Depois do Concorde, o sonho do Airbus 380 entra também na Historia

O Airbus A380 da Air France

Em novembro 2009, subindo a bordo do primeiro voo Nova Iorque Paris do A380 da Air France, a sensação era de participar, mais uma vez, do início de uma nova era do transporte aéreo internacional. Anunciado (e sendo) o avião mais silencioso e mais confortável do momento, capaz de transportar de 500 a 800 passageiros, o gigante da Airbus ia trazer para o transporte aéreo internacional uma revolução tão radical que o primeiro Jumbo 747 em 1969. O entusiasmo das 13 grandes companhias  participando em 1996 da primeira apresentação do então A3XX levaram a Airbus a lançar o programa em 2000, conseguindo logo 55 encomendas. A escolha do nome, A380 com o numero 8 vindo da numerologia chinesa, mostrava que a aposta principal era de se posicionar nos grandes hubs asiáticos.

853 passageiros nos futuros Airbus A380?

Os primeiros 747 Jumbo da Pan American

Os primeiros 747 Jumbo da Pan Américan

Se o turismo nasceu em 1841 com os trens à vapor, o grande impulso para o turismo internacional foi dado no dia 22 de janeiro de 1970, quando o primeiro 747 Jumbo da Pan Américan decolou de Nova Iorque para  Londres. A capacidade dos jatos passando de menos de 150 passageiros a mais de 350, e a Boeing pressionando para vender os seus aviões, o preço das passagens começou a despencar e o numero de viajantes a subir de forma espantosa. Com a popularização das viagens, novos destinos  distantes começaram a surgir, operadoras de turismo apareceram com produtos atrativos, e agencias de viagem se multiplicaram para ajudar os novos turistas a realizar seus sonhos. E os 140 milhões de viagens de 1969 viraram 400 milhões em 1989 e 1,2 bilhão em 2016.

O Airbus A380 da Air France

O Airbus A380 da Air France

A Airbus está agora pensando numa nova jogada que poderia também revolucionar o turismo internacional, oferecendo para as companhias aéreas de aumentar até 853 assentos a capacidade dos seus A380, enquanto a media é hoje de 500 nos 180 aparelhos explorados por 13 companhias. Numa primeira fase, a recomendação da Airbus seria de adicionar 70 assentos na classe econômica, com uma configuração 3-5-3 em vez de 3-4-3 hoje, mas guardando o mesmo espaço e conforto para cada passageiro. Algumas companhias poderiam ser interessadas já que os números variam muito hoje de uma para outra. O recorde de assentos pertence a Emirates que inaugurou um A380 com 615 lugares (58 na Business e 557 na Econômica ). Os mesmos aviões levam 469 passageiros na British Airways, 484 na Qantas ou 379 na Singapore Airlines (12 na Primeira, 86 na Business, 36 na Premium e 245 na  Econômica) . Na Air France, o A380, que começou a operar na América latina na rota Mexico Paris em janeiro desse ano, tem uma configuração ainda diferente, sejam 9 lugares na primeira, 80 na Business, 38 na Premium e 389 na Econômica – um total de 516 passageiros.

A chegada do primeiro A380 da Emirates em São Paulo

A chegada do primeiro A380 da Emirates em São Paulo

Mas, mesmo com uma preferência disparada dos viajantes, o Airbus A380 é hoje um avião caro que as companhias aéreas são relutantes em comprar – a Emirates sendo a única que mantém  um nível importante de encomendas, e 2016 só indo bem pela espetacular compra de 12 aparelhos pela Iran Air. O aumento de numero de assentos ajudaria a baixar seus custos opcionais, e a aumentar sua competitividade. A Airbus aposta que os preços das viagens poderiam também baixar, gerando um aumento significativo dos fluxos de passageiros, e com ele mais procura para seu gigante do ar. A expectativa seria de chegar a 1000 Airbus A380 vendidos até 2030, contribuído assim a um novo impulso das viagens internacionais dos próximos 15 anos, indo rumo a 1,8 bilhão de viajantes, com o mesmo pioneirismo que caracterizou a chegada dos B747 Jumbo e a revolução do turismo dos anos 70.

 

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista on-line Pagtour

A380 da Airbus em São Paulo (novembro 2007)

A380 da Airbus em São Paulo

Concorde: há quarenta anos, Paris Rio de supersônico!

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Enquanto vivemos  no Brasil a febre da chegada próxima do Airbus 380, não da para não se lembrar que há quarenta anos atrás começava no Brasil uma outra aventura de avião pioneiro da tecnologia francesa: o Concorde. Posou no Rio de Janeiro pela primeira vez em maio de 1974, ainda com as cores da Aerospatiale, a construtora naquela época vanguardista que aproveitará a experiência adquirida para investir justamente no projeto Airbusphoto pro JPP0003Os primeiros voos eram experimentais e levavam so 32 passageiros ja que a metade da cabina era ocupada por computadores e instrumentos de controle. Acho que foram cinco ou seis voos, com políticos, homens de negócios, autoridades e jornalistas brigando para ser parte dos “happy few” que foram os primeiros viajantes a ligar o Rio e Paris em menos de seis horas.

Nessa época jovem estagiário na Jet Tours, tive a oportunidade de integrar a equipe que recebia os convidados franceses, organizando estadias e  passeios. photo pro JPP0001Como recusava qualquer pagamento para ser parte de tamanho aventura, o diretor da Aerospatiale me agradou com um convite para um desses voos. Foi assim que no dia 31 de Maio eu sai as sete da manha do Rio de Janeiro no Concorde, para chegar em Paris as sete da noite, jantar na casa do meu pai (era o aniversario dele) e voltar logo depois num avião da Varig que saia as onze da noite. photo pro JPP0004As sete da manha, vinte e quatro horas cravadas depois de ter saído, estava de volta no Galeão, explicando a um agente da policia federal que não tinha nenhum erro nos carimbos no meu passaporte, que era possível ir e voltar de Paris no mesmo dia pela asas do Concorde, e que o futuro da aviação era mesmo o supersônico.

Sobre o futuro, eu estava errado. Claro que no vinte meses depois, dia 21 de janeiro de 1976, começaram os voos regular da Air France entre Rio e Paris, duas vezes por semana, em cinco horas e cinquenta com parada em Dacar. Mas se voar a Mach 2,01 (ver foto do lado) era uma experiência fabulosa, se o serviço a bordo era do mas alto padrão, o sucesso comercial era quase impossível pelo menos por duas razões: um preço altíssimo (20% acima da Primeira Classe), e um conforto muito duvidoso especialmente no voo Rio Paris. De noite era difícil dormir nas cadeiras estreitas, e a descida obrigatória em Dacar era complicada… Com 60% de ocupação no Paris Rio mas somente 40 no Rio Paris, sem poder chegar até São Paulo, o voo acabou parando em 1983. Concorde continuará voando ainda vinte anos para Nova Iorque, mas nunca superará a trauma do  terrível acidente de 2000 e acabará sua carreira no dia 31 de Maio de 2003.

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Da aventura do Concorde no Brasil sobrou a demonstração do pioneirismo da Air France, a afirmação do compromisso brasileiro com os projetos de futuro, e , para todos aqueles que tiveram a oportunidade de voar a bordo desse lindo pássaro, a satisfação de ter vivido uma experiência tecnológica que nem os próprios filhos nem provavelmente as gerações futuras poderão viver. O tempo do Concorde passou, mas foi talvez  uma etapa imperdível para chegar ao futuro necessário, o do Airbus380…

Jean-Philippe Pérol

PS: Na América latina, o Concorde voou também para Caracas e México. Nesse última cidade, o voo inaugural contou com traslados de carruagens … saudade!