Em Saint Martin, histórias de sucessos anunciam uma animada temporada

A Praia da Anse Marcel, do Meridien ao Secrets, uma das mais atraente da Ilha

Saint Martin dá os últimos retoques para estar pronta no início da temporada turística, e pode até se adiantar, segundo as palavras do presidente da ilha francesa, Daniel Gibbs, já que as obras vão além da reconstrução. A remoção das marcas deixadas pelo furacão, o recapeamento das estradas, ou o enterramento de todos os cabos e fiações, e outras verdadeiras novidades serão prontas para mostrar aos viajantes que a ilha voltou mesmo a sorrir. Lembrando que foi uma destino pioneiro do Caribe no Brasil (chegou nos anos 1990 a ter até dois voos semanais operados com DC-10 da VARIG), e o pequeno território dividido entre a Holanda e a França quer mesmo agora voltar a ser o xodó caribenho dos brasileiros.

La Samanna, pronto para atender os clientes mais exigentes a partir de dezembro

A grande maioria dos hotéis já foi renovada, e já reabriram o Mercure, o L’Esplanade, o Petit Hôtel, o Grand Case Beach Club, o La Plantation, ou o La Playa Orient Bay. O famoso e luxuoso Belmond la Samanna vai reabrir dia 1ero de dezembro, e, se o Beach Hotel de Marigot, muito querido dos brasileiros, vai ser completamente reconstruído, a grande novidade vai ser a chegada da AM Resorts com a marca Secrets. Na Anse Marcel, no local que já foi do Meridien, do Radisson e do RIU, respeitando a arquitetura requintada dos  prédios, vai abrir em fevereiro de 2020  o Hotel Secrets Saint Martin Resort & Spa, com 258 apartamentos e suites, um SPA, cinco restaurantes, seis bares, uma espetacular piscina e o acesso direto a uma das mais bonitas praias da ilha.

Pequenos restaurantes também competem pela gastronomia

Bares e restaurantes continuam a honrar o valioso título de “Capital Gastronômica do Caribe” do qual se orgulha a parte francesa da ilha. Seja nos restaurantes das marinas, com seu jeito de “Côte d’Azur”, seja nas bem típicas e redesenhadas  cantinas dos cais de Marigot, seja no estrelado “Le Pressoir” ou nos exóticos restaurantes chineses ou indianos, as opções não faltam para agradar o paladar do viajante. Ainda dá para ter saudade do tão badalado “Calmos Café” (cuja equipe abriu por enquanto o restaurante “Télégraphe” na Baie Orientale), mas em compensação a gastronomia e o “fooding” local têm grandes novidades, sendo a mais espetacular em Grand Case, o restaurante  “Barranco” do casal Raoul e Anne Sebbagh.

Raoul e Anne, criadores da espetacular novidade gastronômica de Saint Martin

Com experiência das praias de Saint-Tropez e da vida noturna da Borgonha, Raoul e Anne tinham comprado um restaurante em Grand Case dois meses antes do furacão, e apenas acabaram as primeiras obras que tiveram que recomeçar. Com garra, trazendo ideias, móveis e design de Marrakech, do Caribe, e do famoso bairro Barranco de Lima (Peru) que acabou dando o nome do local, eles conseguiram abrir um estabelecimento juntando alto gastronomia e animação noturna. Com um casal de dois chefs franceses – que trabalharam na França com Joel Robuchon e Anne-Sophie Pic-, e um cardápio com grandes destaques – entradas caribenhas, “oeuf parfait à la truffe”, ou costela de boi da Galícia – o Barranco já compete para ser um dos melhores da ilha.

O perfeito “oeuf parfait à la truffe” do Barranco

Aberto do pôr do sol até a madrugada, com um mixologista italiano, um bem escolhido cardápio de vinhos e de runs, e uma música estudada para estimular os visitantes a dançar, o Barranco já virou o lugar imprescindível, um dos símbolos marcantes da simpatia, da alegria de viver e do bom gosto de Saint Martin, a franco-caribenha que voltou mesmo a sorrir.

Jean Philippe Pérol

Entre a praia e a marina, os telhados azuis do novo Secrets Resort and Spa

Com o casal de chefs Louis Verstrepen e Justine Bonnet do Barranco

Refeições a francesa: alem da Unesco, prazer, alegria e convivialidade!

TEMPLIERS6

Relais & Châteaux Auberge des Templiers ©Photo Eric Dudan

Dentre dos novos impulsos que a França quer dar a seu turismo, a gastronomia tem um lugar de destaque, sendo escolhida como a primeira temática valorizada pelo recém criado Conselho nacional da promoção do turismo. A presença no grupo de trabalho de três dos mais respeitados chefes franceses – Alain Ducasse, Guy Savoy e Joel Robuchon – , o envolvimento do ministro das relações exteriores, e a escolha do 19 de Março como dia mundial dos “goûts de France” – Sabores da França- mostraram que o assunto é sério.

É claro que os 610 restaurantes estrelados pelo prestigioso Guia Michelin são um grande atrativo,  e os brasileiros frequentam as mesas dos mais famosos “trois étoiles” como o Relais Bernard Loiseau na Borgonha, a Maison Pic em Rhône-Alpes e a Assiette Champenoise em Reims. 1377098324equipeChefes mais novos, com cozinha alegre e criativa, também se promoverem recentemente no Brasil, o Michael Nizzero da Briqueterie na Champanha, ou o Jean Sulpice de Val Thorens.

Mas a gastronomia na França vai agora muito além do sucesso desses mestres talentosos. Desde o reconhecimento pela Unesco da “refeição gastronômica à moda francesa”em 2010, o foco não é mais uma receita francesa em particular, ou um formalismo extremo restrito a uma elite. tableÉ hora do prazer, ou melhor, dos prazeres da mesa. Comer, na França, é um ritual cultural marcando momentos importantes da vida, mas com uma mistura original de convivialidade e gastronomia, que reúne os franceses ao redor duma mesa bem colocada, para dividir pratos de qualidade acompanhados de um vinho adequado. Uma refeição é antes de tudo um momento de prazer, não um pit-stop numa correria desajeitada.

20122567A força da gastronomia francesa (para 20% dos brasileiros, o primeiro motivo de viagem para França) é que esse prazer e essa alegria podem ser vividos nos 78.000 restaurantes das 26 regiões francesas. Um bom “repas a francesa”, com seu aperitivo, seus pratos a base de produtos locais, seus queijos e sua combinação de vinhos, pode ser encontrado em todas as regiões, e cada francês tem seus favoritos. Toubana-053Pode ser uma “brasserie” em Paris a Closerie des lilas, ou a Coupole tão querida dos brasileiros, ou na Ile de la Cité o tranquilo Restaurant Paul. Em Lille, no surpreendente norte onde a cerveja acompanha o culinário “Chti”, a tradicional Chicorée é uma grande opção. Mas pode ser a Ferme Saint Sebastien em Charroux, na Auvergne, o criativo Côté cour na cidade de Aix en Provence ou o caribenho Toubana na Guadalupe. Pode ser um desses simpáticos e agitados “bouchons” de Lyon, o “Tire-bouchon” ou o “Les Lyonnais”. DSCN0193Ou pode ser também uma “table d`hôtes” de um pequeno vilarejo, por exemplo perto de Auzances, na minha terra, o maravilhoso “Au petit creusois” que tem as vezes cogumelos frescos (“girolles”) e serve um menu completo por menos de 30 euros.

É esse espírito de convivialidade e prazer, enraizado na sua gente e na sua terra, que faz o turista amar a gastronomia francesa. Mas na terra da liberdade, alem desses rituais, pode aproveitar refeições bem simples, por exemplo um prato em volta dum vinho no L’écluse em Paris ou no bar de la Poste em Saint Emilion. DSCN3797 - copieE se não poder parar o tempo necessário, lembre-se que um Jambon Beurre (sanduiche de presunto e manteiga numa “baguette”), com um copo de Saint-Amour no balcão do barzinho da esquina, não é um “repas à la française” mas também representa um excelente momento de prazer e de alegria à francesa.

Jean-Philippe Pérol

MOULIN4

Relais & Châteaux Moulin de l’Abbaye ©Philippe Schaff