A França, ainda líder do turismo mundial?

A França mais uma vez líder do turismo mundial em 2017

Mesmo publicadas com um pouco de atraso, as estatísticas 2017 do turismo francês são importantes para analisar a evolução do primeiro destino mundial. Com 86,9 milhões de entradas, a França continuou na liderança em entradas de turistas, na frente da Espanha (81,8 milhões, em expansão de 8,6% no conturbado mundo mediterrâneo) que passou na frente dos Estados Unidos (73,0 milhões, pagando talvez com uma queda de 3,8%  a rigidez migratória do Trump). Com um crescimento de 5,1% foi não somente borrada a queda provocada pelos terríveis atentados de novembro 2015 e julho 2016, mas também ultrapassado o recorde anterior de 2015. Anunciando com muito orgulho esse resultado, o ministro das relações exteriores e do turismo confirmou que a França deveria atingir em 2020 a meta de 100 milhões de entradas e consolidar sua liderança.

Com alta de 47%, o turismo russo foi o que mais cresceu

Se esse bom resultado era esperado, os profissionais ficaram surpresos pelo desempenho dos mercados internacionais. Os esperados turistas asiáticos ainda não recuperaram os níveis de 2015, a China crescendo pouco (4,9%), a Índia ainda caindo (-5,6%), e somente o Japão tendo um crescimento forte (17,8%). Os americanos (5,6%) e mais ainda os brasileiros (17,9%) voltaram com toda força, mas foi da Europa que foram registrados os maiores fluxos com destaque para Rússia (43,4%), Espanha (17,3%), Bélgica (9,6%). Primeiro mercado europeu, o Reino Unido não pareceu sofrer do Brexit se consolidou na frente da Alemanha, chegando a 12,7 milhões de entradas e  6%  de crescimento, uns números decisivos para oferecer a França o seu novo recorde de 2017.

EEUU lideram disparados o ranking das receitas do turismo internacional

O ranking do turismo mundial é porem bem diferente quando as receitas internacionais são o primeiro critério de classificação. A liderança disparada pertence nesse caso aos Estados Unidos com 190 bilhões de Euros, seguindo da Espanha com 60,3 bilhões. Mesmo tendo revisado os seus números e “re-encontrado” 10 bilhões de euros de receitas suplementares, a França fica somente em terceiro lugar com 54 bilhões de euros, uma posição ainda ameaçada pela China e pela Tailândia que poderiam subir no pódio já em 2018. Com a OMT projetando há 20 anos a chegada de  130 milhões de turistas na China em 2020, com os Estados Unidos e a Espanha num trend de forte crescimento, é certo que o título de pais mais visitado do mundo trocará de titular, e  que ambas lideranças em receitas e em entradas de turistas internacionais serão então perdidas.

Nas Sources de Caudalie, liderança em bem estar e enogastronomia

Na hora da sustentabilidade e da valorização do impacto econômico e social do turismo, os profissionais estranham a insistência dos políticos em se vangloriar de resultados quantitativos discutíveis. A França já  se posiciona como um grande líder mundial do “melhor turismo” em vez do “mais turismo”, respondendo as expectativas tanto dos seus turistas que dos seus moradores. Numa concorrência mundializada, três fatores diferenciantes contribuem a uma nova liderança: a imagem de um acervo cultural mundialmente reconhecido, um bem viver autêntico e protegido, uma oferta temática completa, especialmente nos segmentos com mais valor agregado (luxo, gastronomia, bem estar, enologia, esqui, congressos ou grandes eventos.

Nos vilarejos da Provence, as mesas esperam turistas e moradores

Se o seu primeiro lugar em números de chegadas de turistas não vigorará alem dessa década, a França pode guardar sua liderança como destino de “melhor turismo” frente as novas tendências que estão se desenhando hoje. Pode continuar liderando pelo seu forte conteúdo cultural, seu patrimônio , seus museus, sua arquitetura, mas também pela alternativa que ele oferece ao modelo do concorrente norte americano. Pode liderar pela especificidade do seu arte de viver, o seu estilo de vida autentico compartilhado entre os viajantes internacionais, os turistas locais (mais de dois terços do turismo francês é domestico) e os moradores. Pode liderar pelas suas normas sempre rígidas, protegendo o consumidor em termos de sustentabilidade, de uso do espaço público, de alimentação ou de ética social.

O Mont Saint Michel, patrimônio e fé no monumento mais visitado fora de Paris

A França vai também guardar a sua liderança pela riqueza da sua oferta turística. Com uns 40 destinos internacionais, consegue oferecer uma excepcional diversidade que inclui produtos e serviços de excelência em quase todos os segmentos. A Pirámida do Louvre, o Palácio dos Festivais de Cannes, as pistas de Courchevel, o Mont Saint Michel, os bangalós  de Bora Bora, os Hospices de Beaune, os vinhedos de Bordeaux, o bar do Lutetia, o Versailles do Ducasse, as adegas de Reims, os “bouchons”de Lyon, a vida de Saint Tropez, o castelo de Chenonceaux, o porto de Honfleur, o Hotel du Palais em Biarritz, ou as simples ruas e praças de Paris, Saint Paul de Vence, Saint Emilion ou Cap Ferret, são esses lugares de excelência, mais que números discutíveis, que ajudarão a França a liderar o turismo mundial.

Jean-Philippe Pérol

O porto de Honfleur, seduzindo os turistas pela sua luz e sua História

Esse artigo foi inicialmente publicado no “Blog Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

130 milhões de viagens de chineses em 2017, umas idéias para o Brasil?

Os chineses já representam 30% do turismo da Tailândia

As primeiras estimativas do turismo chinês para 2017 chegam a 130 millions de viajantes, com despesas globais de 285 bilhões de USD, mantendo a China como primeiro mercado mundial. As expectativas são hoje de 200 milhões de turistas chineses para 2020, turistas cobiçados por todos os grandes destinos. Mas a Europa terá talvez que esperar um pouco, a maioria deles escolhendo a Ásia, mais próxima e mais acessível. Assim a metade desses turistas não viajaram alem de Hong Kong (47 milhões), Macau (20 milhões) ou Taiwan, (3 milhões), e no Top 10 dos seus destinos preferidos, todos são asiáticos com exceção dos Estados Unidos e da França. No Top 20, também dominado pelos países vizinhos, só deveriam entrar ainda a Rússia, as Ilhas Maldivas, a Alemanha e a Suíça.

Oito países asiáticos no Top 10 dos viajantes chineses

Mesmo alem da grande China, essas viagens internacionais são concentradas em poucos destinos, cinco deles somando mais de 50% dos viajantes. Tailândia é hoje o destino que recebe mais turistas chineses, mais de 10 milhões. Representando quase um terço dos visitantes, eles empurraram o Reinado no Top 10 do turismo mundial e mais ainda no pódio nos países com as maiores receitas de turismo internacional, passando até a França. No Japão , os 7 milhões de visitantes vindo da China ajudaram o pais a virar em cinco anos um grande destino turístico.  Tradicionalmente muita apreciada pela sua cultura, a Coreia do Sul sofreu das ameaças de guerra com seu vizinho do Norte, e, se atraiu 4,2 milhões de chineses em 2017, deve ser esse ano passada pelo dinamismo do turismo vietnamita que cresceu 48,6%.

Turistas Chineses na Baia de Ha Long (Viet Nam)

Os vizinhos da China estão também tentando seduzir os seus turistas, investindo e antecipando as novas tendências: roteiros personalizados, serviços de melhor qualidade, menos shopping e mais experiências e intercâmbios. A Indonésia quer investir em dez “novas ilhas de Bali”. Os países da ASEAN vão investir mais de USD 100 bilhões para construir em aeroportos, ligações ferroviárias, hotéis e parques temáticos adaptados aos clientes chineses. Nos principais sítios turísticos do Japão, as lojas oferecem mais serviços em chinês, guias de compras em chinês estão sendo distribuídos, e milhares de comerciantes estão aderindo aos sistemas de pagamentos chineses Alipay e Wechat, aplicações multifunções que estão se espalhando em 30 países da região.

VisitBrasil marcando presencia na China

Para o Brasil, esses resultados impressionantes do primeiro parceiro dos BRICS deve levar a duas observações. A primeira é a fraqueza do fluxo de chineses para o Brasil, menos de 60.000. Um número difícil de comparar com os resultados dos países asiáticos ou dos grandes destinos europeus ou norte americanos, mas que fica complicado de entender quando se pensa no milhão de turistas chineses visitando a distante África do Sul. Para atingir a meta do plano Brasil Turismo, 12 milhões de visitantes até 2022, a China será com certeza a chave do sucesso. A segunda observação é o imensa potencial de viagens que os países vizinhos oferecem para um mercado emissor amadurecendo. Enquanto na China e no mundo inteiro 80% das viagens internacionais são concentrados em países limítrofes, no Brasil essa proporção é somente de 50%. Colômbia, Peru, Chile, Argentina ou Uruguai têm talvez ideias a buscar nos vizinhos da China …

Jean-Philippe Pérol

O turismo brasileiro para Colômbia dobrou em 5 anos

 

 

 

 

 

As cidades da Ásia lideram o crescimento do turismo mundial

O centro histórico de Macau, primeiro destino turístico da Ásia

Não é nem na Europa nem nas Américas que o turismo está bombando, mas na Ásia. Publicando o ranking das 10 cidades do mundo que conhecem o mais importante crescimento esse ano, o World Travel and Tourism Council destacou 10 cidades da Ásia como tendo o mais forte crescimento do seu turismo domestico e internacional. Fundada em 1990 pela American Express, muito tempo dirigida pelo francês Jean-Claude Baumgarten, o WTTC sempre se dedicou a mostrar o peso do turismo na economia global e a sinalizar grandes tendências. Tendo sido apoiada por grandes nomes da política internacional, de Kissinger a Blair, hoje sendo presidida pela mexicana Gloria Guevara, esse Conselho publicou agora uma impressionante pesquisa sobre o impacto do turismo nas cidades asiáticas,

A famosa passarela de vidro de Chonq Qing

As dez cidades do mundo com os maiores crescimento turístico são todas asiáticas, todas elas dependem em primeiro lugar dos turistas chineses, e as cinco primeiras do ranking são localizadas na China, mostrando o peso desse mercado tanto em tamanho atual que em potencial futuro. Classificados pela taxa de crescimento da sua economia turística, (a WTTC rompeu com as classificações tradicionais em números de turistas, privilegiando o impacto económico), as cidades são as seguintes:

1. Chongqing (China) –  14 %
2. Cantão (China) – 13,1 %
3. Xangai (China) – 12,8 %
4. Pequim (China) – 12 %
5. Chengdu (China) – 11,2 %

6. Manille (Filipinas) – 10,9 %
7. Nova Delhi (Índia) – 10,8 %
8. Shenzhen (China) – 10,7 %
9. Kuala Lumpur (Malásia) – 10,1 %
10. Jakarta (Indonésia) – 10 %

Centro urbano de Chong Qing a noite

Com cerca de 30 milhões de habitantes, Chong Qing é a maior aglomeração urbana da China. Localizado num planalto cercado de montanhas e de paisagens espetaculares, ela é atravessada pelo rio Jialing e pelo Yang Tsé (chamado também de Rio Azul), maior rio da Ásia. A cidade é assim o ponto de partida de cruzeiros fluviais até a famosa represa das Três Gargantas, a maior do mundo, e depois até Wu Han e Xangai. Mas as duas atrações mais famosas da região são a sua passarela de vidro que domina um barranco de 1010 metros de altura, e suas esculturas budistas inscritas ao património mundial pela UNESCO. Se os visitantes são por enquanto quase todos chineses, Chong Qing começa a contar com turistas internacionais, – japoneses, americanos ou europeus-,  que já estão contribuindo em mais de 5% para economia local.

A opera de Cantão

Cantão (Guangzhou em chinês) é conhecida pela sua Feira de Importação e Exportação da China, a mais antiga e mais famosa do pais, que atrai cada ano mais de 200.000 visitantes estrangeiros. Alem dos negócios, a cidade é procurada pelos turistas pelas suas opções de compras., oferecendo a preços muito atrativos todos os produtos fabricados na China, roupas, relógios, eletrônicos e brinquedos, bem como chás ou ervas tradicionais. Com a maior concentração de restaurantes da China, Cantão é também famosa pelo seu culinário, um dos mais autênticos do pais com sua sopa won ton, seus dim-sum ou seu porco agridoce. Mesmo com uma arquitetura moderna impressionante, Cantão oferece a seus visitantes uns monumentos testemunhos do seu rico passado como o Templo dos seis árvores banyans, a Mesquita Huaisheng, ou seus vilarejos da dinastia dos Song .

Vista noturna de Macau

A pesquisa da WTTC mostra também que Macau é a cidade mais turística da Ásia, com 27,3% da sua economia dependendo do turismo. E com 16 milhões de turistas internacionais, é a sexta cidade mais visitada do mundo. Tendo como único atrativo alem do jogo a sua rica herança da colonização portuguesa, pode ser talvez uma fonte de esperança para muitas cidades brasileiras …

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista profissional online La Quotidienne

 

; Reunião do WTTC no Brasil em 2009 com o Jean Claude Baumgarten e a Jeanine Pires

De Veneza a Reykjavik, prevenir a turismofobia melhorando a experiência turística

Veneza tentando conciliar turistas e moradores

Veneza tentando conciliar turistas e moradores

Com mais de 1,2 bilhão de turistas internacionais, o turismo de massa preocupa cada vez mais os moradores dos grandes destinos. Vendo os transtornos trazidos pela surpopulação, autoridades, jornalistas e influenciadores concordam em por a culpa dos transtornos nos próprios viajantes. A estigmatização do turista é uma velha e arrogante tradição aristocrática  do século XIX quando alguns “happy few”, já na época, não aguentavam dividir os monumentos de  Atenas e Roma, os beira mares de Nice e Biarritz, ou os artesanatos de Istambul, com os primeiros seguidores de Thomas Cook. Mas, mesmo se rejeitado até pelos seus pares, deve se reconhecer que o turista nem sempre respeita os moradores, os costumes do local, ou até regras básicas de convivência social ou de proteção do meio ambiente. Virou assim urgente de encontrar soluções para lutar contra a irresponsabilidade e os excessos, sem prejudicar as atividades econômicas nem atrapalhar a convivialidade e a liberdade de viver que os turistas procuram.

Os conselhos da China a  seus turistas antes deles viajar

Preocupando os destinos turísticos, o bom comportamento dos viajantes é também uma preocupação de alguns países emissores que temem que atitudes inadequadas prejudicam a sua imagem. Líder mundial com mais de 110 milhões de turistas, quase todos primeiro-viajantes, a China publicou em 2013  um “Guia do turismo civilizado” com conselhos a seguir, incluindo 64 paginas de recomendações (as vezes surpreendentes) como por exemplo não fazer barulho quando bebe, não limpar o nariz com os dedos, não subir em pé nos toaletes, não levar os coletes salva vidas dos aviões ou não importunar os moradores. Alguns conselhos eram específicos para certos destinos: não estalar os dedos para chamar o garçom na Alemanha, não oferecer flores amarelas na França, não falar da realeza na Tailândia ou não tocar as pessoas com a mão esquerda na Índia. O mau comportamento podendo levar a entrar numa lista negra de pessoas proibidas de viajar, é provável que essa recomendações, por esdrúxulas que sejam, foram seguidas, e devem ter contribuídas a evitar abusos.

O juramento islandês

Destino de sucesso que viu suas chegadas de turistas quintuplicar, mas preocupada com o impacto sobre o meio ambiente e a vida social, a Islândia lançou em julho desse ano um juramento de bom comportamento que os candidatos a turista são incentivado a fazer. “The Icelandic Pledge”, que pode ser encontrado e assinado on-line no site, é um compromisso moral do visitante com 8 clausulas de respeito ao meio ambiente e as regras de segurança: ser um turista eco-responsável, respeitar as regras de transito e de estacionamento, deixar os lugares limpos, não sair dos caminhos autorizados e cuidar com a meteorologia. Mesmo não sendo obrigatório, o juramento já foi assinado por 30.000 pessoas. Para a ministra do turismo da Islândia, “os turistas querem mesmo ser responsáveis, mas nem sabem sempre o que isso significa em termos de comportamento”. O sucesso da campanha foi de lembrar, de maneira cordial e humorística, algumas regras básicas, e de mostrar  que esse respeito era uma forma de integrar a cultura local e de ajudar o relacionamento com os moradores,

 

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi inspirado de um artigo de Josette Sicsic na revista profissional online Tourmag

Turismo em 2016: choques, mudanças e poucas saudades. Mas tendências e esperanças para 2017.

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Nice, a cidade de Garibaldi, lutando com garra para recuperar os seus turistas

Mesmo se a OMT está anunciando um crescimento de 4% do turismo internacional em 2016, o ano terá sido de dificuldades em muitos mercados, tanto receptivos como emissivos. Na França, pela primeira vez,  os atentados de Paris e Nice levaram a uma queda de 7% da clientela estrangeira, vindo tanto da Europa como do Japão, dos Estados Unidos e mais ainda dos mercados emergentes  que foram nos últimos anos o motor do crescimento do turismo francês. No Brasil, o segundo ano consecutivo de recessão levou o turismo emissivo a uma queda de quase 15% (e até mais para os dois grandes destinos tradicionais, Estados Unidos e França).

O esqui, um dos sucessos do turismo francês em 2016

O esqui, um dos sucessos do turismo francês em 2016

Se 2016 não deixará saudades, ele viu numerosas mudanças importantes no turismo internacional que impactarão, nos próximos anos,  não somente as decisões dos viajantes mas também o trabalho dos profissionais. Sem poder ainda fazer uma relação completa, três tendências estão se destacando. Os dramas de Paris, Bruxelas, Nice, Orlando e Berlim, os eventos na Turquia, na Tunísia ou no Egito fizeram da segurança um critério absoluto de escolha dos destinos. E enquanto no passado horrores similares tinha sido superadas em 3 a 4 meses, os viajantes esperam agora mais tempo para voltar, exigindo informação transparente, medidas concretas e resultados comprovados das autoridades ou dos profissionais dos destinos atingidos.

Guo Gang Chang, da Fosun, a nova cara do Club Med

Guo Gang Chang, da Fosun, a nova cara do Club Med

2016 confirmou a China como um dos maiores atores do turismo internacional. A OMT já tinha anunciado há quase vinte anos que a China se tornaria antes de 2020 um dos primeiros mercados emissores, ela já é o primeiro. Serão esse ano 128 milhões de turistas (mesmo se a metade viajam para Hong Kong, Macau e Taiwan) e US$420 milhões de despesas no exterior. A verdadeira surpresa foi a explosão dos investimentos chineses, com um impacto excepcional na França e no Brasil. Em pouco mais de um ano, vimos o Club Med, a Accor, a Wagons Lits e a Azul passar a ser controladas por gigantes da China que vão sem dúvidas influir nas estratégias desses grupos chaves do turismo nos dois países.

AirBnb parceira do Rio de Janeiro olímpico

AirBnb parceira do Rio de Janeiro olímpico

Foi esse ano também que as grandes empresas da economia colaborativa viraram atores incontornáveis da industria turística. Assim a AirBnb que conseguiu mostrar durante os Jogos Olímpicos do Rio que representava quase 25% da oferta de hospedagem da cidade maravilhosa. Sendo agora líder em muitos destinos, incluindo em Paris, AirBnb deve aceitar uma concorrência leal com os profissionais – pagando impostos e respeitando os códigos de consumidores-. Deve resolver a difícil coabitação entre seus clientes e os moradores das vizinhanças. Mas os seus sucessos de 2016 junto aos viajantes, os acordos passados com redes hoteleiras e o lançamento da operadora Trips, mostram que a AirBnb e os grupos da economia colaborativa são hoje atores profissionais do setor que vão contribuir a mudar o turismo mundial.

O impacto da eleição de Trump sobre o turismo preocupa os profissionais americanos

O impacto da eleição de Trump  preocupa os profissionais americanos

Outros eventos importantes que marcaram 2016 vão influenciar as viagens internacionais em 2017,:grandes mudanças políticas – Brexit, eleição de Trump ou Paz na Colombia- , evoluções do cambio – força do dolar, queda do Euro ou firmeza do Real, sem que seja ainda possível de medir os seus impactos. Mas é certo que desde o mês de setembro as tendências das viagens internacionais deram uma forte melhoria, projetando 15% de crescimento entre o Brasil e a França. Podemos assim desejar uma “Bonne Année” a todos os viajantes e a todos os profissionais do setor contando que 2017 vai ser mesmo um Feliz Ano Novo!

Jean-Philippe Pérol

Azul, agora não somente verde amarelo mas também vermelho

Azul, agora não somente verde amarela mas também vermelha

Três boas razões para acreditar em 2 bilhões de turistas daqui a 2025!

Sempre jovem, a torre Eiffel pronto a continuar como ícone de turismo mundial

A torre Eiffel pronta a continuar como ícone do turismo mundial

Projetando cerca de 2 bilhões de turistas internacionais para 2025, esperando um espetacular crescimento das despesas de viagem, os especialistas lembram que três tendências estão sustentando a evolução do turismo mundial: a expansão das classes emergentes, o envelhecimento das populações, e o progresso das comunicações. Já observados há uma década, esses fatores foram também destaques de uma pesquisa conjunta do cartão Visa e da Oxford Economics, “International Outbound travel projections”, cujos resultados foram publicados no ultimo mês de julho.

Famílias com renda superior a 20.000 USD por ano (em milhões)

Famílias com renda superior a 20.000 USD por ano (em milhões), nos mercados desenvolvidos e nos mercados e emergentes

O crescimento econômico vai levar cada vez mais consumidores a uma faixa de renda superior a 20.000 USD por ano aonde se encontram 80% dos viajantes internacionais, responsáveis por 90% das despesas. Projetando esse dados no futuro, Visa calculou que a metade das famílias terão como arcar com pelo menos uma viagem em 2015, sendo que uma em cada oito viajará mesmo. Um terço dessas viagens serão internacionais, com uma média de gastos superior a 5.300 USD.

Os dez países com as maiores despesas de viagem em 2015

Os dez países com as maiores despesas de viagem em 2015 (en bilhões de USD)

Os países emergentes terão um lugar de destaque nesse novo cenário, sendo então responsáveis por 45% dos 1.500 bilhões de USD de despesas do turismo internacional. Com um viajante em cada seis, China será o primeiro mercado emissor mundial com 255 bilhões, 86% a mais que em 2015, muito à frente dos Estados Unidos. Dois outros BRICS estarão presentes no Top Ten dos mercados: a Rússia, com o maior crescimento dos próximos 10 anos, e o Brasil que chegará, segundo a pesquisa da Visa, a 38 bilhões de USD de gastos de viagens internacionais.

Os dez países com o maior numero de viajantes de mais de 65 anos em 2025

Os dez países com o maior numero de viajantes de mais de 65 anos em 2025

Com a (ainda) crescente esperança de vida, e uma grande vontade de viajar da “melhor idade”, os turistas de mais de 65 anos vão ganhar muito mercado até 2025, devendo chegar a representar 13% das viagens internacionais nessa data. Podendo viajar fora da alta temporada, escolhendo estadas longas, eles serão provenientes principalmente da Europa ou da América do Norte, mas terão preferências de viagens diferenciadas.

A França iniciou em Setembro uma campanha de promoção do turismo de saúde

A França iniciou em setembro uma campanha de promoção do turismo de saúde

Enquanto alguns percorrerão o mundo, continuando a dar preferência para circuitos de ônibus ou cruzeiros marítimos e fluviais, outros vão dar um impulso excepcional ao turismo de saúde. Segundo a organização Patients Beyond Borders, as viagens com essa finalidade já representam vários bilhões de USD, mas devem crescer de 25% nos próximos anos, principalmente para os Estados Unidos. Alguns países como Tailândia, Singapura ou a Espanha estão também bem posicionados e a França mostrou recentemente que quer virar um dos líderes do setor.

O Airbus A380 da Air France

O Airbus A380 da Air France, tecnologia aproximando os destinos

Além do poder aquisitivo das classes emergentes e da vontade de viajar da melhor idade, os avanços tecnológicos  vão também ajudar a atingir os 2 bilhões de turistas em 2025, reduzindo as distâncias com voos mais diretos e baixo consumo energético. Nos últimos 5 anos, mais de 2.500 novas rotas aéreas foram abertas, e a abertura de 340 aeroportos está prevista nos próximos dez anos, facilitando as viagens. A conectividade globalizada e a proliferação dos smartphones não somente ajudam a escolher os destinos e a preparar as viagens, mas ainda favorecem a espontaneidade e permitem personalizar os roteiros, incentivando e tranquilizando o viajante.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original da  Chantal Neault na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat

Carlson: para os herdeiros da Wagons lits, uma nova era chinesa?

Estande da Carlson Rezidor no ITB de Berlim

Estande da Carlson Rezidor no ITB de Berlim

Já sócio da Azul e de varias empresas de aviação ou de hotelaria na Espanha, na Suíça e na própria China, o grupo chinês HNA acabou de comprar uma participação majoritária na Carlson Redizor. Dona de muitas marcas importantes como Radisson Blu, Radisson, Radisson RED, Park Plaza, Park Inn by Radisson, Quorvus, Country Inns & ou Suitecwt_logo1s, essa empresa da Carlson, que começou em 1960 comprando o Hotel Radisson de Minneapolis, administra hoje mais de 1400 hotéis no mundo. Mais conhecidas no Brasil por ter herdadas a fabulosa historia da “Compagnie internationale des wagons lits et du tourisme”, as agencias de viagens da Carlson Wagonlit Travel não foram incluídas na transação mas os analistas já projetam novos possíveis lances.

O Grande Hotel de Pequim então da Wagons lits

O Grand Hotel de Pequim então da Wagons lits

Vendo essa notícia ligando a China, a hotelaria e a Wagons lits – onde trabalhei oito anos no Brasil e na França -, me lembrei da minha primeira reunião em Paris com o diretor financeiro da empresa, quando tinha sido impressionado por um quadro na parede do seu escritório. Ele mostrava uma carta no papel timbrado do Grande Hotel de Pequim, mandada em 1951, pouco tempo antes da estatização pelo regime comunista. 521de778a4e8b5f2fbe0f04976ad16ebEsse palace, onde o escritor francês André Malraux escreveu seu maior livro ” A condição humana”, era parte da cadeia hoteleira da Wagons-lits “Les grands hôtels des Wagons-lits”,  fundada em 1894. Hoteis de luxo tinham sido abertos nos maiores destinos internacionais: o Pera Palace de Istambul, o Terminus de Bordeaux, o Grand Hôtel de Marselha, o Excelsior de Bruxelas ou o Travel Palace de Paris, num prédio dos Campos Eliseus 107 onde fica hoje uma agencia do banco HSBC.

O Pullman Paris Tour Eiffel

O Pullman Paris Tour Eiffel

Depois de ter perdido os seus prestigiosos palaces, e de ver os seus hotéis espalhados entre as marcas Etap, PLM, Altea e Arcade,  Wagons lits tentou em 1986 voltar como grande ator da hotelaria mundial, lançando a marca Pullman como bandeira dos seus cinco estrelas e também como nome do novo grupo. Antoine VeilMesmo como toda força da companhia, e o prestigio do seu então Presidente Antoine Veil, já era tarde. Comprando a Compagnie internationale des wagons-lits et du tourisme (CIWLT) em 1991, Accor fusionou dois anos depois a Pullman recém nascida com a Sofitel. A marca voltará a ser utilizada a partir de 2007 -inclusive no Brasil- para os hotéis middle-scale do grupo francês.

Sofitel Wanda em Pequim

Sofitel Wanda em Pequim

Separada da Carlson desde 2006, mas também herdeira da Wagons lits, a Accor já voltou na hotelaria de luxo em Pequim, não com o Grand Hotel mas com um espetacular Sofitel Wanda. Para Carlson Rezidor a entrada da HNA  marcará talvez novas ambições para o grupo. A HNA, que quase comprou a operadora FRAM em 2015, poderia também fazer outras propostas incluindo outros reencontros. E mesmo agora espalhados, os mitos da Compagnie Internationale des Wagons lits et du tourisme continuarão a alimentar os sonhos dos viajantes.

Jean-Philippe Pérol

Assinatura do acordo entre a chinesa HNA e a americana Carlson

Assinatura do acordo entre a chinesa HNA e a americana Carlson

 

 

 

 

O Guiness para um incentivo chinês de 6.400 pessoas na França

A TIENS ESCREVENDO NA PROMENADE DE NICE

De Paris a Nice, um grupo de 6400 turistas, na grande maioria chineses, quebrou vários recordes do Guiness Book, o primeiro deles sendo de ser a maior viagem em grupo organizado da historia do turismo francês. capture-http-www-tianshiindia-co-inA aventura começou no ano passado quando o dono da empresa Tiens, o Senhor Li Jin Yuan, queria um evento marcante para comemorar os 20 anos da empresa, um conglomerado especializado nos complementos alimentares e os cosméticos, com filiais na China mas também no Quénia e na Rússia. Depois de decidir de oferecer um fim de semana magico para os seus melhores vendedores, teve que escolher entre as ofertas da Italia, da Inglaterra e da França. Com um itinerário original, dividido entre os bairros da capital francesa e os charmes da Cote d’Azur, a operadora chinesa U-Tour, devidamente apoiada pela Atout France, convenceu a Tiens que a França era o destino certo, a altura dos objetivos e do desafio da empresa.

touristes-chinois-OKE foi assim que dia 5 de Maio aterrissaram em Paris 5400 chineses e 1000 kenianos ou russos, vindo em84 vôos, hospedando em 140 hotéis e transportados em 136 ônibus. O Louvre foi privatizado, o Pavillon Tambon também, e o Senhor Li Jin Yuan, bem como seus dez diretores foram recebidos nos salões requintados do Quai d’Orsay (o Itamaraty francês) pelo próprio ministro Laurent Fabius que agradeceu seus convidados por ter escolhido a França para essa viagem de incentivo pioneira.

O HOTEL NEGRESCO E A %22BAIE DES ANGES%22

Levados para Nice num TGV especial, os participantes tiveram o grande encontro nos dias 8 de Maio,  quando a “Promenade des Anglais” virou a Alameda dos Chineses. 770218-des-employes-du-groupe-chinois-tiens-paradent-a-nice-ou-ils-sont-venus-avec-environ-6400-collegues-fSob a vigilância dos inspetores do Guiness Book of Records, os 6400 funcionários do grupo escreveram a mais comprida frase jamais visto do céu: “Tiens dream is Nice in the Côte d’Azur”. Juntos com os moradores um pouco surpresos, assistiram depois a um desfile de barcos e de aviões na Baie des Anges enquanto o Presidente da empresa, hospedado no tradicional  Hotel Negresco, passeava num Jeep americano da Segunda Guerra para comemorar também o dia da Vitoria.

Para a Atout France, a agence de desenvolvimento turístico da Franca, o sucesso dessa viagem de incentivo histórica se deve a mobilização de todos os profissionais franceses, sejam públicos, privados ou políticos, Actu_Atout-France_2para ajudar a operadora U-Tour em todos os detalhes dos preparativos e das operações, incluindo na facilitação dos vistos ou da segurança dos participantes. E valeu a pena, não somente pela alegria comunicativa dos participantes, mas também pelo impacto econômico do evento, estimado entre 13 e 20 milhões de Euros, e pela bela demonstração da capacidade da França a organizar grandes eventos corporativos.

Grandes incentivos brasileiros na França já foram organizados*, mas a façanha do grupo Tiens  mostrou que os mercados emergentes podem gerar eventos de grande porte, levando milhares de participantes para viagens de longa distancia,grupodeincentivo130814 com um retorno excepcional não somente para os convidados mas para a própria empresa. Ai, quem será o primeiro empresário brasileiro a festejar com milhares de funcionários um grande evento em Paris, Nice, Cannes, Deauville ou Bordeaux?

Jean-Philippe Pérol

* O maior incentivo registrado no Brasil para França não aconteceu. Teria sido um grupo de mais de 1000 revendedores da Ford que deviam comemorar na Galerie des Batailles do Palácio de Versalhes o lançamento do carro homônimo. Algumas semanas antes do evento o Plano Collor levou a montadora a cancelar o evento que tinha sido organizado pela Oremar, com o apoio da Air France e da então Maison de la France. Saudades… 

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Um bilhão de sites, três bilhões de internautos, e um ranking mundial com surpresas para vir

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O site especializado internetlivestats anunciou que a Internet ultrapassou o primeiro bilhão de sites on-line competindo junto aos três bilhões de internautos (pessoas se conectando no web pelo menos uma vez por mês). Esses números não pararam de crescer – assim fizeram também os números de emails mandados cada dia.. Segundo a a eMarketer, o numero de utilizadores da Internet no mondo vai  ter em 2015 um crescimento de 6,2%, passando os três bilhões para chegar ao final do ano a 42,4% da população do planeta. Segundo as projeções feita pela empresa, esses números devem representar em 2018  3,6 bilhões de usuários e 50% da humanidade.

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Mas esse crescimento vai vir junto com profundas mudanças no mapa e na importância dos mercados. Enquanto os países mais desenvolvidos já estão saturados e têm taxa de crescimento muito baixas, os BRICS vão liderar a expansão do numero de usuários. Com suas novas classes medias tendo cada vez mais smart fones e aproveitando novas redes de banda larga, os cinco grandes emergentes vão representar quase 400 milhões de novos consumidores na Internet.

A China já é o primeiro mercado mundial na Internet, com mais de 620 milhões de internautas em 2013, ela já deixou muito para trás os Estados Unidos que nem chegavam a 250 milhões. Alibaba_Corp._Taiwan_Grand_OpeningAs grandes agencias on line chineses como Ctrip ou Elong já estão chamando atenção dos maiores atores do turismo da Europa ou da América do Norte. E não demorará muito para ver os gigantes do web chineses – Alibaba, Tencent e Baidu – chegar nos principais mercados do turismo mundial.

Nos quatro próximos anos o crescimento dos países emergentes vai ser espetacular e atingir não somente os BRICS mas também novos gigantes.linkedin-indonesia-300x251 A índia, o México e a Indonésia vão ter os seus números de internautas crescer de dois dígitos por ano -, e cada ano será marcado por avanços desses novos mercados. Logo esse ano o Brasil vai passar o Japão como quarta mercado; em 2015 o México passará em oitavo lugar, passando a Alemanha; em 2016 a índia tomará o segundo lugar dos Estados Unidos e em 2017 a indonésia tirará o Japão do top cinco.

Pessimistas na França e nos grandes mercados desenvolvidos, os grandes atores do eTurismo têm motivos para esperar progressos espetaculares. O Brasil, com seus 346 milhões de internautas em 2018, fará com certeza parte desse novo mapa da mina.

Jean Philippe Pérol

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Esse artigo foi adaptado dum artigo original de Serge Fabre publicado no site da Pagtour

Turismo mundial: otimismo para 2014, olho na Espanha, na China e no Brasil…

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Segundo a Organização mundial do turismo, as chegadas de turistas quebraram um novo recorde em 2013 com 1087 milhões, 5%  a mais que em 2012.  Cliente OMTO secretário geral, Taleb Rifai,  lembrou que o que setor mostrou, numa conjuntura econômica difícil, que era capaz de adaptação e de dinamismo, criando milhões de empregos.  A Organização prevê para 2014 um crescimento 4 a 4,5%, maior do que as previsões anteriores de 3,8%. Sustentada  por 300 especialistas do setor, essa previsão destaca também que a Ásia deve ser a região com maior crescimento (5 a 6%), enquanto a Europa e as Américas devem ficar somente em 3 a 4%.

Essas estatísticas e as respectivas analises são detalhadas no site da OMT (http://media.unwto.org/fr/press-release/2014-01-20/le-tourisme-international-surpasse-les-attentes-avec-des-arrivees-en-hausse). Além de lembrar que a França guardou a liderança com 83 milhões de visitantes, devem ser talvez completadas com alguns  comentários  sobre a Espanha, a China e o Brasil.

O espetacular resultado da Europa, considerando a crise econômica que perdura, é em primeiro lugar o sucesso da Espanha que cresceu 5,6%, recebeu 60,6 milhões de turistas, e ficou em terceiro lugar, tirando a China do pódio da medalhas do receptivo mundial. Melhor ainda, suas receitas de turismo internacional chegaram a 45 bilhões de Euros, 9% acima de 2012. O Presidente do Conselho fez questão de anunciar que quase todas as comunidades tiveram recordes de chegadas, e que o turismo teve uma implicação chave na retomada da economia espanhola.

Nos mercados emissores, a China e a Rússia se destacaram com crescimento de mais de 25%. VUITTONCom 97 milhões de saídas e 102 bilhões de despesas no exterior, a China consolidou seu lugar de líder mundial. Os 100 milhões de turistas previstos para 2020 serão atingidos já esse ano e tem que pensar agora nos 200 milhões. É importante porem fazer duas observações:

– A primeira é que os números da OMT referente a China são um pouco distorcidos. Os 93 milhões não são na verdade saídas de turistas, mas saídas do território chinês, mesmo que por somente um dia (nos outros países não são considerados ‘turistas’, permanências abaixo de 24 horas). Mas importante ainda, viagens para Hong Kong, Macau e Taiwan são considerados internacionais e representam 71% das saídas de turistas chineses. O turismo internacional propriamente dito representa 30 milhões de saídas, um número ainda suficiente para ficar nos 10 grandes países receptores, mas muito mais modesto.

– O turismo internacional na China sendo muito recente (estagnou até 1998 em 5 milhões de saídas), se deve ter muita cautela quando se trata de projeções a longo prazo. Vimos na Europa ex-oriental uma explosão de viagens depois de 1989 que não perdurou. O primeiro lugar da China tanto no emissivo como no receptivo será em breve um fato consumado, mas o seu peso global ao longo prazo no turismo mundial , especialmente para os países mais distantes na Europa ou nas Américas, é ainda difícil de prever.

CAFE_ParisO comunicado da OMT fala pouco do Brasil além de um curto lembrete na última frase. É citada uma alta significativa nas despesas de turismo em sete países emergentes, o sétimo sendo justamente o Brasil com 14%. Projetando para 2014, podemos deduzir que as previsões são de um crescimento ainda forte do nosso turismo exportativo (mesmo se abaixo dos outros BRICS) , e de um pequeno aumento (2 a 3%) do turismo receptivo, o impacto da Copa devendo ser mais visível nos próximos anos. Vamos torcer!

Jean-Philippe Pérol