Carcassona, inscrita duas vezes ao Patrimônio da UNESCO

O luar iluminando a cidade de Carcassona

Enquanto a UNESCO está sendo violentamente criticada pelo Presidente Trump pelas suas escolhas patrimoniais,  Carcassona festeja os vinte anos da sua inscrição ao Património mundial da humanidade mostrando os acertos dessa lista que conta hoje mais de mil monumentos. A cidade fortificada recebe hoje mais de 2 milhões de turistas – sendo a quinta cidade mais visitadas da França, e o reconhecimento da sua importância cultural pela UNESCO foi sem duvidas um fator chave da sua popularidade junto aos viajantes franceses e internacionais. Sendo ainda atravessada pelo “Canal du Midi” – outro monumento francês pertencendo ao Patrimônio mundial- o conjunto oferece um acervo cultural único e duas vezes premiado.

As impressionantes muralhas da cidade fortificada

Conhecidas desde os últimos séculos do Império Romano, as fortificações foram reforçadas de 1082 a 1209 pela dinastia dos Viscondes de Trencavel que tentavam consolidar um estado independente entre a França e a Espanha. Tendo tolerado nas suas terras a heresia dos Cátaros e seu ascetismo místico, o ultimo visconde – Raymond Roger Trencavel-, teve que enfrentar a partir de 1209 uma cruzada militar que acabou com a devolução do seu feudo para o Rei da França. Durante os reinados de Saint Louis e dos seus sucessores, a cidade fortificada foi ampliada para corresponder a seu novo estatuto de fortaleza real, e uma segunda muralha de 3 quilômetros e 32 torres foi erguida. Um novo centro urbano, a Bastide Saint-Louis, foi construído, dando ao conjunto o aspecto que ele tem até hoje.

Mas se Carcassona parece ainda hoje mostrar a gloria de Saint Louis, Rei da França, é porque ela foi completamente restaurada logo no século XIX, em 1853, quando o arquiteto Viollet le Duc conseguiu convencer Napoleão III de financiar as obras de reabilitação, uma obra gigantesca que demorou quase 60 anos mas já atraiu 50.000 turistas em 1913! Agora as ruas estreitas da cidadela, as salas abertas para as visitas (sendo a mais procurada a Camera Rotunda e suas pinturas murais), e a basílica romana e gótica com seus espetaculares vitrais são lotadas de visitantes durante o dia. Mas, a noite,  são exclusivas dos 35 moradores e dos hospedes dos dois hotéis que ficam dentro da cidade fortificada, o MGallery Hotel de la Cité e o Best Western Le Donjon.

A Praça Carnot e a Fonte de Neptuno

Atravessando o Rio Aude, a antiga Bastide Saint Louis é hoje o centro da cidade, com suas ruas herdadas do século XIV vibrando de vida e de cultura. Feiras livres, pequenos empórios, lojas inesperadas, livrarias e terraços de cafés acolhedores são paradas obrigatórias depois de uma visita do Museu das Belas Artes, ou de um passeio nas margens do Canal do Midi. E se Carcassona têm dois restaurantes gastronômicos estrelados pela Michelin (La table de Frank Putelat et le Domaine d’Auriac), vale a pena experimentar nos pequenos bares ou bistrôs as duas especialidades da região: o seu vinho, o “Cité de Carcassonne”, produzido nos 160 hectares de vinhedos que cercam a cidade, e seu “cassoulet”,  esse prato mítico da cozinha occitana que alguns fãs gostariam de inscrever como terceiro Patrimônio mundial de Carcassona.

Jean Philippe Pérol

O porto fluvial de Carcassona no Canal du Midi

A alma de Carcassona se encontra também lendo a historia dos cátaros

 

2015: os arredores de Paris nas novas tendencias do turismo mundial…

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Foi de forma inesperada que Paris apareceu essa ano na badalada lista das tendências do turismo publicadas pelo New York Times. Esquecendo o chamado “Paris intra muros”, os jornalistas escolheram a região inteira, a Ile-de-France, como um dos 52 destinos imperdíveis de 2015. A abertura da Fundação Louis Vuitton, catedral de vidro, de aço e de madeira clara desenhada por Frank Gehry – o arquiteto do Guggenheim de Bilbao -, foi sem dúvidas decisiva nessa escolha.1280px-Jardin_acclimatation_DSC04371 Localizada ao Oeste de Paris, perto do famoso “Jardin d’Acclimatation”, parque de diversões inaugurado em 1860 pelo imperador Napoleão III, esse projeto do grupo LVMH de Bernard Arnault, não é somente um projeto inovador, modelo de arquitetura sustentável, integrando obras excepcionais de Ellsworth Kelly, Olafur Eliasson ou do argentino Adrian Villar Roja. Além de renovar a criação artística da capital francesa, a Fundação vai também dar um impulso novo ao Bois de Boulogne e aos parques e jardins da região.

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Vários outros projetos também explicam o novo sucesso turístico da Île-de-France . Foi em 2012 o Museu de Arte moderna Larry Gagosian em Le Bourget, a  Galerie Thaddaeus Ropac de Pantin ou o Museu de Arte contemporâneo de Ivry-sur Seine, ambos instalados em antigas fabricas. MOLITOR PARIS BY MGALLERY - 7326Da periferia de Paris até  as vizinhanças de Disneyland, a região veja também pipocar novos projetos hoteleiros, desde o deslumbrante MGallery da Accor construído em volta da emblemática piscina Molitor, até os Villages Nature, novo conceito de eco-turismo urbano desenvolvido pelos grupos Pierre et Vacances e Disney. peixe boiNas novidades para crianças e família, distacou-se tambem em 2014 a reabertura do zoológico de Vincennes com seus 1000 animais de 180 espécies diferentes. Com um conceito revolucionário, privilegiando o bem estar dos animais, a beleza das paisagens e a comunicação com os visitantes, são recriados os ecossistemas de origem de cada espécie.

VERSAILLES

A região Ile-de-France é também, antes de tudo, um celeiro do patrimônio cultural francês. Mesmo se o projeto do “Grande Versailles”caminha devagar, as renovações não param: em 2014 os apartamentos da Meridienne, da Rainha Marie-Antoinette e em 2015 as águas de Latone. 230px-Saint-Denis_-_Basilique_-_Extérieur_façade_ouestO ano passado o palácio de Versalhes recebeu mais de 7,5 milhões de visitantes, sendo o terceiro lugar mais visitado da região depois da Disneyland (15 milhões) e do Louvre (9,2 milhões). A vontade de renovação da região é tão forte que até a basílica real de Saint Denis, primeira catedral gótica onde foram enterrados mais de setenta príncipes da realeza francesa, sonha agora em reconstruir sua torre norte destruída no século XIX.

Num ano de grande concorrência com outras capitais europeias, Londres ainda explorando o embalo dos J.O. ou Milão aproveitando a Expo mundial «Nutrir o Planeta, Energia para a Vida», as novas tendências desenhadas na Ile-de-France  vão sem dúvida ajudar Paris a consolidar sua posição de  liderança do turismo mundial.

Jean-Philippe Pérol

Ile de France: Jantar a luz de vela no castelo de Vaux le Vicomte

Ile de France: Jantar a luz de vela no castelo de Vaux le Vicomte