Globalia/Air Europa, líder consolidado na Espanha, e challenger ambicioso na América latina

Juan José Hidalgo, fundador da Globalia, e seu filho Javier, CEO do grupo

Air Europa opera exclusivamente com Dreamliners

Para sustentar esse crescimento de 8,5% da sua oferta 2019 a partir do seu hub de Madri, a Air Europa está ampliando sua frota. Já contando com  oito Boeing 787-8 Dreamliners e quatorze Boeing 787-9 Dreamliners, a companhia está esperando mais dezessete outros Dreamliners serão entregues daqui para 2022. Agora membro de Sky Team ao lado da Air France e da Delta, Air Europa tem grandes perspectivas na Europa e na América Latina. No Brasil, incentivada pelo novo governo, e possibilitada pela nova legislação, a abertura de uma filial brasileira vai permitir a oferta de voos domésticos. Essa atuação no mercado interno deve, na expectativa da ANAC, deve levar a Air Europa a dobrar de 18 para 36 seu número de voos entre Europa e Brasil.

Uma das 837 agencias da Halcón Viajes

Mas as ambições do grupo Globalia na América latina não param na aviação. Durante a sua última viagem em Panamá para abertura das rotas de Panamá City e Medellin, Javier Hidalgo, herdeiro e CEO, anunciou que o objetivo do grupo na América latina era não somente de abrir novas rotas para Air Europa, mas de abrir, em cada um desses destinos, hotéis da sua subsidiária  Be Live. Será assim mais fácil de combinar os pacotes que serão vendidos pela Travelplan, operadora fundada em 1988 pelo pioneiro e proprietário Juan José Hidalgo, pelas 837 agencias de viagens da Viajes Ecuador e da Halcón Viajes, ou pela agencia de vendas on-line Tubillette.com, as subsidiárias do hoje primeiro grupo turístico espanhol.

O Be Live Tuxpan em Varadero

Com a mesma lógica que inspirou outros grandes grupos, a Globalia quer acelerar o crescimento da sua filial hoteleira Be Live. A Be Live hotels possui, gerencia ou aluga 32 hotéis de 4 ou 5 estrelas, na Espanha, no Portugal, no Marrocos e na América latina. Já com sete propriedades em Cuba, seis na República Dominicana e uma no México, o grupo está negociando um hotel no Panamá, um destino que a Globalia julga ter um potencial excepcional de crescimento, comparável à Cancun ou Ponta Cana. Confirmando a confiança do grupo na América latina e no Brasil, outras aberturas estão previstas nos próximos anos em Iguaçu, Lima, Buenos Aires, Montevideo, Assunção, Fortaleza, Recife e São Paulo.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista on-line La Quotidienne

Chicken or pasta?

American_Airlines.Airline_meal.CDG-JFK.2010

Se o viajante é por natureza atraído pelas outras culturas, feliz de descobrir outras visões do mundo, interessado em novas experiências gastronômicas, aberto a  novos tipos de relacionamento,  ele  tem expectativas mais definidas quando se trata da sua companhia aérea. air-france-travel-2014-campaign4.jpg.pagespeed.ce_.BYdxf2h58qPode ter a sua companhia favorita, pode ter escolhido uma companhia bem específica para tal ou tal viagem, pode ser pelas milhas, pela imagem ou pelo serviço, mas a aviação ainda é um setor  onde a força – e até a magia – das marcas motivam o consumidor. Claro que as exigências mínimas são as mesmas, mas as expectativas são diferentes. O viajante não espera o mesmo serviço na TAM ou na Gol, o mesmo atendimento de bordo na Lufthansa ou na British, o mesmo cardápio na Air France ou na American, ou os mesmos aviões da Azul ou da Delta.

O crescimento das alianças – One World, Skyteam e Star Alliance -, e a multiplicação dos code-share, incluindo nos vôos domésticos brasileiros, estão complicando as escolhas e até desnorteando os consumidores. 1Nem todos sabem que o vôo Brasilia Rio de Janeiro Lufthansa LH2347 é operado pela TAM e que o check-in não será com padrão alemão. Ou que o vôo da Air France Manaus-Brasília AF2047 não tem nenhuma refeição inclusa a bordo já que é um vôo operado pela Gol. Pode estranhar também que um vôo da Delta, o DL6932, que dura mais de cinco horas, não possui poltronas reclináveis …

Difícil para o viajante nos voos domésticos de conexão, essa discrepância entre os parceiros das grandes alianças são ainda mais incompreensíveis quando os code share são numa mesma rota. As surpresas serão raramente agradáveis, seja os riscos de errar de terminal, de não encontrar o seu processo de check-in costumeiro, ou de descobrir que não vai viajar num Airbus novinho mas num velho 747. L1030980 - copieTalvez pior ainda, enquanto espera a chegada do seu jantar, sonhando com a voz da aeromoça dizendo com sotaque francês: ” O senhor já escolheu o seu prato principal?”, poderá ser acordado com uma voz grossa perguntando: “Chicken or pasta?”.

Com passageiros cada vez mais sensíveis a qualidade (ou a falta de qualidade) dos serviços oferecidos, é essencial não criar desilusões que pode ter graves consequências, especialmente a bordo. Nas ultimas semanas, dois aviões tiveram que fazer pousos forçados devido a passageiros furiosos. 1409055342000-Knee-DefenderUm voo da United Arlines Newark-Denver teve assim que pousar em Chicago. Inconformado com o pouco espaço entre as poltronas, um passageiro tinha utilizado um “Knee Defender”, um aparelho que impede o seu vizinho de frente de deitar a poltrona dele. O inventor, Ira Goldman, um homem de negócio de um metro e noventa, criou esse aparelho (que só custa 22 USD) porque não aguentava mais ver o espaço para as suas pernas ser reduzido cada ano, hoje até menos de 43 centímetros  em algumas companhias aéreas.

PREMIERE AIR FRANCE

É com certeza desaconselhável chegar a tal extremismo, mas por isso é necessário que as companhias respondem a essa preocupação dos consumidores. As alianças são necessárias e oferecem extraordinários vantagens para os viajantes, mas cada companhia parceira tem a sua historia, a sua imagem, os seus serviços e os seus clientes. As sinergias só podem existir e progredir na transparência e na definição de um padrão de qualidade  mínimo, com um code-share sendo também um quality-share para fazer de cada viagem uma boa experiência compartilhada.

Jean-Philippe Pérol