O Hotel La Ponche, o espírito de Saint Tropez


A pequena mas muito badalada praia da La Ponche

Em Saint Tropez, frente a pequena praia do mesmo nome, o lendário hotel La Ponche está reabrindo depois de oito meses de obras. O La Ponche é um dos hotéis icônicos da Riviera francesa, onde os artistas chegaram já nos anos 50, antes e depois de ter hospedado a equipe do filme « E Deus criou a mulher». Passaram ai muitas vedetes das artes, da política e do cinema: Boris Vian, Michel Piccoli, Pierre Brasseur, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Pompidou, Kenzo, Jack Nicholson, Catherine Deneuve. Vários casais famosos se esconderam nos seus quartos: Brigitte Bardot e Gunter Sachs, Bernard Buffet e  Annabel, Romy Schneider e Daniel Biasini.

No lobby, a Provence, o verão, o farniente e os anos 60

Renovar uma lenda foi o desafio imposto a Fabrizio Casiraghi, o arquiteto responsável das obras e da nova decoração do hotel. Ele foi buscar nos brechós e nos antiquários objetos, poltronas, luminárias, o Sul, a Dolce Vita, os anos 60, o mar e as férias, para criar um ambiente misturando a Provence e o verão. Nos 21 quartos (incluindo 5 suites), as paredes são brancas e as madeiras de nogueira preta. Os pisos são de terracota e nas paredes são pendurados quadros de Cordier e litografias originais de Picasso. O quarto excepcional é o numero 8, aquele onde sempre se hospedavam a Romy Schneider e o Daniel Biasini. O terraço é do mesmo tamanho que o quarto e domina os telhados de Saint Tropez, a cidadela, a torre da igreja e o mar.

Do restaurante, uma vista mágica para o Mar Mediterráneo

Com somente  29 anos, o chef Thomas Danigo, calmo e rigoroso, viajou no mundo inteiro, trabalhou em Chartres e Paris, mas voltou para propor um cardápio mediterrâneo valorizando os legumes da região, os peixes e as vibrações cotidianas da feira livre. « Sem frescuras e sem exageros, uma cozinha virada para os produtos e os sabores regionais ». Oferece gaspacho de ervilhas frescas, lagosta grelhada, a famosa “bouillabaisse”, pratos do dia no forno de carvão e sobremesas trabalhadas com frutas da estação. Para o almoço, são servidos no terraço os pratos tradicionais da casa, enquanto o cardápio valorise na hora do jantar as criações pessoais do chef num ambiente mas sofisticado.

O novo Bar Saint Germain desenhado pelo do Fabrizio Casiraghi

Para sentir o espirito de um hotel, o melhor lugar é sem dúvidas o bar. A história – e o sucesso- do hotel começaram no Saint-Germain-des-Prés-La Ponche, ponto de encontro de pescadores e de artistas, cuja renovação foi muito caprichada pelo Fabrizio Casiraghi. Levou uma parede de espelhos atrás do bar, instalou umas luminárias para valorizar as garrafas, cobriu o teto com nogueira preta, e escolheu um piso de azulejos pretos e brancos. A lareira, as mesas de ferro forjado e as poltronas criaram um ambiente aconchegante para aproveitar a qualquer hora do dia ou da noite um surpreendente cardápio de cocktails e de fingerfood, um ambiente digno do passado do La Ponche e da Dolce Vita.

No porto de Saint Tropez, o luxo e a simplicidade

A nova diretora, Audrey Brémond, é uma “tropezienne” da gema que já trabalhou no grupo Oetker. Teve experiências bem sucedidas em Courchevel, em Vence e nos hotéis Monsieur, « boutiques-hôtels » parisienses pertencendo a empresa HN6 ACTIVE, hoje também proprietária do La Ponche. Mesmo se tomou a decisão de sair da cadeia Esprit de France, a empresa liderada pelo empresário Nicolas Saltiel quer dar uma nova vida para o La Ponche, reencontrar o borbulho das origens e o ambiente dos anos 60, o hino ao sol, a simplicidade, ao Mediterrâneo, ultrapassar a simple noção de hospedagem para liberar a dimensão cultural de uma experiência peculiar com o espirito de Saint Tropez.

Jean-Philippe Pérol

“E Deus criou a mulher”, inicio do namoro da Brigitte Bardot com Saint Tropez

 

Caroline Putnoki e sua paixão pela cozinha francesa

por Claudio Schapochnik

Travessa com canelés (Claude Alleva/Pixabay), doce típico de Bordeaux,

A cultura do bem comer e beber é um dos pilares da chamada arte de viver da França e dos franceses. Desde cedo, o povo francês aprende — e leva a sério — sobre qualidade, ingredientes da fauna e flora, culinária, pratos, receitas e costumes locais e regionais e se apaixona pelo tema. Além disto, a gastronomia é um dos pontos fundamentais de uma viagem, ou seja, do turismo. Para falar sobre estas características tão fortes e marcantes na cultura francesa, o Que Gostoso! entrevistou por email a diretora para América do Sul da Agência de Desenvolvimento Turístico da França (Atout France), Caroline Putnoki.

Caroline Putnoki junto a um vinhedo na Borgonha em recente viagem (foto Instagram)

Num bate papo dinâmico e muito interessante, Caroline (ou Caro, que na pronúncia francesa fala-se “Carrô”) fala sobre sua paixão de cozinhar e da alimentação como um todo. Quase sempre na sua casa, em São Paulo, e muitas vezes com a ajuda da sua filha, Iris, Caro faz pratos da cuisine française com amor e usando muito de suas lembranças familiares — sobretudo do pai, nascido na Hungria. “Quando cozinho, sempre penso no meu pai e tento reproduzir os sabores da minha infância. A cozinha é sempre uma busca dos sabores e cheiros da nossa infância”, diz Caro.

Tarte fine aux pommes feita por Caro (foto Instagram)

Bastante ativa no Instagram, onde mantém a página Blog Brasil à Francesa, Caro posta seus textos, suas fotos e seus vídeos de várias receitas e vários pratos (salgados e doces) franceses, sobretudo, e de outras origens também. Pra quem gosta de cultura alimentar francesa e turismo francês, recomendo segui-la.Nascida na Guiana francesa e casada com o também francês Jean-Philippe Pérol, Caro é graduada em marketing de destino na França (Bordeaux e Angers). Após 17 anos no Canadá, onde ela iniciou sua careira no turismo — trabalhou no importante grupo turistíco Transat e dirigiu a filial da Atout France no país —, chegou no Brasil há dez anos e fundou a empresa de marketing Cap Amazon, que representa marcas de turismo, alimentos e vinícolas.

Segue abaixo a entrevista, recheada de dicas de comidas e bebidas, emoções, lembranças e bom humor. Aproveite!

Caro em sua casa em São Paulo (foto Instagram)

QUE GOSTOSO! De onde vem a sua paixão por cozinhar? Desde quando?
Caroline Putnoki “Caro” — Minha paixão me foi transmitida pelo meu pai, que era um verdadeiro chef em casa. Aprendi com ele, ajudando e vendo ele fazer suas receitas, desde criança. Em casa, só ele cozinhava e cuidava de tudo que era comida! Ele acordava muito cedo na manhã para deixar tudo preparado para o almoço e o jantar, para as mulheres dele, esposa mais três filhas!

QUE GOSTOSO! O gosto pelo comer/beber bem e, muitas vezes, por cozinhar faz parte da essência francesa? Por quê?
Caro — Sim, os franceses são apaixonados pela comida, pelos alimentos de boa qualidade, pelo vinho, pois faz parte do cotidiano deles. Sem perceber, às vezes, eles estão cercados por uma riqueza e uma abundância de alimentos de alta qualidade, o que faz do francês um paladar extremamente exigente e crítico!

Pissaladière (foto http://www.lespetitssecretsdelolo.com): prato apreciado e feito por Caro

QUE GOSTOSO! O teu gosto por cozinhar teve influências familiares e dos países de onde você e seus pais nasceram?
Caro — Sim, claro que minha infância na Guiana Francesa, onde eu nasci, me influenciou muito! Era bastante original viver na Guiana Francesa com um pai húngaro apaixonado da culinária francesa e uma mãe parisiense.
Meu pai cozinhava, misturando todas essas influencias. Também na Guiana Francesa, tivemos bastante contato com a culinária vietnamita, o que explica meu gosto pela cozinhas asiáticas, particularmente da Tailândia e Índia. Hoje quando viajo para Paris, faço questão de jantar pelo menos uma vez no 13º Arrondissement num restaurante asiático onde eu posso comer os famosos “nems” e “bo-bun”!
Quando cozinho, sempre penso no meu pai e tento reproduzir os sabores da minha infância. A cozinha é sempre uma busca dos sabores e cheiros da nossa infância.

QUE GOSTOSO! Cozinhar leva tempo. Onde você o arruma, já que você é também mãe e uma executiva bem sucedida na área do turismo?
Caro — Realmente não sei. Aprendi a cozinhar muito rápido… E também sempre tenho uns ingredientes prontos na geladeira tipo uns pimentões assados, ótimos como entrada com anchovas ou como aperitivo com um pão fresquinho. Também faço um molho de tomate que pode entrar numas receitas como massa, sopa… E também cozinho muito no final de semana para adiantar a semana seguinte! Para mim, é vital de comer bem, então a organização é fundamental para justamente conciliar tudo, ainda mais nesse período de home-office.

Caroline Putnoki e sua paixão pela cozinha francesa

Caro na entrada de uma vinícola na Borgonha, em recente viagem (foto Instagram)

QUE GOSTOSO! Por falar em maternidade, vejo nas suas redes sociais que, muitas vezes, sua filha te ajuda na preparação dos pratos. Exemplo é tudo.
Caro — Sim, acho muito legal cozinhar com minha filha, pois é durante a infância que os sabores ficam registrados, que o gosto se forma. Dessa maneira, ela me vê cozinhar o tempo todo, e ela está registrando os sabores e pratos… É isso o objetivo: abrir o leque de sabores e gostos dela. E a melhor recompensa é quando ela me fala “Maman, você é a melhor cozinheira do mundo!”. É muito importante insistir, mesmo de leve, para que nossos filhos provem ingredientes novos e sabores que eles não conhecem e ajudar a formar o paladar mais diversificado possível.

QUE GOSTOSO! Com a sua ascendência e você sendo francesa da Guiana Francesa, seu marido, sendo francês nascido na Tunísia e radicado na região Auvergne-Rhône-Alpes e sua filha, sendo francesa nascida no Brasil, enfim, com tantas influências, como é a escolha dos pratos que você vai preparar? Ou, na maioria dos casos, é algo francês mesmo?
Caro — É uma mistura total. Posso fazer uma chakchuka, prato típico da Tunísia que aprendi nas minhas viagens e com as lembranças do Pérol que ele tinha da sua infância… Posso cozinhar uma moqueca ou um prato da Hungria (com muita páprika!) como o frango à páprika ou talvez um prato crioulo da Guiana francesa (Colombo, um tipo de curry), ou uns pratos típicos da França… Minhas receitas são muito diversas e de muitas origens. Tudo depende dos ingredientes que encontro, do meu humor, para quem cozinho. Também, com o confinamento que vivemos há mais de um ano, muita gente começou a cozinhar em casa e a quantidade de receitas acessíveis por meio das redes sociais explodiu. É muito fácil hoje de ter acesso à receitas do mundo inteiro e de poder aprender assim, com esses vídeos no You Tube ou Instagram. A informação disponível é incrível e não tem desculpas para não cozinhar, mesmo começando com receitas simples.

Crêpe suzette (foto Pixabay)

Travessa com chouquettes (Wikipedia): doce apreciado e feito por Caro

QUE GOSTOSO! São Paulo tem tudo, ou quase tudo, no que toca a produtos alimentícios de outros países. Você consegue achar os ingredientes para seus pratos? Houve vezes que teve de fazer adaptações e deu certo? Qual prato foi esse?
Caro — Sim, em São Paulo, temos quase tudo. Mas eu lembro de uma receita que “abrasileirei” para fazer um biscoito chamado financier. Usei farinha de castanha do pará em vez de farinha de amêndoa e deu super certo. Era para um jantar, onde recebia em casa um grande chef, que chegou com um sorvete de doce de leite. A combinação com meu financier brasileiro foi espetacular!

QUE GOSTOSO! Seu prato francês principal é a Tarte Tatin mesmo? E quais são os Top 5 (cinco doces e cinco salgados franceses)?
Caro — A Tarte Tatin é uma receita que sempre amei fazer, mas que aperfeiçoei após uma aula on-line dada pelo chef Laurent Suaudeau, onde ele explicou o jeito dele de preparar a Tatin. Quando fiz a receita dele, foi a Tatin mais incrível que já tinha feito!
Então é verdade que essa Tatin ficou registrada no meu Top 5 até hoje! Por sinal, adoro fazer tortas em geral, tortas de frutas, quiches, com massa folhada ou brisée, adoro tortas!
Tem uma “tarte fine aux pommes” que sempre faço para um amigo nosso quando ele vem jantar em casa, virou uma tradição! Muito simples com massa folhada e maçãs cortadas fininhas… Mas como tudo na cozinha, a técnica é muito importante, além de tomar o tempo, ter os bons ingredientes e o bom material…
Na categoria de doces, adoro fazer crêpes suzette, que é sempre um sucesso com os convidados e, no final de semana, gosto de preparar os Canelés de Bordeaux e as Chouquettes. São clássicos franceses.
Na categoria de salgados, fiz recentemente um robalo em crosta de sal delicioso que também ficou registrado. Adoro a pissaladière da Provence que faço sempre – tipo de pizza com massa pão, só com cebolas, anchovas e azeitonas. Pimentões recheados à maneira do meu pai. E talvez, minha receita assinatura é um pato laqueado às especiarias, com mangas.

O chef Laurent Suaudeau, que tem a admiração de Caro, vive e trabalha no Brasil desde 1991 e é um dos nomes mais importantes da cozinha francesa no País. Natural de Cholet, na região francesa do Pays de la Loire, ele foi dono e chef do restaurante Laurent (1991-2005) em São Paulo com grande sucesso. Atualmente dirige uma escola de gastronomia com seu nome na capital paulista (foto Facebook)

Caro exibe a Tarte Tatin que fez com os ensinamentos do chef Suaudeau (foto Instagram)

QUE GOSTOSO! Você é super ativa no Instagram (parabéns!) também em relação à sua atividade de culinária. Como você vê essa atividade? Seus seguidores fazem as receitas, comentam? Pedem sugestões?
Caro — Sim, adoro compartilhar minhas experiências — e receitas — no Instagram, principalmente. Acho muito divertido e com a pandemia, as redes sociais ficaram ainda mais importantes para se manter em contato com os amigos e seguidores. A cozinha foi uma das grandes escapadas dessa nova vida confinada! Também comecei a seguir ainda mais cozinheiros e chefs de restaurantes do mundo inteiro e abri muito meu horizonte culinário.
Descobri novas receitas e muitos truques gastronômicos. E passei também várias receitas e dividi essas descobertas.
Sim, bastante seguidores comentam, compartilham e fazem as receitas. Também uso o Instagram profissionalmente para ficar em contato com os profissionais do turismo e apaixonados da França.

Outra torta feita por Caro: a de ameixas (foto Instagram)

Bolo de limão e papoula: outra criação de Caro (foto Instagram)

QUE GOSTOSO! Ultimamente você fez um curso de panificação e começou a apresentar suas criações no Instagram. Por que fez o curso? Por que a panificação te atraiu?
Caro — Não fiz nenhum curso de panificação. Queria fazer pão há anos e um dia, um amigo chef de cozinha me passou o “levain” (fermento natural), junto com algumas dicas e daí mergulhei no mundo da panificação! Era um sonho e realmente me apaixonei. Aprendi com as redes sociais e lendo muito sobre o assunto. Acho fascinante o que é possível de fazer só com farinha e água… e também, claro, técnica, tempo e dedicação.
E fazer um pão saudável, sem conservantes ou químicos e poder dividir isso com a família e os amigos é uma satisfação muito grande. Fazer pão é muito especial, é nobre e universal. Você tem a sensação de continuar uma tradição milenar que atravessou as civilizações e os séculos.

QUE GOSTOSO! Quais são os pães que você mais gosta de fazer?
Caro — Eu sempre faço um pão metade com farinha branca metade farinha integral, que combina com tudo. Pode acompanhar aperitivos, patês ou queijos mas também sopas…
Quando recebo convidados — o que é raro esses dias — às vezes faço pão com sementes de abóbora ou uvas passas.

Caro exibe o primeiro pão que fez, em 2020 (foto Instagram): gosto pela panificação (fotos Instagram)

Detalhe do pão caseiro da Caro

QUE GOSTOSO! Talvez não agora, mas você pretende trabalhar profissionalmente com a culinária? Abrir um negócio, como um “Bistrot da Caro” ou uma delikatessen, para vender as receitas que você faz tão bem e que parecem ser todas muito deliciosas? Por quê?
Caro — Ha ha ha… Muito obrigada pelos cumprimentos, Schapo! Acho que para preservar minha paixão e o prazer que tenho em cozinhar, melhor não virar profissional! Cozinheiro é um “métier” muito difícil que necessita muito tempo, muita dedicação e disciplina. Meu grande prazer é receber os amigos que gostam da minha cozinha. Isso não tem preço! Dividir é um prazer enorme e quando dá certo e que a receita encanta as papilas… É como se você oferece uma parte de você. É um ato puro de generosidade e de amor.

QUE GOSTOSO! Brasileiros têm pensamentos, muitas vezes equivocados, em relação à comida francesa. Por exemplo: que é cara, que é sofisticada, que vinho francês é caro e que restaurante francês é caro, que a porção é pequena… Qual é a sua opinião sobre esses pré conceitos?
Caro — Hummm…. Acho que é complicado resumir a cozinha francesa. Ela é tão diversificada. Ela pode ser sofisticada e simples. Mas acredito que a sua riqueza vem em primeiro lugar dos produtos, diversos e com sabores incríveis.
A França é abençoada pela natureza com pastagens e terras férteis capazes de produzir uns dos melhores alimentos do mundo. Mas o que realmente faz a diferença é essa técnica desenvolvida através dos séculos pelas cozinheiras e pelos cozinheiros franceses e que o mundo inteiro reconhece como sendo a referência.

Na cozinha do hotel La Mirande, em Avignon, na França — fotos Instagram

Uma aula para preparar o famoso doce francês madeleine — fotos Instagram

QUE GOSTOSO! Para o brasileiro que, após a pandemia, viajar pela primeira vez à França (vamos imaginar Paris): dê cinco dicas gastronômicas para ele.
Caro — Um doce: um Paris-Brest. Um hábito: sentar num terraço de um café (Les Deux Magots) e pedir um espresso com croissant na manhã ou um kir (bebida aperitivo) antes do jantar. Um restaurante: Le Violon d´Ingres. Um bairro: Saint-Germain-des-Prés. Um museu: Musée des Arts Décoratifs.
Os dois lugares novos a visitar absolutamente na sua próxima viagem: a Bourse du Commerce e o Hôtel de la Marine.

Fachada de um dos cafés preferidos por Caro na capital francesa (foto site)

Pâté en croûte do restaurante Le Violon d´Ingres, em Paris (foto site)

O doce Paris-Brest, admirado por Caro (Dominyka Idzelyte/Pixabay)

QUE GOSTOSO! Jogo rápido: a) o que não pode faltar na sua cozinha (três produtos)?; b) páprika: doce ou picante? c) receita desafiadora salgada que ainda vai fazer? d) receita desafiadora doce que ainda vai fazer? e) azeite de oliva ou manteiga? f) queijos franceses: seus Top 5.
Caro — A) mostarda artesanal da Borgonha (cuidado, Dijon não vem necessariamente de Dijon!), ras-el-hanout (especiaria para fazer o cuscus marroquino), açúcar perolado (para fazer as chouquettes). B) Páprika doce e picante, os dois, mas tem que ser a verdadeiro páprika da Hungria! C) O pâté de pommes de terre com trufas do Périgord. D) Um sorvete de café. E) Os dois! F) Comté (da Franche-Comté), Saint-Nectaire (da Auvergne), Roquefort (da cidade homônima), Ossau-Iraty (do País Basco) e Sainte-Maure (de cabra, da Touraine).

Esse artigo foi reblogado da revista on-line Que gostoso do jornalista Claudio Schapochnik

 

Na Provence, um vinho rosé com sabor de férias e de prazer de viver

Os vinhedos da Montagne Sainte Victoire

Se fez sempre a unanimidade dos apaixonados da arte de viver, a Provence sempre foi um assunto muito polêmico quando se tratava de vinho. Talvez para aperrear a minha mãe – ardente mediterrânea -, o meu pai, quando perguntava para ele se queria um Rosé, gostava de responder “obrigado, preferiria um vinho”. E me explicava, durante as temporadas de verão que a gente passava em Tourettes sur Loup, que o charme do Rosé não era bem as suas uvas Grenache, Cinsault ou Syrah, seu sabor frutada ou seu frescor, mas a felicidade e as lembranças trazidas pela beleza das casas de pedras, a música das cigarras, os cheiros da “garrigue”, as partidas de bocha ou o balanço das oliveiras.

O Castelo de Miraval, do ex casal Brad Pitt e Angelina Jolie

Além de serem um pouco injustas, essas ideias devem hoje ser revistas à luz das novidades que foram acontecendo nos vinhedos e no enoturismo na Provence nesses últimos anos. Uma das mais famosas foi o investimento de Brad Pitt e Angelina Jolie que compraram em 2008 o castelo de Miraval, perto de Brignoles, e produziram o rosé considerado (pelas suas qualidades próprias ou dos seus donos) um dos melhores do mundo. Na mesma região, mas ainda com menos ambições enológicas, George Clooney está tentando adquirir o Canadel, um casarão do século XVIII cercado de uma propriedade de 170 hectares com alguns vinhedos também incluídos na apelação Côtes-de-Provence.

Os vinhedos da Chanel na ilha de Porquerolles

Antes mesmo do glamour desses pesos pesados de Hollywood, a notoriedade dos vinhos da Provence já tinha aproveitado os investimentos de grandes nomes do luxo e da excelência francesa. Procurando potencial vinícola, mas querendo também património cultural e turismo exclusivo, o grupo Bolloré explora duas propriedades perto de Saint Tropez, La Croix et La Bastide Blanche, LVMH comprou o Château du Galoupet, um dos “grands crus classés” da Provence, e o Château d’Esclans, um dos mais procurados rosés do mundo. A Chanel investiu na exclusivíssima ilha de Porquerolles com o Domaine de l’Ile e o Domaine Perzinsky.

O Miraval, segundo Rosé de Provence mais exportado para os Estados Unidos

Com esses apoios, os Rosés de Provence souberam aproveitar novas tendências no consumo do vinho, a alegria, a simplicidade, o prazer imediato, a a convivialidade. Na França o consumo triplicou desde os anos 90, e os Estados Unidos compram quase a metade das 40 milhões de garrafas exportadas anualmente. E no Brasil, se os volumes são pequenos, os rosés são proporcionalmente os vinhos franceses mais procurados. O sucesso internacional do Rosé de Provence é também visível localmente, nas 486 propriedades da região (89% produzindo Rosé) que aderiram ao enoturismo, diversificando suas vendas e suas atividades.

Norte americanos, ingleses ou brasileiros estão presentes nas vinícolas mais emblemáticas. São vistos no Domaine de la Courtade em Porquerolles, no restaurante estrelado do chef Gérard Passédat do Château La Coste,  onde fica também o chef argentino Francis Mallmann. Gostam das várias opções de hospedagens de luxo dedicado aos vinhos da Provence, incluindo as novidades como o Domaine de la Courtade , o Château de Fonscolombe, o Château Saint Roux ou o Palace das  Villas La Coste.  Guardando sua diferença, seu sabor de Mar Mediterrâneo, seu espírito de liberdade e seu prazer de viver, o Rosé de Provence está mesmo virando um vinho de conhecedor internacional.

Jean-Philippe Pérol

Visitar Marselha, a cidade rebelde

A França, ainda líder do turismo mundial?

A França mais uma vez líder do turismo mundial em 2017

Mesmo publicadas com um pouco de atraso, as estatísticas 2017 do turismo francês são importantes para analisar a evolução do primeiro destino mundial. Com 86,9 milhões de entradas, a França continuou na liderança em entradas de turistas, na frente da Espanha (81,8 milhões, em expansão de 8,6% no conturbado mundo mediterrâneo) que passou na frente dos Estados Unidos (73,0 milhões, pagando talvez com uma queda de 3,8%  a rigidez migratória do Trump). Com um crescimento de 5,1% foi não somente borrada a queda provocada pelos terríveis atentados de novembro 2015 e julho 2016, mas também ultrapassado o recorde anterior de 2015. Anunciando com muito orgulho esse resultado, o ministro das relações exteriores e do turismo confirmou que a França deveria atingir em 2020 a meta de 100 milhões de entradas e consolidar sua liderança.

Com alta de 47%, o turismo russo foi o que mais cresceu

Se esse bom resultado era esperado, os profissionais ficaram surpresos pelo desempenho dos mercados internacionais. Os esperados turistas asiáticos ainda não recuperaram os níveis de 2015, a China crescendo pouco (4,9%), a Índia ainda caindo (-5,6%), e somente o Japão tendo um crescimento forte (17,8%). Os americanos (5,6%) e mais ainda os brasileiros (17,9%) voltaram com toda força, mas foi da Europa que foram registrados os maiores fluxos com destaque para Rússia (43,4%), Espanha (17,3%), Bélgica (9,6%). Primeiro mercado europeu, o Reino Unido não pareceu sofrer do Brexit se consolidou na frente da Alemanha, chegando a 12,7 milhões de entradas e  6%  de crescimento, uns números decisivos para oferecer a França o seu novo recorde de 2017.

EEUU lideram disparados o ranking das receitas do turismo internacional

O ranking do turismo mundial é porem bem diferente quando as receitas internacionais são o primeiro critério de classificação. A liderança disparada pertence nesse caso aos Estados Unidos com 190 bilhões de Euros, seguindo da Espanha com 60,3 bilhões. Mesmo tendo revisado os seus números e “re-encontrado” 10 bilhões de euros de receitas suplementares, a França fica somente em terceiro lugar com 54 bilhões de euros, uma posição ainda ameaçada pela China e pela Tailândia que poderiam subir no pódio já em 2018. Com a OMT projetando há 20 anos a chegada de  130 milhões de turistas na China em 2020, com os Estados Unidos e a Espanha num trend de forte crescimento, é certo que o título de pais mais visitado do mundo trocará de titular, e  que ambas lideranças em receitas e em entradas de turistas internacionais serão então perdidas.

Nas Sources de Caudalie, liderança em bem estar e enogastronomia

Na hora da sustentabilidade e da valorização do impacto econômico e social do turismo, os profissionais estranham a insistência dos políticos em se vangloriar de resultados quantitativos discutíveis. A França já  se posiciona como um grande líder mundial do “melhor turismo” em vez do “mais turismo”, respondendo as expectativas tanto dos seus turistas que dos seus moradores. Numa concorrência mundializada, três fatores diferenciantes contribuem a uma nova liderança: a imagem de um acervo cultural mundialmente reconhecido, um bem viver autêntico e protegido, uma oferta temática completa, especialmente nos segmentos com mais valor agregado (luxo, gastronomia, bem estar, enologia, esqui, congressos ou grandes eventos.

Nos vilarejos da Provence, as mesas esperam turistas e moradores

Se o seu primeiro lugar em números de chegadas de turistas não vigorará alem dessa década, a França pode guardar sua liderança como destino de “melhor turismo” frente as novas tendências que estão se desenhando hoje. Pode continuar liderando pelo seu forte conteúdo cultural, seu patrimônio , seus museus, sua arquitetura, mas também pela alternativa que ele oferece ao modelo do concorrente norte americano. Pode liderar pela especificidade do seu arte de viver, o seu estilo de vida autentico compartilhado entre os viajantes internacionais, os turistas locais (mais de dois terços do turismo francês é domestico) e os moradores. Pode liderar pelas suas normas sempre rígidas, protegendo o consumidor em termos de sustentabilidade, de uso do espaço público, de alimentação ou de ética social.

O Mont Saint Michel, patrimônio e fé no monumento mais visitado fora de Paris

A França vai também guardar a sua liderança pela riqueza da sua oferta turística. Com uns 40 destinos internacionais, consegue oferecer uma excepcional diversidade que inclui produtos e serviços de excelência em quase todos os segmentos. A Pirámida do Louvre, o Palácio dos Festivais de Cannes, as pistas de Courchevel, o Mont Saint Michel, os bangalós  de Bora Bora, os Hospices de Beaune, os vinhedos de Bordeaux, o bar do Lutetia, o Versailles do Ducasse, as adegas de Reims, os “bouchons”de Lyon, a vida de Saint Tropez, o castelo de Chenonceaux, o porto de Honfleur, o Hotel du Palais em Biarritz, ou as simples ruas e praças de Paris, Saint Paul de Vence, Saint Emilion ou Cap Ferret, são esses lugares de excelência, mais que números discutíveis, que ajudarão a França a liderar o turismo mundial.

Jean-Philippe Pérol

O porto de Honfleur, seduzindo os turistas pela sua luz e sua História

Esse artigo foi inicialmente publicado no “Blog Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

Marselha, agora também destino de turismo de negócios

Photo : Flickr ©OTCM Objectif images

O Palacio do Pharo, maior centro de convenções de Marselha

Depois do sucesso em 2013 do ano europeu da cultura, depois de entrar em 2016 no Top 20 dos portos de cruzeiros, Marselha mostra agora as suas ambições de virar um grande destino de congressos, convenções e seminários. Em 2017 recebeu mais de 800 eventos – 21 deles com mais de 1000 participantes- , faturou USD 400 milhões, e entrou no ranking dos 80 destinos mundiais de “MICE”, sendo o terceiro destino francês de eventos atrás de Paris e Lyon, e competindo com Bordeaux, Nice e Montpellier. Um bom posicionamento nos congressos medicais explicou esse crescimento, mas Marselha está também aproveitando uma nova especialização: os encontros, incentivos e seminários sobre o setor do numérico.

O Mucem, simbolo da nova Marselha

O sucesso de Marselha no “turismo de negócios” se deve em primeiro lugar as mudanças radicais na sua imagem desde sua nomeação como Capital europeia da Cultura em 2013. Foi a oportunidade de mostrar uma programação excepcional, e de inaugurar um Museu original. Localizado perto do velho porto, o MUCEM – Museu das Culturas do Mar Mediterrâneo – é não somente uma obra imponente do arquiteto franco-argelino Rudy Ricciotti, mas um grande acervo, em parte herdado do antigo Museu das Artes e Tradições Populares de Paris, que ajuda o visitante a descobrir as civilizações mediterrâneas e suas influencias sobre a cultura da Europa. O sucesso da “Galeria do Mediterrâneo” e das exposições já colocou o MUCEM na lista dos 50 museus mais visitados do mundo.

Frente ao sitio arqueológico, o World trade center

2018 deve ser para Marselha um ano excelente para os eventos de negócios. Mais de 80 congressos já foram confirmados, tanto no tradicional Centro de Convenções do palácio do Pharo que no renovado World Travel Center onde já tem importantes eventos reservados para 2019 e 2020. Os grandes eventos previstos na França em 2023 (Copa do Mundo de Rugby) e 2024 (Jogos Olímpicos) devem também ser um atrativo para muitas viagens de incentivo. Para melhorar ainda mais seu posicionamento internacional, Marselha continua a investir, tentando multiplicar as opções de shopping no centro da cidade, negociando novas ligações aéreas internacionais para os Estados Unidos, a Rússia ou os países do Golfo, abrindo salas de reuniões no topo da nova torre Jean Nouvelle, as 135 metros de altura.

Frente ao porto, as torres empresariais

A estratégia de Marselha gerou um crescimento de 50% dos viajantes de negócios internacionais. Com o dinamismo trazido pelo novo terminal de cruzeiros, lembrando com força que ela é a capital da Provence, a cidade quer se firmar no pódio das grandes cidades turísticas francesas. No Brasil, onde era conhecido pelo seu time de futebol, o Olympique, que foi o primeiro clube francês a contratar um jogador de futebol brasileiro – foi, nos anos setenta, o Paulo César “Caju”-, Marselha cresceu muito nos últimos anos como destino de turistas brasileiros, e as oportunidades para congressos, incentivos e seminários pode ajudar a consolidar sua posição.

Marselha receberá o iatismo e o futebol para os J.O. 2024

Esse artigo foi inspirado de um artigo original da revista profissional on-line francesa Tourmag

 

Destinos turísticos e gastronomias regionais, os sucessos interligados

 

Degustação de ostras no Etang de Thau

Degustação de ostras no Etang de Thau

A gastronomia e as bebidas locais enriquecem o patrimônio turístico e são sempre parte das campanhas promocionais, como sendo experiências-chave para aproveitar um destino. Uma boa chucrute vai ser um grande momento de uma viagem para Estrasburgo, um Grand Cru degustado no Bar da Praça de Saint-Emilion justificará uma viagem para Bordeaux, um copo de Chablis com uma “gougère” será um parada obrigatória na Borgonha, uma cavaquinha grelhada frente ao porto de Saint-Tropez ficará como a sua melhor imagem da Côte d’Azur, bem como um prato de ostras na beira do Etang de Thau agregará a noite inesquecível que vai lhe fazer lembrar para sempre sua viagem para Montpellier.

Paul Bocuse em Lyon, capitale francesa da gastronomia

Paul Bocuse em Lyon, capital francesa da gastronomia

Para 67% dos viajantes, a gastronomia é um critério importante para selecionar o seu destino, sendo sempre entre os dez mais citados. E para os brasileiros, a culinária francesa é a quinta razão mais lembrada para justificar uma viagem para França, 59% deles colocando experiência gastronômicas nos seus roteiros. Os sucessos  recentes de Lyon ou de Bordeaux junto aos turistas vindo do Brasil se devem sem dúvidas em grande parte para a primeira ao prestígio do Paul Bocuse, das suas grandes mesas estreladas (ou dos seus pequenos “bouchons”), e para a segunda a justificada fama dos vinhos de Pomerol, de Côtes de Bourg, de Pessac Leognan ou de Margaux.

O Rosé , seduzindo por ser o espirito da Provence

O Rosé, seduzindo por ser o espírito da Provence

Se é então indiscutível que a culinária reforça a atratividade dos destinos, não se deve subestimar o quanto a imagem de um destino pode ajudar na divulgação dos produtos regionais. O exemplo mais famoso é talvez o Rosé de Provence. Produzido há mais de dois milênios, esse Rosé é hoje um sucesso mundial, 141 milhões de garrafas, 16 milhões das quais são exportadas (1,7% no Brasil). Esse sucesso se deve talvez à qualidade das suas uvas, ao charme das suas cores, ou a originalidade dos seus aromas. Mas, quem gosta desse vinho gosta antes de tudo da Provence. Beber esse Rosé com alguns amigos em dia de sol é beber a Provence, beber as oliveiras, os campos de lavanda, beber os jogadores do “bocha” na praça do vilarejo ou o canto das cigarras. A força da imagem da região deu ao seu vinho um prestígio que o transformou.

A Volvic no Japão, ligando sua imagem com os vulcões da Auvergne

A Volvic no Japão, ligando sua imagem à dos vulcões da Auvergne

Muitos pratos ou produtos das gastronomias tradicionais devem sua popularidade à atratividade das imagens dos seus países ou das suas regiões de origem, consolidadas através do turismo, de lembranças de férias ou de festas inesquecíveis. Na França, é assim que a Córsega exporta os seus embutidos, a Britânia sua cidra, a Auvergne suas águas minerais, o Pais Basco o seu queijo de ovelha, ou os Alpes sua “fondue” ou seu Genepi. Exemplos que mostram que se a gastronomia é um grande atrativo dos destinos, o sucesso turístico pode também ser um grande atrativo para a divulgação de gastronomia de um território.

O Pâté de pommes de terre da Auvergne revisitado pelo chef Laurent Suaudeau

O Pâté de pommes de terre da Auvergne revisitado pelo chef Laurent Suaudeau

A influência dos destinos sobre a valorização das suas respectivas culinárias é ainda mais forte quando se trata de viajantes ou de consumidores com raízes familiares. E, devo confessar que a minha paixão pelo “Pâté de pommes de terre”, que eu já dividi com amigos em Nova Iorque, Quito, Manaus ou São Paulo, se deve muito mais ao meu amor e ao meu orgulho das minhas origens na Auvergne que pela qualidade gastronômica dessa torta de batatas coberta de creme de leite. Mais um destino que soube ajudar a popularizar a sua culinária!

Jean-Philippe Pérol

Chablis com "Gougère", o pão de queijo a francesa

Chablis com “Gougère”, o pão de queijo à francesa

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue”do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

Clientes e hotéis são mesmo prontos a ser eco-responsáveis?

Ferme du Petit Segrie

A Ferme do Petit Segrie, hotel Ecoleader na Provence

Reciclagem, economia de energia, procura de produtos locais,ou apoio a agricultura biológica  são hoje atitudes cada vez mais populares, e os viajantes também afirmam preferir os hotéis eco-responsáveis. Varias pesquisas publicadas recentemente pela Accor, pela Universidade da Florida e pela Booking.com mostraram porem que esse critério não é o mais decisivo nas escolhas, a falta de informação e os custos  impedindo os desejos aparentes dos consumidores de coincidir com as verdadeiras decisões dos clientes.

Planet 21, o programa de desenvolvimento sustentável da Accor

Planet 21, o programa de desenvolvimento sustentável da Accor

A pesquisa da Accor mostra que dois terços dos clientes pensam que a preservação do meio ambiente é necessário para preservar as gerações futuras, e muitas praticas eco-responsaveis são recomendadas, sendo as mulheres e os menos de 30 anos os mais favoráveis  : 80% praticam o lixo seletivo, 81% compram eletrodomésticos eco-energéticos, 75% prefiram os produtos fabricados localmente, 33% comem alimentos biológicos. A maioria deles são também prontos a continuar com essa eco-atitude quando estão hospedados no hotéis: 64% declaram aceitar de receber a fatura somente por email, 61% de jogar o lixo de forma seletiva, 32% de reduzir o serviço de limpeza nos quartos, 31% de receber porções menores nos restaurantes, e 30% de deixar o troco em moeda local para uma associação.

Hotel Roas dos Ventos, premiados com o selo sustentabilidade da Trip Advisor

Hotel Rosa dos Ventos, Ecolider Platinum da Trip Advisor

Mas no mesmo tempo, somente 13% dos viajantes consideram que o compromisso do hotel com a sustentabilidade é um critério de escolha na hora da reserva, 57% não aceitariam um hotel mais eco-responsável mas numa outra localização e 59% não querem abrir mão do conforto para ajudar o meio ambiente. Essa mesma conclusão apareceu também numa pesquisa da Universidade da Florida: a eco-atitude só é aceita se  não prejudica o conforto, seja a climatização, os banheiros ou os serviços. E dois terços dos entrevistados afirmam que eles aceitaria de pagar um pouco mais caro para guardar o mesmo nível de conforto num hotel comprometido com um programa concreto de sustentabilidade.

Ariana Lodge in Turkey, Sustentabilidade na Booking.com

Ariana Lodge in Turkey, Sustentabilidade na Booking.com

Uma terceira pesquisa da Booking.com destaca que 68% dos viajantes seriam prontos a escolher um hotel eco-responsável se a informação fosse claramente fornecida antes da reserva (dois terços declaram não ter sido informados, 39% ignoravam a existência desse tipo de oferta), e se tivesse uma forma de comprovar a realidade das medidas anunciadas pelos hotéis (13% duvidam das promessas feitas). Os motivos de desconfiança são que esses hotéis seriam mais caros (22%) , ou que o serviço seria menos atencioso (10%).

Hotel La Rochette, na Alsacia, um hotel eco-responsável

Hotel La Rochette, um hotel eco-responsável na Alsacia

As três pesquisas mostram claramente que os viajantes estão convencidos da necessidade de respeitar um turismo sustentável. Um numero crescente de estabelecimentos estão reduzindo as suas pegadas ecológicas, preocupados em ser eco-responsáveis, mas esses esforços não são sempre conhecidos dos consumidores. A ausência de normas ou de selos de qualidade internacionais dificulta ainda a divulgação e a credibilidade dos esforços importantes que cada vez mais hotéis estão fazendo, mas é certo que as eco-atitudes serão um critério cada vez mais importante nas escolhas dos viajantes.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo de Claudine Barry na revista on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat

Parabéns, Rio de Janeiro!

Os fogos da Ceremônia de abertura

Os fogos da cerimônia de abertura

Desagradando os (numerosos) pessimistas, os Jogos Olímpicos 2016 começaram impressionando o mundo. Se certos problemas organizacionais – apartamentos inacabados ou poluição das aguas- e falhas de comunicação – os cangurus dos australianos- ainda foram destaques de algumas mídias, a imprensa internacional é unânime a destacar um sucesso de organização e  de criatividade. E se o balanço geral do imenso investimento que o Brasil escolheu de fazer ainda demorará para ser feito, dois pontos positivos já parecem ganhos.

O New York Times destacando os pontos turísticos do Rio

O New York Times destacando os pontos turísticos do Rio

O primeiro é a impressionante renovação do Rio de Janeiro, simbolizada pela ousadia e a beleza do Museu do Amanhã. Alem da fascinante obra do Calatrava, os visitantes estão redescobrindo a beleza da Praça XV e de todo o centro da cidade, anotando que Copacabana levanta a saudade do seu passado glorioso, vendo que a Tijuca é a maior floresta urbana do mundo. Turistas e moradores aproveitam as novas infraestruturas e as vias de transportes alternativas. Com o acesso facilitado pelo BRT, novos hotéis e com uma verdadeira explosão imobiliária, a Barra da Tijuca é de repente vista como a oportunidade para o Rio se transformar num Miami da América do Sul. E os investimentos feitos em treinamento de pessoal ou ensino de idiomas estrangeiros contribuirão também a melhorar os serviços oferecidos  na cidade maravilhosa.

Artistas de Parintins dando um show na ceremonia de abertura

Artistas de Parintins dando um show na cerimonia de abertura

A festa de abertura é o segundo grande sucesso do Brasil nesses primeiros momentos dos Jogos. A criatividade , a profundidade, a alegria e a perfeita realização não deveria ter surpreendido ninguém num pais capaz de organizar o Carnaval do Rio ou o Festival de Parintins. A equipe criativa formada pelos cineastas Fernando Meirelles e Andrucha Waddington, a diretora e cenógrafa Daniela Thomas e a coreógrafa Deborah Colker  conseguiu imaginar e montar um evento com conteúdo e emoção. Com um orçamento muito controlado, foram não somente mandadas duas mensagens para o mundo – a importância da ecologia e da preservação do meio ambiente solenizada na COP 21, a força e o exemplo da tão peculiar miscigenação brasileira – mas onde a alegria da musica, da dança e dos visuais também  não faltaram em nenhum instante. A força dessas imagens será agora sem duvidas um dos grandes acervos do Rio de Janeiro, “lembrado por muitas gerações”, segundo o enviado especial do diário americano USA Today.

O espaço turismo do Club France

O espaço turismo do Club France no Rio 2016

No Club France, um espaço de lazer, de convivialidade e de imersão na cultura francesa, aberto ao publico pelo Comité Olímpico Francês, e inaugurado pelo Presidente da Republica que queria marcar seu apoio a candidatura de Paris para os Jogos de 2024, o turismo francês também quis marcar presencia. Um amplo estande de informação apresenta aos visitantes as novidades dos parceiros presentes – os hotéis Accor  bem como Nice, a Provence, os Alpes, a Borgonha ou Toulouse. Uma exposição de foto da fotógrafa Maia Flor mostra também vários monumentos através de um olhar artístico carregado de emoção. A excelente reatividade dos cariocas deixa a pensar que a França, e seus grandes destinos turísticos vão também tirar um excelente proveito do sucesso desses Jogos Olímpicos – talvez até 2024 !

Jean-Philippe Pérol

O Le Monde fascinado pelas praias de Troncoso

O Le Monde fascinado pelas praias de Troncoso

Paris e o deserto francês? Os turistas brasileiros jà estão saindo dessa!

O CENTRO POMPIDOU VISTO DE NOTRE DAME DE PARIS

Paris e o deserto francês, o famoso livro do geógrafo francês Jean-Francois Gravier no qual ele opôs a hegemonia e o dinamismo parisiense ao abandono do interior da França, está  muito ultrapassado. Desde 1947 o cenário dos territórios mudou, e cidades como Lyon, Nice, Marselha, Bordeaux, Nantes ou Lille, viraram grandes capitais regionais atraindo investimentos, fluxos de populações e grandes eventos. Uma nova lei, votada no ano passado, redesenhou uma Franca de  treze regiões metropolitanas e quatro de ultramar, cada uma com sua capital atraente, seu peso econômico e suas riquezas turísticas.

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Os turistas internacionais que visitam a Franca também já se espalham pelo pais inteiro. Paris e sua região Ile de France receberam em 2014 30% das receitas do turismo francês e 70% foram gastos nas outras regiões. Os dois vice lideres são a região Rhône Alpes, – com seus dois grandes atrativos: a cidade de Lyon e as principais estações de esqui -, e a região da Provence – com Marselha, a Cote d’Azur, Avignon, e seus vilarejos cercados de oliveiras ou de campos de alfazema. Nos outros favoritos dos viajantes estrangeiros destacam se a Aquitânia (com Biarritz, Bordeaux e seus vinhedos), a Britânia, o Languedoc (com Montpellier e Carcassonne), e o Midi Pyrénées de Lourdes e Toulouse.

SALÃO RVEF PARIS 2015 No salão de turismo “Rendez vous en France”, que a Atout France organizou a semana passada em Paris com o apoio da Air France, mais de 600 dos 750 expositores mostraram para cerca de 1000 visitantes vindo do mundo inteiro – incluindo 40 brasileiros, a terceira mais importante delegação – a força do turismo nas regiões francesas.

Grandes conhecedores de Paris que continua sendo o seu primeiro destino na Europa, os brasileiros ainda são poucos a passear pelo interior da França. A não ser por excursões rápidas nos castelos do Loire ou na Normandia, ainda menos de 20%, principalmente os mais experientes, saiam da capital. Os expositores do “Rendez vous en France” deixaram então bem claro a vontade de muitos destinos franceses de receberem mais turistas vindo do Brasil. São grandes cidades como Bordeaux, Marselha, Toulouse ou Lyon, que podem se posicionar como destinos de viagens competindo com qualquer outra grande capital europeia. JOANA D ARC EM ROUENSão cidades menores que podem ser incluindo em roteiros de carro ou de trem, como Deauville, Lourdes, Rouen, o Mont Saint Michel ou Saint Tropez. São estações de esqui que querem voltar a ver casais ou famílias aproveitando o inverno francês em Val Thorens, Megéve ou Courchevel. Enfim são regiões inteiras, como Rhône Alpes, a Champagne, o Val de Loire, a Aquitânia, a Provence ou Midi-Pyrénées, que jà mostraram para 2015 novos produtos e serviços focados nos turistas brasileiros.

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Girando pela Franca (uma ideia que foi na época copiada do saudoso Salão da ABAV no Brasil), o “Rendez vous en France” vai no ano que vem parar em Montpellier. A região Languedoc, vencedora da licitação feita pela Atout France, aproveitará sem duvidas esse evento para lembrar seu acervo cultural – e a imperdível Carcassonne -, seus vinhos alegres, ou as noites descontraídas e animadas da sua capital. Um destino a mais na novas rotas dos turistas brasileiros no interior da França.

Jean-Philippe Pérol

LIDO PARIS MERVEILLES