A França chora, mas será mais forte que os fanáticos que querem atingir-la

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Bandeira da França a meia haste na Embaixada em Brasília

O Embaixador da França Sr. Laurent Bili agradeceu de coração as inúmeras mensagens de condolências e de solidariedade recebidas pela Embaixada, por meio do governo brasileiro ou dos cidadãos brasileiros chocados como nós com esse ato bárbaro cometido em Nice. Essas mensagens mostram a profunda amizade que une os povos francês e brasileiro, amizade fundada nos valores partilhados de liberdade, igualdade e fraternidade e de recusa ao ódio e à intolerância. O Embaixador também desejou uma pronta recuperação ao cidadão brasileiro ferido em Nice ontem à noite. As famílias  sem notícias de seus familiares que estiverem em Nice podem contatar, do Brasil, o centro de ajuda às vítimas do Ministério francês das Relações Exteriores e do Desenvolvimento Internacional pelo número +33 1 43 17 56 46.

O Presidente François Hollande lembrou num discurso solene que a França foi atingida no dia da sua festa nacional, o 14 de Julho, símbolo da liberdade, porque os Direitos Humanos são negados pelos fanáticos, o que faz dela necessariamente um alvo. Nessas circunstâncias, a segurança de todos, moradores e visitantes, necessita apresentar uma vigilância absoluta e uma determinação inabalável.
Inúmeras medidas foram tomadas, mas devemos, aumentar ainda mais nosso nível de proteção, especialmente durante o verão. Assim nós iremos primeiramente manter em alto nível a Operação Sentinela, que permite a mobilização de 10 mil militares, além dos policiais que serão reforçados pela “reserva operacional” que será deslocada para onde for necessário, especialmente no controle das fronteiras. Por fim, o estado de emergência, que deveria terminar em 26 de julho, será prorrogado por mais três meses. O Presidente lembrou que nada enfraquecerá a vontade de lutar contra o terrorismo e que a França continuará a enfrentar os criminosos nos seus esconderijos. Um Conselho de Defesa será realizado amanhã. Ele examinará todas as medidas já tomadas ou que acabaram de ser anunciadas. Ele possibilitará, assim, o deslocamento das forças de segurança  necessárias nos locais precisando  de mais proteção ou vigilância.

A França se entristece com essa nova tragédia. Ela está chorando, ela sofre, mas é forte e será sempre mais forte que os fanáticos que hoje querem atingi-la.

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14 Juillet: uma data, um desfile, uns fogos, uns bailes e muita festa!

 

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O 14 de Julho, também chamado de Dia da Bastilha em alguns países amigos, virou festa national da França em 1880 com um voto da Câmara dos deputados que oficializou mas não deixou claro o motivo exato da escolha dessa data. Tomada da Bastilha Para alguns, era a comemoração do 14 de Julho 1789, a sangrenta tomada da fortaleza real da “Bastille”, símbolo da prepotência e do autoritarismo da monarquia, pelo povo parisiense que procurava armas para se opor as tropas militares hostis as reformas políticas. Charles_Thévenin_-_La_Fête_de_la_FédérationPara outros, era a festa da Federação, no dia 14 de Julho 1790, quando meio milhão de parisienses e de soldados “federais” vindo da França inteira assistiram a uma missa solene durante a qual o rei Louis XVI jurou fidelidade aos princípios da jovem Revolução.

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A festa do “14 Juillet” tem três imprescindíveis tradições. A primeira é o desfile militar, homenagem as Forças Armadas nas quais todo povo confiava nesse final do sigilo XIX para enfrentar a ameaça alemã e recuperar as “províncias perdidas”, a Alsácia e a Lorena.Desfile do 14 de Julho 2015 Até 1914 o desfile era no hipódromo de Longchamps, e foi a partir da vitoria de 1919 que ele virou tradição, descendo os Champs-Elysées.Banda das Agulhas Negras em Paris Juntos com os militares franceses, desfilem também tropas de países amigos – ingleses em 2004, africanos em 2010, argelinos o ano passado, mexicanos esse ano, e mesmo os cadetes brasileiros das Agulhas Negras em 2005! -.  O desfile é tradicionalmente encerrados pela Legião estrangeira – com um passo mais lento que as tropas regulares, ela não pode desfilar na frente -, pela Guarda Republicana a cavalo e pelos aviões da “Patrouille de France” (a esquadrilha da fumaça francesa).

Fogos de artificios em Carcassonne

As duas outras tradições que fazem a alegria dos moradores e dos visitantes são os fogos de artifícios e os bailes, ambos organizados em quase todos os 36.000 municípios do pais. Tradição da realeza francesa, que comemorava assim as vitorias militares, os casamentos ou os nascimentos da família real, os  fogos de artificio viraram durante a Terceira Republica uma tradição popular. Ela foi se repetindo desde a primeira festa do 14 de Julho, em 1880,  quando rodas de fogos escreverem na noite parisiense as palavras “Vive la République” para a alegria dos espectadores presentes.

Bailes populares 14 de Julho

Os bailes são os outros grandes momentos dos 14 Juillet, sendo o mais tradicional de todos o “Bal des Pompiers”, o baile dos bombeiros. Organizado desde os anos trinta em Paris, ele exista hoje em milhares de municípios que se orgulham dessa festa que junta a população, os turistas e os mais populares dos militares (pelo menos na França, mas também em muitos outros países) , os bombeiros. Baile dos bombeiros!Famosos pelos seus “accordeonistes” (sanfoneiros ), os bailes dos bombeiros se abriram agora as musicas mais contemporâneas, virando grandes eventos populares em cidades como Dijon, Nice, Estrasburgo, Toulouse ou Nancy.

14 de Julho em Manaus

O  “14 Juillet” é também festejando em muitos lugares do mundo, incluindo no Brasil onde São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília ou Manaus tiveram eventos populares para comemorar uma festa nacional que quer, desde o seu inicio, ser a festa de todos os amantes da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade.

Jean Philippe Pérol

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