Saint Emilion, história medieval, vinhedos tombados pela UNESCO e vinícolas de vanguarda

O campanário da igreja monolítica de Saint Emilion Credit OT Saint-Emilion_Steve Le Clech©

Desenhar um roteiro enoturístico nos arredores de Bordeaux é sem dúvidas uma tarefa muito pessoal, a escolha dependendo em primeiro lugar das preferências de cada um. Preferências entre as “appelations” – Entre deux mers, Medoc, Graves ou Rive droite-, preferências  entre as atividades a combinar com as degustações – cultura, shopping, praias ou simples passeios -, preferencias entre as visitas dos Châteaux ou a descoberta dos  vilarejos. Mas qual que seja o seu roteiro, ele não pode dispensar o encantadora cidade medieval de Saint Emilion. Cercada dos vinhedos epónimos, plantados principalmente de merlot (79%), cabernet franc (15%), e cabernet sauvignon, a cidade domina um planalto com sua arquitetura em pedras de cantaria.

Frente a Praça do Mercado, a Capela da Trinidade

Tombada pela UNESCO em 1999, Saint Emilion seduz o visitante com ruas estreitas subindo entre casas de pedras, mosteiros ou conventos centenários, lojas ou armazéns de vinhos. Depois de caminhar pela parte alta da cidade, vale a pena aproveitar a linda vista da Praça des Créneaux, e descer a rua do Tertre de la Tente, uma ladeira escorregante que leva até a Praça do Mercado. Lá fica a Capela da Trindade, com suas únicas pinturas da Idade Media, bem como a entrada da imperdível atração arquitetura da cidade: a igreja monolítica, com seu coro de onze metros de altura cavado no barranco, a maior igreja do género na Europa, construída a partir do século XI em cima do túmulo de um monge bretão chamado Emilion.

A simpatia dos restaurantes da Praça do Mercado

Se existem vários grandes restaurantes gastronômicos (inclusivo dois estrelados Michelin, o Relais & Châteaux Hostellerie de Plaisance e o Logis de la Cadène), e se algumas vinícolas dos arredores oferecem excelentes opções de almoços harmonizados com vista nos vinhedos ou nas adegas, os restaurantes da Praça são sempre minha escolha preferida. No ambiente descontraído das mesas espalhadas na calçada,  o meu predileto Le Bouchon apresenta não somente uns pratos simples da região – por exemplo um Foie Gras com frutas da estação-, mas um cardápio de vinhos excepcional, com preços interessantes dando oportunidades de provar tanto um Côtes de Castillon, um Roc de Cambes, um Tertre Roteboeuf ou um Cheval Blanc.

As adegas do Château Beauséjour

Além da cidade de Saint Emilion, a UNESCO também tombou os seus vinhedos, centenas de propriedades com nomes famosos no mundo inteiro ou ainda quase desconhecidos. Sendo recomendado de fazer reservas, e de ser aconselhado na escolha das adegas a visitar, é sempre mas fácil pedir a um especialista para organizar o seu roteiro.  Assim a Wine Paths , que escolheu duas vinícolas bem diferentes e extremamente interessantes pode ser o melhor caminho. A primeira é o Château Beauséjour Becot, um Premier Grand Cru Classé e uma propriedade onde o vinho já era produzido desde a época dos romanos. As impressionantes adegas cavadas na pedra calcaria oferecem perfeitas condições para  guardar as garrafas de vinho que os próprios donos estão elaborando.

A vinícola do Chateau La Dominique desenhada pelo Jean Nouvel

Para a segunda visita da tarde, o Chateau La Dominique é uma espetacular opção da Wine Paths. Considerada uma das mais belas propriedades de Saint Emilion desde o século XVIII, essa vinícola foi completamente renovada em 2013 quando os donos decidiram construir novos galpões combinando beleza, modernidade nos equipamentos e integração com a paisagem. O arquiteto Jean Nouvel venceu o desafio e conseguiu erguer frente aos vinhedos um prédio único, criativo, moderno, funcional, luminoso e além disso lindo, uma obra de arte considerada hoje uma das mais espetaculares adegas da região de Bordeaux. Um lugar ideal para degustar esse Grand Cru e fechar com chave de ouro um roteiro em Saint Emilion.

Um roteiro “História medieval e vinícolas modernas” consta nas ofertas da  Joelle,  especialista da Wine Paths em Saint Emilion, e pode ser reservado no site (com almoço numa vinícola, e visitas/degustações no Château Beauséjour Becot e no Château La Dominique).

Wine Paths trazendo experiências inovadoras para o mundo do enoturismo

 

Frente as Sources de Caudalies, as obras de arte dos vinhedos de Smith Haut Lafitte

Destacada nas pesquisas pelo seu vinho (o vinho francês mais popular no mundo e no Brasil, na frente do Champagne e do Bourgogne), Bordeaux sempre quis ser inovadora e multi cultural quando se tratou de enoturismo. Foi là que nasceu há quase 40 anos International Wine Tours, a primeira operadora especializada, então filial da Wagons lits, que oferecia roteiros em grandes regiões vinícolas dos cinco continentes. Agora na era das novas formas de distribuição e das plataformas receptivas,  esse pioneirismo se confirmou com a criação da Wine Paths, uma rede de profissionais do enoturismo oferecendo experiências personalizadas em 11 países do mundo.

Passeios a cavala nos vinhedos de Diamandes

As inovações da Wine Paths começam pelo cuidado em escolher os vinhedos e as adegas, uma tarefa que contou com a expertise do premiadíssimo enólogo Michel Rolland. Tendo participado a criação de vinhos em mais de 250 vinícolas de 21 países, ele fez questão de colocar seus favoritos na seleção da Wine Paths. Os serviços escolhidos são também marcados pela experiência do fundador da empresa, Stephane Tillement. Com 30 anos no turismo de luxo, dono desde 2002 da Mauriac voyages – uma das mais conceituadas agências de Bordeaux, Stephane criou relações de confiança com exigentes e criativos parceiros dos mundos do turismo, do vinho, dos destilados e da gastronomia.

Piquenique nos vinhedos da Barossa Valley (Australia)

Combinando desde a sua origem em 2017 os dois “savoir faire” do vinho e do turismo, a Wine Paths oferece experiências nos mais procurados destinos de enoturismo. São 150 vinícolas nas regiões produtoras da Argentina, da Austrália, do Chile, da Califórnia, da Nova Zelândia, da África do Sul, da Itália, do Portugal, da Espanha e da França, escolhidas não somente pelos seus vinhos, mas também pela qualidade dos serviços oferecidos nos arredores pelos parceiros locais. Foram assim selecionados hotéis, restaurantes estrelados, ou adegas capazes de propor emoções ou surpresas, desde um rali nos vinhedos do Franschhoek até uma aula de empanadas na Argentina ou um circuito de mountain bike nas estradas da Alsácia.

O restaurante Conversa em Valbuena, no Ribera del Duero

Com ambição de ser a mais internacional e a mais sofisticada das plataformas de enoturismo, a Wine Paths quer oferecer serviços extremamente personalizados. Cada proposta, seja um voo de balão em Cognac, um passeio a cavalo na Sicília, um itinerário de bicicleta na Rioja, ou um safári aéreo na Austrália, deve se adaptar a cada cliente específico. Essa exigência de qualidade atraiu os 284 parceiros, inclusive alguns que nunca tinham sido presentes numa plataforma de enoturismo, por exemplo os Champagne de Bollinger ou os vinhos do Château Mouton Rothschild. Novos parceiros deveriam ser anunciados esse ano, reforçando as ambições dos fundadores de fazer de Wine Paths um verdadeiro “Guia Michelin” do enoturismo.

Descobrir os vinhedos com luxo e criatividade

Para responder aos pedidos de viajantes procurando as melhores experiências de vinhos, de destilados ou de harmonizações gastronômicas, Wine Paths continua a sua procura de novas  parcerias internacionais. A Escócia -e suas rotas de uísque- é um dos projetos mais adiantados. Com quase um milhão de enoturistas e centenas de vinícolas abertas a visitas, o Brasil deve em breve integrar esses novos rumos, acessando as viagens luxuosas e criativas desenhadas pelos especialistas do grupo, e talvez amanhã colocar suas próprias rotas de vinho a disposição dos enoturistas do mundo inteiro nessa plataforma inovadora.

Jean Philippe Pérol

Na África do Sul, vinhedos pode combinar com aventura

Comprar vinhos na França, as sugestões 2018 de “De vinis illustribus”

De Vinis Illustribus, vinhos e atendimentos especiais no coração de Paris

Nas mil opções de shopping atraente na França, os vinhos continuam de ser uma das mais vantajosas para os brasileiros que podem levar na volta até doze litros, dentro do limite dos USD 500 autorizados. Cada ano, temos a mesma pergunta: qual vinho escolher, e aonde comprar-lo? Sempre aconselhei de seguir seus gostos pessoais, e de priorizar as compras nas vinícolas, Se os preços não são muito diferenciados, a riqueza do encontro, a descoberta e a compreensão de novos vinhos  sempre justificam a visita. Pela beleza do local, a atenção do atendimento e a qualidade dos vinhos, já tive experiências inesquecíveis com Smith Haut Lafitte e Malescot Saint-Exupery em Bordeaux, com Chateau La Coste na Provence, com Ruinart e Moët & Chandon na Champagne, com Chateau de Pommard, Corton Charlemagne, Domaine Long-Depaquit ou  Drouhin Laroze na Borgonha.

Sala de degustação do Château Smith Haut Lafitte

Para quem não tem a opção de ir nas vinícolas, e fora das liquidações das cadeias de supermercados, as lojas especializadas são sempre uma boa opção. Assim, em Bordeaux, existem a “Vinothèque” e a espetacular “L’intendant” que sempre têm ofertas interessantes. Em Paris , recomende-se a Lavinia, ou a extraordinária “Bordeauxthèque” das Galeries Lafayette. Entre a possibilidade de provar os vinhos, de encontrar garrafas excepcionais e de conseguir preços em conta, vale a pena experimentar uma pequena loja em Paris chamada “de Vinis Illustribus”. No coração do Quartier Latin, o enólogo Lionel Michelin  oferece seus “vinhos de aniversario” , vinhos de safra correspondentes ao ano de nascimento da pessoa presenteada. Tem uma excepcional adega de vinhos raros, e divide pessoalmente a sua paixão oferecendo degustações e refeições harmonizadas para grupos ou individuais.

Pelo terceiro ano consecutivo, o Lionel aceitou de fazer com exclusividade para nos uma sugestão para uma cesta de vinhos combinando com as quotas da alfândega brasileira (comprando duas garrafas de cada vinho selecionado dará exatamente USD 500!).

A seleção 2018 de De Vinis Illustribus:

La Parde de HAUT-BAILLY 2009 : 51 $

O segundo vinho do Château Haut-Bailly, elaborado com 44% de cabernet sauvignon, 45% de merlot e 16% de cabernet franc. O 2009, ano excepcional em Bordeaux, é um vinho denso, com fortes sabores de frutas maduras, taninos suaves, e o defumado típico dos vinhos de Pessac-Léognan. Pode ser bebido já, mas pode também ser guardado alguns nos.

L’Enchentoir 2010 : 31 $

Com 100% de cabernet franc, esse vinho é um Saumur (Vale do Loire) bem estruturado que está chegando a seu ápice. Com um gosto poderoso e sabores de cogumelos, ele pode acompanhar pratos com especiarias ou carnes fortes. Pode também ser bebido agora ou guardado até 10 anos.

Savigny-les-Beaune “les Goudelettes”  2015 : 36 $

Um safra excepcional desse pinot noir guloso, suave e elegante, típico dos melhores Bourgogne. Feito para acompanhar carne branca ou aves. Pode ser bebido agora mas ainda tem um bom potencial de guarda.

Pouilly-Fuissé “Les Reisses” DENOGENT 2015 : 41 $

Elaborado com 100% de chardonnay, esse lindo Bourgogne branco é no mesmo tempo doce, redondo e rico. Pode ser servido como aperitivo ou para acompanhar um peixe grelhado ou um queijo tipo Comté.

Meursault “La Barre” MILLOT 2015 : 47 $

Um grande Meursault da Côte de Beaune na Borgonha, um chardonnay cujas vindimas são feitas a mão. Uma cor amarela quase dourada, um corpo firme e uma harmonia total, com sabores de manteiga fresca e notas de grelhados… Um Bourgogne perfeito e uma grande safra.

BANYULS  “Quintessence” 2013 : 41 $

Um vinho tinto adocicado, um verdadeiro vinho do Porto a francesa. Elaborado com Grenache noir, ele é um companheiro inseparável  dos queijos “azuis” tipo Roquefort ou Bleu d’Auvergne. Uma iguaria quando harmonizado com chocolates pretos.

Obrigado Lionel, e saúde, à ta santé!

Os hipermercados Leclerc, imperdíveis liquidações de vinho

Viajantes, roteiros e enocultura, as novas rotas do enoturismo mundial olham para o Brasil!

A Napa Valley, região pioneira do enoturismo

Celebração do Dia do Vinho, multiplicação das rotas dos vinhos no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, em São Paulo ou no sertão de Pernambuco, assinatura de um convênio entre a Embratur e a Ibravin, wine tours, produtos vedetes na FITUR de Madrid, o enoturismo no Brasil está de vento em popa. Já sendo quase um milhão a visitar mais de 1.100 vinícolas brasileiras, os enoturistas brasileiros estão também chamando a atenção dos profissionais de muitas regiões do mundo. Tanto para o mercado doméstico que para o mercado internacional, o crescimento dessa temática de viagem no Brasil segue as novas tendências que surgiram em Napa Valley, na Toscana ou em Bordeaux, e que a Organização Mundial do Turismo (OMT) destaca agora no Uruguai, na Croácia ou até na Geórgia.

Arte nos vinhedos na “Floresta dos 5 sentidos” das Sources de Caudalie

A primeira tendência que impulsa o enoturismo é a diversificação de seus fãs. Antes quase exclusivamente enófilos – amadores de vinhos, conhecedores ou sócios de clubes de degustação -, os enoturistas não são hoje obrigatoriamente conhecedores, mas sempre bons vivants, cultos e curiosos, atraídos pela arte e pelos prazeres da mesa. Mesmo nas vinícolas, eles vão procurar por uma história, uma arquitetura, pelas tradições locais, as obras artísticas, ou por uma experiência com os moradores. As paisagens espetaculares – no Vale do Douro, em Mendonça, na Alsácia ou em Lavaux – são trunfos importantes, assim como características únicas: vinhedo mais setentrional em Sabile (Letônia), vinhedo mais velho em Maribor (Eslovênia), maior adega do mundo em Cricova (Moldávia), vinhedos dos “fins do mundo” na Patagônia (Argentina) ou em Rangiroa (Polinésia Francesa).

Adegas desenhadas pelo Santiago Calatrava, em Ysios

O novo enoturista procura também novidades arquiteturais, uma tendência que começou na Espanha com as adegas de Ysios, do Santiago Calatrava, e o Hotel Bodega de Marques de Riscal, do Gehry. Vários projetos de Museus do Vinho seguem a mesma tendência, o mais espetacular até hoje é a “Cité du Vin“, em Bordeaux. Às vezes chamado de Guggenheim do vinho, obra dos arquitetos Legendre e Desmazières, a Cité consegue unir uma espetacular localização na beira do Rio, uma construção emblemática, bem como um conteúdo pedagógico e lúdico. As construções que revolucionaram o enoturismo são também hotéis oferecendo hospedagem de qualidade, gastronomia estrelada e experiências do mundo do vinho, incluindo o bem-estar trazido pelas uvas. Além do pioneiro de Bordeaux, o Château Smith Haut Lafitte com o Hotel Palace Les Sources de Caudalie e o SPA Caudalie, o Yeatman Hotel do Porto ou o Meadowood da Napa Valley são alguns dos grandes estabelecimentos construídos em torno do vinho.

Adegas da LVMH em Reims

A ligação entre o enoturismo e a cultura é uma outra tendência forte, com uma importante contribuição da UNESCO que listou no Patrimônio da Humanidade os kvevris da Geórgia, os climats da Borgonha, a vite ad alberello de Pantelleri, os terraços de Lavaux e os coteaux, maisons et caves da Champagne. Em cada região produtora de vinho, cada vinícola, cada aldeia e cada produtor têm uma experiência para oferecer. Em sua história, em sua cultura, poderá contar e ensinar ao visitante não somente as especificidades de seu vinho, mas também o seu patrimônio enocultural único. O foco crescente dado pelos profissionais às possibilidades de compras nas próprias adegas aumenta ainda mais o impacto do enoturismo na economia da região, bem como das próprias vinícolas – que chegam a vender 15% e mais das suas produções aos enoturistas.

Vinhedos perto de Bento Gonçalves

Com um mercado em crescimento, o Brasil está mostrando sua nova força nos mercados mundiais do enoturismo, sediando encontros de especialistas, palestras abertas a públicos de profissionais ou de amadores, ou congressos nacionais ou internacionais, com um foco em Bento Gonçalves e na região pioneira do Vale dos Vinhedos.Em São Paulo, o INVINO Wine Travel Summit reunirá no dia 16 de Setembro, expositores vindos de todo o País e do mundo inteiro com agentes de viagem e operadores brasileiros cuidadosamente escolhidos. Alem de descobrir as grandes novidades dos melhores “wine tours”, será também uma verdade experiência enogastronômica com degustações e harmonizações. As novas rotas do enoturismo estão mesmo olhando para Brasil!

Jean-Philippe Pérol

O Hotel Adega Marques de Riscal, obra do arquiteto Gehry

A “Cité du Vin” em Bordeaux

https://www.invino.travel/

 

5 dicas para aproveitar uma viagem numa região de vinhos

Degustação no Chateau Franc Mayne em Saint Emilion

De Bordeaux até a Toscana, ou do Vale do Douro até a Napa Valley, as regiões produtoras de vinho são cada vez mais procuradas para prazerosas experiências de viagem. Uma boa planificação é, porém, necessária para poder aproveitar ainda mais cada momento das férias. Segundo as operadoras especializadas, as regiões do mundo onde estão localizados os melhores vinhedos agradam a qualquer público e são geralmente extremamente pitorescas, sem precisar ser um enófilo experiente para aproveitar um roteiro de enoturismo. Conselheira em viagem “Food and Wine” na Alpine Travel of Saratoga, agência Virtuoso da Califórnia, Lynda Turley listou algumas dicas básicas para garantir o sucesso de uma viagem focada em vinhedos, vinícolas, adegas e vinhos.

A Napa Valley, região pioneira no enoturismo

Três é o limite

Para Lynda, mesmo os mais convictos conhecedores de vinhos não devem visitar mais de três vinícolas durante um dia. Se passar deste número e multiplicar as visitas, as lembranças vão se misturar e será difícil de se lembrar de cada um dos vinhos degustados.

Pensar em contratar um guia

Quase todas as regiões produtoras de vinho têm serviços de guias especializados que conhecem as vinícolas e têm laços de trabalho ou de amizade com os produtores. Alguns destes guias são também motoristas e poderão assim livrar o visitante do terrível dilema: beber ou dirigir. Mesmo que o custo possa parecer pesado – uma média de US$ 500 por dia -, é um excelente investimento, especialmente quando se trata de um pequeno grupo de amigos ou de colegas que podem dividir a despesa. Lynda lembra que os guias realçam a experiência dos viajantes, oferecendo uma visão local e contatos mais estreitos com os moradores. Eles podem ser reservados com antecedência com a agência de viagem ou no próprio destino com o concierge do hotel ou na vinícola.

Degustação na Vinícola Guaspari, em Espirito Santo do Pinhal

Regiões muito famosas, como a Toscana, a Provence ou Napa Valley podem ser invadidas pelos turistas. Se não for possível escolher uma época de baixa estação para viajar, é aconselhável agendar visitas em vinícolas menos conhecidas, onde os proprietários ou os enólogos terão mais disponibilidade para falar de seus vinhos e de seus segredos de fabricação. Uma outra opção interessante pode ser escolher regiões de vinhos menos conhecidas, como Santa Cruz Mountains, na Califórnia; Monticello, na Virgínia; Languedoc, na França;  ou Montevideu, no Uruguai.

Reservar antecipadamente

Muitas vinícolas famosas só aceitam visitas pré agendadas e as reservas devem ser feitas com algumas semanas de antecedência. Para evitar transtornos, e decepções, é importante reservar também um restaurante nas vizinhanças, em geral sempre lotado na alta estação.

Bodega do Borgo San Felice, Relais Châteaux na Toscana

Organizar outras atividades

Muitas destas regiões de vinhedos oferecem aos viajantes numerosas opções de lazer além do vinho, algumas são destinos turísticos perfeitos até para quem não bebe. Napa Valley tem uma rica oferta artística e muitas galerias de arte de alto nível. Alguns dos seus resorts, como o Meadowood Napa Valley, oferecem restaurantes estrelados, e spas com tratamentos à base de uvas. Em Bordeaux, a cidade brilha por sua arquitetura, sua vida cultural e sua gastronomia. Nos seus arredores o Sources de Caudalie tem o spa onde as sementes de uva são uma fonte de rejuvenescimento.  As colinas da Toscana ou da Borgonha atraem ciclistas, e muitas fazendas da Provence seduzem os turistas com degustações de azeites ou de queijos de cabra.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Shivani Vora no New York Times do 28 de Dezembro 2017

Diversificação da hospedagem virou chave do sucesso do turismo francês!

Paris plage, uma nova imagem da cidade luz!      @Loic Lagarde

Enquanto a França reencontra os turistas internacionais – 6% de crescimento das chegadas no primeiro semestre, com um destaque especial para o Brasil que teve um aumento de 22,7%, e um novo recorde de 89 milhões de turistas anunciados pelo ministro das relações exteriores-, uma das suas principais ambições é de oferecer hospedagens em sintonia com as novas exigências dos viajantes. Junto com os investimentos para melhorar a qualidade e a quantidade, os esforços bem sucedidos para diversificar as hospedagens são uma das principais razões da volta dos turistas tanto em Paris que nos principais destinos franceses.

O Restaurante do Mama Shelter de Paris

A criatividade dos novos alojamentos turísticos pode ser comprovada em muitos projetos, dos hotéis boutique até os “Mama Shelter” ou os “glamping”, mas duas categorias estão se destacando nesses esforços bem sucedidos combinando iniciativa dos profissionais e responsabilidade das autoridades para ampliar uma oferta respondendo a procura de viajantes  cada vez mais diversificados. O sucesso da “Distinction Palace” contribuiu muito para consolidar a liderança de Paris e da França na hotelaria de altíssimo padrão. Criada em 2014, essa categoria muito especial, premiando estabelecimentos já titulares de 5 estrelas assim selecionados por uma comissão de personalidades independentes, ja reune 23 hotéis – 10 em Paris, 12 nos outros destinos da Franca metropolitana e um em Saint Barthelemy.

As Sources de caudalie, um dos Palaces premiados em 2016

Exclusividade francesa, os “Palaces” foram não somente um reconhecimento do “savoir faire” desses profissionais do luxo, mas também um forte incentivo a renovação ou até a abertura de novos estabelecimentos. Em 2016, sete hotéis ganharam a distinção, vários deles muito acostumados  com brasileiros como o Eden Roc na Riviera, o Cheval d’Argent en Saint Barthelemy ou as Sources de Caudalie perto de Bordeaux. Para 2017 e 2018 mais candidatos estão se preparando, especialmente os lendários Hotel Lutetia e Hotel de Crillon. Construído em 1758, essa prestigiosa mansão, que foi transformado em hotel de luxo em 1909 e participou da aventura da Route du Bonheur e dos Relais & Châteaux, reabriu agora depois de dois anos de renovação.

O Hotel de Crillon agora renovado

As obras combinaram o total respeito da faixada e das partes tombadas do Hotel, as necessárias inovações para atender as exigências dos viajantes do século 21, e criatividade de grandes designers para os restaurantes (Minossian), os quartos (Vergniol) e as suites assinadas pelo Karl Lagerfeld que dedicou uma delas a sua gata Choupette …. O novo Crillon tem assim menos quartos (124 em vez de 147), mas com 33 suites e 10 suites “Signature” de altíssimo padrão. O restaurante gastronômico não fica mais no salão dos Embaixadores mas numa sala menor chamada L’Ecrin com o jovem chef Christopher Hache e uma adega de 43.000 garrafas. Nas novidades mais esperadas constam um bar espetacular,  uma piscina e um spa (num segundo subsolo cavado especialmente), bem como um “cigar loundge” para os amadores de charutos. Detalhes que ajudarão a reforçar a imagem de Paris no segmento de turismo de luxo.

Bordeaux, cidade pioneira na regulamentação dos alugueis C2C

Mas o provável novo recorde de turistas internacionais que a França deve atingir esse ano se deve também ao espetacular sucesso  de hospedagens alternativos que mostram a forte diversificação da oferta francesa. Assim a hospedagem não comercial (parentes e amigos), que chega a 34% dos pernoites, com um forte crescimento nos últimos anos  junto aos viajantes vindo da Asia ou das Américas ((o não comercial representa hoje 22,5% dos 8,2 milhões de pernoites de turistas brasileiros na França).  Assim os alugueis “de pessoa a pessoa” da AirBnb e dos seus concorrentes. Representando hoje 26,7% dos pernoites comerciais, essa forma de hospedagem atrai especialmente os  turistas provenientes dos Estados Unidos, da Australia e do Brasil (seriam mais de 1,5 milhões de pernoites de brasileiros). Agora mais regulamentada para respeitar tanto os concorrentes que os moradores, ela deve continuar a crescer, contribuindo a ampliar e diversificar a oferta de hospedagem na França. Uma diversificação que atrai novos viajantes e  consolida a  liderança francesa no turismo mundial.

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

O glamping, glamour e camping, chegou com toda força

Nos novos trens franceses, a resposta ao viajante vai ser sempre: “Oui”!

Os famosos TGV estão virando inOui

Sonho do final dos anos 60, quando o então Presidente francês Georges Pompidou decidiu que a França tinha que recuperar o recorde mundial de velocidade nos trilhos então nas mãos do trem bala Japonês, o TGV virou realidade a partir de 1972. Juntando a vontade e os recursos do governo com a experiência da SNCF e a tecnologia da Alsthom, Pompidou lançou o projeto e viu o primeiro Trem de Alta Velocidade chegar a 160 km/h numa viagem de Belfort a Mulhouse, na Alsácia. Nove anos e dois presidentes depois, no dia 22 de Setembro de 1981, François Mitterand inaugurou a 260 km/h, em duas horas e quarenta minutos,  a primeira linha de TGV entre Paris e Lyon. O sucesso foi imediato, bem como a multiplicação das cidades interligadas – hoje quase 200 – e dos números de passageiros – hoje mais de 100 milhões por ano.

Mitterand inaugurando o primeiro TGV entre Paris e Lyon

Mas as ferrovias franceses não querem parar nisso, e anunciaram agora que querem atrair até o ano 2020 15 milhões de novos passageiros. Para atingir esse objetivo ambicioso, o Presidente da empresa, Guillaume Pepy, sempre fascinado pelo exemplo das companhias aéreas, apostou no lançamento do TGV low cost. Chamado Ouigo, esse novo serviço deve representar daqui a 2020 25% do trafego de alta velocidade, atraindo tanto novos viajantes, passageiros de “low costs” ou jovens hoje acostumados com transportes alternativos. Com um forte investimento promocional, os TGV Ouigo vão ser instalados rapidamente em todos os eixos principais da rede ferroviária francesa. Para responder as exigências desses novos clientes, um site dedicado, ouigo.com, foi aberta para informação, promoções e reservas.

A nova marca Ouigo, o TGV low-cost

Os viajantes vão também anotar as melhorias nos serviços dos TGV tradicionais para os quais estão previstos investimentos excepcionais. A SNCF vai renovar o material atual,  comprar novos trens “Oceane”, instalar novas poltronas com tomadas USB, redesenhar os vagões bar, melhorar os cais das estações, generalizar o wi-fi e investir na formação do pessoal. Com uma nova marca, InOui, Guillaume Pepy quer dar um pulo na qualidade do atendimento, mostrando mais atenção  e mais carinho para os passageiros. Com os melhoramentos tecnológicos, os viajantes vão também poder beneficiar de viagens mais rápidos. Assim, a partir do próximo 2 de Julho, Bordeaux será somente a 2 horas 05 de Paris em vez de 2 horas 40 hoje.

Mesmo se os novos TGV não querem ser considerados uns transportes de luxo, e se não está previsto nenhum aumento de preços, eles querer oferecer o melhor serviço, já prevendo que a concorrência européia chegará na França a partir de 2021. O “Oui” (Sim) que aparece nas duas novas marcas, Ouigo e InOui, é talvez simbólico dessa nova cultura. O próprio site da empresa, hoje voyages-sncf, vai assim ser redesenhado e se chamará « OUI.sncf ». E, na espera do trem bala prometido há anos entre São Paulo e Rio de Janeiro, os brasileiros serão sem duvidas ainda mas entusiastas a dizer “Sim” a Ouigo ou InOui para viver essa experiência de viagem tão francesa.

Jean-Philippe Pérol

Um dia, um “Oui” também para um São Paulo Rio de trem bala?

 

Turismo em 2016: choques, mudanças e poucas saudades. Mas tendências e esperanças para 2017.

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Nice, a cidade de Garibaldi, lutando com garra para recuperar os seus turistas

Mesmo se a OMT está anunciando um crescimento de 4% do turismo internacional em 2016, o ano terá sido de dificuldades em muitos mercados, tanto receptivos como emissivos. Na França, pela primeira vez,  os atentados de Paris e Nice levaram a uma queda de 7% da clientela estrangeira, vindo tanto da Europa como do Japão, dos Estados Unidos e mais ainda dos mercados emergentes  que foram nos últimos anos o motor do crescimento do turismo francês. No Brasil, o segundo ano consecutivo de recessão levou o turismo emissivo a uma queda de quase 15% (e até mais para os dois grandes destinos tradicionais, Estados Unidos e França).

O esqui, um dos sucessos do turismo francês em 2016

O esqui, um dos sucessos do turismo francês em 2016

Se 2016 não deixará saudades, ele viu numerosas mudanças importantes no turismo internacional que impactarão, nos próximos anos,  não somente as decisões dos viajantes mas também o trabalho dos profissionais. Sem poder ainda fazer uma relação completa, três tendências estão se destacando. Os dramas de Paris, Bruxelas, Nice, Orlando e Berlim, os eventos na Turquia, na Tunísia ou no Egito fizeram da segurança um critério absoluto de escolha dos destinos. E enquanto no passado horrores similares tinha sido superadas em 3 a 4 meses, os viajantes esperam agora mais tempo para voltar, exigindo informação transparente, medidas concretas e resultados comprovados das autoridades ou dos profissionais dos destinos atingidos.

Guo Gang Chang, da Fosun, a nova cara do Club Med

Guo Gang Chang, da Fosun, a nova cara do Club Med

2016 confirmou a China como um dos maiores atores do turismo internacional. A OMT já tinha anunciado há quase vinte anos que a China se tornaria antes de 2020 um dos primeiros mercados emissores, ela já é o primeiro. Serão esse ano 128 milhões de turistas (mesmo se a metade viajam para Hong Kong, Macau e Taiwan) e US$420 milhões de despesas no exterior. A verdadeira surpresa foi a explosão dos investimentos chineses, com um impacto excepcional na França e no Brasil. Em pouco mais de um ano, vimos o Club Med, a Accor, a Wagons Lits e a Azul passar a ser controladas por gigantes da China que vão sem dúvidas influir nas estratégias desses grupos chaves do turismo nos dois países.

AirBnb parceira do Rio de Janeiro olímpico

AirBnb parceira do Rio de Janeiro olímpico

Foi esse ano também que as grandes empresas da economia colaborativa viraram atores incontornáveis da industria turística. Assim a AirBnb que conseguiu mostrar durante os Jogos Olímpicos do Rio que representava quase 25% da oferta de hospedagem da cidade maravilhosa. Sendo agora líder em muitos destinos, incluindo em Paris, AirBnb deve aceitar uma concorrência leal com os profissionais – pagando impostos e respeitando os códigos de consumidores-. Deve resolver a difícil coabitação entre seus clientes e os moradores das vizinhanças. Mas os seus sucessos de 2016 junto aos viajantes, os acordos passados com redes hoteleiras e o lançamento da operadora Trips, mostram que a AirBnb e os grupos da economia colaborativa são hoje atores profissionais do setor que vão contribuir a mudar o turismo mundial.

O impacto da eleição de Trump sobre o turismo preocupa os profissionais americanos

O impacto da eleição de Trump  preocupa os profissionais americanos

Outros eventos importantes que marcaram 2016 vão influenciar as viagens internacionais em 2017,:grandes mudanças políticas – Brexit, eleição de Trump ou Paz na Colombia- , evoluções do cambio – força do dolar, queda do Euro ou firmeza do Real, sem que seja ainda possível de medir os seus impactos. Mas é certo que desde o mês de setembro as tendências das viagens internacionais deram uma forte melhoria, projetando 15% de crescimento entre o Brasil e a França. Podemos assim desejar uma “Bonne Année” a todos os viajantes e a todos os profissionais do setor contando que 2017 vai ser mesmo um Feliz Ano Novo!

Jean-Philippe Pérol

Azul, agora não somente verde amarelo mas também vermelho

Azul, agora não somente verde amarela mas também vermelha

Destinos turísticos e gastronomias regionais, os sucessos interligados

 

Degustação de ostras no Etang de Thau

Degustação de ostras no Etang de Thau

A gastronomia e as bebidas locais enriquecem o patrimônio turístico e são sempre parte das campanhas promocionais, como sendo experiências-chave para aproveitar um destino. Uma boa chucrute vai ser um grande momento de uma viagem para Estrasburgo, um Grand Cru degustado no Bar da Praça de Saint-Emilion justificará uma viagem para Bordeaux, um copo de Chablis com uma “gougère” será um parada obrigatória na Borgonha, uma cavaquinha grelhada frente ao porto de Saint-Tropez ficará como a sua melhor imagem da Côte d’Azur, bem como um prato de ostras na beira do Etang de Thau agregará a noite inesquecível que vai lhe fazer lembrar para sempre sua viagem para Montpellier.

Paul Bocuse em Lyon, capitale francesa da gastronomia

Paul Bocuse em Lyon, capital francesa da gastronomia

Para 67% dos viajantes, a gastronomia é um critério importante para selecionar o seu destino, sendo sempre entre os dez mais citados. E para os brasileiros, a culinária francesa é a quinta razão mais lembrada para justificar uma viagem para França, 59% deles colocando experiência gastronômicas nos seus roteiros. Os sucessos  recentes de Lyon ou de Bordeaux junto aos turistas vindo do Brasil se devem sem dúvidas em grande parte para a primeira ao prestígio do Paul Bocuse, das suas grandes mesas estreladas (ou dos seus pequenos “bouchons”), e para a segunda a justificada fama dos vinhos de Pomerol, de Côtes de Bourg, de Pessac Leognan ou de Margaux.

O Rosé , seduzindo por ser o espirito da Provence

O Rosé, seduzindo por ser o espírito da Provence

Se é então indiscutível que a culinária reforça a atratividade dos destinos, não se deve subestimar o quanto a imagem de um destino pode ajudar na divulgação dos produtos regionais. O exemplo mais famoso é talvez o Rosé de Provence. Produzido há mais de dois milênios, esse Rosé é hoje um sucesso mundial, 141 milhões de garrafas, 16 milhões das quais são exportadas (1,7% no Brasil). Esse sucesso se deve talvez à qualidade das suas uvas, ao charme das suas cores, ou a originalidade dos seus aromas. Mas, quem gosta desse vinho gosta antes de tudo da Provence. Beber esse Rosé com alguns amigos em dia de sol é beber a Provence, beber as oliveiras, os campos de lavanda, beber os jogadores do “bocha” na praça do vilarejo ou o canto das cigarras. A força da imagem da região deu ao seu vinho um prestígio que o transformou.

A Volvic no Japão, ligando sua imagem com os vulcões da Auvergne

A Volvic no Japão, ligando sua imagem à dos vulcões da Auvergne

Muitos pratos ou produtos das gastronomias tradicionais devem sua popularidade à atratividade das imagens dos seus países ou das suas regiões de origem, consolidadas através do turismo, de lembranças de férias ou de festas inesquecíveis. Na França, é assim que a Córsega exporta os seus embutidos, a Britânia sua cidra, a Auvergne suas águas minerais, o Pais Basco o seu queijo de ovelha, ou os Alpes sua “fondue” ou seu Genepi. Exemplos que mostram que se a gastronomia é um grande atrativo dos destinos, o sucesso turístico pode também ser um grande atrativo para a divulgação de gastronomia de um território.

O Pâté de pommes de terre da Auvergne revisitado pelo chef Laurent Suaudeau

O Pâté de pommes de terre da Auvergne revisitado pelo chef Laurent Suaudeau

A influência dos destinos sobre a valorização das suas respectivas culinárias é ainda mais forte quando se trata de viajantes ou de consumidores com raízes familiares. E, devo confessar que a minha paixão pelo “Pâté de pommes de terre”, que eu já dividi com amigos em Nova Iorque, Quito, Manaus ou São Paulo, se deve muito mais ao meu amor e ao meu orgulho das minhas origens na Auvergne que pela qualidade gastronômica dessa torta de batatas coberta de creme de leite. Mais um destino que soube ajudar a popularizar a sua culinária!

Jean-Philippe Pérol

Chablis com "Gougère", o pão de queijo a francesa

Chablis com “Gougère”, o pão de queijo à francesa

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue”do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

Bordeaux liderando o Top 10 Lonely Planet das cidades a visitar em 2017

A Cité do vin, umas das novidades que ajudou Bordeaux a sair vencedora

A Cité do vin, umas das novidades que ajudou Bordeaux a sair vencedora

Foram divulgadas hoje as sempre esperadas listas dos “Best of” da Lonely Planet, os lugares mais atrativos e mais “tendência” do mundo, nas categorias cidades, regiões e países, umas seleções  sempre muito procuradas, vindo também acompanhadas de centenas ideias, de sugestões ou de endereços que justificam as escolhas e ajudam o viajante a preparar suas viagens para o ano que vem. O júri, composto por cinco jornalistas e editores da Revista, seleciona os vencedores em função da riqueza da sua oferta turísticas, do respeito do patrimônio natural e/ou histórico, mas também das novidades  e das iniciativas oferecidas aos viajantes.

O Best of Travel 2017, destacando Canada, e Bordeaux

O Best of Travel 2017, destacando Canada, Peru e Bordeaux

Pela primeira vez, uma cidade francesa está liderando o ranking das dez cidades a visitar em 2017. Bordeaux ficou na frente da cidade do Cabo (África do Sul), de Los Angeles (Estados Unidos), de Mérida (México), de Ohrid (Macedônia), de Pistoia (Itália) , de Seul ( Coreia), de Lisboa (Portugal),  de Moscou (Rússia) e de Portland (Estados Unidos). A Lonely Planet encontrou muitas boas razões para justificar essa escolha: “A partir de junho, a nova linha de trem com alta velocidade, TGV, vai por Bordeaux a somente duas horas de Paris. A Cité du Vin, recém inaugurada, vai completar com chave de ouro a renovação das beiras do Rio Garonne . Os restaurantes da cidade não param de reinventar o rico acervo gastronômico da região. E na margem direita, muito tempo esquecida, novas construções e ousadias urbanísticas estão desenhando o futuro da cidade.”

A Praça da Bolsa de Valores e seu famoso espelho d'agua

A Praça da Bolsa de Valores e seu famoso espelho d’agua

Para Lonely Planet, Bordeaux era mesmo uma Bela Adormecida que acordou para virar um grande destino turístico do momento. E agora com uma magnifica oferta hoteleira, tanto na cidade  (o Grand Hotel Intercontinental , a Grande Maison ou o Yndo Hotel),  que nos arredores (as Sources de Caudalie ou a Hostellerie de Plaisance), a cidade está pronta para receber em 2017 todos os apaixonados de lugares excepcionais – e de vinhos únicos!  Para ajudar os viajantes a preparar os seus itinerários, o Guia propõe também aos viajantes umas quinze temáticas a escolher entre aventura, família, bicicleta, turismo sustentável ou orçamentos modestos.

O restaurante La Grand Vigne, duas estrelas nos arredores de Boreaux

O restaurante La Grand’Vigne, duas estrelas nos arredores de Bordeaux

Alem de Bordeaux na categoria “cidade”, os outros dois vencedores foram o Canadá na categoria pais (na frente da Colômbia e da Finlândia), e  Choquequirao no Peru na categoria região (na frente dos Açores, ficando as Tuamotu na Polinesia francesa em sétimo lugar). O Nepal foi escolhido como “Best value for Money”.