O turismo no Japão surpreende com um sucesso inédito

Mesmo ameaçado pelo overturismo, o Monte Fuji é o ícone do turismo japonês

Acreditando no turismo, e aproveitando o câmbio favorável (O yen perdeu quase 50% do seu valor em 15 anos), o governo japonês tem grandes ambições  e bons argumentos para realizá-las. O primeiro é sua riqueza cultural única, começando pelos templos clássicos de Kyoto mas podendo hoje contar com um patrimônio espalhado no país inteiro e pronto para receber visitantes estrangeiros. Em várias cidades, esse patrimônio arquitetural serve também de cenários a manifestações artísticas tradicionais ou vanguardistas. Com a excepcional rede ferroviária do icônico trem bala “Shinkansen”, os visitantes podem incluir nos seus roteiros  Tokyo, Osaka, mas também Nagoya, Fukuoka e Kyoto.

O turismo japonês aposta na beleza da sua natureza

A beleza da sua natureza é  outra grande temática do turismo japonês. Dependendo da época do ano, as flores de cerejeiras, as cores douradas das florestas ou as coberturas de neve das montanhas são ocasiões para descobrir  fontes de águas quentes, praias de areias brancas ou trilhas atravessando as matas. Mas o Japão quer também promover sua modernidade, seja sua tecnologia, suas inovações, seu design, atrações que podem também contribuir ao ambicioso objetivo do seu turismo: 60 milhões de visitantes em 2030.

 

Em Tóquio, depois do Mundial de rugby, que venham os Jogos Olímpicos!

O Japão brilhou no campo e nas arquibancadas do Mundial de Rugby

Além de uma brilhante participação da sua seleção nacional, o Japão mostrou durante a última Copa do Mundo de Rugby que era um perfeito organizador de grande eventos esportivos. Pela enormee satisfação dos observadores do Comitê Olímpico, os organizadores souberam gerenciar as perturbações e os cancelamentos de jogos trazidos pelo furacão Hagibis. O Comité de Organização japonês constatou com satisfação que todas as entradas foram vendidas e que os estádios ficaram sempre cheios, mesmo nos jogos de menor expressão. Os jornalistas ficaram impressionados pelo fair-play dos espectadores que chegaram até a cantar os hinos nacionais dos adversários, e a policia conseguiu evitar qualquer distúrbio, resolvendo com tranquilidade os poucos casos de excesso de torcedores baderneiros.

O beisebol vai voltar nos JO depois de 12 anos

A abertura oficial dos Jogos Olímpicos de 2020 será no dia 24 de Julho (mesmo se os primeiros jogos de futebol serão dia 22), e as provas serão divididas entre nove áreas, sendo as duas mais importantes em Tóquio: a “Heritage Zone”,  que utilizou os prédios e as instalações renovados dos Jogos de 1964, e a “Bay Zone” que foi projetada para ser um modelo de desenvolvimento urbano criativo e inovador. Fora da capital, os sítios olímpicos incluem o Sapporo Dome na ilha de Hokkaido e o famoso Azuma Baseball Stadium de Fukushima que deve receber as provas de baseball/ softball, um dos cinco novos esportes destas olimpíadas – os outros são o skateboarding, o “sports climbing,” o surfe e o localmente esperadíssimo karaté.

Nove sítios olímpicos vão receber as provas

Sobre um total de 7,8 milhões de entradas, as primeiras vendas foram reservadas aos moradores, mas nesse último mês de agosto mais de 2 milhões já foram colocadas à venda nos mercados internacionais por meio de revendedores autorizados.  No Brasil foi nomeada a Match Hospitality,  com três subdistribuidores, a Ambiental Travel Experience, a Century Travel e a Quickly Travel.  Muito atento a transparência das compras e vendas, o Comité Olímpico proibiu completamente a revenda de entradas a não ser num site oficial que será aberto exclusivamente para este fim em abril de 2020, com os preços limitados aos valores faciais e um handling-fee predeterminado. E para quem não conseguir entradas, 30 Live Site” serão abertos aos tprcedores no Japão inteiro, com retransmissão ao vivo das provas, dos eventos culturais e das animações esportivos

Os preços dos hotéis capsula vão aumentar de até cinco vezes durante os JO

Com a expectativa de receber 10 milhões de turistas, as disponibilidades e as tarifas de hospedagem são as maiores preocupações de todos. Até nos “hotéis capsula”, com seis quartos de menos de quatro metros quadrados, as tarifas explodiram, passando de uma média de US$ 20 a mais de US$ 100 por noite. Nos hotéis tradicionais, os preços subiram também, e a estritas regras de segurança impossibilitam de prever três ou quatro hóspedes em quartos vendidos em single ou double. Para resolver a falta de apartamentos, a AirBnb aumentou muito a sua oferta, e alguns navios de cruzeiros deverão ser usados como hotéis flutuantes: a JTB já fretou o Sun Princess e negocia coma MSC o fretamento o MSC Lírica. Alternativas originais já estão sendo aproveitadas, como os “Love hotels” (os seguros e confortáveis motéis japoneses), ou até os Internet cafés, que oferecem normalmente pacotes de pernoites baratos para os moradores que perdem o seu último trem. 

Paris e 7 cidades francesas receberão a Copa de Rugby 2023

Copa do Mundo de Rugby e Jogos Olímpicos, o desafio de organizar dois eventos tão importantes dois anos seguintes vai atrair as atenções de turistas, esportistas, jornalistas e profissionais do mundo inteiro. Com a mesmo sequência chegando em 2023/2024, Paris vai com certeza tentar aproveitar da experiencia (certamente bem sucedida) dos dois comités organizadores japoneses, com o múltiplo desafio de uma perfeita organização esportiva, da satisfação dos visitantes, de um controle de custos eficiente, e da apropriação dos eventos pelos moradores- hoje japoneses e amanhã parisienses .

Depois de Tóquio, Paris será pela terceira vez a capital olímpica

Há 40 anos, o último Lima-Papeete-Tóquio da Air France

 

Ilha de Tahiti

A beleza da ilha de Tahiti vista pouco antes da aterrissagem

Nos meados de 1975, quando a Air France começou a estudar a abertura de uma rota inovadora entre Paris e Lima, apoiada na escala francesa de Caiena e pousando em Manaus, ela já tinha aberto há dois anos uma outra rota revolucionária na América do Sul. Era um voo Lima Papeete Tóquio, atravessando duas vezes por semana o Pacífico, e dando assim à Air France a possibilidade de chegar pela primeira vez no Tahiti – na época, área exclusiva da então outra grande companhia francesa, a UTA. Nas projeções dos marqueteiros que analisavam a abertura de Manaus, as duas linhas iam se reforçar mutuamente, tanto com os fluxos de passageiros viajando da Zona Franca para o Japão, quanto com as cargas dos intercâmbios entre a Amazônia e o Extremo Oriente – peixes ornamentais indo ou peças industriais  vindo.

Mas, as duas rotas nunca chegaram a operar juntas. Enquanto o primeiro B747 pousava em Manaus no dia 31 de março 1977, o B707 do Lima Papeete Tóquio parava de voar. Anunciada em janeiro pelo então Diretor Geral da Air France, Gilbert Pérol, essa decisão tinha sido uma imensa decepção para o pessoal da companhia. Pela sua rota excepcional – mais de vinte horas em cima do Pacifico -, pelo seu itinerário – sendo um dos últimos exigindo um navegador na tripulação técnica -, pela integração de Tahiti à “maior rede do mundo”, pelas tripulações com base em Lima e rotações de 15 dias em Tóquio e Papeete, o vôo tinha integrado em menos de quatro anos a história mítica da Air France, e os pilotos fizeram imediatamente uma greve de repúdio.

O Being 707 A, obsoleto logo no meio dos anos 70

O Boeing 707 A, obsoleto logo no meio dos anos 70

Mas a decisão foi mantida porque o prejuízo era muito importante, e porque não tinha perspectivas de equilíbrio a médio ou longo prazo com os Boeing 707 A obsoletos. A ocupação dos aviões era alta (mais de 80%, uma taxa excepcional na época), porém as receitas eram fracas com os maiores fluxos provenientes de imigrantes uruguaios indo para Austrália ou de coreanos vindo para o Brasil. Mas, no final, foram mesmo os custos que selaram o destino do Lima Papeete Tóquio. As tripulações reforçadas e dedicadas eram pouco aproveitadas, e os B707 A tinham um consumo de combustível insuportável depois da alta dos preços consecutivo ao primeiro choque petroleiro.

Xangai, agora com voos charters para Papeete

Xangai, agora com voos charters para Papeete

40 anos depois, o mito do vôo transpacífico via a Polinésia Francesa ainda perdura, não somente pela memória do Lima Tóquio da Air France, mas também pelos projetos que continuam aparecendo. Tendo sempre a ligação China América Latina – e às vezes China Brasil – como fonte de tráfego, esses projetos são por enquanto inviáveis, mas poderiam num futuro próximo se consolidar, mostrando assim que Air France tinha sido somente pioneira demais.

Jean-Philippe Pérol

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Em abril 1973, o selo peruano comemorativo da inauguração

 

Cartaz promocional do voo

Cartaz promocional do voo TYO PPT LIM