La Samaritaine, da humildade do Evangelho a audácia do templo do luxo

Saudade de viajar para onde?

O Mont Saint Michel, entre a Bretanha e a Normandia, patrimônio e fé no monumento preferido dos franceses

Depois de um ano de confinamento, os viajantes estão cada vez mais impacientes para ver a retomada do turismo. Com a abertura progressiva dos grandes (e dos pequenos) destinos, a vacinação em massa dos adultos, e a volta das linhas aéreas internacionais, as últimas pesquisas mostram que os brasileiros querem mesmo não somente voltar a viajar, mas também viajar de forma diferente. Querem mais segurança, mais exclusividade, mais bem estar, mais sustentabilidade e mais experiências transformacionais, esses novos critérios que vão definir os destinos que aproveitarão a retomada.

Quem não tem saudade do borbulho de Nova Iorque

Mas a saudade de viajar é antes de tudo muito pessoal, a escolha da primeira viagem pós confinamento vai assim depender das experiências e dos desejos de cada um: paisagens, cidades, e monumentos se mesclam com paixões e emoções para fazer uma lista onde terá que combinar sonhos e realidades. Assim a minha lista começa com cidades. Saudades da beleza de Paris que mexe com almas e corações, saudades do borbulho estressante de Nova Iorque, saudades da imponente e até arrogante tranquilidade de Bordeaux, da agitação descompromissada de Miami ou da carinhosa vibração de Montreal.

O Puy de Dôme, guardião das terras da Auvergne

Tenho também saudades das paisagens que ficaram impressos na minha memória. A imponência do Puy de Dôme que guarda a minha terra, a força das cataratas de Iguaçu que carrega a história das missões, a pureza infinita das dunas do Sahara em Zagora, Djanet ou Tozeur, bem como a pura beleza do Monte Otemanu e da lagoa de Bora Bora. Mais ainda, sinto saudade das matas e dos rios da Amazônia, da misteriosa neblina cobrindo a floresta de manhã cedo nas beiras do Rio Negro, ou do incomparável por do sol na baía do Rio Tapajós.

Em Teotihuacan, a pirámide da Lua vista da pirámide do Sol

Minhas saudades e emoções de viagem são ligados a lugares e monumentos especiais. Queria pular mais uma vez em cima da pirâmide do sol em Teotihuacan, sentar no Patio dos Leões do Palácio da Alhambra, chorar frente a resiliência de Santa Sofia, olhar as tragédias do Mar Morte desde a fortaleza de Massadá, e subir o Mont Saint Michel olhando o ouro do arcanjo. Preciso reviver o caminho do Inca e o espantoso nascer do sol clareando a magia de Machu Pichu, olhar para o oceano infinito além dos Moais da Ilha de Páscoa, escutar a chamada do muezin na Mesquita dos Omíadas, atravessar a praça São Marcos homenageando a glória cínica da Serenissima, ou  responder ao sorriso do anjo risonho na hora de entrar na Catedral de Reims.

Perto de Djanet, as emoções e a pureza do deserto

Viajar é preciso mesmo, e estamos hoje com saudade até das viagens que não fizemos e que já constam da lista das nossas descobertas pós Covid. Percorrer a Sicília nas pegadas dos gregos, dos romanos, dos árabes e dos normandos, ver Agrigento e os vinhedos de Nero d’Avola . Se emocionar em São Miguel das Missões sobre a epopéia dos jesuítas e a destruição do sonho guarani. Ser um dos primeiros a visitar o extraordinário acervo turístico de Al Ula, na rota que levava de Jerusalém à Meca, beber um Rioja nas espetaculares adegas desenhadas por Calatrava. Tentar entender na Bretanha, de Saint Malo até o pitoresco litoral da costa de granito cor de rosa, o por que da peculiaridade dessa região da França.

Santa Sofia, 1500 anos de afirmação da fé ortodoxa

Temos saudades desses lugares e de muitos outros, inclusive de alguns que ainda não conhecemos.  Saudade de viajar, saudade de novas emoções e de novos encontros. Na hora da retomada do turismo, relembrando os destinos marcantes e sonhando de novas experiências, poderemos assim relembrar essa frase do de Gaulle “Partir, c est vivre”.  Viajar é viver, vamos agora escolher para onde.

Jean-Philippe Pérol

No Rio Tapajós, a exclusividade de roteiros juntando ecoturismo e intercâmbio com as comunidades

 

United Airlines apostando mesmo no supersônico?

Um sucessor para o Concorde em 2029?

A companhia aérea United Airlines e a start-up Boom Supersonic anunciaram um acordo viabilizando a volta dos voos comerciais supersônicos graças à encomenda de 15 aparelhos – com opção de mais 35- e a um impressionante investimento em tecnologias sustentáveis. Chamado Overture, o avião seria apresentado em 2025, decolaria pela primeira vez em 2026 e começaria a operar comercialmente em 2029. Voando a Mach 1,7 , poderia levar 55 passageiros de Nova Iorque a Londres ou Paris em 3 horas e meio, bem como de São Francisco a Tóquio em 6 horas. Incluindo uma encomenda anterior da Japan Air Lines, e uma possível opção da Virgin, as pre- vendas estão agora chegando a 70 aparelhos.

Além de ser a mais importante encomenda de avião supersônico dos últimos 50 anos, a grande novidade do acordo é a exigência de net-zero carbone a ser respeitada desde o primeiro dia do projeto, tanto na construção quanto no uso exclusivo de combustíveis sustentáveis (SAF, sustainable aviation fuel). Segundo o Presidente da United, Scott Kirby, o Overture deve não somente encurtar da metade os tempos de voos, mas também oferecer aos passageiros umas experiências de voo completamente diferentes: sensação “espacial” de voar a 18 quilômetros de altura, conforto de cadeiras inovadoras com tecnologias sem contato, largos espaços individuais.

O Overture projetado num galpão da United

Com a desistência da start-up concurrente Aerion -apoiada pela Boeing- , o Overture seria então o primeiro avião oferecendo voos comerciais supersônicos desde o último voo do Concorde da Air France no dia 31 de Maio de 2003. Os grandes desafios que o projeto franco-britânico encontrou – autorizações de sobrevoo, consumo excessivo de combustível e conforto aquém das expectativas- ainda deverão ser superados. Se a Boom Supersonic já levantou USD 270 milhões com vários parceiros, incluindo o inglês Rolls Royce, os especialistas estão estimando a mais de USD 10 bilhões os investimentos necessários para viabilizar o projeto, um montante que assustou até a Boeing.

O conforto a bordo será uma exigência imprescindível

Se ainda têm muitos desafios para vencer, a saudade do Concorde e o apelo para um novo avião supersônico comercial é forte. A United acredita que o Overture vai atrair viajantes com possibilidades de aproveitar esse luxo, homens de negócios com pressa mas querendo encontros presenciais mais produtivos, ou turistas abastados querendo relaxar em destinos distantes. Sabendo das dificuldades enfrentadas nas vendas, a Boom Supersonics já está fazendo ofertas para clientes mais específicos: chefes de estado querendo modernizar seus aviões presidenciais, ou até forças armadas querendo enviar de forma emergencial unidades especializadas para frentes de operações.

Jean-Philippe Pérol

Na França, turismo na Borgonha em tempo de pandemia

Os mágicos telhados dos Hospices de Beaune reabriram dia 19 de Maio

Em tempo de pandemia, depois de 10 dias de quarentena, ganha-se o direito de andar pela França. Nesse momento, pegar um carro e seguir estradas turísticas em total liberdade é uma das melhores formas de viajar e de acumular experiências únicas em tempo de pandemia. E para quem procura seguir com antecipação as novas tendências esperadas para o novo mundo pós covid, combinar   bem estar, cultura e enologia leva com tranquilidade a escolher a Borgonha,- Dijon, Beaune, sua fé e seus vinhedos-, como coração de um roteiro em família cheio de experiências e de boas surpresas.

Boas surpresas nas ruas pedestres do centro histórico de Dijon,

Ponto de partida da “Route des grands crus”, Dijon, capital dos duques de Borgonha reservou aos pedestres todo o seu centro histórico. Sempre mais rica em informações com um guia, a visita segue o “itinerário da coruja”, a ave símbolo da cidade, escolhida ou por ser associada a sabedoria da deusa Atena, ou por se chamar em francês “grande duque” . Alternando belezas arquiteturais – com destaques para o Palácio dos Duques, a catedral Santa Benina e a torre de Philippe le Bon-, para algumas curiosidades – a menor loja do mundo-, e para lojas de especialidades – mostardas, cremes de cassis ou doces-, o circuito mistura  imprescindíveis clichês, surpresas, e encontros com moradores sempre atenciosos.

O Clos des Issarts, um Gevrey-Chambertin 1er Cru

Borgonha é mesmo enoturismo, e os primeiros vinhedos começam no próprio município de Dijon com o Marsannay  e o Fixin, duas apelações pouco conhecidas  mas coloridas, frutadas e poderosas, alguns dos seus “climats”  tentando atingir em breve o selo de premier cru. No Château de Marsannay, a primeira degustação do dia (com um anfitrião fã do Brasil) mostrou que essas ambições eram legítimas. O vinho rei da Côtes de nuits, é porém o Gevrey-Chambertin, favorito do Napoleão, e, segundo nosso guia, muito procurado pelos brasileiros. E na adega do Philippe Leclerc, produtor local e onde fizemos uma segunda generosa degustação, o Brasil é mesmo uma das esperanças da retomada do enoturismo.

A 2CV, prazer, saudade e emoção nos vinhedos

Se os passeios de bicicleta são uma das grandes tendências do turismo na Borgonha, o visitante sem pressa tem uma outra opção emocionante: a 2CV “My French tour” da Mélanie. Nas pequenas estradas da “Route des Grands Crus”, o nosso barulhento, lento, apertado mas charmosíssimo carrinho dos anos 50 passou por Pommard, Volnay, Meursault, Puligny-Montrachet, et Chassagne-Montrachet. Paramos para ver o espetáculo dos “climats”, esses vinhedos definidos pela geologia dos solos, a exposição a luz do sol e aos savoir-faire de gerações de viticultores. Paramos para visitar uma “cabotte”- casinha de pedras multi-centenária- e uma estátua de São Cristovão. Paramos mais ainda para visitar as adegas  do Castelo de La Crée.

O Hotel Le Cep foi uma das boas surpresas da viagem

Outra boa surpresa da viagem foi o Hotel Le Cep em Beaune. Mesmo sabendo que era um dos melhores hotéis da Borgonha, sua arquitetura, seus espaços e especialmente seu atendimento ficaram acima das expectativas. Construído com a interligação de vários prédios, incluindo dois casarões do século XVI, encostado e com acesso as antigas muralhas da cidade, o hotel tem o charme da sua história: torres, escadas, pátios, quartos diferenciados, salões prestigiando de tenentes de Luis XIV até celebridades do jazz. Infelizmente não tivemos tempo de experimentar os dois SPAs, e o restaurante gastronômico do grupo Bernard Loiseau estava fechado devido pandemia, no entanto a adega foi o quadro impressionante de grandes momentos de convivialidade enológica .

Em Aloxe Corton, o castelo domina os 2000 anos de vinhedos

Viajar em tempo de pandemia é sem dúvidas complicado, mas dá também uma intensidade trazida pelas relações peculiares nesses momentos de crise bem como a garra e alegria dos atores do turismo que atuam pela retomada. De cada parada dessa viagem, da Borgonha e depois das Sources de Cheverny ou de Paris, levamos a certeza que o turismo pós pandemia será ainda mais imprescindível e mais transformacional.

Jean-Philippe Pérol

 

 

 

Na França, turismo e confinamento nos tempos de pandemia …

Para cada viajante, um decreto de confinamento com copias para desembargadores e juizes

Viajar é preciso, e mesmo como as restrições legitimamente impostas pela luta contre o Covid, alguns turistas estão se arriscando. Do Brasil, é assim possível ir nos Estados Unidos, se aceitar passar 14 dias de quarentena num destino aberto – o México por exemplo-, ou na França, se tiver um passaporte europeu  e aceitar passar 10 dias de confinamento na chegada. Aproveitando o fato que a Air France (quase) sempre manteve os seus voos para Paris, e já tendo recuado duas vezes a nossa viagem, decidimos de fazer essa experiência de turismo em família em tempo de pandemia, um roadtrip incluindo a Auvergne, a Borgonha, o Vale do Loire e Paris.

A Air France assegurando a ligação França-Brasil

A viagem começa bem – o pessoal de bordo da Air France fazendo o máximo de esforço para tirar o estresse dos poucos passageiros, até a chegada em Paris e o começo das dificuldades. Vindo do Brasil, os viajantes são colocados em longas filas, da polícia, do registro do lugar de confinamento, do teste PCR (brasileiros, franceses, indianos e sul africanos, negativos e positivos, bem juntinhos). E depois de duas horas e meio (para os primeiros, os últimos levaram mais de quatro horas), conseguimos sair com o imponente decreto de confinamento assinado pelo “Prefet” de policia de Paris, com cópia para dois desembargadores e dois presidentes de tribunais regionais.

Auzances, lugar escolhido para nosso confinamento

Com obrigação de ir diretamente para o lugar de confinamento, corremos na Hertz e saímos logo para a nossa casa da família, 350 quilômetros a fazer sem poder parar para respeitar o confinamento. Contornando Paris, o nosso itinerário nos leva até Orléans, atravessa o Rio Loire (sem ver os castelos) , e segue depois o vale do Rio Cher (o mesmo que passa em Chenonceaux), Bourges, a floresta de Tronçay com seus carvalhos pluri centenários, Montluçon e as últimas curvas atravessando as antigas minas de ouro. Com medo das multas de 1000 Euros para quem furar o confinamento e de 135 Euros para quem furar o toque de recolher, chegamos até adiantado no nosso destino, Auzances.

O impressionante empenho da PM local vigiando os confinados

Começou então a rotina do confinamento. Correr de manhã para aproveitar as duas horas (das 10:00 as 12:00) disponíveis para fazer as compras ou passear em um raio de um quilômetro, decisões dos sábios dos 27 comitês que administram na França a luta contre o Covid.  Descobrir logo a eficiência da PM que apareceu de manhã cedo para ter certeza que estávamos em casa, e do ministério da saude que ligou três vezes perguntando se eu era eu, e se minha esposa era minha esposa ….  pensei que era uma piada e perguntei para o atendente, mas era colombiano e não falava bem francês, só resolvemos falando em espanhol para a família ser checada e liberada.

Brinquedos no supermercados, nem pensar!

Confinamento é rotina, mas também confronto com a burocracia. Correndo para o supermercado, descobrimos que era possível comprar comida mas não eletrodomésticos, livros mas não brinquedos, e meias de crianças mas somente até dois anos. As sementes eram proibidas se for para plantar, mas liberadas para dar para seu canário. Não podia entrar em loja de móveis, mas fazendo a encomenda na hora pela internet, podia retirar o que for precisa. Nosso carro da Hertz pifou, mandaram o reboque mas para ser substituído era necessário buscar o novo a uma distancia de 60 quilômetros, sendo necessária então uma autorização excepcional que ninguém era competente para dar.

Mesmo a 1 km de casa, o campo é lindo mesmo

Estar trancado na casa de família tem seus momentos de alegria. É possível receber parentes ou amigos, até seis de uma vez e com máscaras, e a condição que o encontro não dure mais de quatro horas. É também a ocasião de novos encontros, por exemplo os PM da cidade vizinha que viram dar apoio a seus colegas daqui provavelmente cansados de passar quase todo dia sem deixar nem uma multa. E de reencontros, por exemplo uma velha amiga de infância, hoje enfermeira, que passou para recolher o material para nosso terceiro teste PCR em 10 dias – nenhuma exceção sendo prevista para os vacinados. E mesmo nos limites de um quilômetro, o campo da minha terra é lindo mesmo.

A lareira de casa, um lugar perfeito para viver um confinamento

Mas esse confinamento é mesmo cheio de emoção e raízes, um tempo para abraçar parentes, reforçar amizades, medir o carinho dos moradores e até da prefeita, jogar bola com minha filha na frente da igreja, ou olhar com minha esposa a fogueira na grande lareira que esquenta a casa desde o século XVI. No décimo dia de isolamento, depois de mais uma ligação do ministério da saúde, e esperando o último controle da PM, pensamos que finalmente  foi o justo preço a pagar para seguir o nosso roteiro para os vinhedos da Borgonha em  Beaune e Dijon, o SPA das Sources de Cheverny, e as novidades Parisienses, o Hotel de la Marine e a Bourse du Commerce. Viajar é preciso, mesmo nos tempos de pandemia.

Jean-Philippe Pérol

 

Além do Covid, um “Brazilian bashing” ?

A variante brasileira do virus preocupa muito cientistas e políticos

O hashtag #VariantBresilien é talvez mais um exemplo da degradação da imagem do Brasil junto as opiniões públicas da América do Norte e da Europa ocidental. Empurrados pelo descontrole da pandemia, fakes ou verdadeiros, os rumores sobre as variantes “sul americanas” são motivos para discriminar brasileiros, bloquear ou suspender voos internacionais , ou simplesmente para  impedir a entrada de viajantes provenientes do Brasil. Em uma reportagem publicada no dia 18 de Abril, a Folha de São Paulo citou casos no Portugal, na Irlanda, na Holanda e na França, e lembrou o risco de xenofobia e de violências como foi o caso nos Estados Unidos com a comunidade chinesa.

A suspensão dos voos da Air France foi uma das decisões mais fortes

Na França, as medidas contre os viajantes provenientes da América do Sul foram endurecidas essa semana. Sem poder limitar as chegadas de vários países europeus – Suécia, Polônia ou Hungria- onde a pandemia tem índices muito mais altos que no Brasil ou no Chile, o governo impõe uma quarentena para todos os residentes de 4 países sul americanos, incluindo seus próprios cidadãos. As restrições contra o Brasil estão virando um assunto político, simpatias “latinas” virando suspeitas, viagens para América do Sul sendo julgadas escandalosas, a direita esquecendo a herança do de Gaulle e pedindo mais “firmeza”, a esquerda  confundindo proximidades políticas e relações com estados e povos.

As divergências sobre o futuro da Amazônia alimentam o “Brazilian bashing”

Se a situação sanitária e a preocupação com as variantes brasileiras do vírus são uma realidade, esse “Brazilian bashing” se inscreve infelizmente em uma tendência de vários anos. As mudanças na politica internacional do Brasil, suas evoluções sobre assuntos de sociedades, bem como o novo relacionamento do poder politico com a imprensa não foram sempre bem compreendidos pelas mídias que constroem a opinião mundial. E os crescentes mal-entendidos sobre a Amazônia, cuja realidade é parcialmente ou totalmente desconhecida pelos governos estrangeiros, pesam cada vez mais sobre a imagem do país, afetando a economia, as exportações, os investimentos e o turismo.

A volta dos brasileiros ajudará a imagem a dar a volta por cima

Mesmo com esse quadro negativo, os profissionais do turismo – especialmente aqueles que estão envolvidos nas relações com a França, devem acreditar que essa situação será superada, tendo várias razões para isso.

  • a pandemia é um fator importante da aceleração desse “Brazilian bashing”, mas as campanhas de vacinação bem sucedidas levarão ao final dessa crise, mesmo se pode demorar ainda vários meses.
  • a guerra verbal sobre a Amazônia vai ter que evoluir em uma cooperação respeitosa da soberania brasileira, assegurando os objetivos de luta contra as mudanças climáticas. Longe de ser um bloqueio ao desenvolvimento da região, um novo acordo internacional pode abrir oportunidades – inclusivo no turismo- e  ajudar a mudar a imagem do Brasil.
  • a relação especial entre os dois países tem raizes na história e na cultura, muito mais fortes que divergências pontuais. Auguste Comte e Santos Dumont sempre superaram o Conde d’Eu, o litígio do contestado ou a guerra da lagosta.
  • as mudanças politicas nas perspectivas de 2022, e a troca de ministro das relações exteriores, deveriam afastar a ideia que o Brasil vai aceitar de ser um pária através do mundo.
  • A França sempre foi um dos mais importantes destinos dos turistas brasileiros, e ser brasileiro sempre foi na França um motivo de atendimento especial (Como foi no Brasil  para os turistas franceses). Multiplicando os encontros e as relações pessoais, a retomada do turismo deve ser outro importante fator para acabar com esse triste “Brazilian bashing”.

Jean Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercado e Eventos

Air France, a esperança está na diferença

Ben Smith, o CEO na primeira linha para saida da crise

7,1 bilhões de Euros de prejuízo. Um numero que assusta mesmo no mundo do transporte aéreo atingindo pela crise do Covid, um choque sem precedente para Air France que, junto com sua coligada KLM, perdeu em 2020 59% do seu faturamento e 67% dos seus clientes. Mesmo com fortes reduções de despesas, e corte de 8.700 empregos,  o pesadelo do grupo franco-holandês pode ainda não ter chegada ao fim. O diretor financeiro do grupo avisou que o ano 2021 será complicado, que o primeiro trimestre é  difícil e que a retomada será lenta e progressiva a partir do segundo trimestre desse ano. Os reajustes de despesas continuarão com mais 6.000 cortes de empregos, os resultados só voltarão a ser positivos em 2023, e a crise  deveria ser completamente superada somente em 2024 …

Para seus 60 anos, a Air France ganhou um selo comemorativo

Mesmo se a queda da Pan American em 1991 ensinou que mesma as maiores companhias aéreas são mortais, é impossível imaginar que a “Compagnie Nationale Air France”  não consegue se sair por cima dessa crise. Fundada oficialmente em 1933 – mas tendo incorporado a Aeropostale do grupo Latecoere que tinha sido criada em 1917 -, ele atravessou com sucesso muitas crises econômicas, humanas, políticas e sociais. Para a França, foi durante muito tempo uma excepcional ferramenta de politica internacional e de apoio a industria nacional. A escolha dos seus dirigentes, de Pérol à Juniac, d’Attali à Spinetta ou de Blanc à Janaillac, foi sempre um privilégio da Presidência da República, e o apóio político e financeiro nunca faltou, seja depois da guerra, seja na primeira crise do petróleo em 1974, ou  mesmo quando, em 1994, a companhia precisou de  EUR 4 bilhões de hoje  para se reestruturar.

O Concorde fez história também no Rio de Janeiro

No Brasil, a Air France sempre foi uma companhia diferente. Pela história – gravada da ponta de Fernando de Noronha até as praias de Caravelas ou os campos de Pelotas -, pelo pioneirismo – do Concorde que pousou no Rio de Janeiro de 1976 até 1983, ou dos B747 em Manaus-, ou pelos eventos espetaculares – o Premio Molière nos teatros de Rio, São Paulo, Manaus, ou Belem. Air France devia também sua posição peculiar a importância das ligações entre o Brasil e a França – que foi até 2016 o primeiro destino de viagem dos brasileiros na Europa. Com alegrias, sucessos, e também terríveis tragédias, era percebida como a mais brasileira das companhias aéreas internacionais, e as pesquisas mostravam que nas cabeças e nos corações dos brasileiros, só tinha um concurrente: a VARIG.

A crise levou os velhos B747 bem como os revolucionários A380

A aventura da Air France vai mesmo continuar, o governo francês já injetou  EUR 7 bilhões desde o inicio da crise, e já sinalizou que ia fazer os investimentos necessários – mesmo se tivesse de resistir as vontades de rebaixamento da União Européia. Para todos aqueles que seguem a epopeia dessa grande companhia, a esperança é que continua sendo uma companhia aérea carregando uma visão diferente, não somente explorando aviões mas sendo sempre uma “compagnie nationale”. Uma companhia cujas rotas seguem e reforçam as ligações da França com os países amigos, cujas escolhas tecnológicas continuam pioneiras e seguras, cujo serviço seja a vitrina do art de vivre e da elegância a francesa, uma companhia falando francês, cuja presença nos quatro cantos do mundo, e mais especialmente no Brasil, seja enraizada na historia e na cultura comum.

Jean Philippe Pérol

 

Na grande crise de 1974, Gilbert Pérol da Air France e Antoine Veil da UTA desenhavam juntos as soluções para a retomada

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercado e Eventos

A urgência (e a simplicidade) da volta do certificado internacional de vacinacão

Aceito por 194 países, o Certificado da OMS é uma opção imediata

Enquanto as variantes do Covid se espalham pelo mundo e adiam mais uma vez as perspectivas de retomada, muitos profissionais estão pedindo que seja lançado com urgência um “passaporte sanitário” que abriria sem restrições para as pessoas vacinadas o acesso as companhias aéreas e aos destinos. A ideia já foi lançada pela Grécia em maio do ano passado mas não chegou a convencer os outros países da União Europeia. Alguns destinos menores – e mais dinâmicos – criaram porem o seu proprio documento, foi assim o caso das Ilhas Seychelles, da Dinamarca ou da Islândia. Sempre pioneiro quando se trata de promoção turística, esse país nórdico emitiu quase 5000 “passaportes” e está negociando a sua aceitação a nível internacional.

A Inglaterra já está testando o Covipass

Outros países já estão trabalhando sobre o fornecimento de documentos que poderiam restabelecer a confiança e reabrir as fronteiras. A Inglaterra, líder europeia com mais de 10 milhões de vacinações, já está testando um passaporte biométrico. Israel pretende distribuir cadernos verdes liberando das restrições de circulação (mas não das máscaras nem das regras de distanciamento) quem já recebeu as duas doses da vacina. Em teste a nível nacional, o caderno poderia depois ser usado para as viagens internacionais. Na Índia, o ministério da saude estuda um QR code, associado ao número de celular e a carteira de identidade, que poderá ser usado como um passe digital para todas as pessoas vacinadas no pais.

O Commonpass já foi testado em Outubro pela United Airlines

Os profissionais também estão se movimentando, e vários projetos já estão sendo estudados a nível internacional. A ECTAA (European Travel Agents’ and Tour Operators’ Associations) está tentando de convencer a União Europeia de relançar a proposta feita pela Grécia. O Forum de Dávos apoia o projeto suíço CommonPass, um aplicativo interligando centros de vacinações, testes de laboratórios e atestados de saude dos países, que gera um QR code confirmando que o viajante está en conformidade com a legislação do destino. A IATA (International Air Transport Association), trabalha no IATA Pass Travel, um aplicativo dando também as últimas informações sobre viagens internacionais, testes de laboratórios e comprovantes de vacinações, informações que podem ser retransmitidas com segurança as companhias aéreas e as autoridades.

A OMS apoia um aplicativo para modernizar seu Certificado

Frente a urgência da situação e ao risco de colapse do setor,  alguns especialistas pedem para soluções mais fáceis de por em prática, com simples adaptações de procedimentos já existindo. O Alexandre Demaille, da empresa francesa RapideVisa,  lembrou que já existe o  Certificado Internacional de Vacinação, documento reconhecido por 194 países que comprova a vacinação contra doenças. Criado nos anos 60 para erradicar a varíola, ele é ainda exigido por alguns países para se proteger da febre amarela ou  da cólera. Os centros habilitados a emitir esse certificado poderiam simplesmente adicionar as vacinas anti Covid a essa lista. Essa solução simples e rápida é apoiada pela OMS (Organização Mundial da Saúde). Modernizada com um aplicativo e um QR code, poderia restabelecer a confiança dos viajantes, dos moradores e dos profissionais no mesmo ritmo das vacinações.

Jean Philippe Pérol

 

 

 

 

 

 

De Alter do Chão a São Paulo, , um desafiador “roadtrip” brasileiro

Os encontros inesperados da Transpantaneira

Na hora das viagens domésticos, do ecoturismo e do turismo transformacional, os “roadtrips” estão virando uma das novas tendências do turismo brasileiro. Enquanto os destinos internacionais demoram para se abrir, e que viajantes cautelosos querem fugir das aglomerações, das praias ou dos destinos  superlotados, é tempo de (re)lembrar que o Brasil têm estradas surpreendentes, hotéis e pousadas de qualidade espalhados em lugares inesperados, gentes acolhedores, roteiros infinitos, e belezas as vezes desconhecidas nos seus 74 parques naturais. E, num pais continente, porque não apostar que a BR163 ou a BR364 podem um dia virar tão famosas que a Road66 estado-unidense?

Na estrada de piçarra para Fordlândia

Mesmo para quem tem experiências amazônicas na Belem Brasília, na Manaus Porto Velho e na Macapá Caiena, uma viagem de carro em família de Santarem para São Paulo é um grande desafio.  Nessa área do Brasil muito falada e pouco conhecida, é melhor reconhecer o caminho antes de iniciar a viagem. Saindo de Alter do Chão com esposa e filha de cinco anos, a rota já efetuada sozinho na ida a semana anterior ajudou a  definir as grandes etapas bem como as atrações e os hotéis. Pela atratividade, a qualidade da hospedagem, e as distancias a percorrer, foram escolhidos Fordlândia, a Cachoeira do Curuá, o Pantanal mato grossense (para passar o Reveillon) e o Parque Nacional das Emas.

Em Fordlândia, as marcas do fracasso de Henry Ford

A 320 km de Alter do Chão (45km sendo de terra), Fordlândia carrega a memória do grande fracasso do Henry Ford.  Seu projeto era não somente a produção de borracha, mas também a implantação na Amazônia de uma cidade ideal desenhada nos Estados Unidos. Alem das lagartas e dos fungos que acabaram com as seringueiras, a incapacidade de entender as condições naturais e humanas da região explicam porque Ford mudou para Belterra a partir de 1934 e se retirou em 1945. Hoje o viajante é surpreso pela pequena vila, erroneamente chamada de cidade fantasma, suas casas, seus comércios, seu restaurante e suas pousadas. A emoção é mesmo marcante nos cais do Rio Tapajos, nos galpões de vidros quebrados, na famosa caixa d’agua, nas mansões abandonadas surgidas do Middle West americano, ou nas duas igrejas católica e presbiteriana.

No Curuá, três cachoeiras de até 90 metros de altura

Deixando os sonhos de Ford, o “roadtrip” segue um pequeno trecho na Transamazônica, parte da qual de piçarra, antes de voltar para BR163 cruzando os caminhões que levem a soja para Santarem. O desmatamento, até então de um lado só para respeitar a Floresta nacional do Tapajos, se extende agora dos dois lados do irregular asfalto da estrada, em maioria para criações de gado. Com poucas planícies, muitos igarapés e mata ainda presente, as paisagens seguem ainda muito amazônicos, pelo menos até Novo Progresso. É nessa cidade que começa hoje a transição para o cerrado e o encontro com os povoamentos gauchos e paranaenses que marcam toda a travessia do Mato Grosso. As últimas etapas no Pará, a Fazenda Borbulha e a Cachoeira do Curuá, são dois lugares de belezas naturais e diversões aquáticas já característicos dessa transição.

 

O tuiuiú, o pássaro emblemático do Pantanal

Depois de uma longa etapa marcada pelo impressionante dinamismo da cidade de Sinop e o horizonte infinito das fazendas de soja, o Pantanal mato-grossense era mais um bioma para descobrir nesse roadtrip, com promessa de encontrar os animais que fizeram a fama do ecoturismo local. A 120 km de Cuiabá, a pousada do rio Mutum junta uma perfeito localização com uma boa estrutura e um atendimento perfeito para uma descoberta da região seja de barco, de carro ou a cavalo. Os terríveis incêndios recentes provocaram muitos estragos na vegetação e na vida animal, mas mesmo assim as arvores estão mostrando sua força, e encontra-se capivaras, tamanduás bandeira, jacarés, tatus, macacos, jabutís e numerosos pássaros – incluindo o emblemático tuiuiú. A pousada serve também de hospital veterinário e virou um verdadeiro zoológico com antas, caititus, guaribas, araras, mutuns e papagaios, vários em semi liberdade.

A entrada do Parque nacional das Emas

O caminho para reencontrar a BR364 é um pouco complicado, e a linda MT30 se perde as vezes na imensidão dos campos de soja. Depois da junção, dos dois lados da estrada, o cerrado segue coberto de plantações somente interrompidas pelas paisagens deslumbrantes da Serra da Petrovina onde o viajante parece de repente mergulhar numa “Monument Valley” a brasileira, com seus mirantes de horizonte infinito,  seus morros achatados e seus paredões de terra vermelha. Com imigração recente do sul do Brasil e até do exterior, todas as cidades atravessadas parecem ter nascidas do soja e do milho. Assim é Chapadão do Sul, portão de entrada do Parque nacional das Emas. Mesmo tendo sofrido varias queimadas devastadoras nos últimos anos, o Parque abriga uma importante variedade de espécies endêmicas do cerrado, com emas, veados campeiros e tatus sempre visíveis durante as visitas.

Céu e soja, as duas imensidões do cerrado

Na BR163, na Transamazônica, na BR364 ou na Rodovia Euclides da Cunha, um “roadtrip” é muito mais que uns sucessivos trajetos em estradas de terra ou de asfalto. São emoções frente as paisagens e as belezas naturais que compõem os seis diferentes biomas brasileiros – sendo quatro atravessados nessa viagem. São encontros com os pioneiros que vivem e trabalham em lugares onde se defina o futuro do Brasil, são momentos fortes de intercâmbio com os familiares que participam de uma aventura transformacional que seguirá cada um dos participantes pelo resto da sua vida. Então, prontos para as experiências de um “roadtrip” em família?

Jean Philippe Pérol

Os 3766 km do roadtrip em família

As hospedagens utilizados e/ou recomendados durante essa viagem foram os seguintes:

Nas águas do Tapajos, frente a praia de Alter, um descanso antes de partir por terra

Os guias de turismo são atores chaves do sucesso de algumas visitas:

  • Jean Pierre Schwarz em Alter do Chão e Fordlandia
  • Rose Santos no Parque Nacional das Emas

Encontros com amigos são uns grandes momentos da viagem

Em Novo Progresso, a fotografa Claudia Ross nos recebeu em família e deu as dicas sobre a Fazenda Borbulha e a Cachoeira do Curuá

Caribe Amazônico: ninguém vai acreditar!

No Rio Tapajós, praias de cair o queixo! Credito imagem Claudia Buss

Alguns anos atrás, querendo mudar a sua imagem carregada dos sofrimentos do famoso “Papillon” imortalizado pelo Steve McQueen, a Guiana Francesa lançou uma campanha cujo lema era “Ninguém vai acreditar”. Os visuais mostravam como era possível, na Amazônia francesa, andar de canoa numa correnteza, caminhar no meio duma imensidão verde, beijar um filhote de jacaré, seguir os passos de uma tartaruga na praia ou dormir olhando para um céu estrelado. Aquém do Oiapoque, seria mesmo possível de pegar o mesmo lema, adicionando ainda muitas experiências que só podem ser vividas nos rios, nas matas, nas praias, nas cidades ou nas comunidades da Amazônia brasileira.

÷ A Guiana francesa  já apostou nas inacreditáveis experiências amazônicas

Na Amazônia brasileira, algumas das mais inacreditáveis experiências podem ser vividas na região de Alter do Chão, nas águas do rio Tapajós e dos seus afluentes, ou nas florestas preservadas – parques naturais, reservas extrativistas, reservas indígenas, ou terras quilombolas –  que tocam as suas margens e seus arredores. A imensidão desses rios é sem dúvida a maior especificidade amazônica, oferecendo a oportunidade de chegar a pontos mais exclusivos, de desfrutar de paisagens mágicos e de chegar as comunidades mais distantes para intercambiar com os moradores sobre a sua cultura, o seu artesanato, a sua culinária ou simplesmente descobrir o modo de vida desse Brasil tão peculiar. 

Batismo no encontro das águas, o grupo em volta das madrinhas do Dolphin . Credito imagem Claudia Buss

Ninguém vai acreditar que nesses rios podem agora encontrar o conforto e até o luxo de dois barcos de turismo, mas é porém a oferta feita pela Amazon Rio Negro em parceria com a Turismo Consciente. O Belle Amazon, há dois anos navegando no Tapajós, ganhou agora uma irmão maior. No dia 2 de Novembro, no encontro das águas azuis do Tapajós e das águas barrentas do Amazonas, as madrinhas Andrea Delfino e Caroline Putnoki batizaram o todo reformado Amazon Dolphin com a tradicional explosão de uma garrafa de Chandon e os aplausos de participantes dentre dos quais o empresário Raimundo Delfino, amigo e compadre, o Laurent Suaudeau, chef e consultor gastronômico, e o Ruy Tone da Turismo Consciente. 

Dá para acreditar? Credito imagem Claudia Buss

O que ninguém mesmo vai acreditar sobre esse Caribe da Amazônia, são as praias exclusivas, de águas translúcidas, azuis ou alaranjadas, mas sempre de areia branca, onde o Amazon Dolphin pode agora levar os visitantes. Para relaxar depois de percorrer uma trilha ou de visitar uma comunidade, para desfrutar do sol e da água quente olhando os seus filhos brincar, ou para tomar um aperitivo servido junto com bolinhos de piracuí ou macaxeira frita, o comandante vai saber escolher o ponto certo para atracar e aproveitar o serviço atencioso e eficiente da equipe de bordo. E, acredite ou não, cada refeição é a ocasião de provar e harmonizar um prato da prestigiosa cozinha paraense, porque não um pato no tucupí com um Pinot noir de Provence?

Jean Philippe Pérol

 

Os 36 metros e as 12 cabines de charme e conforto do Amazon Dolphin Credito imagem Claudia Buss

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