A alta costura se apaixona pela hotelaria de luxo

Moda, cultura e hospedagem são cada vez mais interligadas

A moda está se apaixonando pela hotelaria de luxo … e os gigantes do setor estão aproveitando seu “savoir faire” em produções exclusivas para oferecer novas fórmulas de hospedagens a seus clientes privilegiados, especialmente estadunidenses e árabes. Louis Vuitton, Bulgari, Louboutin, Armani, Dolce & Gabbana, Ferragamo ou até mesmo a revista de moda internacional Elle  estão assim investindo em hotéis com quartos e suítes de luxo, serviços personalizados, incluindo personal shoppers, acessos exclusivos a suas lojas, ou visitas particulares de museus pertencendo às vezes aos mesmos grupos econômicos.

A LVMH abriu em Shanghai um ícone da hotelaria de luxo

O grupo LVMH, já proprietário desde 2018 da marca Belmond e com o Orient Express na sua carteira, ampliou em 2021 sua marca Cheval Blanc com seu esperado palace em Paris, estabelecimento de 70 apartamentos dominando o Rio Sena e oferecendo um spa da Dior. A própria Vuitton deve abrir em 2026 um boutique hotel de “ultra luxo” no Champs Elysées, com a promessa de uma experiência única no universo da famosa marca. O grupo é também dono da Bulgari que comercializa hotéis cinco estrelas em Paris, Londres, Milão, Roma, Tóquio, Dubai, Bali, Pequim e Shanghai. Bulgari anunciou mais aberturas para os dois próximos anos nas Maldivas, em Los Angeles e em Miami Beach.

O “Vermelho”, primeiro hotel do Louboutin em Portugal

No ano passado, o estilista Christian Louboutin inaugurou o  seu primeiro hotel , o “Vermelho” (o nome se refera a cor emblemática da sola dos famosos sapatos, inspirada do esmalte das unhas da sua assessora), na cidade portuguesa de Melides, no Alentejo, a uma hora e meia no sul de Lisboa. O hotel possuí somente 13 quartos e foi construído com um cuidado especial para a sua integração no meio ambiente deste vilarejo que parece ter ficado no século XIX. Azulejos, afrescos, portas e peças únicas são homenagens ao artesanato, a criatividade e a arte para oferecer aos viajantes uma experiência exclusiva.

O Portrait hotel da Ferragamo em Florença têm uma localização excepcional

Na hotelaria italiana, o destaque é a família Ferragamo com a coleção Lungarno, fundada em 1995 e que tem na sua carteira três estabelecimentos da marca Portrait em Milão, Florença  e Roma. Ainda na capital da Toscana, o grupo tem o seu histórico Hotel Lungarno, o Continentale, a Galeria Hotel Art e os Apartamentos Lungarno. As outras marcas italianas de moda investindo em hotéis, não podia também faltar nem a Armani que abriu dois  5 estrelas, um em Milão e outro em Dubaï, nem a Versace, nem mesmo a Dolce & Gabbana.

A suite Gianni do “The Villa” da Versace em Miami

Na famosíssima Casa Casuarina de Miami, ícone da arquitetura dos anos 30 inspirada do Alcazar de Cristovão Colombo em Santo Domingo, a Versace abriu “The Villa” um boutique hotel de luxo de somente 12 suítes, que atrai celebridades pelo seu restaurante e seus salões de eventos. Fazem também parte do grupo o Palazzo Versace em Dubaï e o Grand Lisboa Palace em Macau. Mas quem quer mesmo marcar a hotelaria de luxo em Miami é a Dolce&Gabbana que anunciou o lançamento de um espetacular projeto de condomínio num arranha céu de 320 metros que será aberto até 2028. Estão previstas 259 residências, restaurantes, bares, piscina na cobertura e spa.  O design da fachada e dos interiores deve mostrar as características da marca bem como o encontro do glamour e da elegância da Itália e de Miami.

O futuro   “888 Brickell” da Dolce & Gabbana em Miami

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original da revista francesa profissional on-line Mister Travel  

Em Hong Kong, alem da Liberdade, o turismo ameaçado?

Os protestos para liberdade de Hong Kong

Com o turismo sendo um dos setores mais impactados, as violências que estão acontecendo em Hong Kong têm raízes profundas nas preocupações dos moradores frente o recuo permanente das liberdades enquanto se aproxima o final programado para 2047 do atual acordo “um pais dois sistemas” firmado em 1997 entre a China e o Reino Unido. Mas a permanência dos protestos depois do recuo do governo se devem sem dúvida, às dificuldades da população com o custo de vida, a alta impressionante dos preços imobiliários que triplicaram em dez anos empurrando os aluguéis, e da evolução extremamente desigual dos salários que leva a um recorde mundial de diferencias sociais.

Hong Kong renovando a sua imagem turística

Enquanto o turismo representa 5% da economia da cidade – com 65 milhões de visitantes em 2018, as reservas começaram a cair em junho em quase todos os mercados. A maior parte dos governos tanto na Ásia quanto na Europa ou na Ámerica do Norte já emitiu aviso de prudência ou até desaconselhando viagens para Hong Kong. A queda já foi de 4,8% em julho, nos países vizinhos (menos 20,1% na Coreia do Sul) e nos países distantes (menos 11,8% na Austrália) mas também junto aos chineses do continente e de Taiwan que representam, respectivamente, 67% e 3% do total dos turistas chegando na cidade. Com as reservas de hotel caindo desde junho de até 30%, é provável  que o impacto vai prejudicar com mais forca ainda a economia da cidade.

O CEO da Cathay Pacific, Rupert Hogg, saindo no meio da crise

O transporte aéreo é também atingido. Em julho foram os protestos no aeroporto que levaram ao bloqueio dos voos durante dois dias, em agosto uma greve geral que provocou o cancelamento de mais de 200 voos. A companhia de bandeira da cidade, Cathay Pacific não divulgou números, mas advertiu que seus resultados serão impactados. As consequências foram mais graves ainda sobre a gestão da empresa. O CEO da Cathay Pacific bem como o seu diretor comercial tiveram que pedir demissão e vários funcionários implicados nos protestos foram demitidos ao pedido do governo chinês que ameaçava suspender os direitos aéreos da empresa, e sob pressão das mídias chinesas que espalharam o hashtag #BoycottCathayPacific nas redes sociais.

Shenzen aproveitando a crise para se posicionar?

Essa agitação na terceira praça financeira mundial -Hong Kong só perde de Nova Iorque e Londres- preocupa o setor. Os bancos HSBC, Standard Chartered e East Asia publicaram anúncios no jornais locais chamando para uma saída pacífica do conflito. Temem que as vantagens fiscais, as leis compreensivas e a discrição dos serviços financeiros não sejam mais suficientes para atrair os investidores tanto internacionais quanto chineses. A 27 quilômetros da fronteira com a China, a cidade de Shenzen já está se posicionando, com seus 12 milhões de habitantes, a sua economia apoiada no terceiro porto mundial (depois de Xangai e Cingapura), a sua zona econômica especial mais dinâmica do continente e o seu crescimento duas vezes maior que Hong Kong em 2018.

Macau, concorrente português da inglesa Hong Kong

Mas discreta e querendo ser uma vitrina bem sucedida do lema “um país dois sistemas”, a antiga colônia portuguesa de Macau quer mostrar a relação com a China não prejudicou as suas liberdades locais. Talvez por ser mais conservadora, ou pela herança lusitana, ela também lembra agora discretamente que é um grande destino turístico, paraíso dos cassinos único no país, recebendo mais de 35 milhões de visitantes por ano. Será que, até no turismo, Pequim ainda precisa de Hong Kong?

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista on-line La Quotidienne

As cidades da Ásia lideram o crescimento do turismo mundial

O centro histórico de Macau, primeiro destino turístico da Ásia

Não é nem na Europa nem nas Américas que o turismo está bombando, mas na Ásia. Publicando o ranking das 10 cidades do mundo que conhecem o mais importante crescimento esse ano, o World Travel and Tourism Council destacou 10 cidades da Ásia como tendo o mais forte crescimento do seu turismo domestico e internacional. Fundada em 1990 pela American Express, muito tempo dirigida pelo francês Jean-Claude Baumgarten, o WTTC sempre se dedicou a mostrar o peso do turismo na economia global e a sinalizar grandes tendências. Tendo sido apoiada por grandes nomes da política internacional, de Kissinger a Blair, hoje sendo presidida pela mexicana Gloria Guevara, esse Conselho publicou agora uma impressionante pesquisa sobre o impacto do turismo nas cidades asiáticas,

A famosa passarela de vidro de Chonq Qing

As dez cidades do mundo com os maiores crescimento turístico são todas asiáticas, todas elas dependem em primeiro lugar dos turistas chineses, e as cinco primeiras do ranking são localizadas na China, mostrando o peso desse mercado tanto em tamanho atual que em potencial futuro. Classificados pela taxa de crescimento da sua economia turística, (a WTTC rompeu com as classificações tradicionais em números de turistas, privilegiando o impacto económico), as cidades são as seguintes:

1. Chongqing (China) –  14 %
2. Cantão (China) – 13,1 %
3. Xangai (China) – 12,8 %
4. Pequim (China) – 12 %
5. Chengdu (China) – 11,2 %

6. Manille (Filipinas) – 10,9 %
7. Nova Delhi (Índia) – 10,8 %
8. Shenzhen (China) – 10,7 %
9. Kuala Lumpur (Malásia) – 10,1 %
10. Jakarta (Indonésia) – 10 %

Centro urbano de Chong Qing a noite

Com cerca de 30 milhões de habitantes, Chong Qing é a maior aglomeração urbana da China. Localizado num planalto cercado de montanhas e de paisagens espetaculares, ela é atravessada pelo rio Jialing e pelo Yang Tsé (chamado também de Rio Azul), maior rio da Ásia. A cidade é assim o ponto de partida de cruzeiros fluviais até a famosa represa das Três Gargantas, a maior do mundo, e depois até Wu Han e Xangai. Mas as duas atrações mais famosas da região são a sua passarela de vidro que domina um barranco de 1010 metros de altura, e suas esculturas budistas inscritas ao património mundial pela UNESCO. Se os visitantes são por enquanto quase todos chineses, Chong Qing começa a contar com turistas internacionais, – japoneses, americanos ou europeus-,  que já estão contribuindo em mais de 5% para economia local.

A opera de Cantão

Cantão (Guangzhou em chinês) é conhecida pela sua Feira de Importação e Exportação da China, a mais antiga e mais famosa do pais, que atrai cada ano mais de 200.000 visitantes estrangeiros. Alem dos negócios, a cidade é procurada pelos turistas pelas suas opções de compras., oferecendo a preços muito atrativos todos os produtos fabricados na China, roupas, relógios, eletrônicos e brinquedos, bem como chás ou ervas tradicionais. Com a maior concentração de restaurantes da China, Cantão é também famosa pelo seu culinário, um dos mais autênticos do pais com sua sopa won ton, seus dim-sum ou seu porco agridoce. Mesmo com uma arquitetura moderna impressionante, Cantão oferece a seus visitantes uns monumentos testemunhos do seu rico passado como o Templo dos seis árvores banyans, a Mesquita Huaisheng, ou seus vilarejos da dinastia dos Song .

Vista noturna de Macau

A pesquisa da WTTC mostra também que Macau é a cidade mais turística da Ásia, com 27,3% da sua economia dependendo do turismo. E com 16 milhões de turistas internacionais, é a sexta cidade mais visitada do mundo. Tendo como único atrativo alem do jogo a sua rica herança da colonização portuguesa, pode ser talvez uma fonte de esperança para muitas cidades brasileiras …

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista profissional online La Quotidienne

 

; Reunião do WTTC no Brasil em 2009 com o Jean Claude Baumgarten e a Jeanine Pires