Tour de France 2017: Lascaux, Nuits Saint Georges, Marselha e um piscar de olho para os JO 2024!

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Nuits Saint Georges, uma das etapas mais esperadas do Tour 2017

Apresentado na ultima terça feira em Paris, o itinerário do 104º Tour de France  já leva corredores e seguidores a preparar esse evento tão especial do esporte popular francês. Saindo de Dusseldorf, na Alemanha, e passando pela Bélgica e pelo Luxemburgo, a maior prova do ciclismo mundial atravessará em 2017, pela primeira vez há 25 anos, os cinco maciços montanhosos da França: Vosges, Jura, Pirenéus, Maciço Central e Alpes. Concentradas no leste e no sul, as 21 etapas são bem equilibradas entre as planícies favorecendo os “sprinters” e as montanhas esperadas pelos “escaladores”.

O mapa do Tour 2017

O mapa do Tour 2017

Do ponto de vista esportivo, mesmo se o numero de ascensões diminui de 28 para 23, o Tour de France 2017 continua destacando a montanha. Três linhas de chegadas foram traçadas no final de subidas de dificuldade máxima, nos cumes dos Vosges (em Planche des Belles Filles), dos Pirenéus (em Peyragudes, onde foram filmadas cenas do James Bond “O amanhã não morre”), e dos Alpes (no lendário Passo do Izoard). Outros grandes passos estão no itinerário, incluindo o Galibier, perto de Serre-Chevalier nos Alpes, ou o  Balès nos Pirenéus. Os diretores do Tour lembraram também que o Jura será percorrido pela primeira vez com três passos e umas descidas espetaculares levando para Chambery.

A gruta de Lascaux IV

A gruta de Lascaux IV

Se o Tour é procurado por todos os municípios franceses pela sua poderosa atratividade, alguns pagando de 60.000 a 1.000.000 de Euros para ser escolhidos, quatro etapas turísticas vão especialmente agradar os espectadores: Lascaux, com a abertura do Centro Internacional da Arte Parietal de Lascaux IV no próximo mês de dezembro , Nuits Saint Georges, nos prestigiosos vinhedos da Borgonha, final de um percurso incluindo também Gevrey Chambertin e Clos Vougeot,  Marselha, capital européia  do Esporte em 2017, e Paris.

O Hall central do Grand Palais

O Hall central do Grand Palais

No percurso da ultima etapa em Paris, o Tour de France mostrará seu apoio a candidatura da cidade para os Jogos Olímpicos de 2024. Os corredores atravessarão o hall principal do “Grand Palais”, o lugar escolhido para hospedar as competições de esgrima e de taekwondo. Durante os Jogos, e para respeitar uma tradição já velha de 42 anos, as provas de ciclismo serão também nos Champs Elysées. A decisão do Comité Olímpico Internacional será anunciada dia 13 de Julho, o dia da etapa de Peyragudes, na véspera da festa nacional francesa. Um bom sinal para o Tour de France e para a candidatura de Paris?

Jean-Philippe Pérol

Paris - France - wielrennen - cycling - radsport - cyclisme - Romain Bardet (FRA-AG2R-La Mondiale) - Christopher - Chris Froome (Norway / Team Sky) - Nairo Quintana (COL-Movistar) pictured during stage 21 of the 2016 Tour de France from Chantilly to Paris, 113.00 km - photo Cor Vos © 2016

Os vencedores do Tour de France 2016

PERCURSOS E DISTÂNCIAS  DAS ETAPAS DO TOUR 2017
Data. Etapa. Km
01-julho 1. Düsseldorf – Düsseldorf  13 km
02-julho 2. Düsseldorf – Liège 202 km
03-julho 3. Verviers – Longwy 202 km
04-julho 4. Mondorf-les-Bains – Vittel 203 km
05-julho 5. Vittel – La Planche des Belles Filles 160 km
06-julho 6. Vesoul – Troyes 216 km
07-julho 7. Troyes – Nuit-Saint-Georges 214 km
08-julho 8. Dole – Station des Rousses 187 km
09-julho 9. Nantua – Chambéry 181 km
10-julho Repos Repos
11-julho 10. Périgueux – Bergerac 178 km
12-julho 11. Eymet – Pau 202 km
13-julho 12. Pau – Peyragudes 214 km
14-julho 13. Saint-Girons – Foix 100 km
15-julho 14. Blagnac – Rodez 181 km
16-julho 15. Laissac-Sévérac l’église – Le Puy-en-Velay 189 km
17-julho Descanço
18-julho 16. Le Puy-en-Velay – Romans-sur-Isère 165 km
19-julho 17. La Mure – Serre-Chevalier 183 km
20-julho 18. Briançon – Izoard 178 km
21-julho 19. Embrun – Salon-de-Provence 220 km
22-julho 20. Marseille – Marseille  23 km
23-julho 21. Montgeron – Paris 105 km

Borgonha: da fé nasceu o vinho …

 

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Na Borgonha, é talvez no tradicional leilão dos Hospices de Beaune que a estreita ligação entre a fé e o vinho têm a sua maior expressão. Essencial para o ritual da missa católica, o vinho era desde o século V trabalhado na Borgonha pelas comunidades de monges, especialmente os cluniacenses ( a partir de 909 perto de Mâcon e em algumas áreas famosas como a Romanée-Saint-Vivant.) e os cistercienses (a partir de  1098 nas regiões de Côte de BeauneCôte de Nuits, e Chablis). DSCN0138 - copieEm 1443, na auge do ducado de Borgonha, quando as vinícolas ganharam um novo impulso com a proibição do Gamay e a obrigatoriedade do Pinot Noir, o chanceler do duque Nicolas Rolin, homem de muita fé, mandou construir um hospital, os Hospices de Beaune. E para sustentar seu funcionamento, doou também uns 60 hectares de vinhedos. Até hoje, mais de 500 “peças” (barris de 228 litros) leiloadas no terceiro domingo de novembro são os principais recursos dessas obras caritativas. Foi assim que a fé, que criou esses vinhos maravilhosos , foi depois financiada por eles….

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Hoje na Borgonha, os vinhos continuam guiando os passos do viajante. Os nomes dos lugares desfilam feito as ofertas dum grande cardápio de vinho: Gevrey-Chambertin, Nuits-Saint-Georges, Savigny-les-Beaune, Meursault… Vindo do Brasil, as visitas imprescindíveis vão com certeza incluir o castelo do Clos Vougeot, os vinhedos da Romanée e também algumas propriedades que se destaquem: SAO JORGE DALIo Chateau de Pommard com suas impressionantes esculturas de Dali -, o “domaine” de Drouhin Laroze – com suas adegas que podem ser o cenário dum jantar inesquecível, ou o Chateau de Velle com sua animadíssima demonstração de tonelaria. A descoberta das sutilezas do Pinot noir – a uva preferida dos duques porque transmita ao vinho todas as sutilezas dos mil “terroirs” da Borgonha, acontece também nas inúmeras propriedades – quase 5000, com uma media de menos de 7 hectares- onde os produtores gostam de explicar suas especificidades e de deixar o visitante experimentar os seus vinhos antes de poder comprar los.

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A fé sempre fica por perto. Em Vezelay fica uma das maiores basílica do mundo católico, ponto alto dum dos caminhos de Santiago, o Caminho de Limoges, 75 dias de caminhada de Namur até Compostela. O santuário e a abadia ficam numa colina sagrada desde a época dos gauleses, um desses lugares onde sopra o espírito. MARC MENEAUE nos flancos da colina, os vinhedos de Chardonnay chegam até o pequeno vilarejo de Saint-Père onde se esconde o extraordinário restaurante L’espérance do chefe Marc Meneau.  A fé se vê também nas outras 29 abadias que marcam as paisagens da Borgonha: das mais importantes, Fontenay, fundada pelos cistercienses em 1119 e  hoje patrimônio da humanidade , Citeaux, ou Cluny, outrora sede da maior igreja da cristandade, até as menores as vezes transformadas em hotel como o Relais Chateaux Abbaye de la Bussière.

AUXERREE nos confins da Borgonha, já perto da Champagne, a visita dos vinhedos de Chablis, dos seus solos ricos em fósseis e dos seus sutis chardonnay acabará com certeza em Auxerre, nas ruas estreitas que levam a sua catedral gótica e a sua cripta romana. Frente ao altar onde a Joana d Arc rezou em 1429, o visitante poderá meditar sobre esses monges beneditinos ou cistercienses que conseguiram, com trabalho, técnica e criatividade, inventar na terra fria e difícil da Borgonha esses vinhos singulares que foram os preferidos do Louis XIV e do Napoleão.

Jean-Philippe Pérol

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