130 milhões de viagens de chineses em 2017, umas idéias para o Brasil?

Os chineses já representam 30% do turismo da Tailândia

As primeiras estimativas do turismo chinês para 2017 chegam a 130 millions de viajantes, com despesas globais de 285 bilhões de USD, mantendo a China como primeiro mercado mundial. As expectativas são hoje de 200 milhões de turistas chineses para 2020, turistas cobiçados por todos os grandes destinos. Mas a Europa terá talvez que esperar um pouco, a maioria deles escolhendo a Ásia, mais próxima e mais acessível. Assim a metade desses turistas não viajaram alem de Hong Kong (47 milhões), Macau (20 milhões) ou Taiwan, (3 milhões), e no Top 10 dos seus destinos preferidos, todos são asiáticos com exceção dos Estados Unidos e da França. No Top 20, também dominado pelos países vizinhos, só deveriam entrar ainda a Rússia, as Ilhas Maldivas, a Alemanha e a Suíça.

Oito países asiáticos no Top 10 dos viajantes chineses

Mesmo alem da grande China, essas viagens internacionais são concentradas em poucos destinos, cinco deles somando mais de 50% dos viajantes. Tailândia é hoje o destino que recebe mais turistas chineses, mais de 10 milhões. Representando quase um terço dos visitantes, eles empurraram o Reinado no Top 10 do turismo mundial e mais ainda no pódio nos países com as maiores receitas de turismo internacional, passando até a França. No Japão , os 7 milhões de visitantes vindo da China ajudaram o pais a virar em cinco anos um grande destino turístico.  Tradicionalmente muita apreciada pela sua cultura, a Coreia do Sul sofreu das ameaças de guerra com seu vizinho do Norte, e, se atraiu 4,2 milhões de chineses em 2017, deve ser esse ano passada pelo dinamismo do turismo vietnamita que cresceu 48,6%.

Turistas Chineses na Baia de Ha Long (Viet Nam)

Os vizinhos da China estão também tentando seduzir os seus turistas, investindo e antecipando as novas tendências: roteiros personalizados, serviços de melhor qualidade, menos shopping e mais experiências e intercâmbios. A Indonésia quer investir em dez “novas ilhas de Bali”. Os países da ASEAN vão investir mais de USD 100 bilhões para construir em aeroportos, ligações ferroviárias, hotéis e parques temáticos adaptados aos clientes chineses. Nos principais sítios turísticos do Japão, as lojas oferecem mais serviços em chinês, guias de compras em chinês estão sendo distribuídos, e milhares de comerciantes estão aderindo aos sistemas de pagamentos chineses Alipay e Wechat, aplicações multifunções que estão se espalhando em 30 países da região.

VisitBrasil marcando presencia na China

Para o Brasil, esses resultados impressionantes do primeiro parceiro dos BRICS deve levar a duas observações. A primeira é a fraqueza do fluxo de chineses para o Brasil, menos de 60.000. Um número difícil de comparar com os resultados dos países asiáticos ou dos grandes destinos europeus ou norte americanos, mas que fica complicado de entender quando se pensa no milhão de turistas chineses visitando a distante África do Sul. Para atingir a meta do plano Brasil Turismo, 12 milhões de visitantes até 2022, a China será com certeza a chave do sucesso. A segunda observação é o imensa potencial de viagens que os países vizinhos oferecem para um mercado emissor amadurecendo. Enquanto na China e no mundo inteiro 80% das viagens internacionais são concentrados em países limítrofes, no Brasil essa proporção é somente de 50%. Colômbia, Peru, Chile, Argentina ou Uruguai têm talvez ideias a buscar nos vizinhos da China …

Jean-Philippe Pérol

O turismo brasileiro para Colômbia dobrou em 5 anos

 

 

 

 

 

Da Copa para os Jogos, lucros e lições para o turismo brasileiro !

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Segundo o jornal l’Equipe, a Copa 2014 mereceu o título de Copa mais bonita da história, homenagem merecida de uma mídia que chegou a ser muito negativa mas soube reconhecer o sucesso do Brasil. Mag_1_20140712_1669_Page001No embalo do indiscutível impacto positivo sobre a economia das grandes cidades sede, os responsáveis do turismo chegam a anunciar números impressionantes para economia do setor para qual o evento teria gerado um milhão de turistas internacionais ou três bilhões de dólares de receitas . Talvez ainda seja cedo para tirar todas as conclusões sobre o impacto global da Copa, mas algumas tendências e lições confiáveis  podem ser tiradas dos primeiros resultados, para o turismo internacional tanto receptivo que  exportativo.

 Um milhão de turistas internacionais chegaram no Brasil em junho e julho, seja 35% a mais que o ano passado. Mas a Copa só durou um mês, com 530.000 chegadas, das quais  70% eram ligadas ao evento. Um total de 360.000 turistas “Copa” confirmados pelos 840.000 ingressos  colocados a disposição pela FIFA  numa média de 2,4 jogos por torcedor. fotoPode parecer decepcionante para alguns, mas a experiência das Copas e dos Jogos anteriores, assim que o forte impacto negativo sobre os turistas afugentados pelos grandes eventos, seus preços e suas multidões (uma queda estimada em mais de 30%), mostram que os números são satisfatórios. Serão mais satisfatórios ainda a médio prazo pelos investimentos em infraestruturas e pela extraordinária visibilidade positiva que o Brasil ganhou com o sucesso da organização ” encantadora” e “maravilhosa” do segundo maior evento do Planeta. Se os crescimentos observados em outros mercados se verificaram, pode-se esperar, assim que anunciou a Embratur, passar dos 10 milhões de visitantes antes do fim da década. Os números da Copa mostraram também que os países vizinhos, não somente Argentina mas também Chile, Colômbia, Peru e México, que representaram mas de 50% dos clientes “Copa”, ainda tem um potencial excepcional, especialmente se a oferta de produtos se diversificar melhor tanto no segmento de luxo que nos segmentos populares.

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O bom desempenho do turismo receptivo, e os 500 milhões de novas receitas internacionais  anunciadas, não se encontraram infelizmente no turismo emissivo. O fortíssimo impacto da Copa sobre as viagens dos brasileiros não foi com certeza bastante antecipada. Nem no turismo doméstico que só ficou estável, as viagens de torcedores e os preços tardiamente reajustados afugentando os turistas tradicionais, com queda de 20 à 40% das vendas das operadoras. Nem no turismo internacional no qual as altas de preços das passagens, a prioridade dada pelas companhias aéreas a visitantes estrangeiros, a vontade de viver a Copa com amigos e familiares, levaram a uma queda de mais de 10%  das viagens. téléchargementEssa decepção, prolongada nos meses de julho e agosto, se deve também a retração da economia brasileira e as incertezas eleitorais. Mas ficou claro que produtos e promoções diferenciadas deverão ser imaginadas para que os próximos grandes eventos sejam no futuro um sucesso para todos os atores do turismo no Brasil, pela satisfação de todos os viajantes, brasileiros ou estrangeiros, turistas ou torcedores.

Jean-Philippe Pérol

Columbia, tierra querida!

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Não é por acaso que a Atout France decidiu esse ano fazer o seu seminário Américas em Bogotá. Nos últimos anos, o crescimento econômico constante e a notável melhoria da segurança publica levaram a um forte aumento do mercado turístico colombiano, tanto exportativo (passou de 1,5 a 3,2 milhões de saídas de 2005 a 2013) que receptivo (media de + 10,4% por ano desde 2005). Com esses resultados e perspectivas, a Colômbia entrou no pódio das potencias turísticas da América Latina.

Para todos os profissionais, a Colômbia chamou também muita a atenção por ser um novo ‘case’ de marketing turístico com duas campanhas promocionais elogiadas por todos os marketeiros.1181_colombia_wanting_saty_plan A primeira foi lançanda em 2009. Para enfrentar o desafio da péssima imagem do pais, ‘O perigo é você querer ficar’ conseguiu o sonho de qualquer publicitário:  encarrar um ponto fraco, quase arrasador, e transformar-lo numa mensagem forte e positiva. A campanha convenceu, e os viajantes confirmaram que a Colômbia podia entrar nos roteiros mais cautelosos e mais exigentes.

Com o sucesso, precisava então não somente convencer mas também seduzir novas clientelas, de mais poder aquisitivo. Foi assim que surgiu esse ano a segunda campanha. O ‘Realismo Mágico’, emprestado do Garcia Marquez, foi mais uma grande cartada do turismo colombiano. Calorosos, positivos, diferenciados, e muito colombianos, os anúncios convinçam da capacidade da Colômbia de entregar a seus visitantes os sonhos que foram prometidos.

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Mesmo para um simples seminário de quatro dias, Bogotá convenceu com três pontos fortes: qualidade do atendimento, animação e riqueza cultural. Tantos nos hotéis (do aconchegante e atencioso Sofitel até a pequena pousada Masaya), nos restaurantes (adorei a Cevicheria), nas ruas da Candelaria ou nos shoppings, o colombiano trata o turista com simpatia, querendo sempre ajudar ou dialogar. PENTAX ImageIsso vale mais ainda quando cair na salsa ou na rumba, seja numa ‘Chiva rumbera’ ou na animadíssima casa ‘Andrès carne de rés’. Mas a magia de Bogotá vem mais ainda do seu patrimônio, sejo as maravilhas da época pré-colombiana do Museu do Ouro (e a imperdível balsa do Eldorado), a Arte Sagrada da época colonial (e as 1600 esmeraldas da Lechuga) ou a imponente Praça Bolívar.??????????????????????????????? O dinamismo cultural colombiana impressiona porque não se limita as glorias do passado. Continua hoje com uma força e uma atualidade surpreendente, na musica, na literatura ou na pintura, sendo o melhor exemplo o Museu Botero, antigo mosteiro onde são expostas mais de cento e vinte quadros do mestre.20131214_121817_Carrera 13

Convencidos pelo pais, voltam também convencidos pelo mercado. Não tem duvidas que o fluxo de viajantes vai continuar crescendo, com oportunidades para os grandes atores on-line ou as operadoras. E se hoje a França recebem somente 65.000 colombianos, o dinamismo da Colômbia nos da a certeza de dobrar esses números antes do final da década. Com um pouco do talento dos nossos colegas da Pro-export, conseguiremos com a condição que os profissionais franceses  investem conosco nesse novo emergente, acreditando na realidade magica dos fluxos turísticos entre os dois países.

Jean-Philippe Pérol

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