As surpresas dos novos rankings das cidades turísticas

Bangkok, em 2017 a cidade mais visitada pelos turistas internacionais

Se vários rankings dos destinos turísticos internacionais estão sendo publicado nos últimos anos, o « Global Destination Cities Index » da Mastercard é sem dúvidas um dos mais interessantes, não somente por levar em consideração os números de visitantes e os seus gastos, mas por analisar as performances de 162 cidades nos cinco continentes. Mais completa que a pesquisa da WTTC que mede exclusivamente o impacto econômico do turismo domestico e internacional em 72 destinos,  o relatório da Mastercard projeta os resultados do ano a partir dos números de visitantes internacionais, das despesas turísticas, das transações com o cartão de crédito e dos fluxos financeiros. A análise detalha também a duração das estadias bem como a média de gastos diários, mostrando surpreendentes evoluções no posicionamento dos grandes destinos.

TOP 10 VISITANTES Visitantes 2017 Crescimento 2018 Pernoites medios Gasto diario medio
Bangkok 20.050.000 9,60% 4,7 noites USD 173
Londres 19.830.000 3,00% 5,8 noites USD 153
Paris 17.440.000 2,90% 2,5 noites USD 301
Dubai 15.790.000 5,50% 3,5 noites USD 537
Singapura 13.910.000 4,00% 4,3 noites USD 286
Nova Iorque 13.130.000 4,10% 8,3 noites USD 147
Kuala Lumpur 12.580.000 7,50% 5,5 noites USD 124
Tóquio 11.930.000 1,60% 6,5 noites USD 154
Istambul 10.700.000 19,70% 5,8 noites USD 108
Seul 9.540.000 6,10% 4,2 noites USD 181
… São Paulo 1.920.000 13,13% 10,8 noites USD 61

 

Singapura se firma como uma das maiores cidades turísticas da Ásia

Pelo segundo ano consecutivo, o turismo urbano da Ásia confirma a sua liderança com o primeiro lugar de Bangkok que recebeu em 2017 mais de 20 milhões de visitantes internacionais. Essa liderança deve ser confirmada em 2018 com um crescimento previsto de 9,6%  o que fará com que os tradicionais rivais Paris e Londres batalhem agora pelo segundo lugar. Aproveitando o dinamismo dos mercados emissores da região, principalmente da China, mas também do Japão, da ASEAN  e até da Índia, quatro outras cidades asiáticas chegaram na lista das dez cidades mais visitadas pelos turistas internacionais: Singapura, Kuala Lumpur, Tóquio e Seul. Com crescimento bem superior a media mundial,  Pukhet, Hong Kong, Pattaya, Xangai, Pequim, Macau, e Shenzhen já estão também brigando para entrar nesse cobiçado grupo de líderes. 

Dubai, estratégia e investimentos construindo um grande destino

As cidades do Oriente Médio se fortaleceram em 2017. Dubai chegou em quarto lugar e continuou a surpreender com sua ousadia. O ano passado testou com sucesso os primeiros taxis voadores e quebrou um novo recorde do hotel mais alto do mundo. Com uma oferta turística luxuosa e cada vez mais diversificada, a cidade consegue incentivar seus visitantes a gastar impressionantes USD 537 por dia, um recorde nas 162 cidades da pesquisa. Varias outros destinos da região estão se destacado, seja a Meca pela primeira posição en volume de receitas,  Istambul pela sua nona posição no ranking mundial e seus 20% de crescimento previstos para 2018,  Antalya pelos seus 9,4 milhões de visitantes, ou Teerã pelo seu crescimento de 2017 e 2018. Mesmo muito dependente da conjuntura politica e securitária, a região se consolida como um dos novos pólos do turismo internacional.

TOP 10 RECEITAS Receitas em MM USD Crescimento 2018 Gasto diário médio
Dubai 29,7 7,8%% USD 537
Meca 18,45 7,40% USD 135
Londres 17,45 13,70% USD 153
Singapura 17,02 7,40% USD 286
Bangkok 16,36 13,80% USD 173
Nova Iorque 16,1 4,10% USD 147
Paris 13,05 16,00% USD 301
Palma 11,96 16,20% USD 220
Tóquio 11,91 7,80% USD 154
Pukhet 10,46 12,60% USD 239
…. São Paulo 1,35 13,13% USD 61

Paris seguindo no pódio das grandes cidades turísticas

Mesmo perdendo posições, as cidades da Europa continuam sendo muito procuradas, Londres ou Paris alternando na liderança dependendo do critério geográfico utilizado para o calculo das estatísticas (o município de Paris sendo muito menor que o grande Londres, Paris só passa na frente quando incluir os subúrbios). A força do turismo europeu pode porem ser medida pelo numero de destinos destacados nas pesquisas da Mastercard e da WTTC, tanto tradicionais como Milão, Veneza, Barcelona ou Firenze, que mais recentes como Dublin, Palma, Praga ou Dubrovnik. Ao contrario, os rankings carecem de cidades latino americanas, México sendo a única da região em posição de destaque. São Paulo é a primeira cidade brasileira, mas longe dos lideres, em 8º lugar na América latina pelo número de visitantes (1,92 milhões) e em 9º lugar em gastos por visitante na região, com somente USD 61 de gasto diário por pessoa e por dia, e USD 1,35 bilhões movimentados. Na nova conjuntura que se abre agora para o Brasil, vale esperar que o turismo urbano terá um merecido impulso.

Os novos pólos do turismo mundial

Esse artigo foi inspirado de um artigo original de Serge Fabre na revista on-line Pagtour

A Accor se firmando no luxo com os míticos Hotéis Raffles

Royal Monceau Rafes em Paris

Royal Monceau Raffles em Paris

Anunciando a compra da Fairmont Raffles Hotels International, Stéphane Bazin, CEO da Accor, confirmou não somente uma aquisição estimada em 2,9 bilhões de dólares, a maior da sua história, mas a entrada do grupo francês no seleto clube dos 5 grandes da hotelaria de luxo. Sebastien Bazin anunciando a compra da FairmontMesmo ficando longe do líder do setor, o Americano Marriott-Starwood, que junta 800.000 quartos, Accor pode contar agora com 100.000 apartamentos divididos em mais de 500 hotéis de luxo. Com três novas marcas, o grupo adquiriu também vários estabelecimentos de prestigio, como o “Palace” Royal Monceau em Paris, o Savoy em Londres ou o Raffles em Singapora, esse mítico estabelecimento aberto em 1887, orgulho do Império britânico, cujos hospedes refinados e fleumáticos chegaram em 1942 a exigir dos  soldados japoneses que invadiram o hotel  de deixar-los acabar o baile antes de ser presos.

O mítico Raffles Hotel de Singapura

O mítico Raffles Hotel de Singapura

Essa operação foi financiada em parte com uma entrada no capital do Qatar (Qatar Investment Authority) e da Arábia Saudita (Kingdom Holding Compagny) que virarão, se as autoridades anti-trust autorizaram, os dois maiores acionistas da Accor. O grupo vai assim reforçar sua posição no setor da hotelaria de luxo, aumentando seus lucros e permitindo uma projeção de 650 hotéis até 2020. O Bar do RafflesA compra da Fairmont vai ajudar a Accor a reequilibrar geograficamente suas atividades, hoje concentrada a 65% na Europa, para a América do Norte e a Ásia onde a Raffles, a Fairmont et a Swissôtel são mais presentes. Segundo o próprio Bazin, essa estratégia focada no luxo é também uma resposta ao crescimento da AirBnb que preocupa todas as grandes empresas hoteleiras, obrigando as marcas mais econômicas a se reposicionar,  mas ainda poupando os segmentos de prestigio menos sensíveis as guerras de tarifas ou aos charmes da Internet.

O Sofitel Copacabana

O Sofitel Copacabana

A aquisição das três marcas e dos 115 hoteis da Fairmont Raffles Hotels International deve então ser um sucesso decisivo na longa caminhada da Accor para se firmar no lucrativo segmento do luxo – com suas diárias acima de 500 dolares e suas margens de rentabilidade superiores a 5%. O grupo superou o fracasso de 1994, quando o então Presidente da Air France se recusou a vender a seus compatriotas os 60 hoteis da sua filial Le Meridien (Incluindo na época o Meridien Copacabana e o Meridien Salvador).Folheto do Le Meridien Copacabana A virada  começou em 2007, quando Accor firmou a escolha de uma cadeia de luxo excluindo 80 dos então 120 Sofitel. A nova estratégia apostou em hotéis definidos pela arte de viver a francesa, seu design, sua gastronomia e sua cultura, mas aproveitando também todas as características das suas localizações. E se na América Latina, o grupo jà conseguiu se posicionar com  hoteis prestigiosos em Cartagena, Buenos Aires, Montevideu, Rio ou Guarujà, a chegada da Raffles abrirá talvez novas perspectivas em São Paulo.

Jean-Philippe Pérol

O SPA "My blend" da Clarins no Royal Monceau

O SPA “My blend” da Clarins no Royal Monceau