MSC agitando a bandeira da França

O Presidente Macron nos estaleiros da STX em Saint Nazaire

Se os cruzeiros são cada vez mais populares na França,  MSC virou há algumas semanas noticia nos principais jornais do pais. No dia 31 de Maio, o  Presidente Macron foi pessoalmente em Saint Nazaire assistir a entrega pelos estaleiros STX do  “MSC Meraviglia” para a  companhia de cruzeiros italo-suíça. Com 315 metros de comprimentos, 65 de altura, o navio gigante pode hospedar 5700 passageiros com excepcionais condições de conforto, sendo o maior e o mais avançado já construído na França e na Europa. Para o Presidente francês, a construção foi uma proeza técnica e humana da industria nacional, um sucesso que será confirmado pela entrega em 2019 do navio irmão “MSC Bellissima” e com a encomenda da MSC de quatro outros navios somando mais de 4,5 bilhões de Euros.

O Meraviglia saiu de Saint Nazaire com mais de 2000 convidados, engenheiros, técnicos, políticos, jornalistas e agentes de viagens. Em Le Havre, o porto da Normandia que festeja esse ano os seus 500 anos, foi a vez do primeiro ministro francês, Edouard Philippe, de receber o navio para a inauguração oficial. A festa foi a altura das ambições dos parceiros da industria dos cruzeiros na França: discursos, shows de musica, fita com garrafa de champanha cortada pela atriz italiana Sophia Loren, desfile das tripulações, fogos de artificio, espetáculo do Cirque do Soleil, e um jantar de gala preparado pela famosíssima chef estrelada  Hélène Darroze. O Presidente da MSC aproveitou para lembrar as metas da sua empresa: onze novos navios nos próximos dez anos, e 3 milhões de novos passageiros -passando de 1,8 milhão hoje a 4,8 milhões em 2026.

A loja de chocolates do Jean Philippe Maury no MSC Mareviglia

Se o MSC Mareviglia tem casino, teatro, piscinas, simulador de Formula 1 ou de Star Wars, spa, e até geolocalização para crianças, a “French touch” não foi esquecida na gastronomia, nas adegas de vinho, no salão de beleza do cabeleireiro Jean Louis David ou na loja de chocolate do chef Jean-Philippe Maury. O toque francês – e o posicionamento em Le Havre, perto de Paris- é uma escolha estratégica da MSC para aumentar os cruzeiros com destino a Alemanha, Escandinávia, Escócia, Inglaterra ou Irlanda. E com mais de 50 saídas previstas de Marselha  já em 2017, a ambição é de desenvolver o mercado francês que ainda não passa de 600.000 cruzeiristas (menos que o Brasil no auge das temporadas de 2010/2011), enquanto a Alemanha já passou de 2.000.000.

Air France e MSC numa cooperação estratégica

A aproximação da MSC com a França se concretizou também com um acordo de cooperação global entre Air France e a empresa italo-suíça, incluindo vôos especiais para os portos de saídas dos cruzeiros, tarifas “Air Sea”, pacotes com serviços exclusivos, e maior flexibilidade nas ofertas. Trabalhando em comum desde 2014, especialmente na comercialização de voos charters para Santo Domingo e Cuba, as duas empresas esperam que esse novo acordo, assinado no ultimo dia 6 de Junho com um prazo de três anos, leva 250.000 cruzeiristas para voar com Air France, KLM ou Hop, um numero que deverá crescer de 60% até o final da década. Mais razões para MSC agitar com muita força a bandeira da França.

No Brasil, um voo especial da GOL leva os cruzeiristas da MSC para a ilha francesa da Martinica

Esse artigo foi inspirado de um artigo de Serge Fabre na revista profissional online La Quotidienne. 

A cerimônia inaugural do Meraviglia no porto do Le Havre

As ambições de grandeza das companhias de cruzeiros

O MSC Orchestra com cruzeiros saindo de Fort-de-France na Martinica

O MSC Orchestra, iniciando cruzeiros em Fort-de-France na Martinica

Ocean Cay MSC Marine Reserve ainda não passa de uma ilhota deserta das Bahamas a cem milhas de Miami, mas vai virar, daqui a dois anos  um pequeno paraíso artificial,  privativo dos passageiros da MSC. OCEAN CAY MSC TERMINALA ilha oferecerá 38 hectares exclusivos, com seis praias, uma lagoa, vários parques, um pequeno vilarejo “típico”, restaurantes, bares, um pavilhão para casamentos e um teatro de 2000 lugares para shows.  A chegada do cruzeiro inaugural, no navio Seaside construído no estaleiro de Saint-Nazaire,  está marcada para dezembro 2017, com a presencia do primeiro ministro das Bahamas que sonha receber   em Ocean Cay centenas de milhares de turistas por ano. Enquanto MSC prepara a sua ilha, as ambições dos seus concorrentes não param. A Crystal Cruise acabou de lançar nas Seychelles um iate de 32 cabines com um submarino para explorar o fundo do mar. A Royal Caribbean vai inaugurar o Harmony of the Seas, o maior navio do mundo, também construído em Saint-Nazaire, com 5500 passageiros e 2380 tripulantes. E a Costa, do grupo Carnival, acabou de lançar uma volta ao mundo de 108 dias para 2000 clientes, com pacotes iniciando a 13.000 USD e escalas previstas em Marselha, Rio de Janeiro, Ushuaia, Bora-Bora, Sidney, Goa, e Omã…

Pôr do Sol em Bora Bora

Pôr do Sol em Bora Bora

A desaceleração da economia chinesa, as ameaças no crescimento mundial, as crises, e até mesmo o drama do Costa Concordia, nada parece frear o sucesso dos cruzeiros junto aos viajantes. 2015 deve fechar com um crescimento de 7% da industria, a MSC devendo mesmo chegar a 10%. Nas bolsas de valores os americanos Carnival e Royal Caribbean, bem como o norueguês NCL mostram uns lucros em alta e uma rentabilidade de quase 11%. Os bons resultados do mercado chinês – onde o numero de passageiros deveria passar de 1,3 a 3 milhões até 2018 – deixam os investidores otimistas para o futuro.

Os grandes concorrentes do setor estão cada vez mais criativos e os investimentos cada vez mais impressionantes. Assim a MSC, controlada pela família Aponte, está dobrando o tamanho da sua frota, se diversificando alem do Mar Mediterrâneo, e fazendo upgrade dos seus produtos. Destacando a elegância e o refinamento da marca, apoiado numa musica de Ennio Morricone, uma nova campanha de 70 milhões de dólares vai ajudar a reposicionar a marca. Cruzeiro fluvial na AmazôniaEm 2016 serão 27 navios novos para todo o setor, um investimento global de 6,5 milhões de dólares para acomodar 30.000 novos passageiros. É o maior crescimento anual da oferta, já prevendo 29 milhões de cruzeiristas em 2020. Pode parecer otimista – foram 23 milhões em 2015 – mas a industria dos cruzeiros está com razão de sobra para isso. A Europa ainda tem um imenso potencial ( somente 2% das ferias são aproveitadas num navio), a Ásia continua o seu crescimento de dois dígitos, os cruzeiros fluviais estão na moda, a Austrália está progredindo rápido e o Brasil ainda é uma esperança sólida.

O Harmony-of-the-seas em Saint Nazaire

O Harmony-of-the-seas em Saint Nazaire

O maior potencial de crescimento dos cruzeiros pode vir duma mudança do próprio sentido desses cruzeiros. Outrora meio de transporte agradável para uns destinos turísticos que os passageiros estavam descobrindo  a cada escala, o navio vira hoje ele mesmo um destino turístico independentemente do seu roteiro. As escalas poderão aparecer meros opcionais, com menos de 50% dos passageiros descendo, e com gastos no local cada vez mais baixos, porque o próprio navio oferece tudo (ou quase) que um destino pode ter de melhor: bares, restaurantes, piscinas, lojas tax-free, espetáculos inéditos, centros de lazeres…. E o exemplo de Ocean Cay mostra que as  escalas poderão também ser substituídos pelos paraísos artificiais das companhias de cruzeiro. Mesmo?

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Denis Cosnard do jornal Le Monde 

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Veneza: mais perigos para a Sereníssima!

Os monstros em Veneza!

Monstros em Veneza, isso era o nome da exposição de fotos que devia ser inaugurado no Palácio dos Doges pelo famoso fotografo italiano Gianni Berengo Gardin. Aproveitando o 72mo aniversario da Mostra, e a Bienal Internacional de Arte, o artista queria denunciar, com uma série de 27 impressionantes fotos em preto e branco, os perigos que representam os navios de cruzeiro gigantes que navegam no canal da Giudecca ou vão beirando as costas no “inchino” que já derrubou o Costa Concordia. Já expostas em Milano, essas fotos relançaram o debate sobre a proibição desses monstros no Centro histórico de Veneza cujos 50.000 habitantes não suportam mais as ameaças sobre a arquitetura e o meio ambiente.

O Prefeito de Veneza, Luigi Brugnaro, não gostou das fotos e decidiu proibir a exposição. Mais sensível as consequências financeiras a curto prazo (2 milhões de pessoas descem dos cruzeiros cada ano),  ele defende a permanência desses navios gigantes que o governo italiano quis proibir sem sucesso em 2013, GONDOLESe empurrou para frente a escolha entre varias soluções propostas para resolver o problema: uma plataforma flutuante fora da cidade (mas teria que propor traslados incómodos para os passageiros e as suas bagagens), um novo terminal no porto industrial de Marghera, ou a construção dum novo Canal evitando a Praça São Marcos. Moradores, ecologistas e profissionais do turismo, estão seguindo os avanços para  uma solução que permitiria, sem proibir os turistas ou os navios de cruzeiro, preservar o acervo de Veneza.

Gianni Berengo Gardin

A preocupação dos amigos da Sereníssima com o novo Prefeito vão alem da arquitetura. Denunciado em várias ocasiões – inclusive num artigo da Mr Mondialisation -, Luigi Brugnaro já censurou varias manifestações culturais. Sob os protestos de artistas como Adriano Celentano e Elton Jones, proibiu mais de 49 livros nas escolas e nos colégios da cidade porque não gostava de conteúdos com temáticas ligadas ao racismo, as deficiências ou a homofobia. Carnaval de VenezaCriticado em todas as mídias da Itália, ele insistiu e mandou também proibir a Gay Pride, até agora organizada com sucesso nessa cidade com grandes tradições de festas e de Carnaval. Mas é provável que Luigi Brugnano será obrigado a recuar. De Goethe a Ernesto Hemingway e de Proust a Byron, foram tantos os escritores  inspirados por essa cidade mágica da qual Truman Capote dizia que “Descobrir Veneza é comer uma caixa inteira de chocolate com licor duma vez só…”!

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista profissional Pagtour.net

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Somos todos tunisinos!

Sidi Bousaid, Tunisia

Sidi Bou Said

Se as primeiras vítimas do atentado de Túnis foram os 20 turistas estrangeiros e o policial massacrados pelos assassinos, o alvo deles parece ter sido em primeiro lugar o turismo tunisino e seu peso excepcional – 7% do PIB e 400.000 empregos – na economia desse pequeno país. Depois duma queda de 3,2% em 2014, a tendência era de claro crescimento, mas os tiros do Museu do Bardo mataram qualquer perspectiva para voltar aos 7 milhões de turistas recebidos antes da Revolução do jasmim. JORNAL LIBERATIONAs companhias de cruzeiros MSC e Costa cancelaram todas as suas escalas até nova ordem, redesenhando os seus itinerários, e as maiores operadoras da França  já pararam de vender passeios e excursões. A TUI, operadora alemã muito presente na Tunísia, também cancelou as suas excursões, pedindo para os clientes não sair dos seus resorts. Se o jornal Liberation chocou os franceses com um radical “Acabou a Tunísia, acabou o turismo”, e se inúmeros internautas proclamaram “somos todos tunisinos”, a realidade é mesmo que as reservas estão parados ou em forte queda. E segundo o presidente do SNAV, o sindicato das agencias de viagens da Franca, essa tendência vai também atingir os outros países árabes ou muçulmanos.  EU SOU TUNISIANO O mapa dos destinos seguros, que já exclui  a quase totalidade da África e do Oriente médio, bem como boa parte da Ásia, vai ficar ainda menor. ( A notar que o Brasil ficou também nos países de risco significativo – com algumas áreas de alto risco  nas fronteiras paraguaia ou colombiana, sem duvidas uma das razoes pelo qual o seu turismo receptivo fica encalhado no mesmo patamar de seis milhões de turistas que a pequena Tunísia).

MAPA GEOS DAS AREAS DE RISCOS

Mapa Geos das areas de risco

A segurança já é , junto com o preço e a qualidade, um dos três grandes critérios de seleção dos destinos.Café_des_Nattes_in_Sidi_Bou_Said Os viajantes da melhor idade, as famílias, os escolares, as crianças, ninguém aceita mais a falta de segurança dos locais turísticas, a delinquência ou o risco de agressão. Mesmo se uma forte corrente de simpatia abraçou a Tunísia no mundo inteiro, os turistas só voltarão a invadir as praias de Djerba ou de Hammamet, a comprar os artesanatos de Nabeul ou de Sfax, a passear na oásis de Tozeur, a olhar o túmulo de Massinissa em Dugga, ou a tomar um chá com pinhões no tão charmoso Café des nattes de Sidi Bou Said, Sinagoga de Djerbase resultados convincentes são mostrados pelas autoridades em termos de segurança publica. A imensa onda de solidariedade com a Tunísia poderá então se transformar numa nova realidade turística . Queremos todos ser tunisinos.

Jean-Philippe Pérol

Tozeur

Oásis de Tozeur

Cruzeiros e meio ambiente: tem que salvar Veneza!

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Pode se amar ou odiar a Serenissima Republica, e sua historia egoísta e brutal, mas Veneza é sem duvida um dos lugares mais marcantes do patrimônio cultural mundial. Ameaçada pelas marés (o fenômeno da ‘aqua alta’), pelas mudanças climáticas e pelo afundamento das construções no solo instável da laguna, a cidade sofre também cada vez mais dos estragos causados pelos gigantes navios de cruzeiros que entram no coração dos canais. Proibida há alguns meses pelo governo italiano, as limitações   para os navios de mais de 40.000 tonas foi revogada pela justiça regional.

Essa decisão é uma triste vitória para as companhias de cruzeiros. E espera se que um novo julgamento, previsto em junho, vai derrubar essa decisão que não leva em consideração o estrago feito por esses navios nas fundações da cidade. foto[2]A esperança vem das fortes reações dos políticos italianos. Gian Luca Galletti,, o ministro do meio ambiente, declarou que a decisão seria respeitada mas que ia tentar encontrar uma solução para os navios parar de passar na frente da Praca Sao Marcos, uma situação que seu colega do turismo, acho inconcebível.A lei que foi revogada, votada depois do acidente do Concordia, era porem minimalista. So atingia mesmo  os navios de mais de 96.000 toneladas que seriam proibidos a partir de novembro desse ano, e reduzia de 20% o trafego dos navios de mais de 40.000 toneladas a partir de janeiro. Assim mesmo não foi aceita pelas grandes companhias de cruzeiros.

A « Cruise Lines International Association » , que reúne as maiores delas, ja avisou que quer encontrar uma solução para esse problema, tentando conciliar os importantes interesses econômicos e a preservação ambiental de Veneza. NUIT SAINT MARC 2Mas tanto a Royal Caribbean International que a Celebrity Cruises estão ainda pedindo para esticar os prazos e parecem um pouco relutante a aceitar que os seus maiores navios ficam fora da laguna, alegando que o espetáculo da Serenessima dos decks dos seus navios é o momento mais forte nesse destino.

Se tem agora que espera a nova decisão dos juízes, é também certo que essas grandes companhias não serão insensíveis ao impacto que uma atitude negativa terá sobre a sua imagem.JPP PB Os profissionais do turismo, os turistas, e os amantes da cultura universal devem então manter a pressão,  manifestando a sua indignação e sua vontade de ver as extraordinárias belezas de Veneza continuar a integrar o nosso patrimônio cultural e turístico.

 

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Jean-Philippe Pérol

Esse artigo é uma adaptação dum artigo original do Serge Fabre publicado na revista profissional on line PAGTUR. Para acesso direto ao artigo original em francês, por favor clicar aqui.

Miami Cruise Shipping: novas tendencias em cruises, e em Miami

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Com mais de 10.000 visitantes, 900 expositores vindo de 127 países, e mais de 2000 delegados – incluindo todos os grandes executivos do setor – na imperdível sessão inaugural “State of the Global Cruise Industry”, a trigésima edição desse sênior evento foi um sucesso tanto para os organizadores que para as cidades de Miami e Miami-Beach.carnival-valor-cruise-ship-passes-miami-beach-free-wallpaper-1600x1200
Dos quatro dias de encontros, conferencias e conversas, dos paineis com os representantes de Carnival Corporation & plc, Royal Caribbean Cruises Ltd, Norwegian Cruise Line ou MSC Cruises, alguns pontos fortes parecem ser as novas tendências da indústria.

1. Os cruzeiros deixaram definitivamente de ser um produto norte americano. 51% dos clientes são oriundos dos Estados Unidos, mas a Europa (inclusive agora a França) continua de crescer e o Brasil virou o sexto mercado mundial com 3,4% do total.

2. Os destinos também estão cada vez mais diversificados, são 400 portos no mundo brigando por navios. fotoA Ásia é agora a primeira prioridade, tanto pelo mercado potencial que pelo atrativo dos numerosos destinos. A América Latina é agora distanciada, uma das razoes, destacada no painel sobre as Américas, sendo a impressionante burocracia e os altíssimos custos operacionais dos portos brasileiros.

3. Os agentes de viagens são mais do que nunca o canal de distribuição preferido das grandes companhias de cruzeiro. Depois de dois anos de problemas e de duvidas elas parecem ser mais convencidas do que nunca que um intermediário qualificado e de confiança é a chave de vendas bem sucedidas. As vendas diretas, via Internet ou não, não parecem mais ser uma prioridade de ninguém.

4. Os destinos ficam cada vez mais preocupados pelo impacto econômico dos cruzeiros. Com menos da metade dos passageiros descendo dos navios, com um nível de gasto por menos inferior a 100 usd, os responsáveis procuram ser mais criativos para ter um ROI justificando os investimentos. fotoNas ideias mais interessantes, nota se o ‘Cruise Day’ criado em Hamburgo para associar a população local e os outros turistas, a diversificações das ofertas de excursões combinando com os perfis dos passageiros, ou o marketing agressivo de Sint Marteen junto aos tripulantes que chegam a comprar mais que os próprios turistas. Esses esforços são chaves para o futuro, a concorrencia maior sendo dos próprios navios que viraram também, com seu conforto, oportunidades e serviços, verdadeiros destinos turísticos competitivos.

5. A França se destacou mais uma vez. foto (3)Único pais do mundo a ter portos nos três oceanos, teve  um espaço organizado pela Atout France onde a Provence , a Côte d’Azur e a Corsica vieram com forte participação. A força do destino vinha também de outras delegações, dos portos de Atlantico (Bordeaux não perdeu um evento nos últimos 30 anos), da Martinica, da Guadalupe, de Tahiti e de Saint Martin.

As novidades do setor de cruzeiros não foram as únicas que foram percebidas nesse Miami Cruise Shipping. Miami Beach também esta cheia de novidades, seja nos hotéis com varias aberturas ou renovações (adorei o novo James Royal Palm), seja nas lojas cada vez mais bem atualizadas. É também interessante de perceber que a cidade é muito consciente das crescentes exigências culturais dos turistas, e o Perez Art Museum Gallery esta virando uma imperdível opção!

Foto do blog brasilafrancesa.com da Caroline Putnoki

Foto do blog brasilafrancesa.com da Caroline Putnoki

Jean-Philippe Pérol

Cruzeiros no Brasil: a última novidade vem da França, mas as tendencias são mundiais !

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A grande novidade da temporada de cruzeiros 2014 nas costas brasileiras vem da França. Foi de Saint Nazaire, onde foi construído nos antigos Chantiers de l’Atlantique, que zarpou pela primeiro vez o MSC Precioza , para uma viagem inaugural até Marselha. Além de um conforto e de facilidades excepcionais em restaurantes, bares, piscinas ou lojas, o navio  tem  uma área VIP com atividades diferenciadas e um parque aquático único com o Vertigo, um tobogã de 120 m de comprimento. Podendo receber 4360 passageiros, esse resort de luxo flutuante vai com certeza dar mais um impulso para os cruzeiros no Brasil. O setor multiplicou por seis desde o início do século, seduzindo em 2013  762.000 passageiros, e está impactando todo o turismo no Brasil com uma movimentação estimada em 1,4 bilhões de reais.

No mundo inteiro os cruzeiros estão tendo um sucesso impressionante.  Outrora quase exclusiva de aposentados americanos, a clientela se diversificou. imageDos 20 milhões  de ‘cruzeiristas’, hoje 6 milhões são  alemães, ingleses, italianos, e também brasileiros ou franceses. Alguns mercados, em primeiro lugar a China, são muito promissores. Com um  custo benefício muito competitivo, aproveitando o sucesso dos cruzeiros temáticos (familiar, cultura, gastronomia, concertos, solteiros, gays…) , as companhias conseguiram também atrair novos segmentos de clientes.

O impacto junto aos agentes de viagens é também extremamente positivo. Empurrados por intensas campanhas promocionais, os cruzeiros são muito procurados nas agências. As companhias marítimas ainda respeitam muito os intermediários e procuram pouco as vendas diretas, a web não sendo por enquanto uma opção fácil para escolher o seu navio, sua rota e sua cabine.  Muitos agentes se qualificaram nisso, e as vendas dos cruzeiros são por esses motivos responsáveis de mais de um terço das receitas das agências de viagens americanas. A situação mudará  quando as companhias se sentirão bastante forte para  apostar mais na web e nas vendas diretas, mas por enquanto o setor tem nos cruzeiros uma grande oportunidade.

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Tem agora o ponto de vista global dos destinos. Hoje os portos das grandes cidades turísticas investem para atrair os grandes ou pequenos navios. As companhias parecem solicitar das autoridades numerosas vantagens ou ajudas, tanto ao nível fiscal, operacional ou promocional. O retorno vem com os  suprimentos para armar os navios, os pre ou pós tours, e os excursionistas que descem dos navios para aproveitar belezas e lojas do local.  Mas as despesas deles são cada vez menor (97 USD por passageiro, estagnado há 15 anos), e  os passageiros descem cada vez menos (hoje a metade do total, e continua caindo).

Algumas dúvidas começam então a surgir em relação ao ‘retorno sobre os investimentos’. Seriam os cruzeiristas novos clientes ou viajantes desviados de pacotes tradicionais ? Até onde apoiar barcos gigantes  escapando de tributações , com tripulações de 90% estrangeiros, e com passageiros gastando em terra metade dos turistas tradicionais, vai ajudar o crescimento do turismo no Brasil?

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Vai, sim. Vendo o sucesso de destinos como Saint Martin, Alasca, Barcelona ou Marselha , ė claro que  a economia brasileira pode ganhar muito com esses novos navios. Mas  a estratégia  tem que incluir algumas ideias chaves para os cruzeiros poderem contribuir ao sucesso da indústria nacional do turismo:

– os dois pontos mais importantes para atrair novos navios são a ausência de burocracia e a confiança no futuro. As companhias na verdade não querem ser ajudadas, só não querem ser atrapalhadas ou exploradas. Foi lembrado no último ‘Sea Cruise Shipping’ de Miami que a concorrência internacional não permite um ‘custo Brasil’ nesse setor. Os regulamentos têm que ser padronizados, e Santos não pode mais cobrar seis vezes mais que Barcelona, nem os práticos de Belém ou Salvador serem os mais caros do mundo.

– para melhorar as receitas, tem que facilitar os desembarques, e aproximar ao máximo os navios dos locais de visitas e de compras de cada destino. As excursões organizadas pelos profissionais locais são chaves não somente para incentivar a descer e descobrir as riquezas das escalas mas também para integrar cruzeiros e indústria do turismo. Enfim os investimentos para atrair cruzeiristas internacionais não devem ser imediatistas. Claro que gastam menos que os outros turistas (no Brasil 600 usd contra 1200), mas o importante é que 40% deles voltam nas escalas visitadas.

– se o Precioza e os outros 10 gigantes previstos para 2014 são os pesos pesados da indústria dos cruzeiros, muitos imagebarcos menores, muitas vezes de luxo (foi a escolha bem sucedida de Cannes ou Saint Tropez) oferecem outras oportunidades tanto de operações como de marketing. Mais personalizados, mais ágeis, mais sofisticadas para os clientes, eles podem ser mais adaptados aos novos nichos de mercado, assegurando mais valor agregado e mais retorno para os destinos. Os cruzeiros fluviais, cada vez mais populares,  são também um nicho promissor.

Com menos navios, e uma previsão de somente 650.000 passageiros, 2014 será um ano mais complicado, e a Abremar tem razão de avisar que a assombrosa burocracia é um obstáculo maior. Mas devemos acreditar que será removido e que, integrados ao trade brasileiro, completando a estratégia do setor e atraindo novos turistas, os cruzeiros  têm, para as companhias marítimas e para todo o turismo no Brasil, um campo imenso pela frente.

Jean-Philippe Pérol