Os países (proporcionalmente) menos turísticos do mundo, uma lista com algumas surpresas!

Barco de passeio no Bangladesh

Barco de passeio no Bangladesh

Para muitos viajantes, o pior pesadelo  é de encontrar outros turistas, e o sonho seria de visitar lugares onde a proporção de turistas em relação a população esteja a menor possível. why-now-is-the-time-to-visit-cuba1Nos últimos meses aparecerem assim artigos ou promoções incentivando a viajar para Cuba “antes que seja tarde demais”, antes que a autenticidade da ilha desaparece com invasão de 2, 3 ou 5 milhões de turistas americanos. Querendo ajudar os amadores de destinos exclusivos a encontrar lugares preservados, o site de analise de dados econômicos  Priceonomics publicou a lista dos 25 países os menos turísticos do mundo. Para estabelecer esse ranking muito peculiar, os técnicos dividiram o numero de habitantes de cada pais pelo numero de turistas publicado pela OMT – organização mundial do turismo.

O Taj Mahal no por do sol

O Taj Mahal no por do sol

O destino vencedor é o Bangladesh, o oitava pais mas populoso do mundo, com 160 milhões de habitantes mas que recebe somente 125.000 turistas, menos que o vizinho Butão, um atraso que as autoridades querem compensar com uma nova campanha de promoção “Visite Bangladesh antes dos turistas”. A campanha do BengladeshMesmo com cada visitante podendo se perder no meio de 1273 moradores, será porem difícil para o pais compensar a sua péssima imagem,  a sua falta de preparo frente aos desastres naturais, a sua insegurança e o atraso em infraestruturas publicas e turísticas. Vários países dessa lista dos “Top menos” – a Guinea, a Moldávia, a Serra Leoa, o Niger, a Papuásia ou o Tajiquistão – enfrentem problemas similares. Mais surpreendentes são as presença de potências turísticas como a Índia ou o Quênia, talvez prejudicadas pela  importância das suas populações. É mais surpreendente ainda a vigésima terceira posição do Brasil que recebe somente um turista para cada 32 habitantes, uma posição que não pode ser justificada somente com a distancia dos grandes centros emissores da Europa e da América do Norte .

PAISES DO “TOP MENOS” Turistas  (2014) Habitantes RATIO H./Tur
1 Bangladesh 125.000 159.078.000 1.273
2 Guinea 33.000 12.276.000 372
3 Moldavia 11.000 3.556.000 323
4 India 7.679.000 1.295.292.000 169
5 Serra Leoa 44.000 6.316.000 144
6 Niger 135.000 19.114.000 142
7 Etiopia 770.000 96.959.000 126
8 Chade 122.000 13.587.000 111
9 Madagascar 222.000 23.572.000 106
10 Mali 168.000 17.086.000 102
11 Burkina Faso 191.000 17.589.000 92
12 Bielorussia 137.000 9.470.000 69
13 Sudão 684.000 39.350.000 58
14 Costa do Marfim 471.000 22.157.000 47
15 Tanzania 1.113.000 51.823.000 47
16 Benin 242.000 10.598.000 44
17 Papuasia 182.000 7.464.000 41
18 Angola 595.000 24.228.000 41
19 Tadjikistão 213.000 8.296.000 39
20 Venezuela 857.000 30.694.000 36
21 Nepal 790.000 28.175.000 36
22 Quenia 1.261.000 44.864.000 36
23 Brasil 6.430.000 206.078.000 32
24 Uganda 1.266.000 37.783.000 30
25 Ilhas Salomão 20.100 572.000 28

Utilizando a mesma metodologia, Priceonomics publicou também a lista dos 25 países recebendo o maior numero de turistas por habitantes. Os vencedores não são as tradicionais maiores potências turísticas, França, Estados Unidos, China, Itália ou Espanha, mas pequenos países da Europa e do Caribe que souberam aproveitaram ao máximo seus recursos turísticos, sendo a Andorra o pais campeão. Igreja de São Estevo (Andorra)Esse pequeno principado dos Pirenéus, independente desde o Carlos Magno, e cujos co-presidentes são o Presidente da França e o bispo de Urgell na Espanha,  recebe mais de 2 milhões de visitantes para seus 73.000 habitantes, sendo o turismo responsável por 75% da sua economia. Na lista constam também pequenos pais de sucesso como Aruba, Hong Kong, Mônaco ou Bahrein, bem como destinos confirmados como Áustria, Grécia ou Croácia. Primeiro do ranking mundial pelo numero de turistas recebidos, a França não entrou nesse “Top 25” devido a importância da sua população, mas as projeções para 2020 – 100 milhões de turistas- devem lhe permitir de chegar perto.

Jean-Philippe Pérol

PAISES DO “TOP MAIS” Turistas (2014) Habitantes RATIO Tur/H
1 Andorra 2.363.000 73.000 32
2 Aruba 1.072.000 103.000 10
3 Monaco 329.000 38.000 9
4 Bahrein 10.452.000 1.362.000 8
5 Palau 141.000 21.000 7
6 Malta 1.690.000 427.000 4
7 Hong Kong 27.770.000 7.242.000 4
8 Bahamas 1.427.000 383.000 4
9 Bermuda 224.000 65.000 3
10 Icelandia 998.000 327.000 3
11 Maldivas 1.205.000 401.000 3
12 Austria 25.291.000 8.546.000 3
13 Curação 452.000 156.000 3
14 Croatia 11.623.000 4.238.000 3
15 Antigua 249.000 91.000 3
16 Seichelas 233.000 91.000 3
17 São Marino 75.000 32.000 2
18 Estonia 2.918.000 1.315.000 2
19 Montenegro 1.350.000 622.000 2
20 Singapora 11.864.000 5.470.000 2
21 Chipre 2.441.000 1.154.000 2
22 St Kitts 113.000 55.000 2
23 Grecia 22.033.000 10.870.000 2
24 Irlanda 8.813.000 4.616.000 2
25 Luxemburgo 1.038.000 556.000 2

Esse artigo foi inspirado de um artigo original da revista profissional francesa l’Echo Touristique

Turismo cubano: a corrida dos americanos já começou!

Autentica Cuba

Com mais de 3 milhões de turistas e 14% de crescimento em 2014, o embalo do turismo para Cuba se verifica em todos os mercados:  26% na Inglaterra, 25% na França, 22% na Alemanha, 16% na Espanha e no Brasil.TOUR EM CUBA Mas no mercado americano, a  Revolução do turismo Caribenho, anunciada desde o inicio das negociações entre os Estados Unidos e Cuba, está avançando ainda mais rápido que se esperava. Se a reabertura das embaixadas dos dois países ainda não se concretizou, Cuba já está vivendo um espetacular crescimento das entradas de americanos desde as primeiras facilitações de viagens anunciadas pelo Presidente Obama. Obama CubaSegundo as estatísticas da Universidade de Havana, foram 36%  de entradas a mais de Janeiro a Abril comparando com o mesmo período de 2014. Mesmo sem contar os cubanos-americanos, foram assim mas de 50.000 americanos que jà entraram em Cuba esse ano, sendo 80% em vôos diretos e 20% ainda passando por outros países, principalmente México, Bahamas ou Jamaica.

CUBA

A nova politica da Casa Branca, facilitando as viagens para a ilha não somente dos americanos de origem cubana mas também de doze categorias de viajantes, autorizando os vôos diretos desde o mês de Março, é sem dúvidas responsável desses resultados. BAJA FERRIESEles vão ainda melhorar nos próximos meses com a aprovação na semana passada de serviços de ferries entre a Florida e Cuba. Pela primeira vez nos últimos 50 anos, o governo americano autorizou uma companhia de navigação, a Baja Ferries, a operar  entre Miami e Havana. O vice Presidente da empresa, Joseph Hinson, declarou que os ferries devem levar 10 horas para percorrer as 200 milhas,  saindo de Miami a noite para chegar em Cuba de madrugada. Confirmou que os serviços deveriam começar em setembro ou outubro desse ano, com preços de ida e volta em torno de $250 a $300. Havana FerryA Baja Ferries planejou três a quatro viagens por semana para um total de 2000 a 3000 passageiros. A Havana Ferry Partners de Fort Lauderdale, também anunciou ter conseguido a autorização. O projeto apresentado no seu site seria de utilizar barcos de alta velocidade podendo levar 300 passageiros. Duas outras companhias, United Caribbean Lines Florida of Greater Orlando, e  Airline Brokers Co. of Miami and Fort Lauderdale, também anunciaram ter conseguido a autorização.

CUBA E ESTADOS UNIDOS NUM TAXI DE HAVANA

Com mais de um milhão de lugares por ano, os serviços de ferries vão aproximar mais ainda a Flórida e Havana, reaproximando mais ainda Cuba do seu lugar passado de destino turístico favorito dos americanos. Os preços baixos, bem como a possibilidade de levar muito mais malas, devem ampliar as quantidades de televisões, computadores, pneus, roupas ou remédios que os cubanos americanos levarão para seus familiares. Muito consciente do impacto  do turismo, não somente sobre o desenvolvimento econômico mas também sobre o progresso politico e social, o Presidente Obama deve estar esperando grandes consequências desse estratégia de abertura começando pelas viagens. ARTISTAS CUBANOSPara o turismo cubano, o desafio será não somente de mostrar sua capacidade a receber esse fluxo de milhões de novos turistas, más também de não perder a sua autenticidade …

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Patrick Clarke no Travelpulse do 27 de Maio 2015.

Quais orientações para o turismo em 2015?

Courchevel e AirBnB, uma nova e surpreendente promoção.

Courchevel e AirBnB, uma nova e surpreendente promoção.

Em toda o planeta turismo, observadores, profissionais e viajantes tentam adivinhar as grandes orientações de 2015. No Brasil as primeiras análises parecem pessimistas, ninguém se arrisca a prever um crescimento tanto das chegadas de turistas internacionais quanto das viagens dos brasileiros para o exterior. CB_GUEULETON_CR_UNE_2-400x400As transportadoras já esperam uma super capacidade da oferta, as operadoras e as agências só mostrarão previsões de altas com crescimentos externos alegrando as Bolsas mas não aumentando o número de clientes. A morosidade dos viajantes não impede porém novas mudanças que continuam revolucionando o setor. Pelo terceiro ano, o seminário organizado no Quebec pelo Paul Arseneault, da Universidade do Quebec em Montreal, e  o Pierre Bellerose, de Tourisme Montréal, tentou apontar as ideias marcantes para 2015, algumas já influenciando o mercado brasileiro do turismo.

O turismo virou imagens que devem contar historias personalizadas. O viajante quer bater fotos, fazer selfies, mandar vídeos onde ele vai ser valorizado, essa valorização pessoal sendo quase tão importante quanto o próprio destino escolhido. As informações correm rápido, no Facebook, no Youtube ou no Instagram, e a viagem deve permitir não somente  contar mas construir essa historia. Essa nova atitude deve ser respeitada logo na promoção, a hiper-personalização fazendo de cada cliente uma “nicho” de mercado e matando o marketing de massa.

Os serviços devem sempre incluir qualidade, conforto, criatividade e experiência global. Essas são agora exigências com as quais todos devem se submeter. Em um hotel se espera não somente um colchão de qualidade, um wifi grátis e de alta velocidade, mas um checkin relâmpago, o respeito ao meio ambiente e até uma integração da comunidade local. O restaurante tem que trabalhar com produtos e pratos regionais, oferecer uma verdadeira experiência gastronômica e saber gerenciar as exigências de reservas. Exif_JPEG_PICTUREOs novos conceitos atingem até os aeroportos. Ai o viajante não é mais somente um passageiro com um checkin beneficiado pelas novas tecnologias, cartão de embarque no smartfone e chips para identificar a mala. Ele é um consumidor passeando  em um shopping gigante, comendo em restaurantes ou se divertindo aproveitando um wifi grátis.

As agências tradicionais e as agencias on-line vão se reaproximar. Neste fim da época de ouro do crescimento com dois dígitos, as agencias on-line estão reinventando o seu relacionamento com seus clientes. Frente a agencias tradicionais agora mais consolidadas, convergências vão aparecer. As experiências físicas e virtuais vão se tornar complementares com o uso de todos os canais – on line em computadores, tablets ou celulares , agências, centrais telefônicas, entrega a domicilio. A aparição de uma nova ferramenta da Apple para gerenciar a globalidade das viagens é também uma possibilidade.

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O turismo colaborativo vai continuar a crescer, pelo menos na hospedagem e no transporte. Mesmo com uma forte hostilidade dos outros atores do setor – agências, hotéis ou táxis -, e com necessários acertos com as autoridades – controle de qualidade, taxas ou impostos-, a oferta de serviços colaborativos convenceu os usuários do mundo inteiro. As plataformas de hospedagens e de transporte urbano vão continuar a se expandir, e outros setores, como as visitas com guia ou até a alimentação, podem seguir.

Norte do Peru

Mesmo com uma economia parada e um crédito escasso, as novas tendências vão se firmar no Brasil, cada uma no seu ritmo. A força das mídias sociais, o potencial de algumas operadoras, a recente privatização dos aeroportos vão até acelerar certas mudanças apontadas no exterior. A provável apatia do mercado vai do seu lado dificultar a aparição de novos destinos. JPP NO LES SOURCES DE CAUDALIESCom menos reais e um dólar caríssimo, o crescimento da América do Sul (Chile, Bolívia ou Peru),  e a consolidação dos grandes destinos tradicionais na Europa ( Itália com Milão e Roma, França com Paris, o Mont Saint Michel, Bordeaux ou a Borgonha) devendo ser as tendências mais marcantes.

Jean-Philippe Pérol

Cuba: vai ter uma revolução no turismo Caribenho!

www-logoCom as novas relações entre Cuba e os Estados Unidos, todos os especialistas concordarão sobre a ideia que as consequências vão ser impressionantes não somente para o turismo cubano – o objetivo de 3 milhoes de turistas na ilha será sem duvidas ultrapassado- mas também para toda economia turística do Caribe que vai acordar com um terrível concorrente no seu maior mercado.

O embargo ainda continua, mas varias medidas vão facilitar as viagens dos americanos:OLYMPUS DIGITAL CAMERA os bancos dos Estados Unidos podem trabalhar com as instituições cubanas, o teto para remessas entre os dois países vai passar de 500 a 2000$ por trimestre, os viajantes americanos poderão utilizar os seus cartões de créditos e poderão voltar com 400$ de compras, incluindo 100$ de charutos! No imediato, só vão ser favorecidos pela nova politica do Presidente Obama as doze categorias de cidadões já autorizados a viajar para Cuba: familiares, jornalistas, professores, religiosos, esportistas ou homens de negócios. Hoje já são 90.000 mas esse numero vai com certeza dobrar ou triplicar a curto prazo.

Scenes_of_Cuba_(K5_02403)_(5981661729) (1)Não tem duvidas também que com as relações normalizadas, Cuba vai voltar a ser o primeiro destino turístico no Caribe e ver o seu fluxo de turistas americanos passar de 2, 3, 4 ou até 5 milhoes de turistas. As operadoras canadenses (o Canada passa do milhão de visitantes em Cuba) já se preparam para isso, temendo altas de preços mas antecipando novos investimentos e grandes oportunidades. E a própria Carnival está analisando a abertura de novos roteiros incluindo os portos cubanos. Os projetos do governo cubano, ampliar em 40% a oferta hoteleira até 2020, terão que ser reforçados, abrindo mais oportunidades não somente para empresas já instaladas como Accor, Pestana, Iberostar ou Melia mas também para as grandes bandeiras americanas. Viñales_ValleyCom praias excepcionais em Varadero, Cayo Santa Maria ou Cayo Coco, com pontos turísticos imperdíveis em Havana, Trinidad ou no Vale de Vinhales, uma Cuba livre do embargo e aberta aos investimentos do vizinho do Norte vai também ser um impressionante concorrente para os seus vizinhos do Caribe. A reorientação dos fluxos de turismo americano vai com certeza impactar nSanteria-1ão somente os grandes destinos como Santo Domingo ou a Jamaica, mas também todo os destinos caribenhos que vão ter que repensar sua oferta e sua promoção para enfrentar o que será sem duvida um novo gigante do turismo mundial. Sob o olhar do filho do Che montado numa Harley, e com a bença de Xango, de Ogum, de Iemanjá e de todos os deuses santeiros, vai ser mesmo uma revolução para qual todos os profissionais do turismo do Caribe devem se preparar.

Jean-Philippe Pérol

 

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