Agentes de viagens esperam recuperação mais lenta

 

Os agentes de viagens estão se mostrando mais pessimistas

A quinta rodada da pesquisa TERMÔMETRO DO TURISMO, uma parceria entre o MERCADO & EVENTOS e a CAP AMAZON, mostra que há uma incerteza muito grande por parte dos agentes de viagens em relação a recuperação do setor. Entre os respondentes, 32% acreditam que a retomada das viagens ocorrerá apenas no segundo semestre de 2021; 27% apostam no segundo trimestre e 26% acredita que isso ocorrerá apenas em 2022. Para 9% a retomada teve início em 2020 e os outros 6% disseram que a retomada ocorre neste primeiro trimestre. Os dados foram colhidos em fevereiro e os resultados englobam um universo de mais de 300 agências de todo o Brasil. Do total de empresas que responderam, 85% têm menos de dez funcionários; outros 9% têm de dez a 50 e os outros 6% contam com mais de 50 colaboradores. 76% são especializados em lazer, 12% corporativo e 12 em outros nichos específicos.

Gráfico 1

“Na última pesquisa, que foi feita entre novembro e dezembro, o mercado estava começando a esquentar e os agentes já estavam caminhando com clientes voltando a viajar. Desta vez, sentimos que a conjuntura é muito diferente, com esta nova onda da Covid-19 muitos países se fecharam e as restrições são enormes. Agora não é só não poder sair, também não tem muito onde ir. É um pessimismo que vai muito além do Turismo e atinge todos os setores”, destacou Jean-Phillipe Pérol, diretor da Cap Amazon. Para o diretor de Redação do M&E, Anderson Masetto, a situação é parecida com o início da pandemia, quando as principais notícias eram as de fechamento de fronteiras, hotéis e atrativos. “Estamos vendo notícias iguais no início da pandemia. Tudo isso começou com o surgimento das novas variantes, primeiro a do Reino Unido e depois a do Brasil. As fronteiras começara ser fechadas e temos hoje poucos países que aceitam receber pessoas que estiveram no Brasil. O fato é que as pessoas estão cansadas, mas enquanto a situação não estiver minimamente controladas, as viagens estarão cada vez mais restritas, infelizmente. Mas por outro lado, a campanha de vacinação já começou e vemos uma porta de saída”, afirmou.

Gráfico 4

O pessimismo se reflete também na previsão de faturamento. Embora o maior percentual (36%) acredite que será um pouco maior do que no ano passado, é necessário lembrar que a comparação é com 2020, quando as vendas despencaram. Outros 26% vêem um faturamento muito abaixo e 15% um pouco abaixo. Para 14% será igual e 6% um pouco acima. Faturamento menor também leva as agências a buscarem uma redução de custos. Gráfico 5O número de empresas operando em home office aumentou em relação a última pesquisa de 68% para 72%. 25% estão operando normalmente, enquanto 3% estão fechadas. “Mesmo antes da pandemia, esta era uma tendência observada em outros países e que a gente já esperava que fosse acontecer aqui. A pandemia acelerou esta tendência”, ressaltou Masetto. “Também acredito que a crise está acelerando fenômenos que já estavam a caminho. O crescimento dos chamados home agents é um fenômeno importante nos Estados Unidos e aqui é uma adaptação a evolução do mercado, não apenas por conta da pandemia”, complementou Pérol.

Gráfico 3

A pesquisa abordou ainda as tendências. Os agentes foram perguntados para quais destinos acreditam que a recuperação será mais rápida. O campeão, novamente, foi o Nordeste, com 65% das respostas, seguido do Sul com 16%, Sudeste com 14%, Centro Oeste com 3% e Norte com 2%.

Os destinos caribenhos – incluindo o México- seguem líderes das preferências

No caso do internacional, Caribe, incluindo o México, está na frente com 30%. Em seguida vem América do Sul, com 24%; Europa, com 23%; Europa, com 23%; e América do Norte em forte alta com 13%. Os demais destinos somaram 10%. O primeiro segmento a retomar, para as agências pesquisadas são o lazer com 44%, visita a familiares e amigos com 34%, corporativo com 15%, cruzeiros com 4%, e feiras e MICE, com 2%.

Novas tendências vão impactar a retomada

Na opinião das agências consultadas, a retomada é mais uma vez foi recuada, em média, para o segundo semestre deste ano, um pessimismo marcante em relação a pesquisa anterior. Por outro lado, ainda impactada pelo fechamento de fronteiras, a procura de destinos favorece o doméstico. “O pessimismo é também ligado ao fato que as os setores mais “agenciados” (corporativo, cruzeiros e internacional) não estão dando sinais significativos de saída da crise. Além disso, a retomada do doméstico é mais difícil de ser captada pelos agentes”, finalizou Pérol.

Veja aqui a apresentação completa dos resultados:

Uma retomada começando pelo turismo domestico, apenas em 2021 e fugindo do overturismo?

 
Pesquisa foi feira em parceria pelo M&E e pela Cap Amazon

Mais uma rodada da pesquisa TERMÔMETRO DO TURISMO, realizada em parceria pelo Mercado & Eventos e pela Cap Amazon, foi divulgada nesta quarta-feira (30). Os resultados mostram que s agentes de viagens estão mais pessimistas em relação a retomada do que nos levantamentos anteriores. Para 45% dos profissionais que responderam o questionário, a volta das viagens e das vendas ocorrerá no primeiro semestre de 2021, 19% apostam no segundo semestre do ano que vem, enquanto outros 19% apontam o mês de dezembro. Foram ouvidos cerca de 300 profissionais de todo o Brasil, com ênfase em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Brasília, Porto Alegre, Manaus e Belém. Das agências pesquisadas, 74% são especializadas em lazer, 9% em corporativo e 17% especializada em nichos específicos. A grande maioria (90%) tem menos de dez funcionários, 8% de dez a 50% e 2% mais de 50. As respostas foram colhidas entre os dias 10 a 30 de setembro. “Lá no começo da pandemia, todos achavam que era uma crise forte, mas que iria passar em um tempo menos. Agora, os agentes de viagens estão percebendo que as perspectivas são muito imprevisíveis”, disse Jean Phillipe Pérol, diretor da Cap Amazon. “Os agentes estão bastante pessimistas se compararmos com a primeira pesquisa, realizada em maio”, completou o executivo, lembrando que na época a maioria apontou que a retomada teria início no mês de setembro.

Anderson Masetto, editor chefe do Mercado & Eventos, acredita que os resultados atuais apontam mais para uma realidade mais clara do que um aumento do pessimismo. “Em maio, tínhamos o exemplo de países que já tinham saído da crise. Na China, onde tudo começou, por exemplo, ela demorou um tempo menor. Agora, as vendas já estão acontecendo e, por isso, o agente de viagens consegue ter uma perspectiva melhor sobre o que deve acontecer nos próximos meses”, explicou. Outra hipótese levantada por Pérol é o fato da retomada já ter começado e estar sendo encaminhada pelos destinos domésticos, uma vez que – antes da pandemia – muitas destas vendas acabavam não passando pelas mãos dos agentes de viagens. “A diferença de percepção da retomada em maio e agora pode vir deste fato”, disse. A oferta de produtos é outro fator que também pode justificar este pessimismo maior do agente de viagens. Segundo Pérol, os voos, por exemplo estão acontecendo, mas em um volume muito menor do que em 2019.

Nas pesquisas anteriores, os agentes de viagens apontaram as viagens pelo Brasil como o principal carro-chefe da retomada. Por isso, nesta terceira rodada foi incluída uma pergunta sobre quais regiões do País teriam uma volta mais rápida do fluxo de turistas. Como esperado o Nordeste ficou na liderança, com 37%, seguido do Sudeste, com 30%, Sul com 22% e Norte com 8%. O Centro Oeste ficou com 2%. “O doméstico é, de longe, o que está mais adiantado em termos de retomada. Aparentemente, o Nordeste é aquele que está aproveitando isso melhor”, destacou Pérol. “Nenhuma surpresa em ver o Nordeste na frente, mas é importante destacar o Sudeste em segundo lugar com 30%. A região é o maior pólo emissor do País e isso reflete a tendência de viagens a lugares próximos neste início de retomada, como o paulista viajando pelo próprio estado, por exemplo”, complementou Masetto. Para Pérol, existem dois fatores que podem ser explicados neste resultado. O primeiro é a viagem para a visita de familiares e amigos, colocada como uma das primeiras modalidades a retornar. O outro, que é um fenômeno mundial, são as viagens de carro para destinos a até 250 quilômetros de distância. “Isso aumentou muito e substitui, em muitos casos, a viagem de avião. Acredito que há muito mais paulistas que viajam para as praias próximas e interior hoje e o mesmo ocorre em outros estados. As pessoas estão indo conhecer pontos turísticos mais próximos”, contou. “Acredito que esta tendência irá continuar no pós-pandemia”, completou.

No caso das viagens internacionais, Portugal “roubou” a primeira colocação da América do Sul nesta terceira rodada. 21% dos agentes de viagens acredita que este será o destino a se recuperar mais rápido. Os destinos sulamericanos vêm em seguida com 19%, seguidos de América do Norte (18%) e Caribe (18%). 14% escolheram outro destino da Europa e 4% outros. Embora isso seja também reflexo da desaceleração da pandemia na Europa, o editor chefe do M&E acredita que estes resultados têm relação também com a oferta de voos. “Embora o desenrolar da pandemia pese, temos visto que as pessoas tem tido confiança nos protocolos e vão viajar. E, em paralelo a isso, os voos estão voltando, com companhias da Europa voltando a operar no Brasil e muitas que não voltaram ainda, já marcaram data. Portanto, é também uma questão de mobilidade. Antes não era possível chegar porque não tinha voos. Agora os voos estão aumentado gradativamente”, afirmou. Para Pérol outro ponto que contribui é que boa parte dos países da América do Sul permanece com as fronteiras fechadas. “Com a falta de previsão de abrir, a América do Sul caiu muito. Outro fator é que a Europa se tornou mais atraente do que os Estados Unidos por vários motivos, um deles é que a imagem do País caiu muito e a pandemia não está controlada, além do fato das fronteiras estarem fechadas”, explicou. “Outro fator é que há um número muito grande de brasileiros com passaporte europeu. Então, eles podem viajar com mais facilidade na Europa”, adicionou.

O primeiro segmento a viajar, para os agentes que participaram da pesquisa, é o lazer, com 41%, seguido da visita a família e amigos, com 35% e do corporativo com 16%. Os cruzeiros são apontados por 5%, feiras e MICE por 2% e 1% outros. O destaque é a queda do corporativo que registrou 30% em maio, 23% em julho e agora caiu ainda mais. “No início da crise os especialistas já diziam isso, mas na nossa pesquisa os agentes de viagens se mostraram mais otimistas. Agora, sentimos uma preocupação muito grande, porque pode ser um fenômeno que vai durar, uma vez que muitas empresas perceberam que podem substituir parte das viagens por reuniões virtuais”, reiterou Pérol. “Este foi o segmento mais atingido e deve passar por algumas mudanças mesmo no pós-pandemia”, completou.

Em relação a motivação e os temas das viagens, não há uma mudança significativa em relação as pesquisas anteriores. Entre as temáticas mais procuradas, os agentes de viagens apontam o Bem Estar (27%) como o preferido. Em seguida vem o Ecoturismo empatado com Negócios, ambos com 13%. Depois Cultura com 12% e Gastronomia com 9% são os mais citados. “O bem estar veio para ficar. Será uma condição básica para qualquer viagem. Esta é uma tendência muito forte que envolve spas e tudo que é ligado a saúde”, destacou Pérol.

Entre as novas tendências, 35% dos agentes de viagens acreditam que os destinos menos procurados terão a preferência no período pós-covid. Ao mesmo tempo, 34% cita a preocupação com a saúde e 20% a segurança. “Há uma evolução em relação ao overturismo. Isso já era tendência, mas hoje se tornou essencial. Acredito que esta é uma grande oportunidade para receptivos, pois isso vai aumentar o interesse para cidades menores e menos frequentados”, ressaltou Pérol.

O noticiário mostra o início de uma segunda onda da pandemia em diversos países da Europa. Os responsáveis pela pesquisa foram, então, questionados se isso pode se refletir nesta retomada e nos resultados do próximo TERMÔMETRO DO TURISMO. Para Masetto, a resposta é não. Para ele, há uma confiança muito grande nos protocolos e estão voltando às atividades que faziam antes, inclusive viajar. “Já foi muito noticiado o quanto é seguro estar dentro de um avião e também sobre a capacidade de proteção das máscaras. A não ser que as fronteiras sejam fechadas, as pessoas não irão mais adiar os seus planos”, ressalta. Pérol também é enfático. Para ele, “a retomada é irreversível”. Para ele, é claro que as pessoas irão escolher os destinos em função da situação sanitária dos países. “Estamos vendo na Europa que há uma resistência muito grande em fechar restaurantes e comércio para enfrentar esta segunda onda”, lembrou.

Veja como foi a apresentação dos resultados:

 

 

O otimismo adiado dos agentes de viagens

pesquisa

O otimismo diminui em relação aos meses de abril e maio. No entanto, as perspectivas de futuro mostram-se mais robustas. Esta é uma das conclusões da segunda edição da pesquisa realizada pela Cap Amazon e M&E com agentes de viagens do Brasil inteiro sobre a retomada do setor no pós-pandemia. Responderam as questões cerca de 400 profissionais, sendo que 84% são de agências com menos de dez funcionários, 10% de dez a 50 e os outros 6% com mais de 50 colaboradores. A mostra também revela que 77% trabalham com lazer e 13% corporativo. Os estados com mais respondentes foram São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre.

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Na pesquisa anterior, realizada entre os dias 27 de abril e 11 de maio mostrava que a maioria dos agentes de viagens apostava em uma retomada das viagens no mês de setembro. Desta vez, no entanto, o cenário mudou um pouco. O levantamento aconteceu entre os dias 1 e 13 de julho e apontou que 35% dos profissionais esperam a volta das viagens apenas em janeiro de 2021. Em segundo lugar veio o mês de setembro, apontado por 33% dos agentes, seguido de dezembro, com 22%. E 43% ja projetam a retomada em 2021.

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Em relação aos seus negócios nos próximos três meses, os agentes de viagens acreditam em uma queda acentuada em relação a 2019. Entre os pesquisados, 79% afirma que a queda o faturamento será muito abaixo em relação ao ano passado. Outros 18% preveem um resultado um pouco abaixo e, por fim, 2% espera que seja igual, enquanto apenas 1% projeta crescimento.

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DOMÉSTICO E LAZER PRIMEIRO

O número de agentes que aposta em destinos internacionais, especialmente na América Latina aumentou. No entanto, a maioria das respostas segue colocando o doméstico como o primeiro destino da retomada. No total, 62% das respostas coloca que o nacional terá uma recuperação mais rápida. Em seguida veio a América Latina e o Caribe, com 21%. depois a Europa com 8% e América do Norte ainda distante – talvez pelo impacto das noticias da pandemia-  com 6% .

4Ao mesmo tempo viagens de lazer e visitas a amigos e parentes serão as principais motivações de viagens, cada uma delas com 35%. O corporativo vem agora em terceiro com somente 22%. Feiras e Mice com 4% e cruzeiros com 2% fecham a lista. “A retomada é vista como mais lenta, agora de setembro até março, e as viagens de negócios parecem ter mais dificuldades a se recuperar que o lazer, umas dificuldades que podem perdurar no longo prazo com o aumento das reuniões virtuais”, afirma Jean Philippe Pérol, diretor da Cap Amazon.

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NOVO CONSUMIDOR

O consumidor será diferente, mas as mudanças serão, em grande parte, prorrogações de tendências já existentes como bem estar, segurança, sustentabilidade e fuga do overturismo. Entre as temáticas mais procuradas, os agentes de viagens apontam o Bem Estar (25%) como o preferido. Em seguida vem o Ecoturismo empatado com Negócios, ambos com 14%. Depois Cultura com 13% e Gastronomia com 8% são os mais citados.

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Novas tendências devem aparecer. A principal delas, citada por 28% dos pesquisados é a preocupação com a saúde. A procura por destinos nacionais é uma tendência colocada por 24%, seguida da segurança, respondida por 19%. A fuga de aglomerações e de destinos com o chamado overturism será uma tendência também na opinião de 17% dos agentes. “As preocupações com saúde e segurança estão impactando as escolhas de destinos, favorecendo o domestico, a America Latina e a Europa, enquanto parece frear a procura de America do Norte e de destinos exóticos, alem dos cruzeiros”, conclui Pérol.

Veja abaixo a apresentação completa e os comentários sobre os resultados:

 

Começando a retomada, qual visão dos profissionais do turismo?

Os profissionais divergem sobre a retomada das viagens dos brasileiros. Qual é sua visão?

A primeira pesquisa de Mercado & Eventos e da Cap Amazon  sobre a sua visão do mercado brasileiro pós pandemia teve uma grande repercussão tanto na imprensa, nas mídias sociais e no próprio trade. De fato, os resultados mostraram a pertinência da visão de quem está na primeira linha da promoção e da venda das viagens, com informações importantes tanto sobre o novo calendário da retomada como sobre o impacto da crise e as novas tendências a curto e longo prazo.

Três meses depois, muita coisa já mudou e toda indústria de viagens está confrontado a esta nova realidade. Julgamos, então, importantíssimo ter outra vez a opinião dos profissionais da “linha de frente” sobre os novos comportamento dos viajantes e as perspectivas do próprio agente de viagens.

Desde já agradecemos a sua colaboração para este projeto com o preenchimento dessa pesquisa cujos resultados estabelecerão um verdadeiro termômetro do mercado brasileiro do ponto de vista dos próprios agentes.

Obrigado, e um grande abraço virtual a todos

Mercado & Eventos e Cap Amazon

Depois da crise, o agente de viagens , o preço e o sonho

No inicio da Jet Tours em 1973, Roger Pinson avisava: Vendemos sonhos!

 Se ainda é cedo para medir todas as consequências do Covid 19 sobre o turismo global, é certo que a crise sanitária virou um extraordinário catalizador. Overturismo, turismo de massa, turismo transformador, sustentabilidade, pegada carbone e intercambio com os moradores já eram  mudanças já exigidas pelos viajantes, mas a urgência foi acelerada durante o confinamento. Para responder a esses novos clientes, e frente as transformações que seus parceiros aéreos, marítimos ou hoteleiros estão sofrendo, operadoras e agencias de viagens vão ter que reimaginar um novo modelo que responde as novas aspirações dos clientes, mas que defina também claramente o valor agregado – e o futuro- de cada um dos atores.

A longa historia da Thomas Cook, encerrada antes da crise

Antes mesmo da crise, muitos deles já estavam perdendo dinheiro, e todos se lembram da espetacular falência do grupo Thomas Cook, pioneira do turismo há 158 anos. No mundo inteira a situação piorou com o Covid19. Na Europa, o líder TUI, acostumado a gerar quase um bilhão de euros de lucro anual, só foi salvo com um surpreendente empréstimo de 2 bilhões do governo alemão. Na França, estima se que mais de 20% das agencias podem não sobreviver se não tiver ajuda. A situação no Brasil caminha na mesma direção, inclusive para operadoras de primeira linha como foi tristemente demonstrado essa semana pelo pedido de recuperação judicial da conceituadíssima Queensberry.

OTA versus hotels, uma briga que deixa os agentes do lado?

Toda a cadeia do modelo tradicional parece ameaçada. Os destinos se queixam do baixo nível medio dos gastos, grande parte deles ficando nos países de origem dos turistas. Da França até os Estados Unidos e mesmo na Alemanha, as companhias aéreas têm as maiores dificuldades para sobreviver sem ajuda dos governos, e as novas normas sanitárias e ecológicas podem a medio prazo piorar a situação. Os hoteleiros não estão em situações muito melhores, tendo alem disso suas receitas drasticamente reduzidas pelas exigências e as margens as vezes insustentáveis dos únicos atores que parecem aproveitar economicamente do turismo: os GAFA e as grandes OTA mundiais. Frente a corrida aos preços baixos e as compras impulsivas, agencias e operadoras devem se reinventar.

Novos valores de ecologia e ética  devem ser incluidas nas ofertas de serviços

As soluções são difíceis de encontrar, mas duas ideias já parecem se destacar. A primeira é de priorizar o “melhor turismo” em vez do “mais turismo”. Os destinos devem parar com a lógica dos números globais, privilegiando as receitas, os territórios ou as temporadas. As companhias aéreas e os hotéis devem enfrentar custos maiores e capacidades reduzidas que só podem ser equilibradas com preços mais justos e reformulações do yield. Os agentes de viagens devem ajudar nessa transformação, recusando as lógicas do tudo-pelo-mais-barato carregadas pelas OTA. Popularizando os novos valores, cultura, ecologia, ética e responsabilidade social, podem assim também demonstrar a importância das suas intermediações.

Tahiti sempre liderou os destinos de sonho  @marcgerard

A segunda é de trazer de volta as operadoras e as agencias para a essência mesma da sua profissão: vender sonho. Com viagens internacionais menos frequentes e frente a globalização tecnológica,  devem lembrar que viajar é muito mais que uma passagem de avião e umas noites de hotel, tão bem escolhidas que sejam. Viajar é realizar um sonho, viajar é descobrir novos lugares e realizar novos encontros, viajar é viver experiências únicas, viajar é voltar com imagens e lembranças transformadoras. Mas do que nunca, quando a crise passar, a magia – e a razão- do apaixonante  trabalho dos agentes de viagens voltarão a ser de ajudar a realizar esse sonho.

Jean Philippe Pérol

O Club Med nunca esqueceu de lembrar que viajar era sonhar

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue do autor na revista profissional on line Mercado e Eventos

Pesquisa mostra que os agentes de viagens esperam retomada para setembro

 

Jean-Philippe Perol, da Cap Amazon e Roy Taylor, do M&E

Jean-Philippe Perol, da Cap Amazon e Roy Taylor, do M&E

Os agentes de viagens são responsáveis por mais de 80% das vendas no setor do Turismo. E, nesta crise sem precedentes, eles ainda não tinham sido ouvidos. M&E e Cap Amazon resolveram dar voz a estes profissionais que movem a indústria do Turismo em uma pesquisa inédita. Entre os dias 27 de abril e 11 de maio, cerca de 400 agentes responderam ao questionário e os resultados demonstram um sentimento otimista.

Entre os respondentes, 54,1% esperam que as viagens retomem no mês de setembro. Em segundo lugar, com 16,9%, vêm aqueles que acreditam em uma volta apenas em 2021. Em seguida, 13,4% responderam dezembro e 11,4% julho. Os outros 5,2% esperam que as pessoas voltem a viajar já no mês de junho. “Já tínhamos ouvido bastante a opinião de especialistas, que é em geral mais pessimistas e também dos clientes. Os agentes são otimistas, mas cautelosos, sendo que a metade deles espera uma retomada para setembro. Alguns pensam um pouco antes e uma boa parte que será no fim do ano”, disse Jean-Philippe Pérol, diretor da Cap Amazon. Para o editor-chefe do M&E, Anderson Masetto, para que as viagens realmente retornem em setembro, há todo um movimento que deve acontecer antes disso. “Hoje as prateleiras das agências estão vazias, com hotéis fechados e voos suspensos. Se as viagens começam em setembro, a promoção e as vendas têm início um ou dois meses antes”, concluiu.

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Já sobre as preferências dos clientes, os agentes puderam indicar até duas alternativas. Quase 300 deles indicaram o turismo doméstico como aquele que dominará as vendas pós-pandemia. Ao mesmo tempo, 250 agentes apostam também em destinos da América do Sul. Menos de 50 profissionais colocaram Europa e Estados Unidos como opção. “A opinião dos agentes bate com tudo que se fala no mercado. É uma maioria muito forte para o mercado doméstico e também com o que está acontecendo na China, onde tudo começou, que já teve 100 milhões viagens domésticas”, destacou Pérol. “Há também a questão financeira. Por conta das viagens domésticas serem mais baratas, é certo que serão as primeiras a serem retomadas”, completou Masetto. Pérol destacou ainda que hoje entre os viajantes brasileiros 50% viaja para perto e 50% para longe, diferente de outros grandes mercados, onde apenas 20% vai para destinos mais distantes. Para ele, isso deve mudar e países vizinhos, como Argentina, Chile, Perú e Colômbia, por exemplo, devem receber mais brasileiros.

A mesma metodologia, permitindo duas respostas foi aplicada para que os pesquisados apontassem qual segmento será o primeiro a retomar. Com quase 200 respostas, o lazer ficou na frente, seguido por viagens para visitar amigos e parentes e depois pelo corporativo. Feiras, eventos e congressos, bem como os cruzeiros marítimos, tiveram menos de 50 respostas. “Este foi um resultado surpreendente e mostrou que os três principais segmentos, lazer, visita a amigos e familiares e corporativo tiveram resultados parecidos, na casa dos 30%. Outro ponto é o ‘família e amigos’, que às vezes a gente esquece e será muito importante. Será mais um nicho para os agentes explorarem quando acabar o confinamento”, disse Pérol. “As empresas irão em busca de diminuir despesas e hoje as viagens podem estar até em segundo lugar nos gastos das companhias, portanto, podem sofrer cortes”, completou Masetto.

Com a premissa de que os viajantes darão prioridade a novos hábitos, perguntamos aos agentes de viagens qual serão as temáticas de viagens mais procuradas. Cada um dos pesquisados podia apontar até três alternativas e, disparado, os dois primeiros colocados foram Bem Estar e Ecoturismo, seguido de Cultura, Gastronomia e Luxo. Uma particularidade do turista brasileiro, Compras, ficou a frente, por exemplo de Negócios.

Ainda sobre os hábitos dos viajantes, os agentes apostam que a maior preocupação do viajantes no pós-crise será com a Saúde, seguida por destinos menos frequentados e por um maior interesse no Turismo Nacional.

As respostas nos permitem concluir que, na visão das agências de viagens, a retomada deve acontecer antes do fim do ano e será, provavelmente, mais rápida e mais larga que se pensa. O consumidor vai mudar, mas as mudanças serão lentas e serão, em grande parte, prorrogações de tendências já existentes, como a busca pelo bem estar, por exemplo.

Nessas novas tendências, os destaques devem ser a exigência de valorização da viagem, e a procura de destinos com menor aglomeração, fugindo do chamado overtourism, que vinha sendo muito discutido nos últimos anos.

Acreditamos, ainda, que essas novas exigências, bem como o provável aumento dos preços das viagens devem levar a um papel reforçado dos agentes, uma vez que as preocupações do consumidor irão além do preço e qualidade dos serviços contratados. Eles serão mais exigentes no que diz respeito a informações prévias dos destinos, segurança etc, e sobre condições de adiamentos e cancelamentos.

Veja aqui a apresentação completa da pesquisa em live apresentada pelo jornalista Igor Regis e com a participação de Jean-Philippe Pérol e Anderson Masetto:

Os agentes de viagens e a retomada do turismo

Enquanto o turismo está quase totalmente parado, e seus profissionais confinados em casa, em teletrabalho, férias obrigatórias ou até sem remuneração, nós do Mercado & Eventos e da Cap Amazon, temos também a confiança na resiliência do setor e a fé na retomada da nossa maravilhosa atividade de vendedores e organizadores de sonhos.

Com a expectativa do fim do confinamento e as perspectivas de volta progressiva das companhias internacionais em maio, podemos pensar concretamente em um calendário para essa retomada.

Se muitos especialistas já deram suas visões de como será a volta a normal, acreditamos que os próprios agentes de viagens são, com certeza, os mais competentes para ajudar a definir esta retomada e imaginar o impacto, duradouro ou não, que a crise terá sobre o comportamento dos viajantes e na profissão.

Desde já agradecemos a sua colaboração com o preenchimento desse pequeno questionário seguindo esse link . Tomamos o compromisso de mostrar os seus resultados durante um webinar exclusivo para todos aqueles que terão contribuído.

Obrigado, e um grande abraço virtual a todos

Mercado & Eventos e Cap Amazon

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Do Reino Unido até o Brasil, o choque da queda de um ícone do turismo

A primeira viagem organizada pelo Thomas Cook

O anúncio da falência da Thomas Cook, a mais antiga operadora de turismo do mundo, foi um choque brutal não somente para os seus clientes – 600 mil dos quais vão ter que encontrar um meio de voltar das suas ferias-, para seus 22 mil funcionários, e para todos os profissionais. Para todos, é difícil entender como uma empresa nascida em 1841, ícone do setor e muito tempo pioneira, passou em poucos dias de uma situação de dificuldade financeira a uma verdadeira falência. Esquecendo famosos exemplos do setor – desde a Pan Am até a VARIG-, muitos pensaram até a última hora que o governo inglês iria injetar os 200 milhões de libras que ainda faltavam para fechar um plano de salvação da firma de Petersborough. Mas o governo simplesmente lembrou que o contribuinte não podia financiar “patos aleijados”.

A força da Fosun não foi suficiente para salvar o grupo

Com um prejuízo de 1,5 bilhão de libras em 2018, 15% do seu faturamento, a má situação financeira do grupo fundado em 1841 era conhecido de todos. Além da concôrrencia do outro gigante europeu, a TUI, das migrações dos clientes mais jovens para as vendas diretas on-line, do desafeto do mercado para os pacotes fechados, e do sucesso das companhias low cost, a Thomas Cook teve de enfrentar na Inglaterra as incertezas do Brexit e a queda da libra. Para se livrar do peso da sua dívida, o grupo ainda tentou durante o verão de renegociar com seus principais acionistas, o chinês Fosun, bancos ingleses e fundos americanos, um plano de reestruturação de 900 milhões de libras. Mas esta esperança sumiu na sexta-feira passada quando os “hedge funds” exigiram 200 milhões suplementares que inviabilizaram o projeto.

A agencia da Wagons lits//Cook no Brasil, Rio de Janeiro Abril 1936

Pela sua peculiar história, a Thomas Cook teve também uma presença no Brasil. Tendo sido comprada em 1928 pela Compagnie Internationale des Wagons lits et du tourisme, ela participou até os anos oitenta da sua epopeia. Fusionando as duas redes de agências, as duas empresas tinham divido o mundo entre a Wagons lits que operava na Europa e na América Latina, e a Thomas Cook que operava no Reino Unido, na América no Norte e nas antigas colônias inglesas. Assim as primeiras agências da Wagons lits abertas em 1934 no Rio de Janeiro e em 1936 em São Paulo se chamavam Wagons lits//Cook. Mudaram de nome somente em 1976 quando o acordo entre as duas empresas caducou, mas uma forte ligação foi ainda mantida durante mais de dez anos. As agências brasileiras – oito em 1980, treze em 1985- passaram a se chamar Wagons lits turismo, associadas a Thomas Cook.

As 430 agencias da Thomas Cook na França preocupadas com o futuro

Durante a década de 1980, as duas se separam completamente, assumindo escolhas estratégicas totalmente opostas. Após de passar sob o controle da SODEXO e depois da Accor, a Wagons lits fusionou com a americana Carlson, e abandonou suas agências e suas operadoras para se concentrar nos serviços corporate e virou a segunda maior empresa mundial neste setor. A Thomas Cook fez a escolha inversa, se aproximou da alemã Neckerman assim como da francesa Havas, e apostou nas agências e no turismo de lazer, favorecendo a verticalização com a compra de hotéis e o desenvolvimento da sua própria companhia aérea. Trinta anos depois, a situação das duas mostrou que a Accor e os então dirigentes da Wagons lits tinham feito a escolha certa.

As companhias aereas do grupo ainda esperam sobreviver

As consequências da falência serão pesadas para todo o setor, e em numerosos países onde a Thomas Cook era muito forte como a Alemanha, a Bélgica, a Índia, a França. Os hoteleiros dos destinos mais vendidos pelas suas agências – Espanha, Turquia, Tunisia – se preparam também para graves prejuízos diretos e indiretos, falta de pagamentos e dificuldades para encontrar como substituir as clientelas. Os administradores judiciais, Alix Partners e KPMG, deveriam agora tentar vender as atividades e as filiais separadamente, com prioridade para as companhias aéreas – especialmente a Condor- que ameaçam parar a qualquer momento. Longe de se alegrar, os grandes concorrentes estão também preocupados pela desconfiança dos investidores que a queda desse leader pode trazer para o turismo. Um fim triste depois de 178 anos de atividade.

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue”  do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos 

Acordo Mercosul/ União Europeia: o turismo também?

Depois quase 20 anos, a perspectiva de um acordo histórico

Assinado  no último dia de Junho depois de quase 20 anos de negociação, o acordo entre o Mercosul e a União Europeia não deixou ninguém indiferente. De ambos lados do Oceano Atlantico e do Ecuador, políticos e defensores de interesses corporativistas já estão brigando – muitas vezes sem nem ter lido o texto – para defender ou atacar a sua ratificação pelo 31 países da nova área de libre comercio. Trata-se de o intercambio comercial de Euros 122 bilhões entre o segundo e o sexto maiores blocos econômico do mundo, o acordo não toca o diretamente o turismo, porém vai tem um impacto significativo na vida (e, portanto, nas viagens) de quase 800 milhões de pessoas, cancelando 91% dos direitos alfandegários, cuidando de bem estar e de liberdade dos consumidores, assim como de proteção do meio ambiente.

Os vinhos e os queijos franceses devem beneficiar-se com a queda das taxas

Desta forma, o consumidor brasileiro vai ver nos próximos anos o preço dos carros, das roupas e dos sapatos europeus cair em 35%, dos queijos franceses ou holandeses em 28%, dos vinhos franceses, portugueses ou italianos em 27%, do chocolate belga em 20%, dos biscoitos dinamarqueses entre 16 a 18%, e dos remédios franceses ou alemães em 14%. Ao mesmo tempo, a Europa ampliará as cotas e acabará com as taxas que hoje bloqueiam as exportações de setores extremamente competitivos, principalmente (mesmo se não somente) o agronegócio cujas produções de frango, carne bovina ou suína, sucos naturais ou frutas, têm a qualidade, o preço e o respeito da sustentabilidade  para competir com os melhores produtos da agricultura europeia.

A competitividade do agronegócio brasileiro deve aproveitar a abertura

A proteção das origens é um ponto crucial do acordo, sejam geográficas (Parme, Porto, Camembert ou whisky irlandês) ou “apelações” especificas (cachaça brasileira, vinho de Mendoza argentino), bem como a proteção das marcas ou dos direitos autorais. De forma geral, os serviços, que representam hoje mais do quarto dos intercâmbios entre a Europa e o Mercosul, não foram esquecidos no acordo. Correios, bancos, seguros, telecomunicações, transportes, investimentos ou aberturas de filiais serão facilitados. A grande maioria das empresas tanto do Mercosul quanto da Europa sendo pequenas ou medias, é prevista uma série de medidas para melhorar a sua competitividade e para ajudá-las a aproveitar as novas oportunidades que surgirão.

O e-comercio deve ser muito impactado pelo acordo

Mesmo se as viagens internacionais e o turismo não são mencionados em lugar nenhum, o acordo deve, com certeza, impactá-los por duas series de razões. Em primeiro lugar algumas das medidas anunciadas se aplicam também ao setor. As novas regras referentes ao e-comercio, suprimindo bloqueios desnecessários, dando mais garantias jurídicas as empresas e protegendo os dados dos consumidores vão ter consequências para as OTA (agencias on line), as operadoras e até as agencias tradicionais. As novas regras referentes a circulação de profissionais, a instalação ou a transferência de funcionários  devem incentivar as viagens de negócios bem como multiplicar os encontros MICE. Em segundo lugar, e mais importante ainda, o acordo Mercosul- Europa deve criar um clima de segurança e de otimismo, fortalecendo o Real, impulsionando a Bolsa. Serão, com certeza, fatores essenciais para o tão esperado crescimento do turismo receptivo e exportativo entre ambos os blocos. Aos profissionais resta torcer pela ratificação para aproveitar essa imensa oportunidade.

Jean-Philippe Pérol

Em três números, os motivos para o Brasil ser otimista

Turismo, liberdade e responsabilidades nos destinos de risco

O Parque da Pendjari é uma das esperanças do turismo do Benim

O sequestro de dois turistas franceses no Benim (o outrora Daomé) levou um final feliz – a liberação dos reféns – mas no mesmo tempo trágico – a morte do guia de turismo que os acompanhava e de dois militares que participaram da operações de resgate.  Frente a presencia do Presidente Macron na recepção dos sobreviventes desses dramáticos acontecimentos, um duro debate está sendo travado na França sobre as responsabilidades desse drama. Será que pesam sobre os turistas que foram passear de forma irresponsável numa area desaconselhada, ou sobre do Ministério das Relações exteriores que desaconselhou, mas não proibiu, a seus cidadãos de viajar para um pais ameaçado pela guerrilha islamista?  Será que o governo pode proibir as viagens para algum lugar?

Os refens recebidos com honra mas responsabilizados

Na França, como nos Estados Unidos ou no Brasil, o governo publica informação sobre a segurança dos destinos. Lá foram definidos quatro níveis de risco para os viajantes: cuidados normais em verde, reforçados em amarelo, desaconselhados em laranja, e totalmente desaconselhados em vermelho.  Frente as criticas sobre essas informações meramente facultativas, o Ministro Jean-Yves Le Drian lembrou que sempre chamou a atenção das agências de viagens sobre as suas responsabilidades com os possíveis riscos. Falou que a legislação poderia ser reforçada, com mais regiões classificadas como totalmente desaconselhadas. Mas mesmo assim, descartou por enquanto a ideia de proibir a cidadãos franceses de viajar para esses lugares.

O mapa oficial da segurança na África ocidental

Os profissionais do turismo concordam com essa visão. Jean-Pierre Mas, Presidente da maior associação de agentes de viagens, se recusou a falar de proibição e mesmo de aumento das áreas totalmente desaconselhadas. Acha que as agencias têm que ser ligadas com a atualidade. Devem se recusar a oferecer pacotes para os destinos potencialmente perigosos, avisar os viajantes mas deixar para cada um a decisão final, aceitando ou não os riscos que existem em qualquer viagem de negocio ou de lazer. Grandes operadoras acham também que os avisos do Ministério são justificados e devem ser levados em consideração, mas que não são infalíveis. não podem ser responsabilizado. Numa sociedade que recusa hoje qualquer fatalidade, deve ser aceita  a ideia que a responsabilidade de uma viagem é do proprio viajante.

A liberação dos reféns foi uma operação complexa

O choque da morte dos dois militares levou porém muitos políticos a falar de proibição total das viagens nas zonas classificadas como totalmente perigosas, e o Ministro poderia encontrar nessa medida forte uma resposta a emoção da opinião pública. Cada viajante pode e deve ser colocado frente as suas responsabilidades, mas o direito de cada cidadão de ser protegido pelo seu governo não pode ser pago pela restrição do seu direito de ir e vir. Seria sem duvidas um golpe grave contra a liberdade e contra o turismo.

Jean Philippe Pérol

No site do Itamaraty, o Benim com nível 3 de segurança (alto grau de cautela)

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue”  do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos