Segunda edição do Invino amplia mercado com novos players

Press release da Promonde, São Paulo, 28 de março de 2022

A Borgonha vai ser a grande vedete da segunda edicão do Invino

O francês Jean-Philippe Pérol, no Brasil desde 1976, sempre foi um visionário. Dirigiu os escritórios para as Américas da antiga Maison de la France, hoje Atout France, ocupando também a função de Diretor Geral em Paris da organização.  Foi o primeiro a acreditar nos anos 2000 na democratização das viagens internacionais para os brasileiros e apostar no potencial da então nova classe média para o turismo francês. Apaixonado por tecnologia, sempre alertou que as operadoras e agências de viagens eram os maiores parceiros dos Tourism Boards. Depois, no início dos anos 2010, entendeu a importância das mídias sociais, em especial o Instagram, como veículo de promoção de destinos, e criou campanhas icônicas com influenciadores digitais.

Vinho e turismo, o encontro de duas paixões

Quando deixou o turismo da França, apostou suas fichas na Amazônia e nas viagens com conteúdo. E percebeu, igualmente,  que o enoturismo no Brasil poderia ter um crescimento significativo ao longo dos anos. Criou, a partir daí, em 2019, o Invino Wine Travel Summit. A segunda edição acontecerá no Hotel Unique, no próximo dia 11 de abril. Abaixo ele explica o cenário atual das viagens de vinhos, a motivação para organizar a segunda edição e que novidades os profissionais de turismo poderão conhecer no evento. As inscrições estão abertas gratuitamente pelo site.

A pandemia causou uma paralisação das atividades turísticas. Por outro lado, essa cocoonização forçada promoveu o aumento no consumo de vinhos, inclusive com surgimento de um novo mercado. Quais as expectativas de vocês com relação ao enoturismo, nessa retomada das viagens?

JPP: A pandemia causou uma brutal retração de 84% do mercado mundial do turismo em 2020 passando de 1,5 bilhão a menos de 400 milhões. O enoturismo também sofreu, mas devemos ser otimistas porque as tendências surgidas com a crise vão dar um forte impulso nas viagens por três razões: o crescimento da gastronomia (e do vinho) nas motivações; a procura de temáticas e de conteúdos fortes e, por fim,  a resiliência do turismo de luxo que representa ume boa parte (mesmo se não a única) do enoturismo nacional e internacional no Brasil.

A Cité do Vin de Bordeaux, uma arquitetura enobrecendo o enoturismo

Um novo empreendimento turístico voltado para o universo do vinho surge na Borgonha. É a resposta da região à Cité du Vin, em Bordeaux, nessa saudável concorrência entre as duas regiões?

JPP: Na França, a questão Bourgogne/Bordeaux é tão viva quanto a direita/esquerda na politica ou PSG/Marselha no futebol. No contexto, Cité du Vin et la Gastronomie da Borgonha e da Cité des Cultures et des Civilisations du Vin, deve se anotar que são dois projetos totalmente diferentes. Com os dois estando presentes no evento de enoturismo Invino, o brasileiro poderá ver que são muito mais complementares que concorrentes.

Trata-se da segunda edição do evento. A Cap Amazon reuniu muitas informações sobre o mercado. Quem é hoje o brasileiro que consome enoturismo?

JPP: A primeira informação que devemos divulgar a nossos colegas do trade é o impressionante crescimento desse tipo de turismo no Brasil nos últimos anos. Quero especialmente destacar dois pontos que chamam minha atenção na preparação desta segunda edição. O primeiro, é que o consumo de vinho e de enoturismo atinge hoje uns perfis de consumidores muito mais largos, além dos tradicionais connaisseurs da elite social e econômica e dos descendentes de imigrantes europeus no sul do país. O segundo é que o enoturismo brasileiro é hoje uma grande realidade em São Paulo, no Sul e até no Nordeste, e que os agentes de viagens tem aí um grande potencial a longo mas também a curto prazo.

De Nordeste a Sul, o enoturismo brasileiro está em plena ascenção

Há uma diferença do enoturista brasileiro para o de outras nacionalidades?

JPP: Acho que temos que falar dos enoturistas brasileiros e não do enoturista brasileiro. Temos uma clientela tradicional e de alto padrão aquisitivo que procura um enoturismo de luxo e que costuma comprar muito vinho com grande rótulos. Essa clientela está crescendo, procurando novos destinos e sendo cada vez mais curiosa sobre vinhos diferentes. Mas temos também uma clientela nova, que precisa talvez ser mais acompanhada que os enoturistas franceses ou italianos, e é nesse momento que os agentes de viagens podem ter um papel muito importante!

Quais suas apostas em enoturismo para o próximo ano?

JPP: Muito Brasil. O doméstico vai ser sucesso no enoturismo, como o sul do país, mas São Paulo vai surpreender; a Argentina também, pela proximidade e preços interessantes; a França, claro. Países ou regiões menos conhecidas vão também aproveitar. A presença da Suíça e da Catalunha no Invino não são meras coincidências. Queria lamentar a esse respeito que a Moldavia teve que cancelar sua participação devido a guerra que está chegando a suas fronteiras orientais.

A Garzon virou um exemplo de sucesso enoturístico

Quais as novidades para a edição 2022 do Invino?

JPP: Uma edição mais internacional, com expositores vindo de 8 paises, e uma participação mais importante do trade do vinho – teremos por exemplo o  World Wine apresentando seus vinhos no coquetel de encerramento. A gastronomia vai ter também uma presença mais forte com um almoço do chef bourguignon Emmanuel Bassoleil, e – last but not least – uma apresentação dos Queijos da França que vão se harmonizar com os vinhos da Garzon, um encontro original entre o Velho e o Novo Mundo.

A quem o evento se destina e como se inscrever?

JPP: O Invino quer que os mundos do turismo e do vinho se encontrem mais e se conheçam melhor. Devemos, assim, contar com 80 buyers, agentes de viagens e operadoras querendo se implicar no enoturismo, e 40 jornalistas e influenciadores vindo tanto do turismo quanto do vinho. Os 30 expositores se dividem também entre os dois setores. A particularidade do Invino em misturar palestras, seminários e encontros com refeições harmonizadas e degustações vai ajudar a criar esse clima de intercâmbio e de convivialidade que tanto gostamos.

A Suiça se posiciona como um destino de enoturismo

Vinhos, turismo e preços, um ranking original da Europa enoturística

Smith Haut-Laffite, uma vinícola de Bordeaux onde enoturismo combina com cultura

Com mais de 15 milhões de reservas de apartamentos por ano em parceria com grandes empresas, – Booking, Interchalet, TUI, Housetrip ou Trip Advisor-, a plataforma Holidu publicou um ranking “cientifico” e popular das regiões europeias de enoturismo. A pesquisa levou em consideração não somente a qualidade e a variedade dos vinhos produzidos, as infraestruturas turísticas e o numero de vinícolas abertas os visitantes, mas também o consumo de vinho per capita, o preço medio das garrafas consumidas no local, assim que o número de entregas de diplomas de sommeliers nos centros locais de capacitação. A lista que foi estabelecida mostrou lógica e surpresas.

A “Cité du Vin”, monumento a Bordeaux cidade mundial do vinho

  • Nova-Aquitânia – França

A lógica levou a Nouvelle Aquitaine para o primeiro lugar. A região de Bordeaux, de Cognac e de Bergerac tem mais de 11.000 vinícolas, muitos dos mais famosos vinhos do mundo, e oferece preços atrativos com seus “vinhos de mesa”. As infraestruturas turísticas são de qualidade, o patrimônio cultural invejável, e a fama da sua gastronomia e das suas paisagens é mais que merecida. A dica da Holidu : Ir até a lagoa de Arcachon e provar as ostras locais com um Pessac Leognan branco (por exemplo um Hauts de Smith) .

Nos arredores do Etna, os vinhos de “lava”

  • Sicília – Itália

A surpresa já apareceu com o segundo lugar da Sicília. Mas, conhecida pela sua longa história, seu rico património e sua cultura peculiar, a ilha se posiciona cada vez mais no enoturismo. Vinhos como o Malvasia, o Novello e o Catarratto Bianco são algumas das maravilhas a ser descobertas . A dica da Holidu : nos arredores  do famoso vulcão  Etna, 18 hectares de vinhedos produzem desde o século XVII um vinho escuro  que pode ser provado depois da visita, acompanhando as “polpette”, as tradicionais bolinhas de carne.

Vinhedos e moinhos em Castilha La Mancha

  • Castilha-La Mancha – Espanha

Primeira região produtora da Espanha, a Castilha La Mancha se destaca pela grande variedade de uvas, Grenache, Syrah, Cabernet Sauvignon, Tempranillo, Merlot, Chardonnay, Sauvignon Blanc, Macabeu ou Airén. Na terra dos moinhos, os tintos, rosés ou brancos impressionam pela qualidade e pela excelente relação preço/ qualidade. A dica da Holidu : antes de começar as visitas das adegas, visitar a “cidade encantada” no parque natural da Serranía de Cuenca.

Em Pompei, o vinho tem uma longa história

  • Campania – Itália

Quase chegando no pódio desse ranking, a Campania ainda é pouca conhecida do mundo do vinho, mas tem uma tradição vinícola de 3200 anos, e uma excepcional riqueza turística. Vários dos seus vinhos devem ser degustados, por exemplo o Greco, o Asprinio, o Pallagrello branco, o Fiano, o Falanghina, o Coda di Volpe, o Forastera ou o Biancolella. A dica da Holidu: não esquecer de visitar as ruinas de Pompei, uma experiencia única no mundo ainda enriquecida pelas recentes descobertas arqueológicas.

Entre Lácio e Toscana, a surpreendente Úmbria

  • Úmbria – Itália

Outra surpresa da lista é o quinto lugar da Úmbria, mais conhecida pelas suas riquezas culturais. Entre Roma e Florença, o coração verde da Itália, trabalha varias uvas de qualidade, locais como o Sagrantino, o Sangiovese ou o Colorino, mas também internacionais como o Merlot e o Cabernet Sauvignon. A dica da Holidu : não perder a “Galleria Nazionale dell’Umbria”, localizada no “Palazzo dei Priori”, um dos mais imponentes prédios históricos de Perugia.

O charme irresistível de Chenonceau, o Castelo das 3 Damas

  • Vale do Rio Loire – França

Seguindo o Vale do Rio Loire, 2000 vinícolas se espalham entre a costa do Oceano Atlântico e a Auvergne. Famosa pelos seus vinhos alegres e fáceis de beber, sejam brancos como o Muscadet, o Sancerre ou o Pouilly, sejam tintos como o Saumur Champigny, sejam espumante como. A (merecida) fama dos Castelos do Loire explica também o sucesso do enoturismo da região.  A dica da Holidu: o itinerário tem que ser feito para combinar vinhedos e castelos, sendo que Chambord, Azay le Rideau, Cheverny, e mais ainda Chenonceau, são imperdíveis.

Vinhedos perto de Valencia

  • Valencia – Espanha

Dona de uma oferta turística muito completa, orgulhosa da sua cultura preservada, a região de Valencia colocou mais uma vez a Espanha no Top 10 da Holidu. Alem de uma grande variedade de uvas (Monastrell, Tempranillo, Cabernet Sauvignon e Merlot), o sucesso valenciano deve muito aos preços extremamente competitivo dos seus vinhos – os mais baratos da lista. A dica da Holidu: Visitar a cidade medieval de Bocairente e seus arredores.

Os incomparáveis paisagens da Toscana

  • Toscana – Itália

Pioneira do enoturismo, a Toscana ficou famosa pelo Chianti desde o século XIV, explorando uma grande diversidade de uvas:  Sangiovese, Canaiolo, Cabernet Sauvignon, Merlot, Trebbiano e Malvasia. Com cidades e vilarejos esbanjando história e cultura,  um clima  e uma luz excepcionais, a região oferece uma grande diversidade a todos os públicos.  A dica da Holidu: Aproveitar um passeio de bicicleta para mergulhar na cultura local e marcar atividades  com os moradores.

Os jardins da Quinta da Bacalhôa em Setubal

  • Setúbal – Portugal

Sendo os portugueses os maiores consumidores de vinho per capita da Europa, um ranking europeu de enoturismo devia ter uma região portuguesa, e foi Setúbal que se destacou com seus vinhos originais. Tradicional produtor de prestigiosos, incluindo o famoso Moscatel de Setúbal, a região produz também vinhos tinto exportados no mundo inteiro como o Periquita ou o Bacalhôa. A dica da Holidu: vale a pena seguir as rotas ou trilhas túristicas em volta das quais são organizadas muitas atividades, incluindo para as famílias.

Trufa branca e vinhedos do Piemonte

  • Piemonte – Itália

Uma quinta região italiana fecha o ranking da Holidu: o Piemonte. Famosa pela qualidade (e o preço) dos seus vinhos proveniente de uvas locais  (Nebbiolo, dolcetto, brachetto ou cortese), a região produz os famosos Barolo, Gattinara, Ghemme e Barbaresco, bem como os mundialmente conhecidos Asti Spumante. Em Alba, é certamente um deles que será recomendado para uma harmonização com a famosa trufa branca, A dica da Holidu: aproveitar as numerosas atividades náuticas oferecidas na região, canoa, vela ou  windsurf.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original na revista francesa profissional on-line Mister Travel

Na França, ideias inovadoras para reviver os grandes trens da Belle Époque

 

Na longa história do turismo, o trem sempre teve um lugar especial, símbolo de democratização com a primeira viagem organizada em 1841 pelo inglês Thomas Cook,  ou sonho de luxo e de aventura no Orient Express inaugurado em 1883 pela Compagnie Internationale des Wagons lits do belgo Georges Nagelmackers, e que perdura até hoje através do Venise Simplon Orient Express da Belmond. Depois do sucesso dos projetos franceses ou espanhóis  do Puy du Fou ou de Toledo realizados pelo seu pai, o  francês Nicolas de Villiers lançou agora o Grand Tour, um espetáculo inovador em torno de um cruzeiro ferroviário cheio de surpresas.

Aproveitando a abertura da rede ferroviária para as empresas privadas, o Puy du Fou imaginou uma volta da França de 4000 quilômetros em 6 dias e 5 noites, saindo de Paris e parando em cidades emblemáticas da história e da cultura francesas. Os espectadores vão viver experiências inéditas em Epernay com as adegas da Dom Perignon,  em Reims com a catedral dos Reis, em Beaune com os seus Hospices, em Avignon com o Palácio dos Papas, em Aix com o ateliê do Paul Cezanne. Perto de Bordeaux navegarão na lagoa de Arcachon antes de descobrir o quadro exótico dos vinhedos de Cos d’Estournel. No ultimo dia, um momento romântico em Chenonceaux, o castelo das três damas,  e uma visita do Puy du Fou encerrarão com chave de ouro esse passeio excepcional.

O visual do trem não nega a filiação com a Belle Epoque

Para aproveitar este espetáculo único, o Puy du Fou imagino o mais insólito dos teatros, um autentico trem “Belle Epoque” concebido como uma obra de arte, com  conforto e a beleza. Num total de oito carros, o comboio será composto de dois carros-leitos de 15 cabines,  dois carros-restaurantes e um carro-bar onde os viajantes serão atendidos por 15 tripulantes vestidos com uniformes da época. Com cada detalhe lembrando a grande época do trem, os organizadores prometem que os “Grands Tours” serão experiências espetaculares e poéticas, imersões no espaço e no tempo, num percurso iniciático na geografia e na historia da França.

Reversiveis, as camas viram sala de estar durante o dia

A vida a bordo terá a mesma importância que os lugares visitados, com uma permanente imersão na História. Além da presencia do chef, do bar tender e da equipe de animação, são previstas visitas de artistas, comediantes, músicos, someliês ou palestrantes. Nicolas de Villiers faz questão de lembrar que o Grand Tour não chegou para concorrer com os trens noturnos de luxo – os carros ficarão parados durante as noites para dar mais conforto aos passageiros. Será um espetáculo exclusivo de alto conteúdo cultural para  um máximo de 30 pessoas em cada viagem, com somente 23 saídas no primeiro ano e até 40 nos anos seguintes. Mesmo se a data exata da primeira viagem ainda não foi divulgada (seria na primavera ou no verão 2023), já é possível de fazer uma pré-reserva no site  www.legrandtour.com.

Longe das multidões, as tendências pós crise abram oportunidades para destinos mais exclusivos

 

Há 675 anos, o castelo de la Treyne domina o vale do rio Dordogne

Nas novas tendências que se destacam nas viagens pós Covid 19, uma das mais fortes parece ser a fobia do “overturismo”, a procura de destinos turísticos fugindo as grandes multidões, a preferência anunciada por hospedagens, restaurantes, ou eventos de menores tamanhos, mas com sérias garantias de saúde ou segurança. A primeira vista parece ser um paradoxo, os grandes destinos tradicionais, Estados Unidos, Italia ou França serem ,talvez, os grandes favorecidos por essa revolução. A França por exemplo têm alguns lugares sofrendo de overturismo, mas 80% do seu território recebem somente 20% dos turistas enquanto essas mesmas regiões escondem lugares excepcionais pelas suas riquezas naturais, culturais ou humanas.

Stéphanie Gombert em La Treyne com Jean-Philippe Pérol e Caroline Putnoki

Assim o vale do rio Dordogne, terra de castelos que se estendea da Auvergne até  Bordeaux, onde o turista pode se emocionar com as pinturas pré-históricas da gruta de Lascaux, sentir a espiritualidade de Rocamadour ou das capelas dos caminhos de Santiago, descobrir os vinhedos de Cahors e o Malbec original, ou confirmar se o “foie gras” e as trufas do Perigord são as melhores da França. Os hotéis da região são sempre pequenas unidades, aproveitando antigas fazendas ou castelos onde a imponência da arquitetura foi combinada com o conforto moderno. No mais prestigioso estabelecimento do vale, o Château de la Treyne, a proprietária Stéphanie Gombert aceitou de explicar como a crise está transformando o turismo na região.

O parque, um dos cenários do almoço pique nique chique

Jean-Philippe Pérol: Você vai reabrir em julho o Château de la Treyne. Como vai ser essa reabertura pós covid 19 e quais vão ser as mudanças no atendimento e nos serviços?

Stéphanie Gombert: O nosso atendimento será ainda mais caloroso e tivemos que ser criativos. As normas sanitárias obrigam todos os funcionários a usar luvas e mascaras, e a ter menos proximidade. Assim quando um hospede será acompanhado até o seu quarto, teremos que ficar do lado de fora. No restaurante, as regras obrigam a muitas mudanças. Reduzimos de 50% o número de mesas para respeitar uma distança minima de um metro e meia, cancelamos os cardápios e colocamos tudo em QR code para evitar contatos desnecessários. Para o almoço, inventamos de propor um pique nique chique, com dez mesas espalhadas nos 120 hectares da propriedade, uma no terraço, uma em baixo do tricentenário cedro-do-Libano do parque, uma na pequena praia de frente para o rio Dordogne. O almoço será colocado na mesa de uma vez para reduzir os contatos. Para os cafés da manhã, Yvonne, nossa responsável, nunca gostou de bufês e sempre servimos nas mesas.Agora que virou obrigatório, vimos que fomos pioneiros.

O restaurante redesenhado para respeitar as novas normas sanitárias

JPP: A volta a normalidade deve ser demorada, e vai começar com os clientes de proximidades. Quando espera rever as clientelas distantes, incluindo os brasileiros, e que ações podem acelerar essa volta?

SG: Temos sorte porque o mercado francês representa 50% dos nossos visitantes, e vamos logo contar com eles. Os brasileiros são uns dos nossos melhores clientes vindo de longe, que gostam da nossa natureza, das belezas da nossa arquitetura, das nossas paisagens e mais ainda da cozinha francesa. Queremos que eles voltem o mais rapidamente possível, mas sabemos que isso vai depender da retomada e das condições dos voos transatlânticos. Os voos devem ficar mais caros, com mais normas sanitárias, e as contrapartidas das ajudas governamentais devem ser mais investimentos na sustentabilidade – e mais aumentos dos preços das passagens.  É provável que não vamos ter brasileiros esse ano, mas contamos com eles para 2021, se o transporte aéreo ajudar.

Todos diferentes, os quartos homenageam a história do castelo

JPP: Em uma pesquisa recente, os agentes de viagens brasileiros definiram com uma forte tendência o recuso do overturismo e a procura de destinos seguros mas longe das multidões. Você acha que o Château de la Treyne está pronto para aproveitar essa oportunidade?

SG: Nosso castelo pertence desde 1992 a uma maravilhosa associação, Relais & Châteaux, que tem 580 membros no mundo inteiro. A grande maioria desses hotéis e restaurantes estão localizados no campo, cercados pela natureza e com capacidade média de 30 quartos. Com uma localização exclusiva, La Treyne tem 17 suites, bem longe do turismo de massa. Nossos clientes estão procurando beleza, sinceridade, “savoir-vivre”, autenticidade até na originem dos produtos que oferecemos. Há anos começamos a trabalhar com pequenos produtores da região que abastecem o hotel em frutas e verduras, seguindo o ritmo das estações.

Em Rocamadour, as emoções da Fé

JPP: A mesma pesquisa mostra que as viagens serão ainda mais valorizados depois da crise, e que os viajantes vão querer mais experiências “transformacionais”. Quais são as dicas de atividades marcantes que você pode aconselhar a seus visitantes brasileiros?

SG: O Château de La Treyne fica em cima de um barranco caindo no rio Dordogne, uma biosfera excepcional tombada pela UNESCO, onde muitas atividades esportivas e náuticas podem ser praticadas. A natureza oferece outras emoções excepcionais nas grutas como Padirac, ou nas reproduções de arte rupestre de Lascaux 4.  A região esbanja uma cultura e uma arquitetura peculiar em cidades pequenas como Sarlat ou Les Eyzies. A espiritualidade se encontra em inúmeros trechos dos caminhos de Santiago que podem ser percorridos nos arredores, e mais ainda no extraordinário santuário de Rocamadour que foi na Idade Media o mais importante da França e que hoje ainda mexe com a fé do viajante.

Jean-Philippe Pérol

Stéphanie Gombert e seu marido Philippe são proprietários do Château de la Treyne. Alemã radicada na França, encontrou seu futuro marido quando preparava um master de história e literatura na Universidade de Paris Sorbonne. Depois de uma experiência de quinze anos no setor de eventos, é desde 2003 diretora do Hotel e Restaurante  Château de la Treyne (www.chateaudelatreyne.com) e duas residências exclusivas  (www.chateaudubastit.fr & www.chartreusedecales.com.).  

Comprar vinhos na França, e as sugestões 2019 de “De Vinis illustribus”

De Vinis Illustribus, vinhos e atendimentos especiais no coração de Paris

Se vinhos de grandes qualidades podem ser encontrados mais perto, em Mendonça, no Vale de Colchagua, ou até nos arredores de São Paulo, os vinhos continuam sendo para os brasileiros uma das mais vantajosas opções de shopping na França. Podendo trazer de uma viagem internacional até doze litros, dentro do limite dos US$ 500 autorizados, volta cada ano a mesma pergunta: quais vinhos escolher, eonde comprá-los? O melhor conselho é de seguir seus gostos pessoais, e de priorizar as compras nas próprias vinícolas. Se os preços não são muito diferenciados, a beleza dos locais, a riqueza dos encontros, a descoberta e a compreensão de novos vinhos  sempre justificam a visita. Smith Haut Lafitte e Malescot Saint-Exupery em Bordeaux, Château La Coste na Provence, Ruinart e Moët & Chandon na Champagne, Corton Charlemagne, Domaine Long-Depaquit ou  Drouhin Laroze na Borgonha oferecem assim experiências inesquecíveis.

Sala de degustação do Smith Haut Lafitte

Para quem não tem a opção de ir nas vinícolas, e fora das liquidações das cadeias de supermercados, as lojas especializadas são sempre uma boa opção. Assim, em Bordeaux, existem a Vinothèque e a espetacular L’intendant que sempre têm ofertas interessantes. Em Paris , recomende-se a Lavinia ou a Bordeauxthèque das Galeries Lafayette. Entre a possibilidade de provar os vinhos, de encontrar garrafas excepcionais e de conseguir preços em conta, vale a pena experimentar uma pequena loja em Paris chamada “De Vinis Illustribus”. No coração do Quartier Latin, o enólogo Lionel Michelin e sua esposa Dominique oferecem seus “vinhos de aniversario” , vinhos de safra correspondentes ao ano de nascimento da pessoa presenteada. Lionel tem uma excepcional adega de vinhos raros e divide sua paixão oferecendo pessoalmente, com sua esposa Dominique, degustações e refeições harmonizadas para grupos ou individuais.

Degustação no De Vinis Illustribus

Pelo quarto ano consecutivo,  Lionel aceitou mandar as suas sugestões, uma seleção de seis vezes duas garrafas  cabendo nos US$ 500 autorizados pela Receita Federal. A seleção 2019 de DE VINIS ILLUSTRIBUS é a seguinte:

Champagne rosé GEOFFROY  : US$ 47

Um rosé elaborado com 100% de pinot noir Premier Cru. Com uma linda cor framboeza e bolinhas finas, redondo e suavo, esse champagne repleto de aromos de frutas é perfeito para um aperitivo festivo.

Meursault rouge “Les Criots” MILLOT  : US$ 37

Um raridade, esse vinho tinto representa somente 1% da apelação Meursault onde o domínio dos vinhos brancos é absoluto. Fácil de beber, impressionante de frutas vermelhas, este vinho elegante e suave é típico do pinot noir da Borgonha: fruta, fruta e ainda fruta. É perfeito para uma harmonização com vitela ou aves.  

Lionel escolheu dois Meursault na sua seleção 2019

Château MAUCAILLOU  2005 : US$ 51

Na margem esquerda de Bordeaux, tocando o terroir de Margaux, Moulis produz vinhos poderosos, densos, com bom potencial de guarda. O château MAUCAILLOU combina 58% de cabernet sauvignon, 35% de merlot e 7% de petit Verdot. Sua safra 2005, que recebeu 90/100 da revista Wine Spectator é um sucesso absoluto. Um nariz complexo abre com aromas de framboesa, cassis e cerejas. Na boca, esse vinho é amplo, com taninos macios. Um grand Bordeaux.

“Quadratur” COUME DEL MAS  2016 : US$ 37

Proveniente dos terroirs de xistos da região de Roussillon, esse vinho potente e concentrado combina uvas grenache e mourvèdre. Sua profundidade e seus taninos  permitem evoluções com a guarda, mas este Quadratur já oferece muito prazer quando harmonizado com cordeiro ou pratos com especiarias.

Meursault “Les Petits Charrons” MILLOT 2017 : US$ 42

Um grande Meursault  Côtes de Beaune, com vindimas feitas a mão que valorizam a quintessência do chardonnay. Com visual amarelo pálido, nariz rico e promissor, este vinho desenvolve aromas de flores brancas, de pêssegos e de amêndoas. O melhor da Borgonha numa grande safra.

INOPIA 2015 : US$ 28

Uma raridade vindo do Sul da França mas elaborado por  Lucien LE MOINE, um famoso viticultor vindo da Borgonha, com uvas grenache e syrah. Esse Côtes du Rhône tinto tem sabores de frutas vermelhas, de azeite e de mato da Provence. de fruits noirs, d’olive et de garrigue. Rico porém bem balanceado, é o companheiro ideal de pratos com especiarias.

Obrigado Lionel pelas suas sugestões 2019, e saúde, à ta santé!

Os hipermercados Leclerc, imperdíveis liquidações de vinho

No Les Sources de Caudalie, o luxo agora é emoção

Nascida nos vinhedos de Bordeaux, a visão de um turismo enraizado nos “terroirs” levou Alice e Jérôme Tourbier a desenvolver não somente o primeiro hotel categoria Palace da região, mas um verdadeiro conceito inovador e respeitoso do ecossistema. Também presidente de   Small Luxury Hotels of the World , Jérôme respondeu a uma entrevista sobre os desafios do turismo de luxo e a evolução do seu grupo hoteleiro .

Alice e Jérôme Tourbier, donos do grupo Les Sources de Caudalie

Vendom.jobs – Qual é sua apreciação sobre a situação da hotelaria de luxo na França?

Jérôme Tourbier – Há trê anos, no meu livro Turismo em perigo, eu chamava atenção sobre a necessidade de considerar o turismo como uma indústria estratégica e de apostar na criação de valor. Quis dizer que a França devia virar um destino de alto padrão, com o melhor ratio “custo /emoção”. Sendo um destino caro, devemos ter uma oferta de qualidade que marca emocionalmente o nosso visitante . Toda a oferta não pode ser de luxo, mas a emoção deve sempre estar presente para seduzir o viajante. Há hoje na França muitos empreendimentos de grande qualidade. Olhando agora além do lucro imobiliário, os investidores estão cada vez mais dispostos a apoiar esse tipo de projeto.

A piscina coberta de Les Sources de Caudalie

V. J. – Quais seriam as condições imprescindíveis para um turismo combinando qualidade e rentabilidade?

J. T. – Na França, se confunde as vezes turismo de alto padrão com consumidores ricos. Claro que todos querem receber o máximo de viajantes com muitos recursos, mas queremos priorizar também aqueles que são interessados pelo nosso patrimônio cultural. Esse equilíbrio é fundamental para valorizar nossa oferta e para proteger nosso savoir-faire. Desta forma, é possível sim ter estabelecimentos de alto padrão, podendo ou não ser de luxo. Existem no pais inteiro por exemple restaurantes com chefs implicados na procura de qualidade, a melhor prova sendo as recomendações do Bib Gourmand do Guia Michelin. A importância dessa oferta de qualidade, não somente gastronômica, é única no mundo.

Com Alice Tourbier frente a Ile aux Oiseaux das Sources de Caudalie

V. J. – A alma do Sources de Caudalie é a integração num patrimônio e num terroir, que trazem autenticidade e sustentabilidade?

J. T. – Quando o Les Sources de Caudalie foi reconhecido como o primeiro “palace” dos vinhedos, o fato de estar completamente integrado no terroir da região foi exatamente considerado excepcional. A nossa inspiração vem diretamente do vinhedo aonde nos constatamos nos últimos vinte anos que existe um luxo autentico diferente do das grandes cidades. Estamos procurando ir sempre mais longe na procura desse luxo, investindo na beleza e nas emoções. Os hóspedes não procuram somente um alojamento, mas querem atividades compartilhadas em volta do enoturismo que funciona como uma vitrine para os vinicultores, os artesãos, os artistas e os produtores locais.

Les Sources de Caudalie, “La Tour de la Dégustation”

V. J. – Pela sua experiência, quais são os próximos passos a seguir?

J. T. – Vimos que o luxo agora é emoção. Fora das capitais, acho que devemos insistir na autenticidade, sem cair na caricatura para poder aproveitar nossa realidade e nossa história  mas também levar em consideração as novas clientelas. Temos que mostrar a coerência dos nossos destinos, mas encontrar um equilíbrio combinando as atividades culturais, a gastronomia, o artesanato, a qualidade e a diversidade dos produtos. Um outro fator de crescimento é o numérico. Os profissionais do turismo estão acostumados a falar das consequências negativas da Internet, mas não devemos esquecer que foi ume revolução que criou extraordinárias oportunidades para promover novos destinos até então pouco aproveitados. Foi talvez o caso de Bordeaux.

O restaurante L’Étoile, do hotel Les étangs de Corot

V. J. – Quais são os principais projetos para o futuro do seu grupo hoteleiro?

J. T. – Especialistas do enoturismo, queremos investir em projetos nas grandes regiões vitícolas da França, começando no ano que vem com o Vale do Loire. Estamos acabando a construção do Les Sources de Cheverny, renovando um antigo castelo bem como uma vinícola, reabilitando um patrimônio histórico em total harmonia com as exigências de conforto mais contemporâneas. Nesta região que atrai numerosos turistas, esse novo estabelecimento terá a ambição de ajudar os hóspedes a descobrir as qualidades dos vinhos da região bem como as riquezas culturais dos castelos do Loire. Depois do Les Sources de Cheverny, outros projetos estão sendo estudados na Alsácia, na Borgonha, na Champagne e na Provence.

A suite Rouge Merlot das Sources de Caudalie

Este artigo foi traduzido e resumido de uma entrevista original de Jérôme Tourbier na revista on line Vendôm.jobs

Luxo e vinho, boas opções e oportunidades para Natal, Reveillon e as ferias de verão!

O hotel Castilla Termal Monasterio de Valbuena

Com Natal e as ferias chegando, é tempo de programar suas próximas viagens, talvez uma “viagem-presente” inovadora como uma experiência de enoturismo juntando uma hospedagem de luxo e um grande vinhedo. Foi assim que a WinePaths, plataforma de acesso ao melhor do mundo dos vinhos e dos licores, selecionou sete ofertas exclusivas capazes de satisfazer os mais exigentes dos enoturistas brasileiros durante esse verão.

Uma grande oportunidade de se hospedar perto do pitoresco vilarejo de Montalcino na Toscana e de participar do concorrido « Benvenuto Brunello », evento de lançamento do novo Brunello de Montalcino

Benvenuto Brunello
15 de Fevereiro de 2019 – 19 de Fevereiro de 2019

Preços para 4 pessoas  €2990 por dia, incluindo 3 noites nas  Villas de Brunello, a visita da vinícola, uma degustação dos vinhos acompanhados de queijos, aceites e embutidos, e o acesso exclusivo para o evento e a festa Benvenuto Brunello para 4 pessoas

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Perto de Franschhoek, o canto mais francês da África do Sul, Mont Rochelle abra os seus vinhedos com 150 anos de tradições  para combinar enogastronomia, passeios e Spa.
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Mont Rochelle 3 por 2
1 de Novembro 2018 – 30 de Abril 2019 

Preços a partir de €425 por quarto e por noite na base de duas pessoas, iincluindo 3 noites pelo preço de duas, a visita da vinícola e a degustação de vinhos premiados, o acesso a academia, ao campo de tênis e a piscina.
O final do ano é um dos momentos mais mágicos para visitar Meadowood, a propriedade icônica da Napa Valley, ganhando ainda um voucher de USD 100 por dia e por quarto para abater das atividades na região.
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Experiências Natalinas
1 de Dezembro 2018– 31 de Dezembro 2018
Preços sob consultas, iincluindo as atividades Culinário da temporada de Festas, Decoração de biscoitos caseiros, Doces e sobremesas (pelo próprio chef de Meadowwod)

Hotel moderno desenhado pelo Jean Nouvel, o Saint James aproveita essa época do ano para levar seus hóspedes na feira livre onde o seu chef seleciona os seus produtos e conversa com os produtores.

Feria livre dos produtores
8 de Dezembro de 2018 até 6 de Abril de 2019

Preços sob consulta, incluindo o alojamento em quarto de luxo com café da manhã, visita guiada da feira livre e encontros com os produtores que abastecem o hotel, almoço no bistrô Le Café de l’Espérance

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Primeiro hotel termal de 5 estrelas de Castela e Leão, o hotel Monasterio era um mosteiro cisterciense do século XII que foi convertido num exclusivo complexo turístico e termal, e que oferece um ambiente excepcional para o Reveillon de Natal.

Reveillon de Natal especial
24 e 25 de Dezembro de 2018
Preços sob consulta, incluindo o café da manha bem como a ceia de Natal, um acesso ilimitado a piscina termal e ao spa, bem como o play center para crianças

Reserva agora 

O Six Senses Douro Valley está situado numa quinta do século XIX, totalmente renovada, localizada numa colina, em pleno vale do Rio Douro, olhando para os morros cobertos de vinhas e para o rio Douro que corre a seus pés.

Presente dos seis sentidos
1 de Novembro de 2018 até 31 de Março de 2019
Preço sob consulta incluindo 2 ou 3 noites no hotel, um tratamento no Spa e uma degustação de vinho para duas pessoas.

Reserva agora 

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SOURCES DE CAUDALIE, BORDEAUX, FRANCE

No meio dos vinhedos do Smith Haut Lafitte, as Sources de Caudalie conseguem juntar o luxo e a perfeição de um Palace com o ambiente charmoso e aconchegante perfeito. Para Natal e o Reveillon, duas ofertas estão sendo propostas  para esses momentos especiais .
Natal em família a partir de 1.460 € para quatro pessoas:
– Uma noite na Grande Suite decorada com árvore de Natal
– Café da manhã para toda a família
– Ceia de Natal no restaurante La Table du Lavoir ou no duas estrelas Michelin, La Grand’Vigne (bebidas não incluídas)
– Café da manhã no La Grand’Vigne (bebidas não incluídas)
– Presentes surpresa para toda a família!
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Ano Novo, a partir de 1.386 € para duas pessoas:
– Duas noites na Grande Suite
– Café da manhã
– Almoço no La Table du Lavoir, bebidas não incluídas
– Ceia de Réveillon no restaurante duas estrelas Michelin, La Grand’Vigne ou  La Table du Lavoir (bebidas não incluídas)
– Brunch no primeiro dia do ano, com taça de champanhe no La Table du Lavoir ou La Grand’Vigne
– Um presente surpresa para as festas!
Saiba Mais >>

Saint Emilion, história medieval, vinhedos tombados pela UNESCO e vinícolas de vanguarda

O campanário da igreja monolítica de Saint Emilion Credit OT Saint-Emilion_Steve Le Clech©

Desenhar um roteiro enoturístico nos arredores de Bordeaux é sem dúvidas uma tarefa muito pessoal, a escolha dependendo em primeiro lugar das preferências de cada um. Preferências entre as “appelations” – Entre deux mers, Medoc, Graves ou Rive droite-, preferências  entre as atividades a combinar com as degustações – cultura, shopping, praias ou simples passeios -, preferencias entre as visitas dos Châteaux ou a descoberta dos  vilarejos. Mas qual que seja o seu roteiro, ele não pode dispensar o encantadora cidade medieval de Saint Emilion. Cercada dos vinhedos epónimos, plantados principalmente de merlot (79%), cabernet franc (15%), e cabernet sauvignon, a cidade domina um planalto com sua arquitetura em pedras de cantaria.

Frente a Praça do Mercado, a Capela da Trinidade

Tombada pela UNESCO em 1999, Saint Emilion seduz o visitante com ruas estreitas subindo entre casas de pedras, mosteiros ou conventos centenários, lojas ou armazéns de vinhos. Depois de caminhar pela parte alta da cidade, vale a pena aproveitar a linda vista da Praça des Créneaux, e descer a rua do Tertre de la Tente, uma ladeira escorregante que leva até a Praça do Mercado. Lá fica a Capela da Trindade, com suas únicas pinturas da Idade Media, bem como a entrada da imperdível atração arquitetura da cidade: a igreja monolítica, com seu coro de onze metros de altura cavado no barranco, a maior igreja do género na Europa, construída a partir do século XI em cima do túmulo de um monge bretão chamado Emilion.

A simpatia dos restaurantes da Praça do Mercado

Se existem vários grandes restaurantes gastronômicos (inclusivo dois estrelados Michelin, o Relais & Châteaux Hostellerie de Plaisance e o Logis de la Cadène), e se algumas vinícolas dos arredores oferecem excelentes opções de almoços harmonizados com vista nos vinhedos ou nas adegas, os restaurantes da Praça são sempre minha escolha preferida. No ambiente descontraído das mesas espalhadas na calçada,  o meu predileto Le Bouchon apresenta não somente uns pratos simples da região – por exemplo um Foie Gras com frutas da estação-, mas um cardápio de vinhos excepcional, com preços interessantes dando oportunidades de provar tanto um Côtes de Castillon, um Roc de Cambes, um Tertre Roteboeuf ou um Cheval Blanc.

As adegas do Château Beauséjour

Além da cidade de Saint Emilion, a UNESCO também tombou os seus vinhedos, centenas de propriedades com nomes famosos no mundo inteiro ou ainda quase desconhecidos. Sendo recomendado de fazer reservas, e de ser aconselhado na escolha das adegas a visitar, é sempre mas fácil pedir a um especialista para organizar o seu roteiro.  Assim a Wine Paths , que escolheu duas vinícolas bem diferentes e extremamente interessantes pode ser o melhor caminho. A primeira é o Château Beauséjour Becot, um Premier Grand Cru Classé e uma propriedade onde o vinho já era produzido desde a época dos romanos. As impressionantes adegas cavadas na pedra calcaria oferecem perfeitas condições para  guardar as garrafas de vinho que os próprios donos estão elaborando.

A vinícola do Chateau La Dominique desenhada pelo Jean Nouvel

Para a segunda visita da tarde, o Chateau La Dominique é uma espetacular opção da Wine Paths. Considerada uma das mais belas propriedades de Saint Emilion desde o século XVIII, essa vinícola foi completamente renovada em 2013 quando os donos decidiram construir novos galpões combinando beleza, modernidade nos equipamentos e integração com a paisagem. O arquiteto Jean Nouvel venceu o desafio e conseguiu erguer frente aos vinhedos um prédio único, criativo, moderno, funcional, luminoso e além disso lindo, uma obra de arte considerada hoje uma das mais espetaculares adegas da região de Bordeaux. Um lugar ideal para degustar esse Grand Cru e fechar com chave de ouro um roteiro em Saint Emilion.

Um roteiro “História medieval e vinícolas modernas” consta nas ofertas da  Joelle,  especialista da Wine Paths em Saint Emilion, e pode ser reservado no site (com almoço numa vinícola, e visitas/degustações no Château Beauséjour Becot e no Château La Dominique).

Wine Paths trazendo experiências inovadoras para o mundo do enoturismo

 

Frente as Sources de Caudalies, as obras de arte dos vinhedos de Smith Haut Lafitte

Destacada nas pesquisas pelo seu vinho (o vinho francês mais popular no mundo e no Brasil, na frente do Champagne e do Bourgogne), Bordeaux sempre quis ser inovadora e multi cultural quando se tratou de enoturismo. Foi là que nasceu há quase 40 anos International Wine Tours, a primeira operadora especializada, então filial da Wagons lits, que oferecia roteiros em grandes regiões vinícolas dos cinco continentes. Agora na era das novas formas de distribuição e das plataformas receptivas,  esse pioneirismo se confirmou com a criação da Wine Paths, uma rede de profissionais do enoturismo oferecendo experiências personalizadas em 11 países do mundo.

Passeios a cavala nos vinhedos de Diamandes

As inovações da Wine Paths começam pelo cuidado em escolher os vinhedos e as adegas, uma tarefa que contou com a expertise do premiadíssimo enólogo Michel Rolland. Tendo participado a criação de vinhos em mais de 250 vinícolas de 21 países, ele fez questão de colocar seus favoritos na seleção da Wine Paths. Os serviços escolhidos são também marcados pela experiência do fundador da empresa, Stephane Tillement. Com 30 anos no turismo de luxo, dono desde 2002 da Mauriac voyages – uma das mais conceituadas agências de Bordeaux, Stephane criou relações de confiança com exigentes e criativos parceiros dos mundos do turismo, do vinho, dos destilados e da gastronomia.

Piquenique nos vinhedos da Barossa Valley (Australia)

Combinando desde a sua origem em 2017 os dois “savoir faire” do vinho e do turismo, a Wine Paths oferece experiências nos mais procurados destinos de enoturismo. São 150 vinícolas nas regiões produtoras da Argentina, da Austrália, do Chile, da Califórnia, da Nova Zelândia, da África do Sul, da Itália, do Portugal, da Espanha e da França, escolhidas não somente pelos seus vinhos, mas também pela qualidade dos serviços oferecidos nos arredores pelos parceiros locais. Foram assim selecionados hotéis, restaurantes estrelados, ou adegas capazes de propor emoções ou surpresas, desde um rali nos vinhedos do Franschhoek até uma aula de empanadas na Argentina ou um circuito de mountain bike nas estradas da Alsácia.

O restaurante Conversa em Valbuena, no Ribera del Duero

Com ambição de ser a mais internacional e a mais sofisticada das plataformas de enoturismo, a Wine Paths quer oferecer serviços extremamente personalizados. Cada proposta, seja um voo de balão em Cognac, um passeio a cavalo na Sicília, um itinerário de bicicleta na Rioja, ou um safári aéreo na Austrália, deve se adaptar a cada cliente específico. Essa exigência de qualidade atraiu os 284 parceiros, inclusive alguns que nunca tinham sido presentes numa plataforma de enoturismo, por exemplo os Champagne de Bollinger ou os vinhos do Château Mouton Rothschild. Novos parceiros deveriam ser anunciados esse ano, reforçando as ambições dos fundadores de fazer de Wine Paths um verdadeiro “Guia Michelin” do enoturismo.

Descobrir os vinhedos com luxo e criatividade

Para responder aos pedidos de viajantes procurando as melhores experiências de vinhos, de destilados ou de harmonizações gastronômicas, Wine Paths continua a sua procura de novas  parcerias internacionais. A Escócia -e suas rotas de uísque- é um dos projetos mais adiantados. Com quase um milhão de enoturistas e centenas de vinícolas abertas a visitas, o Brasil deve em breve integrar esses novos rumos, acessando as viagens luxuosas e criativas desenhadas pelos especialistas do grupo, e talvez amanhã colocar suas próprias rotas de vinho a disposição dos enoturistas do mundo inteiro nessa plataforma inovadora.

Jean Philippe Pérol

Na África do Sul, vinhedos pode combinar com aventura

Comprar vinhos na França, as sugestões 2018 de “De vinis illustribus”

De Vinis Illustribus, vinhos e atendimentos especiais no coração de Paris

Nas mil opções de shopping atraente na França, os vinhos continuam de ser uma das mais vantajosas para os brasileiros que podem levar na volta até doze litros, dentro do limite dos USD 500 autorizados. Cada ano, temos a mesma pergunta: qual vinho escolher, e aonde comprar-lo? Sempre aconselhei de seguir seus gostos pessoais, e de priorizar as compras nas vinícolas, Se os preços não são muito diferenciados, a riqueza do encontro, a descoberta e a compreensão de novos vinhos  sempre justificam a visita. Pela beleza do local, a atenção do atendimento e a qualidade dos vinhos, já tive experiências inesquecíveis com Smith Haut Lafitte e Malescot Saint-Exupery em Bordeaux, com Chateau La Coste na Provence, com Ruinart e Moët & Chandon na Champagne, com Chateau de Pommard, Corton Charlemagne, Domaine Long-Depaquit ou  Drouhin Laroze na Borgonha.

Sala de degustação do Château Smith Haut Lafitte

Para quem não tem a opção de ir nas vinícolas, e fora das liquidações das cadeias de supermercados, as lojas especializadas são sempre uma boa opção. Assim, em Bordeaux, existem a “Vinothèque” e a espetacular “L’intendant” que sempre têm ofertas interessantes. Em Paris , recomende-se a Lavinia, ou a extraordinária “Bordeauxthèque” das Galeries Lafayette. Entre a possibilidade de provar os vinhos, de encontrar garrafas excepcionais e de conseguir preços em conta, vale a pena experimentar uma pequena loja em Paris chamada “de Vinis Illustribus”. No coração do Quartier Latin, o enólogo Lionel Michelin  oferece seus “vinhos de aniversario” , vinhos de safra correspondentes ao ano de nascimento da pessoa presenteada. Tem uma excepcional adega de vinhos raros, e divide pessoalmente a sua paixão oferecendo degustações e refeições harmonizadas para grupos ou individuais.

Pelo terceiro ano consecutivo, o Lionel aceitou de fazer com exclusividade para nos uma sugestão para uma cesta de vinhos combinando com as quotas da alfândega brasileira (comprando duas garrafas de cada vinho selecionado dará exatamente USD 500!).

A seleção 2018 de De Vinis Illustribus:

La Parde de HAUT-BAILLY 2009 : 51 $

O segundo vinho do Château Haut-Bailly, elaborado com 44% de cabernet sauvignon, 45% de merlot e 16% de cabernet franc. O 2009, ano excepcional em Bordeaux, é um vinho denso, com fortes sabores de frutas maduras, taninos suaves, e o defumado típico dos vinhos de Pessac-Léognan. Pode ser bebido já, mas pode também ser guardado alguns nos.

L’Enchentoir 2010 : 31 $

Com 100% de cabernet franc, esse vinho é um Saumur (Vale do Loire) bem estruturado que está chegando a seu ápice. Com um gosto poderoso e sabores de cogumelos, ele pode acompanhar pratos com especiarias ou carnes fortes. Pode também ser bebido agora ou guardado até 10 anos.

Savigny-les-Beaune “les Goudelettes”  2015 : 36 $

Um safra excepcional desse pinot noir guloso, suave e elegante, típico dos melhores Bourgogne. Feito para acompanhar carne branca ou aves. Pode ser bebido agora mas ainda tem um bom potencial de guarda.

Pouilly-Fuissé “Les Reisses” DENOGENT 2015 : 41 $

Elaborado com 100% de chardonnay, esse lindo Bourgogne branco é no mesmo tempo doce, redondo e rico. Pode ser servido como aperitivo ou para acompanhar um peixe grelhado ou um queijo tipo Comté.

Meursault “La Barre” MILLOT 2015 : 47 $

Um grande Meursault da Côte de Beaune na Borgonha, um chardonnay cujas vindimas são feitas a mão. Uma cor amarela quase dourada, um corpo firme e uma harmonia total, com sabores de manteiga fresca e notas de grelhados… Um Bourgogne perfeito e uma grande safra.

BANYULS  “Quintessence” 2013 : 41 $

Um vinho tinto adocicado, um verdadeiro vinho do Porto a francesa. Elaborado com Grenache noir, ele é um companheiro inseparável  dos queijos “azuis” tipo Roquefort ou Bleu d’Auvergne. Uma iguaria quando harmonizado com chocolates pretos.

Obrigado Lionel, e saúde, à ta santé!

Os hipermercados Leclerc, imperdíveis liquidações de vinho