SAINT MARTIN, DICAS E EXPERIÊNCIAS

Mais charme e luxo nos hotéis do Caríbe francês

 

Enquanto o Caríbe está agora muito perto de enfrentar profundas mudanças – principalmente, mas não somente, com a volta dos americanos em Cuba -, as ilhas francesas estão cada vez mais se posicionando na hotelaria de luxo ou pelo menos de charme.SERENO ST BARTH A menor delas, Saint Barthelemy, sempre se considerou como um destino exclusivo. Do mesmo tamanho que Fernando de Noronha, Saint Barth é uma parada do jet set international que gosta de se encontrar seja frente aos iates ancoradosLE SELECT no porto de Gustávia, seja no “popular” bar Le Select. A pequena ilha disponha de uma hotelaria excepcional, com sete estabelecimentos cinco estrelas, incluindo dois Relais Châteaux Eden Rock e Toiny, e o tão elegante Le Sereno. Algumas pequenas pousadas e muitas casas exclusivas completam a oferta de hospedagem, todas competindo para mostrar o charme especial dessa lugar cuja historia é dividida entre a França e a Suécia.

LA SAMANNA SAINT MARTIN

A vizinha Saint Martin se diferenciou da sua metade irmã Sint Marteen apostando também no luxo, com o espetacular La Samanna – do mesmo grupo do Copacabana Palace -, e mais ainda no charme de dezenas de pequenos hotéis ou de pousadas aconchegantes. LE PETIT HOTEL EM SAINT MARTIN FRANCÊSO Le Petit Hotel, que ganhou em 2013 o prêmio de excelência da Trip Advisor, fica na praia de Grand Case. Numa casa tradicional que foi completamente renovada em 2012, ele se destacou pelo atendimento personalizado e o charme do design dos seus nove quartos.

Na Martinica, que foi no século XIX a mais sofisticada das ilhas do Caríbe, a hotelaria pegou as mesmas tendências. Além do Relais Chateaux Le Cap Est Lagoon Resort et Spa, e de pequenos hotéis como o Plein Soleil, varias pousadas de charme foram abertas nos últimos anos. HABITATION THIERRY L ILETAs mais procuradas foram instaladas nas antigas “Habitations”. Essas são as tradicionais “casas grandes” das plantações de cana que fizeram a riqueza dos senhores de engenho, sendo o mais famoso o pai da Imperatriz Josefina, primeira e turbulenta esposa do Napoleão. A Habitation Lagrange e a Habitation de l’Ilet Thierry constam hoje como duas das mais charmosas pousadas da Martinica.

Sitting in the sea

Mas é talvez nas ilhas da Guadalupe que a virada para o charme do Caríbe francês é a mais espetacular. FLORES NO JARDIN MALANGAEnquanto muitos dos grandes hotéis de turismo de massa fecharam, começou a pipocar na ilha muitas pousadas oferecendo ambientes mais privativos, serviços personalizados e construções mais integradas as tradições e a historia da ilha. Assim são as deliciosas pequenas pousadas Le Jardin Malanga ou Le Diwali. Assim é o recentemente reformado La Toubana Hotel et Spa. Em cima de um barranco, na frente da praia (e do Club Med) de Sainte Anne, esse pequeno hotel respira um clima diferente, o bom gosto, o charme e a categoria trazidos pelos donos, Patrick e Corinne Vial-Collet. OS LEADERS DO LEADER HOTELMesmo sendo proprietários, com Daniel Arnoux, do maior grupo privado do Caríbe francês, eles estão sempre presentes e deram a La Toubana uma marca bem pessoal, na decoração e no serviço, na espetacular piscina, na adega do restaurante (onde grandes vinhos são vendidos a preço de custo), ou no ambiente atencioso e alegre bem franco-caribenho.

Sempre a procura de novidades, o turista gostando do Caríbe pode achar, nessas novas tendências da hotelaria das ilhas francesas, o tão desejado equilíbrio entre descontração e sofisticação, arte de viver e alegria.

Jean-Philippe Pérol

Sitting in the sea

Saint Martin, lado francês. O charme da diferença.

Pinel ©Laurent Benoit (copy)Do requinte do hotel Samanna até o agito do bar de praia ” Los Calmos”, Saint Martin surpreende o viajante brasileiro, que tendo em mente as imagens de Sínt Marteen, a irmã holandesa, espera uma ilha de hotéis americanizados, paraíso dos sacoleiros, e a parada muito bem organizada de quase todos os grandes navios de cruzeiros.

Os turistas que escolhem o lado francês vão viver uma experiência completamente diferente, com três pontos chaves que justificam minha preferência.

DSCN6373O primeiro é uma grande proteção ambiental que se percebe logo que se atravessa a invisível fronteira. A paisagem é logo liberada, com menos prédios, praias mais protegidas, florestas bem  preservadas. Uma reserva natural cobre uma boa parte da ilha, os morros, os mangues, incluindo as águas territoriais e as várias ilhotas (inclusive a famosa Ilet Pinel e sua praia bem organizada). Na floresta, a cabeceira do único rio da ilha é também aproveitada com bom gosto pelos donos do local, uma antiga fazenda que o primeiro dono ganhou em um sorteio, daí o nome de Lottery Farm, com seus bares e jogos aquáticos.

DSCN6010A hospedagem também surpreende. Talvez estimulada pela proximidade de Saint Barth, a ilha francesa vizinha, Saint Martin oferece várias opções de altíssimo padrão: a Samanna, que a Orient Express transformou num verdadeiro palácio, combinando um design elegantíssimo, um serviço atencioso, num local de beleza e de tranquilidade. A sofisticação se encontra também nas numerosas casas para alugar nos arredores do hotel. O Radisson, em seu estilo Louisiane, é também uma excelente opção de quatro estrelas muito merecidas. Mais em conta ainda, há o simpático Mercure, perto de Marigot, com quartos amplos e oferecendo sua praia na Lagoa, e o Petit Hotel no charmoso vilarejo de Grand Case.

DSCN6344Sendo francesa, Saint Martin não podia não brilhar pela gastronomia. A surpresa vem da criatividade e do profissionalismo dos chefes do Pressoir, da Cigale e do Sental . Mas vem também dos numerosos pequenos bares e restaurantes. O Calmos, em Grand Case, para beber e escutar música com os pés na areia. O restaurante do Coco em Marigot, para comer um peixe grelhado depois das compras ou antes do Ferry para Anguilla . E se quiser mesmo dançar nas mesas, o bom é ir ao Waikiki Beach na praia do Oriente .

DSCN6189Claro que um viajante brasileiro vai querer também encontrar nesse pedaço de França um pouco de cultura. Em Marigot, na avenida do General de Gaulle, ele vai encontrar isso, e muito mais. Numa linda casa de 1840, ele vai encontrar cores, paixão, história e, claro, os quadros do pintor-mór de Saint Martin, Richard Richardson. Se tiver sorte, é possível encontra-lo, no seu ateliê ou no seu exuberante jardim junto às antigas casas de pedra do século 18.

Saint Martin, o lado francês, diferente e charmoso.

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Jean-Philippe Pérol