A guerra do 5G chega nos aeroportos

Fator chave da guerra comercial entre as super potencias do século XXI, o 5G já começou a mexer com todos os setores econômicos. Trazendo imensas opções de comunicação ilimitadas para os atores do transporte e do turismo internacional, oferece assim para os aeroportos a possibilidade de virar verdadeiras cidades inteligentes. Veículos, funcionários, maquinas e passageiros serão todos interligados para ser acompanhados em tempo real, facilitando processos e controles. As autoridades aeronáuticas estão porem cautelosas, e um relatório da Direção da Aviação Civil da França enfureceu há duas semanas as operadoras telefônicas depois de levantar suspeitas sobre um risco trazido pelas antenas 5G.

As autoridades francesas estão cautelosas com as antenas 5G

Retomando acusações publicadas há dois meses num  relatório  americano, o comunicado das autoridades francesas afirma que a banda hertziana utilizada pelo 5G levanta um risco importante para o funcionamento dos radio altímetros dos aviões, aparelhos de bordo medindo as distâncias em relação ao solo que precisam dessa mesma frequências. Sem levar em consideração as prováveis dimensões políticas do relatório americano cujas empresas precisam de tempo para recuperar seu atraso tecnológico em relação a Europa e a China, foram assim pedidos mais análises técnicas, atrasando assim as autorizações das instalações das necessárias antenas.

O Brasil quer a maior concorrência entre os 4 grandes da 5G

A preocupação das operadoras telefônicas francesas vão alem dos aeroportos. Avisaram que a posição das autoridades  pode não somente prejudicar a chegada de novas tecnologias nos aeroportos, mas também impedir o acesso ao 5G das áreas urbanas próximas. Segundo um especialista, “as precauções são legitimas, mas 7% da população mundial já vive com o 5G, e nunca teve nenhum problema com os aviões. O maior risco, com essas dúvidas, é de ver as teorias complotistas, alimentadas pelo concorrência e por setores políticos extremos,  voltar com mais força. “Cientes do problema, as autoridades lembram que 96% das antenas necessárias a nível nacional já foram autorizadas e que uma solução para os aeroportos vai com certeza ser encontrada, assim como já foi na Alemanha.

Helsinki foi o primeiro aeroporto a ficar pronto para 5G

Quem quer que seja o vencedor da guerra tecnológica, as novas exigências operacionais e securitárias dos aeroportos vão precisar do 5G. Não terá mais cartão de embarque, mas câmeras com reconhecimento facial, as informações  poderão ser mandadas para cada passageiro de forma individualizada. Os tempos de espera e as filas nos controles – de policia, saúde, alfândega ou segurança- devem também ser muito reduzidos com os projetos de “One ID” com informações biométricas divididas entre os vários países do itinerário do viajante . Em Helsinki, Bruxelas, Londres, Bangkok, ou em Seul- pioneira nesse setor-, os aeroportos está trabalhando nesse sentido, aproveitando os recursos do 5G para melhorar a qualidade da experiência do passageiro bem como a segurança de todos.

O aeroporto de Seul é um pioneiro da tecnologia “One ID”

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista francesa profissional on-line Mister Travel

Nos EE-UU, na Europa, na China ou no Brasil, os surpreendentes megahubs mundiais!

Air France comemorando com a Gol e o Ceará o seu hub de Fortaleza

Nunca se falou tanto dos “hubs”, essas plataformas de correspondência aeroportuárias onde as companhias aéreas concentram parte dos seus voos para assegurar aos seus clientes conexões rápidas e seguras. Os hubs estão crescendo no mundo inteiro, inclusive no Brasil, onde Fortaleza está virando um grande hub nordestino, reforçado com a próxima chegada do grupo Air France -KLM ligando, com a cumplicidade da GOL, o Norte e o Nordeste com Paris e Amsterdã. A nível mundial, a OAG (Oficial Airlines Guide) acabou de publicar uma pesquisa pontuando e classificando os maiores hubs mundiais em função dos números de conexões oferecidas aos viajantes dentro de um prazo de seis horas. Mas, enquanto os especialistas esperavam que os Estados e a China iam se mostrar líderes disparados, os resultados mostram uma realidade diferente.

Londres, primeiro hub internacional segundo o OAG

De forma surpreendente, não tem nenhum aeroporto chinês ou norte americano, e nenhum aeroporto dos temidos países do Golfo, no pódio dos três primeiros megahubs mundiais. O  vencedor disparado é Londres Heathrow, que aparece como o aeroporto internacional mais conectado do mundo. No último mês de julho, ele chegou a oferecer até 72.000 opções de conexões de chegadas ou de saídas, domésticas ou internacionais, num prazo de seis horas. Atrás vêm Frankfurt e Amsterdã, assegurando para a Europa uma inesperada liderança, ainda confirmada com a posição de Paris Charles de Gaulle em nono lugar, e de Munique em décimo quarto.

O aeroporto de Pequim, ainda fora do Top 30 mundial

No Oriente Médio, nos disputadíssimos caminhos para a Índia e a China, Dubai consegue ficar em 20º lugar, mas é ultrapassado por Istambul, agora em 15º lugar, com rotas aéreas para 270 destinos. Na Ásia e no Pacífico, 16 aeroportos constam no ranking do Top 50, sendo a liderança do megahub de Singapura (em sexto lugar do ranking geral) com 35.000 opções de conexões. A surpresa vem da China, que não coloca nenhum aeroporto nos vinte primeiros, somente três nos cinquenta primeiros – Xangai, Pequim e Cantão -, e que é ultrapassada pela Indonésia (Jacarta), Malásia (Kuala Lumpur), Hong Kong, Tailândia (Bangkok) e até a Coreia (Seul).

São Paulo coloca seu megahub somente em 42º lugar

Nas Américas, o aeroporto de Nova Iorque JFK fica somente em 18º lugar, ultrapassado pelo “most busy in the world” O’Hara de Chicago, pelo menos esperado Toronto Airport, e até por Atlanta, Los Angeles e Miami . O Brasil somente aparece na lista em 42º lugar (com uma pontuação de 120) com o aeroporto de Guarulhos, terceiro da América Latina atrás de México (21º) e de Bogotá (41º). São ainda incluídos no Top 50 os megahubs latinos de Porto Rico (46º) e de Panamá (47º).  A pesquisa da OAG destaca, porém, que no ranking especifico dos aeroportos oferecendo as melhores conexões em termo de voos low-cost, Guarulhos aparece num promissório 23º lugar.

O ranking e a pontuação OAG dos 20 primeiros megahubs internacionais

1 – Londres Heathrow    379
2 – Frankfort   307
3 – Amsterdã   299
4 – Chicago  295
5 – Toronto  271
6 – Singapura   257
7 – Jakarta   256
7 – Atlanta   256
9 – Kuala Lumpur   242
9 – Paris CDG  242
11 – Los Angeles   235
12 – Hong Kong   233
13 – Bangkok   226
14 – Munique   221
15 – Istambul   219
16 – Miami   204
17 – Seul   196
18 – Nova Iorque JFK   195
19 – Houston   184
20 – Dubaï   183

A lista completa e a metodologia da pesquisa podem ser encontradas no site da OAG

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista profissional online La Quotidienne

Depois dos trágicos eventos de Paris, algumas informações para os viajantes

A Torre Eiffel solidaria

Depois dos eventos do dia 13 de Novembro em Paris, os responsáveis pelo turismo na cidade divulgaram algumas informações importantes para os profissionais e os viajantes. As fronteiras internacionais continuam abertas, e viagens de e para a Paris são normais. Os passageiros que precisam de vistos Schlengen (não é o caso dos brasileiros) podem pedir e usar-los sem problemas. A estação de trem Saint LazareAs chegadas internacionais, mesmo provenientes de países da Europa, podem ser controladas, sendo então necessários os documentos exigidos para viajar. Todos os aeroportos da capital bem como todas as estações de trem funcionam normalmente, sendo porem necessário de prever um pouco mais de tempo para passar os controles de segurança. Não tem também nenhuma restrição nas viagens entre Paris e qualquer outro destino na França.

Museu Rodin, a reabertura

Importantes medidas de segurança foram tomadas, a começar pelo estado de emergência. Esse não tem impacto direto sobre os visitantes franceses ou internacionais chegando em Paris, mas vai permitir de facilitar o trabalho dos policiais. Todos os protestos são proibidos até o dia 22 de Novembro, e os eventos particulares são autorizados sob a responsabilidade dos organizadores. Para reforçar a segurança publica, 3.000 soldados suplementares estão patrulhando a cidade, sendo triplicados nas maiores áreas turísticas como Montmartre, os Champs-Elysées, o Trocadero e a Torre Eiffel, o Museu do Louvre, Notre-Dame e a Opera. IMG_2732A policia dobrou as rondas no metro, e nas linhas de RER para Versalhes e para Disney. As autoridades lembraram também que são agora 5.000 funcionários que cuidam da segurança nos aeroportos que 16.200 cameras são instaladas nas ruas e nos transportes urbanos. Nesse ambiente de grande vigilância, os locais mais procurados pelos turistas estão quase todos abertos, inclusive os museus e os centros culturais. Os “grands magasins”, o Printemps, as Galerias Lafayette ou o Bon Marché, estão funcionando normalmente, bem como os jardins públicos e os parques de lazer.

shopping montmartre

No site do turismo parisiense , onde a cidade-luz agradece também pelas inúmeras mensagens de solidariedade, consta a lista atualizada dos locais abertos aos visitantes, bem como a confirmação dos principais eventos programados, especialmente a famosa Conferencia das Nações Unidas sobre o clima. COP21A COP21, a qual devem participar mais de 120 responsáveis políticos, é confirmada do 30 de novembro ao 11 de dezembro. Falando para os congressistas franceses, o Presidente Francois Hollande lembrou : “Devemos continuar a trabalhar, continuar a sair, continuar a viver, continuar a trazer ideias para o mundo. O grande encontro da Conferencia sobre o clima deve não somente ser mantido, mas virar um grande momento de esperança e solidariedade”.

Cristo solidario

Malaysia airlines, Germanwings, toda segurança deve ser revista?

GERMANWINGS

A queda do voô da Germanwings e a morte dos 149 passageiros foi um choque terrível para todos os viajantes. Os últimos instantes revelados pelas gravações,a loucura do co-piloto, o desespero do piloto e os gritos dos passageiros, a incapacidade da Germanwings a perceber a patologia e a tendência ao suicídio do seu funcionário, ou o silencio dos médicos frente a tamanho risco , todas as ultimas revelações deixaram milhões de pessoas abismadas frente a falhas de segurança que as autoridades aeronáuticas e as companhias aéreas – nesse caso uma das mais prestigiosas- foram incapazes de prevenir. Claro que medidas já estão sendo estudadas, a primeira dela – a permanência obrigatória de duas pessoas no cockpit – jà sendo sugerida pela comissão europeia e aplicada por algumas empresas, incluindo a Air France e a KLM.

VÔO DA MALAYSIA AIRLINES

Vai porem precisar de muito mais para reestabelecer a confiança. Alem do crash do vôo 9525 de Barcelona para Dusseldorf, ninguém consegue até hoje entender como o vôo da Malaysia Airlines 370 – e seus 239 tripulantes e passageiros – desapareceu completamente há mais de um ano numa área vigiada pelas mais importantes forças armadas do planeta, com investimentos bilionários em radares ultra-sofisticados, em drones ou em satélites espiões. MH-17-FLight-PathNão foi também fornecida nenhuma explicação dos especialistas holandeses sobre a responsabilidade do derrubamento do vôo MH 17 e das 289 vítimas, nem sobre a ausência de qualquer proibição de sobrevoar uma área onde aviões de guerra e mísseis se enfrentavam há meses. Ainda misteriosos, esses dois dramas só provocaram nessa data estudos sobre as possibilidades de mudar as caixas negras prolongando as baterias, de exigir a emissão permanente de dados sobre a posição dos aviões ou até sobre os seus dados de vôo, ou até de permitir aos controladores de tomar os comandos a distância.

A falta de transparência, os poucos resultados, e as imensas falhas reveladas nesses três dramas levem porem a uma pergunta. Desde o 11 de Setembro, imensos investimentos foram realizados para melhorar a segurança dentro dos aeroportos, empresas especializadas forneceram centenas de milhares de funcionários, fabricantes venderam milhares de maquinas ou de scanners.SCANNER AEROPORTOS Centenas de milhões de viajantes fizeram bilhões de horas de fila para tirar cintos e sapatos,  e pagaram outros bilhões de taxas para contribuir a um mundo mais seguro. Como pode ser que as mesmas autoridades que imporem caríssimas máquinas de Raios x (talvez perigosas para a saúde dos passageiros e dos funcionários) nos aeroportos, foram incapazes de exigir que o copiloto do avião duma grande companhia aérea voasse com seus testes psicológicos e seus exames de saúde em dia? Como pode ser que radares de altíssima precisão não conseguem definir aonde sumiu um avião de passageiros? Como pode deixar uma área de guerra ser sobrevoada por vôos comerciais? Com tanto esforços pagos tão caro no solo, como podem existir falhas tão importantes no ar? As centenas de famílias dos desaparecidos e os 3 bilhões de passageiros anuais estão esperando as respostas.

Jean-Philippe Pérol