O clima vai mudar o mapa mundial do enoturismo?

Os vinhedos frente ao aquecimento global

Geadas, queimadas, aquecimento global, frequência inesperada dos eventos meteorológicos extremos, os vinhedos, e consequentemente o enoturismo, são muito impactados pelas mudanças climáticas que os produtores devem enfrentar. Os ciclos vegetais acelerados, as vindimes precoces, os graus de álcool mais elevados e as mudanças das características dos terroirs não poupam nenhum profissional do setor. Todos ficam assim com a obrigação de reagir, de antecipar, de inovar, e de colaborar  para inventar um novo enoturismo adaptado não somente as novas exigências dos consumidores mas também ao novo mapa mundial da viticultura que está sendo desenhado.

Em Corbieres, os viticultores estão revalorizando o Carignan

As inovações tocam muito nas variedades de uva. Assim por exemplo os produtores da região de Valpolicella, na Italia, estão redescobrindo antigas variedades que tinham sido esquecidas. Assim o Castelrotto, o Bressa ou o Sprigamonte têm características interessantes frente ao aquecimento global como resistencia a seca, maturação tardia, ou alta acidez natural. Produtores do Sul da França, na região de Corbières, tiveram ideias semelhantes, alguns voltando ao tradicional Carignan, outros plantando variedades ibéricas (alvarinho ou verdejo) menos sensíveis ao calor. Preocupação com quentura e seca levaram também a experimentar na Provence novos tipos de mourvèdre branco e cinzo. No Quebec, com o problema inverso, os produtores dos Cantons-de-l’Est estão introduzindo novas variedades que eram até hoje impossível de plantar devido ao lendário inverno da região.

Contra as geadas, o geotextil podera oferecer alternativas as fogueiras

As pesquisas sobre o impacto das mudanças climaticas para a viticultura também tragam inovações. O Conselho interprofissional dos vinhos de Bordeaux (CIVB) investe anualmente 1,2 milhão de euros, e varias tecnicas estão sendo testadas: aumento da biodiversidade com plantio de arvores e de cercas vegetais, gestão das variedades de uva, mudança das densidade de plantio, desenvolvimento das tecnologia de viticultura de precisão. No Quebec, o Centro de pesquisas agroalimentares de Mirabel (CRAM) trabalha nos processos de resistência dos vinhedos ao frio, e desenvolveu novas utilizações das mantas geotêxtil para proteger as plantações do granizo ou das geadas.

No Vale de Casablanca, o pioneirismo do vinhedo Matetic

A adaptação da viticultura aos impactos das mudanças climáticas necessita também ações concretas para a sustentabilidade. O Chile oferece vários exemplos interessantes, assim no vale de Casablanca onde os viticultores trabalham com vários ministérios e autoridades locais  na melhoria das metas de meio ambiente dos vinhedos.  O projeto prevê a exclusão de adubes químicos, a utilização de materiais reciclados ou eco-energéticos para construção das infraestruturas, bem como o compromisso de incluir na importante oferta enoturística da região a sensibilização dos visitantes aos grandes desafios de desenvilvimento sustentável da viticultura chilena.

No Quebec, enoturismo pode combinar com neve

A diversificação das atividades, sendo a primeira o enoturismo, é essencial para esticar a temporada de trabalho e trazer novas fontes de renda. Em todas as regiões vinícolas, da França até a California, da Argentina a Italia ou do Chile até o Canada, os viticultores experimentam novas ideias para atrair novos visitantes, e esticar a temporada de verão para as outras três estações do ano. Na primavera podem ser oferecidas atividades de poda, assim nos vinhedos franceses  Vignoble Alain Robert e Domaine Pierre & Bertrand Couly. O outono é a época das vindímas as quais alguns viticultores conseguem associar os turistas, assim no Canadá os vinhedos de Rivière du Chêne, Domaine & Vins Gélinas, Le Chat Botté, Orpailleur ou Saint-Gabriel. No inverno, a California oferece exemplos de animações bem sucedidas na Napa Valley. Visit Calistoga criou o Winter in the Wineries Passport, um passe dando direito a degustações gratuitas e a descontos em hotéis, spas e lojas da região.

Em Smith Haut Lafitte, antigas técnicas tragam soluções inovadoras

Os profissionais já está encontrando soluções para enfrentar as mudanças climáticas globais que estão impactando a vinicultura e consequentemente o enoturismo . Para responder ao novo mapa mundial que está se definindo, e assegurar o futuro das numerosas experiencias que estão sendo realizadas, o enoturismo está não somente se adaptando mas também se renovando.

Este artigo foi adaptado de um artigo original de Elisabeth Sirois na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat  

Chateau Malartic Lagravière , uma aventura dos dois mundos

Uma maquete de galião conta as origens da aventura do Chateau Malartic

Nas garrafas de Chateau Malartic Lagravière, um galeão de três mastros e três fileiras de canhões lembra que esse grand cru de Pessac Leognan tem uma historia peculiar. No final do século XVIII, o vinhedo foi comprado pelo Conde de Malartic, almirante do Rei Luis XV, que lutou do Quebec até as ilhas Mascarenhas onde morreu. Seus herdeiros administraram a propriedade até 1850 quando foi vendida para a Senhora Arnaud Ricard,  uma empresaria cujo padrasto era comandante da marinha mercante. Foi ele que levou para a propriedade a maquete do navio “Marie Elizabeth” que ele comandava e dentro do qual  envelheciam os barris de la Gravière.

O castelo continua sendo a residência familial

Os atuais proprietários, a família Bonnie, compraram o Château Malartic Lagravière em 1997. Seduzidos pela localização ensolarada dos 53 hectares, e pela classificação tanto dos tintos que dos brancos como Grand Cru Classé, tiveram logo a ambição de devolver a este vino um lugar de destaque, investindo em tecnologias inovadoras e savoir faire reconhecidos. Depois dos pais, Alfred et Michèle , são agora os dois filhos, Véronique et Jean-Jacques, que administram a propriedade, com duas grandes prioridades: preparar os vinhedos para as mudanças climáticas, ambientais e sociais,  e desenvolver o enoturismo oferecendo aos visitantes umas inesquecíveis experiências.

A reconhecida preocupação ambiental vai alem do vinhedo

O respeito pelo meio ambiente integra todo o processo de produção. O trabalho do solo com material orgânico, a aração das parcelas (algumas delas com cavalos), bem como o tratamento das parreiras sem inseticidas e sem herbicidas seguem as recomendações da agricultura racional. Foi assim que o Château Malartic Lagravière conseguiu em 2015 a classificação de « Haute Valeur Environnementale » (Alto valor ambiental), o mais alto dos certificados de boas práticas ambientais outorgados pelo Ministério francês da Agricultura. A família foi mais longe, levando as boas práticas para as construções, a fauna, a flora e a gestão dos riachos que atravessam os vinhedos, conseguindo assim uma certificação ISO 14001 (gestão ambiental).

Severine Bonnie, comentando pessoalmente as degustações com os visitantes

O Château Malartic-Lagravière ampliou a partir de 2019 sua oferta de enoturismo, focando experiências personalizadas e exclusivas. Devendo ser feitas com reserva antecipada, as visitas são organizadas pela equipe de Severine Bonnie. Com vários itinerários, « Premium Château », « Atelier fromages », ou « Cépages & Découverte », a descoberta das parcelas e das adegas sempre acaba com uma degustação. As ofertas mais procuradas são os cursos de cozinha com harmonizações que foram premiado em 2020 pelo Award Best of Wine Tourism  dos Great Wine Capitals.  Focando na gastronomia, Severine lançou também durante a pandemia “As 4 estações de Malartic”, um livro com 24 receitas de família que podem ser preparadas e degustadas durante os cursos, uma ideia criativa que foi consagrada com a entrega do Trofeu Enoturismo 2022. 

No pé da cordilheira, a aventura argentina do Chateau Malartic

A nova aventura do Chateau Malartic não podia ser limitada nas colinas da região de Graves. Em 2005 os Bonnie comprar perto de Mendoza, nos pés da Cordilheira, 130 hectares  no deslumbrante Clos de los Siete. Tendo aproveitado o savoir-faire acumulado pela família em Bordeaux, a bodega DiamAndes  se destaca hoje pela excelência dos seus vinhos elaborados com Malbec, Cabernet Sauvignon, Viognier ou Chardonnay. A imponência da sua arquitetura, sua imenso terraço com vista para os Andes e seus vinhedos, suas obras de arte, seu bar-restaurante aconchegante e sua adega impressionam o visitante fascinado por esse novo mundo do vinho.

O acerto na data das vindimas é a chave da qualidade do vinho

O vinho Rosé, xodó da Era do aquecimento global?

Com 34% da produção mundial – frente a Espanha, aos EEUU e a Itália -, a França é líder do setor, com varias denominações de origem para seus Rosés. Os mais conhecidos  vêm da Provence, que representam 19% da produção com as etiquetas de Côtes de Provence, Coteaux d’Aix-en-Provence ou Coteaux Varois-en-Provence. Nesses vinhedos emblemáticos são elaborados alguns dos Rosés mais caros do mundo. Mas a  primeira região produtora é a Occitania com quase 50% do total, as apelações Pays d’Oc  sendo as mais importantes. Outros vinhedos franceses, no Vale de Loire, na Savóia, em Bordeaux, e até na Champagne, produzem, e exportem, os seus rosés.

O Miraval do Brad Pitt produz o Rosé mais caro do mundo

Se os franceses continuam sendo os maiores consumidores com 35% do consumo mundial, o rosé atraia cada vez mais amadores dos Estados Unidos, da Espanha, da Alemanha e até do Brasil. Os enófilos apreciam agora sua diversidade. O pinot noir da uns rosés bem clarinhos, o syrah, o carignan e o merlot repassam cores mais fortes,  o grenache rosés alaranjados, e a uva cinsault cores quase amarelas. Novos consumidores são também seduzidos pela qualidade crescente, consequência dos esforços dos produtores que estão por exemplo esticando os tempos de guarda, hoje quase sempre superior a um ou até dois anos para os vinhos produzidos pela Associação internacional dos Rosés de terroirs.

A alegria e a simplicidade do rosé agradam os millennials

Revalorizado, descontraído e fácil de beber ( pode até “fazer piscina”, seja por uma pedra de gelo no seu copo sem que isso seja um crime), o Rosé aproveita as imagens de férias e de sol que ele carrega. Seus críticos falavam do Rosé de Provence, o mais famoso dos rosés, que quem o bebia não estava bebendo vinho. Bebia as oliveiras da Provence, as tardes ensolaradas, bebia os anciãos jogando bocha na pracinha do vilarejo, os campos de lavanda e o canto das cigarras. Outrora gozação, essas imagens de terroirs podem, em tempos de verões mais quentes e mais compridos, de ferias mais frequentes e de consumidores mais relaxados, ajudar o Rosé a virar o xodó do aquecimento global.

 


Segunda edição do Invino amplia mercado com novos players

Press release da Promonde, São Paulo, 28 de março de 2022

A Borgonha vai ser a grande vedete da segunda edicão do Invino

O francês Jean-Philippe Pérol, no Brasil desde 1976, sempre foi um visionário. Dirigiu os escritórios para as Américas da antiga Maison de la France, hoje Atout France, ocupando também a função de Diretor Geral em Paris da organização.  Foi o primeiro a acreditar nos anos 2000 na democratização das viagens internacionais para os brasileiros e apostar no potencial da então nova classe média para o turismo francês. Apaixonado por tecnologia, sempre alertou que as operadoras e agências de viagens eram os maiores parceiros dos Tourism Boards. Depois, no início dos anos 2010, entendeu a importância das mídias sociais, em especial o Instagram, como veículo de promoção de destinos, e criou campanhas icônicas com influenciadores digitais.

Vinho e turismo, o encontro de duas paixões

Quando deixou o turismo da França, apostou suas fichas na Amazônia e nas viagens com conteúdo. E percebeu, igualmente,  que o enoturismo no Brasil poderia ter um crescimento significativo ao longo dos anos. Criou, a partir daí, em 2019, o Invino Wine Travel Summit. A segunda edição acontecerá no Hotel Unique, no próximo dia 11 de abril. Abaixo ele explica o cenário atual das viagens de vinhos, a motivação para organizar a segunda edição e que novidades os profissionais de turismo poderão conhecer no evento. As inscrições estão abertas gratuitamente pelo site.

A pandemia causou uma paralisação das atividades turísticas. Por outro lado, essa cocoonização forçada promoveu o aumento no consumo de vinhos, inclusive com surgimento de um novo mercado. Quais as expectativas de vocês com relação ao enoturismo, nessa retomada das viagens?

JPP: A pandemia causou uma brutal retração de 84% do mercado mundial do turismo em 2020 passando de 1,5 bilhão a menos de 400 milhões. O enoturismo também sofreu, mas devemos ser otimistas porque as tendências surgidas com a crise vão dar um forte impulso nas viagens por três razões: o crescimento da gastronomia (e do vinho) nas motivações; a procura de temáticas e de conteúdos fortes e, por fim,  a resiliência do turismo de luxo que representa ume boa parte (mesmo se não a única) do enoturismo nacional e internacional no Brasil.

A Cité do Vin de Bordeaux, uma arquitetura enobrecendo o enoturismo

Um novo empreendimento turístico voltado para o universo do vinho surge na Borgonha. É a resposta da região à Cité du Vin, em Bordeaux, nessa saudável concorrência entre as duas regiões?

JPP: Na França, a questão Bourgogne/Bordeaux é tão viva quanto a direita/esquerda na politica ou PSG/Marselha no futebol. No contexto, Cité du Vin et la Gastronomie da Borgonha e da Cité des Cultures et des Civilisations du Vin, deve se anotar que são dois projetos totalmente diferentes. Com os dois estando presentes no evento de enoturismo Invino, o brasileiro poderá ver que são muito mais complementares que concorrentes.

Trata-se da segunda edição do evento. A Cap Amazon reuniu muitas informações sobre o mercado. Quem é hoje o brasileiro que consome enoturismo?

JPP: A primeira informação que devemos divulgar a nossos colegas do trade é o impressionante crescimento desse tipo de turismo no Brasil nos últimos anos. Quero especialmente destacar dois pontos que chamam minha atenção na preparação desta segunda edição. O primeiro, é que o consumo de vinho e de enoturismo atinge hoje uns perfis de consumidores muito mais largos, além dos tradicionais connaisseurs da elite social e econômica e dos descendentes de imigrantes europeus no sul do país. O segundo é que o enoturismo brasileiro é hoje uma grande realidade em São Paulo, no Sul e até no Nordeste, e que os agentes de viagens tem aí um grande potencial a longo mas também a curto prazo.

De Nordeste a Sul, o enoturismo brasileiro está em plena ascenção

Há uma diferença do enoturista brasileiro para o de outras nacionalidades?

JPP: Acho que temos que falar dos enoturistas brasileiros e não do enoturista brasileiro. Temos uma clientela tradicional e de alto padrão aquisitivo que procura um enoturismo de luxo e que costuma comprar muito vinho com grande rótulos. Essa clientela está crescendo, procurando novos destinos e sendo cada vez mais curiosa sobre vinhos diferentes. Mas temos também uma clientela nova, que precisa talvez ser mais acompanhada que os enoturistas franceses ou italianos, e é nesse momento que os agentes de viagens podem ter um papel muito importante!

Quais suas apostas em enoturismo para o próximo ano?

JPP: Muito Brasil. O doméstico vai ser sucesso no enoturismo, como o sul do país, mas São Paulo vai surpreender; a Argentina também, pela proximidade e preços interessantes; a França, claro. Países ou regiões menos conhecidas vão também aproveitar. A presença da Suíça e da Catalunha no Invino não são meras coincidências. Queria lamentar a esse respeito que a Moldavia teve que cancelar sua participação devido a guerra que está chegando a suas fronteiras orientais.

A Garzon virou um exemplo de sucesso enoturístico

Quais as novidades para a edição 2022 do Invino?

JPP: Uma edição mais internacional, com expositores vindo de 8 paises, e uma participação mais importante do trade do vinho – teremos por exemplo o  World Wine apresentando seus vinhos no coquetel de encerramento. A gastronomia vai ter também uma presença mais forte com um almoço do chef bourguignon Emmanuel Bassoleil, e – last but not least – uma apresentação dos Queijos da França que vão se harmonizar com os vinhos da Garzon, um encontro original entre o Velho e o Novo Mundo.

A quem o evento se destina e como se inscrever?

JPP: O Invino quer que os mundos do turismo e do vinho se encontrem mais e se conheçam melhor. Devemos, assim, contar com 80 buyers, agentes de viagens e operadoras querendo se implicar no enoturismo, e 40 jornalistas e influenciadores vindo tanto do turismo quanto do vinho. Os 30 expositores se dividem também entre os dois setores. A particularidade do Invino em misturar palestras, seminários e encontros com refeições harmonizadas e degustações vai ajudar a criar esse clima de intercâmbio e de convivialidade que tanto gostamos.

A Suiça se posiciona como um destino de enoturismo

Na Provence, um vinho rosé com sabor de férias e de prazer de viver

Os vinhedos da Montagne Sainte Victoire

Se fez sempre a unanimidade dos apaixonados da arte de viver, a Provence sempre foi um assunto muito polêmico quando se tratava de vinho. Talvez para aperrear a minha mãe – ardente mediterrânea -, o meu pai, quando perguntava para ele se queria um Rosé, gostava de responder “obrigado, preferiria um vinho”. E me explicava, durante as temporadas de verão que a gente passava em Tourettes sur Loup, que o charme do Rosé não era bem as suas uvas Grenache, Cinsault ou Syrah, seu sabor frutada ou seu frescor, mas a felicidade e as lembranças trazidas pela beleza das casas de pedras, a música das cigarras, os cheiros da “garrigue”, as partidas de bocha ou o balanço das oliveiras.

O Castelo de Miraval, do ex casal Brad Pitt e Angelina Jolie

Além de serem um pouco injustas, essas ideias devem hoje ser revistas à luz das novidades que foram acontecendo nos vinhedos e no enoturismo na Provence nesses últimos anos. Uma das mais famosas foi o investimento de Brad Pitt e Angelina Jolie que compraram em 2008 o castelo de Miraval, perto de Brignoles, e produziram o rosé considerado (pelas suas qualidades próprias ou dos seus donos) um dos melhores do mundo. Na mesma região, mas ainda com menos ambições enológicas, George Clooney está tentando adquirir o Canadel, um casarão do século XVIII cercado de uma propriedade de 170 hectares com alguns vinhedos também incluídos na apelação Côtes-de-Provence.

Os vinhedos da Chanel na ilha de Porquerolles

Antes mesmo do glamour desses pesos pesados de Hollywood, a notoriedade dos vinhos da Provence já tinha aproveitado os investimentos de grandes nomes do luxo e da excelência francesa. Procurando potencial vinícola, mas querendo também património cultural e turismo exclusivo, o grupo Bolloré explora duas propriedades perto de Saint Tropez, La Croix et La Bastide Blanche, LVMH comprou o Château du Galoupet, um dos “grands crus classés” da Provence, e o Château d’Esclans, um dos mais procurados rosés do mundo. A Chanel investiu na exclusivíssima ilha de Porquerolles com o Domaine de l’Ile e o Domaine Perzinsky.

O Miraval, segundo Rosé de Provence mais exportado para os Estados Unidos

Com esses apoios, os Rosés de Provence souberam aproveitar novas tendências no consumo do vinho, a alegria, a simplicidade, o prazer imediato, a a convivialidade. Na França o consumo triplicou desde os anos 90, e os Estados Unidos compram quase a metade das 40 milhões de garrafas exportadas anualmente. E no Brasil, se os volumes são pequenos, os rosés são proporcionalmente os vinhos franceses mais procurados. O sucesso internacional do Rosé de Provence é também visível localmente, nas 486 propriedades da região (89% produzindo Rosé) que aderiram ao enoturismo, diversificando suas vendas e suas atividades.

Norte americanos, ingleses ou brasileiros estão presentes nas vinícolas mais emblemáticas. São vistos no Domaine de la Courtade em Porquerolles, no restaurante estrelado do chef Gérard Passédat do Château La Coste,  onde fica também o chef argentino Francis Mallmann. Gostam das várias opções de hospedagens de luxo dedicado aos vinhos da Provence, incluindo as novidades como o Domaine de la Courtade , o Château de Fonscolombe, o Château Saint Roux ou o Palace das  Villas La Coste.  Guardando sua diferença, seu sabor de Mar Mediterrâneo, seu espírito de liberdade e seu prazer de viver, o Rosé de Provence está mesmo virando um vinho de conhecedor internacional.

Jean-Philippe Pérol

Invino Wine Travel Summit 2020 é adiado para novembro

CLAUDIO SCHAPOCHNIK

A Wine Paths destacando o Top Five das tendências do enoturismo para 2020

A Puglia, nova tendencia do enoturismo italiano

Começando uma nova década, o enoturismo se consolida como uma das grandes temáticas de viagem dos próximos anos, e alguns destinos já estão sendo destacados pelos especialistas. A Wine Paths, o site de referencia das viagens com temática de vinhos ou de bebidas espirituosas, que promove 52 regiões produtoras, famosas ou escondidas, anticipa que cinco delas deveriam surpreender em 2020. A liderança, ficou sem surpresa na Itália, ainda muito focada nos conceituados vinhos da Toscana , mas que deve agora atrair com outras regiões produtoras ainda esquecidas dos enoturistas. Valorizando as paisagens tranquilas e as maravilhas de vinicolas até então discretas do extremo sul da Itália, a Puglia, com vinhos fortes, elaborados a partir de uvas Sangiovese e Montepulciano, e harmonizados com um surpreendente culinário local, deve assim encabeçar o Top Five.

Piquenique harmonizado na beira do Rio Uruguai

O Uruguai se consolidou nos últimos anos como um grande destino do enoturismo internacional, tanto pelos seus vinhos encorpados que aproveitam a uva “Tannat”, que pela beleza dos seus imponentes  rios  ou a riqueza das suas numerosas especies de pássaros coloridos que derem o nome a este pequeno pais. Sobrevoado de balão ou de avião, percorrido nas suas rotas dos vinhos, o Uruguai é conhecido pelas belezas naturais, a  arquitetura colonial, as praias, a vida urbana, a simpatia dos moradores e seu ambiente agradavelmente antiquado. Com uma estabilidade social e uma democracia consensual, o pais oferece a seus visitantes uma invejável segurança. Um quadro ideal para visitar, em Carmelo ou Maldonado, algumas das mais premiadas e das mais criativas vinícolas do novo mapa mundial do enoturismo.

O oeste irlandês é a terra das tradições célticas e do “whiskey”

Considerada a mais selvagem e paradoxalmente a mais hospitaleira das regiões irlandesa, o Oeste irlandês é também conhecido pelo seu whiskey doce e frutado. A sua fama vem talvez dos seus numerosos pequenos vilarejos interligados por estradas espetaculares  que atravessam vales isolados, morros escuros, campos de flores amarelas e correntezas de aguas claras. A cidade principal, Galway, foi escolhida como capital europea da cultura em 2020 e vai ter uma programação intensa focada nos jovens, com destaque para espetáculos de teatro, música, dança e exposições, para seus famosaos pubs e sua gastronomia tradicional. O ponto alto da viagem é sempre a visita das destilarias de uísque irlandês, sendo a ajuda de um especialista local  sempre recomendada.

As adegas de Jerez na Andaluzia

A região de Cadiz, na Andaluzia, merece mesmo ser um dos destinos mais procurado pelos enoturistas em 2020. A fama do “triângulo Sherry” – e dos seus múltiplos vinhos fortificados Jerez, Xeres ou Sherry – se espalhou no mundo inteiro há séculos. Essa tradição se viva durantes as visitas das vinícolas, muitas delas com espetaculares adegas centenárias lembrando que Jerez de la Frontera tem uma longa história para contar desde a epopéia da Reconquista. Cadiz é não somente um outro ponto perfeito para excursões exclusivas, mas também uma cidade histórica com um grande acervo arquitetura, ruas estreitas que acabam na muralhas medievais, bares e restaurantes animados, feiras livres de peixes e praias encantadoras  banhadas pelo Oceano Atlântico.

Mendoza lidera o enoturismo argentino, mas a hora é também  de Salta

Hoje grande pais de enoturismo pela justa fama dos vinhos da região de Mendoza – que combinam um excepcional “terroir” argentino, o tanino e as cores do Malbec, e o “savoir faire” de investidores internacionais-,  a Argentina está agora mostrando a sua diversidade com novos destinos na Patagónia e nas províncias do Norte. Em 2020, a Wines Adventure, maior receptivo de enoturismo argentino, aponta o sucesso de  Salta onde encontram se alguns dos mais altos vinhedos do mundo ,produzido vinho branco Torrontes bem como tintos encorpados com uvas Cabernet, Malbec e Tannat. Itinerários nas vinícolas do Norte argentino podem também incluir as cataratas de Iguaçu, do lado argentino e do lado brasileiro.
E pensando no Brasil, será que a lista do Top Five 2021 da Wine Paths poderá incluir seu primeiro brasileiro?
Esse artigo foi traduzido da enews da Wine Paths editada no dia 10 de janeiro

Comprar vinhos na França, e as sugestões 2019 de “De Vinis illustribus”

De Vinis Illustribus, vinhos e atendimentos especiais no coração de Paris

Se vinhos de grandes qualidades podem ser encontrados mais perto, em Mendonça, no Vale de Colchagua, ou até nos arredores de São Paulo, os vinhos continuam sendo para os brasileiros uma das mais vantajosas opções de shopping na França. Podendo trazer de uma viagem internacional até doze litros, dentro do limite dos US$ 500 autorizados, volta cada ano a mesma pergunta: quais vinhos escolher, eonde comprá-los? O melhor conselho é de seguir seus gostos pessoais, e de priorizar as compras nas próprias vinícolas. Se os preços não são muito diferenciados, a beleza dos locais, a riqueza dos encontros, a descoberta e a compreensão de novos vinhos  sempre justificam a visita. Smith Haut Lafitte e Malescot Saint-Exupery em Bordeaux, Château La Coste na Provence, Ruinart e Moët & Chandon na Champagne, Corton Charlemagne, Domaine Long-Depaquit ou  Drouhin Laroze na Borgonha oferecem assim experiências inesquecíveis.

Sala de degustação do Smith Haut Lafitte

Para quem não tem a opção de ir nas vinícolas, e fora das liquidações das cadeias de supermercados, as lojas especializadas são sempre uma boa opção. Assim, em Bordeaux, existem a Vinothèque e a espetacular L’intendant que sempre têm ofertas interessantes. Em Paris , recomende-se a Lavinia ou a Bordeauxthèque das Galeries Lafayette. Entre a possibilidade de provar os vinhos, de encontrar garrafas excepcionais e de conseguir preços em conta, vale a pena experimentar uma pequena loja em Paris chamada “De Vinis Illustribus”. No coração do Quartier Latin, o enólogo Lionel Michelin e sua esposa Dominique oferecem seus “vinhos de aniversario” , vinhos de safra correspondentes ao ano de nascimento da pessoa presenteada. Lionel tem uma excepcional adega de vinhos raros e divide sua paixão oferecendo pessoalmente, com sua esposa Dominique, degustações e refeições harmonizadas para grupos ou individuais.

Degustação no De Vinis Illustribus

Pelo quarto ano consecutivo,  Lionel aceitou mandar as suas sugestões, uma seleção de seis vezes duas garrafas  cabendo nos US$ 500 autorizados pela Receita Federal. A seleção 2019 de DE VINIS ILLUSTRIBUS é a seguinte:

Champagne rosé GEOFFROY  : US$ 47

Um rosé elaborado com 100% de pinot noir Premier Cru. Com uma linda cor framboeza e bolinhas finas, redondo e suavo, esse champagne repleto de aromos de frutas é perfeito para um aperitivo festivo.

Meursault rouge “Les Criots” MILLOT  : US$ 37

Um raridade, esse vinho tinto representa somente 1% da apelação Meursault onde o domínio dos vinhos brancos é absoluto. Fácil de beber, impressionante de frutas vermelhas, este vinho elegante e suave é típico do pinot noir da Borgonha: fruta, fruta e ainda fruta. É perfeito para uma harmonização com vitela ou aves.  

Lionel escolheu dois Meursault na sua seleção 2019

Château MAUCAILLOU  2005 : US$ 51

Na margem esquerda de Bordeaux, tocando o terroir de Margaux, Moulis produz vinhos poderosos, densos, com bom potencial de guarda. O château MAUCAILLOU combina 58% de cabernet sauvignon, 35% de merlot e 7% de petit Verdot. Sua safra 2005, que recebeu 90/100 da revista Wine Spectator é um sucesso absoluto. Um nariz complexo abre com aromas de framboesa, cassis e cerejas. Na boca, esse vinho é amplo, com taninos macios. Um grand Bordeaux.

“Quadratur” COUME DEL MAS  2016 : US$ 37

Proveniente dos terroirs de xistos da região de Roussillon, esse vinho potente e concentrado combina uvas grenache e mourvèdre. Sua profundidade e seus taninos  permitem evoluções com a guarda, mas este Quadratur já oferece muito prazer quando harmonizado com cordeiro ou pratos com especiarias.

Meursault “Les Petits Charrons” MILLOT 2017 : US$ 42

Um grande Meursault  Côtes de Beaune, com vindimas feitas a mão que valorizam a quintessência do chardonnay. Com visual amarelo pálido, nariz rico e promissor, este vinho desenvolve aromas de flores brancas, de pêssegos e de amêndoas. O melhor da Borgonha numa grande safra.

INOPIA 2015 : US$ 28

Uma raridade vindo do Sul da França mas elaborado por  Lucien LE MOINE, um famoso viticultor vindo da Borgonha, com uvas grenache e syrah. Esse Côtes du Rhône tinto tem sabores de frutas vermelhas, de azeite e de mato da Provence. de fruits noirs, d’olive et de garrigue. Rico porém bem balanceado, é o companheiro ideal de pratos com especiarias.

Obrigado Lionel pelas suas sugestões 2019, e saúde, à ta santé!

Os hipermercados Leclerc, imperdíveis liquidações de vinho

No Les Sources de Caudalie, o luxo agora é emoção

Nascida nos vinhedos de Bordeaux, a visão de um turismo enraizado nos “terroirs” levou Alice e Jérôme Tourbier a desenvolver não somente o primeiro hotel categoria Palace da região, mas um verdadeiro conceito inovador e respeitoso do ecossistema. Também presidente de   Small Luxury Hotels of the World , Jérôme respondeu a uma entrevista sobre os desafios do turismo de luxo e a evolução do seu grupo hoteleiro .

Alice e Jérôme Tourbier, donos do grupo Les Sources de Caudalie

Vendom.jobs – Qual é sua apreciação sobre a situação da hotelaria de luxo na França?

Jérôme Tourbier – Há trê anos, no meu livro Turismo em perigo, eu chamava atenção sobre a necessidade de considerar o turismo como uma indústria estratégica e de apostar na criação de valor. Quis dizer que a França devia virar um destino de alto padrão, com o melhor ratio “custo /emoção”. Sendo um destino caro, devemos ter uma oferta de qualidade que marca emocionalmente o nosso visitante . Toda a oferta não pode ser de luxo, mas a emoção deve sempre estar presente para seduzir o viajante. Há hoje na França muitos empreendimentos de grande qualidade. Olhando agora além do lucro imobiliário, os investidores estão cada vez mais dispostos a apoiar esse tipo de projeto.

A piscina coberta de Les Sources de Caudalie

V. J. – Quais seriam as condições imprescindíveis para um turismo combinando qualidade e rentabilidade?

J. T. – Na França, se confunde as vezes turismo de alto padrão com consumidores ricos. Claro que todos querem receber o máximo de viajantes com muitos recursos, mas queremos priorizar também aqueles que são interessados pelo nosso patrimônio cultural. Esse equilíbrio é fundamental para valorizar nossa oferta e para proteger nosso savoir-faire. Desta forma, é possível sim ter estabelecimentos de alto padrão, podendo ou não ser de luxo. Existem no pais inteiro por exemple restaurantes com chefs implicados na procura de qualidade, a melhor prova sendo as recomendações do Bib Gourmand do Guia Michelin. A importância dessa oferta de qualidade, não somente gastronômica, é única no mundo.

Com Alice Tourbier frente a Ile aux Oiseaux das Sources de Caudalie

V. J. – A alma do Sources de Caudalie é a integração num patrimônio e num terroir, que trazem autenticidade e sustentabilidade?

J. T. – Quando o Les Sources de Caudalie foi reconhecido como o primeiro “palace” dos vinhedos, o fato de estar completamente integrado no terroir da região foi exatamente considerado excepcional. A nossa inspiração vem diretamente do vinhedo aonde nos constatamos nos últimos vinte anos que existe um luxo autentico diferente do das grandes cidades. Estamos procurando ir sempre mais longe na procura desse luxo, investindo na beleza e nas emoções. Os hóspedes não procuram somente um alojamento, mas querem atividades compartilhadas em volta do enoturismo que funciona como uma vitrine para os vinicultores, os artesãos, os artistas e os produtores locais.

Les Sources de Caudalie, “La Tour de la Dégustation”

V. J. – Pela sua experiência, quais são os próximos passos a seguir?

J. T. – Vimos que o luxo agora é emoção. Fora das capitais, acho que devemos insistir na autenticidade, sem cair na caricatura para poder aproveitar nossa realidade e nossa história  mas também levar em consideração as novas clientelas. Temos que mostrar a coerência dos nossos destinos, mas encontrar um equilíbrio combinando as atividades culturais, a gastronomia, o artesanato, a qualidade e a diversidade dos produtos. Um outro fator de crescimento é o numérico. Os profissionais do turismo estão acostumados a falar das consequências negativas da Internet, mas não devemos esquecer que foi ume revolução que criou extraordinárias oportunidades para promover novos destinos até então pouco aproveitados. Foi talvez o caso de Bordeaux.

O restaurante L’Étoile, do hotel Les étangs de Corot

V. J. – Quais são os principais projetos para o futuro do seu grupo hoteleiro?

J. T. – Especialistas do enoturismo, queremos investir em projetos nas grandes regiões vitícolas da França, começando no ano que vem com o Vale do Loire. Estamos acabando a construção do Les Sources de Cheverny, renovando um antigo castelo bem como uma vinícola, reabilitando um patrimônio histórico em total harmonia com as exigências de conforto mais contemporâneas. Nesta região que atrai numerosos turistas, esse novo estabelecimento terá a ambição de ajudar os hóspedes a descobrir as qualidades dos vinhos da região bem como as riquezas culturais dos castelos do Loire. Depois do Les Sources de Cheverny, outros projetos estão sendo estudados na Alsácia, na Borgonha, na Champagne e na Provence.

A suite Rouge Merlot das Sources de Caudalie

Este artigo foi traduzido e resumido de uma entrevista original de Jérôme Tourbier na revista on line Vendôm.jobs

Acordo Mercosul/ União Europeia: o turismo também?

Depois quase 20 anos, a perspectiva de um acordo histórico

Assinado  no último dia de Junho depois de quase 20 anos de negociação, o acordo entre o Mercosul e a União Europeia não deixou ninguém indiferente. De ambos lados do Oceano Atlantico e do Ecuador, políticos e defensores de interesses corporativistas já estão brigando – muitas vezes sem nem ter lido o texto – para defender ou atacar a sua ratificação pelo 31 países da nova área de libre comercio. Trata-se de o intercambio comercial de Euros 122 bilhões entre o segundo e o sexto maiores blocos econômico do mundo, o acordo não toca o diretamente o turismo, porém vai tem um impacto significativo na vida (e, portanto, nas viagens) de quase 800 milhões de pessoas, cancelando 91% dos direitos alfandegários, cuidando de bem estar e de liberdade dos consumidores, assim como de proteção do meio ambiente.

Os vinhos e os queijos franceses devem beneficiar-se com a queda das taxas

Desta forma, o consumidor brasileiro vai ver nos próximos anos o preço dos carros, das roupas e dos sapatos europeus cair em 35%, dos queijos franceses ou holandeses em 28%, dos vinhos franceses, portugueses ou italianos em 27%, do chocolate belga em 20%, dos biscoitos dinamarqueses entre 16 a 18%, e dos remédios franceses ou alemães em 14%. Ao mesmo tempo, a Europa ampliará as cotas e acabará com as taxas que hoje bloqueiam as exportações de setores extremamente competitivos, principalmente (mesmo se não somente) o agronegócio cujas produções de frango, carne bovina ou suína, sucos naturais ou frutas, têm a qualidade, o preço e o respeito da sustentabilidade  para competir com os melhores produtos da agricultura europeia.

A competitividade do agronegócio brasileiro deve aproveitar a abertura

A proteção das origens é um ponto crucial do acordo, sejam geográficas (Parme, Porto, Camembert ou whisky irlandês) ou “apelações” especificas (cachaça brasileira, vinho de Mendoza argentino), bem como a proteção das marcas ou dos direitos autorais. De forma geral, os serviços, que representam hoje mais do quarto dos intercâmbios entre a Europa e o Mercosul, não foram esquecidos no acordo. Correios, bancos, seguros, telecomunicações, transportes, investimentos ou aberturas de filiais serão facilitados. A grande maioria das empresas tanto do Mercosul quanto da Europa sendo pequenas ou medias, é prevista uma série de medidas para melhorar a sua competitividade e para ajudá-las a aproveitar as novas oportunidades que surgirão.

O e-comercio deve ser muito impactado pelo acordo

Mesmo se as viagens internacionais e o turismo não são mencionados em lugar nenhum, o acordo deve, com certeza, impactá-los por duas series de razões. Em primeiro lugar algumas das medidas anunciadas se aplicam também ao setor. As novas regras referentes ao e-comercio, suprimindo bloqueios desnecessários, dando mais garantias jurídicas as empresas e protegendo os dados dos consumidores vão ter consequências para as OTA (agencias on line), as operadoras e até as agencias tradicionais. As novas regras referentes a circulação de profissionais, a instalação ou a transferência de funcionários  devem incentivar as viagens de negócios bem como multiplicar os encontros MICE. Em segundo lugar, e mais importante ainda, o acordo Mercosul- Europa deve criar um clima de segurança e de otimismo, fortalecendo o Real, impulsionando a Bolsa. Serão, com certeza, fatores essenciais para o tão esperado crescimento do turismo receptivo e exportativo entre ambos os blocos. Aos profissionais resta torcer pela ratificação para aproveitar essa imensa oportunidade.

Jean-Philippe Pérol

Em três números, os motivos para o Brasil ser otimista