Coletes amarelos, para o turismo francês um golpe que os profissionais ainda querem reverter!

Os Champs Elysées foram um dos principais alvos das violências

Se o movimento dos coletes amarelos está afetando há dezenove semanas toda a economia francesa, impactando seu crescimento anual de 0,2% segundo as últimas estimativas oficiais, os profissionais do turismo já estão sofrendo um impacto muito maior. O setor está não somente sofrendo pelos quebra quebras dos black blocks que atacam em prioridade restaurantes e lojas dos setores turísticos. Foram 200 milhões de euros de destruições em 19 semaines. Nos tão procurados Champs Elysees, 50% das 180 lojas mais emblemáticas  foram atingidos e 10% foram parcialmente ou, assim como o Fouquet’s,  completamente destruídas. Já tendo avisado o governo em novembro das dificuldades dos hoteleiros, dos comerciantes e dos donos de restaurantes, as grandes federações profissionais estão pedindo medidas urgentes.

Muito seguido fora de Paris, o movimento foi em geral pacífico

Alem dos estragos materiais, o turismo está sofrendo com os cancelamentos de viagens programados – especialmente de europeus- e com a falta de reservas dos mercados distantes – inclusive do Brasil. Com uma queda de 5 à 10% por mês desde o inicio do movimento dos coletes amarelos, é certo que o recorde de 2018 (90 milhões de turistas?) não será mais superada e que a liderança mundial – frente aos concorrentes estadounidense, espanhol e chinês – está sendo ameaçada. O secretario de turismo, Jean Baptiste Lemoyne, já previu que o esse ano será um ano difícil para o setor. Mas a preocupação dos profissionais do turismo vai alem de 2019. As imagens dos choques, dos incêndios e dos quebra quebras poderiam também impactar de forma duradoura a própria imagem da França.

Desde o mês de Novembro, algumas medidas de apoio ao turismo foram anunciadas, mas são principalmente adiamentos de pagamentos de impostos e taxas que serão insuficientes para aliviar as perdas do setor, e mais ainda para tranquilizar a curto e médio prazo os turistas internacionais. O pedido mais urgente dos profissionais (e dos moradores) é a tolerância zero com a violência, uma mensagem que parece ter sido ouvida especialmente em Paris onde, depois de mudanças dos responsáveis da ordem pública, os últimos protestos foram perfeitamente controlados tanto pelos  coletes amarelos que pela policia, ambos os lados parecendo ter percebido as ambiguidades não beneficiam a ninguém.

Em Toulouse, os comerciantes chamando atenção para crise

Os atores do turismo esperam também que  o governo será capaz de responder as preocupações que levaram os coletes amarelos a descer na rua. Contando no inicio com forte apoios dos comerciantes -cansados uma das maiores pressões fiscais do mundo, dos aposentados preocupados com a desindexação das aposentadorias, dos moradores dos milhares de vilarejos abandonados pelos serviços públicos, ou dos desempregados vitimas da deslocalização das suas fabricas, o movimento perdeu seus apoios pela sua falta de liderança e incapacidade a impedir a violência. Parece porem claro que somente umas respostas concretas aos problemas levantados poderão apaziguar de vez os ânimos e acabar com os protestos.

Os profissionais esperam uma nova campanha de promoção internacional

As lideranças do turismo esperam também que o governo apoia uma nova campanha de promoção do destino. Enquanto cortes de 4 milhões de Euros já foram anunciados no orçamento 2019-2020 da Atout France, eles pedem não somente que essa decisão seja reconsiderada, mas ainda que seja feitos os investimentos necessários para reverter os estragos que impactam diretamente ou indiretamente quase dois milhões de empregos, prejudicam um setor chave da economia francesa, e afetam a própria imagem internacional da França. Enquanto está apenas começando a primavera, os otimistas pensam que 2019 pode ainda ser uma boa safra para o turismo francês.

Jean Philippe Pérol

Em Deauville, a esperada reabertura do mítico Hotel Normandy

Hotel-Normandy-Barriere

O Hotel Normandy é a alma de Deauville. Com mais de cem anos, o hotel foi inaugurado em 1912, sendo o primeiro do grupo Lucien Barrière que começou com esse prédio  o “sucesso story” da empresa nos ramos da hotelaria de luxo e dos cassinos. FILMAGEM PARA UM INCENTIVO ATOUT FRANCENuma cidade cuja historia é ligado ao cinema e ao turismo, o Hotel teria muito que contar sobre grandes vedetes francesas e internacionais. Foi entre as suas paredes que Christophe Lambert e Sophie Marceau se encontraram durante a filmagem de “A chave do mistério”. A suite “Anouk Aimée” lembra o casting do famosíssimo “Um homem, uma mulher” . O bar apareceu em varias cenas de filmes, com ícones como Jean Gabin ou Jack Nicholson. E, no restaurante La Belle Époque,  os fotógrafos jà surpreenderam  James Coburn, André Citroen, Gérard Depardieu, Winston Churchill, Errol Flynn ou Coco Chanel que abriu em Deauville sua primeira loja em 1913.

Um homem, uma mulher

Alem do cinema, o mundo do turismo marcou também a historia do Normandy. De 1978 ao 2007, o salão Top Resa era o ponto de encontro obrigatório de todos os profissionais   ligados com o turismo franceses.TOP RESA Nesses anos de ouro do turismo, executivos de companhias aéreas, diretores de grandes operadoras, donos de agencias de viagens, ministros ou presidentes de destinos turísticos,  e jornalistas especializados nunca perdiam esses três dias de encontros, de seminários, de negócios e de festas. Não faltaram figuras do turismo brasileiro: o ministro Caio de Carvalho, diretores da Varig e da TAM, ou governadores como Rosana Sarney ou Jarbas Vasconcelos. Top Resa- estande Embratur em 2007A crise de 2007, as mutações do turismo, e a cautela dos investidores com os eventos glamourosos, levaram os organizadores a transformar completamente o salão. Ele saiu da Normandia procurando mais eficiência e menos brilho. Acabou o glamour e chegou a saudade, ele deixou Deauville, o Hipódromo  e o Normandy, e em 2008 foi embora para Paris e o Parque das Exposições da Porte de Versalhes.

O Bar do Normandy

Fechado desde o primeiro de Novembro, o Normandy está sendo completamente renovado.  Desde 2010 jà tinham sido restaurados os telhados e 80 dos 330 quartos e suites, bem como a recepção e o lobby. Para finalizar o trabalho, era porem necessário de fechar completamente o hotel, sendo os clientes direcionados para o vizinho Le Royal – outro estabelecimento de prestigio do grupo Lucien Barrière . Piscina do NormandyOs tecidos das paredes dos quartos e dos corredores, bem como todos os carpetes, foram arrancados e o canteiro foi entrego aos artesãos. A reabertura é prevista para o dia 29 de Abril, mas os arquitetos já avisaram que as obras poderão trazer algumas surpresas, e até agora já encontraram  uma coleção de jornais de 1911 descrevendo o ambiente das ruas e praias do Deauville da época, ou um misterioso retrato pintado diretamente numa parede e que poderia ser dum artista conhecido.

Fouquet's em Paris

O grupo Barriere, fundado em 1912 por Francois André Barriere, virou uma referencia nos setores da hotelaria de luxo e do lazer. Possui hoje 32 cassinos, 16 hotels e mais de de 140 restaurantes e bares. Toulouse LE FOUQUET'SAlem do Normandy, a grande bandeira de prestigio do grupo é o Fouquet’s, um bar restaurante parisiense onde a alta sociedade encontrava artistas ou atores. Incorporado ao  Grupo Lucien Barriere em 1998, o Fouquet’s dos Champs Elysées foi reformado em 1999 e serviu de modelos para os Fouquet’s de Cannes, La Baule, Marrakech e Toulouse. Uma estratégia de expansão mundial que não impede o grupo Lucien Barriere de se lembrar que o coração do seu savoir-faire fica nos seus hotéis de Deauville , e mais ainda na excelência do Hotel Normandy.

Esse artigo foi traduzido e adaptado dum artigo da revista on line Pagtour

O Hotel Royal Barriere em Deauville

O Hotel Le Royal Barriere em Deauville