Há 40 anos, o último Lima-Papeete-Tóquio da Air France

 

Ilha de Tahiti

A beleza da ilha de Tahiti vista pouco antes da aterrissagem

Nos meados de 1975, quando a Air France começou a estudar a abertura de uma rota inovadora entre Paris e Lima, apoiada na escala francesa de Caiena e pousando em Manaus, ela já tinha aberto há dois anos uma outra rota revolucionária na América do Sul. Era um voo Lima Papeete Tóquio, atravessando duas vezes por semana o Pacífico, e dando assim à Air France a possibilidade de chegar pela primeira vez no Tahiti – na época, área exclusiva da então outra grande companhia francesa, a UTA. Nas projeções dos marqueteiros que analisavam a abertura de Manaus, as duas linhas iam se reforçar mutuamente, tanto com os fluxos de passageiros viajando da Zona Franca para o Japão, quanto com as cargas dos intercâmbios entre a Amazônia e o Extremo Oriente – peixes ornamentais indo ou peças industriais  vindo.

Mas, as duas rotas nunca chegaram a operar juntas. Enquanto o primeiro B747 pousava em Manaus no dia 31 de março 1977, o B707 do Lima Papeete Tóquio parava de voar. Anunciada em janeiro pelo então Diretor Geral da Air France, Gilbert Pérol, essa decisão tinha sido uma imensa decepção para o pessoal da companhia. Pela sua rota excepcional – mais de vinte horas em cima do Pacifico -, pelo seu itinerário – sendo um dos últimos exigindo um navegador na tripulação técnica -, pela integração de Tahiti à “maior rede do mundo”, pelas tripulações com base em Lima e rotações de 15 dias em Tóquio e Papeete, o vôo tinha integrado em menos de quatro anos a história mítica da Air France, e os pilotos fizeram imediatamente uma greve de repúdio.

O Being 707 A, obsoleto logo no meio dos anos 70

O Boeing 707 A, obsoleto logo no meio dos anos 70

Mas a decisão foi mantida porque o prejuízo era muito importante, e porque não tinha perspectivas de equilíbrio a médio ou longo prazo com os Boeing 707 A obsoletos. A ocupação dos aviões era alta (mais de 80%, uma taxa excepcional na época), porém as receitas eram fracas com os maiores fluxos provenientes de imigrantes uruguaios indo para Austrália ou de coreanos vindo para o Brasil. Mas, no final, foram mesmo os custos que selaram o destino do Lima Papeete Tóquio. As tripulações reforçadas e dedicadas eram pouco aproveitadas, e os B707 A tinham um consumo de combustível insuportável depois da alta dos preços consecutivo ao primeiro choque petroleiro.

Xangai, agora com voos charters para Papeete

Xangai, agora com voos charters para Papeete

40 anos depois, o mito do vôo transpacífico via a Polinésia Francesa ainda perdura, não somente pela memória do Lima Tóquio da Air France, mas também pelos projetos que continuam aparecendo. Tendo sempre a ligação China América Latina – e às vezes China Brasil – como fonte de tráfego, esses projetos são por enquanto inviáveis, mas poderiam num futuro próximo se consolidar, mostrando assim que Air France tinha sido somente pioneira demais.

Jean-Philippe Pérol

selo-tyo-lim

Em abril 1973, o selo peruano comemorativo da inauguração

 

Cartaz promocional do voo

Cartaz promocional do voo TYO PPT LIM

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