Vendas diretas das operadoras, uma tendência irresistível?

Consumidor europeu na briga das agencias e das companhias pelas vendas diretas

Com viajantes cada vez mais informados e mais atentos para encontrar o melhor preço, as vendas diretas viraram um assunto de primeira importância para todos os atores do trade. No meio de uma polêmica com as agências europeias sobre a transparência e o custo de tais vendas, as companhias aéreas vêem nessa comercialização sem intermediários não somente um meio de reduzir seus custos, mas também uma ferramenta para criar ligações diretas com seus clientes.  Segundo um estudo da IATA de 2016,  as companhias aéreas já antecipam para 2021 a seguinte repartição de suas vendas: 9% de vendas com as OTA (-2%), 21% com as agências corporate (+1%), 16% com as agências tradicionais (que teriam uma queda de 4% de sua participação no mercado) e 52% de vendas diretas (+5%), um número que até pode ser superado no Brasil, onde algumas companhias já passam de 45%.

O espaço Braztoa no WTM Latin América

A batalha das vendas diretas deve em breve mudar de campo e as Operadoras serão, talvez, os atores que irão enfrentar agora as maiores mudanças. Sempre discretas sobre seus projetos de desenvolvimento em direção ao consumidor – e ainda no Brasil muito respeitosas às agências de viagem -, elas podem antecipar as evoluções olhando as tendências dos grandes mercados emissores. Assim, na França, a Associação das Operadoras (SETO, equivalente da BRAZTOA) mostrou as mudanças dos comportamentos de compra dos viajantes nos últimos cinco anos e a conclusão mais forte foi um espetacular crescimento das vendas diretas, que passaram de 31% a 45% entre 2012 e 2017, e até de 56% a 68% se incluir as agências pertencentes a estas operadoras.

Evolução por canal das vendas das operadoras francesas de 2012 a 2016

Os grandes vencedores desse novo mapa da distribuição são os sites B2C das operadoras, que dobraram sua faixa de mercado. As agências tradicionais continuam sendo o primeiro canal de vendas – especialmente nos pacotes mais caros-, mas são as grandes perdedoras, com uma queda de 27,3% em quatro anos. Estas evoluções não impedem, porém, as operadoras de serem muito cautelosas e de respeitar os comportamentos dos viajantes. Consumidores cada vez mais atentos, eles seguem utilizando vários canais, procurando na web, olhando nas mídias sociais, pedindo conselhos e dicas a um agente capacitado, reservando no call center ou se juntando a um grupo organizado por sua empresa. E, se o crescimento das vendas diretas é uma tendência irresistível nos mercados internacionais, os agentes tradicionais deveriam continuar a atrair os consumidores mais exigentes.

Jean-Philippe Pérol

Com 335.000 pacotes, as Ilhas Canárias são o destino mais vendido pelas operadoras francesas

As cidades da Ásia lideram o crescimento do turismo mundial

O centro histórico de Macau, primeiro destino turístico da Ásia

Não é nem na Europa nem nas Américas que o turismo está bombando, mas na Ásia. Publicando o ranking das 10 cidades do mundo que conhecem o mais importante crescimento esse ano, o World Travel and Tourism Council destacou 10 cidades da Ásia como tendo o mais forte crescimento do seu turismo domestico e internacional. Fundada em 1990 pela American Express, muito tempo dirigida pelo francês Jean-Claude Baumgarten, o WTTC sempre se dedicou a mostrar o peso do turismo na economia global e a sinalizar grandes tendências. Tendo sido apoiada por grandes nomes da política internacional, de Kissinger a Blair, hoje sendo presidida pela mexicana Gloria Guevara, esse Conselho publicou agora uma impressionante pesquisa sobre o impacto do turismo nas cidades asiáticas,

A famosa passarela de vidro de Chonq Qing

As dez cidades do mundo com os maiores crescimento turístico são todas asiáticas, todas elas dependem em primeiro lugar dos turistas chineses, e as cinco primeiras do ranking são localizadas na China, mostrando o peso desse mercado tanto em tamanho atual que em potencial futuro. Classificados pela taxa de crescimento da sua economia turística, (a WTTC rompeu com as classificações tradicionais em números de turistas, privilegiando o impacto económico), as cidades são as seguintes:

1. Chongqing (China) –  14 %
2. Cantão (China) – 13,1 %
3. Xangai (China) – 12,8 %
4. Pequim (China) – 12 %
5. Chengdu (China) – 11,2 %

6. Manille (Filipinas) – 10,9 %
7. Nova Delhi (Índia) – 10,8 %
8. Shenzhen (China) – 10,7 %
9. Kuala Lumpur (Malásia) – 10,1 %
10. Jakarta (Indonésia) – 10 %

Centro urbano de Chong Qing a noite

Com cerca de 30 milhões de habitantes, Chong Qing é a maior aglomeração urbana da China. Localizado num planalto cercado de montanhas e de paisagens espetaculares, ela é atravessada pelo rio Jialing e pelo Yang Tsé (chamado também de Rio Azul), maior rio da Ásia. A cidade é assim o ponto de partida de cruzeiros fluviais até a famosa represa das Três Gargantas, a maior do mundo, e depois até Wu Han e Xangai. Mas as duas atrações mais famosas da região são a sua passarela de vidro que domina um barranco de 1010 metros de altura, e suas esculturas budistas inscritas ao património mundial pela UNESCO. Se os visitantes são por enquanto quase todos chineses, Chong Qing começa a contar com turistas internacionais, – japoneses, americanos ou europeus-,  que já estão contribuindo em mais de 5% para economia local.

A opera de Cantão

Cantão (Guangzhou em chinês) é conhecida pela sua Feira de Importação e Exportação da China, a mais antiga e mais famosa do pais, que atrai cada ano mais de 200.000 visitantes estrangeiros. Alem dos negócios, a cidade é procurada pelos turistas pelas suas opções de compras., oferecendo a preços muito atrativos todos os produtos fabricados na China, roupas, relógios, eletrônicos e brinquedos, bem como chás ou ervas tradicionais. Com a maior concentração de restaurantes da China, Cantão é também famosa pelo seu culinário, um dos mais autênticos do pais com sua sopa won ton, seus dim-sum ou seu porco agridoce. Mesmo com uma arquitetura moderna impressionante, Cantão oferece a seus visitantes uns monumentos testemunhos do seu rico passado como o Templo dos seis árvores banyans, a Mesquita Huaisheng, ou seus vilarejos da dinastia dos Song .

Vista noturna de Macau

A pesquisa da WTTC mostra também que Macau é a cidade mais turística da Ásia, com 27,3% da sua economia dependendo do turismo. E com 16 milhões de turistas internacionais, é a sexta cidade mais visitada do mundo. Tendo como único atrativo alem do jogo a sua rica herança da colonização portuguesa, pode ser talvez uma fonte de esperança para muitas cidades brasileiras …

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista profissional online La Quotidienne

 

; Reunião do WTTC no Brasil em 2009 com o Jean Claude Baumgarten e a Jeanine Pires

30 anos de turismo francês, evoluindo com os atores do trade e os proprios viajantes!

O bicentenário de 1789 foi um dos maiores impulsos para o turismo francês

Deixando esse mês a Diretoria Américas da Atout France, fico impressionado com a importância das mudanças que o “marketing de destino” enfrentou no Brasil nos últimos 30 anos. Além do cotidiano, comparando o primeiro escritório da Maison de la France, onde duas funcionárias distribuíam duas toneladas de folhetos por mês, a toda informação e à comunicação que hoje são concentradas na nova plataforma web onde está sendo hospedado o site france.fr, o novo banco de dados e a gestão das mídias sociais, com nosso milhão de fãs brasileiros. Três evoluções do setor turístico no Brasil transformaram completamente o papel da Agência de Desenvolvimento Turístico da França e das secretarias de turismo dos seus principais concorrentes.

Os novos viajantes empurrando o Brasil como terceiro mercado fora da UE

A primeira foi o crescimento do Brasil como mercado emissor para a França, passando de menos de 200.000 turistas a quase 700.000, sendo somente ultrapassado, fora da Europa, pela China e pelos Estados Unidos. Esse crescimento não foi somente quantitativo, mas gerou novos perfis de viajantes. A França manteve seus clientes tradicionais – casais ou pequenos grupos de amigos da classe A,  francófilos e bons conhecedores da arte de viver à francesa -, mas agora também recebe outros brasileiros. Os novos turistas são mais novos, pertencem às classes A ou B, precisam de mais apoio, viajam mais em grupo, visitam mais países na Europa, voando para outras capitais ou rodando de ônibus. Com muita vontade de viajar pelo mundo, mas como menos de 10% deles fazem uma viagem internacional por ano, eles representam o maior potencial para os 1,5 milhões de turistas que a França tem como objetivo no Brasil.

Hotel Urbano, um dos novos atores mudando a distribuição

A segunda grande mudança foi da distribuição. A França era principalmente comercializada através de grandes operadores europeias de circuitos (Polvani, Melia, Pullmantur, Marsans, Abreu, Transocean), ou através de operadoras brasileiras especializadas, tais como Bon Voyage, Imperial, Elantur, Oremar, Wagons-lits, Renocar. Se hoje o DNA da Atout France continua sendo uma forte ligação com operadoras e agências, os atores mudaram. A brasileiríssima CVC ficou em um disparado primeiro lugar com a metade dos pacotes para França, as agências on-line pegaram a sua fatia do mercado. As operadoras tradicionais devem contar com concorrentes criativos, tais como Hotel Urbano, mas também com novos canais de distribuição: blogueiros, plataformas de receptivo ou atores da economia colaborativa.

Parceria com o trade, especificidade e força da Atout France

A Atout France teve também que se adaptar a uma profunda evolução das expectativas dos seus parceiros. Enquanto a estratégia da Maison de la France era de atrair empresas de turismo para construir com elas ações de marketing, duas novas exigências tiveram que ser integradas aos planos da Atout France. A crescente necessidade de medir os resultados de cada investimento levaram a privilegiar as ações de vendas com retorno imediato.  E a importância estratégica do “branding” leva cada empresa e cada destino  a administrar com muito ciúme sua imagem, aceitando com dificuldade que ela seja diluída em uma ação coletiva, campanha de publicidade ou até evento. O marketing do destino França teve, então, que evoluir, se apoiando cada vez mais em produtos e declinando a marca França em cerca de 40 “brands”, de Bordeaux à Toulouse-Pyrénées, dos Alpes-Mont Blanc à Guiana Amazônia, ou de Biarritz Pays Basque à Normandia.

Esse capacidade de evoluir em função das novas expectativas dos turistas e de acompanhar as mutações do trade é, sem dúvidas, responsável pelo sucesso da França como grande destino turístico – esse ano será quebrado um novo recorde, com 89 milhões de entradas. Frente a nossos grandes concorrentes, especialmente os Estados Unidos e a China, ela será também a chave para se manter no primeiro lugar dos desejos dos viajantes.

Jean-Philippe Pérol

Perto de Bordeaux, a primeira experiência de uma viajante brasileira de amanhã

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

Carcassona, inscrita duas vezes ao Patrimônio da UNESCO

O luar iluminando a cidade de Carcassona

Enquanto a UNESCO está sendo violentamente criticada pelo Presidente Trump pelas suas escolhas patrimoniais,  Carcassona festeja os vinte anos da sua inscrição ao Património mundial da humanidade mostrando os acertos dessa lista que conta hoje mais de mil monumentos. A cidade fortificada recebe hoje mais de 2 milhões de turistas – sendo a quinta cidade mais visitadas da França, e o reconhecimento da sua importância cultural pela UNESCO foi sem duvidas um fator chave da sua popularidade junto aos viajantes franceses e internacionais. Sendo ainda atravessada pelo “Canal du Midi” – outro monumento francês pertencendo ao Patrimônio mundial- o conjunto oferece um acervo cultural único e duas vezes premiado.

As impressionantes muralhas da cidade fortificada

Conhecidas desde os últimos séculos do Império Romano, as fortificações foram reforçadas de 1082 a 1209 pela dinastia dos Viscondes de Trencavel que tentavam consolidar um estado independente entre a França e a Espanha. Tendo tolerado nas suas terras a heresia dos Cátaros e seu ascetismo místico, o ultimo visconde – Raymond Roger Trencavel-, teve que enfrentar a partir de 1209 uma cruzada militar que acabou com a devolução do seu feudo para o Rei da França. Durante os reinados de Saint Louis e dos seus sucessores, a cidade fortificada foi ampliada para corresponder a seu novo estatuto de fortaleza real, e uma segunda muralha de 3 quilômetros e 32 torres foi erguida. Um novo centro urbano, a Bastide Saint-Louis, foi construído, dando ao conjunto o aspecto que ele tem até hoje.

Mas se Carcassona parece ainda hoje mostrar a gloria de Saint Louis, Rei da França, é porque ela foi completamente restaurada logo no século XIX, em 1853, quando o arquiteto Viollet le Duc conseguiu convencer Napoleão III de financiar as obras de reabilitação, uma obra gigantesca que demorou quase 60 anos mas já atraiu 50.000 turistas em 1913! Agora as ruas estreitas da cidadela, as salas abertas para as visitas (sendo a mais procurada a Camera Rotunda e suas pinturas murais), e a basílica romana e gótica com seus espetaculares vitrais são lotadas de visitantes durante o dia. Mas, a noite,  são exclusivas dos 35 moradores e dos hospedes dos dois hotéis que ficam dentro da cidade fortificada, o MGallery Hotel de la Cité e o Best Western Le Donjon.

A Praça Carnot e a Fonte de Neptuno

Atravessando o Rio Aude, a antiga Bastide Saint Louis é hoje o centro da cidade, com suas ruas herdadas do século XIV vibrando de vida e de cultura. Feiras livres, pequenos empórios, lojas inesperadas, livrarias e terraços de cafés acolhedores são paradas obrigatórias depois de uma visita do Museu das Belas Artes, ou de um passeio nas margens do Canal do Midi. E se Carcassona têm dois restaurantes gastronômicos estrelados pela Michelin (La table de Frank Putelat et le Domaine d’Auriac), vale a pena experimentar nos pequenos bares ou bistrôs as duas especialidades da região: o seu vinho, o “Cité de Carcassonne”, produzido nos 160 hectares de vinhedos que cercam a cidade, e seu “cassoulet”,  esse prato mítico da cozinha occitana que alguns fãs gostariam de inscrever como terceiro Patrimônio mundial de Carcassona.

Jean Philippe Pérol

O porto fluvial de Carcassona no Canal du Midi

A alma de Carcassona se encontra também lendo a historia dos cátaros

 

Nos EE-UU, na Europa, na China ou no Brasil, os surpreendentes megahubs mundiais!

Air France comemorando com a Gol e o Ceará o seu hub de Fortaleza

Nunca se falou tanto dos “hubs”, essas plataformas de correspondência aeroportuárias onde as companhias aéreas concentram parte dos seus voos para assegurar aos seus clientes conexões rápidas e seguras. Os hubs estão crescendo no mundo inteiro, inclusive no Brasil, onde Fortaleza está virando um grande hub nordestino, reforçado com a próxima chegada do grupo Air France -KLM ligando, com a cumplicidade da GOL, o Norte e o Nordeste com Paris e Amsterdã. A nível mundial, a OAG (Oficial Airlines Guide) acabou de publicar uma pesquisa pontuando e classificando os maiores hubs mundiais em função dos números de conexões oferecidas aos viajantes dentro de um prazo de seis horas. Mas, enquanto os especialistas esperavam que os Estados e a China iam se mostrar líderes disparados, os resultados mostram uma realidade diferente.

Londres, primeiro hub internacional segundo o OAG

De forma surpreendente, não tem nenhum aeroporto chinês ou norte americano, e nenhum aeroporto dos temidos países do Golfo, no pódio dos três primeiros megahubs mundiais. O  vencedor disparado é Londres Heathrow, que aparece como o aeroporto internacional mais conectado do mundo. No último mês de julho, ele chegou a oferecer até 72.000 opções de conexões de chegadas ou de saídas, domésticas ou internacionais, num prazo de seis horas. Atrás vêm Frankfurt e Amsterdã, assegurando para a Europa uma inesperada liderança, ainda confirmada com a posição de Paris Charles de Gaulle em nono lugar, e de Munique em décimo quarto.

O aeroporto de Pequim, ainda fora do Top 30 mundial

No Oriente Médio, nos disputadíssimos caminhos para a Índia e a China, Dubai consegue ficar em 20º lugar, mas é ultrapassado por Istambul, agora em 15º lugar, com rotas aéreas para 270 destinos. Na Ásia e no Pacífico, 16 aeroportos constam no ranking do Top 50, sendo a liderança do megahub de Singapura (em sexto lugar do ranking geral) com 35.000 opções de conexões. A surpresa vem da China, que não coloca nenhum aeroporto nos vinte primeiros, somente três nos cinquenta primeiros – Xangai, Pequim e Cantão -, e que é ultrapassada pela Indonésia (Jacarta), Malásia (Kuala Lumpur), Hong Kong, Tailândia (Bangkok) e até a Coreia (Seul).

São Paulo coloca seu megahub somente em 42º lugar

Nas Américas, o aeroporto de Nova Iorque JFK fica somente em 18º lugar, ultrapassado pelo “most busy in the world” O’Hara de Chicago, pelo menos esperado Toronto Airport, e até por Atlanta, Los Angeles e Miami . O Brasil somente aparece na lista em 42º lugar (com uma pontuação de 120) com o aeroporto de Guarulhos, terceiro da América Latina atrás de México (21º) e de Bogotá (41º). São ainda incluídos no Top 50 os megahubs latinos de Porto Rico (46º) e de Panamá (47º).  A pesquisa da OAG destaca, porém, que no ranking especifico dos aeroportos oferecendo as melhores conexões em termo de voos low-cost, Guarulhos aparece num promissório 23º lugar.

O ranking e a pontuação OAG dos 20 primeiros megahubs internacionais

1 – Londres Heathrow    379
2 – Frankfort   307
3 – Amsterdã   299
4 – Chicago  295
5 – Toronto  271
6 – Singapura   257
7 – Jakarta   256
7 – Atlanta   256
9 – Kuala Lumpur   242
9 – Paris CDG  242
11 – Los Angeles   235
12 – Hong Kong   233
13 – Bangkok   226
14 – Munique   221
15 – Istambul   219
16 – Miami   204
17 – Seul   196
18 – Nova Iorque JFK   195
19 – Houston   184
20 – Dubaï   183

A lista completa e a metodologia da pesquisa podem ser encontradas no site da OAG

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista profissional online La Quotidienne

Napoleão III (e Eugênia de Montijo) patrocinando mais um Palace francês…

Napoleão III e Eugênia de Montijo

Pelo número de estações turísticas inauguradas e de hotéis construídos durante o seu reinado, é de se perguntar se Napoleão III não foi de certa forma o pai do turismo francês. Foi por espírito pioneiro, por vontade de desenvolvimento, por favores concedidos a seus companheiros, ou por perdões a pedir à sua ciumenta esposa Eugênia de Montijo, que ele mandou criar ou ampliar estações como Biarritz, Deauville, Cabourg, Houlgate, Arcachon ou Le Touquet. Foi também para ela, madrinha do local que ela tinha descoberto durante uma viagem de Biarritz para sua Espanha natal, que ele decretou a abertura da estação termal de Eugénie-les-Bains. Recebendo hoje da Atout France a invejada distinção de Palace, o badaladíssimo hotel da cidade, os Prés d’Eugénie, se junta aos 24 hotéis franceses que beneficiam desse prestígio pelos próximos 5 anos.

Ambiance champêtre dans le parc. © Les Prés d'Eugénie.

O parque dos Prés d’Eugénie

Depois de um longo período de esquecimento, uma nova saga dos Prés d’Eugénie começou em 1966, quando a atual proprietária, Christine Guerard vem ajudar o seu pai a renovar o hotel e a se juntar aos Relais & Châteaux. Casada em 1972 com o brilhante chef Michel Guerard, ela conseguiu convencer o seu marido a deixar o já famoso bistrô estrelado que ele tinha aberto em Asnières, perto de Paris, e a experimentar as suas novas e revolucionárias ideias no restaurante do hotel. Chegando em Eugenie-les-Bains, e vendo os seus clientes tentarem seguir os regimes para emagrecer, ele inventou a “Grande Cuisine Minceur”, que logo conseguiu uma fama internacional. Recebendo uma primeira estrela Michelin em 1975, a segunda em 1976 e a terceira em 1977!

Michel Guérard dirige les cuisines. Depuis 1977, la Table des Prés d'Eugénie affiche 3 Macarons dans le guide Michelin. © C Clanet

Depois de muitas ampliações, os Prés d’ Eugénie são hoje um verdadeiro conjunto da excelência à francesa. Depois da restauração de um antigo convento do século XVIII em 1989, da Auberge de La Ferme aux Grives em 1993, da Ferme Thermale en 1996, dos Salões e das suítes da Imperatriz em 2009, do Instituto Michel Guerard e do Café Culinaire Mère Poule & Cie em 2013, os Prés d’Eugénie reúnem hoje uma equipe de 180 pessoas que gerenciam 5 prédios, 45 quartos e suítes, 8 jardins e parques, 3 restaurantes, um spa e um vinhedo, um total de 8 hectares de luxo e de elegância. E para quem não quer dispensar uma praia, Michel abriu no litoral dos Landes, a 100 quilômetros do hotel, um “Beach House”, onde os mais aventureiros encontrarão os mesmos valores.

O Beach House do Michel Guerard em Huchet

Às vezes desastroso e outras visionário, Napoleão III foi, sem dúvida, inspirado quando favoreceu o lançamento de Eugénie les Bains, sendo assim, um distante padrinho do Prés d’Eugénie, assim como ele havia sido o padrinho de outro hotel que viraria Palace, o hotel do Palais em Biarritz. Tendo incentivado a construção de numerosos hotéis, inclusive o Grand Hotel de Paris, onde um outro Imperador, Dom Pedro II, gostava de se hospedar, ele também ajudou na divulgação do turismo de praia e do termalismo, convidando políticos de toda Europa nas estações que ele frequentava. Foi assim a entrevista decisiva para o apoio da França, e a unidade italiana deve tudo à pequena cidade termal de Plombières, onde o Cavour conseguiu do Imperador o apoio militar necessário para liberar a Itália. Se esse papel do Napoleão III na promoção do turismo é, por vezes, esquecido, ele é sempre lembrado em Eugénie-les-Bains, nas comemorações da pequena cidade, na elegância ou no refinamento do Palace do Michel Guerard.
Jean-Philippe Pérol

A suíte imperial, homenageando Eugênia

Saint Martin: depois das primeiras urgências, a certeza de uma reconstrução rápida e sustentável!

 

Saint Martin, a ilha amiga no Caribe francês

De Anguilla a Key West, passando pelas Ilhas Virgens e Cuba, o furacão Irma deixou uma trilha de devastação material e de dramas humanos, arrasando regiões muito queridas no Brasil, tanto pela proximidade geográfica e cultural que pela familiaridade com os seus grandes destinos turísticos. As ilhas francesas de Saint Martin e Saint Barthelemy, visitadas a cada ano por mais de 10.000 brasileiros, foram duramente atingidas. Mas depois do choque, começou uma impressionante operação de ajuda que levou o proprio Presidente da Republica francesa a visitar as duas ilhas para mostrar o seu apoio às populações. Daniel Gibbs, Presidente da Coletividade de Saint-Martin, descreveu  a situação de seu território após a passagem do furacão no último dia 6 de setembro de 2017, anunciando as três etapas da reconstrução que as autoridades já estão liderando.

A primeira fase da organização pós-furacão consistiu em gerenciar  as urgências dos cuidados às pessoas feridas, doentes ou em dificuldades, e na evacuação dos turistas ainda bloqueados nas ilhas – quase todos eles já tendo sido repatriados para seus países de origem. Foi também assegurada a segurança do território através da chegada de importantes reforços do Exército e da polícia militar da França. Essa primeira Fase já está concluída e a segurança do território está sob controle. O Presidente e sua equipe trabalham agora com seus parceiros na segunda fase da organização pós-furacão,  dando priorizando a limpeza dos escombros, dos itens volumosos e dos detritos gerados e transportados pelo furacão, a distribuição de água, comida e de material, assim como a reabilitação das redes de água, saneamento básico e eletricidade.

A terceira fase das ações da coletividade será lançar o mais rapidamente possível a reconstrução do território para a população e as empresas poderem retomar as suas atividades habituais. O encontro com o presidente francês, Emmanuel Macron, na última terça-feira 12 de setembro de 2017 permitiu ao presidente Gibbs expor as necessidades urgentes, bem como as medidas de acompanhamento que devem ser negociadas entre a França e a Coletividade. Nesta fase, ainda em curso, a recuperação do turismo é uma prioridade, e um conjunto de peritos deve avaliar o estado dos hotéis, residências e guest houses para ajudar na reconstrução das infraestruturas turísticas.

O trabalho do Presidente da coletividade de Saint Martin e das suas equipes têm agora dois objetivos maiores: o acompanhamento de todos os momentos dos moradores, com foco  na ajuda aos trabalhadores desempregados e no apoio às empresas, e a reconstrução rápida e durável do território para que Saint-Martin possa retomar sua atividade econômica. O presidente Gibbs e sua equipe farão de tudo que está em seus poderes para que o território retome sua atratividade. Ele agradece calorosamente a todos os parceiros e operadores de turismo que se mobilizaram para Saint-Martin e que acompanham agora os são-martinhenses para que a “Ilha amiga do Caribe francês” volte a ser um dos destinos mais apreciados do Caribe.

Vista aérea de Saint Martin

 

 

Rangiroa, do outro lado do mundo, enoturismo com golfinhos e baleias!

Entre a lagoa e o Oceano, os vinhedos de Rangiroa

Para quem gosta de vinhos diferentes, o “Special Blend” da Bodega del fin del Mundo é sem dúvida uma excelente opção. Nos confins da Patagônia Argentina, em San Patricio del Chanar, alguns pioneiros conseguiram colher uvas dos melhores vinhedos da região – Malbec, Cabernet Sauvignon e Merlot – e compor o vinho único, aromático, tânico e sensual, que seduz não somente pela sua potência, mas também pela sua origem tão peculiar. Mas, pelo menos pela geografia, esse vinho da Patagônia tem agora um concorrente muito sério para o título de vinho proveniente da última adega do fim do mundo. Na ilha de Rangiroa, no arquipélago das Tuamutus, na Polinésia Francesa, um destemido empreendedor, Dominique Auroy, e um enólogo vindo da Alsácia, Sebastien  Thepenier, estão produzindo três brancos e um rosé, única vinícola num raio de 5 a 10 mil quilômetros nesses confins do mundo do Pacífico Sul.

Os quatro rótulos produzidos em Rangiroa

Depois de experimentar dezenas de uvas em várias ilhas da Polinésia, Dominique Auroy ficou convencido de que o terroir de coral de Rangiroa era o melhor lugar para implantação dos vinhedos, selecionando três variedades para compor o seu “Vin de Tahiti”: Carignan, Grenache e  Muscat. O clima regular e com pouca chuva oferece também a possibilidade de duas safras por ano. O sucesso foi rápido, e a produção subiu para 38.000 garrafas. Depois de descartar os tintos que não chegavam à qualidade requerida, quatro rótulos se destacaram: o “Blanc de Corail”, muito mineral mas com sabores de agrumas, e o “Clos du Récif” , com notas de baunilha, sendo os dois premiados em 2008 e 2009 com a medalha de prata das Vinalies Internationales. O rosé “Nacarat” tem sabores de frutas vermelhas, e o branco doce é um perfeito companheiro para um aperitivo ou um prato tahitiano de frutos do mar.

Le mur de requins de Rangiroa @GIE Tahiti tourisme/Philippe Bacchet

 Mas se Rangiroa pode ser colocada agora nos roteiros do enoturismo internacional, a fama da ilha vem em primeiro lugar pelos seus extraordinários spots de mergulho. Para principiantes ou profissionais, a lagoa oferece emoções múltiplas com muitos tipos de peixes, tubarões, barracudas, golfinhos, tartarugas, desde o spot tranquilo do “Aquarium” para um snorking em família, até a “parede de tubarões” que encontra-se a uns 50 metros de profundidade, perto da famosa passe de Tiputa. É nessa passe, bem como na segunda passe do atol – Avatoru -, que são organizadas as principais saídas dos seis clubes de mergulho. Qual que seja a excursão escolhida, e a hora do dia ou da tarde, a caçada dos tubarões (ponta negra, cinza, martelo, seboso ou limão) é sempre o momento mais espetacular, quando eles espalham as “perches pagaies”, os  “chinchars”, as  “caranges”, ou os “napoleões”.

Golfinho pulando na passe Tiputa

Além do enoturismo e do mergulho, Rangiroa, segundo maior atol de coral do mundo com mais de 250 quilômetros de circunferência, vale também pelas suas belezas naturais. A lagoa azul – uma pequena lagoa dentro da lagoa principal – ou as areias cor-de-rosa, são os passeios mais procurados pelos numerosos casais em lua-de-mel. E, para quem quiser mesmo descansar, que tal tomar um copo de “Blanc de Corail” nas famosas cadeiras laranja da Pousada “Le Relais de Josephine”, esperando uma baleia ou olhando para os golfinhos que brincam de entrar e sair pela passe de Tiputa.

Manuia!*

Jean-Philippe Pérol

*Saude em tahitiano

No Relais de Josephine, o lugar certo para esperar baleias e golfinhos

Turismo para família combinando Disney, parques, outlets … e cultura? Paris Ile de France, claro!

Disneyland Paris, primeira atração turística da Europa

As comemorações dos 25 anos da Disneylândia Paris mostraram o sucesso desse empreendimento – hoje a atração turística mais visitada da Europa com 13,4 milhões de entradas -, bem como o impacto que ele teve sobre o turismo francês. O Mickey com sotaque atraiu novos perfis de visitantes e deu um novo impulso não somente nos mercados de proximidade mas também na Ásia e nas Américas. No Brasil, que até então dava para a Flórida a quase exclusividade dos parques de lazer, foram mais de 80.000 viajantes (um crescimento de quase 40%) que descobrirão em 2017 a Disney à francesa. A crescente presença de brasileiros nos grandes parques como Asterix, o Puy du Fou e o Futuroscope, ou nos 250 outros parques  espalhados na região Paris Ile de France e nas outras regiões francesas, mostram que a França é cada vez mais considerada no Brasil como um destino para famílias com crianças grandes ou pequenas.

A Fondation Vuitton, encostada no Jardin d’Acclimatation

Em 2018, a reabertura do saudoso Jardin d’Acclimatation, encostado na Fondation Vuitton e nas florestas urbanas do Bois e Boulogne, vai dar mais um impulso na atratividade da região para o turismo de famílias. O mais antigo parque de Paris, aberto em 1860 pelo Imperador Napoleão III, está sendo completamente renovado e o seu proprietário, o grupo de luxo LVMH, tem a ambição de atrair em breve mais de 2 milhões de visitantes. O projeto inclui a renovação do patrimônio arquitetural herdado do Império, dos estábulos, do pombal, e dos aviários, bem como a valorização das atrações mais queridas dos parisienses –  Trenzinho (aberto em 1878), Rio Encantado (aberto em 1927), ou Casa dos Espelhos. Além das 23 atrações já existentes, 17 serão abertas, todas no mesmo espírito “retro-futurista” inspirado em Jules Verne. Apostando na complementaridade com a Fondation Vuitton, combinando parque e cultura, a LVMH espera atrair turistas internacionais de todas as idades.

Grandes marcas e pequenos preços no outlet La Vallée Village

Não bastassem os parques, a região Paris Ile de France está agora seduzindo as famílias pelas opções de shopping. As medidas tomadas para facilitar as aberturas de loja nos domingos, bem como a simplificação dos procedimentos de reembolso de até 16 % de impostos já agradaram os turistas. A multiplicação dos outlets  foi mais um passo. A França tem hoje 21 “vilarejos de marcas”, sendo oito perto de Paris e três em Troyes, na Champagne vizinha. Os maiores, tais como o One Nation Paris, as Marques Avenues, o Usine Center, ou o Usine Mode et Maison, chegam a juntar lojas de fábricas, lojas de departamentos (inclusive cinco Galeries Lafayette) ou até lojas tradicionais, com preços de liquidações. Pela proximidade da Disney, ou talvez das 190 lojas do shopping Val d’Europe, hospedando 120 marcas francesas e internacionais, o La Vallée Village , que hospede 120 marcas francesas e internacionais, é o mais popular junto aos turistas brasileiros.

Em Vaux le Vicomte, cultura e diversão para toda família

Na concorrência com os grandes destinos de turismo em família curtidos pelos brasileiros, a região de Paris Ile de France tem acima de tudo um trunfo importante, um acervo cultural excepcional que surpreende pelas numerosas ofertas para crianças de todas as idades. Em Paris mesmo, a Cité des Sciences, o Palais de la découverte, o Musée des Arts forains são algumas opções para as famílias, bem como o Museu do Homem, o Museu da Marinha ou o próprio Louvre, se o roteiro escolhido for adaptado – mostrando que a cultura pode também ser atual e divertida. Nos arredores da capital, os mais prestigiosos castelos, incluindo Versalhes, Fontainebleau ou Vaux le Vicomte, oferecem animações ou eventos  para adultos e crianças. Para os turistas brasileiros, que exigem das suas viagens para França uma forte dimensão cultural, será talvez um argumento decisivo para escolher Paris e sua região como o outro destino para famílias juntando parques de lazer, shopping … e cultura.

Jean-Philippe Pérol

Os Etangs de Corot, exemplo de canto escondido de Paris Ile de France

De Veneza a Reykjavik, prevenir a turismofobia melhorando a experiência turística

Veneza tentando conciliar turistas e moradores

Veneza tentando conciliar turistas e moradores

Com mais de 1,2 bilhão de turistas internacionais, o turismo de massa preocupa cada vez mais os moradores dos grandes destinos. Vendo os transtornos trazidos pela surpopulação, autoridades, jornalistas e influenciadores concordam em por a culpa dos transtornos nos próprios viajantes. A estigmatização do turista é uma velha e arrogante tradição aristocrática  do século XIX quando alguns “happy few”, já na época, não aguentavam dividir os monumentos de  Atenas e Roma, os beira mares de Nice e Biarritz, ou os artesanatos de Istambul, com os primeiros seguidores de Thomas Cook. Mas, mesmo se rejeitado até pelos seus pares, deve se reconhecer que o turista nem sempre respeita os moradores, os costumes do local, ou até regras básicas de convivência social ou de proteção do meio ambiente. Virou assim urgente de encontrar soluções para lutar contra a irresponsabilidade e os excessos, sem prejudicar as atividades econômicas nem atrapalhar a convivialidade e a liberdade de viver que os turistas procuram.

Os conselhos da China a  seus turistas antes deles viajar

Preocupando os destinos turísticos, o bom comportamento dos viajantes é também uma preocupação de alguns países emissores que temem que atitudes inadequadas prejudicam a sua imagem. Líder mundial com mais de 110 milhões de turistas, quase todos primeiro-viajantes, a China publicou em 2013  um “Guia do turismo civilizado” com conselhos a seguir, incluindo 64 paginas de recomendações (as vezes surpreendentes) como por exemplo não fazer barulho quando bebe, não limpar o nariz com os dedos, não subir em pé nos toaletes, não levar os coletes salva vidas dos aviões ou não importunar os moradores. Alguns conselhos eram específicos para certos destinos: não estalar os dedos para chamar o garçom na Alemanha, não oferecer flores amarelas na França, não falar da realeza na Tailândia ou não tocar as pessoas com a mão esquerda na Índia. O mau comportamento podendo levar a entrar numa lista negra de pessoas proibidas de viajar, é provável que essa recomendações, por esdrúxulas que sejam, foram seguidas, e devem ter contribuídas a evitar abusos.

O juramento islandês

Destino de sucesso que viu suas chegadas de turistas quintuplicar, mas preocupada com o impacto sobre o meio ambiente e a vida social, a Islândia lançou em julho desse ano um juramento de bom comportamento que os candidatos a turista são incentivado a fazer. “The Icelandic Pledge”, que pode ser encontrado e assinado on-line no site, é um compromisso moral do visitante com 8 clausulas de respeito ao meio ambiente e as regras de segurança: ser um turista eco-responsável, respeitar as regras de transito e de estacionamento, deixar os lugares limpos, não sair dos caminhos autorizados e cuidar com a meteorologia. Mesmo não sendo obrigatório, o juramento já foi assinado por 30.000 pessoas. Para a ministra do turismo da Islândia, “os turistas querem mesmo ser responsáveis, mas nem sabem sempre o que isso significa em termos de comportamento”. O sucesso da campanha foi de lembrar, de maneira cordial e humorística, algumas regras básicas, e de mostrar  que esse respeito era uma forma de integrar a cultura local e de ajudar o relacionamento com os moradores,

 

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi inspirado de um artigo de Josette Sicsic na revista profissional online Tourmag