Politica vai mesmo impactar o turismo no Brasil?

A imprensa internacional não poupou o vencedor da eleição presidencial

Lendo as grandes mídias internacionais, do New York Times a El Pais ou do Haaretz ao Le Monde, uma onda de reprovação contra o resultado das últimas eleições presidenciais no Brasil estaria chacoalhando a imagem do nosso Brasil, ameaçando também as nossas exportações e mais ainda o nosso turismo. No Brasil, a UOL deu espaço a essas noticias, focando na França e num possível  boicote de potenciais turistas franceses decepcionados, frustrados ou amedrontados pelas temáticas de campanha do Jair Bolsonaro. Várias ligações ou post nas redes sociais de amigos ou parentes preocupados com minha situação pessoal – como viver agora num país onde o exercito já estava nas ruas (!) e onde as liberdades mais fundamentais eram desrespeitadas (!) – me mostraram que as informações, reais ou fake, tinham de ser consideradas: a chegada de turistas estrangeiros poderão mesmo ser prejudicada?

Segurança é um critério chave para escolher ou não um destino de viagem

Se o fato de ser estrangeiro obriga a não opinar sobre os assuntos políticos brasileiros e a respeitar as escolhas democráticas, várias observações podem ser feitas a respeito do impacto para o turismo. A primeira é de lembrar que as decisões dos turistas ao escolherem as suas viagens internacionais dependem também de fatores objetivos, sendo para o Brasil especialmente a segurança e  os custos do aéreo. Ainda é cedo para saber se o próximo governo conseguirá melhorar essa situação, mas parece que está extremamente preocupado em conseguir resultados, tanto em reduzir a criminalidade que pesa nas vendas do Rio de Janeiro e das capitais nordestinas, tanto nos preços dos vôos internacionais e domésticos que prejudicam o pais inteiro e mais ainda destinos turísticos mais remotos na Amazônia, no Centroeste ou no Sul.

Nos EEUU de Trump, o turismo já mostrou ser maior que a política

Refletir sobre politica e turismo é também olhar o impacto mútuo que já marcou outros destinos. É lembrar o sucesso do turismo internacional em países cujo cunhos democráticos já foram (com ou sem razão) discutidos, seja destinos lideres como a China, a Tailândia, a Turquia ou a Malásia, seja destinos tradicionais como Cuba, Marrocos, Egito ou Israel, seja destinos novos como Vietnã, Maldivas ou Irã. Mais interessantes é comparar as perspectivas brasileiras com as consequências sobre o turismo de votos populares na Inglaterra ou nos EE-UU. Na primeira, a decisão do Brexit em 2016 foi anunciada pela mídia européia como um desastre para o turismo local.  Os números não concordaram, mostrando 4,3% de crescimento em 2017 e 4,4% em 2018. Nos Estados Unidos, teve um impacto negativo da eleição do Trump – somente 0,7% de crescimento em 2017-, mas se devia também a outros fatores como as restrições de vistos impostos a vários países, e as previsões para 2018 já superam 6%.

A alegria brasileira nas campanhas da Embratur

Mesmo limitadas nas suas consequências efetivas, as  declarações de boicote das viagens para o Brasil não devem ser desprezadas, mas até levadas em consideração nas futuras campanhas de promoção internacionais que o setor espera do novo governo. Para sair do patamar limitado de 7 milhões de turistas – e chegar aos 10 ou até 15 milhões que suas riquezas naturais, culturais e humanas merecem, o Brasil deverá  não somente convencer que as preocupações de insegurança e de carestia já pertencem ao passado, mas também mostrar que ele continua sendo o pais da alegria e da liberdade de viver, o pais onde cada visitante, qual que sejam suas origines ou suas opções pessoais, é mesmo recebido com um carinho único!

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue”  do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

As surpresas dos novos rankings das cidades turísticas

Bangkok, em 2017 a cidade mais visitada pelos turistas internacionais

Se vários rankings dos destinos turísticos internacionais estão sendo publicado nos últimos anos, o « Global Destination Cities Index » da Mastercard é sem dúvidas um dos mais interessantes, não somente por levar em consideração os números de visitantes e os seus gastos, mas por analisar as performances de 162 cidades nos cinco continentes. Mais completa que a pesquisa da WTTC que mede exclusivamente o impacto econômico do turismo domestico e internacional em 72 destinos,  o relatório da Mastercard projeta os resultados do ano a partir dos números de visitantes internacionais, das despesas turísticas, das transações com o cartão de crédito e dos fluxos financeiros. A análise detalha também a duração das estadias bem como a média de gastos diários, mostrando surpreendentes evoluções no posicionamento dos grandes destinos.

TOP 10 VISITANTES Visitantes 2017 Crescimento 2018 Pernoites medios Gasto diario medio
Bangkok 20.050.000 9,60% 4,7 noites USD 173
Londres 19.830.000 3,00% 5,8 noites USD 153
Paris 17.440.000 2,90% 2,5 noites USD 301
Dubai 15.790.000 5,50% 3,5 noites USD 537
Singapura 13.910.000 4,00% 4,3 noites USD 286
Nova Iorque 13.130.000 4,10% 8,3 noites USD 147
Kuala Lumpur 12.580.000 7,50% 5,5 noites USD 124
Tóquio 11.930.000 1,60% 6,5 noites USD 154
Istambul 10.700.000 19,70% 5,8 noites USD 108
Seul 9.540.000 6,10% 4,2 noites USD 181
… São Paulo 1.920.000 13,13% 10,8 noites USD 61

 

Singapura se firma como uma das maiores cidades turísticas da Ásia

Pelo segundo ano consecutivo, o turismo urbano da Ásia confirma a sua liderança com o primeiro lugar de Bangkok que recebeu em 2017 mais de 20 milhões de visitantes internacionais. Essa liderança deve ser confirmada em 2018 com um crescimento previsto de 9,6%  o que fará com que os tradicionais rivais Paris e Londres batalhem agora pelo segundo lugar. Aproveitando o dinamismo dos mercados emissores da região, principalmente da China, mas também do Japão, da ASEAN  e até da Índia, quatro outras cidades asiáticas chegaram na lista das dez cidades mais visitadas pelos turistas internacionais: Singapura, Kuala Lumpur, Tóquio e Seul. Com crescimento bem superior a media mundial,  Pukhet, Hong Kong, Pattaya, Xangai, Pequim, Macau, e Shenzhen já estão também brigando para entrar nesse cobiçado grupo de líderes. 

Dubai, estratégia e investimentos construindo um grande destino

As cidades do Oriente Médio se fortaleceram em 2017. Dubai chegou em quarto lugar e continuou a surpreender com sua ousadia. O ano passado testou com sucesso os primeiros taxis voadores e quebrou um novo recorde do hotel mais alto do mundo. Com uma oferta turística luxuosa e cada vez mais diversificada, a cidade consegue incentivar seus visitantes a gastar impressionantes USD 537 por dia, um recorde nas 162 cidades da pesquisa. Varias outros destinos da região estão se destacado, seja a Meca pela primeira posição en volume de receitas,  Istambul pela sua nona posição no ranking mundial e seus 20% de crescimento previstos para 2018,  Antalya pelos seus 9,4 milhões de visitantes, ou Teerã pelo seu crescimento de 2017 e 2018. Mesmo muito dependente da conjuntura politica e securitária, a região se consolida como um dos novos pólos do turismo internacional.

TOP 10 RECEITAS Receitas em MM USD Crescimento 2018 Gasto diário médio
Dubai 29,7 7,8%% USD 537
Meca 18,45 7,40% USD 135
Londres 17,45 13,70% USD 153
Singapura 17,02 7,40% USD 286
Bangkok 16,36 13,80% USD 173
Nova Iorque 16,1 4,10% USD 147
Paris 13,05 16,00% USD 301
Palma 11,96 16,20% USD 220
Tóquio 11,91 7,80% USD 154
Pukhet 10,46 12,60% USD 239
…. São Paulo 1,35 13,13% USD 61

Paris seguindo no pódio das grandes cidades turísticas

Mesmo perdendo posições, as cidades da Europa continuam sendo muito procuradas, Londres ou Paris alternando na liderança dependendo do critério geográfico utilizado para o calculo das estatísticas (o município de Paris sendo muito menor que o grande Londres, Paris só passa na frente quando incluir os subúrbios). A força do turismo europeu pode porem ser medida pelo numero de destinos destacados nas pesquisas da Mastercard e da WTTC, tanto tradicionais como Milão, Veneza, Barcelona ou Firenze, que mais recentes como Dublin, Palma, Praga ou Dubrovnik. Ao contrario, os rankings carecem de cidades latino americanas, México sendo a única da região em posição de destaque. São Paulo é a primeira cidade brasileira, mas longe dos lideres, em 8º lugar na América latina pelo número de visitantes (1,92 milhões) e em 9º lugar em gastos por visitante na região, com somente USD 61 de gasto diário por pessoa e por dia, e USD 1,35 bilhões movimentados. Na nova conjuntura que se abre agora para o Brasil, vale esperar que o turismo urbano terá um merecido impulso.

Os novos pólos do turismo mundial

Esse artigo foi inspirado de um artigo original de Serge Fabre na revista on-line Pagtour

Os pedestres, novos reis dos destinos turísticos?

A Rue Cremieux, rua de pedestres em Paris

Quando fundou, em parceria com a Air France uma agencia de receptivo onde queria mostrar sua reconhecida criatividade, Gilbert Trigano fez questão de colocar os passeios guiados a pé como alguns dos produtos bandeira da nova empresa. Era o ano de 1976, e mais uma vez, ele foi pioneiro a se lançar numa aventura que a Tourisme France International continuou durante quase trinta anos. Mesmo na época dos ônibus de turismo ou dos carros de aluguel, o  inventor do Club Med já tinha percebido que os passeios a pé eram para o visitante a melhor forma de explorar um destino, de assimilar o seu ambiente, de sentir os seus cheiros, de vibrar aos sons da sua música, de mergulhar na sua cultura e de se comunicar com os seus moradores. Quarenta anos depois, reforçada pelas exigências ambientais e a procura de exercícios físicos, a ideia seduziu muitos grandes destinos que estou desenvolvendo a sua “caminhabilidade”.

A rua Saint Paul no centro histórico de Montreal

Cada vez mais preocupadas pela sua sustentabilidade, muitas cidades estão relembrando que andar a pé é o jeito mais simples de se locomover, tanto para os moradores que para os turistas. Elas desenvolvem a sua “caminhabilidade” – termo traduzido do inglês walkability, a capacidade para um destino de facilitar  a locomoção dos pedestres. Para o trabalho, os estudos ou os lazer, andar a pé necessita segurança, distancias curtas, serviços e meio ambiente agradáveis.  O site Walk Score classifica as cidades americanas, canadenses a australianas em função dessa “walkability” (tendo também outros ranking sobre a qualidade do transito urbano e as facilidades para os ciclistas). Cada cidade recebe uma nota em função das infraestruturas ajudando os pedestres a caminhar, bem como da proximidade dos serviços e das lojas, sejam padarias, supermercados, farmácias, bancos, restaurantes, shopping e parques.

Mais de 500 cidades já assinaram a carta Walk21

Sendo 100 a nota máxima, as cidades com índice superior a 90 são consideradas os paraísos dos pedestres, aquelas com índices de 70 a 89 muito boas para caminhar. Com menos de 50, uma cidade privilegia o papel dos carros e dos transportes coletivos. Nessa classificação, Montreal conseguiu em julho desse ano chegar a 70 pontos, fruto de um longo trabalho que começou em 2006, com a Declaração dos direitos do Pedestre  (Charte du piéton). Depois de dez anos, a prefeitura lançou um  Programa de implantação de ruas para pedestres ou para usos mistos para ajudar os distritos da cidade nos seus projetos  de infraestruturas viárias, de arquitetura urbana, de arborização, de parques ou até de animações artísticas ou musicais. 45 ruas já foram assim entregas para pedestres, representando quase sete quilômetros de caminhadas (e de alegrias) para os moradores e os visitantes.

Nova Iorque amplia as áreas reservadas aos pedestres

Nos Estados Unidos, o ranking de Walkscore coloca Nova Iorque em primeiro lugar com 89,2 pontos, na frente de San Francisco (86) e de Boston (80,9). A Big Apple começou a sua transformação urbana em 2007 com a ampliação da área pedestre de Times Square. Durante o verão 2009, Broadway foi fechada para o transito, e foram construídas áreas exclusivas temporárias ou permanentes. Foi também em 2009 que foi aberto o primeiro trecho da Highline, esse viaduto abandonado pelos trens que virou uma das mais concorrida caminhada dos nova-iorquinos e dos visitantes. Outras áreas de pedestres foram instaladas na cidade, por exemplo na 23, nos arredores do edifício Flatiron, onde a Prefeitura instalou verdadeiras praças para pedestres com mesas, cadeiras e guarda-sóis. 

Os Champs Elysées só para pedestres

Em Paris, a prefeita anunciou em 2017 o projeto “Paris piétons”, uma série de medidas incluindo a assinatura da Carta Internacional Walk21. Vários projetos foram lançados: travessias do anel rodoviário, trilhas verdes aproveitando as grandes avenidas, uma grande área exclusiva para pedestres no bairro do Marais. Algumas áreas serão fechadas ao transito durante os finais de semana, outras durante alguns feriados excepcionais, incluindo os próprios Champs Elysées, ampliando experiências anteriores. Painéis com mapas especificos e sugestões de roteiros para caminhadas turísticas ajudarão visitantes e moradores a descobrir a cidade luz de forma diferente, aquela mesma que o Trigano tinha imaginado há mais de 40 anos.
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Esse artigo foi adaptado de um artigo original de Chantal Neault na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat 

Turismo e genealogia, uma viagem para descobrir sua própria história

O casamento do Jacques Maurice, irmão da minha tataravó, com a Guianesa Elisa Guisolphe em 1895

Descobrir as suas raízes, sejam familiares, religiosas ou culturais, foi na História uma das primeiras motivações de viagem bem como uma fonte de prosperidade para muitos destinos, de Efeso a Jerusalém, de Atenas a Meca ou de Roma a Tehotiuacán. Desde a Antiguidade, essas cidades sabiam que o prestigio cultural, a potencia religiosa ou a pressão demográfica eram fatores que atraíam os visitantes.  Nos últimos anos, com a forte tendência para dar as viagens um forte conteúdo enriquecedor ou até transformador, o turismo genealógico está atraindo viajantes a reencontrar as terras e as culturas dos seus ancestrais. Ele está crescendo, especialmente -mas não somente- nos países com uma longa historia de imigração, como na Oceania ou nas Américas, tanto para as populações de origem europeias como para aquelas cujos antepassados atravessaram os oceanos nos navios negreiros.

Casa do primeiro imigrante da família Tremblay em Randonnai (Normandia)

Um dos países onde esse turismo genealógico é o mais popular é o Canadá – Quebec. Os 7 milhões de descendentes dos 70.000 imigrantes que povoaram a “Nouvelle France” a partir de 1617 continuam a ter laços com seus vilarejos de origem. Incentivados pela Atout France que chegou até a montar um motor de pesquisa dando o local de origem de cada sobrenome do Quebec, milhares de viajantes vão assim procurar as suas raízes seguindo itinerários repletos de emoções. Na Normandia, no Poitou ou no Vale de Loire, prefeitos e profissionais de turismo de dezenas de pequenas cidades se mobilizam para receber esses primos da América, caminhar com eles nas ruas até encontrar a casa do primeiro imigrante, ou compartilhar com novos amigos e parentes distantes os pratos regionais, o vinho, e as tradições locais.

Uma família visitando a casa dos seus antepassados na Catalunha

Nos Estados Unidos muitas comunidades estão também se focando nessa procura de raízes. O turismo alemão foi talvez pioneiro, aproveitando as origens germânicas de  50 milhões de americanos para incentivar as buscas dos seus antepassados. Descobrindo numa pesquisa que 9% dos seus visitantes estavam querendo seguir os passos dos seus ancestrais, a Escócia colocou essa temática nas suas prioridades. Foi também o caso da Irlanda, dona de uma das mais fortes comunidades especialmente em Nova Iorque, Boston e Chicago, que juntou o turismo genealógico e a descoberta do patrimônio cultural nas suas promoções. A Espanha está interessada nos latinos que já representam quarenta milhões de pessoas com origens ibéricas, e a Sociedade catalã de genealogia está trabalhando em conjunto com o turismo espanhol, não somente nos Estados Unidos mas em todas as Américas.

Varias empresas oferecem ajudar para planificar uma viagem genealógica

Na onda do “turismo transformador”, uma viagem genealógica necessita um bom preparo, incluindo as vezes a ajuda de profissionais. No Quebec, a Sociedade genealógica dos canadenses franceses oferece um seminário aos viajantes interessados. Nos Estados Unidos Ancestry.com, maior empresa mundial de genealogia, tem várias propostas para responder aos pedidos dos seus associados, seja ajudando os viajantes individuais a preparar os seus roteiros, seja oferecendo circuitos acompanhados de um especialista – em cooperação com a operadora  EF Go Ahead Tours ou com os cruzeiros da Cunard. Para os norte-americanos, o preparo da viagem pode até incluir a realização de teste DNA com empresas especializadas,  23andMeAncestryDNA, ou o National Geographic tests d’ADN, bem como uma consulta na famosa Family History Library  de Salt Lake City.

Sites estão ajudando a preparar as viagens genealógicas

Os destinos estão ajudando os viajantes a otimizar as suas pesquisas e seus encontros. O apoio pode ser através dos sites oficiais de turismo como Visit Scotland , o Turismo alemão o a Normandia, a Catalunha ou o Basilicata. Países com historias de emigração oferecem também acervos de museus especializados como o museu do Centro histórico das famílias irlandesas  em Dublin na Irlanda, trabalham com agencias de viagens que oferecem roteiros personalizados, ou recomendam genealogistas como Tataranietos.com , empresa espanhola cujos clientes são em maioria latino-americanos, ou South Africa Genealogy. Mas para uma viagem tão impactante, serão as próprias pesquisas pessoais que assegurarão o sucesso: se informar sobre a historia da região, ter o máximo de nomes e dados dos parentes e ancestrais, saber quais foram os motivos que os levaram a deixar os seus lares.

Em Carghese, na Córsega, nos passos dos ancestrais gregos

O turismo genealógico pode levar a muitas viagens, cada uma seguindo as trilhas de um dos antepassados que terá sido identificado. Assim eu mesmo tive a chance de reencontrar, alem das minhas raízes na Combraille, os passos de um combatente grego radicado na Córsega, de um carbonaro napolitano exilado na Tunísia, de um revolucionário de Mainz seguidor de Napoleão, e de um engenheiro “auvergnat”  desbravando as minas de ouro da Guiana. A historia de cada um foi sem dúvidas para mim um incrível enriquecimento pessoal e uma abertura maior para o mundo. Ajudando a saber de onde a gente vem, o turismo pode assim ajudar a saber para onde a gente vai!

Jean Philippe Pérol

 

China x EEUU: a guerra comercial já prejudica o turismo

A liberdade iluminando o mundo… ainda?

Mexendo a cada lance com centenas de bilhões de USD, a guerra comercial que o Trump declarou para resto do mundo, e mais especialmente para China, está preocupando os profissionais do turismo dos Estados Unidos. A US Travel Association lembra que o setor teve nos últimos anos um forte crescimento, mas uma desaceleração  começou em 2017 com a queda do turismo proveniente da América Latina e do Oriente Medio. As entradas aumentaram ainda de 0,7% em 2017 e os 77 milhões de visitantes internacionais gastaram um recorde de USD 251,4 bilhões, mas com somente 2%  de alta em relação a 2016, longe da media de 8,9% dos anos Obama. A chave da expansão do turismo americano está agora no mercado chinês, responsável hoje por 3 milhões de entradas e mais de USD 35 bilhões de receitas, e com perspectivas de quase 5 milhões de entradas e  de mais de USD 50 bilhões de receitas projetadas para 2023.

Entre os EEUU e a China, um confronto global pode impactar todos os setores

Mesmo se o NTTO (National Trade and Tourism Office) está esse ano com alguns problemas para publicar estatísticas confiáveis, varias pesquisas mostram tendência negativa  em 2018. Um USD muito forte, a fraqueza da economia de vários países da América Latina -incluindo o México e o Brasil, bem como a desastrosa imagem do Presidente americano, seriam responsáveis de uma queda de quase 4% do numero de turistas e de USD 4,6 bilhões das receitas, bem como da perda de 40.000 empregos. E a guerra comercial sino-americana poderia piorar essas projeções. Desde março, o turismo chinês para os EEUU está em queda de 8,9%, e as reservas de grupos estão 34,4% abaixo dos números de 2017. Considerando os gastos elevados desses turistas ( uma media de USD 7000 por pessoa enquanto as outras nacionalidades não passam de USD 4400), uma pesquisa da Forwardkeys estima em USD 500 milhões o impacto da primeira batalha..

A guerra comercial vai prejudicar as metas de 5 milhões de turistas chineses em 2023

As novas taxas impostas essa semana sobre USD 200 bilhões de produtos chineses, e as retaliações de Pequim, vão ampliar a guerra comercial, e o impacto sobre o turismo pode ainda aumentar. Se é em principio descartado umas restrições explicitas sobre as viagens para os Estados Unidos, as autoridades chineses têm varias maneiras de provocar uma queda significava. Podem por exemplo ampliar os avisos negativos para os viajantes, assim que já fizeram em julho chamando atenção sobre a violência, a falta de segurança e até a sinofobia ameaçando os turistas chineses nas grandes cidades americanas. As mídias chineses podem até liberar a fibra nacionalista de uma população que ficou chocada pelas medidas de Trump e que pode muito bem desviar as suas preferências para outros destinos do Pacifico, da Ásia, da Europa ou da América Latina. A guerra somente está começando, mas os primeiros acontecimentos não são favoráveis para os profissionais do turismo dos Estados Unidos.

Esse artigo foi inspirado de um artigo de  Serge Fabre na revista profissional on-line La Quotidienne

O morador é também turista!

Veneza, símbolo do divorcio entre moradores e turistas

Com o turismo mundial caminhando para 1,8 bilhões de turistas internacionais em 2030, e enquanto muitos destinos lutam para atrair mais visitantes, outros têm cada vez mais dificuldades para organizar a coabitação pacífica  de centenas de milhares de turistas sazonais com os moradores. Em algumas cidades como Veneza ou Barcelona, as autoridades se preocupam há anos em encontrar uma forma de equilibrar os benefícios econômicos e sociais do turismo com o respeito dos modos de viver e do bem estar dos habitantes. Algumas medidas como o pagamento de uma taxa de entrada ou a exigência de uma reserva de hospedagem chegaram a ser estudadas. Não vigoraram, mas a chegada da AirBnb, e o seu impacto sobre os alugueis, bem como o crescimento da consciência ecológica, aumentaram a urgência de responder as preocupações dos moradores com o “overturismo” em quase todos os grandes destinos.

Na Espanã, protesto dos moradores contre o turismo de massa

Na onda do turismo sustentável, o respeito do modo de viver das comunidades bem como a participação dos habitantes ao produto turístico do seu destino viraram imprescindíveis. O morador é hoje ator do turismo da sua terra, contribuindo com a qualidade do atendimento, e deve ser também seu embaixador, divulgando a sua imagem com a força da autenticidade. Fatores chaves da reconciliação com o turismo (e os turistas), essas tendências vão ser completadas e talvez superadas por um outro papel do morador: ser um consumidor reconhecido da oferta turística da sua comunidade. As pesquisas mostram que de 30 a 70% do consumo de turismo de uma região é realizado pelos habitantes do local ou dos arredores, um potencial cada vez mais valorizado pelos responsáveis públicos e os profissionais.

A loja Mazette no Cap Ferret, referencia de turistas e moradores

Muitas experiências de promoção do turismo local junta aos próprios moradores já viraram cases de sucesso, seja na França os exemplos de Only Lyon ou do Cap Ferret, no Brasil o de Recife ou de Foz de Iguaçu. Colocando o morador no coração da concepção e da comunicação do seu turismo, esses destinos ajudam hoje a definir os ingredientes de uma boa estratégia para satisfazer os clientes locais e os deixar conscientes e orgulhosos da atratividade turística da sua região. Com esse objetivo, o primeiro passo é sempre de conhecer melhor esse cliente, o seu perfil, as suas motivações, as suas exigências, seja o próprio morador como os seus familiares ou os donos de residências secundarias.

 

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Lyon publicando seus melhores endereços para moradores e turistas

Para convencer os moradores de participar ao turismo local, é preciso adotar uma comunicação especifica, mais regular, com dicas mais específicas e endereços mais atualizados e mais secretos. É o caso de  Only Lyon  que publica duas vezes por ano um magazine Collector que sugere as novidades e as tendências de restaurantes, espetáculos, eventos ou lojas para seus visitantes e seus habitantes. Para esses últimos, produtos e serviços específicos podem ser necessários, e tarifas exclusivas mais baratas  são hoje oferecidas, não somente pelos museus, monumentos e exposições, mas também nos hotéis e nos centros de lazer. Em Quebec, a start-up “M ta région” (Ame a sua região) conseguiu assim alistar mais de 1200 profissionais nessa campanha.

M ta région, incentivendo os moradores a visitar sua região

O relacionamento dos moradores e dos turistas é também facilitado pelos eventos organizados para essas duas clientelas, uma estratégia seguida com sucesso por muitos hoteleiros, inclusive a Accor com sua “La Nuit by Sofitel”. Algumas cadeias hoteleiras, como o Mob Hotel of People integraram essa miscigenação a seu próprio conceito empresarial. Favorecer encontros faz também parte da filosofia de centros de atendimento ao turista bem sucedidos como a loja Mazette, ponto incontornável do vilarejo de Cap Ferret, perto de Bordeaux. Essas experiências múltiplas mostram a evolução das relações entre o morador com o turismo. Antigamente ignorado pelos profissionais, ele é hoje respeitado e procurado não somente como consumidor e embaixador do seu território, mas também como co-criador do seu turismo. O fim do antagonismo?

Esse artigo foi inspirado de um artigo original de Maité Levasseur na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat 

Politica atrapalha o renascimento do turismo no Irã

Persepolis, antiga capital do império do Ciro o Grande

Seguindo as decisões politicas dos Estados Unidas, as mas noticias se acumulam para o turismo no Irã. Depois de Air France, KLM, Etihad, Air Astana e Austrian, a British Airways decidiu a suspensão dos seus voos para Teerã a partir do mês de Setembro. Algumas grandes companhias aéreas, lideradas pela Lufthansa e Alitalia, ainda não anunciaram as suas decisões, mas parece pouco provável que elas desafiam o boicote americano e arriscam pesadíssimas sanções econômicas. Num prazo de seis a oito semanas, o pais herdeiro do império de Ciro, cujos 2500 anos tinham sidos comemorados em 1971 com a presença de 60 chefes de estados, só será ligado aos países ocidentais pela companhias locais Mahan Air e Iran Air.

Os hotéis ibis e Novotel do grupo Accor em Teerã

Esse golpe chegou no ano excepcional para o turismo no Irã que cresceu  50% em 2017, passando os 6 milhões de visitantes, alastrando um otimismo tanto nos profissionais que no ministério que chegou a anunciar um objetivo de 20 milhões de entradas para 2025. Surfando no sucesso, Accor, Mélia e varias outras companhias hoteleiras internacionais tenham  investindo em novos estabelecimentos. Para eles, o futuro está agora incerto, assim que para os números pequenos bed and breakfast que empresários locais abriram nos últimos três anos. Se o site da AirBnb ainda oferece centenas de quartos e apartamentos no Irã, a permanecia dessa oferta está agora ameaçada pelo bloqueio das transações financeiras.

A praça Naqsh-e-Janan em Isfahan

Enquanto destinos exclusivos estão cada vez mais procurados para os viajantes que querem novidades e precisam fugir do “overturismo”, o Irã tinha – e tem- uma oferta que seduz tanto os turistas a forte motivação cultural que os backpackers aventureiros. As ruínas de Persépolis, a antiga capital do império persa (patrimônio mundial da UNESCO), as mesquitas, os jardins, e os museus de Isfahan ou Shiraz, os palácios de Teerã, os vilarejos do Mar Cáspio e os monumentos sagrados de Meshed carregam uma historia excepcional que muitas operadoras, na França, na Alemanha mas também no Brasil, estão promocionando com sucesso. Com um cambio muito favorável, e uma importante e segura oferta de hospedagem e restauração econômica, o pais foi classificado pelo World Economic Forum report  como o destino turístico mais barato de 2018.

A mesquita do Sheikh Lutfallah em Isfahan

Se é certo que a riqueza patrimonial e cultural do Irã lhe assegura a longo prazo um grande futuro no mapa do turismo mundial, e que os peregrinos ou aventureiros continuarão a visitar suas cidades santas ou seus sítios arqueológicos, a decisão  americana e a consecutiva impossibilidade de fluxos financeiros com o Irã, devem quase parar a curto prazo os fluxos vindo da Europa e das Américas. Para os hoteleiros e para as operadoras foi mais uma vez demonstrada a fragilidade da economia turística, sujeita as crises climáticas, sanitárias, econômicas ou militares, mas também aos jogos políticos. Para quem sonha em visitar ou fazer visitar o pais outrora conhecido como o ”Trono do Pavão”, a esperança será de lembrar que o turismo demostrou nas últimas décadas uma extraordinária resiliência, e que o prazo de recuperação dos destinos castigados está cada vez mas curto. Então, no ano que vem em Persépolis?

Jean Philippe Pérol

As ruínas de Naqsh-e Rostam perto de Shiraz

A torre Azadi em Teerã

Bitcoin e blockchain, mais um Big Bang no trade turístico?

O Bermuda Belmont, pioneiro do bitcoin na hotelaria

O Newstead Belmont Hills, um dos mas conceituados resorts de Bermuda, anunciou em julho juntar-se aos primeiros hotéis do mundo a aceitar pagamentos em bitcoin. Se muitas empresas de turismo se interessaram com essa moeda e mais ainda pela sua revolucionária blockchain, quase todas estão ainda cautelosas frente a volatilidade das taxas de cambio, a insegurança dos atores desse mercado ainda imaturo, e a dificuldade de definir se a nova criptomoeda é uma revolução tecnológica ou um bolha financeira pronto de explodir a qualquer momento. A decisão do Belmont seguiu porem a convicção dos especialistas que acreditam não somente que o volume de negócios tratados com a nova moeda deve crescer muita rapidamente , mas ainda que ele tem o potencial de mudar os parâmetros do turismo, especialmente em tudo que se refere a intermediação e distribuição.

Winding tree, um project B2B baseado no blockchain

A curto prazo, a revolução trazida pelo bitcoin não é ligada em primeiro lugar ao seu impacto financeiro mas deve quase tudo ao blockchain, a tecnologia utilizada com seu acesso aberto, inviolável e transparente a todos os dados do seu histórico. Já mostrou suas primeiras aplicações práticas no turismo com melhoramentos dos programas de fidelidade, redução de custos de varias transações financeiras, ajuda no monitoramento das bagagens pelas companhias aéreas, controle dos fornecedores e até facilitação das filas de imigração, e a médio prazo essa tecnologia pode impactar todos os atores do transporte e do turismo. Makzim Ismaylov, fundador da Winding Tree, plataforma de viagens já usando o blockchain, pensa que o modo de trabalhar do setor vai ser radicalmente transformado, e outros especialistas chegam a anunciar mais um Big Bang no turismo.

O Bitcoin pode iniciar mais uma revolução na industria do turismo

As primeiras vítimas da revolução do bitcoin poderão ser os grandes distribuidores, especialmente na venda de hospedagens. Com preços transparentes acessíveis a todos, cortando os numerosos intermediários, acabando com os custos financeiros dos bancos ou dos cartões de credito, podendo gerenciar diretamente os programas de milhas, as plataformas de viagens combinando bitcoins e blockchain terão vantagens decisivas sobre os seus concorrentes, seja OTA, GDS ou brookers, se eles não se adaptam a essa nova tecnologia. Com a total transparência do valor agregado por cada ator, as agências de viagens deverão definitivamente abandonar a cultura de comissões para generalizar a cobrança dos seus serviços – uma pratica iniciada pela Wagons lits há mais de 30 anos, imposta há mais de 10 anos pelas companhias aéreas mas que ainda resiste nos cruzeiros e na hotelaria.

Lufthansa investe tanto no bitcoin e nas aplicações do blockchain

Tanto o bitcoin quanto o blockchain estão se espalhando na industria. Se a Expedia suspendeu o bitcoin das suas opções de pagamento depois de 4 anos de experiência, um crescente numero de sites de vendas on-line estão aceitando a moeda. É o caso de CheapAir.com, de Letsflycheaper.com e, em certos casos, de Virgin. Singapore Airlines está realizando testes em colaboração com KPMG e Microsoft, visando a transformar os seus créditos de milhas em criptomoeda. Lufhansa esta colocando os seus inventários diretamente a disposição de novos parceiros, e trabalha com a SAP sobre um “aviation blockchain challenge” em três direções: ideias para aprimorar a experiência dos seus viajantes, soluções especificas para incrementar a eficácia das operações, processos para melhorar a manutenção dos aviões e o controle dos fornecedores.

No Japão, mais de 260.000 lojas aceitam o bitcoin

Vários países estão também acreditando no bitcoin para estimular o seu turismo. Já é o caso do Japão, da Coreia, da Tailândia, de Malta, de Taiwan, do México, bem como do Havaí, e da Caribbean Tourism Organization. Eles acreditam nas imensas novas oportunidades geradas pelo bitcoin, e na forte atração que a cultura das criptomoedas gera hoje junto aos milênials. Aderir a essas tendencias ajudara a aproveitar esse novo Big Bang, e a atrair para o turismo parte  desse mercado blockchain que deve superar USD 2 trilhões até 2030.

O litoral francês, destino dos Brasileiros? – Brasil à Francesa

Nos anos 60, Brigitte Bardot já cantava a doçura do verão “na praia ensolarada” e a melodia nos transportava pelas estradas da França. Imaginávamos os parisienses fugindo coletivamente da cidade para ficarem aglutinados na Côte d’Azur ou nas praias da Aquitânia ou talvez em Búzios que encantava a artista.  Desde 1936  (data da lei sobre…
— À lire sur brasilafrancesa.com/2018/08/14/o-litoral-frances-destino-dos-brasileiros/

A França, ainda líder do turismo mundial?

A França mais uma vez líder do turismo mundial em 2017

Mesmo publicadas com um pouco de atraso, as estatísticas 2017 do turismo francês são importantes para analisar a evolução do primeiro destino mundial. Com 86,9 milhões de entradas, a França continuou na liderança em entradas de turistas, na frente da Espanha (81,8 milhões, em expansão de 8,6% no conturbado mundo mediterrâneo) que passou na frente dos Estados Unidos (73,0 milhões, pagando talvez com uma queda de 3,8%  a rigidez migratória do Trump). Com um crescimento de 5,1% foi não somente borrada a queda provocada pelos terríveis atentados de novembro 2015 e julho 2016, mas também ultrapassado o recorde anterior de 2015. Anunciando com muito orgulho esse resultado, o ministro das relações exteriores e do turismo confirmou que a França deveria atingir em 2020 a meta de 100 milhões de entradas e consolidar sua liderança.

Com alta de 47%, o turismo russo foi o que mais cresceu

Se esse bom resultado era esperado, os profissionais ficaram surpresos pelo desempenho dos mercados internacionais. Os esperados turistas asiáticos ainda não recuperaram os níveis de 2015, a China crescendo pouco (4,9%), a Índia ainda caindo (-5,6%), e somente o Japão tendo um crescimento forte (17,8%). Os americanos (5,6%) e mais ainda os brasileiros (17,9%) voltaram com toda força, mas foi da Europa que foram registrados os maiores fluxos com destaque para Rússia (43,4%), Espanha (17,3%), Bélgica (9,6%). Primeiro mercado europeu, o Reino Unido não pareceu sofrer do Brexit se consolidou na frente da Alemanha, chegando a 12,7 milhões de entradas e  6%  de crescimento, uns números decisivos para oferecer a França o seu novo recorde de 2017.

EEUU lideram disparados o ranking das receitas do turismo internacional

O ranking do turismo mundial é porem bem diferente quando as receitas internacionais são o primeiro critério de classificação. A liderança disparada pertence nesse caso aos Estados Unidos com 190 bilhões de Euros, seguindo da Espanha com 60,3 bilhões. Mesmo tendo revisado os seus números e “re-encontrado” 10 bilhões de euros de receitas suplementares, a França fica somente em terceiro lugar com 54 bilhões de euros, uma posição ainda ameaçada pela China e pela Tailândia que poderiam subir no pódio já em 2018. Com a OMT projetando há 20 anos a chegada de  130 milhões de turistas na China em 2020, com os Estados Unidos e a Espanha num trend de forte crescimento, é certo que o título de pais mais visitado do mundo trocará de titular, e  que ambas lideranças em receitas e em entradas de turistas internacionais serão então perdidas.

Nas Sources de Caudalie, liderança em bem estar e enogastronomia

Na hora da sustentabilidade e da valorização do impacto econômico e social do turismo, os profissionais estranham a insistência dos políticos em se vangloriar de resultados quantitativos discutíveis. A França já  se posiciona como um grande líder mundial do “melhor turismo” em vez do “mais turismo”, respondendo as expectativas tanto dos seus turistas que dos seus moradores. Numa concorrência mundializada, três fatores diferenciantes contribuem a uma nova liderança: a imagem de um acervo cultural mundialmente reconhecido, um bem viver autêntico e protegido, uma oferta temática completa, especialmente nos segmentos com mais valor agregado (luxo, gastronomia, bem estar, enologia, esqui, congressos ou grandes eventos.

Nos vilarejos da Provence, as mesas esperam turistas e moradores

Se o seu primeiro lugar em números de chegadas de turistas não vigorará alem dessa década, a França pode guardar sua liderança como destino de “melhor turismo” frente as novas tendências que estão se desenhando hoje. Pode continuar liderando pelo seu forte conteúdo cultural, seu patrimônio , seus museus, sua arquitetura, mas também pela alternativa que ele oferece ao modelo do concorrente norte americano. Pode liderar pela especificidade do seu arte de viver, o seu estilo de vida autentico compartilhado entre os viajantes internacionais, os turistas locais (mais de dois terços do turismo francês é domestico) e os moradores. Pode liderar pelas suas normas sempre rígidas, protegendo o consumidor em termos de sustentabilidade, de uso do espaço público, de alimentação ou de ética social.

O Mont Saint Michel, patrimônio e fé no monumento mais visitado fora de Paris

A França vai também guardar a sua liderança pela riqueza da sua oferta turística. Com uns 40 destinos internacionais, consegue oferecer uma excepcional diversidade que inclui produtos e serviços de excelência em quase todos os segmentos. A Pirámida do Louvre, o Palácio dos Festivais de Cannes, as pistas de Courchevel, o Mont Saint Michel, os bangalós  de Bora Bora, os Hospices de Beaune, os vinhedos de Bordeaux, o bar do Lutetia, o Versailles do Ducasse, as adegas de Reims, os “bouchons”de Lyon, a vida de Saint Tropez, o castelo de Chenonceaux, o porto de Honfleur, o Hotel du Palais em Biarritz, ou as simples ruas e praças de Paris, Saint Paul de Vence, Saint Emilion ou Cap Ferret, são esses lugares de excelência, mais que números discutíveis, que ajudarão a França a liderar o turismo mundial.

Jean-Philippe Pérol

O porto de Honfleur, seduzindo os turistas pela sua luz e sua História

Esse artigo foi inicialmente publicado no “Blog Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos