Segurança dos destinos prefigura novas tendências?

Os Emirados Arabes Unidos são considerados o destino mais seguro

Preocupação crescente dos viajantes, a segurança é hoje um fator importante na hora de escolher um destino turístico. Lançado em 2009, o indice de criminalidade publicado no site da Numbeo é por isso mencionado ou utilizado por muitos jornais e revistas internacionais incluindo a BBC, Time, Forbes, The Economist, The New York Times, The China Daily, The Washington Post, USA Today e muitos mais. Baseado nos indices de criminalidade (incluindo drogas, corrupção e discriminação), mas também no sentimento de insegurança dos visitantes, o indice 2022 trouxe algumas surpresas e muitas confirmações que podem explicar ou influenciar algumas tendências.

O mapa mundi da segurança traga algumas surpresas

Com 435 cidades avaliadas, a pesquisa confirma, como era de esperar, que a América Latina e a África são as regiões mais inseguras, ocupando os últimos lugares da lista. De forma mais surpreendente, a América do Norte tem indices ruins ou pelo menos extremamente diferenciados. E se a Europa e a Oceania são globalmente mais seguras, com certas diferencias regionais,  a surpresa vem da boa colocação da Ásia e mais ainda do Oriente Médio com vários destinos turísticos  onde os viajantes encontram a segurança que responde as suas expectativas.

Os indices por pais destacam a Europa e o Oriente Médio

O ranking dos países, acumulando acima cidades seguras em azul e inseguras em vermelho, vem confirmando este quadro. Nos destinos mais tranquilos, e como era de se esperar, destacam-se os Emirados Arabes Unidos, a Suiça, os Países Baixos e a  Noruega, mas também alguns países que não tinham essa  fama, como a Turquia ou a Romênia. A China , a Alemanha, a Nova Zelândia confirmam as suas imagens de tranquilidade. As surpresas vêm dos grandes destinos turísticos. No Sul da Europa, a Espanha fica em sexto lugar enquanto a Itália e mais ainda a França constam com o Brasil e a África do Sul nos países mais problemáticos. Umas más colocações divididas com dois outros gigantes do turismo internacional, o Mexico e os Estados Unidos.

Quebec se firma no top do ranking por cidades

Dominado pelas cidades suíças e emiratis, o ranking por cidades mostra porem uma grande diversidade, mesmo em países globalmente mal colocados. Quebec no Canadá é assim no pódio da lista, Irvine na California ou Merida no Mexico são extremamente bem avaliadas.  Na França, Brest (na Britânia) está nas vinte primeiras, Estrasburgo e Bordeaux ficam com indice de segurança acima da media. No Reino Unido, enquanto Londres fica atras de Medellin, Edimburgo está muito bem colocada. Na Itália, Trieste esta bem avaliada em quinquagésima quinta posição, e Florença surpreende. No Brasil, Florianópolis e Curitiba destoam das outras capitais brasileiras que dividem as piores posições da lista.

Florianópolis é a cidade brasileiro melhor colocada no ranking

A pesquisa e a classificação da Numbeo devem ser analisadas com um certo cuidado, mas a preocupação com a segurança é uma das mais fortes tendências da retomada pós Covid. Já é um dos motivos do sucesso de vários destinos, seja Dubai, a Suiça, a Croácia, a Noruega, a China (e Taipé) ou a Nova Zelândia.  Nos grandes países turísticos, a segurança deve voltar a ser uma prioridade na França, nos Estados Unidos ou na Itália, onde podem ajudar ao crescimento de novos pontos de atração, mais tranquilos e longe do overturismo. As exigências de experiências seguras estão assim abrindo mais oportunidades no Pais Basco, em Taipé, no Quebec, na Alsácia, na California, em Bordeaux, nos países bálticos, ou em Florianópolis.
AS 20 MAIS E AS 20 MENOS DO RANKING DE SEGURANÇA

O novo turismo de luxo é também brasileiro!

O Rosewood do Cidade Matarazzo, novo ícone do luxo paulista

O sucesso do último ILTM LATAM mostrou que a retomada do turismo de luxo é agora um fato consumado. Enquanto a China continua quase fechada e lutando para manter seu zero Covid, a Russia paralizada com os boicotes ligado a guerra, e o Japão sempre cauteloso em tempo de incerteza, o Brasil está virando o segundo mercado internacional. E em muitas capitais europeias ou americanas, os brasileiros já estão representando mais de 10% da clientela dos palácios, dos shoppings ou dos restaurantes estrelados. A explosão dos preços das passagens saindo do Brasil – e as dificuldades para encontrar vagas nos aviões – parecem também confirmar essa euforia.

Nos “palaces” parisienses, mais de 10% de clientes brasileiros

Essa volta do luxo é mundial, a previsão é de chegar em 2025 a US$ 10 trilhões, o dobro do faturamento pre-Covid, com uma media superior a sete viagens de lazer por ano para as classes A+. Mas no mesmo tempo essas viagens vão seguir as novas tendências que vão impactar as escolhas dos destinos. Hoje a  segurança deve ser total, sanitária e pessoal, a personalização requerida por 80% dos viajantes deve incluir sob-medida e flexibilidade. A sustentabilidade deve incluir um intercambio com a cultura e a população local, e as experiencias – autenticas, exclusivas, e transformadoras- devem  ser o grande foco – incluindo o Wow factor– de cada viagem.

Luxo e sustentabilidade no Mirante do Gavião

As viagens de luxo dos brasileiros deve também seguir uma outra tendência marcante do turismo mundial,  o crescimento das viagens domésticas e/ou de proximidade. Nos Estados Unidos, na França, na Espanha e em todos os países onde coabitam um importante mercado emissor e destinos turísticos atrativos, o turismo domestico deu um pulo impressionante. E está sendo assim no Brasil. Xodó dos ecologistas pelo baixo impacto de carbono, seduzindo os políticos pelo impacto direto nos moradores e nos eleitores, o turismo doméstico seduziu até mais de 90% dos viajantes durante a crise. As pesquisas feitas no ano passado, e as recentes estatísticas da BRAZTOA, mostraram que essa tendência vem para ficar.

Nas aguas do Tapajós, exclusividade e experiências transformadoras

Um novo olhar vai valorizar destinos jà conhecidos mas ainda com grande potencial de turismo de luxo. A poucas horas de avião, em Fernão de Noronha, nos Lençóis, no Pantanal, nas Missões, nas Chapadas, em Jericoacoara, nas Cataratas de Iguaçu, frente as Anavilhanas ou nas margens do Tapajós, paisagens excepcionais e experiências únicas em condições exclusivas esperam o viajante mais exigente. Mesmo acostumado a se emocionar com outros destinos internacionais,  poderá encontrar nas paisagens do Brasil o mesmo “Wow” ou o mesmo momento instagramável.

Em Ilha Bela, um luxo caribenho a três horas de São Paulo

Membros ou não da pioneira BLTA   , dezenas de hotéis, pousadas ou lodges já oferece um atendimento do mais alto padrão. O Mirante do Gavião, o Saint Andrews, o Txai, o Ponto do Gancho empurraram Nova Ayrão, Gramado, Itacaré ou Florianópolis como destinos de luxo. E o litoral paulista, de Ilha Bela a Paraty, ainda oferece muitos “best kept secret in town” para ricos e famosos que querem alternativas acessíveis de caro. Nos grandes destinos tradicionais, o luxo ganhou o novo impulso no urbanismo e na arquitetura, na cultura e nos grandes eventos, e uma riqueza gastronômica reconhecida pela própria Michelin. Ganhou com a abertura de novos hotéis, como recentemente o Fairmont do Rio ou o Rosewood de São Paulo que já conseguiram uma notoriedade internacional. Um argumento a mais para convencer os viajantes de classe A+ que o turismo de luxo é também brasileiro!

Jean Philippe Pérol

De Valencia ao Rio de Janeiro, o genio de Calatrava

Na retomada do turismo, novas tendências nas mídias sociais para 2022

Expo Dubai quer mostrar como conectar mentes em 2022

Para os profissionais a retomada das viagens domésticas e internacionais segue como toda força, mas mostra ao mesmo tempo a importância das transformações que o turismo está vivendo tanto nos desejos dos consumidores, nos serviços, nos transportes, na hospedagem, bem como na venda e na distribuição. As mídias sociais, e todas as “novas tecnologias”, atores das revoluções esperadas, estão também mudando de forma espetacular  as suas atuações no turismo. Se muitas novidades ainda surgirão depois da retomada quando o setor voltará a sua normalidade de crescimento, os especialistas já identificaram algumas dessas tendências pós Covid.

O e-comércio impacta todos os atores do turismo

O e-commerce deu uma acelerada, a pandemia foi um acelerador, obrigando os consumidores a comprar on-line produtos ou serviços que se compravam em lojas ou se consumiam em restaurantes. Enquanto as mídias sociais eram antes da crise ferramentas fabulosas de promoção, mas onde as vendas eram ainda pouco significativas (com excessão de algumas plataformas como Etsy), as vendas on-line explodiram não somente na Instagram e na Facebook, mas também no TikTok ou no Pinterest. Só nos Estados Unidos, o crescimento esse ano vai passar de 25,2% com 80 milhões de compradores e estão sendo projetados 100 milhões para o final do ano que vem.

Facebook impacta cada vez mais a escolha dos viajantes

Facebook segue na liderança, mesmo se os mais jovens tem tendência a privilegiar Instagram, Snapchat ou TikTok. Mas sem precisar lembrar que Messenger, Instagram e Oculus fazem parte do mesmo ecossistema, Facebook monopoliza ainda 58 dos 145 minutos diários que quase 2 bilhões de internautas passam nas mídias sociais. Para todas as empresas, ela oferece não somente excepcionais ferramentas de marketing mas também ofertas de empregos, serviços para consumidores, pesquisas de mercado ou promoção de eventos. Muitas dessas funcionalidades não se encontram nos seus concorrentes Twitter ou LinkedIn, consolidando, tão criticado que seja, o seu monopólio de fato.

Tiktok quer ser um key player da era pos Covid

Tiktok virou uma plataforma prioritária. Desde outubro 2021, TikTok mostrou seu interesse em convencer as pequenas e médias empresas bem como os criadores de conteúdos. Com quase um bilhão de usuários mensais, TikTok faz agora parte dos 5 maiores atores do setor (depois de Facebook, Instagram, WeChat e YouTube), com um crescimento muito acelerado junto aos maiores de 35 anos. A empresa chinesa anunciou uma serie de novas funções que vão aumentar sua competitividade: plataforma publicitária, remuneração dos conteúdos, integração de stories, ou grande oferta de filtros para publicação de imagens, aproveitando as oportunidades de realidade aumentada – uma tecnologia cuja procura aumentou de 81% nos últimos 5 anos.

Os videos curtos vão se multiplicar. Mesmo se os números de impressões ou de interações está globalmente em queda, os videos curtos  ainda conseguem hoje os melhores resultados na web e nas mídias sociais. É o caso dos posts de 15 à 60 segundos no TikTok, dos reels Instagram e agora no Facebook. E o caso dos stories agora publicáveis em todas as plataformas, de Snapchat à Twitter, ou de Instagram à Facebook, a única exceção sendo LinkedIn cuja experiencia fracassou. É assim provável que as marcas e as empresas vão agora investir cada vez mais em videos curtos, ou pelo menos em videos mais longos mas podendo ser divididos em varias publicações.

As mídias sociais utilizam cada vez mais as técnicas do neuromarketing

Os conteúdos gerados pelos próprios usuários estão em forte alta.  Essa última tendência já existia nos anos anteriores, mas foi acelerada durante a pandemia. Os viajantes confiam mais nos conteúdos divididos pelos parentes, amigos, colegas, líderes de opinião ou influenciadores. A partir das estatísticas de Facebook, Instagram, Google Review e TripAdvisor, analistas de “neuromarketing” mediram que esse tipo de conteúdo aumenta em 20% o número de visitantes, em 90% o tempo passado no site e em 81% as taxas de conversão. Curtir, comentar, compartilhar e responder nas contas de mídias sociais é assim, mais do que nunca, a melhor maneira de atingir as suas comunidades de viajantes.

Nas tendências da era pós Covid, a Escócia aposta numa retomada sustentável

A retomada do turismo não se percebe somente nos pedidos e nas reservas que estão se acelerando nas agências e nas operadoras, mas também nas campanhas de promoção que os destinos mais dinâmicos já estão desenvolvendo nos seus mercados emissores. Muitas mensagens divulgadas no inicio da crise eram de cautela – “Nos vemos logo” do México, “A España espera”, “Stay home” da Eslovénia, “Fica em casa” do Equador, “É tempo de parar” do Portugal -. Outros destinos apostavam na esperança ou no sonho – o Peru com “Saúde, sonho e depois viagem”, ou a Suíça com “Sonhe agora e viagem mais tarde”-.

Agora estão começando as campanhas da era pós Covid, com o objetivo direto de incentivar as viagens e de  apoiar os profissionais. É hora de valorizar as novas tendências, de ir direto ao essencial – a França fala assim de #Whatreallymatters”, “O que importa mesmo”. Para os marqueteiros e os comunicantes, é preciso sensibilizar o viajante com a nova normalidade sanitária e ecológica, e ao mesmo tempo comunicar para ele a certeza que essa nova normalidade não vai lhe prejudicar, e vai deixar o turismo trazer alegria, prazer, bem estar e convivialidade social.

Uma das campanhas mais marcantes foi agora lançada pela Visit Scotland para revigorar o seu turismo, antes da crise um setor de 11,5 bilhões de libras de receitas e cerca de 9% dos empregos escoceses, hoje completamente arrasado. “Now is your time” (“Agora é seu momento “) destaca o turismo responsável, com novos lugares para explorar e atrações já plebiscitadas, e mais ainda com novas atitudes para aceitar. Focando no mercado britânico, prevista para toda temporada, a campanha vai ser declinada para cinco tipos de atividades, desde o turismo de proximidade até os “short breaks”, as reuniões de familia, o turismo de aventuras e o bem estar.

Para que a retomada seja conforme a seus objetivos de segurança e sustentabilidade, Visit Scotland publicou três videos incentivando os turistas a viajar de forma responsável. Varias informações e dicas são também disponíveis no site Web  para ajudar os visitantes a proteger os ecosistemas e a valorizar o patrimônio natural e humano. Um foco especial é feito para o camping – de motorhome ou de barracas-, com recomendações para fazer suas reservas, organizar o seu itinerário, respeitar a fauna e a flora, e aproveitar os contatos com os moradores e as comunidades locais respeitando o Scottish Outdoor Access Code.

Valorizando as boas práticas e os novos protocolos, a campanha “Now is your time” corresponde perfeitamente a nova normalidade que chegou para ficar tanto para os viajantes que para os profissionais. O turismo vai ter que se adaptar a novas práticas sociais, novos comportamentos, mais transparência, mais proteção e mais responsabilidade. Na hora de um turismo mais intenso e mais seletivo, a Visit Scotland  quer agora assegurar a visibilidade e a notoriedade da Escócia comunicando sobre essas novas tendências. “Now is Scotland time?”

Este artigo adaptado de um artigo original de Fanny Beaulieu Cormier na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat  

Sucata ou palácio flutuante, qual destino para o último porta avião brasileiro?

Bilionários inaugurando mais uma vez o turismo espacial?

Dennis Tito, o primeiro turista espacial da história

Em 2002, na abertura da primeira edição do ILTM de Cannes, o Diretor do salão destacou um dos expositores que , segundo ele, mostra o caminho do turismo do futuro: era uma operadora que oferecia por uns 20 milhões de USD o primeiro passeio no espaço. Co-presidindo o evento, o então diretor geral da Maison de la France, fez questão de lembrar que era sem dúvidas um acontecimento, mas que com certeza os viajantes que aceitavam de pagar um tal preço par uma experiência de alguns minutos não representavam mais que uma micro-niche que não ia acrescentar muitas receitas ou muitos empregos ao desenvolvimento sustentável do turismo internacional.

Guerra de egos ou nova era do turismo mundial?

Quase vinte anos e dez clientes depois, o turismo espacial volta a ser noticia, essa vez como competição de ego três bilionários mediatizados, todos com grandes investimentos nos transportes para o espaço: Egon Musk da Tesla- que teria sempre sonhar em abrir a colonização da planeta Mars mas já conseguiu para SpaceX fabuloso contratos com a NASA-, Richard Branson da Virgin – interessado há anos pelas viagens supersônicas e as ascensões em balões através da Virgin Galactic-, e Steff Bezos da Amazon – sonhando desde 2000 com colônias espaciais flutuantes construídas e lançadas pela sua empresa especializada Blue Origin.

A largada do VSS Unity desde seu lançador

Se nenhum dos três poderá alegar ser o primeiro turista espacial ( Dennis Tito no 21 de Abril 2001, e depois dele uns dez milionários pagaram nos últimos vinte anos uns 20 milhões de USD para viajar a bordo de foguetes Soyuz), Richard Branson foi mesmo o primeiro a viajar a bordo do seu proprio navio espacial. No dia 11 de julho, o excêntrico empresário sai na frente com três outros passageiros e dois pilotos no VSS Unity, levado pelo lançador VSS Eve. Depois da largada, subiu até 90 quilômetros de altura -10 quilômetros acima do limite do espaço definido pela Aeronáutica estado-unidense – e foi pousar na base de Spaceport no Novo México onde nada menos que Elon Musk esperava para reservar uma vaga num próximo voo.

No deserto do Texas, o Blue Origin de Steff Bezos

Jeff Bezos saiu nove dias mais tarde, dia 20 de julho, com o seu foguete New Shepard, atingiu 107 quilômetros de altura, e depois de dez minutos voltou abrindo os três paraquedas da capsula para pousar no deserto do Texas. Se não foi na dianteira, Jeff levou vantagem sobre o seu rival. Em primeiro lugar ultrapassou a barreira do espaço, 100 quilômetros de altura segundo as convenções internacionais. Em segundo caprichou no conteúdo emocional, com a presencia a bordo de vários objetos carregados de símbolos fortes: colar da sua mãe, pedaço do avião dos irmãos Wright, medalhão de Montgolfier, e convite a pioneira da aviação americana Wally Funk, hoje com 82 anos.

Olivier Daemen junto com Jeff Bezos, Mark Bezos, e Wally Funk

Jeff Bezos superou também Richard Branson em levar um passageiro pagante – o montante exato, superior a 20 milhões de USD, não foi porem divulgado. O feliz escolhido foi um neerlandês de 20 anos, Oliver Daemen, que foi presenteado pelo pai, dono do hedge fund Somerset Capitol Partners. Oliver tinha chegado em segundo lugar num leilão disputadíssimo de 75 pessoas, mas o vencedor teve que adiar a viagem e seguirá nos outros voos programados, dois em 2021 e vários em 2022. Nessas previsões de turistas espaciais, a Blue Origin tem ambições mais modestas que a Virgin Atlantic que já vendeu mais de 600 passagens de USD 250.000 cada e está programando 400 voos comerciais nos próximos anos.

O impacto do turismo espacial já preocupa os ambientalistas

Mesmo se os três bilionários insistam na dimensão sustentável e social desses projetos, as reações da imprensa bem como das mídias sociais foram pelo menos cautelosas, pouco jornalistas ou influenciadores sendo convencidos que os bilhões gastos nesses voos ajudaram ou ajudarão a encontrar soluções as crises de curto ou longo prazo, e muitos deles achando que essas viagens não se encaixa nas novas tendencias de sustentabilidade e de responsabilidade social. Para os profissionais, mesmo nas hipóteses mais favoráveis de algumas centenas de passageiros nos próximos anos, o turismo espacial,  continua pertencendo ao distante futuro.

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercado e Eventos

Olhando para China, quais novas rotas para retomada do turismo?

Turista chinesa em Pequim

Enquanto a WTTC alerta para a possibilidade de chegar a 75 milhões de desempregados no turismo mundial,  e que os profissionais brasileiros enfrentem a pior crise econômica e social vivida pelo setor desde a Segunda Guerra, deve ser lembrado que a extraordinária resiliência do turismo levará em breve a uma retomada que pode ser tão surpreendente que a paralização que estamos vivendo. Se é unfelizmente difícil de prever quando os turistas vão recomeçar a viajar, e quais mudanças nos comportamentos vão com certeza aparecer, já pode ser observados as primeiras tendências no mercado chinês. Na China, primeiro pais atingindo pelo virus, as grandes operadoras de turismo já estão assinalando as primeiras reservas de viagens nacionais e internacionais, mostrando os passos do caminho da retomada.

Ctrip Rebrands to Trip.com

Com a crise, Ctrip, agora Trip.com somente adiou as suas ambições

Qunar e Ctrip, duas das maiores agencias online chinesas, ficaram dois meses completamente paradas mas recomeçaram a aceitar reservas a semana passada, seja menos de quatro meses depois do inicio da crise em Wuhan. Na Qunar os clientes já podem escolher entre mil pacotes para todas as cidades ou regiões da China onde não existem restrições de viagens e onde os governos locais estão incentivando a reabertura , como Shanghai, o Xinjiang e o Sichuan. A Ctrip tem um aplicativo que  recomeçou a aceitar reservas, oferecendo passagens e pacotes para 1449 destinos turísticos chineses, seja 40% do total. Para esses dois lideres, e para outras grandes operadoras,  parece assim muito claro que a retomada vai privilegiar numa primeira fase o turismo domestico.

O Festival de Songkran na Tailândia

Os profissionais chineses esperam também uma retomada das viagens internacionais antes do final de Abril para os países que estarão prontos a reabrir suas fronteiras. Poderia ser o caso da Tailândia, onde o presidente da « Tourism Authority of Thailand » (TAT), está atuando junto com o governo, as autoridades sanitárias e os profissionais para ficar pronto antes do 13 de Abril, dia do ano novo budista. Muitos especialistas são mais cautelosos, os obstáculos sendo não somente  melhorar as normas e os controles sanitários, mas também conseguir ganhar a confiança dos turistas que são agora atentíssimos a estas questões, e temem participam de grandes agrupamentos. A Tailândia pode porem ser otimista, os destinos de proximidade devendo ser os primeiros a beneficiar da retomada das reservas de viagens internacionais.

Bleisure, this booming social style

O bleisure pode ser um dos primeiros segmentos a aproveitar a retomada

Se é impossível fazer previsão de datas, o exemplo chinês mostra que essa crise, como muitas outras antes, poderá começar a ser superada em quatro meses, e que a retomada deve ser concentrada em primeiro lugar no turismo nacional e nos destinos internacionais de proximidades. Alguns segmentos poderiam também recuperar mais rapidamente que os outros. A legitima vontade dos governos de priorizar a economia deve provavelmente favorecer as viagens de negócios, incluindo para as feiras internacionais que terão sido adiadas ou mantidas, as viagens individuais ou as viagens de “bleisure” combinando negócios com estadias de lazeres para esquecer os dias de confinamento.

Cruzeiros em navios menores pode ser uma das novas tendências

Assim como os responsáveis do turismo da Tailândia, os especialistas vão seguir com muita atenção a volta dos turistas chineses e as novas tendencias desenhadas pela crise do coronavirus, com mais preocupações referentes a saude, aos seguros de viagem, a qualidade dos equipamentos sanitários ou a higiene dos destinos. A crise poderia também levar a reavaliar as agremiações gigantes que mostraram fragilidade. O tempo poderia ser do “small is beautiful”, seja na escolha de cidades menores, de navios pequenos ou de eventos de tamanho mais humanos. O turismo vai com certeza se reerguer mais rapidamente que esperado, mas a retomada vai com certeza seguir novas rotas que devem ser antecipadas.

Esse artigo foi inspirado de um artigo original de Serge Fabre na revista francesa profissional on-line La Quotidienne

Hoteis só para mulheres podem virar tendência?

 

A Ásia lidera a tendencia de hotéis exclusivos para mulheres

Quartos de hotéis só para mulheres já foram adotados há anos pelos marqueteiros, mas essa tendência foi reforçada desde 2014 pelo número crescente de mulheres viajando sozinhas. Segundo a Organização Mundial do Turismo, esse número passou de 59 milhões a 138 milhões em três anos, com um destaque para os mercados da Europa onde o crescimento é espetacular e onde as ofertas estão se multiplicando. São por exemplo sites de hospedagem exclusivamente femininos. Na França Christina et Derek Boixiere abriram em abril desse ano www.la-voyageuse.com, com oferta de quartos para alugar ou de apartamentos para dividir, e na Inglaterra existe agora www.maiden-voyage.com , um site especializado em apresentar soluções as numerosas mulheres viajando sozinha para negócios.

O hotel Bella Sky Comwell tem um andar inteiro de quartos para mulheres

Na Dinamarca, o hotel Bella Sky Comwell reservou todo o décimo sétimo andar para mulheres. Os quartos têm secador de cabelos Dyson, lixas de manicure e amostras de produtos de tratamento de pele. Mesmo por ter perdido um processo por discriminação e ter que abrir as reservas para os homens, o hotel continua de oferecer os vinte quartos feminizados. Em Vancouver, no Canadá, o Georgian Court Hotel tem um andar com 18 quartos exclusivos para mulheres. Além de segurança reforçada, os apartamentos oferecem tapete de ioga, cabides de cetim e amenities especificos. Ainda no Canadá, o International Hotel de Calgary reservou um andar para sua clientela feminina, com tapete de ioga no quarto, chapinha de cabelo no banheiro e garrafa de vinho branco no minibar. E para recusar de antemão qualquer acusação de discriminação, o International Hotel reservou um outro andar só para homens.

A Índia continua a ser pioneira em hospedagem para mulheres

Na Índia, as mulheres que viajam valorizam muito a tranquilidade e a segurança. Desde 2005, o grupo ITC oferecem andares exclusivos em todos os seus hotéis. A cadeia de luxo Lemon Tree Hotels  têm áreas reservadas para as mulheres nas 19 unidades da rede, aonde elas encontram não somente uma segurança reforçada mas também grandes espelhos, ou cofre para joias, e ainda podem pedir táxis com motoristas mulheres. Em Nova Deli, o Leela Palace New Délhi abriu o Kamal, um andar seguro exclusivo para mulheres, com acesso particular para o spa e uma hora de tratamento de cortesia. No Kerala, a sociedade de desenvolvimento do turismo (KTDC) abriu em Thiruvananthapuram o “Hostess”, o primeiro hotel não somente exclusivo para mulheres, mas onde o pessoal é exclusivamente feminino.

A segurança é o primeiro requisito das mulheres que procuram hotéis exclusivoe

Outros países da Ásia entraram na onda das acomodações exclusivas de mulheres. Em Cingapura, o hotel Naumi recebe seus hóspedes no bairro central dos negócios,  personalizando os quartos para mulheres com produtos de aromaterapia. No bairro de Wanchai em Hong Kong, o Fleming personaliza os banheiros com  kit de maquiagem e aparelhos para massagear as pernas. O Lotte Hotel Seoul na Coreia do Sul, e o,hotel Hongta em Xangai na China têm andares exclusivos para mulheres. Em outros destinos, hotéis inteiros são reservados para mulheres. É o caso do Bliss Sanctuary  na cidade de Seminyak em Bali na Indonésia. No Japão, perto de uma estação de trem de Tóquio, o hotel Nine Hours Woman Kanda é o primeiro de país a aceitar exclusivamente uma clientela feminina.

O hotel Som Dona, na Ilha de Majorca, na Espanha

A Espanha, que já mostrou o espírito inovador dos seus hoteleiros com os hotéis Axel “heterofriendly”, insistiu na criatividade com o hotel Som Dona Women only. Localizado perto de Porto Cristo na ilha de Majorca, aceita somente mulheres de mais de 14 anos. Com 39 quadros, uma piscina, um spa, uma biblioteca e um terraço em cima do telhado, esse hotel de 39 quartos de quatro estrelas criou um novo espaço para as mulheres que querem desconectar do estresse da rotina cotidiana. O bem estar da clientela feminina é a primeira preocupação do hotel, com foco no bem-estar – massagens, tratamento de beleza, jacuzzi e solarium – e na gastronomia – com pratos equilibrados e produtos vindo da  agricultura sustentável local. Da Espanha, a moda dos hotéis reservados para mulheres pode chegar à América do Sul ?

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista francesa profissional on-line La Quotidienne

Novidades e tendências do turismo de aventura

Cada vez mais popular junto aos viajantes de todas as idades e de qualquer orçamento, o turismo de aventura está de vento em poupa. Segundo a revista on line Reseau de Veille, cinco tendências se destacaram em 2018 para explicar esse entusiasmo. A primeira foi  o crescimento da natureza e do meio ambiente na frente das temáticas mais procuradas. As atividades verdes são consideradas fontes de bem estar físico e mental,  momentos ideais para favorecer as emoções positivas da luz e do verde. A natureza coloca também seus fãs na primeira linha das ações contra as mudanças climáticas, as operadoras sendo cuidadosas nos detalhes mostrando o seu empenho. A popularidade do turismo de aventura cresceu também com a Instagram onde oferece algumas das fotos ou dos selfies mais espetaculares.

Domes Charlevoix, novos hospedagens misturando design e ecologia

Na dinâmica do glamping, novos hospedagens juntando qualidade, design e ecologia, estão se multiplicando. Escolhendo lugares privilegiados, arquitetos e designers dão o maior cuidado a valorização do local,  a otimização da luz, a utilização de materiais recicláveis e de energias alternativas. Algumas ofertas procuram ser simples, como  o hotel CABN, na Austrália, com trailers de madeiras privilegiando o conforto e a menor pegada ecológica, ou as casas da Getaway que oferecem essa simplicidade perto das grandes cidades dos Estados Unidos. No Quebec, a Dômes Charlevoix, está propondo quartos de luxo com design inspirado dos iglus esquimós. A criatividade do setor é impressionante, incluindo casas flutuantes nos EE-UU, malocas ribeirinhas na China e até cabanas cobertas de espelhos na mata canadense.

As operadoras de turismo estão também  investindo em ofertas originais para viajantes que procuram experiências diferençadas ou até únicas. Durante o verão da Alaska, o resort Tordrillo Mountain Lodge oferece pacotes de helibiking, de helihiking ou de helifishing. Na região de Vancouver, a Glacier Raft Company  consegue um acesso exclusivo ao Rio Kicking Horse, chegando de helicóptero e descendo depois num raft. A pesca esportiva de caiaque está renovando a imagem dessa atividade e atraia novas clientelas, inclusive no Amazonas com a pousada Juma Lodge. O snowyoga – ioga na neve- ganha muitos adeptos e tem seus lugares prediletos em Boulder, no Colorado, na Finlândia, onde alterna com o ioga de areia, ou em  Montreal com as ofertas da POP Spirit nos parques da cidade.

Instalações icônicas ajudam a renovar o turismo de aventura

O turismo de aventura está também se renovando com instalações icónicas, estruturas inesperadas que melhoram a experiência dos visitantes e incrementam as emoções. É por exemplo o caso da ponte suspensa Charles Kuonen, exclusiva para pedestres, com 500 metros de comprimentos que apimentam a trilha de Zermatt a Grächen, na Suíça. Em Manaus, a torre de aço do MUSA, com seus 42 metros de altura, 242 degraus e 81 mde base, rivaliza em majestade com as grandes árvores da floresta e já virou uma das incontornáveis atrações do Estado do Amazonas. Na Dinamarca, o Camp Adventure Park está querer ir mais alto com uma torre de 45 metros de altura e um design espetacular para observar a cobertura da mata nórdica de Zealand.

Até agora atividade privilegiada de jovens adultos esportistas, o turismo de aventura procura agora atrair alem dos estereótipos. Travel Oregon abriu um site apresentando opções de esqui, mountain bike, caiaque ou até alpinismo para deficientes físicos. Parks Victoria, na Austrália, está fazendo testes com as Canopy — Eco Sleeper Pods, unidades de hospedagem com design contemporâneo acessíveis para deficientes. Reivindicando o acesso de todos, gordos ou magros, fortes ou fracos, jovens ou velhos, homens ou mulheres, a atividades esportivas, os  Unlikely Hiker já contam 58 000 seguidores na Instagram, com o apoio de grandes marcas como REI et Columbia. O turismo de aventura ainda tem muitos adeptos pela frente!

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Claudine Barry na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat 

As megatendências e as inovações no turismo

Bem estar, respeito da natureza, umas da megatendência do turismo mundial

Se as viagens internacionais dependem a curto prazo do cambio das moedas e do otimismo dos consumidores, os fatores que impactarão o turismo nos próximos dez ou quinze anos são menos conhecidos.  Euromonitor internacional, empresa especializada em estudos estratégicos,  publicou agora uma pesquisa sobre essas megatendências que vão definir o mapa mundial das industrias turísticas durante os próximos anos. Essas megatendências são modificações fundamentais dos comportamentos ou das atitudes que são observados em todos os mercados e atingem todos os setores. Não são fenômenos conjunturais, mas mudanças que podem demorar anos para se concretizar. Todos os atores econômicos devem integrar-los nas suas estratégias, seja de inovação de produtos ou serviços, seja de busca de novos clientes, seja na definição de futuras ações de marketing.

Euromonitor tentou definir as megatendências até 2030

Euromonitor definiu as cinco principais fontes dessas  megatendências. As evoluções econômicas levarão os países emergentes – inclusive o Brasil- a representar seis das dez maiores economias mundiais, e dos potenciais de viajantes, em 2030. As  mudanças demográficas –  urbanização, migrações, queda da natalidade e crescimento da terceira idade – impactarão as modas de viver e de consumir. Do lado das tecnologias, os desenvolvimentos dos celulares e a explosão da inteligência artificial terão consequências arrasadoras nos modos de viver, consumir e trabalhar. Com a pressão crescente sobre o meio ambiente, os consumidores querem interagir, diminuindo seus consumos de energia, suas pegadas de CO2, e procurando novas formas de consumo. Enfim as crenças e os valores estão mudando, redefinindo prioridades, percepções, atitudes e motivações.

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As oito megatendências impactando o turismo

Source : Euromonitor International

Considerando esses fatores de mudanças, Euromonitor levantou vinte megatendências , sendo oito com um forte impacto sobre o turismo internacional.

  1. Mais experiências: mesmo procurando produtos ou serviços, os consumidores precisam de experiências interativas e multisensoriais. As empresas devem responder a essas procuras de emoção que viram lembranças compartilhadas e relações mais estreitas com os clientes.
  2. Upgrade dos serviços. Os consumidores querem níveis de serviços mais elevados e mais personalizados. Hoje, qualquer estratégia empresarial deve incluir uma melhoria na qualidade (até o luxo com um justo preço), na autenticidade e na procura de relação emocional duradoura.
  3. Evolução do mapa-mundi. Se certos mercados tradicionais na Europa ou na América do Norte estão se fechando, ou se restringindo a alguns segmentos jovens, outras regiões da Ásia, da América latina ou da África oferecem novas oportunidades que os avanços tecnologias ajudam a explorar.
  4. Consumidores conectados. Computadores, celulares,  leitores multimídias ou livros numéricos oferecem ao consumidores inúmeras ocasiões de descobrir novos conteúdos, de interagir com eles ou de comparar los.
  5. Hábitos éticos . Os consumidores bem como as empresas estão dando cada vez mais importância aos valores morais e a ética. Uma compra ou uma reserva pode ser comprometida se o bem ou o serviço não fica atento ao meio ambiente, ao bem estar animal, a valorização dos funcionários e dos moradores, ou a moral das relações comerciais.
  6. Jeito de viver mais sadio. O bem estar hoje virou mais global, sendo físico, moral e espiritual. Ele define um jeito de viver   e  caracteriza atitudes frente a saúde, a alimentação, a beleza, as atividades físicas ou as evoluções pessoais.
  7. Mudanças na classe media. Em forte expansão na Ásia e na América latina, a classe media está recuando nos países mais desenvolvidos. Assim mesmo, esses consumidores não são atraídos somente pelos preços, mas também pela qualidade, a praticidade ou a autenticidade.
  8. Shopping reinventado. As mudanças sociológicas e as inovações tecnológicas estão mudando os hábitos de compra. O consumidor de hoje não é mais fiel a um único modo de comprar. Os comerciantes e os distribuidores devem ser presentes em vários canais com diferentes níveis de valor agregado antes, durante e depois da compra.

Essas oito megatendências vão não somente mudar os comportamentos dos viajantes, mas também obrigar os profissionais do turismo a inventar os novos produtos e serviços que são anunciados e esperados.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Chantal Neault na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat 

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