A crise do marketing de destino chega na França

Rendez vous en France, encontro dos parceiros franceses e internacionais

Alem de um brutal corte de orçamentos, a crise que explodiu a semana passada na Atout France, órgão oficial do turismo francês, significa talvez o fim de um modelo de parceria inventado pela equipe de um então ministro do governo Chirac. Exclusiva dos ministérios ou das administrações publicas desde as suas origens no inicio do século XX, a promoção do turismo internacional conheceu em 1987 uma verdadeira revolução. Agregando quatro órgãos oficiais preexistentes, o ministro Descamps convenceu setenta profissionais de entrar como parceiros numa nova estrutura co-gerenciada e co-financiada pelo governo federal e os profissionais públicos e privados do setor. Era o nascimento da Maison de la France,  uma associação que chegaria a juntar 1300 empresas francesas de turismo e a estabelecer relações estreitas com mais de mil operadoras em 35 países.

Com a mudança de 2009, Atout France integrou o Ministério das Relações exteriores

A Maison de la France acompanhou a volta da França na liderança do turismo mundial, e criou um novo modelo de parceria publico privado. Em 2009 virou Atout France, assumindo novas responsabilidades na planificação do turismo e na classificação hoteleira. Nessa trajetória de sucessos, as recentes decisões do governo chocaram os profissionais e a imprensa do trade e econômica. Atout France poderia ser obrigada a reduzir de um terço a sua presencia no exterior, encolhendo o seu quadro de colaboradores e talvez o numero de países onde está operando, um paradoxo para uma autarquia que depende agora do ministério das Relações Exteriores. As ambições do governo francês, 100 milhões de turistas em 2020 e 60 bilhões de euros de receitas, seriam então seriamente ameaçadas.

As campanhas B2C sofrem dos cortes de verbas

É certo que, mesmo se o corte de quatro milhões de Euros  pode parecer limitado porque representa somente 12% do aporte total do governo, as preocupações do setor devem ser tratadas com respeito e seu impacto não devem ser subestimado. Mas seria injusto de colocar toda a responsabilidade da situação nas últimas decisões do atual governo, isso por duas razões. Em primeiro lugar deve ser lembrado que os governos anteriores realizaram cortes mais importantes ainda nos últimos 15 anos, reduzindo de até 75% as verbas de promoção, e cortando de 80% o numero de funcionários públicos colocados gratuitamente a disposição da associação. A novas tarefas de engenharia e classificação, sem dúvidas muito gratificantes e estrategicamente interessantes, foram impostas sem nenhuma contrapartidas financeiras, aumentando mais os custos fixos.

Air France, desde as origens um apoio excepcional para o turismo francês

A redução dos gastos de promoção não foi também exclusiva do governo. As grandes empresas de viagens e turismo que investiam com força ao lado do governo, emprestando funcionários e participando de campanhas de imagem da França, reduziram suas participações.  Se o apoio da Air France continua sendo excepcional, grupos como Accor, Pierre et Vacances ou o Club Med representam hoje menos de um por cento das parcerias acumuladas. Os outros órgãos públicos de promoção, a níveis regionais ou municipais, também diminuíram as suas verbas, não somente porque falta dinheiro público, mas porque são cada vez mais preocupados promover suas próprias marcas com exclusividade, sem necessária associação com o destino França, desprezando as vezes a expertise que Atout France acumulou com seus colaboradores e seus contatos.

O apoio dos profissionais foi decisivo no sucesso da Atout France

Mostrando a insensibilidade do governo sobre a importância do setor, o choque levado pela Atout France com a redução das verbas públicas acelera as perguntas sobre o modelo criado em 1987. Os seus dois pilares, marketing e parcerias, não têm mais o mesmo apelo junto aos profissionais. O marketing perde força, exprimido entre o branding sempre muito ciumento e as vendas só interessadas por ações com resultados concretos e imediatos. Sem o atrativo do dinheiro publico e seu poder de impor mensagens claras, as parcerias são mais escassas  e as ações conjuntas cada vez mais complicadas. O novo modelo que tem que surgir não pode se restringir a uma (necessária) volta das verbas do governo, mas deve reinventar o posicionamento e os investimentos dos profissionais franceses e estrangeiros. Ao governo, sim, a responsabilidade de tomar a liderança dessa reconstrução, aproveitando as competências das suas equipes e as expectativas dos seus parceiros.

Jean Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue”  do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos 

Sucesso de parceria público/privado, um modelo a reinventar?

2015: os arredores de Paris nas novas tendencias do turismo mundial…

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Foi de forma inesperada que Paris apareceu essa ano na badalada lista das tendências do turismo publicadas pelo New York Times. Esquecendo o chamado “Paris intra muros”, os jornalistas escolheram a região inteira, a Ile-de-France, como um dos 52 destinos imperdíveis de 2015. A abertura da Fundação Louis Vuitton, catedral de vidro, de aço e de madeira clara desenhada por Frank Gehry – o arquiteto do Guggenheim de Bilbao -, foi sem dúvidas decisiva nessa escolha.1280px-Jardin_acclimatation_DSC04371 Localizada ao Oeste de Paris, perto do famoso “Jardin d’Acclimatation”, parque de diversões inaugurado em 1860 pelo imperador Napoleão III, esse projeto do grupo LVMH de Bernard Arnault, não é somente um projeto inovador, modelo de arquitetura sustentável, integrando obras excepcionais de Ellsworth Kelly, Olafur Eliasson ou do argentino Adrian Villar Roja. Além de renovar a criação artística da capital francesa, a Fundação vai também dar um impulso novo ao Bois de Boulogne e aos parques e jardins da região.

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Vários outros projetos também explicam o novo sucesso turístico da Île-de-France . Foi em 2012 o Museu de Arte moderna Larry Gagosian em Le Bourget, a  Galerie Thaddaeus Ropac de Pantin ou o Museu de Arte contemporâneo de Ivry-sur Seine, ambos instalados em antigas fabricas. MOLITOR PARIS BY MGALLERY - 7326Da periferia de Paris até  as vizinhanças de Disneyland, a região veja também pipocar novos projetos hoteleiros, desde o deslumbrante MGallery da Accor construído em volta da emblemática piscina Molitor, até os Villages Nature, novo conceito de eco-turismo urbano desenvolvido pelos grupos Pierre et Vacances e Disney. peixe boiNas novidades para crianças e família, distacou-se tambem em 2014 a reabertura do zoológico de Vincennes com seus 1000 animais de 180 espécies diferentes. Com um conceito revolucionário, privilegiando o bem estar dos animais, a beleza das paisagens e a comunicação com os visitantes, são recriados os ecossistemas de origem de cada espécie.

VERSAILLES

A região Ile-de-France é também, antes de tudo, um celeiro do patrimônio cultural francês. Mesmo se o projeto do “Grande Versailles”caminha devagar, as renovações não param: em 2014 os apartamentos da Meridienne, da Rainha Marie-Antoinette e em 2015 as águas de Latone. 230px-Saint-Denis_-_Basilique_-_Extérieur_façade_ouestO ano passado o palácio de Versalhes recebeu mais de 7,5 milhões de visitantes, sendo o terceiro lugar mais visitado da região depois da Disneyland (15 milhões) e do Louvre (9,2 milhões). A vontade de renovação da região é tão forte que até a basílica real de Saint Denis, primeira catedral gótica onde foram enterrados mais de setenta príncipes da realeza francesa, sonha agora em reconstruir sua torre norte destruída no século XIX.

Num ano de grande concorrência com outras capitais europeias, Londres ainda explorando o embalo dos J.O. ou Milão aproveitando a Expo mundial «Nutrir o Planeta, Energia para a Vida», as novas tendências desenhadas na Ile-de-France  vão sem dúvida ajudar Paris a consolidar sua posição de  liderança do turismo mundial.

Jean-Philippe Pérol

Ile de France: Jantar a luz de vela no castelo de Vaux le Vicomte

Ile de France: Jantar a luz de vela no castelo de Vaux le Vicomte

Verão: vamos para a praia ou para a neve?

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De dezembro a abril, no hemisfério Norte, a escolha de um destino de férias exige que se responda, primeiramente,  a uma grande pergunta: praia ou neve? Na França, por exemplo, 21%  dos viajantes escolhem a segunda opção, privilegiando as montanhas francesas para praticar em família o esqui ou os demais “esportes de inverno”.

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No Brasil a neve é a opção de poucos privilegiados, menos de 100.000 esquiadores que escolhem em prioridade as pistas de Bariloche ou de Valle Nevado, ou as estações da América do Norte como Aspen, Veil ou Lake Tahoe. A França continua sendo um dos grandes destinos europeus,  com uma clientela fiel que não dispensa Courchevel, Megève ou Chamonix como pontos obrigatórios. A cultura das “férias de inverno francês”, no entanto, ainda não convenceu todos os novos viajantes brasileiros, talvez porque seus atrativos tão atuais ainda não foram bem divulgados.

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A neve é não somente uma atividade esportiva individual, mas uma experiência global dividida com a família ou os amigos. Claro que a qualidade das pistas e o tamanho das áreas esquiáveis  fazem do esqui, junto com o snow-board ou outras modalidades, a motivação mor dos turistas que escolhem os Alpes franceses no inverno.  Mas o esporte, a beleza das paisagens, a qualidade do ar e os prazeres do ‘après-ski’ criam uma experiência inesquecível… Esquiar na França não é só descer uma pista verde, azul, vermelha ou preta.2437c38d96105_cdp-exterieur-3 (1) É parar com seu filho para um chocolate no Chalet de Pierres, em Courchevel, relaxar com sua mulher no SPA do Club Med de Peisey-Vallandry, jantar com seus amigos no Jean Sulpice de Val Thorens, ou simplesmente dividir com a família uma fondue no L’Alpage de Megève.

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A neve é também uma experiência para todos. Hoje há uma procura grande para hospedagens mais sofisticadas, seja nos ‘villages’ do Club Med (Valmorel, Val Thorens …), nos Palaces de Courchevel (Les Airelles e Le Cheval Blanc) ou nos vários Relais Châteaux (o Chabichou, o Grand Coeur, o Chalet du Mont d`Arbois…). Vue extérieure ; Façade ; NeigeMas a tendência nos últimos anos é o crescimento de estações até então menos conhecidas, e em geral mais em conta, como Val Thorens, Val d’Isere, AvoriazLa Plagne, ou Tigne. Tem um excelente Mercure em Chamonix, e cresce a procura para apart-hotéis, especialmente para Pierre et Vacances que tem uma excelente oferta, com muitas propriedades com preços promocionais para famílias ou pequenos grupos de amigos. Podendo dispor de uma pequena cozinha é ótimo poder aproveitar um jantar descontraído com vinhos da Savoie, queijos locais (Tomme, Emmenthal, Roblochon) ou embutidos típicos (saucissons, grelots, grignotons…) .

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Experiência global, neve para todos, essas novas tendências para novos viajantes serão apresentadas durante o Salon Grand Ski que Atout France está organizando dia de janeiro em Chambery. 00000267 - copieVinte profissionais brasileiros estarão participando junto com 460 colegas vindo de 50 países. Todos terão que a dura tarefa de escolher entre as ofertas de mais de 160 expositores aquelas que permitirão aos brasileiros de decidir para suas próximas férias de verão: neve ou praia?

Jean-Philippe Pérol

Esquiar na França, algumas razões para essa paixão.

 AMIGOS VAL THORENS

No próximo dia 21 de janeiro, mais de 400 operadoras vindo de quase 40 países vão ser recebido em Chambery, nos Alpes Franceses, para o salão ‘Grand Ski’.GRAND SKI O sucesso desse evento, ao qual  participarão esse ano 10 profissionais brasileiros, é  diretamente ligado ao sucesso do esqui francês que parece ter achado nos últimos anos um novo impulso nos mercados internos e internacionais. Ainda estagnado com menos de 5.000 esquiadores para França (num total de 30.000), o mercado brasileiro também está mudando com a chegada de novos viajantes. Mas existam pelo menos três serias de  razoes  para pensar que eles vão escolher os Alpes franceses para férias de inverno no hemisfério Norte .

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A primeira é a qualidade do próprio esqui, a começar pelas áreas esquiáveis (Les Trois Vallées ou les Portes du Soleil tem mais de trezentas pistas, quase o dobro de Vail e o quadruplo de Aspen). De Courchevel a Avoriaz, de Val Thorens a Val d’Isère ou de Megève a Chamonix, as estações dos Alpes Franceses sempre gozam duma grande variedade de descidas (verdes, azuis, vermelhas ou pretas), tanto para esqui que para snowboard. Para todos, os monitores são sempre um bom pedido, pelo menos para dois ou três dias. Sempre felizes de atender clientes brasileiros, eles ajudam a relembrar o básico e a escolher as pistas e os itinerários mais adaptados, enquanto as crianças podem ficar na escolinha.

chamonix-restauran_2446085bA segunda boa razão são  os prazeres do ‘Après-ski’, assim chamado pelos franceses que, durante as férias de inverno, valorizam muito os momentos passados no pos-esqui….  Um lanchinho no Chalet de Pierres em Courchevel, um drinque no Rond Point de Meribel, um jantar no La Grande Ourse de Val d’Isère ou no Chabichou de Courchevel, um fim de tarde fazendo compras nas ruas de Megève ou de Chamonix, e depois o SPA para relaxar antes duma Fondue, duma Raclette ou dum Genepi entre amigos.

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Os agentes que vão participar do Grand Ski em Chambery  ficarão também impressionados com a variedade das estacões e das opções de hospedagens que podem ser encontrados.CLUB Os turistas brasileiros estão escolhendo os ‘villages’ do Club Med (Valmorel) em primeiro lugar. Os hotéis de luxo de Courchevel são também muito procurados, inclusive o único palace dos Alpes (o Les Airelles) ou os vários Relais Châteaux (o Chabichou por exemplo). Mas a tendência nos últimos anos é o crescimento de estações até então menos conhecidas aqui, como Val Thorens, Val d Isere, Avoriaz ou La Plagne , bem como uma procura para apart-hotéis. Val_Thorens_Officiel CPierre et Vacances, por exemplo, tem uma excelente oferta , com muitas propriedades e preços muito razoáveis, especialmente para famílias ou pequenos grupos de amigos; dispor duma pequena cozinha é ótimo para poder aproveitar um jantar descontraído com vinhos da Savoie (os brancos são melhores), queijos locais (Tomme, Emmenthal, Roblochon) ou salames típicos (grelots, grignotons…) .

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Enquanto as agencias e operadoras precisam de produtos com muito valor agregado a oferecer para seus clientes, o esqui é uma opção que necessita sempre um profissional competente. O viajante precisa de conselhos para escolher a estação e a hospedagem certas,  ele tem de comprar todos os componentes da viagem juntos. É precisa de dicas  para combinar com outros destinos (no caso dos Alpes, a indispensável parada cultura/shopping em Paris, as vezes com Disney se tiver crianças), enfim tem que saber escolher as datas para aproveitar a melhor neve e os melhores preços.

Com seus clichês e seus sonhos, suas atividades esportivas, seus momentos de prazeres divididos com amigos e familiares, o esqui tem um imenso potencial para os viajantes brasileiros.  Provendo a neve dos Alpes Franceses, não tem duvidas que uma primeira experiência será seguida de muitas outras. Para agentes e operadoras do Brasil, é agora que tem que pegar essa oportunidade!

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Jean-Philippe Pérol