O Club Med La Rosiere mostrando criatividade com uma surpresa Kinder chocolate!

Perto da fronteira franco-italiana, na beira da estrada que leva até o lendário Passo do Pequeno São Bernardo, o Club Med La Rosière está pronto para uma temporada de esqui que os profissionais esperam ser marcada pela retomada. Construído nas encostas do vale do rio Tarentaise, o Club domina a estação de esqui autêntica e o charmoso vilarejo de Montvalezan, orgulhoso da sua fabulosa história que conta desde a travessia dos Alpes feita por Aníbal e seus elefantes até os peregrinos que seguiam as trilhas saindo do vale para as altas montanhas.

O primeiro quarto “Kinder chocolate” do Club

Dedicada as famílias e as crianças de todas as idades, o Club Med La Rosière já constava com atrativos especializados como um Jardim das Neves, um percurso freeride com espaço exclusivo ou um iglu para experimentar um delicioso chocolate quente. Mas, para a nova temporada de inverno, foi dado mais um passo de criatividade com a abertura do primeiro quarto « chocolate Kinder » e uma oferta infinita de chocolates e de doces. Para as bebidas, alem do chocolate quente com marshmallows para as crianças são oferecidos  coquetéis a base de chocolate para os adultos.

A decoração e o serviço do quarto são totalmente dedicados a temática do chocolate Kinder. Os almofadas são vermelhos e brancos, os lençóis têm perfume de chocolate. Kinder ovos surpresa são pendurados na arvore de Natal. Todas as amenities, as velas, os copos, as saídas de banho, as chinelas são marcadas com o logotipo vermelho e branco de « Kinder Chocolat », ovos de chocolates são expostos em todos os lugares do quarto e do banheiro. E não precisa ter medo das calorias, alem de queimar gorduras nas pistas de esqui o Club Med La Rosière oferece de massagens ao nado de resistência, de momentos relax na banheira de hidromassagem do terraço ao fortalecimento muscular na sala de treinamento cardiovascular. O bem-estar pronto a compensar o chocolate Kinder.

As pistas ajudarão a perder as calorias.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de PTAH na revista francesa profissional on-line Mister Travel

Na França, ideias inovadoras para reviver os grandes trens da Belle Époque

 

Na longa história do turismo, o trem sempre teve um lugar especial, símbolo de democratização com a primeira viagem organizada em 1841 pelo inglês Thomas Cook,  ou sonho de luxo e de aventura no Orient Express inaugurado em 1883 pela Compagnie Internationale des Wagons lits do belgo Georges Nagelmackers, e que perdura até hoje através do Venise Simplon Orient Express da Belmond. Depois do sucesso dos projetos franceses ou espanhóis  do Puy du Fou ou de Toledo realizados pelo seu pai, o  francês Nicolas de Villiers lançou agora o Grand Tour, um espetáculo inovador em torno de um cruzeiro ferroviário cheio de surpresas.

Aproveitando a abertura da rede ferroviária para as empresas privadas, o Puy du Fou imaginou uma volta da França de 4000 quilômetros em 6 dias e 5 noites, saindo de Paris e parando em cidades emblemáticas da história e da cultura francesas. Os espectadores vão viver experiências inéditas em Epernay com as adegas da Dom Perignon,  em Reims com a catedral dos Reis, em Beaune com os seus Hospices, em Avignon com o Palácio dos Papas, em Aix com o ateliê do Paul Cezanne. Perto de Bordeaux navegarão na lagoa de Arcachon antes de descobrir o quadro exótico dos vinhedos de Cos d’Estournel. No ultimo dia, um momento romântico em Chenonceaux, o castelo das três damas,  e uma visita do Puy du Fou encerrarão com chave de ouro esse passeio excepcional.

O visual do trem não nega a filiação com a Belle Epoque

Para aproveitar este espetáculo único, o Puy du Fou imagino o mais insólito dos teatros, um autentico trem “Belle Epoque” concebido como uma obra de arte, com  conforto e a beleza. Num total de oito carros, o comboio será composto de dois carros-leitos de 15 cabines,  dois carros-restaurantes e um carro-bar onde os viajantes serão atendidos por 15 tripulantes vestidos com uniformes da época. Com cada detalhe lembrando a grande época do trem, os organizadores prometem que os “Grands Tours” serão experiências espetaculares e poéticas, imersões no espaço e no tempo, num percurso iniciático na geografia e na historia da França.

Reversiveis, as camas viram sala de estar durante o dia

A vida a bordo terá a mesma importância que os lugares visitados, com uma permanente imersão na História. Além da presencia do chef, do bar tender e da equipe de animação, são previstas visitas de artistas, comediantes, músicos, someliês ou palestrantes. Nicolas de Villiers faz questão de lembrar que o Grand Tour não chegou para concorrer com os trens noturnos de luxo – os carros ficarão parados durante as noites para dar mais conforto aos passageiros. Será um espetáculo exclusivo de alto conteúdo cultural para  um máximo de 30 pessoas em cada viagem, com somente 23 saídas no primeiro ano e até 40 nos anos seguintes. Mesmo se a data exata da primeira viagem ainda não foi divulgada (seria na primavera ou no verão 2023), já é possível de fazer uma pré-reserva no site  www.legrandtour.com.

Icelandverse x Metaverse mostrando o talento e a criatividade da Islândia

Aproveitando a onda do metaverse, esse mundo virtual interativo dos gigantes do web, e sua apropriação pela Facebook  agora rebatizada Meta, o escritório de turismo da Islândia acabou de dar mais uma aula de marketing inteligente. Ao mundo tecnológico  dos aplicativos e das emoções em capacete 3D, universo do fake interativo, a nova campanha islandesa  está sobrepondo suas paisagens apurados e sua naturaleza grandiosa, num clip apresentado com muita simplicidade por um clone do Mark Zuckerberg.

As auroras boreais, cartão postal do pais

A agua que molha, os humanos de verdade, os pássaros bonitos e burros, a vegetação a respeitar, as pedras a acariciar e os géisers a observar de longe, esse é o mundo do IcelandVerse dessa nova campanha apresentado por «Zack Mossbergsson». Esse islandês com sotaque bem carregado copiou o corte de cabelo, a roupa preta e o estilo do dono da Facebook, e quer também convencer do lado revolucionário da tecnologia que a Islândia  está oferecendo para os visitantes.

Paisagens lunares são marca registrada

Este «chief visionary officer»  convide os interessados a participar desse novo capitulo da historia da conectividade humana, e a vir visitar o seu pais para essa experiência. Enquanto desfilem na tela desertos de gelo, campos de grama, paisagens vulcânicos ou auroras boreais, o C.V.O. não esquece de lembrar que o convite é valido para hoje, amanha, ou quando quiser. Já conhecida como terra de fogo e gelo, único país du mundo onde os nativos não usam sobrenomes, a Islândia merece agora ser também celebrado pelo seu senso de humor e de oportunidade. Parabéns!

Ainda não teve resposta do Mark Zuckerberg, mas está sendo esperado!

 

Em Glascow, o turismo ganhando um novo impulso

Reunindo mais de 20.000 participantes vindo de 197 paises, a COP26 foi não somente momento chave no consenso internacional sobre a luta contre as mudanças climáticas, mas também um encontro marcante para o turismo global. Frente as perspectivas de dois bilhões de turistas em 2030 – a democratização das viagens e a chegada dos emergentes aumentando o risco de overturismo-, muitas vezes acusados de ser uns dos grandes responsáveis da poluição  e das emissões de CO2, 300 atores do setor foram reunidos em Glasgow pela Organização Mundial do Turismo para discutir de medidas concretas e de planos de ações imediatas.

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A “declaração de Glascow” lembra em primeiro lugar que os signatários acreditam que os combustíveis fósseis, a agricultura não sustentável e os modos de consumo descontrolados contribuam para as mudanças climáticas, para a poluição e para a diminuição da diversidade biológica. Reequilibrar a relação com a natureza é fundamental não somente para a saude dos ecosistemas e para o bem estar  pessoal, social e econômico de todos, mas também para a retomada sustentável e o proprio futuro do setor. A declaração lembra também que as ações escolhidas deverão contribuir a reduzir de 50% as emissões de CO2 até 2030 e de 100% até 2050,  e se encaixar nos objetivos do Acordo de Paris.

O turismo marcou presencia na COP26

Os profissionais recusam que o setor seja culpabilizado, e eles acreditam que o turismo pode ser na vanguarda de um futuro de baixo carbone. O setor – suas empresas e seus empregos- poderá assim crescer preservando suas atividades, suas infraestruturas, os ecosistemas onde são localizadas, bem como o bem estar doa moradores e das populações impactadas. A força dos compromissos assumidos pela OMT e seus 300 membros ficou clara, tanto pela transparência do processo iniciado -já prevendo a publicação de relatórios anuais- , que pelas medidas anunciadas agrupadas em cinco eixos de trabalho e iniciadas nos próximos doze meses .

A descarbonização foi um dos pontos principais discutidos em Glasgow

Medir : Medir e publicar todas as emissões ligadas a viagens e turismo, com metodologias seguindo as diretivas da Conferência para medição, relatórios e controles, sendo todos transparentes e acessíveis.

Decarbonizar : Definir e atingir objetivos conforme aos conhecimentos atualizados para acelerar a transição no turismo, incluindo o transporte, as infraestruturas, as hospedagens, as atividades, os restaurantes, e a gestão dos dejetos. A compensação pode ter um papel subsidiária mas somente como complemento de  realizações comprovadas.

Regenerar : Proteger os ecosistemas, favorecer as capacidades de absorção de carbone da natureza. Preservar a biodiversidade, a segurança alimentar e  o abastecimento de agua.  Nas regiões onde o impacto climatico é mais forte, informar os visitantes e ajudar os moradores a se adaptar as mudanças.

Colaborar : Comunicar os dados sobre os riscos e as precauções para todos os envolvidos, trabalhar para que os planos de emergencia sejam o mais completos e eficientes. Reforçar a capacidade de ação com as autoridades, as associações, as empresas, os moradores e os visitantes.

Financiar : Conseguir os recursos e as capacidades operacionais suficientes para atingir os objetivos, especialmente na capacitação, na pesquisa, e das ações anunciadas nos planos apresentados.

A declaração de Glagow marca um passo importante da retomada do turismo

Lógica e necessária pelo impacto existencial que a sustentabilidade terá sobre seu futuro, a “declaração de Glascow”, ja foi assinada pela OMT, o PNUD e os participantes constando nesta lista (ainda com poucos brasileiros a não ser o grupo ACCOR).  A declaração ainda deve ser completada, especialmente no que trata dos impactos dessas medidas sobre os custos para os milhões de turistas provenientes das classes medias dos países desenvolvidos bem como das classes emergentes dos países en desenvolvimento. Como lembrava o Gilbert Trigano, fundador do Club Mediterranée, o turismo é um formidável fator de felicidade e de momentos de igualdade social. O turismo sustentável deverá crescer com tranquilidade e segurança, guardando essas características.

Jean-Philippe Pérol

 

No Festuris de Gramado, a volta do prazer dos reencontros presenciais

A falta de viagens e de encontros profissionais foi para todos uma das traumas trazidas pela pandemia, mas o seu impacto financeiro e humano foi ressentido com mais força ainda pelo profissionais do turismo. Para homens e mulheres que escolheram um setor pela sua abertura ao mundo, seu intercâmbio permanente e suas redes de amizade nacionais e internacionais, o isolamento físico vem piorar um cenário de crise econômica e social. Um dos ícones do turismo francês afirmava que a profissão tinha três características: muito trabalha, pouco dinheiro, mas muito divertimento. Com a crise do Covid, há quase dois anos que as receitas foram poucas e que ninguém se divertia muito.

Guilherme Paulus desvendou novos projetos antes do seu tradicional jantar

Se a retomada das viagens já é percebida há meses pelas agencias, as companhias aéreas e os hoteleiros, é somente agora que as feiras reiniciam com o presencial. Foi o caso do ILTM LATAM do 26 ao 29 de Outubro, e foi mais ainda o caso da Festuris na semana passada. Em Gramado, a alegria dos reencontros já foi percebida na tradicional festa de abertura, numa sala onde não faltavam grandes nomes do turismo brasileiro. A tradição dos numerosos discursos foi respeitada – incluindo com as declarações muito otimistas e muito politicas do Ministro-, mas a emoção era grande, logo com a jovem cantora Luiza Barbosa e sua empolgante interpretação do hino nacional, e depois no intenso discurso da Marta Rossi no seu comovente duo com Eduardo Zorzanello sobre as transformações do turismo.

© sergioazevedo2021

A vista arrasadora do terraço da Mountain House do Saint Andrews © sergioazevedo2021

Os reencontros marcaram também o concorrido jantar do Guilhermo Paulus no Relais Châteaux  Saint Andrews. Agora retirado tanto da CVC que da GJP, o empresário que mais marcou a história do turismo no Brasil fez questões de mostrar a seus convidados as suas criativas novidades, uma luxuosíssima Mountain House, uma programação intensa misturando cultura, gastronomia e enoturismo, e a ambição de ver o chefe Fernando Becker trazer uma primeira estrela para o  seu restaurante Primrose. Nas animadas conversas desse tão esperado encontro exclusivo, todos os convidados, jornalistas, prefeitos, políticos ou empresários, confirmaram que essa ambição era mesmo legitima.

As rotas das missões é um dos grandes acervos do Rio Grande do Sul

Sem atingir os números anteriores a crise, foram porém 230 expositores, 270 jornalistas e 8000 visitantes que vieram reviver os tão indispensáveis encontros presenciais da Festuris. O sucesso do evento podia se medir na animação nos estandes bem como nos encontros nos corredores onde o prazer das reuniões inesperadas, e dos contatos rápidos, surpreendentes, intensos e ricos em informações, era compartilhado por todos, inclusive pelos grandes “players” da atualidade que prestigiaram o evento: executivos da Shultz, da Befly, da CVC, da Orinter, LATAM ou Azul, representantes de grandes destinos como Argentina, España, Italia, Portugal ou Uruguai, Secretários de turismo do Amapa, do Pará, da Paraiba, e do Rio Grande do Sul, este reforçado com a forte presencia de políticos gauchos com justas ambições para um turismo regional mostrando um imenso potencial.

Do Amapá ao Amazonas, a atualidade justificou uma forte presencia de toda a Amazônia

A alegria da retomada foi menos visível nas conferências. O importante assunto escolhido, as transformações du turismo, gerou públicos pouco interativos, e as respostas sobre as mudanças ou as acelerações provocadas pela crise – dos novos serviços esperados, do impacto ambiental, das convulsões da distribuição ou da concentração do transporte aéreo-  ainda deverão ser encontradas. Os organizadores tinham porem já desenhado algumas pistas, seja nos espaços escolhidos por eles- o luxo, a sustentabilidade- ou pelas temáticas empurradas pelos expositores – turismo de aventura, enoturismo, gastronomia, culture. A importância das transformações que estão chegando, e das respostas a fornecer, mostra que outros encontros são urgentes e necessárias. E vamos para Festuris 2022!

Jean-Philippe Pérol

As novas tendencias do turismo de luxo

As Sources de Caudalie, um Palace homenageando enoturismo e bem estar

Depois de quase dois anos de turismo reprimido, a esperada corrida para o exterior começou a virar uma realidade, mas seguindo ritmos muito diferentes, seja nos destinos – a abertura das fronteiras ainda sendo lenta- , ou seja nas motivações dos viajantes. Enquanto o setor corporativo recomeça com muita cautela, o lazer parece querer recuperar o tempo perdido e os países abertos para os brasileiros – ontem Mexico e Oriente Medio, hoje França, Portugal ou Suíça, amanha Estados Unidos e talvez América do Sul- estão sendo retribuídos com níveis de reservas até superior a 2019.

O Museu da Marinha, de guarda moveis dos Reis a templo do luxo francês

Se todos as viagens de lazer estão aproveitando essa onda, um setor parece aproveitar ainda mais essa fome de viajar: o luxo. O sucesso de dois eventos profissionais, France Excellence e o ILTM, mostrou que o luxo parece viver um momento privilegiado junto aos “key players” do turismo brasileiro. Focado na excelência francesa, o primeiro foi marcado por palestrantes que mostraram novas tendências do luxo – as vezes, assim como o diretor da Hermès para América do Sul- preferindo evitar a palavra luxo e falar somente de alta qualidade.  No último debate do evento, Caroline Putnoki, diretora da Atout France, e Alexandre Allard, criador do projeto Matarazzo, concordaram em dizer que luxo é, antes de tudo, cultura e exclusividade.

O Sofitel Legend conta a glória de Cartagena de las Indias

Tendo deixado a Bienal de Ibirapuera pelos salões do Tivoli, o ILTM foi uma outra demonstração da confiança dos profissionais internacionais na resiliência do mercado das viagens de luxo. “Palaces” e hotéis de luxo de Paris, Londres, Nova Iorque ou Lisboa festejam a volta do seus tradicionais hospedes brasileiros, e as reservas para os próximos vezes deixam esperar para 2022 níveis superiores a 2019. Estações de esqui dos Alpes franceses ou suíços, operadores do Portugal, do Egito, ou dos Estados Unidos confirmaram essas tendências. O otimismo geral terá agora que ser confirmado pelas companhias aéreas por enquanto muito discretas e que ainda devem dobrar sua oferta de assentos para voltar aos níveis anteriores a crise.

O Rosewood São Paulo, luxo juntando assinaturas de Nouvel e Stark

Mas alem da retomada dos próximos meses, os profissionais devem também aproveitar os encontros realizados nesses eventos – France Excellence, ILTM ou em breve Festuris– para responder as novas exigências do turismo de luxo. Os hotéis vão precisar ainda mais de inovação e de serviços personalizados, com vantagem para aqueles que têm uma historia própria ou um patrimônio arquitetural excepcional e souberam valorizar-los. Os agentes deverão propor experiências novas extremamente customizadas, e acima de tudo com conteúdos culturais valorizantes e se possíveis exclusivos.

Nas Ilhas de Tahiti, o Brando combina alto luxo e sustentabilidade

Um quarto pilar do turismo de luxo sai reforçado da crise: a atenção especial dada a sustentabilidade. Trata se de se assegurar de todas as componentes da viagem, dos cuidados com os transportes utilizados, da certeza dos processos dos hotéis reservados. É também de dar um verdadeiro conteúdo de respeito do meio ambiente e dos moradores, incluindo opções de compensação de emissão de carbone, ou em alguns casos envolvimento em projetos locais. Cauteloso com bling-bling, rico em conteúdos, o novo turismo de luxo oferece assim experiencias com quatro pilares: alta qualidade, exclusividade, cultura e sustentabilidade.

Jean-Philippe Pérol

 

Exclusive meetings in the Belmont Savute

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercado e Eventos

A Borgonha e o enoturismo no surpreendente (e sustentável) ranking 2022 da Lonely Planet

As Ilhas Cook foram a grande surpresa do Top Ten 2022

Património cultural, belezas naturais e tolerância destacaram Omã

Atras das pequenas ilhas da Polinésia se destacaram destinos já confirmados e lugares menos conhecidos. Foram assim premiados a Noruega (pela sustentabilidade e os novos museus), a Ilha Maurice (pela biodiversidade, especialmente em Rodrigues), Belize (pela barreira de coral e os vestigios maias de Lamanai), a Eslovénia (pelo cicloturismo bem como a enogastronomia), e Anguilla (pela reconstrução sustentável depois do furacão Irma). Constam também na lista Omã (pela cultura tolerante e as belezas naturais), o Nepal (pelo reconstrução sustentável depois do terremoto), o Malaui (pelo ecoturismo e a proteção de especies animais ameaçadas)e o Egito (pelo património histórica e a gestão comunitárias de vários projetos turísticos).

Merida foi justamente lembrada como capital do Yucatán

Os top ranking das cidades valorizam também os esforços feitos para a sustentabilidade, a diversidade e as energias renováveis, em Auckland, Taipé, Friburgo, Atlanta, Dublin ou mesmo Firenze. A presencia de Lagos na Nigeria, Nicosia em Chipre, ou de Gyeongiu na Coreia do Sul foram porem surpresas interessantes, assim que a homenagem a Merida (México). O seu Gran Museo del Mundo Maya , os seus passeios de bicicletas para Uxmal ou Chichen Itza,  e a sua gastronomia incorporando influências maias, caribenhas e europeias foram as atrações principais justificando a sua presencia na lista como mais atrativo destino do Yucatán.

Shikoku, um Japão tradicional com 88 templos e um vanguardismo ecológico

As regiões foram selecionadas com os mesmos critérios, e uma forte influencia das preocupações ambientais que as autoridades souberem integrar na Virginia ocidental (Estados Unidos), no Kent (Inglaterra), na Cenic Rim (Australia) e em Vancouver (Canada). Se a presencia da Islândia recompensa o sucesso de um turismo criativo e pioneiro, e se Porto Rico é incentivada  a continuar seus esforços de recuperação, três destinos são mesmo achados para 2022: Atacama (Chile) com o desenvolvimento do seu turismo sustentável e comunitário, Xishuangbanna (China), com sua mosaica étnica. seus elefantes e sua gastronomia, e  Shikoku (Japão), com suas paisagens, seus 88 templos e seu envolvimento na sustentabilidade.

Enquanto o vinho é uma das temáticas que mais cresce no turismo, a Borgonha, com seus 84 apelações (incluindo 33 Grands Crus), não podia não ter sido escolhida para fechar os destaques da Lonely Planet. Pioneira do enoturismo responsável com um programa bem sucedido de certificação de vinhedos, ela vai também inaugurar em 2022 dois projetos exemplares, a Cité internationale de la Gastronomie et du Vin (CIGV), em Dijon, e a Cité des Vins et des Climats de Bourgogne nas três cidades emblemáticas de Beaune, Chablis e Macon. Alem do vinho e da gastronomia, o júri quis também destacar a natureza e as paisagens da região, e os esforços bem sucedidos para desenvolver o ecoturismo e as trilhas nos seus morros, lagos e rios. 

Além do Oiapoque, as tartarugas de couro atraiam científicos e turistas

Tartaruga de couro pondo na praia de Awala-Yalimapo

Além do Oiapoque, nas praias de Caiena, de Remire-Montjoly ou da reserva natural de Amana, sombras gigantes saiam das ondas do mar e subam na areia.  De abril até agosto,  as tartarugas de couro andam com dificuldades para procurar o melhor lugar para por seus ovos. Com suas nadadeiras traseiras, ela cava a areia até o buraco ter a profundidade certa. Começa então um esforço intenso, no ritmo de uma respiração forte, para expulsar e depois enterrar uma centena de ovos. Exausta, a tartaruga de mais de meia tonelada vai então fazer três vezes a volta do seu ninho antes de de arrastar até as águas do oceano.

Tortue Luth © Anaele Sacchettini

A tartaruga volta para a água depois de por

Parte francesa da Amazônia, a Guiana é considerada um dos mais importantes lares de três tartarugas marinhas muito emblemáticas mas muito ameaçadas: a tartaruga olivácea, a tartaruga verde (ou aruanã) e a tartaruga de couro. Também chamada de tartaruga luth, essa última é um gigante do mar, o maior reptil depois dos crocodilos, o macho podendo medir até dois metros e meio e pesar mais de 900 quilos. Capazes de percorrer milhares de quilômetros no mar para se alimentar de medusas e águas-vivas, elas tem pontos de desovas tanto no Pacifico (Australia, Malásia e Costa Rica) que no Atlantico (Flórida, Africa, Caribe e mesmo nas margens da Foz do Rio Doce no Espírito Santo).

A corrida para o mar depois da eclosão é outro momento emocionante

O litoral da Guiana Francesa é porem o lugar privilegiado onde as fêmeas voltam para fazer seus ninhos, com até 18.000 desovas em 2018, principalmente nos cinco quilômetros da praia de Awala-Yalimapo, perto da foz do Rio Maroni e da fronteira com o Surinam. Desde os anos setenta, a importância destes sítios levou os científicos a chamar a atenção sobre a necessidade de uma politica de preservação frente as fortes ameaças de extinção que pesam sobre as tartarugas marinhas da Guiana, seja pelo recuo do litoral, pela caça descontrolada, e pelas perturbações animais ou humanas durante os momentos cruciais da desova e da eclosão dos ovos. 

A desova das tartarugas de couro atrai agora centenas de turistas, com um impacto importante sobre a economia e os empregos da região. Frente ao riscos ecológicos, a Rede tartarugas marinhas da Guiana coordena  os quarenta principais atores da fileira trabalhando seja nos projetos científicos de conservação seja no acompanhamento dos turistas. Na reserva natural de Amana os guardas da reserva organizam visitas em grupos, ensinando os bons comportamentos para viver essa experiência excepcional sem perturbar os animais. Voluntários da associação Kwata organizam também durante a temporada animações e conferencias de sensibilização para os mais jovens.

                                                         

 

Na retomada do turismo, novas tendências nas mídias sociais para 2022

Expo Dubai quer mostrar como conectar mentes em 2022

Para os profissionais a retomada das viagens domésticas e internacionais segue como toda força, mas mostra ao mesmo tempo a importância das transformações que o turismo está vivendo tanto nos desejos dos consumidores, nos serviços, nos transportes, na hospedagem, bem como na venda e na distribuição. As mídias sociais, e todas as “novas tecnologias”, atores das revoluções esperadas, estão também mudando de forma espetacular  as suas atuações no turismo. Se muitas novidades ainda surgirão depois da retomada quando o setor voltará a sua normalidade de crescimento, os especialistas já identificaram algumas dessas tendências pós Covid.

O e-comércio impacta todos os atores do turismo

O e-commerce deu uma acelerada, a pandemia foi um acelerador, obrigando os consumidores a comprar on-line produtos ou serviços que se compravam em lojas ou se consumiam em restaurantes. Enquanto as mídias sociais eram antes da crise ferramentas fabulosas de promoção, mas onde as vendas eram ainda pouco significativas (com excessão de algumas plataformas como Etsy), as vendas on-line explodiram não somente na Instagram e na Facebook, mas também no TikTok ou no Pinterest. Só nos Estados Unidos, o crescimento esse ano vai passar de 25,2% com 80 milhões de compradores e estão sendo projetados 100 milhões para o final do ano que vem.

Facebook impacta cada vez mais a escolha dos viajantes

Facebook segue na liderança, mesmo se os mais jovens tem tendência a privilegiar Instagram, Snapchat ou TikTok. Mas sem precisar lembrar que Messenger, Instagram e Oculus fazem parte do mesmo ecossistema, Facebook monopoliza ainda 58 dos 145 minutos diários que quase 2 bilhões de internautas passam nas mídias sociais. Para todas as empresas, ela oferece não somente excepcionais ferramentas de marketing mas também ofertas de empregos, serviços para consumidores, pesquisas de mercado ou promoção de eventos. Muitas dessas funcionalidades não se encontram nos seus concorrentes Twitter ou LinkedIn, consolidando, tão criticado que seja, o seu monopólio de fato.

Tiktok quer ser um key player da era pos Covid

Tiktok virou uma plataforma prioritária. Desde outubro 2021, TikTok mostrou seu interesse em convencer as pequenas e médias empresas bem como os criadores de conteúdos. Com quase um bilhão de usuários mensais, TikTok faz agora parte dos 5 maiores atores do setor (depois de Facebook, Instagram, WeChat e YouTube), com um crescimento muito acelerado junto aos maiores de 35 anos. A empresa chinesa anunciou uma serie de novas funções que vão aumentar sua competitividade: plataforma publicitária, remuneração dos conteúdos, integração de stories, ou grande oferta de filtros para publicação de imagens, aproveitando as oportunidades de realidade aumentada – uma tecnologia cuja procura aumentou de 81% nos últimos 5 anos.

Os videos curtos vão se multiplicar. Mesmo se os números de impressões ou de interações está globalmente em queda, os videos curtos  ainda conseguem hoje os melhores resultados na web e nas mídias sociais. É o caso dos posts de 15 à 60 segundos no TikTok, dos reels Instagram e agora no Facebook. E o caso dos stories agora publicáveis em todas as plataformas, de Snapchat à Twitter, ou de Instagram à Facebook, a única exceção sendo LinkedIn cuja experiencia fracassou. É assim provável que as marcas e as empresas vão agora investir cada vez mais em videos curtos, ou pelo menos em videos mais longos mas podendo ser divididos em varias publicações.

As mídias sociais utilizam cada vez mais as técnicas do neuromarketing

Os conteúdos gerados pelos próprios usuários estão em forte alta.  Essa última tendência já existia nos anos anteriores, mas foi acelerada durante a pandemia. Os viajantes confiam mais nos conteúdos divididos pelos parentes, amigos, colegas, líderes de opinião ou influenciadores. A partir das estatísticas de Facebook, Instagram, Google Review e TripAdvisor, analistas de “neuromarketing” mediram que esse tipo de conteúdo aumenta em 20% o número de visitantes, em 90% o tempo passado no site e em 81% as taxas de conversão. Curtir, comentar, compartilhar e responder nas contas de mídias sociais é assim, mais do que nunca, a melhor maneira de atingir as suas comunidades de viajantes.

Em Estrasburgo, um surpreendente ” Château Vodou”

A antiga caixa d’agua que virou museu de vodu

Se os visitantes sempre souberam ver a religiosidade da Alsácia na impressionante catedral Nossa Senhora de Estrasburgo, uma surpreendente homenagem as religiões africanas se esconde a 500 metros da “Petite France”, perto da estação de trens. Dentro de uma antiga caixa d’agua, foi aí que um Alsaciano apaixonado, Marc Arbogast, então diretor das cervejarias Fisher e Adelshoffen, abriu em 2014 um “Musée Vodou” abrigando a maior coleção do gênero na Europa com mais de 1200 peças trazidas de viagens no Gana, no Togo, no Benim ou na Nigéria. Um mergulho num mundo mágico que se espalhou da Costa da Mina para o litoral brasileiro.

Interior do Museu do “Château Vodou”

Administrado pela Associação dos Amigos do Museu Vodu, o “Château Vodou”  quer dar aos visitantes uma nova visão dessa religião nascida do encontro dos cultos iorubá, fon e éwé, e cuja filosofia sofisticada foi muito tempo escondida pelas caricaturas encontradas na literatura e no cinema ocidental. Deixando do lado a expansão do “vodu” em Haiti, em Cuba, na Louisiana e no Brasil, o museu é focado nos cultos praticados na Africa Ocidental desde o século XVII, na auge do reinado fon do Daomé (atual Benim), incluindo também as suas peculiares influências dos monoteísmos vindo da Europa ou da Africa do Norte.

O Château Vodou apresenta exclusivamente peças, máscaras, roupas ou estátuas ligadas as praticas religiosas e as cerimônias marcando todas as fases da vida -nascimento, casamento, funerais- bem como culto dos ancestrais, adivinhação, medicina, e até bruxaria com as famosas bonequinhas coloridas furadas com agulhas.  Os curadores do museu tiveram um cuidado especial para mostrar a atualidade do “vodu” através de muitas peças da segunda metade do século XX, algumas delas – por exemplo os “asen”, pedras para túmulos com cruzes cristãs ou crescentes islámicos- mostrando novas tendências de sincretismo.

Os animais são muito presentes na mitologia “vodu”

O “vodu” tem raizes no dia a dia dos seus seguidores, as vezes com toques de humor. Para calar os seus adversários, um artista montou um bico de pato fechado com cadeado chamado de “Ferme-ta-gueule” (Cala a boca). Uma estátua chamada “bla-bocio” representa uma casal enfeitado com pérolas e búzios, sendo um remedio milagroso para resolver todos os seus problemas conjuguais. E, para espantar o mau olhar e proteger a coleção, Marc Arbogast encomendou para um pai de santo do Benim um Kelessi, único ídolo “vivo” do Museu, que recebe agua e peças de moeda dos visitantes. Mesmo em Estrasburgo, nunca se sabe….

O Kelessi, protetor do Museu

O Kelessi, único ídolo vivo e protetor do Museu

Alem da exposição permanente, o Museu apresenta exposições temporarias, atualmente “Magia religiosa e poderes dos bruxos”.

 

 

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