Trump vai mesmo impactar o turismo internacional?

O Trump Presidente poderia prejudicar o Trump hoteleiro

O Trump Presidente poderia prejudicar o Trump hoteleiro

Talvez por ter acontecido no fechamento do WTM de Londres, encontro-mor do turismo mundial, o resultado das eleições americanas foi também nos últimos dias o grande assunto das conversas dos profissionais. Uma pesquisa feita nos corredores do Salão tinha revelada que só 7% do trade internacional apoiava o excêntrico bilionário, e que os outros o julgava misógino , racista, sem experiência política, vulgar, e intelectualmente vazio.  Agora que Trump foi eleito, e sabendo que nenhum responsável do turismo esperava esse resultado, a grande pergunta é de saber até onde essa vitoria poderá impactar os fluxos turísticos internacionais!

O WTM de Londres, grande encontro do turismo mundial

O WTM de Londres, grande encontro do turismo mundial

Se Trump cumpre as suas promessas de campanha, deve reforçar os controles sobre a entrada dos franceses e dos alemães, exigir passaporte biométrico para qualquer isenção de visto, construir um muro para impedir as entradas de mexicanos, controlar de forma estrita os brasileiros, desconfiar dos chineses, e proibir as entradas de qualquer muçulmano.  Num total de 78 milhões de turistas entrando nos Estados Unidos, mais da metade seriam assim submetidos a algum tipo de constrangimento. E  cinco dos de maiores mercados emissores para os Estados Unidos são na lista negra do magnata. Segundo o relatório anual da WTM, o resultado das eleições americanas pode assim ter grandes consequências sobre o turismo mundial.

Os danos das declarações do candidato – e as prováveis decisões do Presidente – podem ser catastróficas para a imagem dos Estados Unidos nos grandes mercados emissores, os novos valores não correspondendo mais com os ideais que os visitantes estão procurando. Temida pelos responsáveis de Visit USA ou de Brand USA, esse risco já está virando realidade. Uma pesquisa da Travelzoo mostrou que 20%  dos britânicos estão descartando viajar agora para os Estados Unidos, e a maioria pensa que o turismo americano vai ser prejudicado. Paradoxo surpreendente, o empresário Trump será mais prejudicado ainda pela queda da imagem dos Estados Unidos, a metade dos clientes das agencias de viagens inglesas declaram não querer mais se hospedar nos hotéis do magnata.

O turismo canadense aproveitando o novo cenário?

O turismo canadense aproveitando o novo cenário?

Enquanto o turismo mundial continuará a crescer nos próximos anos, as possíveis dificuldades dos Estados Unidos poderão ser aproveitadas por alguns dos seus concorrentes. É o caso do Canada que constatou nos últimos dias, das Províncias Marítimas até Montréal e  Vancouver, um boom das reservas vindo não somente da Inglaterra e da Europa, mas também dos próprios Estados Unidos. No Brasil, se o cambio ajudar e o Dolar se fortalecendo frente ao Euro, a Europa poderia ser a grande favorecida. É so relembrar o impacto do saudoso Bush sobre as viagens internacionais. Durante as suas presidências, o numero de brasileiros indo para os Estados Unidos perdeu a liderança, passando de 740.000 entradas a 770.000, enquanto as viagens para Europa tinham cresceram de 600.000  a mais de 1.000.000. O ranking  se inverteu de novo em 2015, 2,2 milhões contra 1,8 milhões, pelo carisma do Obama. Em 2018, o Canadá, a França, o Portugal ou a Itália terão talvez de agradecer o Donald.

Jean-Philippe Pérol

Em Paris, a opção de juntar a Torre Eiffel e a estátua da Liberdade!

Em Paris, a opção de juntar a Torre Eiffel e a estátua da Liberdade!

Esse artigo foi inspirado de dois artigos em francês , um  de Michäel Boumal na revista profissional online Pagtur, e um outro no l’Echo Touristique  

A folia Pokémon GO ajudando os destinos turísticos ?

A Torre Eiffel orgulhosa dos seus Pokemons

A Torre Eiffel orgulhosa dos seus Pokemons

Enquanto a folia Pokemon Go se espalha pelo mundo inteiro, muitos profissionais do turismo já estão utilizando o famoso jogo de “realidade aumentada” para atrair os turistas interessados a caçar os Pikachus ou encurralar os Salamèche nas ruas ou nas estradas. Na Espanha, a operadora Junior Travel está recrutando guias para acompanhar grupos de trinta jogadores em circuitos incluindo várias cidades a onde raros Pokemons estão sendo vistos. 2000 candidatos já se apresentaram e as vendas estão superando todas as expectativas. Ainda na Espanha, uma outra operadora, Felices Vacaciones, oferece circuitos de Safari Pokémon, pacotes custando 1695 Euros para caçar os monstros virtuais  de Las Vegas a San Francisco, passando por a Nova Iorque.

Em Nimes, circuitos turísticos de caça ao Pokémon

Em Nimes, circuitos turísticos de caça ao Pokémon

Na França, os responsáveis de muitos destinos turísticos já apostaram na nova onda de Pokemania. A cidade de Rouen convida os jogadores a aproveitar as suas caçadas para descobrir o patrimônio cultural, propondo vários roteiros no Escritório de turismo que virou um PokeStop estratégico. A cidade de Nimes lançou um Pokébus onde é possível caçar os Pokemons visitando a “Maison Carrée” ou as Arenas dentro de um confortável ônibus. Na pagina Facebook do Escritório de Turismo, os fãs são convidados a vir “encher o tanque nos numerosos Pokéstops da cidade, a eclodir os seus ovos e a desafiar as arenas em grupos”. O passeio é vendido somente 5 Euros, mas o importante para Nimes é de incentivar novos turistas a visitar a cidade. Com o mesmo intuito, Rennes está organizando uma PokeRando e Caen um concurso de Pokémuseu.

Pokemon raro em Nantes

Pokemon raro em Nantes

Nantes apostou também no Pokemon GO, e, segundo o ranking estabelecido pela transportadora CheckmyBus, seria o lugar da França onde encontram-se os Pokemons mais raros, uma nova atratividade para uma cidade que sempre quis ser inovadora nas artes, na cultura ou nos lazeres. E pode ser justamente no marketing turístico que os Pokemons podem trazer a maior revolução, oferecendo aos destinos uma nova ferramenta de comunicação. A própria Torre Eiffel está agora avisando os turistas, na sua conta Twitter, que podem ser encontrados nos seus arredores uns Pokemons raros.

Os avisos de Pokemons perto de Rouen

Os avisos de Pokemons perto de Rouen

O diretor geral da Niantic, o editor de Pokemon GO, já anunciou numa entrevista para o Financial Times que o patrocínio de lugares turísticos – ou querendo virar turísticos- será num futuro próximo uma das grandes fontes de renda da empresa. Ser um Pokestop ou um PokeGyms terá um preço a pagar, mas dará também a garantia de ter uns novos fluxos turísticos cujos tamanhos serão proporcionais a raridade dos monstrinhos que terão sido comprados. Enquanto a folia perdurar, os Pokemons viraram mesmo uma atrações turísticas , e ajudando muitos destinos a atrair novos turistas.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original da revista profissional on-line L’Écho touristique

A vingança , as Pokebolas gigantes da cidade de Basel

Os países (proporcionalmente) menos turísticos do mundo, uma lista com algumas surpresas!

Barco de passeio no Bangladesh

Barco de passeio no Bangladesh

Para muitos viajantes, o pior pesadelo  é de encontrar outros turistas, e o sonho seria de visitar lugares onde a proporção de turistas em relação a população esteja a menor possível. why-now-is-the-time-to-visit-cuba1Nos últimos meses aparecerem assim artigos ou promoções incentivando a viajar para Cuba “antes que seja tarde demais”, antes que a autenticidade da ilha desaparece com invasão de 2, 3 ou 5 milhões de turistas americanos. Querendo ajudar os amadores de destinos exclusivos a encontrar lugares preservados, o site de analise de dados econômicos  Priceonomics publicou a lista dos 25 países os menos turísticos do mundo. Para estabelecer esse ranking muito peculiar, os técnicos dividiram o numero de habitantes de cada pais pelo numero de turistas publicado pela OMT – organização mundial do turismo.

O Taj Mahal no por do sol

O Taj Mahal no por do sol

O destino vencedor é o Bangladesh, o oitava pais mas populoso do mundo, com 160 milhões de habitantes mas que recebe somente 125.000 turistas, menos que o vizinho Butão, um atraso que as autoridades querem compensar com uma nova campanha de promoção “Visite Bangladesh antes dos turistas”. A campanha do BengladeshMesmo com cada visitante podendo se perder no meio de 1273 moradores, será porem difícil para o pais compensar a sua péssima imagem,  a sua falta de preparo frente aos desastres naturais, a sua insegurança e o atraso em infraestruturas publicas e turísticas. Vários países dessa lista dos “Top menos” – a Guinea, a Moldávia, a Serra Leoa, o Niger, a Papuásia ou o Tajiquistão – enfrentem problemas similares. Mais surpreendentes são as presença de potências turísticas como a Índia ou o Quênia, talvez prejudicadas pela  importância das suas populações. É mais surpreendente ainda a vigésima terceira posição do Brasil que recebe somente um turista para cada 32 habitantes, uma posição que não pode ser justificada somente com a distancia dos grandes centros emissores da Europa e da América do Norte .

PAISES DO “TOP MENOS” Turistas  (2014) Habitantes RATIO H./Tur
1 Bangladesh 125.000 159.078.000 1.273
2 Guinea 33.000 12.276.000 372
3 Moldavia 11.000 3.556.000 323
4 India 7.679.000 1.295.292.000 169
5 Serra Leoa 44.000 6.316.000 144
6 Niger 135.000 19.114.000 142
7 Etiopia 770.000 96.959.000 126
8 Chade 122.000 13.587.000 111
9 Madagascar 222.000 23.572.000 106
10 Mali 168.000 17.086.000 102
11 Burkina Faso 191.000 17.589.000 92
12 Bielorussia 137.000 9.470.000 69
13 Sudão 684.000 39.350.000 58
14 Costa do Marfim 471.000 22.157.000 47
15 Tanzania 1.113.000 51.823.000 47
16 Benin 242.000 10.598.000 44
17 Papuasia 182.000 7.464.000 41
18 Angola 595.000 24.228.000 41
19 Tadjikistão 213.000 8.296.000 39
20 Venezuela 857.000 30.694.000 36
21 Nepal 790.000 28.175.000 36
22 Quenia 1.261.000 44.864.000 36
23 Brasil 6.430.000 206.078.000 32
24 Uganda 1.266.000 37.783.000 30
25 Ilhas Salomão 20.100 572.000 28

Utilizando a mesma metodologia, Priceonomics publicou também a lista dos 25 países recebendo o maior numero de turistas por habitantes. Os vencedores não são as tradicionais maiores potências turísticas, França, Estados Unidos, China, Itália ou Espanha, mas pequenos países da Europa e do Caribe que souberam aproveitaram ao máximo seus recursos turísticos, sendo a Andorra o pais campeão. Igreja de São Estevo (Andorra)Esse pequeno principado dos Pirenéus, independente desde o Carlos Magno, e cujos co-presidentes são o Presidente da França e o bispo de Urgell na Espanha,  recebe mais de 2 milhões de visitantes para seus 73.000 habitantes, sendo o turismo responsável por 75% da sua economia. Na lista constam também pequenos pais de sucesso como Aruba, Hong Kong, Mônaco ou Bahrein, bem como destinos confirmados como Áustria, Grécia ou Croácia. Primeiro do ranking mundial pelo numero de turistas recebidos, a França não entrou nesse “Top 25” devido a importância da sua população, mas as projeções para 2020 – 100 milhões de turistas- devem lhe permitir de chegar perto.

Jean-Philippe Pérol

PAISES DO “TOP MAIS” Turistas (2014) Habitantes RATIO Tur/H
1 Andorra 2.363.000 73.000 32
2 Aruba 1.072.000 103.000 10
3 Monaco 329.000 38.000 9
4 Bahrein 10.452.000 1.362.000 8
5 Palau 141.000 21.000 7
6 Malta 1.690.000 427.000 4
7 Hong Kong 27.770.000 7.242.000 4
8 Bahamas 1.427.000 383.000 4
9 Bermuda 224.000 65.000 3
10 Icelandia 998.000 327.000 3
11 Maldivas 1.205.000 401.000 3
12 Austria 25.291.000 8.546.000 3
13 Curação 452.000 156.000 3
14 Croatia 11.623.000 4.238.000 3
15 Antigua 249.000 91.000 3
16 Seichelas 233.000 91.000 3
17 São Marino 75.000 32.000 2
18 Estonia 2.918.000 1.315.000 2
19 Montenegro 1.350.000 622.000 2
20 Singapora 11.864.000 5.470.000 2
21 Chipre 2.441.000 1.154.000 2
22 St Kitts 113.000 55.000 2
23 Grecia 22.033.000 10.870.000 2
24 Irlanda 8.813.000 4.616.000 2
25 Luxemburgo 1.038.000 556.000 2

Esse artigo foi inspirado de um artigo original da revista profissional francesa l’Echo Touristique