Na Suiça Romanda, os hotéis urbanos imaginando o seu futuro

Os hotéis dos centros urbanos estão preocupados com o retorno improvável dos viajantes de negócios aos níveis pre-pandemia. Como compensar essa queda, procurar novos clientes, redefinir os serviços e os espaços, se reposicionar na vizinhança? Para tentar responder a essas perguntas, a Associação dos hoteleiros da Suiça Romanda e dois institutos de formação da região realizaram uma importante pesquisa que mobilizou grupos de hoteleiros, de especialistas do turismo e de técnicos. Todos concordaram no fato que o hotel deve voltar a ser um lugar de vida multifuncional, e estabeleceram uma lista de propostas que foram testadas e depois organizadas em torno de quatro temáticas principais.

Ecole Hôtelière de Lausanne (EHL) revela as principais tendências de viagens atuais

A prestigiosa Escola Hoteleira de Lausanne foi um dos parceiros da pesquisa

A primeira idéia é que os hotéis devem ser mais abertos para as comunidades, os moradores e os outros turistas. Eles devem favorecer e até incentivar os encontros, os intercâmbios e a convivialidade entre os hospedes, os visitantes e as populações. Os hotéis podem oferecer a produtores e atrações locais de apresentar ou até vender os seus produtos dentro dos seus espaços. Os restaurantes podem aproveitar a disponibilidade da baixa estação para organizar cursos de cozinha regional. A diversificação das atividades vai gerar novas fontes de renda tanto para os estabelecimentos que para os locais,  reforçando a visibilidade e a integração.

Os hotéis urbanos da Suiça querem seduzir os millennials

Os hotéis urbanos do futuro devem ter espaços interiores mais flexíveis para responder as novas exigências e atrair uma clientela mais diversificada, incluindo os millennials. Além dos quartos para os hóspedes, deverão ser oferecidos a clientes externos opções de alugueis de  salas de bem estar, de lojas, ou de salas de reuniões. O novo modelo econômico integrará ofertas para estudantes, funcionários temporários ou pessoas com estadas longas ( vários meses, até um ano ou mais ). Esses segmentos vão necessitar de tarifas especiais ou de quartos personalizados, mas também de serviços diferenciados – maquina de lavar, cozinha, correios …

WOJO, espaço de co-working colaborando com Accor

Para esses novos clientes, os hotéis poderão integrar espaços de trabalho, configurações de teletrabalho e mesmo de co-working. As salas deverão responder as exigências desses consumidores (sejam eles hospedes ou moradores), com os equipamentos requeridos mas também com ambientes favorecendo o contato, as interações entre colegas e os intercâmbios com os funcionários. Os serviços oferecidos deverão incluir refeições, atividades e parcerias com empresas locais, fazendo dos hotéis não somente os locais de estadias para os viajantes mas verdadeiros destinos,  centros de networking entre moradores e visitantes.

Os millennials pedem um novo relacionamento com o mundo do trabalho

Hoteleiros, especialistas e técnicos concordam sobre a importância da personalização e da diversificação das ofertas de cada estabelecimento para poder atrair esses novos clientes, especialmente aqueles que estão procurando estadias longas. Essa virada necessitará umas respostas a muitos desafios, o maior sendo a dificuldade de encontrar os colaboradores capacitados para enfrentar as mudanças. Para isso as empresas deverão mudar seus esquemas de trabalho e se adaptar as exigências de novas gerações de funcionários que dão prioridade a sua qualidade de vida. Os hoteleiros que poderão se adaptar a essas novas expectativas dos viajantes, dos moradores e dos colaboradores serão os pioneiros do turismo urbano do futuro.

Este artigo foi adaptado de um artigo original de Elisabeth Sirois na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat  

Encontros de tele-colegas ou bleisure tele-trabalhado, os novos tipos de viagens corporativas

A pandemia acelerou a evolução das viagens de negócios

Depois de dois anos quase paradas, as viagens corporativas estão agora crescendo num cenário completamente transformado, com ritmos diferentes por atividades e por setor, algumas já atingindo o nível de 2019, outras ainda esperando a retomada Segundo as mais recentes estatísticas da Global Business Travel Association (GBTA), estas despesas internacionais vão atingir em 2022  65 % dos US$ 1,4 bilhões que foram gastos em 2019, com um crescimento de 34 % em relação a 2021. Mas os profissionais do turismo devem agora esperar até 2026 para superar definitivamente a crise aberta pela pandemia. 

A preocupação com a pegada carbono freia as decisões de viagens

Vários fatores estão pesando sobre a retomada: as tensões geopolíticas, os preços da energia, a alta da inflação, as perturbações de logística internacional e a falta geral de mão de obra. As empresas estão também preocupadas com a recuperação dos seus lucros, a redução das suas emissões de carbone, e querem aproveitar ao máximo as novos ferramentas de comunicação  para facilitar as reuniões virtuais. No proprio setor do turismo, os hotéis, os restaurantes e as agências de viagem estão vendo um forte crescimento dos pedidos, mas em muitos lugares (especialmente na Europa) enfrentam dificuldades para responder por falta de pessoal ou falha dos fornecedores.

Os novos encontros profissionais exigem criatividade

Os novos comportamentos dos viajantes exigem também novas respostas dos profissionais. Os cancelamentos de última hora atingem agora até 20% dos participantes e as condições devem ser revistas. A procura de eventos de medio e pequeno porte cresceu muito mais que a media, necessitando reconfigurações dos espaços. As empresas pedem muito mais criatividade nas programações que devem mostrar um valor agregado mais forte para as empresas e mais atraente para os participantes. E no mesmo tempo as reservas têm uma tendência a ser cada vês mais de última hora, exigindo muita reatividade.

Os tipos de encontros estão mudando. Para um funcionário em teletrabalho, ir para o escritório seria uma viagem corporativa? Se reunir com seus tele-colegas seria um evento profissional? De certa forma, sim. Devendo se adaptar as novas relações no trabalho, as empresas organizam seminários, reuniões e atividades para compensar o distanciamento das equipes virtuais. Em tempo de mão de obra escassa, essas reuniões devem não somente informar, aproximar e incentivar os colaboradores, mas também ser agradáveis e até divertidas. Os destinos já estão integrando essas novas dimensões e o seríssimo turismo da Suiça lançou uma campanha dizendo que “Precisamos de viagens corporativas com cara de ferias”.

O teletrabalho está abrindo mais oportunidades de viagens corporativas

Uma outra tendência observada nas viagens corporativas é o crescimento do bleisure. Antes mesmo da pandemia, a prorrogação de uma viagem profissional por motivos pessoais era cada vez mais popular, especialmente junto aos milênios. Segundo uma pesquisa da  Future Market Insights report, o bleisure representa hoje de 30à 35% das viagens mundiais, mas o teletrabalho está abrindo muitas novas opções. O colaborador poderá prorrogar suas ferias com um bleisure tele-trabalhado, um conceito atrativo na hora de achar novas ideias para melhorar as condições de trabalho, e incentivar o pessoal num momento de muitas turbulências necessitando criatividade, audácia e flexibilidade.

Este artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Amélie Racine na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat  

 

Boicotar a Copa?

O famoso estádio Al Janoub

12 anos depois da decisão da FIFA atribuindo o Mundial 2022, e a menos de dois meses do jogo de abertura, personalidades da cultura, do esporte e da politica estão  apoiando um movimento de boicote da Copa do Mundo no Qatar. Lançada na India, o ideia pegou força na Europa e na América do Norte, atraindo algumas importantes lideranças regionais e municipais, especialmente na Alemanha (Berlim), na Bélgica (Bruxelles) e na França (Lille, Lyon, Marselha, Bordeaux e Paris). Se é difícil antecipar até onde essa onda pode subir, é certo que ela já preocupa organizadores, patrocinadores, jogadores, autoridades e operadoras!

2 Dezembro 2010, a FIFA anunciando a escolha do Qatar

Logo que foi anunciada, a escolha do Qatar foi muito polémica. Mesmo sabendo que depois do Brasil em 2014 e da Russia em 2018, era logicamente a vez de um pais da Ásia, mesmo reconhecendo a popularidade do futebol no mundo árabe, mesmo com a qualidade do projeto, a decisão foi imediatamente criticada por vários motivos: um pais muito pequeno para um evento tão grande,  a ausência de tradição esportiva, um clima muito quente para atletas de alto nível, uma segurança complicada nessa região perturbada, e as rigorosas normas alimentares (proibição do alcool) ou comportamentais (restrições temidas para mulheres).

O estádio Lusail onde será jogada a final

O movimento para o boicote se apoia porem em primeiro lugar nas condições desumanas que teriam sido impostas aos imigrantes que construíram os estádios. A partir de fontes paquistaneses e indianas, o jornal The Guardian anunciou em fevereiro 2021 que um mínimo de 6.751 operários estrangeiros tinham morridos em consequências de maus tratamentos ou acidentes. Mesmo se o Qatar e depois a FIFA apresentaram números bem diferentes – 37 mortes nos últimos 11 anos, sendo 34 de doenças e 3 de acidentes-, e se a legislação trabalhista local melhorou no período, essa terrível denuncia foi, e ainda é, o primeiro incentivo para o boicote.

O Hamad Airport foi premiado em 2021 como o melhor do mundo

O outro grande argumento preocupante é um impacto ambiental do evento, devido a necessária refrigeração dos estádios mas também ao grande número de voos fretados. Muitos dos 1,2 milhão de visitantes devendo se hospedar fora do pais, são esperados 160 voos diários vindo dos países vizinhos. O Qatar já garantiu que o evento terá um balance carbone neutro, mas não conseguiu convencer os críticos, enfrentando uma oposição crescente dos ecologistas. Para o Presidente do comité de organização, o sucesso do evento será a melhor forma de convencer para os opositores, e contribuirá a rebater muitos argumentos as vezes discriminatórios.

O Hotel Souk e a Ilha do divertimento

Boicotar ou não? É surpreendente de levantar essa bandeira 12 anos depois da decisão da FIFA. Quais que foram os critérios da época, a escolha do Qatar levou a Copa para novos lugares e homenageou o crescimento do futebol no mundo árabe. E se os progressos podem ser julgados insuficientes, as condições trabalhistas, ambientais e societais são hoje melhores do que eram antes. Boicotar em nome da política, ato contrário aos ideais esportivos desde a Grécia antiga, significaria penalizar os atletas que estão se preparando há 4 anos, bem como mandar um recado de desconfiança para os organizadores e os patrocinadores dos futuros grandes eventos ou dos Jogos Olímpicos.

Al Barari, o novo conceito de balneário do deserto

Mas são sem dúvidas os atores do turismo que seriam os mais prejudicados com o eventual boicote. Os turistas, que estão esperando esta festa, muitas vezes com amigos ou familiares. As operadores e as agências de viagem internacionais, que já investiram há anos na compra das entradas, na consolidação de pacotes e na comercialização. As companhias aéras que já fechar as suas programações de voos regulares ou de voos fretados. Os profissionais do turismo Qatari que investiram em empreendimentos que devem fazer do pais um novo destino turístico, com parques temáticos, museus, e complexos hoteleiros espalhados nas praias e no deserto.

A FIFA pediu que os comportamentos respeitam tanto as tradições dos moradores que os direitos dos visitantes

Recusar o boicote não é porém negar os progressos que os grandes atores da Copa devem com certeza fazer nas questões que preocupam os viajantes, seja no bem estar dos trabalhadores, no respeito das metas ambientais, na luta contre as discriminações e a favor da diversidade, ou na transparência da informação. Esse recado deve ser mandado para o Qatar para a Copa de 2022, mas o principal destinatário deve ser a FIFA, para que as futuras Copas sejam atribuídas na base de critérios claros, menos mercantis, integrando os valores sem as quais nem os grandes eventos nem mesmo os destinos turísticos do século XXI não poderão mais existir.

Katara Towers, um dos prédios icônico da Copa

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercado e Eventos

Equador convida os “digital nomads”

Já com 750.000 visitantes por ano e um turismo representando 5% da sua economia, mas concentrado nas Ilhas Galápagos, o Equador decidiu seguir o exemplo de vários países americanos. Apostou  nas novas relações entre viagens e trabalho, e lançou sua campanha oficial « Digital Nomads ». As autoridades do pequeno país andino querem assim atrair teletrabalhadores  desejando ficar até dois anos no país com o « Visa Nomada » disponível desde o mês de Abril desse ano. O objetivo anunciado é de conseguir de 8 000 a 10 000 turistas suplementares, para estadias longas, turistas vindo dos Estados Unidos, da Colômbia, da Espanha, do Peru, da Alemanha e também de novos mercados .

Para conseguir esse visto, os tele-trabalhadores precisam responder a vários requisitos. Devem ter uma renda anterior de mais de USD15.300 por ano,  apresentar um contrato de trabalho a distância vigente até a validade do visto, com um valor superior a USD1275 mensais, e especificando que os serviços serão destinados a clientes internacionais fora do país. Os candidatos devem juntar  um atestado de bons antecedentes, um seguro saúde e um contrato de aluguel no Equador.   Se for casados ou se tiver filhos podem também pedir um visto para o conjugue ou para as crianças apresentando um certificado de casamento ou um certidão de nascimento.

Um excelente wifi possibilita trabalhar de qualquer lugar

Para o Ministro do Turismo do Equador, este visto é um convite para vir no país e descobrir as belezas naturais das suas principais regiões econômicas e turísticas. No site oficial de Nomad Visa, os candidatos são incentivados a escolher onde eles querem instalar os seus novos escritórios. Três opções são valorizadas. Podem escolher o litoral, “aproveitando  um clima quente, com lindas praias, parques naturais e relacionamento com o oceano e as ilhas Galapagos”. Podem preferir “as imponentes montanhas de los Andes”. E para quem quiser descobrir a Amazônia equatoriana, a opção sera de trabalhar “nas profundezas da selva, com uma vida voltada para a proteção da natureza, em contato  com os povos indígenas”.

Os imponentes vulcões dos Andes, uma das três opções de local

No mercado cada vez mais competitivo dos destinos de teletrabalho (hoje 47 países têm programas de vistos digitais), o Equador espera dar um novo impulso a seu turismo que atravessou no últimos dez anos uma fase difícil, ficando quase parado durante a pandemia. Se a concorrência é grande, especialmente na América latina, o pais virou um destino procurado dos “nômades digitais”. Beleza das paisagens, idioma e cultura próximas, fuso horário das Américas, custo de vida barato, excelente internet e abundância de coworking são os atrativos principais. Foi assim colocada pela revista “Nomad girl”numa lista das dez cidades mais atraentes para o teletrabalho na América latina, uma lista onde constam também Medellín e Bogotá, na Colombia, Antigua e San Juan del Sur (América Central), México e Playa del Carmen (México), Lima (Perú) e, no Brasil, São Paulo.

Para Nomad Girl, Quito é a quarta cidade mais atraente para o teletrabalho na AL

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original da revista francesa profissional on-line Mister Travel

Segurança dos destinos prefigura novas tendências?

Os Emirados Arabes Unidos são considerados o destino mais seguro

Preocupação crescente dos viajantes, a segurança é hoje um fator importante na hora de escolher um destino turístico. Lançado em 2009, o indice de criminalidade publicado no site da Numbeo é por isso mencionado ou utilizado por muitos jornais e revistas internacionais incluindo a BBC, Time, Forbes, The Economist, The New York Times, The China Daily, The Washington Post, USA Today e muitos mais. Baseado nos indices de criminalidade (incluindo drogas, corrupção e discriminação), mas também no sentimento de insegurança dos visitantes, o indice 2022 trouxe algumas surpresas e muitas confirmações que podem explicar ou influenciar algumas tendências.

O mapa mundi da segurança traga algumas surpresas

Com 435 cidades avaliadas, a pesquisa confirma, como era de esperar, que a América Latina e a África são as regiões mais inseguras, ocupando os últimos lugares da lista. De forma mais surpreendente, a América do Norte tem indices ruins ou pelo menos extremamente diferenciados. E se a Europa e a Oceania são globalmente mais seguras, com certas diferencias regionais,  a surpresa vem da boa colocação da Ásia e mais ainda do Oriente Médio com vários destinos turísticos  onde os viajantes encontram a segurança que responde as suas expectativas.

Os indices por pais destacam a Europa e o Oriente Médio

O ranking dos países, acumulando acima cidades seguras em azul e inseguras em vermelho, vem confirmando este quadro. Nos destinos mais tranquilos, e como era de se esperar, destacam-se os Emirados Arabes Unidos, a Suiça, os Países Baixos e a  Noruega, mas também alguns países que não tinham essa  fama, como a Turquia ou a Romênia. A China , a Alemanha, a Nova Zelândia confirmam as suas imagens de tranquilidade. As surpresas vêm dos grandes destinos turísticos. No Sul da Europa, a Espanha fica em sexto lugar enquanto a Itália e mais ainda a França constam com o Brasil e a África do Sul nos países mais problemáticos. Umas más colocações divididas com dois outros gigantes do turismo internacional, o Mexico e os Estados Unidos.

Quebec se firma no top do ranking por cidades

Dominado pelas cidades suíças e emiratis, o ranking por cidades mostra porem uma grande diversidade, mesmo em países globalmente mal colocados. Quebec no Canadá é assim no pódio da lista, Irvine na California ou Merida no Mexico são extremamente bem avaliadas.  Na França, Brest (na Britânia) está nas vinte primeiras, Estrasburgo e Bordeaux ficam com indice de segurança acima da media. No Reino Unido, enquanto Londres fica atras de Medellin, Edimburgo está muito bem colocada. Na Itália, Trieste esta bem avaliada em quinquagésima quinta posição, e Florença surpreende. No Brasil, Florianópolis e Curitiba destoam das outras capitais brasileiras que dividem as piores posições da lista.

Florianópolis é a cidade brasileiro melhor colocada no ranking

A pesquisa e a classificação da Numbeo devem ser analisadas com um certo cuidado, mas a preocupação com a segurança é uma das mais fortes tendências da retomada pós Covid. Já é um dos motivos do sucesso de vários destinos, seja Dubai, a Suiça, a Croácia, a Noruega, a China (e Taipé) ou a Nova Zelândia.  Nos grandes países turísticos, a segurança deve voltar a ser uma prioridade na França, nos Estados Unidos ou na Itália, onde podem ajudar ao crescimento de novos pontos de atração, mais tranquilos e longe do overturismo. As exigências de experiências seguras estão assim abrindo mais oportunidades no Pais Basco, em Taipé, no Quebec, na Alsácia, na California, em Bordeaux, nos países bálticos, ou em Florianópolis.
AS 20 MAIS E AS 20 MENOS DO RANKING DE SEGURANÇA

O novo turismo de luxo é também brasileiro!

O Rosewood do Cidade Matarazzo, novo ícone do luxo paulista

O sucesso do último ILTM LATAM mostrou que a retomada do turismo de luxo é agora um fato consumado. Enquanto a China continua quase fechada e lutando para manter seu zero Covid, a Russia paralizada com os boicotes ligado a guerra, e o Japão sempre cauteloso em tempo de incerteza, o Brasil está virando o segundo mercado internacional. E em muitas capitais europeias ou americanas, os brasileiros já estão representando mais de 10% da clientela dos palácios, dos shoppings ou dos restaurantes estrelados. A explosão dos preços das passagens saindo do Brasil – e as dificuldades para encontrar vagas nos aviões – parecem também confirmar essa euforia.

Nos “palaces” parisienses, mais de 10% de clientes brasileiros

Essa volta do luxo é mundial, a previsão é de chegar em 2025 a US$ 10 trilhões, o dobro do faturamento pre-Covid, com uma media superior a sete viagens de lazer por ano para as classes A+. Mas no mesmo tempo essas viagens vão seguir as novas tendências que vão impactar as escolhas dos destinos. Hoje a  segurança deve ser total, sanitária e pessoal, a personalização requerida por 80% dos viajantes deve incluir sob-medida e flexibilidade. A sustentabilidade deve incluir um intercambio com a cultura e a população local, e as experiencias – autenticas, exclusivas, e transformadoras- devem  ser o grande foco – incluindo o Wow factor– de cada viagem.

Luxo e sustentabilidade no Mirante do Gavião

As viagens de luxo dos brasileiros deve também seguir uma outra tendência marcante do turismo mundial,  o crescimento das viagens domésticas e/ou de proximidade. Nos Estados Unidos, na França, na Espanha e em todos os países onde coabitam um importante mercado emissor e destinos turísticos atrativos, o turismo domestico deu um pulo impressionante. E está sendo assim no Brasil. Xodó dos ecologistas pelo baixo impacto de carbono, seduzindo os políticos pelo impacto direto nos moradores e nos eleitores, o turismo doméstico seduziu até mais de 90% dos viajantes durante a crise. As pesquisas feitas no ano passado, e as recentes estatísticas da BRAZTOA, mostraram que essa tendência vem para ficar.

Nas aguas do Tapajós, exclusividade e experiências transformadoras

Um novo olhar vai valorizar destinos jà conhecidos mas ainda com grande potencial de turismo de luxo. A poucas horas de avião, em Fernão de Noronha, nos Lençóis, no Pantanal, nas Missões, nas Chapadas, em Jericoacoara, nas Cataratas de Iguaçu, frente as Anavilhanas ou nas margens do Tapajós, paisagens excepcionais e experiências únicas em condições exclusivas esperam o viajante mais exigente. Mesmo acostumado a se emocionar com outros destinos internacionais,  poderá encontrar nas paisagens do Brasil o mesmo “Wow” ou o mesmo momento instagramável.

Em Ilha Bela, um luxo caribenho a três horas de São Paulo

Membros ou não da pioneira BLTA   , dezenas de hotéis, pousadas ou lodges já oferece um atendimento do mais alto padrão. O Mirante do Gavião, o Saint Andrews, o Txai, o Ponto do Gancho empurraram Nova Ayrão, Gramado, Itacaré ou Florianópolis como destinos de luxo. E o litoral paulista, de Ilha Bela a Paraty, ainda oferece muitos “best kept secret in town” para ricos e famosos que querem alternativas acessíveis de caro. Nos grandes destinos tradicionais, o luxo ganhou o novo impulso no urbanismo e na arquitetura, na cultura e nos grandes eventos, e uma riqueza gastronômica reconhecida pela própria Michelin. Ganhou com a abertura de novos hotéis, como recentemente o Fairmont do Rio ou o Rosewood de São Paulo que já conseguiram uma notoriedade internacional. Um argumento a mais para convencer os viajantes de classe A+ que o turismo de luxo é também brasileiro!

Jean Philippe Pérol

De Valencia ao Rio de Janeiro, o genio de Calatrava

Na retomada do turismo, novas tendências nas mídias sociais para 2022

Expo Dubai quer mostrar como conectar mentes em 2022

Para os profissionais a retomada das viagens domésticas e internacionais segue como toda força, mas mostra ao mesmo tempo a importância das transformações que o turismo está vivendo tanto nos desejos dos consumidores, nos serviços, nos transportes, na hospedagem, bem como na venda e na distribuição. As mídias sociais, e todas as “novas tecnologias”, atores das revoluções esperadas, estão também mudando de forma espetacular  as suas atuações no turismo. Se muitas novidades ainda surgirão depois da retomada quando o setor voltará a sua normalidade de crescimento, os especialistas já identificaram algumas dessas tendências pós Covid.

O e-comércio impacta todos os atores do turismo

O e-commerce deu uma acelerada, a pandemia foi um acelerador, obrigando os consumidores a comprar on-line produtos ou serviços que se compravam em lojas ou se consumiam em restaurantes. Enquanto as mídias sociais eram antes da crise ferramentas fabulosas de promoção, mas onde as vendas eram ainda pouco significativas (com excessão de algumas plataformas como Etsy), as vendas on-line explodiram não somente na Instagram e na Facebook, mas também no TikTok ou no Pinterest. Só nos Estados Unidos, o crescimento esse ano vai passar de 25,2% com 80 milhões de compradores e estão sendo projetados 100 milhões para o final do ano que vem.

Facebook impacta cada vez mais a escolha dos viajantes

Facebook segue na liderança, mesmo se os mais jovens tem tendência a privilegiar Instagram, Snapchat ou TikTok. Mas sem precisar lembrar que Messenger, Instagram e Oculus fazem parte do mesmo ecossistema, Facebook monopoliza ainda 58 dos 145 minutos diários que quase 2 bilhões de internautas passam nas mídias sociais. Para todas as empresas, ela oferece não somente excepcionais ferramentas de marketing mas também ofertas de empregos, serviços para consumidores, pesquisas de mercado ou promoção de eventos. Muitas dessas funcionalidades não se encontram nos seus concorrentes Twitter ou LinkedIn, consolidando, tão criticado que seja, o seu monopólio de fato.

Tiktok quer ser um key player da era pos Covid

Tiktok virou uma plataforma prioritária. Desde outubro 2021, TikTok mostrou seu interesse em convencer as pequenas e médias empresas bem como os criadores de conteúdos. Com quase um bilhão de usuários mensais, TikTok faz agora parte dos 5 maiores atores do setor (depois de Facebook, Instagram, WeChat e YouTube), com um crescimento muito acelerado junto aos maiores de 35 anos. A empresa chinesa anunciou uma serie de novas funções que vão aumentar sua competitividade: plataforma publicitária, remuneração dos conteúdos, integração de stories, ou grande oferta de filtros para publicação de imagens, aproveitando as oportunidades de realidade aumentada – uma tecnologia cuja procura aumentou de 81% nos últimos 5 anos.

Os videos curtos vão se multiplicar. Mesmo se os números de impressões ou de interações está globalmente em queda, os videos curtos  ainda conseguem hoje os melhores resultados na web e nas mídias sociais. É o caso dos posts de 15 à 60 segundos no TikTok, dos reels Instagram e agora no Facebook. E o caso dos stories agora publicáveis em todas as plataformas, de Snapchat à Twitter, ou de Instagram à Facebook, a única exceção sendo LinkedIn cuja experiencia fracassou. É assim provável que as marcas e as empresas vão agora investir cada vez mais em videos curtos, ou pelo menos em videos mais longos mas podendo ser divididos em varias publicações.

As mídias sociais utilizam cada vez mais as técnicas do neuromarketing

Os conteúdos gerados pelos próprios usuários estão em forte alta.  Essa última tendência já existia nos anos anteriores, mas foi acelerada durante a pandemia. Os viajantes confiam mais nos conteúdos divididos pelos parentes, amigos, colegas, líderes de opinião ou influenciadores. A partir das estatísticas de Facebook, Instagram, Google Review e TripAdvisor, analistas de “neuromarketing” mediram que esse tipo de conteúdo aumenta em 20% o número de visitantes, em 90% o tempo passado no site e em 81% as taxas de conversão. Curtir, comentar, compartilhar e responder nas contas de mídias sociais é assim, mais do que nunca, a melhor maneira de atingir as suas comunidades de viajantes.

Nas tendências da era pós Covid, a Escócia aposta numa retomada sustentável

A retomada do turismo não se percebe somente nos pedidos e nas reservas que estão se acelerando nas agências e nas operadoras, mas também nas campanhas de promoção que os destinos mais dinâmicos já estão desenvolvendo nos seus mercados emissores. Muitas mensagens divulgadas no inicio da crise eram de cautela – “Nos vemos logo” do México, “A España espera”, “Stay home” da Eslovénia, “Fica em casa” do Equador, “É tempo de parar” do Portugal -. Outros destinos apostavam na esperança ou no sonho – o Peru com “Saúde, sonho e depois viagem”, ou a Suíça com “Sonhe agora e viagem mais tarde”-.

Agora estão começando as campanhas da era pós Covid, com o objetivo direto de incentivar as viagens e de  apoiar os profissionais. É hora de valorizar as novas tendências, de ir direto ao essencial – a França fala assim de #Whatreallymatters”, “O que importa mesmo”. Para os marqueteiros e os comunicantes, é preciso sensibilizar o viajante com a nova normalidade sanitária e ecológica, e ao mesmo tempo comunicar para ele a certeza que essa nova normalidade não vai lhe prejudicar, e vai deixar o turismo trazer alegria, prazer, bem estar e convivialidade social.

Uma das campanhas mais marcantes foi agora lançada pela Visit Scotland para revigorar o seu turismo, antes da crise um setor de 11,5 bilhões de libras de receitas e cerca de 9% dos empregos escoceses, hoje completamente arrasado. “Now is your time” (“Agora é seu momento “) destaca o turismo responsável, com novos lugares para explorar e atrações já plebiscitadas, e mais ainda com novas atitudes para aceitar. Focando no mercado britânico, prevista para toda temporada, a campanha vai ser declinada para cinco tipos de atividades, desde o turismo de proximidade até os “short breaks”, as reuniões de familia, o turismo de aventuras e o bem estar.

Para que a retomada seja conforme a seus objetivos de segurança e sustentabilidade, Visit Scotland publicou três videos incentivando os turistas a viajar de forma responsável. Varias informações e dicas são também disponíveis no site Web  para ajudar os visitantes a proteger os ecosistemas e a valorizar o patrimônio natural e humano. Um foco especial é feito para o camping – de motorhome ou de barracas-, com recomendações para fazer suas reservas, organizar o seu itinerário, respeitar a fauna e a flora, e aproveitar os contatos com os moradores e as comunidades locais respeitando o Scottish Outdoor Access Code.

Valorizando as boas práticas e os novos protocolos, a campanha “Now is your time” corresponde perfeitamente a nova normalidade que chegou para ficar tanto para os viajantes que para os profissionais. O turismo vai ter que se adaptar a novas práticas sociais, novos comportamentos, mais transparência, mais proteção e mais responsabilidade. Na hora de um turismo mais intenso e mais seletivo, a Visit Scotland  quer agora assegurar a visibilidade e a notoriedade da Escócia comunicando sobre essas novas tendências. “Now is Scotland time?”

Este artigo adaptado de um artigo original de Fanny Beaulieu Cormier na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat  

Sucata ou palácio flutuante, qual destino para o último porta avião brasileiro?

Bilionários inaugurando mais uma vez o turismo espacial?

Dennis Tito, o primeiro turista espacial da história

Em 2002, na abertura da primeira edição do ILTM de Cannes, o Diretor do salão destacou um dos expositores que , segundo ele, mostra o caminho do turismo do futuro: era uma operadora que oferecia por uns 20 milhões de USD o primeiro passeio no espaço. Co-presidindo o evento, o então diretor geral da Maison de la France, fez questão de lembrar que era sem dúvidas um acontecimento, mas que com certeza os viajantes que aceitavam de pagar um tal preço par uma experiência de alguns minutos não representavam mais que uma micro-niche que não ia acrescentar muitas receitas ou muitos empregos ao desenvolvimento sustentável do turismo internacional.

Guerra de egos ou nova era do turismo mundial?

Quase vinte anos e dez clientes depois, o turismo espacial volta a ser noticia, essa vez como competição de ego três bilionários mediatizados, todos com grandes investimentos nos transportes para o espaço: Egon Musk da Tesla- que teria sempre sonhar em abrir a colonização da planeta Mars mas já conseguiu para SpaceX fabuloso contratos com a NASA-, Richard Branson da Virgin – interessado há anos pelas viagens supersônicas e as ascensões em balões através da Virgin Galactic-, e Steff Bezos da Amazon – sonhando desde 2000 com colônias espaciais flutuantes construídas e lançadas pela sua empresa especializada Blue Origin.

A largada do VSS Unity desde seu lançador

Se nenhum dos três poderá alegar ser o primeiro turista espacial ( Dennis Tito no 21 de Abril 2001, e depois dele uns dez milionários pagaram nos últimos vinte anos uns 20 milhões de USD para viajar a bordo de foguetes Soyuz), Richard Branson foi mesmo o primeiro a viajar a bordo do seu proprio navio espacial. No dia 11 de julho, o excêntrico empresário sai na frente com três outros passageiros e dois pilotos no VSS Unity, levado pelo lançador VSS Eve. Depois da largada, subiu até 90 quilômetros de altura -10 quilômetros acima do limite do espaço definido pela Aeronáutica estado-unidense – e foi pousar na base de Spaceport no Novo México onde nada menos que Elon Musk esperava para reservar uma vaga num próximo voo.

No deserto do Texas, o Blue Origin de Steff Bezos

Jeff Bezos saiu nove dias mais tarde, dia 20 de julho, com o seu foguete New Shepard, atingiu 107 quilômetros de altura, e depois de dez minutos voltou abrindo os três paraquedas da capsula para pousar no deserto do Texas. Se não foi na dianteira, Jeff levou vantagem sobre o seu rival. Em primeiro lugar ultrapassou a barreira do espaço, 100 quilômetros de altura segundo as convenções internacionais. Em segundo caprichou no conteúdo emocional, com a presencia a bordo de vários objetos carregados de símbolos fortes: colar da sua mãe, pedaço do avião dos irmãos Wright, medalhão de Montgolfier, e convite a pioneira da aviação americana Wally Funk, hoje com 82 anos.

Olivier Daemen junto com Jeff Bezos, Mark Bezos, e Wally Funk

Jeff Bezos superou também Richard Branson em levar um passageiro pagante – o montante exato, superior a 20 milhões de USD, não foi porem divulgado. O feliz escolhido foi um neerlandês de 20 anos, Oliver Daemen, que foi presenteado pelo pai, dono do hedge fund Somerset Capitol Partners. Oliver tinha chegado em segundo lugar num leilão disputadíssimo de 75 pessoas, mas o vencedor teve que adiar a viagem e seguirá nos outros voos programados, dois em 2021 e vários em 2022. Nessas previsões de turistas espaciais, a Blue Origin tem ambições mais modestas que a Virgin Atlantic que já vendeu mais de 600 passagens de USD 250.000 cada e está programando 400 voos comerciais nos próximos anos.

O impacto do turismo espacial já preocupa os ambientalistas

Mesmo se os três bilionários insistam na dimensão sustentável e social desses projetos, as reações da imprensa bem como das mídias sociais foram pelo menos cautelosas, pouco jornalistas ou influenciadores sendo convencidos que os bilhões gastos nesses voos ajudaram ou ajudarão a encontrar soluções as crises de curto ou longo prazo, e muitos deles achando que essas viagens não se encaixa nas novas tendencias de sustentabilidade e de responsabilidade social. Para os profissionais, mesmo nas hipóteses mais favoráveis de algumas centenas de passageiros nos próximos anos, o turismo espacial,  continua pertencendo ao distante futuro.

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercado e Eventos

%d blogueiros gostam disto: