do sucesso da Copa, o Qatar quer apostas nas famílias

Escolhida pelos ministros da Liga Árabe  como capital do turismo árabe 2023, Doha quer que o sucesso da Copa do Mundo seja somente um primeiro passo para que o Qatar  se torne um grande destino turístico.  Frente a seus bem sucedidos concorrentes regionais, Dubai, Emirados e Arábia Saudita, a Qatar Tourism quer agora aproveitar seus atrativos, infraestrutura, segurança e natureza para atrair novos públicos. Com um objetivo de 6 milhões de visitantes em 2030, o pequeno país quer agora atrair as famílias querendo viver em conjunto experiências inesquecíveis: das praias seguras e exclusivas e os parques de atrações, das imersões culturais até a descoberta do deserto.

No Souk Walid, o centro animado da cultura e da gastronomia locais

Souk Walid, o centro animado da cultura e da gastronomia locais

Na capital, o passado e o presente são apresentados no Museu Nacional do Qatar, com experiências audiovisuais interativas para todas as idades sobre a formação, a pré-história e a história do país. O Museu Olímpico e Esportivo 3-2-1 tem varias galerias com animações, desafios e áreas de jogos para crianças. As instalações e as ofertas para famílias são também presentes no Museu de Arte Islâmica e do seu parque, bem como no Mercado Waqif, coração cultural e social do Qatar, autêntico “souk” oriental onde os beduínos traziam outrora suas mercadorias e onde o visitante pode encontrar hoje peças de artesanatos locais ou experimentar a gastronomia local.

Quest Doha é o parque da historia, do presente e do futuro da cidade

Doha oferece quatro parques de atrações para as famílias. Quest Doha leva os visitantes numa viagem com três dimensões temporais: em Oryxville, a exploração do passado árabe, na Cidade da Imaginação,  a apresentação do presente,  e, em Gravity, um porto espacial do futuro. Quest Doha já registrou dois recordes no Guiness Book com sua montanha russa e sua Drop Tower, as mais altas do mundo. Para os mais jovens, o Doha Festival City mall abriga o primeiro Angry Birds World do mundo, e, para os mais velhos, Virtuocity, o primeiro e-gaming hub do Oriente Medio. E no Villaggio mall, o parque Gondolania é focado em passeios de barco em canais artificiais inspirados das tradições de Veneza.

A tranquilidade e a beleza das águas e das dunas do Mar Interior

As famílias só precisam de uma hora de carro para aproveitar as dunas e as praias do Khor Al Adaid, o espetacular mar interior do Qatar. Os programas combinam aventuras no deserto – brincar na areia, andar de camelo, ou entender o papel do falcão na caça tradicional-, esportes náuticos nas aguas calmas e cristalinas, ou passeios de caiaque nas florestas de mangrovas de Al Thakhira ou de Purple Island. No norte do país, perto do histórico forte de Al Zubarah, a fazenda de North Sedra é uma boa surpresa para as famílias com jovens crianças. É um espetacular destino de agroturismo com produtos e animais da região, um pequeno museu sobre a agricultura e o artesanato tradicionais, bem como um zoológico com vários orixes, os  grandes antílopes de chifres gigantes que viraram os animais icônicos do Qatar.
Esse artigo foi adaptado de um artigo original da revista francesa profissional on-line Mister Travel  

A nova campanha de Visit Qatar foca nas famílias

O Marrocos com mais ambições para seu turismo

Em Mykonos e Lesbos, o turismo numa encruzilhada

Os moinhos de Mykonos, ícones turísticos da ilha

Junto com Ibiza, Mykonos é um grande destino de festas do Mar Mediterráneo

Assim como Ibiza, outra ilha festiva do Mar Mediterráneo, Mykonos é um destino privilegiado do turismo gay, com ofertas diversificadas, românticas ou transgressoras, adaptadas a todos os tipos de visitantes.  Desde os anos sessenta e setenta, infraestruturas turísticas incentivadas pelo governo grego  foram construídas com apoio de investidores locais. A vontade das autoridades fazer da ilha um lugar hospitaleiro, símbolo de liberdade, de tolerância e de intercâmbio cultural, o apoio dado aos eventos e a vida noturna, criaram desde então um clima peculiar que atraiu a comunidade LGBT+.

Novos mercados e barcos de luxo ajudam a diversificar o turismo na ilha

O sucesso da temporada 2022, – onde será talvez atingida a meta de 2 milhões de turistas nessa pequena ilha de 11.000 habitantes-, levou muitos ilhéus a criticar um modelo econômico levando ao overturismo e a mais ameaças sobre o meio ambiente. Associações de moradores estão pedido para privilegiar o turismo cultural, aproveitando o património da ilha mas também a proximidade de Delos, a pequena ilha – distante de somente 6 quilómetros- sagrada onde nasceram o deus sol Apolo e sua irmã Artemis. Acordos com companhias aéreas do Oriente Médio e um novo porto para super iates poderão incentivar o já importante turismo de luxo procedendo dos países do Golfo.

Longe do overturismo, Lesbos quer reconstruir sua imagem

Se Lesbos se abriu ao turismo também nos anos sessenta, e se seu nome bem como o prestigio da sua grande poetisa Safo atraíram desde suas origens muitos viajantes da comunidade LGBT+, esse grande ilha se desenvolveu de forma completamente diferente de Mykonos. Longe do overturismo (ele nunca recebeu mais de 100.000 viajantes por ano), oferecia tranquilidade e itinerários culturais a visitantes vindo principalmente da Inglaterra e da Alemanha, quase exclusivamente mulheres. Mas a ilha enfrentou nos anos 2015 e 2016 uma grave crise migratória que acabou não somente com seus fluxos turísticos mas  danificou a sua imagem.

O Festival de Eresos atrai milhares de mulheres

Para dar uma nova dinâmica para o seu turismo, Lesbos vai continuar a investir na herança da Safo, muito bem explorada em Eresos . Nessa tranquila pequena cidade, localizada perto de uma das mais bonitas praias da ilha, a presencia da poetisa é onipresente. É là que é realizado o “International Eresos Women’s Festival “ que reune milhares de mulheres numa festa exclusivamente feminina. Mas a ilha quer também valorizar agora suas águas turquesas, suas oliveiras, seus pitorescos vilarejos ou sua fortaleza medieval de Molyvos.  E nos terroirs de Plomari e Mitilena, os moradores se orgulham de produzir um dos mais tradicionais (e dos melhores?) ouzos da Grécia.

A poetisa Safo, musa das mulheres LGBT+, é omnipresente em Lesbos.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original da revista francesa profissional on-line Mister Travel

Depois dos influenciadores, a hora dos “experienciadores”

A experiência pessoal traga autenticidade as mensagens

Para promover marcas ou destinos, os marqueteiros já inventaram os embaixadores – muitas vezes artistas ou celebridades cujas famas eram suficientes para convencer os consumidores. Depois viram os blogueiros – e até os vlogueiros-, enquanto a explosão das mídias sociais fez o sucesso dos influenciadores, dos youtubers ou dos instagramers. No mundo da realidade virtual, a inteligência artificial  está trazendo agora os vtubers, virtuais youtubers. Nascidos no Japão e desenvolvidos nos Estados Unidos, são influenciadores digitais que publicam vídeos no Youtube usando um avatar afim não mostrar seu rosto.

O influenciador

Experienciadores se imponham com expertisa, paixão e sinceridade

Nos ecosistemas do marketing de influencia, as últimas pesquisas mostram porém a grande procura de autenticidade. Segunda o instituto francês IPSOS, a notoriedade dos influenciadores é hoje menos importante que sua expertisa, sua paixão e sua sinceridade para recomendar uma marca, um produto ou um serviço. A pesquisa mostrou que milhões de seguidores não mais são mais a chave de ouro, e que intercâmbios mais ricos, mais fáceis e mais impactantes podem ser realizados com influenciadores seguidos por somente dez mil pessoas mais qualificadas. Parece assim que chegou a hora dos “experienciadores”.  

Vtubers tentam fazer dos avatars uns concurrentes dos youtubers

A coerência, a sinceridade e a credibilidade são as características esperadas desses novos influenciadores, capazes de passar nas suas comunidades uma mensagem cuja força vem da experiência e da paixão vindo de pessoas reconhecidas pelos pares.  Os “experienciadores”  são bem sucedidos em muitos setores, nas administrações públicas, na beleza, na moda, na gastronomia ou na distribuição de alimentos. Mas é certamente o turismo, com seus consumidores ávidos de conselhos e seus fornecedores  generosos em convites de viagens ou de produtos,  que oferece o maior campo de desenvolvimento. 

A experiencia faz a diferencia com os influenciadores tradicionais

Os “experienciadores” respondem as novas tendências, trazendo um verdadeiro valor agregado com sua expertisa, sua experiência pessoal e sua lógica de conselho, numa relação de proximidade – mas não de confiança cega- com seus seguidores. Diferentes tanto dos jornalistas que dos influenciadores tradicionais, eles  destacam pontos positivos e negativos dos produtos ou dos destinos que eles experimentam. Criando conteúdos autênticos e convincentes, eles vão com certeza ter um papel crescente no marketing do mundo do turismo que está surgindo depois da crise.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Evelyne Dreyfus na revista francesa profissional on-line Mister Travel