Cassoulet, pimentas e Gevrey Chambertin, sugestões brasileiras para a feijoada a francesa

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Cassoulet com pimentas e Gevrey Chambertin 2004

Cassoulet e Gevrey-Chambertin, uma sugestão para um domingo de noite

de Edson Costa, enólogo, gourmet, musicólogo e poeta.

Reza uma das lendas mais difundidas do cassoulet que Castelnaudary, cidade situada na região de Occitânia, foi cercada durante a Guerra dos Cem Anos pelos ingleses que dominavam o sudoeste desde Bordeaux,  e ficou semanas sem abastecimento. A população, para não passar fome, fazia ensopados com tudo que houvesse a disposição: feijões brancos (típicos da agricultura local), pedaços de carne de porco, aves, legumes… Assim teria nascido um dos pratos mais tradicionais da França. E Castelnaudary ficou conhecida como a capital mundial desta iguaria.

A cidade de Castelnaudary, na beira do Canal do Midi

A cidade de Castelnaudary, na beira do Canal do Midi

A lenda é muito discutida até hoje. Os historiadores lembram que o feijão chegou na Europa vindo das Américas, seja  depois do Cristovo Colombo, e que receitas parecidas, mas a base de favas, são conhecidas na região desde o século X. Mas o cassoulet virou famoso, e é um prato tão importante na cultura local que três cidades desta região disputam a fama de fazer o melhor de todos. Para manter a paz regional, os franceses decidiram que o cassoulet é o Deus da gastronomia, e as três cidades são o Pai (Castelnaudary), o Filho  (Carcassonne) e o Espírito Santo (Toulouse].

A Confraria do Cassoulet de Castelnaudary

A Confraria do Cassoulet de Castelnaudary

Guardadas as devidas e necessárias tradições, cada Chef tem sua receita para a elaboração dessa feijoada a francesa. Nesta proposta, personalizada mas inspirada da receita original da Grande Confraria do Cassoulet de Castelnaudary , foram incluídos: feijão branco, coxa de pato confitada e assada, costela de porco, linguiça calabresa, costeleta de porco defumada, lombo de porco, alho assado, bacon em pedaços, cebola roxa, sal e pimenta do reino moída na hora. Todo servido na “cassole”, o prato de cerâmica tradicional cuja origem vem do século XIV.

O castelo de Gevrey-Chambertin

O castelo de Gevrey-Chambertin na Borgonha

Para harmonizar o cassoulet com um vinho, as escolhas tradicionais são o Cahors ou o Corbières, mas vale a pena de fazer outras experiências. Vale combinar com um Gevrey Chambertin, o vinho que era o favorito do Napoleão, aqui um Racines du temps do René Bouvier, safra 2004.  Com seus vinhedos situado perto de Cluny – sede da famosa abadia e das ruinas da maior catedral do Ocidente cristão-, esse “terroir” caracteriza-se por apresentar vinhos unicamente tintos. São vinhos de longa guarda, potentes, estruturados, tânicos e ao mesmo tempo aveludados, de cor intensa, e com aromas e sabores de cassis, cereja, alcaçuz e couro, mas que também são capazes de desenvolver aromas terciários na maturidade, como de mata e de caça.

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Gevrey-Chambertin Racines du Temps 2004

O Domaine René Bouvier é uma empresa familiar fundada em 1910 pelo avô de Bernard Bouvier, Henry Bouvier na Côte de Nuits, Borgonha, França. Tem 13 hectares de Pinot Noir e 4 de Chardonnay Noiret 4 para um total de 18 DOCs na Borgonha, Cotes de Nuits Villages, Fixin, Marsannay e Gevrey-Chambertin, todas com Premier cru e Grand Cru. O Gevrey-Chambertin Racines Du Temps René Bouvier 2004, como é determinado na Borgonha, é um vinho varietal Pinot Noir (100%) que envelheceu em barricas novas de carvalho francês por 18 meses.

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Tempero a brasileira: molho de pimenta  dedo de moça

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Tempero a brasileiro: molho de pimenta murupi

Um cassoulet servido na "Cassole"

Um cassoulet servido na “Cassole”

Em Lourdes, as novas dimensões do turismo religioso

 

O santuário de Lourdes

O santuário de Lourdes

 

Enquanto o turismo moderno só começou no século XIX com o Thomas Cook e os viajantes ingleses, uma forma de turismo já existia há mais de três mil anos: as peregrinações e o turismo religioso. Começou na Antiguidade grega, em cidades como Delfi, Éfeso ou até Olímpia. SANTIAGO MATAMOUROSEm todos os continentes, de Teotiuacan a Jerusalém ou a Lhassa, a fé sempre foi uma forte razão para atrair viajantes vindo de longe, incentivando as infraestruturas de transporte, de hospedagem e de alimentação para receber-los. E desde as épocas mais remotas da Idade Media, o cristianismo foi em todo o mundo ocidental o primeiro motivo para viajar, primeiro para Roma e a Terra Santa. Depois da aparição do apóstolo Santiago na batalha de Clavijo, começaram as peregrinações para Santiago de Compostela, nos quatro caminhos  (Paris, Vezelay, Le Puy e Arles) descritos num dos livros do Codex Calixtino,  escrito em 1140 e considerado o primeiro guia de turismo. Na França o Mont Saint Michel foi também desde o século IX um santuário onde as relíquias de santos (Aubert, Agnes, Hilario, Martin ..), bem como o escudo e a espada de São Miguel, atraíram milhares de romeiros vindo de toda Europa nos “Caminhos do Paraíso”.

MONTE SAINT MICHEL, A VIAGEM MARAVILHOSA

Há cento e cinquenta anos, o crescimento do turismo religioso acompanha a multiplicação das   viagens internacionais. Jerusalém, Mecca, Roma, Fatima ou Lourdes viraram no século XX alguns dos destinos mais visitados do mundo. E, com o século XXI anunciado como sendo o século da espiritualidade, a crise da fé atravessada por muitas religiões não parece gerar ameaças para as romarias que sigam prosperando, inclusive no Brasil onde tanto o Círio de Nazaré que o santuário de Nossa Senhora Aparecida continuam atraindo multidões.

CIRIO DE NAZARÉ 2014

O Círio de Nazaré 2014

Na França, o exemplo de Lourdes, com seus seis milhões de romeiros, mostra que o turismo religioso goza mesmo duma eterna juventude. Presente em São Paulo com uma delegação da cidade marial e da região Midi-Pyrénées, Monsenhor Xavier d’Arodes de Peyriade, capelão do santuário, deu duas grandes razões justificando a atualidade dessa peregrinação. Monsenhor d'Arodes e Jean Philippe Pérol Foto Panrotas A primeira é o próprio santuário, sua beleza, seus monumentos, sua gruta onde as paredes são esculpidas pelas mãos dos milhões de devotos, os encontros com a fé dos romeiros vindo do mundo inteiro, a energia comunicativa das procissões das tochas. A segunda razão é no mesmo tempo mais pessoal e mais forte. Frente as certezas e a tranquilidade dos outros visitantes, frente a força encontrada nos doentes esperando um milagre, o romeiro é levado a relativizar seus problemas, a adquirir uma nova serenidade, a repensar seu destino . Católico ou não, acreditando em Deus ou não, a romaria é também um momento de retiro espiritual, de reconsideração das suas prioridades que leva o viajante a voltar com uma nova visão da sua própria vida. Será talvez isso o verdadeiro milagre de Lourdes e do turismo religioso.

Jean-Philippe Pérol

A CATEDRAL DE ALBI

A Catedral de Albi

Paris e o deserto francês? Os turistas brasileiros jà estão saindo dessa!

O CENTRO POMPIDOU VISTO DE NOTRE DAME DE PARIS

Paris e o deserto francês, o famoso livro do geógrafo francês Jean-Francois Gravier no qual ele opôs a hegemonia e o dinamismo parisiense ao abandono do interior da França, está  muito ultrapassado. Desde 1947 o cenário dos territórios mudou, e cidades como Lyon, Nice, Marselha, Bordeaux, Nantes ou Lille, viraram grandes capitais regionais atraindo investimentos, fluxos de populações e grandes eventos. Uma nova lei, votada no ano passado, redesenhou uma Franca de  treze regiões metropolitanas e quatro de ultramar, cada uma com sua capital atraente, seu peso econômico e suas riquezas turísticas.

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Os turistas internacionais que visitam a Franca também já se espalham pelo pais inteiro. Paris e sua região Ile de France receberam em 2014 30% das receitas do turismo francês e 70% foram gastos nas outras regiões. Os dois vice lideres são a região Rhône Alpes, – com seus dois grandes atrativos: a cidade de Lyon e as principais estações de esqui -, e a região da Provence – com Marselha, a Cote d’Azur, Avignon, e seus vilarejos cercados de oliveiras ou de campos de alfazema. Nos outros favoritos dos viajantes estrangeiros destacam se a Aquitânia (com Biarritz, Bordeaux e seus vinhedos), a Britânia, o Languedoc (com Montpellier e Carcassonne), e o Midi Pyrénées de Lourdes e Toulouse.

SALÃO RVEF PARIS 2015 No salão de turismo “Rendez vous en France”, que a Atout France organizou a semana passada em Paris com o apoio da Air France, mais de 600 dos 750 expositores mostraram para cerca de 1000 visitantes vindo do mundo inteiro – incluindo 40 brasileiros, a terceira mais importante delegação – a força do turismo nas regiões francesas.

Grandes conhecedores de Paris que continua sendo o seu primeiro destino na Europa, os brasileiros ainda são poucos a passear pelo interior da França. A não ser por excursões rápidas nos castelos do Loire ou na Normandia, ainda menos de 20%, principalmente os mais experientes, saiam da capital. Os expositores do “Rendez vous en France” deixaram então bem claro a vontade de muitos destinos franceses de receberem mais turistas vindo do Brasil. São grandes cidades como Bordeaux, Marselha, Toulouse ou Lyon, que podem se posicionar como destinos de viagens competindo com qualquer outra grande capital europeia. JOANA D ARC EM ROUENSão cidades menores que podem ser incluindo em roteiros de carro ou de trem, como Deauville, Lourdes, Rouen, o Mont Saint Michel ou Saint Tropez. São estações de esqui que querem voltar a ver casais ou famílias aproveitando o inverno francês em Val Thorens, Megéve ou Courchevel. Enfim são regiões inteiras, como Rhône Alpes, a Champagne, o Val de Loire, a Aquitânia, a Provence ou Midi-Pyrénées, que jà mostraram para 2015 novos produtos e serviços focados nos turistas brasileiros.

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Girando pela Franca (uma ideia que foi na época copiada do saudoso Salão da ABAV no Brasil), o “Rendez vous en France” vai no ano que vem parar em Montpellier. A região Languedoc, vencedora da licitação feita pela Atout France, aproveitará sem duvidas esse evento para lembrar seu acervo cultural – e a imperdível Carcassonne -, seus vinhos alegres, ou as noites descontraídas e animadas da sua capital. Um destino a mais na novas rotas dos turistas brasileiros no interior da França.

Jean-Philippe Pérol

LIDO PARIS MERVEILLES

DA INGLATERRA, A LARGADA DO “TOUR DE FRANCE” 2014

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Enquanto a Copa continua (sem a França mas com o Brasil), começa hoje uma outra grande competição esportiva, o Tour de France (a volta da França ). Maior competição ciclista do mundo, ela reúne cada ano os maiores profissionais desse esporte muito popular na França, na Europa e nos Estados Unidos. Esse ano serão 219 corredores dumas vinte nacionalidades, infelizmente sem nenhum brasileiro. CYCLING-ESP-MALLORCA-CHALLENGE-FISHERMuito poucos participaram desse evento, sendo os mais famosos o Mauro Ribeiro que chegou a ganhar uma etapa em 1991, e mais recentemente o Murilo Fisher que participou três vezes, sendo a ultima vez no ano passado quando declarou que seria mais importante para ele ganhar o Tour de France que ganhar a Copa…

A aventura começou em 1903 quando o jornal L’Auto quis organizar uma corrida ciclista para competir com seu concorrente Le Velo. Eram 2500 km em somente seis etapas, os corredores tinham que consertar eles mesmo as suas bicicletas e se organizar para comer, beber e dormir. MdS 754 du 16 07 59 La uneDos 60 participantes de cinco nacionalidades que saíram de Paris, só 21 estavam na chegada depois de parar em Lyon, Marselha, Toulouse, Bordeaux e Nantes com etapas de até 19 horas. O favorito, Maurice Garin, ficou na frente de ponta a ponta. Com o sucesso, o evento perdurou e só parou durante as duas guerras mundiais, festejando em 2013 o centésimo Tour.

O Tour 2014 tem muitas novidades. tour_de_france_atout_france-pascal_greboval_1A primeira é de começar na Inglaterra, na cidade de Leeds, com um total de três etapas até Londres. Com algumas entradas na Bélgica e na Espanha, as ambições de ser ainda mais  internacional serão assim confirmadas. Uma nova prova – 16 quilômetros numa estrada pavimentada com paralelepípedos- deve ser muito seletiva. São esperados mais de 15 milhões de espectadores espalhados nos 3600 quilômetros das 21 etapas. Os grandes destaques desta festa popular serão as etapas de montanha (esse ano nos Alpes, nos Pirenéos e na Alsácia) e a grande chegada nos Champs Elysées dia 27 de Julho.

Para todas as cidades e as regiões atravessadas, o Tour é uma fantástica ocasião de mostrar seus recursos turísticos para os milhões de seguidores que ficam torcendo mas também bebendo, comendo ou aproveitando alegres piqueniques em família ou com amigos. Esse ano a Champagne, Rhône Alpes, a Provence, Midi Pyrénées ou a Aquitânia poderão mostrar suas belezas – incluindo vários sítios tombados pela Unesco como por exemplo 5 das mais famosas fortalezas construídas por Vauban.

photoVarias operadoras oferecem tours para seguir pedalando (de leve) os passos dos heróis desse Tour de France. Mas, mesmo sem ser um grande profissional da bicicleta, para quem está viajando na França durante o mês de Julho, assistir a uma etapa do Tour, em Paris ou mais ainda no interior, é uma experiência mágica. Experimente!

Jean-Philippe Pérol

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As etapas

TRECHO TIPO DATA ROTEIRO DISTANCIA
1 Plano  5 de Julho Leeds > Harrogate 190.5 km
2 Acidentado 6 de Julho York > Sheffield 201 km
3 Plano 7 de Julho Cambridge > Londres 155 km
4 Plano 8 de Julho Le Touquet-Paris-Plage > Lille Métropole 163.5 km
5 Acidentado 9 de Julho Ypres > Arenberg Porte du Hainaut 155.5 km
6 Plano 10 de Julho Arras > Reims 194 km
7 Plano 11 de Julho Épernay > Nancy 234.5 km
8 Acidentado 12 de Julho Tomblaine > Gérardmer La Mauselaine 161 km
9 Acidentado 13 de Julho Gérardmer > Mulhouse 170 km
10 Montanha 14 de Julho Mulhouse > La Planche des Belles Filles 161.5 km
Descanço 15 de Julho Besançon
11 Acidentado 16 de Julho Besançon > Oyonnax 187.5 km
12 Plano 17 de Julho Bourg-en-Bresse > Saint-Étienne 185.5 km
13 Montanha 18 de Julho Saint-Étienne > Chamrousse 197.5 km
14 Montanha 19 de Julho Grenoble > Risoul 177 km
15 Plano 20 de Julho Tallard > Nîmes 222 km
Descanço 21 de Julho Carcassonne
16 Montanha 22 de Julho Carcassonne > Bagnères-de-Luchon 237.5 km
17 Montanha 23 de Julho Saint-Gaudens > Saint-Lary Pla d’Adet 124.5 km
18 Montanha 24 de Julho Pau > Hautacam 145.5 km
19 Plano 25 de Julho Maubourguet Pays du Val d’Adour > Bergerac 208.5 km
20 Contra o relogio 26 de Julho Bergerac > Périgueux 54 km
21 Plano 27 de Julho Évry > Paris Champs-Élysées 137.5 km

 

Salões de turismo: o WTM surpreendendo e saindo na frente!

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Se os profissionais achavam que o Brasil sentia falta de um grande salão internacional de turismo a altura do crescimento do setor e dos seus sete milhões de viagens internacionais, o quadro mudou completamente. A chegada  em São Paulo da nossa querida Feira das Américas, o sucesso da requintada Travel Week e o lançamento da WTM com toda força da Reed Exhibition deram aos agentes de viagens, as operadoras, aos fornecedores  e a todos os destinos as opções de encontros e de negócios que eles precisavam.

World Travel Market Latin America 2014 - LogoPrimeiro dos três esse ano,  o WTM impressionou com a organização, a qualidade dos estandes e a globalização dos expositores. Um pessoal atencioso, um registro ágil, uma planta clara (com a Braztoa essa vez estrategicamente localizada e sem a  antiquada serpentina), e uns seminários bem preparados mostraram o profissionalismo da Reed. Os estandes surpreenderam pela qualidade do design e da montagem, seja a Alemanha, a Suíça, Israel, Nova Iorque, a Argentina , Santo Domingo ou Pernambuco.foto[1] A França apostou também pesado nessa segunda edição do WTM Latin America: em uma forte parceria com Accor e Air France, consegue uma visibilidade há muito tempo não alcançada nos seus salões brasileiros, e levou doze participantes franceses. Foram Marselha, Montpellier, Carcassonne, Midi-Pyrénées e dois destinos caribenhos, a Martinica e Saint Martin. A diversidade dos destinos  presentes mostrou que o mercado do Brasil interessa agora os quatro cantos do mundo.  GI_124_7fa19O Canadá vem com toda força. Empurrada pela novela da Globo que ajudou esse grande país turístico a passar os 100.000 turistas brasileiros, a Turquia se destacou, mas também a Rússia, a Jordânia, a Índia, a Coreia, a Grécia, o Marrocos, Dubai ou Abu Dhabi…

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O sucesso do WTM só poderá porém ser definitivo se os visitantes forem mais numerosos. Pouco agentes, especialmente no último dia, estandes das operadoras visitados por muitos  fornecedores em vez de compradores, e estandes dos destinos assediados de vendedores de publicidade com crachás de jornalistas mostraram que os agentes de viagem brasileiros ainda não optaram pelo novo salão. A presença ainda discreta (ou mais focada no internacional) dos grandes estados turísticos brasileiros, bem como das grandes operadoras, talvez desanimou aqueles cujas vendas são mais focadas no doméstico… E a impossível localização no quase inacessível Transamerica desanimou muitos potenciais visitantes.

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Para a próxima edição, já confirmada no Expocenter Norte do 22 ao 24 de Abril 2015, a frequentação deverá, sem dúvidas, melhorar muito. Terá talvez que ajudar os expositores inventando uma sinergia com a Travel Week agora pertencendo ao mesmo grupo mas com calendários conflitantes. fotoTerá também que convencer os agentes de viagens de se apropriar e de visitar um salão exclusivamente profissional e cuja dimensão meramente  internacional é mais complementar que concorrente do seu evento de classe, aberto ao público e muito focado no imenso mercado domestico. As oportunidades de crescimento do WTM Latin América são  muito promissoras, e, com mais de 25% dos expositores já de contrato assinado para 2015, ele saiu com certeza na frente para ser o grande salão internacional que o Brasil precisava há mais de dez anos. Parabéns!

Jean-Philippe Pérol

Turismo em Midi-Pyrénées: a fé, a espiritualidade, e a arte de bem viver.

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Viajando de Paris para Madrid ou Barcelona, ou de Bordeaux para Nice, o viajante atravessa uma região francesa cuja historia é marcada pela espiritualidade. Là comecam muitos dos caminhos de Santiago, là se expandiram as igrejas romanas, lutaram os cruzados de Simão de Montfort contra a heresia dos Cátaros. Là tambem nasceu Bernadette Soubirous, a menina cujas visões da Virgem transformaram o vilarejo de Lourdes na segunda cidade turística da França depois de Paris.

Jà conhecidos dos romeiros brasileiros, a região Midi-Pyrenées, antiga Ocitânia, oferece também outros sítios turísticos que justificam uma parada de três ou quatro dias no roteiro na França ou na Espanha. Rocamadour-franceDo passado espiritual ou religiosa, os imperdíveis são não somente Lourdes, sua gruta ou sua procissão de ciros, mas também a cidade medieval de Rocamadour e sua impressionante Via Crucis, ou a catedral de Albi, patrimônio da humanidade pelo contraste entre a austeridade das paredes de tijolos e a riqueza da decoração interna.Cópia de DSCN0028 Se não sobrou nada da rígida religião dos cátaros, a beleza do castelo de Montsegur mostra ainda hoje a força da fé que os levaram a morrer. Na vizinha Carcassonne, cidade fortificada tombada pela UNESCO, as muralhas e as torres são testemunhas dos esforços dos reis da França e dos Papas de Roma para liquidar a heresia.

Forte da sua cultura e espiritualidade, a região é também orgulhosa do seu modernismo. Foi de Toulouse que saíram os primeiros voos para América do Sul, e que são hoje fabricados os aviões da Airbus. E do alto dos seus 270 metros, a ponte de Millau é uma das mais modernas (e bonitas) do mundo, parecendo mais uma obra de arte, um veleiro navegando nas nuvens, que uma infra-estrutura de transporte.

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Para festejar a alegria de viver outrora celebrada pelo seu mais famosa artista Toulouse Lautrec, os brasileiros poderão brindar com o mais famosa vinho da região, o Cahors, que é produzido com uma uva pouca conhecida na França mas que ficou muito famosa na Argentina onde foi exportada: a uva Malbec.IMG_0825 Esse vinho poderá ser o perfeito parceiro de alguns pratos típicos, por exemplo o cassoulet, um primo da feijoada feito com feijão branco. Com o foie gras ou o Roquefort, as duas estrelas gastronómicas da região, combinara melhor a personalidade do branco Floc de Gascogne. E saboreando um copo de Armagnac num bar da famosa praça do Capitole em Toulouse, a cidade rosa, poderão pensar que tem lugares no mundo onde espiritualidade e fé podem muito bem combinar com a arte e o prazer de bem viver.Henri_de_Toulouse-Lautrec_032Jean-Philippe Pérol