O turismo global sem braços para a retomada

No Canadá, a mão de obra virou o primeiro problema do trade turístico

Há muitos anos, no mundo pre-pandemia, se falava que uma carreira no turismo tinha três características: trabalhar muito, ganhar pouco mas se divertir muito. Se essa piada levantava muitos risos na época de ouro do setor, a pandemia mudou totalmente a percepção. Os baixos salários, os horários incomodos, a pressão, a falta de reconhecimento e a forte sazonalidade levaram muitos empregados despedidos ou não durante a crise, a abandonar o setor. Na França os hotéis e restaurantes perderam 10% dos seus funcionários desde 2020, e uma pesquisa feita em 2021 em cinco grandes destinos turísticos (EE-UU, Reino-Unido, França, Espanha e Alemanha) conclui que  38 % deles queriam mudar de setor num prazo de um ano. 

A França é um dos destinos onde mais falta mão de obra no turismo

Faltando candidatos, as associações profissionais e as empresas reagem para revalorizar as carreiras do setor. Na França empresários e sindicatos assinaram um acordo de revalorização salarial de 16 %, mas muitos estabelecimentos já estão indo além desse piso.  Na Alemanha, o novo acordo sindical da hotelaria e da restauração prevê aumentos de salários de até 36 % e na Suiça, onde os acordos são feitas em cada empresa, os aumentos estão girando em torno de 30%. Os salários mais altos não porem suficientes para responder as expectativas dos candidatos, que esperam também propostas referentes ao reconhecimento profissional, as perspectivas de carreira ou aos horários de trabalho.

Accor incentiva a responsabilidade na organizacão do trabalho

Sempre pioneira quando se trata de relações humanas, Accor lançou na Australia e na Nova Zelândia um programa ” Work Your Way ” para poder preencher 1 200 vagas. Para ser mais atraentes, as ofertas prevê a possibilidade de começar a trabalhar imediatamente depois da entrevista, de ter vantagens personalidades em termos de prêmios, de viagens, de folgas ou de férias. Os funcionários deverão  poder seguir na mesma atividade em outros países da região do Pacífico, ter mais oportunidades de carreira no grupo. Será dada uma maior polivalência valorizando assim a flexibilidade para todas as funções, da limpeza até a diretoria.

Mudar os horários do jantar está virando uma necessidade

A atratividade do turismo foi sempre prejudicada pelos horários muito puxados.  Para dar mais liberdade a seus funcionários, restaurantes franceses estão acabando com os horários cortados, contratando equipes diferentes para o almoço e o jantar. Outros estão começando a servir o jantar mais cedo, acabando também mais cedo para reduzir o trabalho noturno.  Alguns hotéis estão terceirizando parcialmente ou totalmente a alimentação. Na Alemanha a semana de 36 horas em somente 4 dias está sendo experimentada em Hamburg pela cadeia de hotéis “25 Hours” que deve depois estender a medida  a todos os hotéis do grupo, inclusive na Suiça.

Para atrair os candidatos, é necessário imaginação

Muitos empresários estão investindo para melhorar a qualidade de vida dos funcionários. Na Suiça, em Gstaad ou Saint-Moritz, hoteleiros construíram residências para seu pessoal, com alojamentos de qualidade. Na Austria, em Kitzbühel, o hotel Stanglwirt foi mais longe ainda, investindo para seus empregados em dois prédios de madeira com boa localização, eficiência energética, equipamentos de alto padrão e acesso gratuito aos refeitórios do hotel. Uma creche fica também a disposição das famílias, e a empresa oferece três dias suplementares de ferias para quem quiser trabalhar em obras caritativas. A valorização dos compromissos sociais, éticos e ambientais é para os candidatos, e especialmente os mais jovens, um fator importante de escolha da empresa onde querem trabalhar.

No Japão, a recepção pelos robôs já é uma realidade

Para reverter a falta de candidatos, a criatividade das empresas parece então não ter limites. No Canadá uma cadeia de restaurantes está propondo um iPhone para seus novos funcionários, e , talvez inspiradas pela “luvas”do futebol, empresas estado-unidenses estão oferecendo bonus de USD1000 para assinar o primeiro contrato. A penúria de mão de obra para acompanhar a retomada pode porem ter outras consequências, a robotização de vários serviços. Alem das opções de reservas ou de compras já rotineiras, serviços como a  recepção de clientes (Hotello), a comunicação ( Automat ou HeyDay) , o atendimento nos quartos ou o concierge (NuGuest) podem dispensar presenças físicas. Para a qualidade do serviço e o futuro da profissão, deve se esperar que a chegada de novos talentos no turismo impedirá essa robotização de ir (demais) para frente.

 

Este artigo foi adaptado de um artigo original de l’Observatoire valaisan du tourisme  na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat  

Os moradores, atores chaves do novo turismo

O Skift Global Forum 2022 abrirá esse mês em Nova Iorque

Reunindo líderes de grandes empresas do ramo e profissionais do marketing o Skift publicou, antes do seu concorrido  Global Forum de Nova Iorque, uma pesquisa sobre as grandes tendencias que estão marcando as viagens e o turismo esse ano. Uma das mais fortes é sem dúvidas a mobilização cidadã. O Skift antecipa que os habitantes vão parar de ser meros espectadores do turismo para atuar na construção  de destinos atraentes para todos. O sucesso dos projetos será agora definido pelos benefícios econômicos e sociais trazidos para os moradores.

A qualidade vida dos moradores virou prioridade do turismo em Havai

Experiências bem sucedidas em Havaí, no Panamá, em Vancouver, no Quebec ou na Islândia mostraram assim que associar os moradores a planificação dos novos projetos, levando em consideração suas preocupações econômicas, ambientais e sociais, faz naturalmente deles os atores e os embaixadores das suas regiões. Mas o impacto desse processo vai as vezes muito além do turismo, tocando na identidade cultural das cidades ou das comunidades, reativando tradições artísticas ou culinárias que ajudam a valorizar a autenticidade do destino com o envolvimento de todos. 

No Quebec, um projeto identitário nas Ilhas da Madeleine

No Quebec, as Ilhas da Madeleine, procurando melhorar a experiência gastronômica dos turistas, lançaram um projeto  chamado Bouilli d’histoires salées para valorizar a identidade culinário do destino. Uma consulta foi lançada nas Ilhas, e mais de 100 pessoas foram solicitadas para transmitir conhecimentos sobre os produtos, as receitas, os pratos. Depois de muitas consultas e de seleções com a ajuda de especialistas, o resultado foi um “Abecedário culinário identitário”,  livro de cozinha publicado numa plataforma onde constam também as tradições gastronômicas, as empresas produzindo os produtos, as receitas típicas e os restaurantes onde podem ser encontrados esses pratos. 

A valorização do património das ilhas e a mobilização dos moradores não foi restrita a gastronomia e ao culinário. Para apoiar a promoção do destino, os responsáveis pelo projeto foram buscar na cultura e na musica popular varios elementos da campanha. Conceberam um vídeo muito diferenciado “Mets d’la bagosse dans l’juke-box! ” – isso, en gíria das ilhas, pode ser traduzido por  “Coloca pinga na vitrola!” . Escrito por ilhéus, apresentando empresários e personalidades locais, o clip foi filmado por uma equipe da região. E a música original foi também escrita e interpretada por artistas das ilhas da Madeleine. 

O clip turístico de Porto Rico mobilizou as comunidades

Associar os moradores logo no inicio do processo criativo de um projeto turístico focado na cultura local foi também parte da última campanha de promoção de Porto Rico. Vários conceitos foram testados em grupos de porto-riquenhos, – incluindo associações de moradores, empresários e influenciadores-, tanto na ilha que nos Estados Unidos, e foi com eles que foram aprovadas as escolhas finais, inclusive a marca. A produção do video foi feito em colaboração com três empresas locais, a parte visual e os acessórios foram  realizados por duas mulheres designers da região, e a maior partes dos atores são também genuínos porto-riquenhos.

O lema da campanha, “Live Boricua”, tem uma total identificação com a ilha, já que vem do nome “Boricua” dado as pessoas que nasceram ou que têm origens em Porto Rico.  O objetivo é atrair os visitantes mostrando as experiências que eles vão conseguir compartilhar com os moradores. Os videos, os anúncios e os posts focam muito mais em historias de pessoas que em paisagens ou atrações turísticas tradicionais. Foi assim essencial para Discover Puerto Rico que a campanha seja inspirada e assumida pelos habitantes, as personalidades locais, bem como os numerosos artistas da importante diaspora, todos convencidos que sua arte de viver é o maior atrativo turístico da Ilha. E que o novo indicador de desenvolvimento turístico deverá ser simplesmente a qualidade de vida no local.

Este artigo foi adaptado de um artigo original de Elisabeth Sirois na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat  

Tiktok, mais criatividade para o turismo

Tiktok é a mídia social com o maior crescimento

Com seus vídeos curtos (em media menos de 50″), TikTok já alcançou em janeiro 74,1 milhões de usuários ativos no Brasil (Fonte: Datareportal). Talvez acelerado pela pandemia, esse sucesso se deve a apropriação do aplicativo pela nova geração atraída pelos conteúdos dinâmicos e criativos. Segundo dados da própria plataforma, 66% dos usuários de TikTok têm menos de 30 anos e a grande maioria das pessoas que usam a rede tem entre 16 e 24 anos. Foi eles que levaram a TikTok ao pódio mundial com 656 milhões de downloads en 2021, (sendo 3 bilhões desde  2017). O numero de usuários ativos deveria chegar a 1,5 bilhão no final desse ano

Dois terços dos usuários têm menos de 30 anos

Para as empresas que querem atingir os menos de 35 anos, TikTok virou uma vitrina incontornável, mas exige uma comunicação diferenciada para maximizar os resultados. A criatividade e o valor do conteúdo têm mais importância que o numero de impressões ou o volume de investimentos financeiros.  O aplicativo facilita a interatividade, e os usuários são incentivados a gostar, a publicar videos, e a compartilhar. A taxa de engajamento é muita mais alta que nas outras mídias sociais, com uma media mundial de  15,86 %,a comparar com os 2,26 % da Instagram.

Na Tiktok travel, uma alta taxa de conversão

A força do impacto é maior ainda para as viagens e o turismo. Segundo uma pesquisa de Walnut Unlimited realizada en 2021, 77 % dos usuários europeus declaram ter sido inspirados na escolha dos seus destinos por conteúdos vistos na TikTok. E quase a metade deles (49 %) concretizaram essa decisão. O desafio #TikTokTravel, com conteúdos ligados a ferias e viagens, ja acumulou 32 bilhões de visualizações  em 100 países do mundo. A versão brasileira #IssoéBrasil , com o mesmo objetivo de inspirar os usuários a compartilhar de maneira criativa suas experiências de viagem, já passou de 250 milhões. 

Maira Godinho Cunhaporanga, jovem indígena, influenciadora TikTok

Se os profissionais do turismo demoraram para utilizar essa nova plataforma nas suas promoções, Tiktok já é parte de muitas campanhas bem sucedidas, viradas para as jovens gerações, seja para inspirar suas próprias viagens, seja para para influenciar as viagens em família, ou seja para investir nos viajantes do futuro, aqueles que vão definir os novos modos de consumo do turismo de amanhã. Muitas empresas ou organizações estão investindo na TikTok não somente para atrair e divertir os usuários, promover suas ofertas, mas também para promover a sua cultura interna e seus valores, ou até atrair colaboradores.

Alguns exemplos vistos na TikTok

A companhia francesa de trem  SNCF produz número videos humoristicos ou informativos  para promover destinos ou mostrar as opções para organizar suas viagens de trem. @sncfconnect 

Destinos  como Londres,Espanha ou Singapore produzem conteúdos institucionais, mas também, no caso da Espanha, vídeos mais lúdicos.  @visitspain 

Durante a pandemia, vários museus encontrar com TikTok uma forma de manter uma presencia junto a um público jovem. Assim por exemplo o Andy Warhol Museum de Pittsburg ou o Black Country Living Museum de Birmingham  @thewarholmuseum   @blackcountrylivingmuseum

No Brasil são postados quase 5 milhões de videos por mês (segundo volume no mundo depois da China). Alguns perfis de sucesso no TikTok com conteúdo de viagem: @prefiroviajar @vazaonde 

Este artigo foi adaptado de um artigo original de Julie Payeur na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat  

Na retomada do turismo, novas tendências nas mídias sociais para 2022

Expo Dubai quer mostrar como conectar mentes em 2022

Para os profissionais a retomada das viagens domésticas e internacionais segue como toda força, mas mostra ao mesmo tempo a importância das transformações que o turismo está vivendo tanto nos desejos dos consumidores, nos serviços, nos transportes, na hospedagem, bem como na venda e na distribuição. As mídias sociais, e todas as “novas tecnologias”, atores das revoluções esperadas, estão também mudando de forma espetacular  as suas atuações no turismo. Se muitas novidades ainda surgirão depois da retomada quando o setor voltará a sua normalidade de crescimento, os especialistas já identificaram algumas dessas tendências pós Covid.

O e-comércio impacta todos os atores do turismo

O e-commerce deu uma acelerada, a pandemia foi um acelerador, obrigando os consumidores a comprar on-line produtos ou serviços que se compravam em lojas ou se consumiam em restaurantes. Enquanto as mídias sociais eram antes da crise ferramentas fabulosas de promoção, mas onde as vendas eram ainda pouco significativas (com excessão de algumas plataformas como Etsy), as vendas on-line explodiram não somente na Instagram e na Facebook, mas também no TikTok ou no Pinterest. Só nos Estados Unidos, o crescimento esse ano vai passar de 25,2% com 80 milhões de compradores e estão sendo projetados 100 milhões para o final do ano que vem.

Facebook impacta cada vez mais a escolha dos viajantes

Facebook segue na liderança, mesmo se os mais jovens tem tendência a privilegiar Instagram, Snapchat ou TikTok. Mas sem precisar lembrar que Messenger, Instagram e Oculus fazem parte do mesmo ecossistema, Facebook monopoliza ainda 58 dos 145 minutos diários que quase 2 bilhões de internautas passam nas mídias sociais. Para todas as empresas, ela oferece não somente excepcionais ferramentas de marketing mas também ofertas de empregos, serviços para consumidores, pesquisas de mercado ou promoção de eventos. Muitas dessas funcionalidades não se encontram nos seus concorrentes Twitter ou LinkedIn, consolidando, tão criticado que seja, o seu monopólio de fato.

Tiktok quer ser um key player da era pos Covid

Tiktok virou uma plataforma prioritária. Desde outubro 2021, TikTok mostrou seu interesse em convencer as pequenas e médias empresas bem como os criadores de conteúdos. Com quase um bilhão de usuários mensais, TikTok faz agora parte dos 5 maiores atores do setor (depois de Facebook, Instagram, WeChat e YouTube), com um crescimento muito acelerado junto aos maiores de 35 anos. A empresa chinesa anunciou uma serie de novas funções que vão aumentar sua competitividade: plataforma publicitária, remuneração dos conteúdos, integração de stories, ou grande oferta de filtros para publicação de imagens, aproveitando as oportunidades de realidade aumentada – uma tecnologia cuja procura aumentou de 81% nos últimos 5 anos.

Os videos curtos vão se multiplicar. Mesmo se os números de impressões ou de interações está globalmente em queda, os videos curtos  ainda conseguem hoje os melhores resultados na web e nas mídias sociais. É o caso dos posts de 15 à 60 segundos no TikTok, dos reels Instagram e agora no Facebook. E o caso dos stories agora publicáveis em todas as plataformas, de Snapchat à Twitter, ou de Instagram à Facebook, a única exceção sendo LinkedIn cuja experiencia fracassou. É assim provável que as marcas e as empresas vão agora investir cada vez mais em videos curtos, ou pelo menos em videos mais longos mas podendo ser divididos em varias publicações.

As mídias sociais utilizam cada vez mais as técnicas do neuromarketing

Os conteúdos gerados pelos próprios usuários estão em forte alta.  Essa última tendência já existia nos anos anteriores, mas foi acelerada durante a pandemia. Os viajantes confiam mais nos conteúdos divididos pelos parentes, amigos, colegas, líderes de opinião ou influenciadores. A partir das estatísticas de Facebook, Instagram, Google Review e TripAdvisor, analistas de “neuromarketing” mediram que esse tipo de conteúdo aumenta em 20% o número de visitantes, em 90% o tempo passado no site e em 81% as taxas de conversão. Curtir, comentar, compartilhar e responder nas contas de mídias sociais é assim, mais do que nunca, a melhor maneira de atingir as suas comunidades de viajantes.

Nas tendências da era pós Covid, a Escócia aposta numa retomada sustentável

A retomada do turismo não se percebe somente nos pedidos e nas reservas que estão se acelerando nas agências e nas operadoras, mas também nas campanhas de promoção que os destinos mais dinâmicos já estão desenvolvendo nos seus mercados emissores. Muitas mensagens divulgadas no inicio da crise eram de cautela – “Nos vemos logo” do México, “A España espera”, “Stay home” da Eslovénia, “Fica em casa” do Equador, “É tempo de parar” do Portugal -. Outros destinos apostavam na esperança ou no sonho – o Peru com “Saúde, sonho e depois viagem”, ou a Suíça com “Sonhe agora e viagem mais tarde”-.

Agora estão começando as campanhas da era pós Covid, com o objetivo direto de incentivar as viagens e de  apoiar os profissionais. É hora de valorizar as novas tendências, de ir direto ao essencial – a França fala assim de #Whatreallymatters”, “O que importa mesmo”. Para os marqueteiros e os comunicantes, é preciso sensibilizar o viajante com a nova normalidade sanitária e ecológica, e ao mesmo tempo comunicar para ele a certeza que essa nova normalidade não vai lhe prejudicar, e vai deixar o turismo trazer alegria, prazer, bem estar e convivialidade social.

Uma das campanhas mais marcantes foi agora lançada pela Visit Scotland para revigorar o seu turismo, antes da crise um setor de 11,5 bilhões de libras de receitas e cerca de 9% dos empregos escoceses, hoje completamente arrasado. “Now is your time” (“Agora é seu momento “) destaca o turismo responsável, com novos lugares para explorar e atrações já plebiscitadas, e mais ainda com novas atitudes para aceitar. Focando no mercado britânico, prevista para toda temporada, a campanha vai ser declinada para cinco tipos de atividades, desde o turismo de proximidade até os “short breaks”, as reuniões de familia, o turismo de aventuras e o bem estar.

Para que a retomada seja conforme a seus objetivos de segurança e sustentabilidade, Visit Scotland publicou três videos incentivando os turistas a viajar de forma responsável. Varias informações e dicas são também disponíveis no site Web  para ajudar os visitantes a proteger os ecosistemas e a valorizar o patrimônio natural e humano. Um foco especial é feito para o camping – de motorhome ou de barracas-, com recomendações para fazer suas reservas, organizar o seu itinerário, respeitar a fauna e a flora, e aproveitar os contatos com os moradores e as comunidades locais respeitando o Scottish Outdoor Access Code.

Valorizando as boas práticas e os novos protocolos, a campanha “Now is your time” corresponde perfeitamente a nova normalidade que chegou para ficar tanto para os viajantes que para os profissionais. O turismo vai ter que se adaptar a novas práticas sociais, novos comportamentos, mais transparência, mais proteção e mais responsabilidade. Na hora de um turismo mais intenso e mais seletivo, a Visit Scotland  quer agora assegurar a visibilidade e a notoriedade da Escócia comunicando sobre essas novas tendências. “Now is Scotland time?”

Este artigo adaptado de um artigo original de Fanny Beaulieu Cormier na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat  

A renovação urbana, grande vencedora da pandemia?

No coração de Manhattan, a 42nd é agora deserta

Apresentado um relatório sobre o crise do Covid nos centros urbanos, o secretário geral da ONU, Antonio Guterres, lembrou que as grandes cidades são as mais atingidas, concentrando até 90% dos casos. Os confinamentos pararam com o coração das suas atividades. Com os trabalhadores, os visitantes, os estudantes e até os moradores cada vez mais raros nas ruas, comércios e restaurantes estão sofrendo com as indispensáveis precauções sanitárias, ou são obrigados a fechar pelo menos provisoriamente. Em muitos países,  ajudas governamentais ainda estão evitando fechamentos definitivos, mas a retomada será muito difícil.

A crise acelerou a popularidade das ciclovias

Muitas prefeituras tentaram com sucesso de adaptar a utilização do seu espaço público as necessidades da luta contre a epidemia, investindo em transporte mais seguros com a aceleração de projetos antigos ou o lançamento de novas iniciativas : ampliação das áreas pedestres e das ciclovias, construção de pontos de abastecimentos de veículos elétricos, aberturas de terraços nas calçadas e nas praças públicas. Em uma conjuntura normal, essas idéias encontram fortes resistências mas com a crise foram facilitados pela urgência de ajudar o acesso seguro aos comércios locais, elos chaves da vitalidade das ruas dos centros urbanos.

O centro histórico de Québec enfrenta a queda do turismo

Além do comércio e dos restaurantes, as prefeituras devem também agir para ajudar o setor hoteleiro dos centros urbanos que estão em situação crítica. Além de muitos hotéis fechados, as taxas de ocupação de 2020 estão raramente ultrapassando 40% nos dias de pique, e caindo a menos de 20% em destinos acostumados a receber turistas internacionais – 18% por exemplo em Montreal. 2021 começou pior ainda, e mesmo Paris, primeira cidade turística mundial, estava em janeiro com uma taxa oscilando entre 34% para os hotéis mais populares, até 7% para os 5 estrelas que são as maiores fontes de visitantes para as lojas e os restaurantes das ruas comerciais.

Montreal é a cidade mais verde do Canada

No Canadá, os profissionais pensam que a crise vai acelerar algumas tendências do urbanismo que já preexistiam: construções mais sustentáveis, desenvolvimento da agricultura urbana, ampliação dos parques e das áreas arborizadas, apoio a todos os tipos de transportes a propulsão elétrica. Um grupo de 50 especialistas e personalidades assinaram uma Declaração 2020 para a resiliência das cidades canadenses. Eles estão pedindo uma economia verde, limpa e com poucas emissões de carbone, listando 20 medidas para assegurar uma urbanização responsável, acelerar a “decarbonização” e aderir de vez ao crescimento sustentável.

Paris projetando um futuro dinâmico, acolhedor e verde

A agonia dos centros urbanos não começou com a pandemia. Os shopping centers das periferias bem como o e-comércio já estão esvaziando as ruas há anos. A crise do Covid acelerou o movimento mas provocou também uma maior conscientização e muitas vezes uma forte mobilização dos profissionais. No Canadá, foi publicado o relatório Devolvendo a rua principal que apresenta ações para dinamizar o coração das grandes cidades.  No Québec, uma outra iniciativa junta apresentações de projetos de cidades com centros renovados, dinâmicos, motores da  economia turística, onde cultura e gastronomia são autênticos e vibrantes, onde os moradores são felizes, orgulhosos de viver e de receber os turistas.

O Québec investindo em “rues conviviales” para renovar os centros urbanos

Este artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Claudine Barry na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat  

Clubhouse, a vingança áudio das mídias sociais

 

Fã do Clubhouse, Elon Musk convidou até Putin para uma conversa

É em tempo de crise que aparecem as inovações. Isso parece ser o caso do Clubhouse, uma mídia social 100% áudio que foi lançada em março 2021 e que está explodindo desde o inicio do ano. Aplicativo disponível exclusivamente com convite e acessível somente com iphone, o Clubhouse é uma nova mídia utilizando exclusivamente a voz. Abrindo o aplicativo, o usuário pode “entrar” em “salas” (room) cheias de pessoas conversando ou ouvindo, podendo entrar como público ou levantar a mão para ser autorizado a falar.  É também possível de criar sua própria “sala”, escolhendo o assunto para contar histórias, fazer perguntas, aprender, conversar, encontrar velhos amigos ou fazer novas amizades.

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Crescimento dos usuários da Clubhouse

O Clubhouse é mesmo uma loucura. Em menos de um ano já passou de 6 milhões de participantes, 4 milhões dos quais se juntaram no último mês de fevereiro. Valendo “somente” USD 100 milhões em maio de 2020, a empresa está sendo avaliada hoje em mais de um bilhão.  Comparado pelos analistas com o sucesso da Twitter, essa popularidade é muito ligada as experiências incríveis que são oferecidas, momentos “WOW”, conversas enriquecedoras ou intercâmbios intensos.  O Clubhouse  ficou também famoso pelos encontros com executivos ou artistas famosas. Assim Elon Musk, Oprah Winfrey, Ashton Kutcher, Mark Zuckerberg ou Meek Mill já entraram sem avisar em algumas “salas” para conversar com usuários anónimos.

Facebook prepara um áudio chat para competir com o Clubhouse

Alem da exclusividade e da espontaneidade, a plataforma deve também sua atratividade ao áudio. Em tempos de saturações de Zoom, Google Meet, Microsoft Teams, Skype ou Facebook Live, é gostoso de não precisar se mostrar. O audio já estava a todo vapor com a crescente popularidade dos  podcasts, e existem analistas apostando que as mídias sociais audio são o novo Eldorado da economia digital. O Clubhouse tem a vantagem de ser o primeiro ator a atingir um sucesso mundial, mas a concorrência  está chegando. Twitter já lançou uma funcionalidade chamada Spaces. Facebook e Microsoft estão trabalhando para lançar seus proprios aplicativos, ambos aparentemente com o nome Fireside.

Paul Davison, um dos dois fundadores do Clubhouse

Uma outra especificidade do Clubhouse seduz os seus fãs, a ausência de gravações ou de arquivos das discussões na “salas”. Isso libera a palavra, dando para os participantes a esperança de escutar uma confidência ou um anuncio exclusiva sobre os milhares de assuntos dado pelos inúmeros participantes.  Essa liberdade é porem também uma preocupação para os fundadores Paul Davison e Rohan Seth, acusados de não controlar declarações racistas, machistas ou homofóbicas eventuais dos seus usuários. Afirmando os valores da empresa para resolver esses problemas, eles estão trabalhando para uma outra ameaça trazida pelo sucesso: como não perder a dinâmica exclusiva do Clubhouse quando o número de usuários passará de 6 à 50 milhões.

Este artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Frederic Gonzalo de TourismExpress. nrevista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat  

Homens e mulheres no coração do turismo pós crise …

Hoje não se vende as qualidades do hotel, se fala do hoteleiro @latoubana

Aceleradora de tendências, a crise do Covid obriga todos os profissionais a repensar suas ofertas, seus públicos alvo, bem como suas estratégias de marketing para responder às novas procuras dos viajantes que vão compor a retomada. Já anunciado há alguns anos, o foco no lado humano do turismo, dos consumidores até os funcionários e os moradores, o “marketing humanizado” está tomando uma dimensão fundamental. Segundo o marqueteiro Olivier Coullerez, presidente e fundador da agência Espresso Communications, «hoje a ideia não deve ser de vender as qualidades de um hotel, mas de falar do hoteleiro  ».

Para mostrar a resiliência do turismo, e a força do seus atores, a  GLP Films  realizou vários clipes mostrando homens e mulheres que tiveram papéis de destaque no desenvolvimento do seu destino. Com o hashtag  #TourismStrong , são assim popularizadas “success stories” de atores locais na Uganda, no Peru, na Costa Rica, no Brasil ou em Nova Iorque. Além da história de cada profissional envolvido, uma atenção particular é dada aos esforços que foram feitos para promover os “savoir-faire” regionais, através da criação de plataformas especializadas. No estado australiano do New South Wales por exemplo, a organização Culture Maps Central NSW promove as empresas locais de arte e cultura com um mapa interativo valorizando as ofertas.

Helsinki procurando turistas combinando com seus valores

Pensando na retomada, muitos destinos estão trabalhando em definir melhor os seus visitantes internacionais, destacando aqueles que se identificam com os valores da região ou das experiências propostas. Na Finlândia, Laura Aalto, diretora do turismo de Helsinki, lembra que a estratégia de marketing da cidade é construída em torno de visitantes fiéis que se identificam com seus valores: confiança, inovação, abertura de espírito, e sustentabilidade. Os visitantes devem também integrar a comunicação. Visit Florida desenvolveu uma parceria com Outbound Collective, uma operadora especializada em atividades esportivas. Para atrair novos clientes, 12 especialistas vindos de minorias hoje pouco representadas estão apresentando nas mídias sociais experiências personalizadas.

As novas oportunidades do teletrabalho

O turismo pós Covid vai também levar a uma gestão mais humana dos fluxos, espalhar os viajantes em regiões hoje menos visitadas, incentivar as visitas durante a baixa estação, e parar de promover os lugares e as datas que provocaram tensões com os moradores. Com a explosão do teletrabalho, a crise abriu novas oportunidades de longas estadias que alguns destinos, como  Barbados, a  Estónia  ou o Massif de Charlevoix, no Québec , e algumas plataformas ,como Booking.com, souberam aproveitar. O turismo de amanhã já está se definindo, sempre amarrado em experiências humanas, interativas, baseado no respeito de valores sociais sustentáveis e  autênticas que devem integrar não somente a oferta de produtos e serviços mas também a própria promoção.

 

Este artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Fanny Beaulieu Cormier na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat  

A crise, uma oportunidade para os destinos turísticos investir na sustentabilidade?

A sustentabilidade, futuro do turismo pos coronavirus?

Nas novas tendências esperadas para a retomada do turismo, a sustentabilidade e a procura de produtos éticos são destaques tanto no Brasil como no mundo inteiro. Segundo muitas grandes mídias internacionais, a pandemia e o confinamento podem ser oportunidades para os destinos turísticos que entenderam a necessidades de mudanças profundas no setor, beneficiando o meio ambiente, os moradores e os turistas. Assim, aproveitar esses tempos de underturismo para investir em desenvolvimento sustentável pode levar, para o World Economic Forum (WEF), a uma vantagem competitiva decisiva em relação a concorrência para convencer tanto os viajantes que os investidores. 

Petra Stušek da Slovénia recebendo o prêmio ITB do turismo sustentável

Para definir e colocar em prática uma nova estratégia de turismo sustentável, os destinos podem usar exclusivamente seus próprios recursos humanos, oucontratar uma certificadora – uma solução mais cara porém mais fácil e com mais credibilidade, especialmente se escolher uma empresa referenciada pelo Global Sustainable Tourism Council , respondendo assim a critérios internacionais. Em ambos os casos, o destino deverá dispor de uma equipe qualificada cujo primeiro objetivo será de fazer um benchmark das melhores práticas dos seus concorrentes, bem como uma avaliação completa das experiências já realizadas pelos profissionais da sua região mobilizados no projeto.

Ilhas Maurício se posiciona agora como destino sustentável

A chave do sucesso de uma política de turismo sustentável fica no equilíbrio entre a vida das comunidades, o desenvolvimento econômico, o respeito dos acervos culturais e a preservação do meio ambiente. Todos os atores devem ser solicitados e apoiados durante todo o processo, e as suas iniciativas devem ser integradas, seguidas e valorizadas no plano global. A conscientização da importância de cada um ajuda também a solidariedade entre os profissionais do setor. No Oceano Índico, nas Ilhas Maurício, uma politica de capacitação especifica para hotéis, restaurantes, agências, e táxis levou ao sucesso da estratégia de todo o destino.

Source : Azores DMO

Com total transparência, um destino sustentável deve também escolher indicadores para medir os impactos sociais, econômicos, culturais ou ambientais das ações. Esses indicadores são geralmente propostas pelas certificadoras, mas exemplos de sucessos merecem ser seguidos. Assim nos Açores, que ganharam a certificação Earthcheck em 2019, foram escolhidos o progresso dos empregos nos hotéis e restaurantes, o número de famílias beneficiadas com o crescimento econômico, a redução dos empregos precários, as economias de água, a redução das emissões de CO2 e a ampliação da coleta seletiva do lixo.

Source : Thompson Okanagan Tourism Association

A sustentabilidade vira um argumento chave da promoção de um destino, a condição de focar todos os públicos em função da especificidade de cada um. Os moradores devem ser os primeiros a ser convencidos virando assim não somente consumidores mas também embaixadores do local. Os profissionais podem ser integrados nas campanhas, um processo muito mobilizador que foi muito bem aproveitado pelo Açores. Para os viajantes potenciais, o plano de comunicação deve promover as boas práticas e o respeito do meio ambiente. Foi a estratégia da Islândia com a Iceland Academy, incluindo um juramento que outros destinos como a Nova Zelândia, Palau ou a região canadense de Thompson Okanagan, na Colúmbia Britânica, já estão propondo a seus visitantes.

Este artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Fanny Beaulieu Cormier na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat  

Nas águas do Tapajós, ecoturismo e comunidades

Os destinos rivalizam para incentivar a sonhar hoje as viagens de amanhã

Em tempo de confinamento, os destinos mostram muita criatividade para continuar presentes junto aos seus potenciais visitantes, combinando responsabilidade – ficar em casa é um imperativo de saude pública- e mantimento do sonho de viajar. São aulas de cozinha, receitas de mixologia, palestras culturais, visitas de museus, passeios, atrações e até carrosséis ofertos a imaginação. Não é hora de vender produtos ou serviços, mas de cultivar a esperança e o desejo de recomeçar a viajar.  Os escritórios de turismo escolheram varias estratégias de comunicação. Com destaque aos sempre surpreendentes países do Norte (acima o exemplo das Ilhas Feroe), todos esses profissionais mostram como, nesse momento de crise, o marketing de destino, inspiracional por natureza, se transformou em marketing da esperança.

Com as mídias sociais ainda mais populares desde o inicio do confinamento, vários destinos estão usando-los como canais de comunicação privilegiados e as vezes exclusivos. O Turismo Portugal mudou seu lema #CantSkipPortugal para #CantSkipHope e lançou um vídeo  aconselhando de parar já que os atrativos do país poderão ser visitados depois.  Visit Norway marcou seus fotos e videos com #Dreamnowvisitlater. Turismo Montreal pede aos viajantes de não sair de casa e de vir mais tarde com  #VisitUsLater e #APlusTard. Alguns marqueteiros são mais diretos, assim Visit Estonia que inventou #staythefuckhome, ou VisitBrighton que mudou seu nome para DoNotVisitBrighton.

A Primeira Ministra da Finlândia liderando uma estratégia inovadora

Os influenciadores têm em alguns destinos um lugar de destaques na comunicação de crise. É o caso da Finlândia, cuja jovem Primeira Ministra tinha pedido para a Empresa nacional de Abastecimento emergencial , antes mesmo que se fala da pandemia, a contratação de uma agência especializada em mídias sociais e influenciadores, a  PING Helsinki para ajudar a sua comunicação. 1500 “key workers” – como são chamados esses comunicantes-, são assim mobilizados ao lado das mídias tradicionais para repassar mensagens oficiais ou personalizados para públicos específicos, nacional ou internacional. O Quebec apostou também nos influenciadores para incentivar as pessoas a ficar em casa, assim a blogueira Lydiane autour du monde  que mostra agora fotos de confinamento ou de viagens passadas.

As visitas virtuais ganharam um novo impulso com o confinamento. O Dinamarca, a Noruega e o Japão  apresentam vários passeios e excursões on-line, e Malta apresenta videos com caminhadas nas ruas da cidade velha.  Na França, as cidades de LyonBordeaux mostram varias atividades acessíveis sem sair de casa.  Discover Puerto Rico   apostou nas experiencias on line com cursos de salsa, receitas de coquetéis com um mixologista e aulas de cozinha. Travel Saint Lucia colocou Instagram videos de 7 minutos incentivando a fazer aulas de yoga, a aprender a cozinhar pratos típicos ou a seguir um guia. O Chile lançou o aplicativo Chile 360º, com vídeos e imagens de paisagens chilenas, incluindo até óculos opcionais. Os maiores esforços são talvez feitos por Visit Orlando que propõe de forma virtual a quase totalidade das suas atrações.

Este artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Fanny Beaulieu Cormier na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat 

No Brasil, a campanha  “Não Cancele, Remarque”