Na Croácia, um SPA onde a cerveja é a base do tratamento!

Mergulhar na cerveja é a última forma de fitness!

Entre Veneza e a costa Dalmácia, a Ístria sempre foi uma região famosa pela qualidade dos seus produtos agrícolas, sejam seus vinhos e seus azeites enraizados no Mediterrâneo que cerca a península, ou suas cervejas artesanais herança dos 500 anos de domínio austríaco. Nas montanhas do Sul da região, perto da cidade de Buje, a cervejaria San Servolo aproveitou o savoir-faire tradicionais e a qualidade da águas não somente para produzir uma das melhores cervejas do pais mas também para abrir um  complexo turístico único na Croácia.  Com um restaurante, uma casa “Bed and Breakfast”, um hotel e uma loja de produtos regionais, o San Servolo Resort and Beer Spa deve sua grande originalidade ao seu Spa onde a base dos tratamentos é a própria cerveja.

O predio da recepção, da loja e do restaurante

O Bed and Breakfast fica numa casa do conjunto chamada La Villa Romântica, com uma decoração aconchegante e detalhes de estilo clássico, como espelhos dourados ou papel de parede estampado, contrastando com o elegante design contemporâneo do hotel. A recepção, a loja de gastronomia e o restaurante ficam num outro prédio onde os designers escolheram um ambiente mais rústico valorizando a madeira. Mas a grande particularidade do lugar é seu Spa de cerveja, com a procuradíssima sala com duas grandes banheiras que os ajudantes enchem de cerveja para um tratamento exclusivo onde não é aceito nenhum outro produto, a não ser, claro, dois chopes para poder brindar com seu par.

Alem de virtudes medicinais, o lúpulo ajuda na aromaterapia

Desde os tempos do Egito dos faraós, as mulheres utilizavam a cerveja para uso terapêutico ou estético, na cura das doenças dermatológicas bem como nos tratamentos de beleza da pele. Quatro mil anos depois, pesquisas científicas japonesas e alemãs comprovariam que os sedimentos de levedura inativa de cerveja ajudam mesmo a manter um Ph equilibrado. Diminuindo a produção de sebo, contribuiria para matar as bactérias responsáveis pela acne e espinhas, a frear as rugas, além de amaciar a pele. O SPA do San Servolo chama também a atenção sobre os grandes poderes de aromaterapia do mirceno, um óleo essencial presente no lúpulo, com aromas de madeira, de balsâmico, de uva e de pêssego, e com uma forte concentração de vitaminas A e E.

A loja do San Servolo

O San Servolo Beer Spa não é o primeiro Spa aproveitando essas virtudes da cerveja, a Republica Tcheca foi até pioneira e o Brasil já abriu estabelecimentos especializados em Curitiba e Brasília, mas ele vai com certeza aproveitar o dinamismo do turismo da Costa Dalmácia Da fronteira italiana até Dubrovnik e as bocas de Kotor, passando por Zadar, Makarska, Spoleta e Ragusa, a Croácia multiplicou por seis os seus turistas internacionais desde a independência em 1995. Chegando a 15 milhões de visitantes, aproveitou a beleza do seu litoral e a riqueza da sua historia para virar um dos mais procurados destinos da Europa onde os Spa cervejeiros serão uma atrativo a mais.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista on-line La Quotidienne

A França é também da cerveja!

 

Festa em Lille

Num pais que é conhecido mundialmente como sendo o pais do vinho, é surpreendente saber que a cerveja tem também um lugar de destaque.Capture-d’écran-2015-09-23-à-12.20.16 A França é assim não somente o quinto produtor mundial de cerveja, mas um pais aonde a cerveja é, em varias regiões, a bebida mais tradicional e a mais procurada pelos consumidores. É o caso na Alsácia, na Lorena, na Normandia ou na Bretanha, e mais ainda no norte, perto da fronteira com a Bélgica, nos arredores de Dunkerque, de Arras ou de Lille onde a cerveja é uma verdadeira cultura regional.

La place des Heros Arras

Desde a época do Império Romano, quando a proibição dos vinhedos nessa região favoreceu o plantio dos cereais, a fabricação da cerveja virou uma grande atividade econômica do norte da França. E, durante toda a Idade Media, os monges aproveitaram as suas isenções de taxas para desenvolver novas técnicas de produção que criaram no século XV a cerveja que conhecemos – e bebemos – hoje. Monges cervejeirosNessa região fronteiriça com a Bélgica, as cervejarias tinham, e ainda têm, três fatores importantes para ser bem sucedidas: terras e condições climáticas perfeitas para produção de cevada e de lúpulo, agua rica em minerais, e uma população acostumada a essa bebida chamada até de “pão liquido” pelos flamingos. Acolhedores e festivos, os  “ch’tis” (assim são chamados os habitantes da região) colocam a cerveja em todos os eventos, festas publicas ou particulares, protestos, ou desfiles de Carnaval homenageando o mítico Cambrinus, primeiro Rei da cerveja.

Circuit_BrasserieduCateau©L'Echappée Bière_4

Para ajudar o viajante a descobrir essa cultura da cerveja, e a escolher entre as quase cem cervejas diferentes produzidas no norte, inspirada pelo turismo enológico das grandes regiões vitícolas da França, uma pequena empresa de Lille, a  “L’Échappée Bière”, desenvolveu um turismo cervejeiro.  TURISMO CERVEJAEla oferece visitas de cervejarias, cursos e degustações, fabricação de cerveja, espetáculos com temáticas de cerveja, almoços ou jantares harmonizando comidas e cervejas ou simples visitas de bares de cervejas. Segundo os conhecedores, os dois melhores de Lille seriam La Capsule, o preferido dos “beermen”, que oferece cervejas não tradicionais vindo do mundo inteiro num ambiente underground, ou o Palais de la Bière, mais divertido e com uma seleção de pratos regionais, a Carbonnade ou o Welch.

La Capsule

O turismo cervejeiro da L’Échappée Bière” aproveita uma tendência geral de valorização da cerveja, outrora bebida plebeia que está pouco a pouco virando um produto nobre, utilizado até pelos maiores chefes franceses e internacionais. Desde que a Chefe Ghislaine Arabian ganhou duas estrelas no Michelin com o seu famoso ” Turbo à la bière de garde”, muitos restaurantes estão explorando as riquezas gustativas da cerveja, assim como o La Laiterie, que ganhou uma estrela oferecendo um cardápio gastronômico combinando uma cerveja com cada prato.Au Trappiste Os bares de cerveja são agora espalhados na França inteira, em Lyon (Les Fleurs du Malt), em Montpellier (Les couleurs de la Bière), em Estrasburgo (Les Berthom) ou em Albi (La Place des Bières). Em Paris, alem do tradicional “Le Trappiste”, com seu cardápio onde não faltam os mexilhões com batatas fritas, abriram novos e incontornáveis lugares como o La Fine Mousse, Les Trois 8, Le Super Coin ou L’Express de Lyon. Enquanto se fala as vezes da obrigação de escolher entre as culturas do vinho ou da cerveja, a França mostra a seus visitantes que é possível pertencer a esses dois mundos!

Jean-Philippe Pérol

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Cultura e arquitetura, o sucesso da renovação da França do Norte

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Centre Pompidou-Metz

Muitas vezes desprezados pelos próprios franceses que assimilavam essas regiões a seu passado de miséria nas minas de carvão ou de ferro, gozando dum clima mais frio que inviabiliza os vinhedos, tendo sido devastados durante duas guerras, o Norte e o Nordeste da França demoraram muito para atrair os visitantes. Foi somente a partir dos anos 90, com a abertura do túnel sob o canal da Mancha, a mobilizadora nomeação de Lille em 2004 como capital europeu da cultura, e a multiplicação dos grandes projetos urbanos, que as grandes cidades da região começaram a aparecer como destinos turísticos.

Palais des Beaux Arts de Lille

Palais des Beaux Arts de Lille

Lille tem hoje nove museus importantes, sendo o Palais des Beaux Arts o segundo mais rico da França. O prédio construído em 1892 foi completamente renovado em 1997, e ampliado com uma nova ala desenhada pelos arquitetos  Jean-Marc Ibos e Myrto Vitart. LILLE GALERIESuas paredes de vidros refletem as pedras da ala original, misturando as imagens e as obras do passado e do futuro. Alem de um acervo acumulado desde a criação do Museu (em 1792), com obras de Delacroix, Monet ou Donatello, o Palais des Beaux Arts abriga também uma coleção única de numismática, bem como as famosas e polêmicas mapas militares em baixo relevo de Vauban.

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Place Mazelle de Metz

Antiga cidade fortificada, em crise desde o fim das siderúrgicas francesas, Metz apostou em 2003 num grande projeto cultural, a construção de uma filial do Centre Pompidou assinada pelos arquitetos Shigeru Ban (Tokyo), Jean de Gastines (Paris) et Philip Gumuchdjian (Londres). hd_metz_muse_vue_nuit.showAberto ao publico em 2010, ele recebeu um acervo de 76.000 peças da sua matriz. A audácia do projeto acelerou a renovação urbana e varias outras construções vão em breve se destacar, como o centro de convenções ou o shopping Muse.

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O Louvre de Lens

Era uma antiga ambição do Louvre: abrir um segundo museu fora de Paris para mostrar as suas ambições nacionais, utilizando no interior da França, e com novas ideias, o seu extraordinario acervo. Em 2003, o ministério da Cultura lançou uma licitação que entusiasmou a cidade de Lens. A sua proposta, de autoria da agencia japonesa Sanaa, foi escolhida em 2005 entre mais de 120 projetos.

A Galeria do tempo do Louvre de Lens

A Galeria do tempo do Louvre de Lens

O prédio de vidro e de luz  ajuda também a valorizar um novo conceito revolucionário de apresentação das obras: a Galeria do tempo. Numa única sala de 125 metros de comprimento, 205 peças pertencendo a todas as grandes civilizações apresentam de forma cronológica 6000 anos de historia, uma caminhada simbolicamente fechada pela “Liberté guidant le peuple” de Delacroix.

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O Carnaval de Dunkerque

Orgulhoso de sua passado mineiro e das suas rebeldia, dos seus jardins operários ou das suas montanhas de poeira de carvão (“Terrils”), o Norte da Franca tem também outros trunfos para atrair  os visitantes: a  simpatia da sua juventude, a alegria da sua vida noturna e da sua gastronomia, o sabor das suas cervejas, e seus carnavais descontraídos. Assim que já foi demonstrado em Bilbao com o Guggenheim, os grandes projetos culturais são porem atrativosos excepcionais para atrair novos destinos nos roteiros turísticos internacionais.

Jean-Philippe Pérol

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Os “terrils”, morros artificiais do Norte da França