Na Islândia, até os cavalos estão promovendo o destino com humor e criatividade

A Islândia não quer que os emails estragam sua viagem!

Descobrindo várias das mais bonitas paisagens da Islândia, na geleira Solheimajökull, na falha de Silfra ou frente ao Grande Geysir, uma jovem turista é perturbada por notificações de emails urgentes do seu empregador que parece esquecer que ela está de ferias. Segue então a voz do ator islandês  Olafur Darri Olafsson para lembrar que “Emails do escritório estragam mesmo as férias… mas, ainda bem, a Islândia acho a solução perfeita para esse problema”. Assim comece o vídeo promocional da nova e criativa campanha 2022 de Visit Iceland, já visto por 160.000 youtubers.

Celular no avião, uma polémica que já era?

Receber ou fazer ligação durante o voo é quase sempre proibido

Mesmo com o Wi-fi a bordo se generalizando, o cenário de dezenas de celulares tocando  num avião lotado de gente falando alto ainda não aconteceu. Mas poderia muito bem acontecer daqui há um ou dois anos já que os avanços tecnológicos permitam a qualquer celular de receber ligações se o avião tiver os equipamentos necessários, e algumas companhias já autorizam as ligações em rotas especificas. Mas, na imensa maioria dos voos internacionais, as conversas telefónicas são proibidas por quatro tipos de razões distintas: os riscos técnicos, a oposição dos tripulantes, as dúvidas dos passageiros, e a legislação restritiva.

A longa história das ligações telefônicas a bordo

O possível impacto das ligações telefónicas sobre a segurança dos voos tem uma longa historia. Nos anos 90 era autorizadas desde um telefono fixo instalado perto dos galleys, nos anos 2000 foi um aparelho encaixado na sua frente onde era possível falar depois de passar um cartão de credito. Com a sofisticação crescente dos celulares, os temores de interferências com os equipamentos do cockpit levaram nos anos seguintes os especialistas a uma proibição total.  Hoje as pesquisas nunca comprovaram esses riscos, os fabricantes garantem o risco zero para os novos aparelhos, e a segurança eletrônica  não deveria mais ser um motivo de impedir as ligações.

A oposição dos tripulantes é extremamente firme. Eles acham que a liberação das chamadas telefônicas poderia levar ao caos nas cabinas, que brigas as vezes incontroláveis vão acontecer entre passageiros falando alto no telefone e outros querendo tranquilidade. Já gerenciando poltronas reclináveis, excessos de bebidas, luzes noturnas e choros de bebês, as aeromoças e os comissários não querem ser obrigados a interferir em novos conflitos de comportamento.  Alguns sindicatos profissionais levantaram também problemas de segurança pela falta de atenção dada as instruções dos tripulantes pelos passageiros grudados aos seus telefones.

Altos executivos são os mais favoraveis ao uso do celular no avião

Os viajantes e os profissionais do turismo estão divididos sobre essa liberação. Varias pesquisas mostraram que a maioria dos passageiros estão se opondo a um “liberou geral”. Eles temem que os toques das chamadas e as conversas a voz alta levam a uma cacofonia geral, e que discussões sobre níveis de som geram atritos e até brigas. Essas pesquisas mostraram também que menos de 5% dos viajantes acham interessantes poder utilizar os seus celulares durante os voos. Mas esses encontram-se principalmente entre os homens de negócios e os passageiros da classe executiva que as companhias aéreas vão, com certeza, escutar com muita atenção.

A proibição de uso dos celulares ainda é a regra geral

Mesmo se não é internacionalmente proibido de receber ou fazer ligações a bordo, essa proibição existe de fato ou de direito em muitos países. É o caso dos Estados Unidos onde existam não somente restrições da Federal Communications Agency sobre o uso das duas bandas mais utilizadas pelos celulares, mas também uma regra da  Federal Aviation Administration proibindo as conversas por celular nos voos comerciais. No Brasil a ANAC exige que os celulares estejam em modo avião durante o voo. Sem proibir as conversas via aplicativo, pede com bom senso que os tripulantes vigiam “formas incômodas ou inseguras de uso dos celulares como utilização dos alto-falantes ao invés de fones de ouvido, e as comunicações em voz alta”.

O celular nos trens já virou hábito de todos sem gerar conflito!

Os especialistas prevêem que as agencias reguladoras liberarão o uso de celulares nos aviões, deixando as companhias aéreas decidir tanto as possibilidades como as condições de uso. Para evitar os caos sonoros e os conflitos, uma das soluções será talvez de copiar o modelo escolhido por varias companhias de trem que abriram espaços específicos para os passageiros querendo fazer ligações em voz alta. E a longo prazo, é bom lembrar que os millennials e as novas gerações quase não falam mais  diretamente no celular mas deixam mensagens. O bom senso e os novos hábitos de consumo terão evitado uma guerra.

Tiktok, mais criatividade para o turismo

Tiktok é a mídia social com o maior crescimento

Com seus vídeos curtos (em media menos de 50″), TikTok já alcançou em janeiro 74,1 milhões de usuários ativos no Brasil (Fonte: Datareportal). Talvez acelerado pela pandemia, esse sucesso se deve a apropriação do aplicativo pela nova geração atraída pelos conteúdos dinâmicos e criativos. Segundo dados da própria plataforma, 66% dos usuários de TikTok têm menos de 30 anos e a grande maioria das pessoas que usam a rede tem entre 16 e 24 anos. Foi eles que levaram a TikTok ao pódio mundial com 656 milhões de downloads en 2021, (sendo 3 bilhões desde  2017). O numero de usuários ativos deveria chegar a 1,5 bilhão no final desse ano

Dois terços dos usuários têm menos de 30 anos

Para as empresas que querem atingir os menos de 35 anos, TikTok virou uma vitrina incontornável, mas exige uma comunicação diferenciada para maximizar os resultados. A criatividade e o valor do conteúdo têm mais importância que o numero de impressões ou o volume de investimentos financeiros.  O aplicativo facilita a interatividade, e os usuários são incentivados a gostar, a publicar videos, e a compartilhar. A taxa de engajamento é muita mais alta que nas outras mídias sociais, com uma media mundial de  15,86 %,a comparar com os 2,26 % da Instagram.

Na Tiktok travel, uma alta taxa de conversão

A força do impacto é maior ainda para as viagens e o turismo. Segundo uma pesquisa de Walnut Unlimited realizada en 2021, 77 % dos usuários europeus declaram ter sido inspirados na escolha dos seus destinos por conteúdos vistos na TikTok. E quase a metade deles (49 %) concretizaram essa decisão. O desafio #TikTokTravel, com conteúdos ligados a ferias e viagens, ja acumulou 32 bilhões de visualizações  em 100 países do mundo. A versão brasileira #IssoéBrasil , com o mesmo objetivo de inspirar os usuários a compartilhar de maneira criativa suas experiências de viagem, já passou de 250 milhões. 

Maira Godinho Cunhaporanga, jovem indígena, influenciadora TikTok

Se os profissionais do turismo demoraram para utilizar essa nova plataforma nas suas promoções, Tiktok já é parte de muitas campanhas bem sucedidas, viradas para as jovens gerações, seja para inspirar suas próprias viagens, seja para para influenciar as viagens em família, ou seja para investir nos viajantes do futuro, aqueles que vão definir os novos modos de consumo do turismo de amanhã. Muitas empresas ou organizações estão investindo na TikTok não somente para atrair e divertir os usuários, promover suas ofertas, mas também para promover a sua cultura interna e seus valores, ou até atrair colaboradores.

Alguns exemplos vistos na TikTok

A companhia francesa de trem  SNCF produz número videos humoristicos ou informativos  para promover destinos ou mostrar as opções para organizar suas viagens de trem. @sncfconnect 

Destinos  como Londres,Espanha ou Singapore produzem conteúdos institucionais, mas também, no caso da Espanha, vídeos mais lúdicos.  @visitspain 

Durante a pandemia, vários museus encontrar com TikTok uma forma de manter uma presencia junto a um público jovem. Assim por exemplo o Andy Warhol Museum de Pittsburg ou o Black Country Living Museum de Birmingham  @thewarholmuseum   @blackcountrylivingmuseum

No Brasil são postados quase 5 milhões de videos por mês (segundo volume no mundo depois da China). Alguns perfis de sucesso no TikTok com conteúdo de viagem: @prefiroviajar @vazaonde 

Este artigo foi adaptado de um artigo original de Julie Payeur na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat  

Segunda edição do Invino amplia mercado com novos players

Press release da Promonde, São Paulo, 28 de março de 2022

A Borgonha vai ser a grande vedete da segunda edicão do Invino

O francês Jean-Philippe Pérol, no Brasil desde 1976, sempre foi um visionário. Dirigiu os escritórios para as Américas da antiga Maison de la France, hoje Atout France, ocupando também a função de Diretor Geral em Paris da organização.  Foi o primeiro a acreditar nos anos 2000 na democratização das viagens internacionais para os brasileiros e apostar no potencial da então nova classe média para o turismo francês. Apaixonado por tecnologia, sempre alertou que as operadoras e agências de viagens eram os maiores parceiros dos Tourism Boards. Depois, no início dos anos 2010, entendeu a importância das mídias sociais, em especial o Instagram, como veículo de promoção de destinos, e criou campanhas icônicas com influenciadores digitais.

Vinho e turismo, o encontro de duas paixões

Quando deixou o turismo da França, apostou suas fichas na Amazônia e nas viagens com conteúdo. E percebeu, igualmente,  que o enoturismo no Brasil poderia ter um crescimento significativo ao longo dos anos. Criou, a partir daí, em 2019, o Invino Wine Travel Summit. A segunda edição acontecerá no Hotel Unique, no próximo dia 11 de abril. Abaixo ele explica o cenário atual das viagens de vinhos, a motivação para organizar a segunda edição e que novidades os profissionais de turismo poderão conhecer no evento. As inscrições estão abertas gratuitamente pelo site.

A pandemia causou uma paralisação das atividades turísticas. Por outro lado, essa cocoonização forçada promoveu o aumento no consumo de vinhos, inclusive com surgimento de um novo mercado. Quais as expectativas de vocês com relação ao enoturismo, nessa retomada das viagens?

JPP: A pandemia causou uma brutal retração de 84% do mercado mundial do turismo em 2020 passando de 1,5 bilhão a menos de 400 milhões. O enoturismo também sofreu, mas devemos ser otimistas porque as tendências surgidas com a crise vão dar um forte impulso nas viagens por três razões: o crescimento da gastronomia (e do vinho) nas motivações; a procura de temáticas e de conteúdos fortes e, por fim,  a resiliência do turismo de luxo que representa ume boa parte (mesmo se não a única) do enoturismo nacional e internacional no Brasil.

A Cité do Vin de Bordeaux, uma arquitetura enobrecendo o enoturismo

Um novo empreendimento turístico voltado para o universo do vinho surge na Borgonha. É a resposta da região à Cité du Vin, em Bordeaux, nessa saudável concorrência entre as duas regiões?

JPP: Na França, a questão Bourgogne/Bordeaux é tão viva quanto a direita/esquerda na politica ou PSG/Marselha no futebol. No contexto, Cité du Vin et la Gastronomie da Borgonha e da Cité des Cultures et des Civilisations du Vin, deve se anotar que são dois projetos totalmente diferentes. Com os dois estando presentes no evento de enoturismo Invino, o brasileiro poderá ver que são muito mais complementares que concorrentes.

Trata-se da segunda edição do evento. A Cap Amazon reuniu muitas informações sobre o mercado. Quem é hoje o brasileiro que consome enoturismo?

JPP: A primeira informação que devemos divulgar a nossos colegas do trade é o impressionante crescimento desse tipo de turismo no Brasil nos últimos anos. Quero especialmente destacar dois pontos que chamam minha atenção na preparação desta segunda edição. O primeiro, é que o consumo de vinho e de enoturismo atinge hoje uns perfis de consumidores muito mais largos, além dos tradicionais connaisseurs da elite social e econômica e dos descendentes de imigrantes europeus no sul do país. O segundo é que o enoturismo brasileiro é hoje uma grande realidade em São Paulo, no Sul e até no Nordeste, e que os agentes de viagens tem aí um grande potencial a longo mas também a curto prazo.

De Nordeste a Sul, o enoturismo brasileiro está em plena ascenção

Há uma diferença do enoturista brasileiro para o de outras nacionalidades?

JPP: Acho que temos que falar dos enoturistas brasileiros e não do enoturista brasileiro. Temos uma clientela tradicional e de alto padrão aquisitivo que procura um enoturismo de luxo e que costuma comprar muito vinho com grande rótulos. Essa clientela está crescendo, procurando novos destinos e sendo cada vez mais curiosa sobre vinhos diferentes. Mas temos também uma clientela nova, que precisa talvez ser mais acompanhada que os enoturistas franceses ou italianos, e é nesse momento que os agentes de viagens podem ter um papel muito importante!

Quais suas apostas em enoturismo para o próximo ano?

JPP: Muito Brasil. O doméstico vai ser sucesso no enoturismo, como o sul do país, mas São Paulo vai surpreender; a Argentina também, pela proximidade e preços interessantes; a França, claro. Países ou regiões menos conhecidas vão também aproveitar. A presença da Suíça e da Catalunha no Invino não são meras coincidências. Queria lamentar a esse respeito que a Moldavia teve que cancelar sua participação devido a guerra que está chegando a suas fronteiras orientais.

A Garzon virou um exemplo de sucesso enoturístico

Quais as novidades para a edição 2022 do Invino?

JPP: Uma edição mais internacional, com expositores vindo de 8 paises, e uma participação mais importante do trade do vinho – teremos por exemplo o  World Wine apresentando seus vinhos no coquetel de encerramento. A gastronomia vai ter também uma presença mais forte com um almoço do chef bourguignon Emmanuel Bassoleil, e – last but not least – uma apresentação dos Queijos da França que vão se harmonizar com os vinhos da Garzon, um encontro original entre o Velho e o Novo Mundo.

A quem o evento se destina e como se inscrever?

JPP: O Invino quer que os mundos do turismo e do vinho se encontrem mais e se conheçam melhor. Devemos, assim, contar com 80 buyers, agentes de viagens e operadoras querendo se implicar no enoturismo, e 40 jornalistas e influenciadores vindo tanto do turismo quanto do vinho. Os 30 expositores se dividem também entre os dois setores. A particularidade do Invino em misturar palestras, seminários e encontros com refeições harmonizadas e degustações vai ajudar a criar esse clima de intercâmbio e de convivialidade que tanto gostamos.

A Suiça se posiciona como um destino de enoturismo

Depois dos influenciadores, a hora dos “experienciadores”

A experiência pessoal traga autenticidade as mensagens

Para promover marcas ou destinos, os marqueteiros já inventaram os embaixadores – muitas vezes artistas ou celebridades cujas famas eram suficientes para convencer os consumidores. Depois viram os blogueiros – e até os vlogueiros-, enquanto a explosão das mídias sociais fez o sucesso dos influenciadores, dos youtubers ou dos instagramers. No mundo da realidade virtual, a inteligência artificial  está trazendo agora os vtubers, virtuais youtubers. Nascidos no Japão e desenvolvidos nos Estados Unidos, são influenciadores digitais que publicam vídeos no Youtube usando um avatar afim não mostrar seu rosto.

O influenciador

Experienciadores se imponham com expertisa, paixão e sinceridade

Nos ecosistemas do marketing de influencia, as últimas pesquisas mostram porém a grande procura de autenticidade. Segunda o instituto francês IPSOS, a notoriedade dos influenciadores é hoje menos importante que sua expertisa, sua paixão e sua sinceridade para recomendar uma marca, um produto ou um serviço. A pesquisa mostrou que milhões de seguidores não mais são mais a chave de ouro, e que intercâmbios mais ricos, mais fáceis e mais impactantes podem ser realizados com influenciadores seguidos por somente dez mil pessoas mais qualificadas. Parece assim que chegou a hora dos “experienciadores”.  

Vtubers tentam fazer dos avatars uns concurrentes dos youtubers

A coerência, a sinceridade e a credibilidade são as características esperadas desses novos influenciadores, capazes de passar nas suas comunidades uma mensagem cuja força vem da experiência e da paixão vindo de pessoas reconhecidas pelos pares.  Os “experienciadores”  são bem sucedidos em muitos setores, nas administrações públicas, na beleza, na moda, na gastronomia ou na distribuição de alimentos. Mas é certamente o turismo, com seus consumidores ávidos de conselhos e seus fornecedores  generosos em convites de viagens ou de produtos,  que oferece o maior campo de desenvolvimento. 

A experiencia faz a diferencia com os influenciadores tradicionais

Os “experienciadores” respondem as novas tendências, trazendo um verdadeiro valor agregado com sua expertisa, sua experiência pessoal e sua lógica de conselho, numa relação de proximidade – mas não de confiança cega- com seus seguidores. Diferentes tanto dos jornalistas que dos influenciadores tradicionais, eles  destacam pontos positivos e negativos dos produtos ou dos destinos que eles experimentam. Criando conteúdos autênticos e convincentes, eles vão com certeza ter um papel crescente no marketing do mundo do turismo que está surgindo depois da crise.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Evelyne Dreyfus na revista francesa profissional on-line Mister Travel

Na nova era pos pandemia, o agente de viagem voltando com mais legitimidade

No pos Covid, um turismo a reinventar

Se ainda existam dúvidas sobre o calendário da retomada – as viagens internacionais sendo muito perturbadas pela nova variante-, os profissionais são todos convencidos de uma coisa: o mundo do turismo pos Covid está renascendo com profundas mudanças. Essas mudanças vão impactar os consumidores, as companhias aéreas, os hotéis, os restaurantes e as atrações. Para as agencias de viagens é sem dúvidas uma verdadeira revolução que deve ser esperada, mas as consequências podem talvez ser mais positivas do que podia se esperar no auge da crise.

A pandemia prejudicou todos os setores do turismo

No mundo inteiro, as agencias enfrentaram queda de atividade de até 80%, prejuízos financeiros, demissões forçadas . 70% delas ficaram temporariamente fechadas e as previsões mais pessimistas  projetam que  20% delas não vão reabrir. No Brasil a última pesquisa Cap Amazon/ Mercado & Eventos projetava que 7% das agencias ficaria fechadas, mas  indicava  que 27% iam ficar virtuais. Mesmo com a retomada virando uma realidade, a primeira revolução da nova era pos Covid parece mesmo ser uma queda do numero de agencias, reforçada com uma queda do numero de funcionários – e mais ainda de funcionários em carteira.
Credito: DepositPhoto

Os novos viajantes voltam nas agencias tradicionais

Por difícil que seja, algumas agências vejam no novo quadro do turismo umas oportunidades. Profissionais estão vendo e-consumidores voltando para o presencial depois de meses de dificuldades enfrentando inteligências artificiais on-line. Num clima de incertezas, de cancelamentos ou de regras sanitárias mudando diariamente,  a presencia humana informa e tranquiliza melhor que o “aperto 1, aperto 2, aperta *”. Claro que não se trata de questionar a força do digital, mas de constatar que o conselho, a personalização e a reatividade vão agora levar a uma coabitação perene entre o físico e o on-line.

A então agência Wagons lits//Cook no RIo em 1934

A coabitação entre o assistante virtual das OTA e o “Travel advisor” das agências vai talvez ser ajudado pela nova importância dos “home agents”. Outra consequência da pandemia e das demissões em massa de funcionários, o número de agentes independentes, trabalhando em casa em relação ou não com agencias de viagens tradicionais, está crescendo. Seguindo o modelo da América do Norte, pode chegar a representar quase a metade dos empregos do setor. Com toda sua legitimidade vindo da sua capacitação profissional e do perfeito conhecimento dos seus clientes aos quais ele oferece um serviço extremamente personalizado, o “home  agent” vai ser um ator incontornável da retomada.

Nas novas agencias, experiências digitais e virtuais

Carregando a bandeira da defesa do consumidor, oferecendo uma experiência de serviço logo na preparação da viagem, oferecendo uma verdadeira “expertise” na escolha e na negociação do itinerário, as agencias estão investindo em vendas multicanais, mas também em locais de atendimento mais aconchegantes e renovados com recursos tecnológicos. Enquanto seu desaparecimento já foi anunciado varias vezes no passado, na época do corte das comissões ou mais recentemente com o crescimento das OTA e dos sites comparativos, o agente de viagens – agora Travel advisor, Travel planner ou até Travel designer-  vai mostrar na era da pos pandemia que ganhou mais legitimidade, sendo o verdadeiro Fenix de um setor que vai rapidamente recuperar todo seu peso econômico, social e humano.

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercado e Eventos

 

Icelandverse x Metaverse mostrando o talento e a criatividade da Islândia

Aproveitando a onda do metaverse, esse mundo virtual interativo dos gigantes do web, e sua apropriação pela Facebook  agora rebatizada Meta, o escritório de turismo da Islândia acabou de dar mais uma aula de marketing inteligente. Ao mundo tecnológico  dos aplicativos e das emoções em capacete 3D, universo do fake interativo, a nova campanha islandesa  está sobrepondo suas paisagens apurados e sua naturaleza grandiosa, num clip apresentado com muita simplicidade por um clone do Mark Zuckerberg.

As auroras boreais, cartão postal do pais

A agua que molha, os humanos de verdade, os pássaros bonitos e burros, a vegetação a respeitar, as pedras a acariciar e os géisers a observar de longe, esse é o mundo do IcelandVerse dessa nova campanha apresentado por «Zack Mossbergsson». Esse islandês com sotaque bem carregado copiou o corte de cabelo, a roupa preta e o estilo do dono da Facebook, e quer também convencer do lado revolucionário da tecnologia que a Islândia  está oferecendo para os visitantes.

Paisagens lunares são marca registrada

Este «chief visionary officer»  convide os interessados a participar desse novo capitulo da historia da conectividade humana, e a vir visitar o seu pais para essa experiência. Enquanto desfilem na tela desertos de gelo, campos de grama, paisagens vulcânicos ou auroras boreais, o C.V.O. não esquece de lembrar que o convite é valido para hoje, amanha, ou quando quiser. Já conhecida como terra de fogo e gelo, único país du mundo onde os nativos não usam sobrenomes, a Islândia merece agora ser também celebrado pelo seu senso de humor e de oportunidade. Parabéns!

Ainda não teve resposta do Mark Zuckerberg, mas está sendo esperado!

 

Em Glascow, o turismo ganhando um novo impulso

Reunindo mais de 20.000 participantes vindo de 197 paises, a COP26 foi não somente momento chave no consenso internacional sobre a luta contre as mudanças climáticas, mas também um encontro marcante para o turismo global. Frente as perspectivas de dois bilhões de turistas em 2030 – a democratização das viagens e a chegada dos emergentes aumentando o risco de overturismo-, muitas vezes acusados de ser uns dos grandes responsáveis da poluição  e das emissões de CO2, 300 atores do setor foram reunidos em Glasgow pela Organização Mundial do Turismo para discutir de medidas concretas e de planos de ações imediatas.

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A “declaração de Glascow” lembra em primeiro lugar que os signatários acreditam que os combustíveis fósseis, a agricultura não sustentável e os modos de consumo descontrolados contribuam para as mudanças climáticas, para a poluição e para a diminuição da diversidade biológica. Reequilibrar a relação com a natureza é fundamental não somente para a saude dos ecosistemas e para o bem estar  pessoal, social e econômico de todos, mas também para a retomada sustentável e o proprio futuro do setor. A declaração lembra também que as ações escolhidas deverão contribuir a reduzir de 50% as emissões de CO2 até 2030 e de 100% até 2050,  e se encaixar nos objetivos do Acordo de Paris.

O turismo marcou presencia na COP26

Os profissionais recusam que o setor seja culpabilizado, e eles acreditam que o turismo pode ser na vanguarda de um futuro de baixo carbone. O setor – suas empresas e seus empregos- poderá assim crescer preservando suas atividades, suas infraestruturas, os ecosistemas onde são localizadas, bem como o bem estar doa moradores e das populações impactadas. A força dos compromissos assumidos pela OMT e seus 300 membros ficou clara, tanto pela transparência do processo iniciado -já prevendo a publicação de relatórios anuais- , que pelas medidas anunciadas agrupadas em cinco eixos de trabalho e iniciadas nos próximos doze meses .

A descarbonização foi um dos pontos principais discutidos em Glasgow

Medir : Medir e publicar todas as emissões ligadas a viagens e turismo, com metodologias seguindo as diretivas da Conferência para medição, relatórios e controles, sendo todos transparentes e acessíveis.

Decarbonizar : Definir e atingir objetivos conforme aos conhecimentos atualizados para acelerar a transição no turismo, incluindo o transporte, as infraestruturas, as hospedagens, as atividades, os restaurantes, e a gestão dos dejetos. A compensação pode ter um papel subsidiária mas somente como complemento de  realizações comprovadas.

Regenerar : Proteger os ecosistemas, favorecer as capacidades de absorção de carbone da natureza. Preservar a biodiversidade, a segurança alimentar e  o abastecimento de agua.  Nas regiões onde o impacto climatico é mais forte, informar os visitantes e ajudar os moradores a se adaptar as mudanças.

Colaborar : Comunicar os dados sobre os riscos e as precauções para todos os envolvidos, trabalhar para que os planos de emergencia sejam o mais completos e eficientes. Reforçar a capacidade de ação com as autoridades, as associações, as empresas, os moradores e os visitantes.

Financiar : Conseguir os recursos e as capacidades operacionais suficientes para atingir os objetivos, especialmente na capacitação, na pesquisa, e das ações anunciadas nos planos apresentados.

A declaração de Glagow marca um passo importante da retomada do turismo

Lógica e necessária pelo impacto existencial que a sustentabilidade terá sobre seu futuro, a “declaração de Glascow”, ja foi assinada pela OMT, o PNUD e os participantes constando nesta lista (ainda com poucos brasileiros a não ser o grupo ACCOR).  A declaração ainda deve ser completada, especialmente no que trata dos impactos dessas medidas sobre os custos para os milhões de turistas provenientes das classes medias dos países desenvolvidos bem como das classes emergentes dos países en desenvolvimento. Como lembrava o Gilbert Trigano, fundador do Club Mediterranée, o turismo é um formidável fator de felicidade e de momentos de igualdade social. O turismo sustentável deverá crescer com tranquilidade e segurança, guardando essas características.

Jean-Philippe Pérol

 

No Festuris de Gramado, a volta do prazer dos reencontros presenciais

A falta de viagens e de encontros profissionais foi para todos uma das traumas trazidas pela pandemia, mas o seu impacto financeiro e humano foi ressentido com mais força ainda pelo profissionais do turismo. Para homens e mulheres que escolheram um setor pela sua abertura ao mundo, seu intercâmbio permanente e suas redes de amizade nacionais e internacionais, o isolamento físico vem piorar um cenário de crise econômica e social. Um dos ícones do turismo francês afirmava que a profissão tinha três características: muito trabalha, pouco dinheiro, mas muito divertimento. Com a crise do Covid, há quase dois anos que as receitas foram poucas e que ninguém se divertia muito.

Guilherme Paulus desvendou novos projetos antes do seu tradicional jantar

Se a retomada das viagens já é percebida há meses pelas agencias, as companhias aéreas e os hoteleiros, é somente agora que as feiras reiniciam com o presencial. Foi o caso do ILTM LATAM do 26 ao 29 de Outubro, e foi mais ainda o caso da Festuris na semana passada. Em Gramado, a alegria dos reencontros já foi percebida na tradicional festa de abertura, numa sala onde não faltavam grandes nomes do turismo brasileiro. A tradição dos numerosos discursos foi respeitada – incluindo com as declarações muito otimistas e muito politicas do Ministro-, mas a emoção era grande, logo com a jovem cantora Luiza Barbosa e sua empolgante interpretação do hino nacional, e depois no intenso discurso da Marta Rossi no seu comovente duo com Eduardo Zorzanello sobre as transformações do turismo.

© sergioazevedo2021

A vista arrasadora do terraço da Mountain House do Saint Andrews © sergioazevedo2021

Os reencontros marcaram também o concorrido jantar do Guilhermo Paulus no Relais Châteaux  Saint Andrews. Agora retirado tanto da CVC que da GJP, o empresário que mais marcou a história do turismo no Brasil fez questões de mostrar a seus convidados as suas criativas novidades, uma luxuosíssima Mountain House, uma programação intensa misturando cultura, gastronomia e enoturismo, e a ambição de ver o chefe Fernando Becker trazer uma primeira estrela para o  seu restaurante Primrose. Nas animadas conversas desse tão esperado encontro exclusivo, todos os convidados, jornalistas, prefeitos, políticos ou empresários, confirmaram que essa ambição era mesmo legitima.

As rotas das missões é um dos grandes acervos do Rio Grande do Sul

Sem atingir os números anteriores a crise, foram porém 230 expositores, 270 jornalistas e 8000 visitantes que vieram reviver os tão indispensáveis encontros presenciais da Festuris. O sucesso do evento podia se medir na animação nos estandes bem como nos encontros nos corredores onde o prazer das reuniões inesperadas, e dos contatos rápidos, surpreendentes, intensos e ricos em informações, era compartilhado por todos, inclusive pelos grandes “players” da atualidade que prestigiaram o evento: executivos da Shultz, da Befly, da CVC, da Orinter, LATAM ou Azul, representantes de grandes destinos como Argentina, España, Italia, Portugal ou Uruguai, Secretários de turismo do Amapa, do Pará, da Paraiba, e do Rio Grande do Sul, este reforçado com a forte presencia de políticos gauchos com justas ambições para um turismo regional mostrando um imenso potencial.

Do Amapá ao Amazonas, a atualidade justificou uma forte presencia de toda a Amazônia

A alegria da retomada foi menos visível nas conferências. O importante assunto escolhido, as transformações du turismo, gerou públicos pouco interativos, e as respostas sobre as mudanças ou as acelerações provocadas pela crise – dos novos serviços esperados, do impacto ambiental, das convulsões da distribuição ou da concentração do transporte aéreo-  ainda deverão ser encontradas. Os organizadores tinham porem já desenhado algumas pistas, seja nos espaços escolhidos por eles- o luxo, a sustentabilidade- ou pelas temáticas empurradas pelos expositores – turismo de aventura, enoturismo, gastronomia, culture. A importância das transformações que estão chegando, e das respostas a fornecer, mostra que outros encontros são urgentes e necessárias. E vamos para Festuris 2022!

Jean-Philippe Pérol

A Borgonha e o enoturismo no surpreendente (e sustentável) ranking 2022 da Lonely Planet

As Ilhas Cook foram a grande surpresa do Top Ten 2022

Património cultural, belezas naturais e tolerância destacaram Omã

Atras das pequenas ilhas da Polinésia se destacaram destinos já confirmados e lugares menos conhecidos. Foram assim premiados a Noruega (pela sustentabilidade e os novos museus), a Ilha Maurice (pela biodiversidade, especialmente em Rodrigues), Belize (pela barreira de coral e os vestigios maias de Lamanai), a Eslovénia (pelo cicloturismo bem como a enogastronomia), e Anguilla (pela reconstrução sustentável depois do furacão Irma). Constam também na lista Omã (pela cultura tolerante e as belezas naturais), o Nepal (pelo reconstrução sustentável depois do terremoto), o Malaui (pelo ecoturismo e a proteção de especies animais ameaçadas)e o Egito (pelo património histórica e a gestão comunitárias de vários projetos turísticos).

Merida foi justamente lembrada como capital do Yucatán

Os top ranking das cidades valorizam também os esforços feitos para a sustentabilidade, a diversidade e as energias renováveis, em Auckland, Taipé, Friburgo, Atlanta, Dublin ou mesmo Firenze. A presencia de Lagos na Nigeria, Nicosia em Chipre, ou de Gyeongiu na Coreia do Sul foram porem surpresas interessantes, assim que a homenagem a Merida (México). O seu Gran Museo del Mundo Maya , os seus passeios de bicicletas para Uxmal ou Chichen Itza,  e a sua gastronomia incorporando influências maias, caribenhas e europeias foram as atrações principais justificando a sua presencia na lista como mais atrativo destino do Yucatán.

Shikoku, um Japão tradicional com 88 templos e um vanguardismo ecológico

As regiões foram selecionadas com os mesmos critérios, e uma forte influencia das preocupações ambientais que as autoridades souberem integrar na Virginia ocidental (Estados Unidos), no Kent (Inglaterra), na Cenic Rim (Australia) e em Vancouver (Canada). Se a presencia da Islândia recompensa o sucesso de um turismo criativo e pioneiro, e se Porto Rico é incentivada  a continuar seus esforços de recuperação, três destinos são mesmo achados para 2022: Atacama (Chile) com o desenvolvimento do seu turismo sustentável e comunitário, Xishuangbanna (China), com sua mosaica étnica. seus elefantes e sua gastronomia, e  Shikoku (Japão), com suas paisagens, seus 88 templos e seu envolvimento na sustentabilidade.

Enquanto o vinho é uma das temáticas que mais cresce no turismo, a Borgonha, com seus 84 apelações (incluindo 33 Grands Crus), não podia não ter sido escolhida para fechar os destaques da Lonely Planet. Pioneira do enoturismo responsável com um programa bem sucedido de certificação de vinhedos, ela vai também inaugurar em 2022 dois projetos exemplares, a Cité internationale de la Gastronomie et du Vin (CIGV), em Dijon, e a Cité des Vins et des Climats de Bourgogne nas três cidades emblemáticas de Beaune, Chablis e Macon. Alem do vinho e da gastronomia, o júri quis também destacar a natureza e as paisagens da região, e os esforços bem sucedidos para desenvolver o ecoturismo e as trilhas nos seus morros, lagos e rios. 

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