Amsterdão insistindo em apostar na era do “melhor turismo”

Amsterdão querendo virar a pagina do overturismo

Amsterdão está mostrando uma impressionante criatividade e uma notável persistência para encontrar meios de substituir o “mais turismo” pelo “melhor turismo”. Depois das iniciativas do governo dos Países Baixos cancelando as verbas de promoção turística dos lugares mais visitados, é agora a vez da prefeita Femke Halsema de tentar acabar com duas das mais icônicas atrações da cidade junto aos jovens vindos da Europa e até das Américas. Seguindo o exemplo de Haia que já adotou medidas similares, a prefeita quer proibir o acesso de estrangeiros aos famosos coffee shops, esses bares aonde é possível, desde 1976, comprar e consumir maconha de forma perfeitamente legal. É também estudada uma limitação dos acessos ao famoso distrito da Luz Vermelha e as suas sex-shops que foram muito tempo – e as vezes ainda são- um dos (discutíveis) cartões postais da cidade.

Os Coffee shops são a primeira atração da cidade

Preocupada com as possíveis consequências sobre a economia da cidade que depende em grande parte dos seus 17 milhões de visitantes,  a prefeita encomendou a seu departamento de estudos, informação e estatísticas uma pesquisa de impacto cujos resultados acabaram de ser publicados. A pesquisa mostra que uma mudança na legislação dos coffee shops tiraria o ânimo de 34% dos visitantes e que 11% não voltariam nunca mais. Para os ingleses, que são mais de um milhão a visitar a cidade, o impacto seria ainda maior, 42% deles diminuiriam suas visitas e 12% não voltariam mais. A prefeita deve também ter ficada surpresa de ler que 60% dos turistas que declaram voltar em caso de proibição  responderam que, assim mesmo, continuarão a consumir drogas na cidade, se for necessário mandando amigos holandeses fazer suas compras nos coffee shops. …

O bairro da Luz Vermelha vai ser vetado para grupos organizados

A pesquisa destacou que a liberdade de fumar drogas doces era a motivação principal de  22% dos visitantes internacionais – e mesmo de 33% dos britânicos-, seguindo das vitrinas de sex-shops e na frente dos passeios de bicicletas. Mas, convencida da necessidade de lutar contra o overturismo que esta asfixiando o centro historico da cidade, a prefeita manteve sua estratégia e já tomou as primeiras medidas. A partir do próximo mês de Abril, os grupos organizados estão assim proibidos de visitar o distrito da Luz Vermelha, uma medida que deve, segundo a prefeitura, “não somente reduzir os fluxos turísticos mas ainda proteger os trabalhadores do sexo das humilhações ou faltas de respeito impostas pelos visitantes”.  Na mesma linha, as visitas das ruas onde existam vitrinas expondo prostitutas serão vetadas aos grupos, e outras áreas necessitarão autorizações especiais.

A prefeita quer mesmo acabar com o overturismo na cidade

Alem dessas restrições impostas aos visitantes “sexo e drogas”, Amsterdão está também estudando outras medidas para lutar contre o overturismo. Uma taxa de três euros por pessoa e por dia vai ser cobrada nos hotéis e alojamentos. Indo mais longe ainda, a prefeita pediu  que seja estudado o impacto dos voos low costs sobre a economia local e o bem estar dos moradores, querendo reavaliar os apoios institucionais dados a essas companhias aéreas,  deixando claro que a escolha agora será mesmo pelo “melhor turismo”.

Turismo ou tradições, as Maldivas numa encruzilhada

Desde 2008, o fim da ditadura favoreceu o crescimento dos islamistas

Se foram abertas ao turismo somente nos anos setenta, as Maldivas são consideradas hoje um paraíso turístico, , que atraiam pelas suas aguas turquesas, seus 26 atois de coral esticados de Ihavandhippolhu ao norte até Addu ao sul, seus hotéis de palafitas construídos em ilhas exclusivas, e seus sonhos de tranquilidade. Pequeno pais de 600.000 habitantes espalhados em 1100 ilhas (mas somente 20% tem populações permanentes), compete com Tahiti ou as Seychelles com grande destino de namoro e de lua de mel. E se o turismo já represente 40% do PIB, 60% das receitas internacionais e 90% do orçamento nacional,  o governo tem numerosos projetos de desenvolvimento, a maioria focada em estabelecimentos de luxo respeitosos do meio ambiente,  e planeja passar nos próximos 10 anos dos 1,5 milhões de visitantes a mais de 7,5 milhões.

O Raffles Meradhoo, uma das joias hoteleiras das Maldivas

Principal – e quase única- riqueza das Maldivas, o turismo é porem visto com um certo receio pelos moradores. Saindo de uma longa ditadura, o pais viveu o paradoxo de eleições democráticas que favorecerem os religiosos e levaram o congresso a incorporar em abril de 2014 a lei islâmica a constituição. Fora das ilhas-hoteis onde reina uma incontestável tolerância, o álcool é proibido, os corpos têm que ser cobertos, as mulheres devem usar véus, os comportamentos “indecentes” são punidos com chicotes, a homosexualidade é um crime, e a pena de morte pode ser aplicada a partir de 7 anos de idade.  Por revoltante que seja,  e mesmo se algumas personalidades chegaram a pedir um boicote do destino, a sharia não impediu o turismo de continuar a crescer, os turistas aproveitando a liberdade de áreas reservadas e tendo muito pouco contatos com os moradores.

A imponente mesquita do Rei Salmane em Malé

A eleição, em novembro 2018, de um presidente moderado que já declarou querer abolir as leis repressivas, restabelecer os direitos humanos  e liberalizar a sociedade, foi um passo importante para tranquilizar profissionais e turistas, mas a pressão dos islamistas continua. Nas mesquitas recente construídas pela Arabia Saudita, os imãs wahabistas pedem a permanência das leis de Deus, e  em Hulhumale, nos arredores da capital Malé, islamistas radicais apunhalaram dois chineses e um australiano. A reivindicação do atentado pelo Estado Islâmico, chamando os maldivenses a se levantar contre um governo “infiel”, preocupou as autoridades que sabem que 160 combatentes jihadistas ainda devem retornar do Iraq e da Síria e que outras ataques podem acontecer.

Um incidente mostrou essa semana que os conflitos entre turismo e tradições não são limitadas a alguns extremistas. A cidadã britânica  Cecilia Jastrzembska, famosa influenciadora de televisão, foi brutalmente levada para uma delegacia onde ficou presa  por ter andado de bikini numa estrada enquanto voltava da praia. A policia alegou que teria passado na frente de uma mesquita e de uma escola, e que o porte de bikini era proibido nessa área. Se foi liberada depois de duas horas, se o superintendente de policia das Maldivas reconheceu o erro, e se o presidente do Congresso pediu desculpe e convidou Cecilia a voltar, o video espalhado pelas mídias sociais mostrou que o pais ainda tinha muito trabalhar pela frente para harmonizar suas ambições turísticas e suas tradições.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista francesa profissional on-line La Quotidienne

O Coronavirus, crises e resiliência do turismo

Na praça Tien An Men, um casal de turistas em vez da costumeira multidão

Desde a explosão do turismo de massa, as crises são parte da realidade do nosso setor. Foram crises politicas, seja com guerras ou com atos de terrorismo, que atingiram o Oriente Medio mas também a Inglaterra, a França, os Estados Unidos, ou a Espanha. Foram desastres naturais, furacões no Caribe, tsunamis na Indonesia e na Tailândia, vulcões na Argentina ou na Islândia. Foram doenças contagiosas como  o SARS e a gripa aviária que castigaram a Asia,  ou a Ebola na África ocidental. Foram desastres industriais  como Tchernobyl na então União Soviética e Fukushima no Japão, ou desastres aéreos cujos traumas vão muito além dos amigos e dos familiares das vítimas. Cada crise impactou as economias das regiões atingidas (e as vezes a economia global), mas o turismo sempre foi fortemente atingido.

Macau sem seus lendários cassinos

Desde o 12 de Dezembro, inicio da crise, e enquanto o balance humano já se aproxima dos 600 mortos, o setor vê as más noticias se acumular. Só hoje, abrindo os jornais, se lê no le Point que a Air France KLM está suspendendo todos os seus voos para China até o 15 de Março,  no New York Times que os cassinos de Macau estão todos fechados, no El Pais que o coronavirus obriga a cancelar dezenas de eventos esportivos e perturba os Jogos de Tóquio, e no O Globo que quase 2 mil pessoas estão sob quarentena no navio cruzeiro World Dream atracado em Hong Kong. Alguns especialistas já estimam que  a epidemia poderá custar de 1 à 1,5% de crescimento ao PIB mundial, e setor de viagens e turismo deve sofrer um impacto negativo global estimado em 100 bilhões de USD ou mais.

Navio de cruzeiro em quarentena no porto de Hong Kong

O tamanho da crise se deve em primeiro lugar ao fato que ela atinge um pais que é o maior mercado mundial de turismo, com 150 milhões de viajantes gastando quase 300 bilhões de USD nas suas viagens internacionais, representando 20% das despesas mundiais. Na própria China são recebidos 60 milhões de visitantes internacionais , e mais de 4 bilhões de viagens domésticos são realizados pelos proprios chineses. As medidas excepcionais tomadas pelo governo chinês – suspensão desde janeiro de todas as viagens organizadas- , pelos grandes países emissores – os Estados Unidos, a Grão Bretanha e a França “desaconselhando” de entrar na China-, ou pelas principais empresas de transporte aero ou marítimo –  British Airways, Lufthansa, Air France, American Airlines, Delta, United, cruzeiros Costa ou  MSC-, explicam também a gravidade da crise que atinge outros países da Asia e ameaça até o Jogos de Tóquio.

A sombra da crise pesa nos Jogos de Tóquio

Mas tão grave que seja a crise, as lições do passado mostram que o turismo tem uma resiliência  extraordinária. Se comparar com outras crises dramáticas das ultimas décadas, podemos encontrar motivos de otimismo. O primeiro é que os mercados não levam mais que quatro a seis meses para voltar a seus níveis anteriores, a tendencia sendo mesmo de diminuição desse prazo. O segundo motivo é que pouquíssimas crises chegaram a provocaram uma queda anual do crescimento, e que, quando foi, uma forte recuperação aconteceu logo o ano seguinte. As previsões da OMT para o final dessa década, 1,8 milhão de turistas internacionais, não deveriam então ser modificadas. Para o Brasil, muito distante do foco da epidemia ,e que parece por enquanto poupado pela doença e pela mídia internacional, podemos continuar a esperar que a retomada econômica e a estabilidade monetária  levam a um novo crescimento do turismo tanto emissor que receptivo

Jean Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue do autor na revista profissional on line Mercado e Eventos

Na Holanda, o melhor turismo passa pelos Países Baixos

Os canais de Utrecht, uma alternativa ganhadora

Se a Holanda é chamada desta forma nas mídias internacionais, e as vezes na própria comunicação, o seu nome oficial sempre foi Países Baixos. Desde 1579 – quando se revoltaram contra o então domínio espanhol-, as Províncias Unidas eram sete. Passaram hoje a ser doze, mas a Holanda continua sendo somente uma delas, mesmo se a mais importante pela potência da sua economia e a predominância das suas três cidades, Amsterdã, Roterdã e Haia. Até agora tolerante com essa dualidade de nomes, o governo decidiu que a partir do primeiro de janeiro de 2020, os documentos oficiais dos ministérios, das universidades, das embaixadas e das empresas públicas  terão obrigação de utilizar exclusivamente o nome Países Baixos. Um novo logotipo, combinando as iniciais NL com a tulipa cor de laranja  já simboliza a mudança.

O antigo e o novo logotípo do turismo dos Paises Baixos

A medida vai ter muitas consequências, algumas das quais ainda não resolvidas, especialmente na área esportiva que vai ter como prioridade definir o nome da equipe nacional de futebol que vai estrear na Copa Euro 2020 no próximo mês de junho. Mas a clara intenção do governo com essa mudança de nome é de valorizar o interior, especialmente quando se trata de turismo. No setor, a primeira mudança será de mudar (ou não?) o nome do site oficial do turismo “holland.com”. Preocupado com  o overturismo em Amsterdã – a cidade de um milhão de habitantes recebe hoje 17 milhões de turistas- e com as projeções de crescimento do turismo internacional no país que passaria de 19 a 29 milhões nos próximos dez anos, os Países Baixos, que já pararam de promover seu turismo no Exterior, querem mudar completamente a sua estratégia no setor.

Amsterdão não aceita mais o overturismo

A cidade de Amsterdã já tinha tomado varias medidas contra o overturismo, começando com uma regulamentação drástica (mas pouco eficiente) das atividades de AirBnb, reforçou as restrições. Foi assim decidida a redução dos transportes coletivos para os turistas como os barcos táxis, os segways ou as carruagens. As excursões de barco – os “bateaux-mouches”- não poderão mais parar no centro da cidade, os barcos hotéis não serão mais autorizados, e os navios de cruzeiro já foram avisados que não serão mais bem vindos. Ao mesmo tempo, antecipando a notoriedade crescente do destino, o Netherlands Board for Tourism & Conventions (NBTC) anunciou uma nova politica de segmentação dos mercados para espalhar os fluxos turísticos e ainda melhorar os impactos sobre a economia nacional.

Maastricht seduziu os exigentes redatores da Lonely P;anet

O NBTC deveria assim fechar seus escritórios da Itália, da Espanha e do Japão, ampliar suas ações na China e reforçar suas campanhas na Alemanha, nos Estados Unidos, na Inglaterra, na Bélgica e na França. A prioridade será de atrair viajantes experientes,  já conhecendo a Holanda, querendo descobrir os Países Baixos além de Amsterdão, em cidades históricas como Maastricht, Groningen ou Arnhem, e valorizando os produtos artesanais de todas as regiões do pais, sejam tulipas, queijos, tamancos, porcelanas ou obras artísticas contemporâneas. Com US$ 10 milhões de verbas do governo, essa nova e corajosa política de “melhor turismo”, combinando apoio à economia local, luta contra o overturismo e “upgrade” do destino, deve ajudar os Países Baixos a melhorar ainda mais seu ranking dentro do turismo mundial.

Jean-Philippe Pérol

Croácia, Colômbia, Ruanda, três lições de reconstrução da atratividade de um destino turistico

Para construir uma nova imagem, não pode fugir do passado

Vinte anos atrás, o  New York Times descrevia a Colômbia como um pais dominado pelas guerras de traficantes,  os crimes dos milicianos ou os sequestros da guerrilha. Nos anos anteriores, o Washington Post  tinha descrito a Croácia como um país destroçado pela guerra civil que somente podia ser visitado por aventureiros destemidos. E um artigo do  New Yorker  publicado durante o genocídio dos tutsis avisava que o Ruanda era tão perigoso que era desaconselhado para os raros visitantes de sair da área do aeroporto. Desde então, os conflitos terminaram e as infraestruturas foram reconstruídas. As economias deram a volta por cima, e o turismo se recuperou: 3 milhões e um leadership regional para a Colômbia, 1,5 milhão de turistas e o reconhecimento internacional para o  Ruanda, 19,7 milhões e um top ranking no Mediterrâneo para a Croácia.  As razões do sucesso desses três países na reconstrução da atratividade pode inspirar responsáveis do turismo no mundo inteiro.

A cultura tutsi sobreviveu ao genocídio

É impossível fugir do seu passado. Mesmo tendo uma das mais dinâmicas economias da África, Ruanda continua carregando a imagem do massacre de 800.000 tutsis. Integrada na União Europeia, a Croácia não apagou as lembranças da guerra civil. E a Colômbia continua sendo -por méio das novelas da Netflix ou da própria TV colombiana- a terra do terror, das drogas e da violência de Pablo Escobar. Mas em vez de esconder ou de negar esse passado, os três países estão mostrando que não podem ser resumidos a esses acontecimentos, tão trágicos que foram, e que não somente esses eventos foram marcados por emocionantes casos de compaixão ou de heroismo, mas que têm outros eventos e outras historias para contar. Em 2008, a Colômbia foi assim extremamente bem sucedida em lançar uma empolgante campanha “El riesgo es que te quieras quedar” (O risco é de você querer ficar) que não escondia os problemas mas mostrava que tinha também boas notícias.

Para quem não tem as pirâmides de Gizeh, a Torre Eiffel ou o Machu Picchu, foi importante encontrar um ícone que ajudou  a posicionar o destino e a consolidar a marca. A Croácia continua acreditando no dinamismo trazido pela sua seleção nacional de futebol – vice-campeã na Copa do Mundo da Rússia (2018).  Depois de muitas buscas, a Colômbia está agora apostando nos pássaros. Com 2000 espécies diferentes, anuncia a maior biodiversidade de aves e aproveita esse patrimônio para comunicar sobre a riqueza do meio ambiente e do turismo de natureza. Em Ruanda, o ministério do turismo aposta nos gorilas e nos esforços para protegê-los. Uma campanha nas mídias sociais promove as oportunidades de seguir os animais e de participar da festa anual da Kwita Izina, uma cerimônia ruandesa durante a qual é dado o nome dos gorilas recém nascidos.

Sente o ritmo é a nova campanha de marketing da Colômbia

A continuidade das campanhas de marketing foi um fator essencial de sucesso. Depois da campanha surpreendente de 2008, a Colômbia  continuou com um novo conceito homenageando o maior escritor do país, Gabriel García Márquez, por meio do “realismo fantástico” e com um vídeo que foi visto por mais de 3 milhões de internautas. Uma nova campanha, “Colômbia, feel the rhythm” ,  aproveite a riqueza do patrimônio musical do “país dos 1,000 ritmos”, querendo criar uma ligação entre música e turismo comparável à bem sucedida sinergia com a gastronomia. A Croácia procurou também uma campanha duradoura para poder interagir com os turistas. Na onda do Mundial 2018 na Rússia, o escritório nacional de turismo  lançou um vídeo que leve o internauta às regiões de origem de cada um dos mais populares jogadores do time, um video que já foi visto mais de um milhão de vezes.

Ruanda aposta nos jogadores do Arsenal como influenciadores

Os influenciadores ajudaram a construir a nova popularidade dos destinos. Ruanda aproveitou a atriz  Portia de Rossi e a sua esposa, Ellen DeGeneres, donas de mais de 80 milhões de seguidores, que patrocinaram  um novo centro para  The Dian Fossey Gorilla Fund  em  Kinigi. Essa fundação deu continuidade aos trabalhos de Dian Fossey, e tanto Portia de Rossi que Ellen DeGeneres  foram a Kinigi e no Ruanda, publicando fotos e vídeos nas suas páginas. Ruanda aproveitou também a parceria dos jogadores do Arsenal, time da primeira divisão inglesa, que entraram em campo com camisas estampadas “Visit Rwanda”. O time deve visitar o país para promover o futebol. O sucesso do “rebranding” precisa também de sorte. Para a Croácia, a escolha de Dubrovnik para filmagem de “Game of Thrones” deu um impulso excepcional para o turismo em todo o sul da Dalmácia, e as agências locais oferecem hoje vários circuitos. Um orgulho para uma cidade que foi bombardeada e ameaçada de destruição durante a guerra de 1991-1992.

Aparecer no Game of Thrones foi uma sorte excepcional para Dubrovnik

Esse artigo foi inspirado de um artigo original de Tariro Mzezewa no New York Times

Da sustentabilidade ao “slow travel”, o trem abraçando as novas tendências do turismo!

A primeira viagem de trem organizada pelo Thomas Cook

Desde 1842, quando Thomas Cook inventou o turismo moderno numa Maria Fumaça fretada de Leicester a Loughborough, o trem foi sempre, na Europa, pioneiro nas grandes ou pequenas revoluções do setor. Suas performances ecológicas exemplares, sua rede interligando não somente os grandes centros mas umas 10 mil cidades ou vilarejos nos 38 países europeus, sua autenticidade enraizada nas tradições ferroviárias, e sua flexibilidade o colocam outra vez nas mais recentes tendências seguidas pelos viajantes internacionais. Seja nos TGV ou nas ferrovias regionais, viajar de trem significa sair do centro das cidades, poder relaxar desde o embarque até a chegada, aproveitar a paisagem, entrar em contatos com outros viajantes ou moradores, escolher com facilidade o ritmo das suas experiências.

Dos Alpes da Provence até Nice, o famoso Train des Pignes

Um pesquisa da Virtuoso mostrou que 37% dos consumidores privilegiam as empresas investindo na sustentabilidade, e que os viajantes “eco-conscientes” são quase todos convencidos que o trem é o mais eficiente dos meios de transporte quando se trata de consumo de energia, de gases do efeito estufa ou de sustentabilidade. Nos Estados Unidos, 71% dos compradores de “Eurailpass” declaram que as baixas pegadas carbono foram decisivas na escolha do trem. A geração dos Millenials é a mais comprometida com a ecologia – três vezes mais que a geração X, seguido dos baby boomers e da geração Z-, mas todos  parecem prontos a mudar seus comportamentos afim de reduzir o impacto das suas viagens sobre o meio ambiente.

O overturismo aumentou a urgência de novos destinos

O overturismo foi incluído este ano pela primeira vez na pesquisa anual da MMGY sobre o perfil do viajante estadunidense. Cerca de 60% dos respondentes concordaram com a afirmação que o turismo de massa e a superlotação vão ter uma influencia importante na escolha dos lugares que visitarão nos próximos dez anos. E 73% já tentam evitar destinos superpovoados durante as altas temporadas. Mesmo se o trem oferece aos viajantes a possibilidade de chegar diretamente nos centros das grandes cidades, ele dá também a opção de visitar lugares menos acessíveis, menos conhecidos, mais íntimos, onde é possível mergulhar na cultura local  sem sofrer dos desgastes humanos e financeiros do overturismo,

Os trens suiços dão acessos aos lugares mais escondidos do país

Os destinos menos conhecidos onde o trem pode levar o viajante não são somente ajudam a escapar ao overturismo, mas permitem descobrir pequenas cidades ou vilarejos para experiências autênticas e mais oportunidades de interagir com os habitantes. No relatório Luxe Report 2019, a Virtuoso coloca agora o encontro e a convivência com moradores como uma das cinco maiores motivações de viagem. Os  trens regionais ou “intercity” são ocasiões de descobrir novas paisagens, novas culturas diferentes e novos encontros enriquecedores. Nos pequenos vilarejos, encontra se o tempo para  conversar com os “habitués”de um bistrô, descobrir um prato regional com ingredientes da própria fazenda, ir na feira livre para fazer as compras, visitar uma surpreendente igreja romana cujas chaves são guardadas pela vizinha, ou fazer uma degustação de vinhos com um pequeno produtor.

A Itália logo associou slow travel com trem

O trem combina também com a nova tendência do Slow Travel, a descoberta de destinos a um ritmo bem tranquilo, tomando o tempo necessário para conhecer seus atrativos e sua gente e fazendo da própria viagem (de trem!)  um momento descontraído e relaxante. Pioneira, a Itália fez de 2019 o ano do seu “slow tourism,” focando sua promoção em atrações culturais e turísticas de regiões menos conhecidas do pais. As operadoras e as agências de viagens foram incentivadas a diversificar seus roteiros, multiplicando as paradas em vez de ligar diretamente as grandes cidades italianas. O trem ficou assim uma escolha natural, relaxante, que alegra os clientes menos apressados do “slow travel”, jovens estudantes ou aposentados da melhor idade que querem viajar a seu ritmo, almoçar sem pressa ou parar de repente para aproveitar um pôr do sol.

©SNCF Mediatheque/Alex Profit

Hoteis só para mulheres podem virar tendência?

 

A Ásia lidera a tendencia de hotéis exclusivos para mulheres

Quartos de hotéis só para mulheres já foram adotados há anos pelos marqueteiros, mas essa tendência foi reforçada desde 2014 pelo número crescente de mulheres viajando sozinhas. Segundo a Organização Mundial do Turismo, esse número passou de 59 milhões a 138 milhões em três anos, com um destaque para os mercados da Europa onde o crescimento é espetacular e onde as ofertas estão se multiplicando. São por exemplo sites de hospedagem exclusivamente femininos. Na França Christina et Derek Boixiere abriram em abril desse ano www.la-voyageuse.com, com oferta de quartos para alugar ou de apartamentos para dividir, e na Inglaterra existe agora www.maiden-voyage.com , um site especializado em apresentar soluções as numerosas mulheres viajando sozinha para negócios.

O hotel Bella Sky Comwell tem um andar inteiro de quartos para mulheres

Na Dinamarca, o hotel Bella Sky Comwell reservou todo o décimo sétimo andar para mulheres. Os quartos têm secador de cabelos Dyson, lixas de manicure e amostras de produtos de tratamento de pele. Mesmo por ter perdido um processo por discriminação e ter que abrir as reservas para os homens, o hotel continua de oferecer os vinte quartos feminizados. Em Vancouver, no Canadá, o Georgian Court Hotel tem um andar com 18 quartos exclusivos para mulheres. Além de segurança reforçada, os apartamentos oferecem tapete de ioga, cabides de cetim e amenities especificos. Ainda no Canadá, o International Hotel de Calgary reservou um andar para sua clientela feminina, com tapete de ioga no quarto, chapinha de cabelo no banheiro e garrafa de vinho branco no minibar. E para recusar de antemão qualquer acusação de discriminação, o International Hotel reservou um outro andar só para homens.

A Índia continua a ser pioneira em hospedagem para mulheres

Na Índia, as mulheres que viajam valorizam muito a tranquilidade e a segurança. Desde 2005, o grupo ITC oferecem andares exclusivos em todos os seus hotéis. A cadeia de luxo Lemon Tree Hotels  têm áreas reservadas para as mulheres nas 19 unidades da rede, aonde elas encontram não somente uma segurança reforçada mas também grandes espelhos, ou cofre para joias, e ainda podem pedir táxis com motoristas mulheres. Em Nova Deli, o Leela Palace New Délhi abriu o Kamal, um andar seguro exclusivo para mulheres, com acesso particular para o spa e uma hora de tratamento de cortesia. No Kerala, a sociedade de desenvolvimento do turismo (KTDC) abriu em Thiruvananthapuram o “Hostess”, o primeiro hotel não somente exclusivo para mulheres, mas onde o pessoal é exclusivamente feminino.

A segurança é o primeiro requisito das mulheres que procuram hotéis exclusivoe

Outros países da Ásia entraram na onda das acomodações exclusivas de mulheres. Em Cingapura, o hotel Naumi recebe seus hóspedes no bairro central dos negócios,  personalizando os quartos para mulheres com produtos de aromaterapia. No bairro de Wanchai em Hong Kong, o Fleming personaliza os banheiros com  kit de maquiagem e aparelhos para massagear as pernas. O Lotte Hotel Seoul na Coreia do Sul, e o,hotel Hongta em Xangai na China têm andares exclusivos para mulheres. Em outros destinos, hotéis inteiros são reservados para mulheres. É o caso do Bliss Sanctuary  na cidade de Seminyak em Bali na Indonésia. No Japão, perto de uma estação de trem de Tóquio, o hotel Nine Hours Woman Kanda é o primeiro de país a aceitar exclusivamente uma clientela feminina.

O hotel Som Dona, na Ilha de Majorca, na Espanha

A Espanha, que já mostrou o espírito inovador dos seus hoteleiros com os hotéis Axel “heterofriendly”, insistiu na criatividade com o hotel Som Dona Women only. Localizado perto de Porto Cristo na ilha de Majorca, aceita somente mulheres de mais de 14 anos. Com 39 quadros, uma piscina, um spa, uma biblioteca e um terraço em cima do telhado, esse hotel de 39 quartos de quatro estrelas criou um novo espaço para as mulheres que querem desconectar do estresse da rotina cotidiana. O bem estar da clientela feminina é a primeira preocupação do hotel, com foco no bem-estar – massagens, tratamento de beleza, jacuzzi e solarium – e na gastronomia – com pratos equilibrados e produtos vindo da  agricultura sustentável local. Da Espanha, a moda dos hotéis reservados para mulheres pode chegar à América do Sul ?

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista francesa profissional on-line La Quotidienne

Chegou a hora do “demarketing”?

O caminho Inca que leva somente 500 pax por dia para Machu Picchu

Mais de 1,4 bilhões de turistas viajaram pelo mundo em 2018, e, segundo a Oraganização Mundial do Turismo, serão 1,8 bilhão em 2030. Um crescimento que apavora muitos destinos, seja porque não possuíam as infraestruturas necessárias, seja porque os moradores já acham viver uma situação de overturismo. Para alguns especialistas, chegou a hora do “demarketing”, esse conceito inventado em 1971 por Philip Kotler e Sidney Levy que afirmavam que as superabundâncias podem ser tão problemáticas quanto as penúrias. Esses dois pesquisadores definiram então o demarketing com uma especialidade do marketing visando a desanimar os clientes – ou alguns segmentos- de consumir temporariamente ou definitivamente um produto ou um serviço. Já muito utilizado em setores como o cigarro, o álcool, ou o jogo, a demarketing chegou ao turismo.

demarketing-iamsterdam

As famosas letras, agora deslocadas, do painel I am-sterdam

As estratégias de de-crescimento do demarketing seguem as mesmas receitas que o marketing tradicional e os “4P” (promoção, praça, produto e preço).  Num território que não consegue mais administrar os fluxos de visitantes e cujos atrativos estão saturados, a primeira sugestão  é de reduzir ou até de parar qualquer tipo de promoção. Isso foi experimento há pouco pela Holanda cujo órgão oficial de turismo decidiu que concentraria seus esforços na gestão dos destinos e não na promoção. Só serão agora promovidas em nível internacional as regiões desconhecidas, uma decisão que vem depois de outras como a promoção exclusiva da baixa estação, a relocalização das famosas letras « I am-sterdam » e a sensibilização dos turistas aos comportamentos inconvenientes.

Source de la vidéo : YouTube

O demarketing pode também ajudar algumas praças ou alguns lugares que sofrem de overturismo e onde o meio ambiente é ameaçado. Foi assim que o famoso Vale de Jackson Hole, no Wyoming, pede aos visitantes de não indicar as coordenadas exatas das suas fotos mais atraentes e de utilizar uma localização genérica. Nas Filipinas, o sítio de Puerto Princesa, tombado pela UNESCO, retirou os lugares mais frágeis dos roteiros e dos mapas produzidos pelo Ministério do turismo.  Uma outra estratégia mais conhecida de demarketing é a imposição de cotas de visitantes, uma medida já existindo há anos nas trilhas do caminho inca em Machu Picchu, hoje utilizada por vários destinos como o Parque nacional da Península Bruce, no Ontário ( Canada). E a cobrança ou o aumento de tarifas, tradicionalmente exclusivo dos lugares privados, está hoje cada vez mais comum em áreas públicas.

Com menos entradas de turistas, a França reforça sua escolha pelo “melhor turismo”

O demarketing pode certamente ser uma opção para gerenciar os fluxos nem sempre controlados. É, porém, uma solução de desespero, e as receitas perdidas podem faltar a economia local. Antes de chegar a essa solução radical, uma boa planificação dos fluxos de visitantes pode ser suficiente para antecipar as consequências do sucesso de um destino. Foi a estratégia escolhida na França há duas décadas, quando a então Maison de la France lembrava que o “melhor turismo” deveria  prevalecer sobre o “mais turismo”. A prioridade  não era de aumentar os fluxos, mas de melhorar as receitas com visitantes gastando mais, vindo durante as baixas temporadas, visitando lugares esquecidos pelo turismo de massa e escolhendo atividades com forte valor agregado.  Hoje, em tempo de overturismo, o “melhor turismo” pode ainda ser a opção antes da difícil escolha da hora do demarketing.

Este artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Anne-Julie Dubois na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat 

O Turismo Francês acreditando no Brasil há 45 anos

Caroline Putnoki na inauguração do novo escritorio da Atout France

Teve muita emoção na terça feira passada, dia 24 de Setembro, durante a inauguração da nova sede da Atout France, a Agência de Desenvolvimento do Turismo Francês no Brasil. Mais de 50 jornalistas, influenciadores e profissionais ficaram impressionados pelos escritórios cujo tamanho, design e modernidade mostravam que a França continuava a acreditar no turismo brasileiro e queria mesmo brigar pela liderança para Europa. O local anterior, na Avenida Paulista, tinha sido ocupado desde da abertura da representação oficial, em 1982. Lá passaram seis diretores da então Maison de la France e depois da Atout France, desde Christian Lepage até Caroline Putnoki, incluindo Alain Roman, Patrice Doyon, Vincent Toulotte, e Emmanuel Marcinkowski, além de Jean Philippe Pérol que ocupou duas vezes a função de 1990 até 1996 e de 2011 até 2017.

Com a Maison de la France, o Turismo Francês acelerou seu crescimento

Antes de ter um escritório próprio, o Turismo Francês já era representado no Brasil. Desde 1976, a Diretoria Air France no Rio de Janeiro tinha uma funcionária oficialmente encarregada de promover o destino junto aos agentes de viagens. Mas nessa época distante, com telex e sem celular ou whatsapp, os controles eram muito distantes e o trabalho de representação muito distante. A dita encarregada nem sabia dessa função e descobriu o seu verdadeiro empregador na véspera de uma auditoria. Naquele momento o seu chefe teve de confessar que ela não era a sua secretária, mas uma funcionária do Ministério do Turismo da França e que, juntos, tiveram de encher as paredes do seu escritório com cartazes das regiões da França, e as prateleiras com folhetos turísticos.

A parceria com Air France faz a força do Turismo Francês há 45 anos

A forte implicação do Turismo Francês no mercado brasileiro é impressionante pela duração – 45 anos- e pela importância – cinco funcionários em 1982, sete em 2019-, mas também pelo seu destaque frente a concorrência. Portugal abriu mais cedo mas acabou integrando o turismo à sua representação comercial, a Itália trabalhou muito tempo desde o seu escritório de Buenos Aires, o Reino Unido sempre hesitou entre Rio de Janeiro, São Paulo e Miami. Depois de apostar na Argentina, a Suíça transferiu o escritório para São Paulo, com grandes investimentos em marketing mas uma estrutura pequena. Outros países europeus – Alemanha, Áustria, Noruega ou Republica Tcheca- trabalham o mercado por meio de agentes integrando câmaras de comércio ou agências de marketing. Junto com a Espanha, a França foi assim a única a sempre investir em uma presência forte e direta no Brasil.

A integração com o trade sempre foi um ponto de destaque do Turismo Francês

Além dos endereços e das equipes, a história da representação do Turismo Francês – dos “Escritório de Turismo do governo francês” até a Maison de la France e depois a Atout France- seguiu também a evolução das tarefas, evolução visível no novo escritório da Alameda Jaú. Outrora principalmente encarregada de distribuir folhetos ao público ou durante as feiras profissionais – no Brasil mais de 20 toneladas por ano-, a equipe concentra agora seus esforços nos eventos próprios e nas mídias sociais, duas atividades onde conseguiram um grande know how e uma reconhecida liderança. Continua por outro lado, há 45 anos, com seus dois grandes trunfos : uma perfeita integração com o trade brasileiro e um suporte que nunca falhou da sua companhia aérea, “la Compagnie Nationale Air France”.

Jean-Philippe Pérol

Das revistas aos influenciadores, a evolução das ações de comunicação

No Les Sources de Caudalie, o luxo agora é emoção

Nascida nos vinhedos de Bordeaux, a visão de um turismo enraizado nos “terroirs” levou Alice e Jérôme Tourbier a desenvolver não somente o primeiro hotel categoria Palace da região, mas um verdadeiro conceito inovador e respeitoso do ecossistema. Também presidente de   Small Luxury Hotels of the World , Jérôme respondeu a uma entrevista sobre os desafios do turismo de luxo e a evolução do seu grupo hoteleiro .

Alice e Jérôme Tourbier, donos do grupo Les Sources de Caudalie

Vendom.jobs – Qual é sua apreciação sobre a situação da hotelaria de luxo na França?

Jérôme Tourbier – Há trê anos, no meu livro Turismo em perigo, eu chamava atenção sobre a necessidade de considerar o turismo como uma indústria estratégica e de apostar na criação de valor. Quis dizer que a França devia virar um destino de alto padrão, com o melhor ratio “custo /emoção”. Sendo um destino caro, devemos ter uma oferta de qualidade que marca emocionalmente o nosso visitante . Toda a oferta não pode ser de luxo, mas a emoção deve sempre estar presente para seduzir o viajante. Há hoje na França muitos empreendimentos de grande qualidade. Olhando agora além do lucro imobiliário, os investidores estão cada vez mais dispostos a apoiar esse tipo de projeto.

A piscina coberta de Les Sources de Caudalie

V. J. – Quais seriam as condições imprescindíveis para um turismo combinando qualidade e rentabilidade?

J. T. – Na França, se confunde as vezes turismo de alto padrão com consumidores ricos. Claro que todos querem receber o máximo de viajantes com muitos recursos, mas queremos priorizar também aqueles que são interessados pelo nosso patrimônio cultural. Esse equilíbrio é fundamental para valorizar nossa oferta e para proteger nosso savoir-faire. Desta forma, é possível sim ter estabelecimentos de alto padrão, podendo ou não ser de luxo. Existem no pais inteiro por exemple restaurantes com chefs implicados na procura de qualidade, a melhor prova sendo as recomendações do Bib Gourmand do Guia Michelin. A importância dessa oferta de qualidade, não somente gastronômica, é única no mundo.

Com Alice Tourbier frente a Ile aux Oiseaux das Sources de Caudalie

V. J. – A alma do Sources de Caudalie é a integração num patrimônio e num terroir, que trazem autenticidade e sustentabilidade?

J. T. – Quando o Les Sources de Caudalie foi reconhecido como o primeiro “palace” dos vinhedos, o fato de estar completamente integrado no terroir da região foi exatamente considerado excepcional. A nossa inspiração vem diretamente do vinhedo aonde nos constatamos nos últimos vinte anos que existe um luxo autentico diferente do das grandes cidades. Estamos procurando ir sempre mais longe na procura desse luxo, investindo na beleza e nas emoções. Os hóspedes não procuram somente um alojamento, mas querem atividades compartilhadas em volta do enoturismo que funciona como uma vitrine para os vinicultores, os artesãos, os artistas e os produtores locais.

Les Sources de Caudalie, “La Tour de la Dégustation”

V. J. – Pela sua experiência, quais são os próximos passos a seguir?

J. T. – Vimos que o luxo agora é emoção. Fora das capitais, acho que devemos insistir na autenticidade, sem cair na caricatura para poder aproveitar nossa realidade e nossa história  mas também levar em consideração as novas clientelas. Temos que mostrar a coerência dos nossos destinos, mas encontrar um equilíbrio combinando as atividades culturais, a gastronomia, o artesanato, a qualidade e a diversidade dos produtos. Um outro fator de crescimento é o numérico. Os profissionais do turismo estão acostumados a falar das consequências negativas da Internet, mas não devemos esquecer que foi ume revolução que criou extraordinárias oportunidades para promover novos destinos até então pouco aproveitados. Foi talvez o caso de Bordeaux.

O restaurante L’Étoile, do hotel Les étangs de Corot

V. J. – Quais são os principais projetos para o futuro do seu grupo hoteleiro?

J. T. – Especialistas do enoturismo, queremos investir em projetos nas grandes regiões vitícolas da França, começando no ano que vem com o Vale do Loire. Estamos acabando a construção do Les Sources de Cheverny, renovando um antigo castelo bem como uma vinícola, reabilitando um patrimônio histórico em total harmonia com as exigências de conforto mais contemporâneas. Nesta região que atrai numerosos turistas, esse novo estabelecimento terá a ambição de ajudar os hóspedes a descobrir as qualidades dos vinhos da região bem como as riquezas culturais dos castelos do Loire. Depois do Les Sources de Cheverny, outros projetos estão sendo estudados na Alsácia, na Borgonha, na Champagne e na Provence.

A suite Rouge Merlot das Sources de Caudalie

Este artigo foi traduzido e resumido de uma entrevista original de Jérôme Tourbier na revista on line Vendôm.jobs

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