Saint Martin: depois das primeiras urgências, a certeza de uma reconstrução rápida e sustentável!

 

Saint Martin, a ilha amiga no Caribe francês

De Anguilla a Key West, passando pelas Ilhas Virgens e Cuba, o furacão Irma deixou uma trilha de devastação material e de dramas humanos, arrasando regiões muito queridas no Brasil, tanto pela proximidade geográfica e cultural que pela familiaridade com os seus grandes destinos turísticos. As ilhas francesas de Saint Martin e Saint Barthelemy, visitadas a cada ano por mais de 10.000 brasileiros, foram duramente atingidas. Mas depois do choque, começou uma impressionante operação de ajuda que levou o proprio Presidente da Republica francesa a visitar as duas ilhas para mostrar o seu apoio às populações. Daniel Gibbs, Presidente da Coletividade de Saint-Martin, descreveu  a situação de seu território após a passagem do furacão no último dia 6 de setembro de 2017, anunciando as três etapas da reconstrução que as autoridades já estão liderando.

A primeira fase da organização pós-furacão consistiu em gerenciar  as urgências dos cuidados às pessoas feridas, doentes ou em dificuldades, e na evacuação dos turistas ainda bloqueados nas ilhas – quase todos eles já tendo sido repatriados para seus países de origem. Foi também assegurada a segurança do território através da chegada de importantes reforços do Exército e da polícia militar da França. Essa primeira Fase já está concluída e a segurança do território está sob controle. O Presidente e sua equipe trabalham agora com seus parceiros na segunda fase da organização pós-furacão,  dando priorizando a limpeza dos escombros, dos itens volumosos e dos detritos gerados e transportados pelo furacão, a distribuição de água, comida e de material, assim como a reabilitação das redes de água, saneamento básico e eletricidade.

A terceira fase das ações da coletividade será lançar o mais rapidamente possível a reconstrução do território para a população e as empresas poderem retomar as suas atividades habituais. O encontro com o presidente francês, Emmanuel Macron, na última terça-feira 12 de setembro de 2017 permitiu ao presidente Gibbs expor as necessidades urgentes, bem como as medidas de acompanhamento que devem ser negociadas entre a França e a Coletividade. Nesta fase, ainda em curso, a recuperação do turismo é uma prioridade, e um conjunto de peritos deve avaliar o estado dos hotéis, residências e guest houses para ajudar na reconstrução das infraestruturas turísticas.

O trabalho do Presidente da coletividade de Saint Martin e das suas equipes têm agora dois objetivos maiores: o acompanhamento de todos os momentos dos moradores, com foco  na ajuda aos trabalhadores desempregados e no apoio às empresas, e a reconstrução rápida e durável do território para que Saint-Martin possa retomar sua atividade econômica. O presidente Gibbs e sua equipe farão de tudo que está em seus poderes para que o território retome sua atratividade. Ele agradece calorosamente a todos os parceiros e operadores de turismo que se mobilizaram para Saint-Martin e que acompanham agora os são-martinhenses para que a “Ilha amiga do Caribe francês” volte a ser um dos destinos mais apreciados do Caribe.

Vista aérea de Saint Martin

 

 

Rangiroa, do outro lado do mundo, enoturismo com golfinhos e baleias!

Entre a lagoa e o Oceano, os vinhedos de Rangiroa

Para quem gosta de vinhos diferentes, o “Special Blend” da Bodega del fin del Mundo é sem dúvida uma excelente opção. Nos confins da Patagônia Argentina, em San Patricio del Chanar, alguns pioneiros conseguiram colher uvas dos melhores vinhedos da região – Malbec, Cabernet Sauvignon e Merlot – e compor o vinho único, aromático, tânico e sensual, que seduz não somente pela sua potência, mas também pela sua origem tão peculiar. Mas, pelo menos pela geografia, esse vinho da Patagônia tem agora um concorrente muito sério para o título de vinho proveniente da última adega do fim do mundo. Na ilha de Rangiroa, no arquipélago das Tuamutus, na Polinésia Francesa, um destemido empreendedor, Dominique Auroy, e um enólogo vindo da Alsácia, Sebastien  Thepenier, estão produzindo três brancos e um rosé, única vinícola num raio de 5 a 10 mil quilômetros nesses confins do mundo do Pacífico Sul.

Os quatro rótulos produzidos em Rangiroa

Depois de experimentar dezenas de uvas em várias ilhas da Polinésia, Dominique Auroy ficou convencido de que o terroir de coral de Rangiroa era o melhor lugar para implantação dos vinhedos, selecionando três variedades para compor o seu “Vin de Tahiti”: Carignan, Grenache e  Muscat. O clima regular e com pouca chuva oferece também a possibilidade de duas safras por ano. O sucesso foi rápido, e a produção subiu para 38.000 garrafas. Depois de descartar os tintos que não chegavam à qualidade requerida, quatro rótulos se destacaram: o “Blanc de Corail”, muito mineral mas com sabores de agrumas, e o “Clos du Récif” , com notas de baunilha, sendo os dois premiados em 2008 e 2009 com a medalha de prata das Vinalies Internationales. O rosé “Nacarat” tem sabores de frutas vermelhas, e o branco doce é um perfeito companheiro para um aperitivo ou um prato tahitiano de frutos do mar.

Le mur de requins de Rangiroa @GIE Tahiti tourisme/Philippe Bacchet

 Mas se Rangiroa pode ser colocada agora nos roteiros do enoturismo internacional, a fama da ilha vem em primeiro lugar pelos seus extraordinários spots de mergulho. Para principiantes ou profissionais, a lagoa oferece emoções múltiplas com muitos tipos de peixes, tubarões, barracudas, golfinhos, tartarugas, desde o spot tranquilo do “Aquarium” para um snorking em família, até a “parede de tubarões” que encontra-se a uns 50 metros de profundidade, perto da famosa passe de Tiputa. É nessa passe, bem como na segunda passe do atol – Avatoru -, que são organizadas as principais saídas dos seis clubes de mergulho. Qual que seja a excursão escolhida, e a hora do dia ou da tarde, a caçada dos tubarões (ponta negra, cinza, martelo, seboso ou limão) é sempre o momento mais espetacular, quando eles espalham as “perches pagaies”, os  “chinchars”, as  “caranges”, ou os “napoleões”.

Golfinho pulando na passe Tiputa

Além do enoturismo e do mergulho, Rangiroa, segundo maior atol de coral do mundo com mais de 250 quilômetros de circunferência, vale também pelas suas belezas naturais. A lagoa azul – uma pequena lagoa dentro da lagoa principal – ou as areias cor-de-rosa, são os passeios mais procurados pelos numerosos casais em lua-de-mel. E, para quem quiser mesmo descansar, que tal tomar um copo de “Blanc de Corail” nas famosas cadeiras laranja da Pousada “Le Relais de Josephine”, esperando uma baleia ou olhando para os golfinhos que brincam de entrar e sair pela passe de Tiputa.

Manuia!*

Jean-Philippe Pérol

*Saude em tahitiano

No Relais de Josephine, o lugar certo para esperar baleias e golfinhos

Turismo para família combinando Disney, parques, outlets … e cultura? Paris Ile de France, claro!

Disneyland Paris, primeira atração turística da Europa

As comemorações dos 25 anos da Disneylândia Paris mostraram o sucesso desse empreendimento – hoje a atração turística mais visitada da Europa com 13,4 milhões de entradas -, bem como o impacto que ele teve sobre o turismo francês. O Mickey com sotaque atraiu novos perfis de visitantes e deu um novo impulso não somente nos mercados de proximidade mas também na Ásia e nas Américas. No Brasil, que até então dava para a Flórida a quase exclusividade dos parques de lazer, foram mais de 80.000 viajantes (um crescimento de quase 40%) que descobrirão em 2017 a Disney à francesa. A crescente presença de brasileiros nos grandes parques como Asterix, o Puy du Fou e o Futuroscope, ou nos 250 outros parques  espalhados na região Paris Ile de France e nas outras regiões francesas, mostram que a França é cada vez mais considerada no Brasil como um destino para famílias com crianças grandes ou pequenas.

A Fondation Vuitton, encostada no Jardin d’Acclimatation

Em 2018, a reabertura do saudoso Jardin d’Acclimatation, encostado na Fondation Vuitton e nas florestas urbanas do Bois e Boulogne, vai dar mais um impulso na atratividade da região para o turismo de famílias. O mais antigo parque de Paris, aberto em 1860 pelo Imperador Napoleão III, está sendo completamente renovado e o seu proprietário, o grupo de luxo LVMH, tem a ambição de atrair em breve mais de 2 milhões de visitantes. O projeto inclui a renovação do patrimônio arquitetural herdado do Império, dos estábulos, do pombal, e dos aviários, bem como a valorização das atrações mais queridas dos parisienses –  Trenzinho (aberto em 1878), Rio Encantado (aberto em 1927), ou Casa dos Espelhos. Além das 23 atrações já existentes, 17 serão abertas, todas no mesmo espírito “retro-futurista” inspirado em Jules Verne. Apostando na complementaridade com a Fondation Vuitton, combinando parque e cultura, a LVMH espera atrair turistas internacionais de todas as idades.

Grandes marcas e pequenos preços no outlet La Vallée Village

Não bastassem os parques, a região Paris Ile de France está agora seduzindo as famílias pelas opções de shopping. As medidas tomadas para facilitar as aberturas de loja nos domingos, bem como a simplificação dos procedimentos de reembolso de até 16 % de impostos já agradaram os turistas. A multiplicação dos outlets  foi mais um passo. A França tem hoje 21 “vilarejos de marcas”, sendo oito perto de Paris e três em Troyes, na Champagne vizinha. Os maiores, tais como o One Nation Paris, as Marques Avenues, o Usine Center, ou o Usine Mode et Maison, chegam a juntar lojas de fábricas, lojas de departamentos (inclusive cinco Galeries Lafayette) ou até lojas tradicionais, com preços de liquidações. Pela proximidade da Disney, ou talvez das 190 lojas do shopping Val d’Europe, hospedando 120 marcas francesas e internacionais, o La Vallée Village , que hospede 120 marcas francesas e internacionais, é o mais popular junto aos turistas brasileiros.

Em Vaux le Vicomte, cultura e diversão para toda família

Na concorrência com os grandes destinos de turismo em família curtidos pelos brasileiros, a região de Paris Ile de France tem acima de tudo um trunfo importante, um acervo cultural excepcional que surpreende pelas numerosas ofertas para crianças de todas as idades. Em Paris mesmo, a Cité des Sciences, o Palais de la découverte, o Musée des Arts forains são algumas opções para as famílias, bem como o Museu do Homem, o Museu da Marinha ou o próprio Louvre, se o roteiro escolhido for adaptado – mostrando que a cultura pode também ser atual e divertida. Nos arredores da capital, os mais prestigiosos castelos, incluindo Versalhes, Fontainebleau ou Vaux le Vicomte, oferecem animações ou eventos  para adultos e crianças. Para os turistas brasileiros, que exigem das suas viagens para França uma forte dimensão cultural, será talvez um argumento decisivo para escolher Paris e sua região como o outro destino para famílias juntando parques de lazer, shopping … e cultura.

Jean-Philippe Pérol

Os Etangs de Corot, exemplo de canto escondido de Paris Ile de France

De Veneza a Reykjavik, prevenir a turismofobia melhorando a experiência turística

Veneza tentando conciliar turistas e moradores

Veneza tentando conciliar turistas e moradores

Com mais de 1,2 bilhão de turistas internacionais, o turismo de massa preocupa cada vez mais os moradores dos grandes destinos. Vendo os transtornos trazidos pela surpopulação, autoridades, jornalistas e influenciadores concordam em por a culpa dos transtornos nos próprios viajantes. A estigmatização do turista é uma velha e arrogante tradição aristocrática  do século XIX quando alguns “happy few”, já na época, não aguentavam dividir os monumentos de  Atenas e Roma, os beira mares de Nice e Biarritz, ou os artesanatos de Istambul, com os primeiros seguidores de Thomas Cook. Mas, mesmo se rejeitado até pelos seus pares, deve se reconhecer que o turista nem sempre respeita os moradores, os costumes do local, ou até regras básicas de convivência social ou de proteção do meio ambiente. Virou assim urgente de encontrar soluções para lutar contra a irresponsabilidade e os excessos, sem prejudicar as atividades econômicas nem atrapalhar a convivialidade e a liberdade de viver que os turistas procuram.

Os conselhos da China a  seus turistas antes deles viajar

Preocupando os destinos turísticos, o bom comportamento dos viajantes é também uma preocupação de alguns países emissores que temem que atitudes inadequadas prejudicam a sua imagem. Líder mundial com mais de 110 milhões de turistas, quase todos primeiro-viajantes, a China publicou em 2013  um “Guia do turismo civilizado” com conselhos a seguir, incluindo 64 paginas de recomendações (as vezes surpreendentes) como por exemplo não fazer barulho quando bebe, não limpar o nariz com os dedos, não subir em pé nos toaletes, não levar os coletes salva vidas dos aviões ou não importunar os moradores. Alguns conselhos eram específicos para certos destinos: não estalar os dedos para chamar o garçom na Alemanha, não oferecer flores amarelas na França, não falar da realeza na Tailândia ou não tocar as pessoas com a mão esquerda na Índia. O mau comportamento podendo levar a entrar numa lista negra de pessoas proibidas de viajar, é provável que essa recomendações, por esdrúxulas que sejam, foram seguidas, e devem ter contribuídas a evitar abusos.

O juramento islandês

Destino de sucesso que viu suas chegadas de turistas quintuplicar, mas preocupada com o impacto sobre o meio ambiente e a vida social, a Islândia lançou em julho desse ano um juramento de bom comportamento que os candidatos a turista são incentivado a fazer. “The Icelandic Pledge”, que pode ser encontrado e assinado on-line no site, é um compromisso moral do visitante com 8 clausulas de respeito ao meio ambiente e as regras de segurança: ser um turista eco-responsável, respeitar as regras de transito e de estacionamento, deixar os lugares limpos, não sair dos caminhos autorizados e cuidar com a meteorologia. Mesmo não sendo obrigatório, o juramento já foi assinado por 30.000 pessoas. Para a ministra do turismo da Islândia, “os turistas querem mesmo ser responsáveis, mas nem sabem sempre o que isso significa em termos de comportamento”. O sucesso da campanha foi de lembrar, de maneira cordial e humorística, algumas regras básicas, e de mostrar  que esse respeito era uma forma de integrar a cultura local e de ajudar o relacionamento com os moradores,

 

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi inspirado de um artigo de Josette Sicsic na revista profissional online Tourmag

Diversificação da hospedagem virou chave do sucesso do turismo francês!

Paris plage, uma nova imagem da cidade luz!      @Loic Lagarde

Enquanto a França reencontra os turistas internacionais – 6% de crescimento das chegadas no primeiro semestre, com um destaque especial para o Brasil que teve um aumento de 22,7%, e um novo recorde de 89 milhões de turistas anunciados pelo ministro das relações exteriores-, uma das suas principais ambições é de oferecer hospedagens em sintonia com as novas exigências dos viajantes. Junto com os investimentos para melhorar a qualidade e a quantidade, os esforços bem sucedidos para diversificar as hospedagens são uma das principais razões da volta dos turistas tanto em Paris que nos principais destinos franceses.

O Restaurante do Mama Shelter de Paris

A criatividade dos novos alojamentos turísticos pode ser comprovada em muitos projetos, dos hotéis boutique até os “Mama Shelter” ou os “glamping”, mas duas categorias estão se destacando nesses esforços bem sucedidos combinando iniciativa dos profissionais e responsabilidade das autoridades para ampliar uma oferta respondendo a procura de viajantes  cada vez mais diversificados. O sucesso da “Distinction Palace” contribuiu muito para consolidar a liderança de Paris e da França na hotelaria de altíssimo padrão. Criada em 2014, essa categoria muito especial, premiando estabelecimentos já titulares de 5 estrelas assim selecionados por uma comissão de personalidades independentes, ja reune 23 hotéis – 10 em Paris, 12 nos outros destinos da Franca metropolitana e um em Saint Barthelemy.

As Sources de caudalie, um dos Palaces premiados em 2016

Exclusividade francesa, os “Palaces” foram não somente um reconhecimento do “savoir faire” desses profissionais do luxo, mas também um forte incentivo a renovação ou até a abertura de novos estabelecimentos. Em 2016, sete hotéis ganharam a distinção, vários deles muito acostumados  com brasileiros como o Eden Roc na Riviera, o Cheval d’Argent en Saint Barthelemy ou as Sources de Caudalie perto de Bordeaux. Para 2017 e 2018 mais candidatos estão se preparando, especialmente os lendários Hotel Lutetia e Hotel de Crillon. Construído em 1758, essa prestigiosa mansão, que foi transformado em hotel de luxo em 1909 e participou da aventura da Route du Bonheur e dos Relais & Châteaux, reabriu agora depois de dois anos de renovação.

O Hotel de Crillon agora renovado

As obras combinaram o total respeito da faixada e das partes tombadas do Hotel, as necessárias inovações para atender as exigências dos viajantes do século 21, e criatividade de grandes designers para os restaurantes (Minossian), os quartos (Vergniol) e as suites assinadas pelo Karl Lagerfeld que dedicou uma delas a sua gata Choupette …. O novo Crillon tem assim menos quartos (124 em vez de 147), mas com 33 suites e 10 suites “Signature” de altíssimo padrão. O restaurante gastronômico não fica mais no salão dos Embaixadores mas numa sala menor chamada L’Ecrin com o jovem chef Christopher Hache e uma adega de 43.000 garrafas. Nas novidades mais esperadas constam um bar espetacular,  uma piscina e um spa (num segundo subsolo cavado especialmente), bem como um “cigar loundge” para os amadores de charutos. Detalhes que ajudarão a reforçar a imagem de Paris no segmento de turismo de luxo.

Bordeaux, cidade pioneira na regulamentação dos alugueis C2C

Mas o provável novo recorde de turistas internacionais que a França deve atingir esse ano se deve também ao espetacular sucesso  de hospedagens alternativos que mostram a forte diversificação da oferta francesa. Assim a hospedagem não comercial (parentes e amigos), que chega a 34% dos pernoites, com um forte crescimento nos últimos anos  junto aos viajantes vindo da Asia ou das Américas ((o não comercial representa hoje 22,5% dos 8,2 milhões de pernoites de turistas brasileiros na França).  Assim os alugueis “de pessoa a pessoa” da AirBnb e dos seus concorrentes. Representando hoje 26,7% dos pernoites comerciais, essa forma de hospedagem atrai especialmente os  turistas provenientes dos Estados Unidos, da Australia e do Brasil (seriam mais de 1,5 milhões de pernoites de brasileiros). Agora mais regulamentada para respeitar tanto os concorrentes que os moradores, ela deve continuar a crescer, contribuindo a ampliar e diversificar a oferta de hospedagem na França. Uma diversificação que atrai novos viajantes e  consolida a  liderança francesa no turismo mundial.

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

O glamping, glamour e camping, chegou com toda força

Turismo internacional, o ótimismo e a confiança

As viagens internacionais antecipando a retomada do crescimento brasileiro

Com um crescimento de 20% das viagens internacionais e de 50% das despesas no exterior durante o primeiro trimestre, os profissionais brasileiros do turismo estão hoje muito otimistas em relação a 2017. As projeções anuais variam de 5% até 20%, deixando quase certa uma recuperação dos clientes perdidos em 2016 e talvez até em 2015, especialmente  junto aos novos viajantes de lazer. Os “emergentes”  estão de novo transformando o Brasil numa grande potência turística internacional, empurrando o crescimento das vendas das operadoras, com taxa de dois e as vezes de três dígitos.

A nova campanha bem sucedida de Paris para atrair os visitantes

Castigada durante dois anos seguintes, a França está voltando a ser o destino favorito dos brasileiros na Europa, com um crescimento de 25,6% de janeiro a março, e umas perspectivas de quase 50% nos próximos seis meses. Alem de recuperação de demanda reprimida, esses resultados se devem aos esforços dos profissionais e das autoridades no atendimento, na segurança e nos preços, bem como ao cambio favorável ao euro e as facilidades de viagem – fatores que impactam de forma negativo o grande concorrente americano.

Paris se preparando para receber os Jogos de 2024

O otimismo dos franceses em relação as chegadas de turistas brasileiros é agora reforçado com os novos rumos da política da França. Um Presidente jovem, trazendo ideias de abertura ao mundo, de respeito as diversidades culturais e de orgulho de pertencer a um pais acolhedor, deve ajudar os turistas do mundo inteiro a escolher nosso pais . O turismo parece também ser uma das prioridades do novo Presidente, e os profissionais notaram com muita satisfação que o primeiro compromisso oficial que ele assumiu domingo foi de receber o Comité Olímpico Internacional para empurrar a candidatura de Paris para os Jogos 2024.

O Airbus 380, uma das opção para aumentar a oferta de assentos no Brasil

Para esse otimismo ser confirmado com números, o turismo brasileiro precisa agora de confiança. Confiança dos viajantes na retomada, mesmo gradual, da economia bem como na estabilidade do cambio. Confiança também dos profissionais que o setor está mesmo voltando a crescer. Dois gargalos só poderão ser resolvidos com essa confiança. O primeiro é a oferta de voos internacionais que caiu de 25% esse ano, o Brasil tendo menos voos, menos assentos e menos gateways internacionais. Agora com somente 5 voos diários, Paris é um dos destinos onde a situação ficou mais critica. Com saudade de ligações regulares para Brasília, Recife, Salvador ou Manaus, temos que esperar a ampliação de numero de assentos prevista pela Air France e torcer para ver a LATAM – ou uma outra companhia brasileira-  voltar a por a mesma confiança no destino França que a saudosa VARIG.

A Travel week, encontro mor dos profissionais do turismo de luxo

A confiança é também necessária para ver os profissionais estrangeiros voltar a investir em promoção no mercado brasileiro. Os últimos eventos do trade – WTM bem como Travel Week- mostraram queda de 20% e mais nas participação de expositores internacionais, sejam as companhias aéreas, os destinos, os receptivos ou os hotéis. A retomada do mercado só poderá ser definitiva se esses incontornáveis parceiros voltam a investir no Brasil, adaptando os seus serviços e as suas ofertas, e, mais ainda, investindo em ações de promoção. A nos, profissionais brasileiros, o dever de repassar essa confiança, e a convicção que o Brasil continua de ser um dos maiores mercados emergentes do mundo global.

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

No Rio Negro, os caminhos do Eldorado revisitados com charme e sustentabilidade

A piscina e o restaurante do Mirante do Gavião

Desde que foi descoberto em 1541 pelo Francisco Orellana, o Rio Negro sempre atraiu  viajantes e aventureiros. Espanhóis, portugueses, franceses, ingleses e holandeses  procuraram – e nunca encontraram-  as riquezas do El Dorado e os caminhos do lago Manoa. Procuraram – e encontraram- o canal do Cassiquiare, mítico defluente que interliga as bacias do Orinoco e do Rio Negro, delimitando as Guianas.  Nos primeiros tempos da colonização portuguesa, quando a capital ainda era Barcelos e quando Airão Velho ainda não tinha sido invadida pela (falsa) lenda das formigas, o Rio Negro foi a rota principal dos desbravadores buscando das “drogas do sertão”. E mesmo depois dos dois ciclos da borracha, os viajantes continuaram a percorrer o rio, procurando seja os peixes ornamentais seja os mistérios da Bela Adormecida ou dos Seis Lagos.

Por do sol em São Gabriel da Cachoeira

O turismo virou nos últimos anos uma das principais atividades da bacia do Rio Negro, com uma oferta dividida entre a pesca esportivo do Tucunaré na região de Barcelos – em barcos ou nos lodges especializados-, e as trilhas de aventura levando para São Gabriel e o Pico da Neblina. Mas frente as incertezas das pescarias – mudanças nos ritmos das águas e rarefação dos peixes grandes, e as precárias infraestruturas de turismo de aventura, era hora de ver novas opções aparecer, um turismo sustentável trazendo benefícios econômicos  e respeitando não somente os ecossistemas da região, mas  também o desenvolvimento sócio cultural das comunidades ribeirinhas. Essa escolha, combinada com o charme e até o luxo de um empreendimento excepcional, foi feita pelo Mirante do Gavião Amazon Lodge.

Cada detalhe do Mirante combina luxo e sustentabilidade. É a própria arquitetura do hotel, desenhado pelo Atelier O’Reilly mas inspirado dos barcos regionais e que foi realizado por marceneiros de Nova Airão. São os jardins paisagistas que respeitaram toda vegetação inicial, não sendo cortada uma só arvore durante a construção, e oferecem a cada hospede uma perfeita privacidade. São os quartos amplos com uma decoração regional enriquecida com alguns acessórios de conforto internacional -como um banheiro com ofurô- e uma varanda para gozar da vista espetacular. Surpresa ainda no restaurante gastronómico, com um cardápio assinado pela Debora Shornik misturando ingredientes amazônicos e receitas internacionais, e onde os pratos são servidos “a francesa”.

A suite Samauma do Mirante do Gavião

Nos novos caminhos turísticos abertos pelo Mirante do Gavião, as atividades e as excursões são também um grande ponto de destaque. O viajante vai descobrir  não só a natureza selvagem, mas também os seus moradores e as comunidades que vivem em comunhão com o rio e a floresta. Os guias e os tripulantes, todos oriundos da região, desenharam roteiros exclusivos durante os quais os intercâmbios,  espontâneos ou preparados na Fundação Almerinda Malaquias que trabalha em Nova Airão para reconciliar turismo, meio ambiente, geração de rendas, e respeito as culturas dos moradores. Com charme e sustentabilidade, o exemplo do Mirante do Gavião mostra que turismo pode ser um Eldorado do século 21,  abrindo novos caminhos nas beiras do Rio Negro.

Jean-Philippe Pérol

O Jacareaçu da Katerre com seus itinerarios saindo do Mirante

25 anos na França, Joyeux Anniversaire, Mickey!

Mickey promovendo Paris junto com Disneylandia Paris

Mickey promovendo Paris junto com Disneyland Paris

Para festejar os 25 anos da Disneyland Paris, o Presidente da Republica foi pessoalmente em Marne-la-Vallée para soprar as velas. Foi a ocasião de lembrar que o parque , com seus hotéis e suas atrações, era a primeira atração turística da França, na frente do Louvre ou de Versalhes com 320 milhões de visitas registradas desde 1992. Francois Hollande fez questão de lembrar que a Disneyland Paris gerava 50.000 empregos diretos e indiretos, e tinha paga desde a abertura o impressionante valor de 6 bilhões de Euros de impostos. O Presidente salientou também que o parque tinha atraído não somente franceses e europeus -principalmente ingleses e espanhóis-, mas também visitantes vindo do mundo inteiro – americanos e até brasileiros.

Para quem participou da inauguração, em Abril de 1992, o sucesso parecia muito distante. Os franceses eram horrorizados pela ideia de sofrer uma afronta aos seus 2000 anos de cultura instalado tão perto da Sorbonne, e meu pai achou chocante de saber que o filho dele confiava e trabalhava no sucesso desse empreendimento. A própria Disney não acreditava muito na França, a sua comunicação insistia na absoluto ausência de know-how francês no projeto, não tinha nenhum marketing previsto para os parisienses, e até o nome do parque ficou em EuroDisney, borrando a “francidade” do projeto.

Convidados mirim no dia da inauguração da Eurodisney

Convidados mirim no dia da inauguração da Eurodisney

Mesmo tendo no Brasil um dos seus maiores mercados para Orlando, Disney não acreditava também no potencial do mercado brasileiro para o seu parque francês. A então Maison de la France ficou sozinha em realizar uma pesquisa, mobilizar a imprensa brasileira – que respondeu acima das expectativas, ou em realizar e distribuir cartazes para as agencias de viagem. Os famtrips organizados com operadoras especializadas – a Stella Barros e a Tia Augusta-, e com o apoio de um fretamento da Varig, tiveram as maiores dificuldades em conseguir convites para a cerimônia inaugural. E as poucas agencias que se arriscar na época a lançar pacotes para a Disney francesa tiveram condições tão rigorosas que inviabilizaram os seus negócios.

Disneylandia Paris comemorando seus 25 anos com muitas novidades

Disneyland Paris comemorando seus 25 anos com muitas novidades

Na comemoração dos 25 anos da Disneyland Paris, os comentários negativos e até os prejuízos dos dois últimos anos ficaram para trás. Lembrando que o Walt Disney era um apaixonado pela França, o parque anunciou uma programação excepcional para esse aniversario: nova versão da Star Tours “A aventura continua” com viagem intergaláctica e pilotagem na Hyperspace Mountain, tudo em 3D; nova Disney Stars on Parade com impressionantes carros alegóricos e fantasias inéditas; novo show do Mickey ” Joyeux Anniversaire Disneyland Paris”; espetáculo a Valsa das Princesas. E a noite, nas muralhas do Castelo da Bela adormecida, a Disney Illuminations vai ressuscitar as historias da Pequena Sereia,  da Bela e da Fera ou da Rainha das Neves.

A Minnie fazendo compras

A Minnie fazendo compras nas Galeries Lafayette

Acreditando na volta dos brasileiros -já foram 70.000 no ano passado, orgulhosa de ser parisiense, e dando o maior apoio as iniciativas da Atout France, da Air France e das operadoras especializadas, a Disneyland Paris vai agora levar essa programação para as agencias e para os viajantes brasileiros. Junto com seus parceiros, vai mostrar que Mickey, o Louvre, Minnie, Versalhes, Cinderela e os Castelos do Loire podem muito bem conviver durante uma viagem para França. Merci, Mickey, e parabéns pelos seus 25 anos na França!

Jean-Philippe Pérol

O pin da inauguração da EuroDisney

O pin da inauguração da EuroDisney

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

A França com menos turistas, mas uma liderança confirmada e muitos eventos pela frente!

Biarritz, o Vieux Port e a Pedra da Virgem

Biarritz, o Vieux Port e a Pedra da Virgem

Em visita oficial em Biarritz, no Pais Basco, o Ministro francês das Relações Internacionais e do Turismo divulgou os primeiros resultados do turismo para 2016. Confirmou a queda que os profissionais e a imprensa tinham antecipados tanto na França que nos grandes mercados emissores, inclusive no Brasil. Os números ainda não são definitivos, mas a estimativa é de 82,5 a 83 milhões de turistas estrangeiros, seja uma baixa de 2,3% a 2,9% sobre os resultados de 2015. O ministro confirmou que os trágicos atentados sofridos em Paris e em Nice foram os principais motivos dessa evolução, e que as greves do segundo trimestre e as chuvas do verão tiveram também um impacto negativo.
Na Riviera francesa, muitas esperanças para um grande ano turístico 2017

Na Riviera francesa, muitas esperanças para um grande ano turístico 2017

 Mas mesmo com a queda, o turismo francês tem boas razões para confiar no futuro. França  deverá guardar em 2016 a sua posição de primeiro e preferido destino dos turistas internacionais, na frente dos Estados Unidos, da Espanha e da China. Uma forte tendência de alta apareceu nos últimos meses do ano passado – os pernoites chegando a superar o nível recorde de 2014- e está se confirmando no inicio de 2017, especialmente nos mercados mais atingidos em 2016:  Russia, Japão, Brasil. Os brasileiros estão voltando mesmo em Paris, com 26,5% de alta das chegadas em Janeiro e uma expectativa de mais de 40% para os próximos meses.
A Torre Eiffel, garota propaganda de Paris para 2024

A Torre Eiffel, garota propaganda de Paris para 2024

As boas perspectivas ajudaram a reafirmar o objetivo de 100 milhões de turistas que a França definiu para 2020, aproveitando os seus importantes investimentos tanto para melhorar a segurança dos seus visitantes que para reestruturar a sua oferta nos seus grandes destinos já conhecidos internacionalmente. Na véspera de grandes eventos internacionais, da Ryder Cup até a Expo 2025, e poucos meses antes da decisão do CIO sobre a candidatura de Paris aos Jogos Olímpicos de 2024, Biarritz e o Pais Basco, conhecidos dos brasileiros tanto pelas suas ondas de surfe que pelos seus campos de golfe, eram sem dúvidas o perfeito local para passar uma mensagem de otimismo tanto aos profissionais franceses que aos turistas do mundo inteiro.

Jean-Philippe Pérol

O campo de golfe de Saint Quentin, pronto para Ryder Cup 2018

O campo de golfe de Saint Quentin, pronto para Ryder Cup 2018

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

Turismo França Brasil, quais votos para 2017?

ecard2017Depois de um ano 2016 muito difícil e um recuo de 5 a 7% do número de visitantes internacionais, e mais de 15% para os visitantes brasileiros, é tempo de esperar para 2017 um grande ano para o turismo francês. Muitas medidas tomadas devem ajudar os turistas a voltar: a segurança foi melhorada, os aeroportos e as estações de trem ganharam em acessibilidade e conforto, o shopping foi facilitado, os preços ficaram mais atraentes, e – mais importante ainda – profissionais e moradores conseguiram uma reconhecida melhoria do atendimento. E, já que estamos ainda em tempo de Ano Novo, podemos fazer alguns votos para que 2017 seja, para os profissionais e viajantes, um grande ano do turismo franco-brasileiro.

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Paris, sempre liderando os destinos de sonho

Que o Real continue forte e que a economia brasileira volte a crescer, dando a oportunidade à classe media de multiplicar as viagens para o exterior. Se o turismo é hoje um hábito de consumo totalmente integrado à cultura da sociedade brasileira, e se Paris é sempre um dos destinos mais sonhados, as viagens só poderão se realizar se a situação econômica melhorar e, mais ainda, mostrar claros sinais de crescimento para os próximos meses e anos.

Marseille, capital europea da culture e dos esportes!

Marselha, capital europeia da cultura e dos esportes!

Que os atores do turismo mundial e as companhias aéreas continuem a confiar no potencial do Brasil como grande mercado emissor, investindo tanto na oferta de produtos e serviços para brasileiros que na promoção dos seus destinos. A França continua com um objetivo de 1,5 milhão de turistas brasileiros na próxima década, e o Brasil continua sendo uma prioridade para as principais grandes “marcas” do turismo francês – Paris, Bordeaux, Provence, Alpes Mont Blanc, Champagne ou Vale de Loire – , incluindo os destinos do ultra-mar – Tahiti, Martinica, Saint Martin ou Saint Barth.

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Em Tahiti, as inesquecíveis experiências da França ultramarina

Que a França volte a ser o destino preferido dos brasileiros na Europa, não somente pelo carinho que sempre recebeu nos corações verde-amarelos, mas também pelas experiências únicas de viagem que ela oferece hoje, pela diversidade das suas paisagens, pela criatividade cultural que ela está demonstrando, pela  autenticidade  dos seus vinhos e da sua gastronomia, e mais ainda pelo atendimento especial que os franceses sempre gostam de oferecer a cada tão querido visitante vindo do Brasil.

Disneyland Paris faz 25 anos em 2017

Disneyland Paris, 25 anos em 2017

Esses votos estão dando os primeiros sinais de realização. As chegadas de Brasileiros na França deram um pulo de 8% durante o mês de dezembro, e as perspectivas para os próximos meses estão claramente em alta (mais de 30%). Para todos então, um Feliz 2017, com muitas realizações pessoais e profissionais, novas  experiências de viagem, e …. BIENVENUE EN FRANCE!

Jean-Philippe Pérol

Le Havre na Normandia, comemorando 500 anos em 2017

Le Havre na Normandia, comemorando 500 anos em 2017