Olhando para China, quais novas rotas para retomada do turismo?

Turista chinesa em Pequim

Enquanto a WTTC alerta para a possibilidade de chegar a 75 milhões de desempregados no turismo mundial,  e que os profissionais brasileiros enfrentem a pior crise econômica e social vivida pelo setor desde a Segunda Guerra, deve ser lembrado que a extraordinária resiliência do turismo levará em breve a uma retomada que pode ser tão surpreendente que a paralização que estamos vivendo. Se é unfelizmente difícil de prever quando os turistas vão recomeçar a viajar, e quais mudanças nos comportamentos vão com certeza aparecer, já pode ser observados as primeiras tendências no mercado chinês. Na China, primeiro pais atingindo pelo virus, as grandes operadoras de turismo já estão assinalando as primeiras reservas de viagens nacionais e internacionais, mostrando os passos do caminho da retomada.

Ctrip Rebrands to Trip.com

Com a crise, Ctrip, agora Trip.com somente adiou as suas ambições

Qunar e Ctrip, duas das maiores agencias online chinesas, ficaram dois meses completamente paradas mas recomeçaram a aceitar reservas a semana passada, seja menos de quatro meses depois do inicio da crise em Wuhan. Na Qunar os clientes já podem escolher entre mil pacotes para todas as cidades ou regiões da China onde não existem restrições de viagens e onde os governos locais estão incentivando a reabertura , como Shanghai, o Xinjiang e o Sichuan. A Ctrip tem um aplicativo que  recomeçou a aceitar reservas, oferecendo passagens e pacotes para 1449 destinos turísticos chineses, seja 40% do total. Para esses dois lideres, e para outras grandes operadoras,  parece assim muito claro que a retomada vai privilegiar numa primeira fase o turismo domestico.

O Festival de Songkran na Tailândia

Os profissionais chineses esperam também uma retomada das viagens internacionais antes do final de Abril para os países que estarão prontos a reabrir suas fronteiras. Poderia ser o caso da Tailândia, onde o presidente da « Tourism Authority of Thailand » (TAT), está atuando junto com o governo, as autoridades sanitárias e os profissionais para ficar pronto antes do 13 de Abril, dia do ano novo budista. Muitos especialistas são mais cautelosos, os obstáculos sendo não somente  melhorar as normas e os controles sanitários, mas também conseguir ganhar a confiança dos turistas que são agora atentíssimos a estas questões, e temem participam de grandes agrupamentos. A Tailândia pode porem ser otimista, os destinos de proximidade devendo ser os primeiros a beneficiar da retomada das reservas de viagens internacionais.

Bleisure, this booming social style

O bleisure pode ser um dos primeiros segmentos a aproveitar a retomada

Se é impossível fazer previsão de datas, o exemplo chinês mostra que essa crise, como muitas outras antes, poderá começar a ser superada em quatro meses, e que a retomada deve ser concentrada em primeiro lugar no turismo nacional e nos destinos internacionais de proximidades. Alguns segmentos poderiam também recuperar mais rapidamente que os outros. A legitima vontade dos governos de priorizar a economia deve provavelmente favorecer as viagens de negócios, incluindo para as feiras internacionais que terão sido adiadas ou mantidas, as viagens individuais ou as viagens de “bleisure” combinando negócios com estadias de lazeres para esquecer os dias de confinamento.

Cruzeiros em navios menores pode ser uma das novas tendências

Assim como os responsáveis do turismo da Tailândia, os especialistas vão seguir com muita atenção a volta dos turistas chineses e as novas tendencias desenhadas pela crise do coronavirus, com mais preocupações referentes a saude, aos seguros de viagem, a qualidade dos equipamentos sanitários ou a higiene dos destinos. A crise poderia também levar a reavaliar as agremiações gigantes que mostraram fragilidade. O tempo poderia ser do “small is beautiful”, seja na escolha de cidades menores, de navios pequenos ou de eventos de tamanho mais humanos. O turismo vai com certeza se reerguer mais rapidamente que esperado, mas a retomada vai com certeza seguir novas rotas que devem ser antecipadas.

Esse artigo foi inspirado de um artigo original de Serge Fabre na revista francesa profissional on-line La Quotidienne

Da devoção a Nossa Senhora a magia da tecnologia, a festa das luzes de Lyon

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Padroeira da cidade desde 1643, quando os habitantes fizeram uma promessa para afastar uma epidemia de peste, a Virgem Maria era homenageada em Lyon com um evento solene. Cada dia 8 de Setembro, uma procissão popular saia da Catedral Saint Jean até os edifícios religiosos do morro de Fourvière. Fourviere_3612-2Em 1852, na véspera da inauguração duma nova estátua  da “Virgem dourada de Fourvière”, um forte enchente do Rio Saone obrigou o arcebispo de Lyon (e Cardeal Primaz das Gálias) a adiar o evento para dia 8 de dezembro, dia da Imaculada Conceição.

Seguindo a proclamação do Segundo império francês, a festa virou um evento mais excepcional ainda. Lumignons_fete_des_Lumieres_Lyon_8-12-2013A Igreja e as autoridades de Lyon quiseram ampliar a participação popular pedindo a todos os lionenses de iluminar suas casas com velas e círios. Milhares de “lumignons” foram colocadas nas janelas das residências e dos edifícios públicos, nas ruas e nos cais dos dois rios que cercam a cidade. Tinha nascida a Festa das Luzes.

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Esse evento de fé, católico e popular, tomou um novo impulso a partir de 1989 quando o novo prefeito decidiu reforçar-lo com uma festa artística profana, entregando durante quatro dias os edifícios da cidade a artistas e técnicos da iluminação. Hoje a Festa das Luzes, “Fêtes des Lumières”, virou uma referencia mundial, um grande espetáculo visto por milhões de turistas vindo para admirar as realizações de artistas que competem em beleza e criatividade nas iluminações da cidade. Esse ano varias obras de arte vão chamar a atenção dos visitantes. A catedral Saint Jean vai ser transformada com um jogo de luzes multicolor de Yves Moreaux. Na famosa praça dos Terreaux, a faixada do palácio Saint-Pierre, sede do Museu das Belas Artes, vai virar uma exposição gigante de obras de arte animada pelos bailarinos da Opera de Paris, criação de Gilbert Coudène.

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Na praça dos Jacobins, o monumento das fontes será transformado numa lâmpada gigante, obra do artista Christophe Mayer, enquanto as arvores da praça Sathonay, pela magia das luzes brancas de Antoine Le Gougouecterao, terão a aparência  duma turma de dançarinos.

Nesses quatro dias, todos os cantos e recantos de Lyon, a burguesa capital francesa da gastronomia, serão invadidos pela frenesia criativa desses artistas das luzes. As obras virtuais são a mostra na Estação Saint-Paul, no Teatro des Célestins, no anfiteatro das Galias, nos cais do Rhone ou na praça Bellecour onde é também prestado uma homenagem ao Antoine de Saint-Exupéry. As novas tecnologias empurraram ao infinito as inovações de cores, de imagens e de fantasias.

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Lyon espera esse ano de 3 a 4 milhoes de visitantes para essa Festa cada vez mais procurada. Muitos franceses, e italianos, espanhóis, suiços, russos ou chineses. Brasileiros também, cuja fé em Nossa Senhora poderia ajudaram a reencontrar o espírito original dum evento, hoje feira de alta tecnologia das iluminações, mas que começou feito um Círio de Nazaré gaulês. 

Jean Philippe Pérol

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Esse artigo foi adaptado dum artigo original de  Raphael de Gubernatis 

2025: a França voltando com o sonho das Exposições Universais!

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Sonhando com os 2 bilhões de turistas anunciados pela O.M.T. para daqui a 15 anos, o ministro francês Laurent Fabius acredita que a França só poderá manter a sua posição de primeiro destino turístico mundial se souber se organizar. Além de melhorar o atendimento, adaptar os grandes aeroportos e as principais estações de trens às exigências do viajante do século 21, ou mobilizar maiores recursos para a promoção, um dos grandes desafios será de atrair alguns dos grandes eventos internacionais previstos nos próximos anos. téléchargementDois encontros esportivos, a Eurocopa em 2016 e a Rydercopa (o encontro máximo do golfe) em 2018, já serão organizados na França. Mas lembrando o sucesso impressionante das comemorações do Bicentenário de 1789, ficou claro que o impulso duma grande manifestação cultural seria também considerável, ou até maior, tanto para renovar a imagem do pais como para ampliar os fluxos de turistas.

Uma das grandes oportunidades pela frente seria a Exposição Universal de 2025. A França está preparando a sua candidatura para esse grande evento que Paris já sediou seis vezes, mas sendo a ultima em 1900. Um relatório parlamentar que acabou de ser publicado por dois deputados, Fromantin et Leroux, lembrou que as exposições organizadas no século 19 foram ocasiões únicas tanto para a cultura da França como para suas indústrias e seu turismo.

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O projeto levanta um entusiasmo sincero de todos os atores até agora envolvidos, seja empresários ou políticos, que acreditam no seu impacto tanto na economia como na imagem do país. Para depositar um dossiê completo até o final de 2016 – a decisão do Bureau Internacional das Exposições é prevista no mais tardar em 2019 – , os parlamentares insistiram particularmente em dois pontos. France_Pavilion_of_Expo_2010O primeiro é a mobilização de todos, desde os moradores, que terão um papel chave especialmente no atendimento dos turistas, até o próprio Presidente da Republica que deverá convencer o Buró da fiabilidade dos compromissos de investimentos, especialmente nas grandes infraestruturas de transportes como o Grand Paris Express ou as novas ligações diretas para os aeroportos. A segunda ideia seria de renovar com criatividade o modelo tradicional das exposições tal que foi visto ainda recentemente em Xangai. Em vez dum único local onde seriam agrupados todos os pavilhões dos países participantes, a Expo France 2025 seria distribuída em círculos concêntricos: Paris intramuros, o Grande Paris e as cidades da periferia, utilizando o patrimônio existente, e oferecendo para os expositores espaços perto de lugares ou monumentos famosos.$T2eC16Z,!y4FI,d9-C9OBSc6hiDEWQ~~60_35 O Brasil, que foi destaque nas exposições universais parisienses do século 19, em 1867, em 1878 com o próprio imperador Dom Pedro II, e em 1889 com um pavilhão que incluiu até um lago artificial com vitórias-régias , talvez poderá em 2025 voltar a ter seu pavilhão na frente da Torre Eiffel ?

Assim que já foi visto no Brasil durante a Copa, ou que está sendo confirmado no Rio na preparação dos J.O., um projeto desse porte é também uma ocasião para reformar e aprimorar todos os serviços turísticos do pais. L-idee-d-une-exposition-universelle-a-Paris-fait-son-chemin_article_popinO ministro encontrará na preparação de ExpoFrance 2025, e nos 50 milhões de visitantes esperados, motivos para ampliar a capacidade hoteleira de Paris, autorizar a abertura de mais lojas e outlets nos domingos, desenvolver o ensino de línguas estrangeiras ou lançar uma grande campanha de sensibilização dos franceses a importância de melhorar ainda mais o atendimento aos turistas. A Air France, a Accor, a LVMH, a Renault e muitas grandes empresas já estão apoiando o projeto, e os parisienses, em geral muito relutantes, parecem gostar da ideia.

Jean-Philippe Pérol