130 milhões de viagens de chineses em 2017, umas idéias para o Brasil?

Os chineses já representam 30% do turismo da Tailândia

As primeiras estimativas do turismo chinês para 2017 chegam a 130 millions de viajantes, com despesas globais de 285 bilhões de USD, mantendo a China como primeiro mercado mundial. As expectativas são hoje de 200 milhões de turistas chineses para 2020, turistas cobiçados por todos os grandes destinos. Mas a Europa terá talvez que esperar um pouco, a maioria deles escolhendo a Ásia, mais próxima e mais acessível. Assim a metade desses turistas não viajaram alem de Hong Kong (47 milhões), Macau (20 milhões) ou Taiwan, (3 milhões), e no Top 10 dos seus destinos preferidos, todos são asiáticos com exceção dos Estados Unidos e da França. No Top 20, também dominado pelos países vizinhos, só deveriam entrar ainda a Rússia, as Ilhas Maldivas, a Alemanha e a Suíça.

Oito países asiáticos no Top 10 dos viajantes chineses

Mesmo alem da grande China, essas viagens internacionais são concentradas em poucos destinos, cinco deles somando mais de 50% dos viajantes. Tailândia é hoje o destino que recebe mais turistas chineses, mais de 10 milhões. Representando quase um terço dos visitantes, eles empurraram o Reinado no Top 10 do turismo mundial e mais ainda no pódio nos países com as maiores receitas de turismo internacional, passando até a França. No Japão , os 7 milhões de visitantes vindo da China ajudaram o pais a virar em cinco anos um grande destino turístico.  Tradicionalmente muita apreciada pela sua cultura, a Coreia do Sul sofreu das ameaças de guerra com seu vizinho do Norte, e, se atraiu 4,2 milhões de chineses em 2017, deve ser esse ano passada pelo dinamismo do turismo vietnamita que cresceu 48,6%.

Turistas Chineses na Baia de Ha Long (Viet Nam)

Os vizinhos da China estão também tentando seduzir os seus turistas, investindo e antecipando as novas tendências: roteiros personalizados, serviços de melhor qualidade, menos shopping e mais experiências e intercâmbios. A Indonésia quer investir em dez “novas ilhas de Bali”. Os países da ASEAN vão investir mais de USD 100 bilhões para construir em aeroportos, ligações ferroviárias, hotéis e parques temáticos adaptados aos clientes chineses. Nos principais sítios turísticos do Japão, as lojas oferecem mais serviços em chinês, guias de compras em chinês estão sendo distribuídos, e milhares de comerciantes estão aderindo aos sistemas de pagamentos chineses Alipay e Wechat, aplicações multifunções que estão se espalhando em 30 países da região.

VisitBrasil marcando presencia na China

Para o Brasil, esses resultados impressionantes do primeiro parceiro dos BRICS deve levar a duas observações. A primeira é a fraqueza do fluxo de chineses para o Brasil, menos de 60.000. Um número difícil de comparar com os resultados dos países asiáticos ou dos grandes destinos europeus ou norte americanos, mas que fica complicado de entender quando se pensa no milhão de turistas chineses visitando a distante África do Sul. Para atingir a meta do plano Brasil Turismo, 12 milhões de visitantes até 2022, a China será com certeza a chave do sucesso. A segunda observação é o imensa potencial de viagens que os países vizinhos oferecem para um mercado emissor amadurecendo. Enquanto na China e no mundo inteiro 80% das viagens internacionais são concentrados em países limítrofes, no Brasil essa proporção é somente de 50%. Colômbia, Peru, Chile, Argentina ou Uruguai têm talvez ideias a buscar nos vizinhos da China …

Jean-Philippe Pérol

O turismo brasileiro para Colômbia dobrou em 5 anos

 

 

 

 

 

Eleições, tempo de dúvidas e de esperanças

Eleições presidenciais vão tambem impactar os rumos do turismo

Para os profissionais do turismo e para todo o setor, época de voto é sempre um momento difícil, onde se misturam sentimentos de dúvidas e de esperanças. Se este ano as tendências estão mais imprevisíveis que nunca e, sem sair de uma neutralidade absoluta, algumas considerações podem ser feitas sobre o que o turismo brasileiro pode esperar das eleições do próximo mês de outubro.  A primeira é de torcer para a própria campanha não atrapalhar as viagens. Épocas de mudanças politicas são sempre complicadas para os grandes executivos do setor público ou privado, e as viagens de negócios ou de “bleisure”, e até as viagens de luxo, podem se retrair de setembro a dezembro, assim como acontece em todos os países.

Com menos 3,8% em 2018, o turismo americano mede o impacto Trump.

Para o turismo exportativo, as eleições sempre impactam de forma muito indireta (nos países democráticos), porque as viagens internacionais são ligadas a três fatores que não dependem especificamente do turismo: a taxa de câmbio, o crescimento econômico e a oferta de voos. O atores do setor devem esperar do novo governo medidas certas para que o câmbio fique estável e assegure  o poder aquisitivo dos brasileiros no exterior, ações para que se renove a confiança dos investidores e acelere o crescimento da economia, e para que aumente a renda das classes emergentes, que são a chave do crescimento do mercado. Enfim, é fundamental que a politica de abertura dos céus para novas transportadoras, inclusive low-costs, seja mantida e até ampliada.

A Segurança é a primeira preocupação dos viajantes

É, sem dúvidas, no turismo receptivo que os profissionais podem ter as maiores expectativas. A transversalidade do setor faz com que as medidas mais necessárias dependam de quase todos os setores do governo. Mais ainda que um ministério próprio, a maior esperança deve ser de ter um futuro presidente pronto a definir o turismo como prioridade nacional, favorecendo seu crescimento através da educação, das infraestruturas de transportes, do urbanismo, da política fiscal, dos investimentos ou das relações exteriores. E, antes de tudo, da segurança pública. É uma urgência para o turismo nacional, que precisa de estradas seguras e de destinos sem riscos. É uma urgência para o turismo internacional, assustado pelos recordes de criminalidade atingidos no Rio de Janeiro e nas grandes cidades do Nordeste.

Presencia nas Feiras internacionais é ponto chave para o trade

As eleições poderão talvez ajudar os novos governos a tomar medidas para favorecer o turismo sem corporativismo e com muita criatividade. O esperado ministro do turismo deve, antes de tudo, convencer os responsáveis políticos em todos os níveis, bem como a mídia, as populações dos destinos e as comunidades, sobre a força do turismo como alavanca do bem-estar e do progresso socioeconômico. Os profissionais devem também torcer  para que este novo ministro seja capaz de levantar os recursos necessários  indispensáveis para ninguém precisar escolher entre o apoio aos investimentos, a formação de pessoal e a promoção internacional. Não há dúvidas de que todas as promessas de campanha incluirão todos esses itens e muito mais. A esperança do setor deve ser de que elas sejam cumpridas desta vez.

Jean Philippe Pérol

“El riesgo es querer quedar te”, a famosa e bem sucedida campanha da Colômbia

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

A Córsega, destino destaque da Forbes para 2018!

As torres, testemunhas do passado genovês

Agora destacada pela atualidade politica – os lideres pro-autonomia ganharam as ultimas eleições-, a Córsega está crescendo como destino turístico internacional. Na sua edição do 11 de Fevereiro, o magazine Forbes selecionou a “Ilha da Beleza” como o lugar mais deslumbrante para visitar em 2018. A seleção da conceituada revista, com foco nas paisagens, na cultura e na gastronomia, tinha como outros finalistas a Sicília, o Vale do Douro, a cidade austríaca de Innsbruck e o cantão suíço de Vaud. O destaque dado para Córsega foi talvez aquele “ooh-la-la”de uma geografia exuberante e diversa, com mais de 1500 quilômetros de litoral pitoresco, praias de cartão postal, rios cintilantes, trilhas desafiadoras, florestas exuberantes e montanhas acidentadas.

Em Ajáccio, as Jornadas napoleónicas comemoram o Imperador

Para Forbes, a personalidade peculiar da Córsega tem suas raízes próprias, mas integrou a alegria de viver e o carisma a francesa, bem como a historia e  a cultura italiana, visíveis nas torres ou nas fortalezas genoveses , e nos antigos vilarejos agarrados nos morros. Destino único e cativante, a Ilha surpreende até pela sua bandeira, a cabeça de mouro com uma faixa na testa, símbolo herdado seja da luta contra os mouros invasores seja do domínio dos reis aragoneses. A gloria passada é encontrada também em Ajáccio, cidade natal do Napoleão, que seduz pela sua catedral, sua fortaleza e mais ainda pelos bares espalhados na Praça do Maréchal Foch.

As praias cercam a cidade de Porto Vecchio

Nos pontos altos do patrimônio cultural da Córsega, os jornalistas destacaram Bonifácio e suas falésias brancas, Porto Vecchio e seu colar de praias charmosas, Corte, a capital histórica, e sua fortaleza cercada de imponentes montanhas, Cargese orgulhosa do seu passado grego, e Bastia com a faixada artística da igreja de São João Batista. A atualidade da cultura local impressionou também esses visitantes, seja pelos numerosos eventos organizados pelas prefeituras, ou pela presencia da musica tradicional, cantos polifônicos masculinos que são ouvidos em concertos ou improvisados em festas de família, nas albergues e até nos bares frente as praias.

Patrimônio arquitetural e “maquis” ao longo das trilhas

O parques naturais da ilha foram também lembrados pela Forbes, pelo  deslumbrante Golfo de Porto, inscrito no património mundial pela UNESCO, ou pelas trilhas mágicas onde  os esportistas podem caminhar, andar de bicicleta, olhar os pássaros, ou simplesmente cheirar os perfumes da vegetação característica da região, o “maquis” – um ecosistema as vezes comparado a caatinga nordestina. É nesse mato que se encontram as castanhas portuguesas, que os moradores utilizam para fazer farinha, e os diferentes tipos de mel,  os escuros “miellats du maquis”, ou os perfumados méis de primavera.

Embutidos da Córsega

Ingredientes únicos somente encontrados na ilha, tradições gastronômicas específicas, encontros com as culinárias francesa e italiana, a cozinha da Córsega surpreendeu e agradou os jornalistas da Forbes, com guisado de javali, cordeiro assado, vitela com azeitonas, ou torta de farinha de castanha. Cada prato pode ser harmonizado com um dos vinhos locais, elaborados com uvas originais,  Niellucciu ou Sciaccarellu para os tintos,  Vermentinu para os brancos. Pouco conhecidos, os vinhos corsos são porem interessantes e calorosos, especialmente quando acompanhando os bem temperados embutidos da Corsega – presuntu, copa ou salsichão- , ou os inesquecível brocciu, queijo de leite de ovelha comprado nas feiras livres diretamente dos produtores.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original da Laura Menske na revista Forbes 

Os cantos polifônicos, orgulho da cultura corsa

Parabens para o Turismo do Portugal!

Os cais da Ribeira e a ponte Dom Luis no Porto

Ganhando o título de melhor destino europeu nos World Travel Awards 2017 no último mês de Setembro na Rússia, o Portugal confirmou brilhantemente os seus sucessos dos últimos anos como estrela crescente do turismo europeu. Depois de levar 14 Oscars do turismo em 2015, e 24 em 2016, os profissionais portugueses conseguiram a façanha inédita de levar 37 prêmios, incluindo o melhor terminal de cruzeiros (Lisboa), a melhor ilha turística (Madeira), o melhor destino de praia (Algarve), o melhor orgão oficial de turismo (Turismo de Portugal), bem como varios destaques para a TAP, os hotéis Pestana, Quinta do Lago e Vila Joya. Os World Travel Awards recompensaram assim o Portugal pela sua nova imagem, sua segurança e seus preços competitivos, e o atendimento dado seus 21 milhões de turistas.

A Secretária Ana Godinho recebendo o WTA 2017

Se os World Travel Awards foram um justo reconhecimento dos sucessos do turismo português ao nível internacional, o Brasil é sem dúvidas um dos países onde a progressão foi a mais espetacular, tanto pela mudança radical na imagem que pelos resultados. Quem se lembra do mercado brasileiro dos anos 90 sabem que o Portugal nem aparecia no pódio dos principais destinos europeus. O Portugal só vinha em quinto lugar das preferências dos brasileiros, atrás da França, da Itália, da Espanha e até da Inglaterra. O Brasil era então uma exceção na América Latina como o único pais a não dar uma posição de destaque para sua ex potencia colonizadora, todos os “hermanos” escolhendo a Espanha como primeiro destino.

O Palácio da Pena em Sintra

A imagem do Portugal – então considerado antiquado, atrasado e depreciativo – era a primeira responsável por essa singular colocação, e impactava todos os profissionais lusitanos, as vezes com maiores injustiças. Lembro assim duma pesquisa feita pela Air France nos anos setenta sobre a imagem das companhias aéreas no Brasil. Destacava a força global da Varig e logo depois da Air France, única transportadora estrangeira a se aproximar da saudosa Viação Riograndense, mas classificava também as  empresas por cada fator de julgamento. Assim em termo de segurança, a TAP era considerada a menos seguras da 15 companhias internacionais operando no Brasil, enquanto era a única da lista a nunca ter sofrido um único acidente (a primeira colocada era uma empresa americana que tinha lamentada 5 acidentes naquele ano …).

Roof top bar em Lisboa

Mas hoje o quadro mudou completamente, a imagem do país passou a ser moderna, segura, acolhedora e descontraída. A TAP quase virou uma companhia nacional brasileira, com mais de 70 voos semanais saindo de 10 capitais. Destino na moda para jovens, ativos ou aposentados, o Portugal lidera agora os destinos europeus favoritos dos brasileiros. Desde 2016 passou na frente da França, líder histórico, crescendo de 13,7% mesmo com a crise e chegando então a 625.000 visitantes.  Os números de 2017  deverão mostrar novo recorde histórico e talvez ultrapassar os 700.000 visitantes, consolidando o primeiro lugar nas preferências dos viajantes. A tendência deveria continuar em 2018, os bookings das grandes centrais de reservas internacionais são promissores, e o jornal Estado de São Paulo já definiu no seu suplemento Viagem que o Portugal será o melhor destino de 2018, na frente da Rússia e do Canadá. Parabéns para o Turismo do Portugal!

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

Muitas tendencias para o ano novo, e o robô com destaque do turismo em 2018?

A Islandia, um dos destinos de frio destaques de 2018

Com o ano novo, os viajantes procuram inspirações e ideias para definir quais são as tendências que guiarão nos próximos meses as suas escolhas de destinos, de temáticas ou de tipo de hospedagem. American Express, Booking, Virtuoso, Voyageurs du Monde, USA today, USTOA, Pinterest ou le Journal de Montréal, são muitos jornais, mídias, agencias de viagens, operadoras ou associações profissionais  divulgam listas prospectivas. As escolhas são as vezes esperadas, as vezes surpreendentes, devido não somente aos mercados onde são feitas, mas também as metodologias utilizadas: reservas já realizadas, pesquisas de opinião junto a turistas potenciais, mesas redondas de técnicos ou de profissionais, ou simplesmente  opinião pessoal dos editores ou dos promotores. Mas mesmo com bases nem sempre científicas, essas listas deixam aparecer tendências fortes que impactaraõ o turismo em 2018.

Malta, destino exclusivo e capital europeia da cultura em 2018

As primeiras tendências são os grandes destinos que vão se consolidar, voltar ou aparecer esse ano.  O Portugal, a Itália, a França, os EE UU, o Reino Unido e o Japão ficam assim na liderança, mas outsiders muito dinâmicos estão crescendo. É o caso dos destinos de clima frio, com um destaque para Islândia, mas também da Noruega, da Alaska, do Groenlândia, da Rússia, das Ilhas Feroé ou da Patagônia. Capital Europeia da cultura, Malta deve consolidar sua posição de destino sofisticado no Mediterrâneo, mas a Eslovénia e  o Montenegro, a Tunísia e Chipre se juntaram aos lugares do momento. Na Ásia outro evento – os Jogos de inverno- deve favorecer a Coreia do Sul, e nas Américas a onda do enoturismo explica o sucesso do Chile e da Napa Valley. 2018 deve consolidar vários destinos exóticos, do Omã ao Irã, do Vietnã a Bali, da Polinésia francesa até a Nova Zelândia e a Ilha Mauritius.

O enoturismo, uma temática destacada nas tendências 2018

Os mesmos analistas se arriscaram também a adivinhar as temáticas que vão atrair os viajantes. A cultura e a historia continuam a ser as maiores motivações, seguidas do culinário, e dos grandes eventos culturais ou esportivos. Ricos em experiências, o enoturismo, o ecoturismo, o turismo de bem-estar, o turismo religioso e os cruzeiros vão continuar em forte crescimento. Dando conteúdos emocionais as viagens, estão aparecendo e/ou reaparecendo o turismo genealógico – nos passos dos seus ancestrais-, o turismo “vintage” – nos passos da sua própria infância- , ou o turismo de “pop cultura” – nos passos dos seus personagens de filmes, de série ou de telenovelas. Para viver essas experiências, os viajantes vão cada vez mais privilegiar pequenos grupos de familiares, misturando até três gerações, ou grupos de amigos, esses incluindo as crescentes ” viagens de amigas”. 

O Glamping juntando glamour e camping, aqui na Australia

Se os profissionais do turismo deverão sem dificuldades se adaptar a esses  pedidos dos viajantes, duas novas tendências destacadas para 2018 vão exigir mais evoluções dos agentes e dos hoteleiros. Para esses, e mesmo com a grande criatividade que tiveram nos seus produtos, a diversificação da hospedagem segue crescendo. Mesmo com regras fiscais e operacionais cada vez mais rígidas, os alugueis de apartamentos e casas – AirBnb ou outros- está atraindo agora 33% dos viajantes, e novas ofertas – o glamping por exemplo- estão surpreendendo.

Robôs agora invadindo a industria do turismo

Mas o grande assunto para 2018 será talvez o Robô. Alguns analistas anunciam que eles vão tomar conta da industria do turismo. Os “bots” oferecem até serviços de concierge personalizados. Buscando informações na nossa intimidade no web, eles vão agora ir bem além das tradicionais reservas. Novos aplicativos como Google Trips são capazes de propor destinos, alojamentos, restaurantes ou atividades correspondendo ao perfil de cada viajante, e de planificar a viagem escolhida, oferecendo ainda apoio, dicas e serviços durante a viagem. Claro que essas novas tecnologias poderão tambem ajudar o proprio agente a melhorar os serviços dado a seus clientes. Mas a criatividade, a capacitação, e o domínio desses novos ferramentas  serão chaves para evitar que um Robô ganha o prêmio de agente de viagem 2018.

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

Sucessos, alegrias e grandes experiências de viagens, nossos votos para 2018!

 

Foto: Ruy Tone

Para todos nossos amigos e colegas do trade turístico, para todos nossos amigos que gostam de viajar, esperamos que 2018 seja um grande ano para o turismo, levando muitos brasileiros nos quatro cantos do Brasil e do mundo, e trazendo na Amazônia, em Fortaleza, no Rio ou no Sul do pais os turistas internacionais que o Brasil merece.  Para todos, desejamos um ano de sucessos profissionais, de realizações pessoais, de muitos momentos de alegria, e de grandes experiências de viagens.

Bonne Année!

 

 

As cidades da Ásia lideram o crescimento do turismo mundial

O centro histórico de Macau, primeiro destino turístico da Ásia

Não é nem na Europa nem nas Américas que o turismo está bombando, mas na Ásia. Publicando o ranking das 10 cidades do mundo que conhecem o mais importante crescimento esse ano, o World Travel and Tourism Council destacou 10 cidades da Ásia como tendo o mais forte crescimento do seu turismo domestico e internacional. Fundada em 1990 pela American Express, muito tempo dirigida pelo francês Jean-Claude Baumgarten, o WTTC sempre se dedicou a mostrar o peso do turismo na economia global e a sinalizar grandes tendências. Tendo sido apoiada por grandes nomes da política internacional, de Kissinger a Blair, hoje sendo presidida pela mexicana Gloria Guevara, esse Conselho publicou agora uma impressionante pesquisa sobre o impacto do turismo nas cidades asiáticas,

A famosa passarela de vidro de Chonq Qing

As dez cidades do mundo com os maiores crescimento turístico são todas asiáticas, todas elas dependem em primeiro lugar dos turistas chineses, e as cinco primeiras do ranking são localizadas na China, mostrando o peso desse mercado tanto em tamanho atual que em potencial futuro. Classificados pela taxa de crescimento da sua economia turística, (a WTTC rompeu com as classificações tradicionais em números de turistas, privilegiando o impacto económico), as cidades são as seguintes:

1. Chongqing (China) –  14 %
2. Cantão (China) – 13,1 %
3. Xangai (China) – 12,8 %
4. Pequim (China) – 12 %
5. Chengdu (China) – 11,2 %

6. Manille (Filipinas) – 10,9 %
7. Nova Delhi (Índia) – 10,8 %
8. Shenzhen (China) – 10,7 %
9. Kuala Lumpur (Malásia) – 10,1 %
10. Jakarta (Indonésia) – 10 %

Centro urbano de Chong Qing a noite

Com cerca de 30 milhões de habitantes, Chong Qing é a maior aglomeração urbana da China. Localizado num planalto cercado de montanhas e de paisagens espetaculares, ela é atravessada pelo rio Jialing e pelo Yang Tsé (chamado também de Rio Azul), maior rio da Ásia. A cidade é assim o ponto de partida de cruzeiros fluviais até a famosa represa das Três Gargantas, a maior do mundo, e depois até Wu Han e Xangai. Mas as duas atrações mais famosas da região são a sua passarela de vidro que domina um barranco de 1010 metros de altura, e suas esculturas budistas inscritas ao património mundial pela UNESCO. Se os visitantes são por enquanto quase todos chineses, Chong Qing começa a contar com turistas internacionais, – japoneses, americanos ou europeus-,  que já estão contribuindo em mais de 5% para economia local.

A opera de Cantão

Cantão (Guangzhou em chinês) é conhecida pela sua Feira de Importação e Exportação da China, a mais antiga e mais famosa do pais, que atrai cada ano mais de 200.000 visitantes estrangeiros. Alem dos negócios, a cidade é procurada pelos turistas pelas suas opções de compras., oferecendo a preços muito atrativos todos os produtos fabricados na China, roupas, relógios, eletrônicos e brinquedos, bem como chás ou ervas tradicionais. Com a maior concentração de restaurantes da China, Cantão é também famosa pelo seu culinário, um dos mais autênticos do pais com sua sopa won ton, seus dim-sum ou seu porco agridoce. Mesmo com uma arquitetura moderna impressionante, Cantão oferece a seus visitantes uns monumentos testemunhos do seu rico passado como o Templo dos seis árvores banyans, a Mesquita Huaisheng, ou seus vilarejos da dinastia dos Song .

Vista noturna de Macau

A pesquisa da WTTC mostra também que Macau é a cidade mais turística da Ásia, com 27,3% da sua economia dependendo do turismo. E com 16 milhões de turistas internacionais, é a sexta cidade mais visitada do mundo. Tendo como único atrativo alem do jogo a sua rica herança da colonização portuguesa, pode ser talvez uma fonte de esperança para muitas cidades brasileiras …

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista profissional online La Quotidienne

 

; Reunião do WTTC no Brasil em 2009 com o Jean Claude Baumgarten e a Jeanine Pires

Saint Martin: depois das primeiras urgências, a certeza de uma reconstrução rápida e sustentável!

 

Saint Martin, a ilha amiga no Caribe francês

De Anguilla a Key West, passando pelas Ilhas Virgens e Cuba, o furacão Irma deixou uma trilha de devastação material e de dramas humanos, arrasando regiões muito queridas no Brasil, tanto pela proximidade geográfica e cultural que pela familiaridade com os seus grandes destinos turísticos. As ilhas francesas de Saint Martin e Saint Barthelemy, visitadas a cada ano por mais de 10.000 brasileiros, foram duramente atingidas. Mas depois do choque, começou uma impressionante operação de ajuda que levou o proprio Presidente da Republica francesa a visitar as duas ilhas para mostrar o seu apoio às populações. Daniel Gibbs, Presidente da Coletividade de Saint-Martin, descreveu  a situação de seu território após a passagem do furacão no último dia 6 de setembro de 2017, anunciando as três etapas da reconstrução que as autoridades já estão liderando.

A primeira fase da organização pós-furacão consistiu em gerenciar  as urgências dos cuidados às pessoas feridas, doentes ou em dificuldades, e na evacuação dos turistas ainda bloqueados nas ilhas – quase todos eles já tendo sido repatriados para seus países de origem. Foi também assegurada a segurança do território através da chegada de importantes reforços do Exército e da polícia militar da França. Essa primeira Fase já está concluída e a segurança do território está sob controle. O Presidente e sua equipe trabalham agora com seus parceiros na segunda fase da organização pós-furacão,  dando priorizando a limpeza dos escombros, dos itens volumosos e dos detritos gerados e transportados pelo furacão, a distribuição de água, comida e de material, assim como a reabilitação das redes de água, saneamento básico e eletricidade.

A terceira fase das ações da coletividade será lançar o mais rapidamente possível a reconstrução do território para a população e as empresas poderem retomar as suas atividades habituais. O encontro com o presidente francês, Emmanuel Macron, na última terça-feira 12 de setembro de 2017 permitiu ao presidente Gibbs expor as necessidades urgentes, bem como as medidas de acompanhamento que devem ser negociadas entre a França e a Coletividade. Nesta fase, ainda em curso, a recuperação do turismo é uma prioridade, e um conjunto de peritos deve avaliar o estado dos hotéis, residências e guest houses para ajudar na reconstrução das infraestruturas turísticas.

O trabalho do Presidente da coletividade de Saint Martin e das suas equipes têm agora dois objetivos maiores: o acompanhamento de todos os momentos dos moradores, com foco  na ajuda aos trabalhadores desempregados e no apoio às empresas, e a reconstrução rápida e durável do território para que Saint-Martin possa retomar sua atividade econômica. O presidente Gibbs e sua equipe farão de tudo que está em seus poderes para que o território retome sua atratividade. Ele agradece calorosamente a todos os parceiros e operadores de turismo que se mobilizaram para Saint-Martin e que acompanham agora os são-martinhenses para que a “Ilha amiga do Caribe francês” volte a ser um dos destinos mais apreciados do Caribe.

Vista aérea de Saint Martin

 

 

Turismo para família combinando Disney, parques, outlets … e cultura? Paris Ile de France, claro!

Disneyland Paris, primeira atração turística da Europa

As comemorações dos 25 anos da Disneylândia Paris mostraram o sucesso desse empreendimento – hoje a atração turística mais visitada da Europa com 13,4 milhões de entradas -, bem como o impacto que ele teve sobre o turismo francês. O Mickey com sotaque atraiu novos perfis de visitantes e deu um novo impulso não somente nos mercados de proximidade mas também na Ásia e nas Américas. No Brasil, que até então dava para a Flórida a quase exclusividade dos parques de lazer, foram mais de 80.000 viajantes (um crescimento de quase 40%) que descobrirão em 2017 a Disney à francesa. A crescente presença de brasileiros nos grandes parques como Asterix, o Puy du Fou e o Futuroscope, ou nos 250 outros parques  espalhados na região Paris Ile de France e nas outras regiões francesas, mostram que a França é cada vez mais considerada no Brasil como um destino para famílias com crianças grandes ou pequenas.

A Fondation Vuitton, encostada no Jardin d’Acclimatation

Em 2018, a reabertura do saudoso Jardin d’Acclimatation, encostado na Fondation Vuitton e nas florestas urbanas do Bois e Boulogne, vai dar mais um impulso na atratividade da região para o turismo de famílias. O mais antigo parque de Paris, aberto em 1860 pelo Imperador Napoleão III, está sendo completamente renovado e o seu proprietário, o grupo de luxo LVMH, tem a ambição de atrair em breve mais de 2 milhões de visitantes. O projeto inclui a renovação do patrimônio arquitetural herdado do Império, dos estábulos, do pombal, e dos aviários, bem como a valorização das atrações mais queridas dos parisienses –  Trenzinho (aberto em 1878), Rio Encantado (aberto em 1927), ou Casa dos Espelhos. Além das 23 atrações já existentes, 17 serão abertas, todas no mesmo espírito “retro-futurista” inspirado em Jules Verne. Apostando na complementaridade com a Fondation Vuitton, combinando parque e cultura, a LVMH espera atrair turistas internacionais de todas as idades.

Grandes marcas e pequenos preços no outlet La Vallée Village

Não bastassem os parques, a região Paris Ile de France está agora seduzindo as famílias pelas opções de shopping. As medidas tomadas para facilitar as aberturas de loja nos domingos, bem como a simplificação dos procedimentos de reembolso de até 16 % de impostos já agradaram os turistas. A multiplicação dos outlets  foi mais um passo. A França tem hoje 21 “vilarejos de marcas”, sendo oito perto de Paris e três em Troyes, na Champagne vizinha. Os maiores, tais como o One Nation Paris, as Marques Avenues, o Usine Center, ou o Usine Mode et Maison, chegam a juntar lojas de fábricas, lojas de departamentos (inclusive cinco Galeries Lafayette) ou até lojas tradicionais, com preços de liquidações. Pela proximidade da Disney, ou talvez das 190 lojas do shopping Val d’Europe, hospedando 120 marcas francesas e internacionais, o La Vallée Village , que hospede 120 marcas francesas e internacionais, é o mais popular junto aos turistas brasileiros.

Em Vaux le Vicomte, cultura e diversão para toda família

Na concorrência com os grandes destinos de turismo em família curtidos pelos brasileiros, a região de Paris Ile de France tem acima de tudo um trunfo importante, um acervo cultural excepcional que surpreende pelas numerosas ofertas para crianças de todas as idades. Em Paris mesmo, a Cité des Sciences, o Palais de la découverte, o Musée des Arts forains são algumas opções para as famílias, bem como o Museu do Homem, o Museu da Marinha ou o próprio Louvre, se o roteiro escolhido for adaptado – mostrando que a cultura pode também ser atual e divertida. Nos arredores da capital, os mais prestigiosos castelos, incluindo Versalhes, Fontainebleau ou Vaux le Vicomte, oferecem animações ou eventos  para adultos e crianças. Para os turistas brasileiros, que exigem das suas viagens para França uma forte dimensão cultural, será talvez um argumento decisivo para escolher Paris e sua região como o outro destino para famílias juntando parques de lazer, shopping … e cultura.

Jean-Philippe Pérol

Os Etangs de Corot, exemplo de canto escondido de Paris Ile de France

De Veneza a Reykjavik, prevenir a turismofobia melhorando a experiência turística

Veneza tentando conciliar turistas e moradores

Veneza tentando conciliar turistas e moradores

Com mais de 1,2 bilhão de turistas internacionais, o turismo de massa preocupa cada vez mais os moradores dos grandes destinos. Vendo os transtornos trazidos pela surpopulação, autoridades, jornalistas e influenciadores concordam em por a culpa dos transtornos nos próprios viajantes. A estigmatização do turista é uma velha e arrogante tradição aristocrática  do século XIX quando alguns “happy few”, já na época, não aguentavam dividir os monumentos de  Atenas e Roma, os beira mares de Nice e Biarritz, ou os artesanatos de Istambul, com os primeiros seguidores de Thomas Cook. Mas, mesmo se rejeitado até pelos seus pares, deve se reconhecer que o turista nem sempre respeita os moradores, os costumes do local, ou até regras básicas de convivência social ou de proteção do meio ambiente. Virou assim urgente de encontrar soluções para lutar contra a irresponsabilidade e os excessos, sem prejudicar as atividades econômicas nem atrapalhar a convivialidade e a liberdade de viver que os turistas procuram.

Os conselhos da China a  seus turistas antes deles viajar

Preocupando os destinos turísticos, o bom comportamento dos viajantes é também uma preocupação de alguns países emissores que temem que atitudes inadequadas prejudicam a sua imagem. Líder mundial com mais de 110 milhões de turistas, quase todos primeiro-viajantes, a China publicou em 2013  um “Guia do turismo civilizado” com conselhos a seguir, incluindo 64 paginas de recomendações (as vezes surpreendentes) como por exemplo não fazer barulho quando bebe, não limpar o nariz com os dedos, não subir em pé nos toaletes, não levar os coletes salva vidas dos aviões ou não importunar os moradores. Alguns conselhos eram específicos para certos destinos: não estalar os dedos para chamar o garçom na Alemanha, não oferecer flores amarelas na França, não falar da realeza na Tailândia ou não tocar as pessoas com a mão esquerda na Índia. O mau comportamento podendo levar a entrar numa lista negra de pessoas proibidas de viajar, é provável que essa recomendações, por esdrúxulas que sejam, foram seguidas, e devem ter contribuídas a evitar abusos.

O juramento islandês

Destino de sucesso que viu suas chegadas de turistas quintuplicar, mas preocupada com o impacto sobre o meio ambiente e a vida social, a Islândia lançou em julho desse ano um juramento de bom comportamento que os candidatos a turista são incentivado a fazer. “The Icelandic Pledge”, que pode ser encontrado e assinado on-line no site, é um compromisso moral do visitante com 8 clausulas de respeito ao meio ambiente e as regras de segurança: ser um turista eco-responsável, respeitar as regras de transito e de estacionamento, deixar os lugares limpos, não sair dos caminhos autorizados e cuidar com a meteorologia. Mesmo não sendo obrigatório, o juramento já foi assinado por 30.000 pessoas. Para a ministra do turismo da Islândia, “os turistas querem mesmo ser responsáveis, mas nem sabem sempre o que isso significa em termos de comportamento”. O sucesso da campanha foi de lembrar, de maneira cordial e humorística, algumas regras básicas, e de mostrar  que esse respeito era uma forma de integrar a cultura local e de ajudar o relacionamento com os moradores,

 

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi inspirado de um artigo de Josette Sicsic na revista profissional online Tourmag