30 anos de turismo francês, evoluindo com os atores do trade e os proprios viajantes!

O bicentenário de 1789 foi um dos maiores impulsos para o turismo francês

Deixando esse mês a Diretoria Américas da Atout France, fico impressionado com a importância das mudanças que o “marketing de destino” enfrentou no Brasil nos últimos 30 anos. Além do cotidiano, comparando o primeiro escritório da Maison de la France, onde duas funcionárias distribuíam duas toneladas de folhetos por mês, a toda informação e à comunicação que hoje são concentradas na nova plataforma web onde está sendo hospedado o site france.fr, o novo banco de dados e a gestão das mídias sociais, com nosso milhão de fãs brasileiros. Três evoluções do setor turístico no Brasil transformaram completamente o papel da Agência de Desenvolvimento Turístico da França e das secretarias de turismo dos seus principais concorrentes.

Os novos viajantes empurrando o Brasil como terceiro mercado fora da UE

A primeira foi o crescimento do Brasil como mercado emissor para a França, passando de menos de 200.000 turistas a quase 700.000, sendo somente ultrapassado, fora da Europa, pela China e pelos Estados Unidos. Esse crescimento não foi somente quantitativo, mas gerou novos perfis de viajantes. A França manteve seus clientes tradicionais – casais ou pequenos grupos de amigos da classe A,  francófilos e bons conhecedores da arte de viver à francesa -, mas agora também recebe outros brasileiros. Os novos turistas são mais novos, pertencem às classes A ou B, precisam de mais apoio, viajam mais em grupo, visitam mais países na Europa, voando para outras capitais ou rodando de ônibus. Com muita vontade de viajar pelo mundo, mas como menos de 10% deles fazem uma viagem internacional por ano, eles representam o maior potencial para os 1,5 milhões de turistas que a França tem como objetivo no Brasil.

Hotel Urbano, um dos novos atores mudando a distribuição

A segunda grande mudança foi da distribuição. A França era principalmente comercializada através de grandes operadores europeias de circuitos (Polvani, Melia, Pullmantur, Marsans, Abreu, Transocean), ou através de operadoras brasileiras especializadas, tais como Bon Voyage, Imperial, Elantur, Oremar, Wagons-lits, Renocar. Se hoje o DNA da Atout France continua sendo uma forte ligação com operadoras e agências, os atores mudaram. A brasileiríssima CVC ficou em um disparado primeiro lugar com a metade dos pacotes para França, as agências on-line pegaram a sua fatia do mercado. As operadoras tradicionais devem contar com concorrentes criativos, tais como Hotel Urbano, mas também com novos canais de distribuição: blogueiros, plataformas de receptivo ou atores da economia colaborativa.

Parceria com o trade, especificidade e força da Atout France

A Atout France teve também que se adaptar a uma profunda evolução das expectativas dos seus parceiros. Enquanto a estratégia da Maison de la France era de atrair empresas de turismo para construir com elas ações de marketing, duas novas exigências tiveram que ser integradas aos planos da Atout France. A crescente necessidade de medir os resultados de cada investimento levaram a privilegiar as ações de vendas com retorno imediato.  E a importância estratégica do “branding” leva cada empresa e cada destino  a administrar com muito ciúme sua imagem, aceitando com dificuldade que ela seja diluída em uma ação coletiva, campanha de publicidade ou até evento. O marketing do destino França teve, então, que evoluir, se apoiando cada vez mais em produtos e declinando a marca França em cerca de 40 “brands”, de Bordeaux à Toulouse-Pyrénées, dos Alpes-Mont Blanc à Guiana Amazônia, ou de Biarritz Pays Basque à Normandia.

Esse capacidade de evoluir em função das novas expectativas dos turistas e de acompanhar as mutações do trade é, sem dúvidas, responsável pelo sucesso da França como grande destino turístico – esse ano será quebrado um novo recorde, com 89 milhões de entradas. Frente a nossos grandes concorrentes, especialmente os Estados Unidos e a China, ela será também a chave para se manter no primeiro lugar dos desejos dos viajantes.

Jean-Philippe Pérol

Perto de Bordeaux, a primeira experiência de uma viajante brasileira de amanhã

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

Blogueiros e agentes de viagem, aliados ou concurrentes?

A Grand Place de Bruxelas

Bruxelas, sede do Salão dos blogueiros de viagem 2016

Depois de Cannes em 2014 e de Ajáccio em 2015, o Salão dos blogueiros de viagem escolheu Bruxelas para sua terceira edição, juntando 200 blogueiros e 72 destinos na capital da Bélgica para um evento misturando conferencias, encontros de negócios e noite de gala. Co-patrocinadora do evento com a Accor e o turismo belga, a associação francesa dos destinos internacionais de turismo – ADONET – aproveitou  para lançar o primeiro “Clique de Ouro”, premiando o melhor blog de viagem francófono. A vencedora foi Aurélie Amiot com  Madame Oreille , um blog de viagem muito focado em fotografia que virou então na França o símbolo do novo relacionamento que os destinos turísticos querem construir com os blogueiros.

Nomadic Matt, o blog de viagem líder em visitas

Nomadic Matt, o blog de viagem líder em visitas

Seja na França, nos Estados Unidos ou no Brasil, os blogs mostraram nos últimos anos que são um fator chaves nas decisões de 65% dos viajantes, que encontram nessas paginas do web uma criatividade, uma liberdade, e mais ainda a faculdade de interagir com os redatores.  Reconhecidos como influenciadores digitais, os blogueiros de viagem são procurados para parcerias com os destinos, os hotéis ou as companhias aéreas que buscam novos conteúdos e novos canais de comunicação com seus clientes. marcaEssas parcerias ajudam os blogueiros a descobrir o mundo, virar uns “blog- trotters” vivendo e dividindo as suas paixões, porem trazendo pouco faturamento. Cada vez mais numerosos , só nos Estados Unidos quase 60.000, no Brasil mais de 3.000, os blogueiros de viagem são  menos de 5% a viver dessa atividade, e as vezes somente parcialmente.

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Votretourdumonde.com, um dos mais influentes blog de viagem da França

Para profissionalizar as suas atividades e conseguir rentabilizar-las, dinâmicos e criativos blogueiros diversificam os seus serviços. Eles agem não somente como jornalistas – oferecendo conteudos-, mas como mídias – vendendo  espaços publicitários e links patrocinados -, esses últimos sendo a maior fonte de renda dos blogueiros americanos. Alguns oferecem reservas de serviços ou de passagens, virando operadoras de turismo, agencias on-line, ou mesmo agencia de receptivo, e gerando preocupação das agencias tradicionais que denunciam uma nova concorrência que seria, em alguns casos, desleal.

Conexão Paris, o primeiro blog especializado sobre França

Conexão Paris, o primeiro blog especializado sobre França

É importante que as autoridades ficam atentos ao respeito das legislações do setor e a proteção do consumidor. Mas, depois das agencias on-line, dos sites de  vendas diretas e da economia colaborativa, a chegada dos blogueiros de viagem  como atores incontornáveis do trade turístico é hoje uma evolução irreversível que deve ser vista, não como uma ameaça, mas como uma fonte de oportunidades. Para os destinos, os blogs de viagem abrem novas opções, sendo canais privilegiados para comunicar com primeiro-viajantes ou para convencer fãs de atividades especificas. logoPara todos os atores tradicionais, possibilidades de sinergia estão aparecendo, e o sucesso dos blogs de viagem de grandes agentes ou operadores brasileiros, seja da CVC ou da Teresa Perez, mostram que os viajantes estão interessados a ter essas opiniões livres, descontraídas e interativas antes de escolher e de comprar. E qualquer que seja o circuito de compra escolhido – hoje sempre aquele onde o viajante encontra o maior valor agregado para a sua própria viagem-,  os blogueiros serão, para os destinos e todos os atores do setor, grandes aliados para ajudar no dobramento dos turistas mundiais previsto pela Organização Mundial do Turismo nos próximos quinze anos.

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi publicado originalmente no Blog “Point de vue” da revista profissional Mercados e Eventos

 

 

 

 

 

Viajar é preciso!

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Depois do pedido de recuperação judicial da Nascimento, a suspensão das operações da Designer Tours foi mais uma notícia dramática que revelou o quanto o setor do turismo é hoje um dos mais prejudicados pela crise econômica e financeira no Brasil. designerDiante de uma previsão de crescimento negativo de 3% este ano e de 1% em 2016, e ao nos depararmos com um dólar que ultrapassa os R$ 4,00, com projeção de atingir o patamar de R$ 5,00, torna-se difícil evitar o pessimismo e conseguir enxergar, nesse cenário atual, algo além de grandes ameaças para todo o setor.

A CIDADE LUZ

Porém, é preciso lembrar que também há razões para escapar do desespero e até mesmo para manter o otimismo. A primeira é que o turismo mundial continua crescendo, tanto doméstico que internacional. Segunda a OMT (organização mundial do turismo), as viagens vão passar de um pouco mais de 1 bilhão em 2015 para 2 bilhões em 2030, um crescimento que será principalmente impulsionado por duas regiões do mundo: a Ásia e a América Latina. O turismo doméstico irá crescer nas mesmas proporções, uma tendência claramente observada esse ano pelas grandes operadoras nacionais que anunciam crescimento de até 20%, com a queda do real impulsionando a competitividade da oferta doméstica.

Turismo domestico no Rio Negro

O crescimento das viagens continuará sem dúvidas no Brasil, pois os novos consumidores “emergentes”, que nos últimos dez anos descobriram destinos como o Nordeste, Gramado, Buenos Aires ou Paris, não vão parar de viajar repentinamente. O turismo agora faz parte do comportamento, do jeito de viver e quase da “cesta básica” de milhões de brasileiros da classe B e C. Viajar se tornou um meio fundamental de acesso à cultura, às compras e ao lazer, que não pode acabar com a crise. Mesmo que haja uma queda nas viagens ou uma mudança na escolha dos destinos e dos produtos, o desejo de viajar não somente vai permanecer, mas ainda vai continuar necessitando da atuação dos profissionais para transformar esses sonhos em realidade.

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Os consumidores continuarão viajando, mas a crise vai acelerar as mudanças não somente no tipo de viagem procurada, mas também na forma de comprar tais viagens. Os danos empresariais e humanos recorrentes do fechamento de grandes operadores ou de pequenos negócios não são somente consequência da crise brasileira. FRAMEles também estão ligados às novas tendências do consumo e às novas tendências da distribuição, tanto no Brasil como nos grandes países da Europa e da América do Norte. Nos últimos quinze anos, um terço das agências de viagens fecharam as portas nos Estados Unidos, muitas operadoras de médio porte desapareceram ou foram compradas e, ainda essa semana, a FRAM, uma das maiores empresa do setor da França, entrou em liquidação judicial.

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No entanto, lembrando com respeito, tristeza e saudade da Designer ou da Nascimento, novos atores surgem simultaneamente para oferecer produtos ou serviços mais adaptados às exigências do novo consumidor.Guilhermo Paulus e JPP Grandes destaques existem no próprio Brasil: seja o fantástico sucesso da CVC, a criatividade mundialmente reconhecida do Hotel Urbano, a chegada da JTB, da TUI ou da Expedia, o dinamismo da Schultz. Ressalta-se a grande diversidade de novas pequenas operadoras, que oferece produtos específicos nas áreas da cultura, esporte, enologia, turismo religioso e ecoturismo, e até a economia colaborativa da AirBnb. Surfando nas novas tendências do turismo global, para essas empresas e para muitos profissionais do setor, no receptivo, no doméstico ou no internacional, no lazer ou no turismo corporativo, a crise que o Brasil atravessa será superada. AirBnb RIO 2016Eles poderão aproveitar as oportunidades dessa nova economia, com a tranquilidade de saber que o mercado  continuará crescendo e até dobrando nos próximos quinze anos o número de brasileiros para os quais, mais do que nunca, viajar será preciso!

Jean-Philippe Pérol

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O salão da Abav: uma longa historia e uns novos caminhos!

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Encerrando a Expo internacional 2014 da Abav, São Paulo mostrou pela terceira vez esse ano o quanto pode receber com sucesso um grande salão de turismo. Com  250 estandes e 3500 expositores, a feira registrou as entradas de mais de 41.000 profissionais, comemorando com recorde os seus 60 anos. foto 2Andando nos largos corredores, a beleza e até a imponência dos estandes deixavam aparecer algumas tendências. Os destinos de proximidade,  Argentina, Uruguai, Chile ou Colômbia, estão investindo com força no mercado Brasil e no seu potencial de novos viajantes. Os Estados Unidos, com os investimentos de Brand USA e  o dinamismo dos seus estados, estão mesmo querendo chegar em 2016 com 2 milhões de turistas brasileiros. Stand Saint-MartinAs grandes operadoras – CVC, Flytour, ou Hotel Urbano – mostraram a sua força exibindo não somente um leque de produtos cada vez mais amplo, mas também canais de distribuição diversificados – competindo tanto nas agencias tradicionais que nas vendas on-line. Primeiro mercado emissor do pais, São Paulo mostrou que reivindica agora com orgulho o seu primeiro lugar com destino de negócios e turismo, uma Nova Iorque latina com todos os trunfos para competir com os maiores destinos mundiais.

Se a Europa ficou mais discreta, a França fez questão de estar presente com seus parceiros tradicionais – Air France, Accor, Rail Europe – e uma delegação de profissionais num espaço VIP onde eram servidos Champagne e vinhos do Smith Haut Lafitte.IMG_2419 Prestigiada pela presença do ministro do turismo, Vinicius Lages, e do embaixador da França, Denis Pietton, Atout France animou um almoço debate sobre “investimentos turísticos e desenvolvimento regional”. Com palestra do Patrick Mendes da Accor, mostrou se, através do exemplo da Ibis ou das outras marcas do grupo, a importância dos investimentos hoteleiros para levar os turistas fora dos grandes eixos tradicionais, tanto na França que no Brasil.

Com um apoio excepcional do ministro Vinicius Lages que transferiu o seu gabinete no recinto do Anhembi, a Abav mostrou a sua força, e a presencia dos grandes lideres do turismo no Brasil foi impressionante. Mas, na concorrência entre os três grandes salões de turismo de São Paulo, os profissionais esperavam que o grande diferencial da Expo internacional fosse o comparecimento maciço dos agentes, a qualidade dos encontros e o apoio do publico durante os dois dias abertos a todos. Nesses três itens,  os participantes não foram unânimes, e ficou claro que ainda tem caminho para percorrer. Mesmo com um intensa programa de hosted buyers, os expositores nem sempre tiveram as visitas esperadas, e a interessante iniciativa da Vila do Saber ainda não atendeu as grandes expectativas. Sempre muito difícil a combinar, o atendimento a dois tipos de visitantes muito diferentes – profissional e publico – foi um desafio que muitos expositores não conseguiram vencer, muito estandes ficando vazios no final de semana.

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Na hora da Internet e do tempo contado, Expo internacional enfrenta os mesmos problemas que todos os grandes salões internacionais. Os organizadores do IFTM Top Résa de Paris, que encerrou dia 26 de Setembro, ficaram também preocupados pela dificuldade crescente de tirar os agentes de viagens das suas lojas, e pela concorrência de novos canais de comunicação B2B. IMG_2473Em Madrid ou em Berlin, os expositores se queixam cada vês mais da dificuldade de combinar os profissionais e o publico, sendo complicado de ter estandes, folhetos, animações e funcionários capazes de atender os dois. Evento do coração de todos os profissionais brasileiros, carregando a historia do turismo no Brasil, o salão da Abav, que mostrou na vinda para São Paulo todo o seu poder de rejuvenescimento, terá que encontrar suas próprias respostas e assim  continuar nos caminhos de sucesso.

Jean-Philippe Pérol

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Quadro dos principais salões profissionais mundiais

Novo viajante brasileiro: França, cultura e liberdade …

VersaillesA França continua sendo, empatada com a Itália, o destino preferido dos novos viajantes brasileiros. Na pesquisa inédita realizada pelo turismo francês e os seus colegas da Suíça, ficou claro para 48% dos entrevistados, pertencendo a classe média dos maiores polos emissores do país, que a atratividade da França continuava com a mesma força. chateau de chenonceau copyright briq ecliptiqueOs ‘emergentes’ tem a mesma atração pela sua cultura, seu patrimônio, sua gastronomia e seu romantismo. Eles gostam dos mesmos lugares que os viajantes mais experientes: Paris, Versalhes, os Châteaux de la Loire, ou a Cote d’Azur. Atraídos pelas grandes cidades, eles são porem mais aventureiros: Paris é citado por 84% (contra 95% pelos viajantes experientes), mas cidades como NiceMarselha, Toulouse ou Bordeaux aparecem com mais frequências nos planos de viagem.

Uma viagem para França é esperada com impaciência:  91% dos entrevistados esperam realiza-la nos próximos três anos.  A França será o destino principal mas não o único. O roteiro sonhado sempre inclui um ou dois outros países, principalmente escolhidos entre Itália, Espanha, Portugal e Inglaterra. O novo viajante escolhe hospedagem mais barata (hotéis de duas ou três estrelas tipo Íbis) e não tem medo de escolher opções alternativas  tipo aluguéis, Airbnb ou Homeaway. BOUTIQUE NORMANDEGosta de bons restaurantes mas não esquece que a baguette também é gastronomia. Valoriza compras, mas de forma mais cautelosa, talvez porque põe a cultura em primeiro lugar, talvez porque a imagem de luxo dos produtos franceses tradicionais o afugenta das grandes lojas parisienses ou até dos outlets que estão pipocando por toda a França.

A preparação da sua viagem aproxima também  esse novo consumidor dos seus antecessores. Ele se informa em primeiro lugar com amigos (69%) ou na internet (64%). A380Três meses antes da data escolhida,  ele reserva ou numa agência de viagem (66%) ou diretamente  nos fornecedores (34%). A partir da segunda viagem, as compras diretas passam a representar 56% do total… Essa liberdade de escolha combina também com a vontade do brasileiro de viajar com conhecidos, seja esposo(a) ou namorado(a),  família ou amigos, mas raramente em grupos organizados.

Toulouse

Mesmo com o receio dos preços e da língua, os novos viajantes brasileiros devem, segunda essa pesquisa da Roland Berger, continuaram a crescer em 6% ao ano para França até 2017, e provavelmente mais rapidamente depois. Serão maioria a partir desse ano, cada vez mais cobiçados pelas companhias aéreas, pelos hotéis, ou pelas agências. Um grande desafio espera agências online e operadoras, especialmente aquelas como a CVC que estão hoje dominando esse setor, para renovar os destinos (Nice, Bordeaux, Marselha, Toulouse) e as temáticas (eventos culturais, shopping, turismo religioso, roteiros de vinhos…). DEGUSTATION A BORDEAUXA Atout France, o turismo francês, deve também ajudar com mais campanhas nas mídias sociais, mais formação de agentes de viagens, mais apoio à Air France e as companhias aéreas, e uma melhor colaboração com outros destinos europeus complementares. Todos terão que ser muito profissionais e muito criativos para oferecer os serviços que esses consumidores exigentes e preparados querem encontrar  nessa França acessível, atual e acolhedora que estão procurando.

LA BAGUETTE

Jean-Philippe Pérol

Os gigantes do Norte dominam tambem a Europa do turismo!

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Os latinos não se dão bem no ranking anual das grandes operadoras europeias publicado pelo magazine alemão FVW.THOMASCOOK_KaribikLateina000001 Dos dez primeiros gigantes, só dois aparecem no meio das grandes alemãs, suíças e inglesas. No pódio, a medalha de ouro é inglesa. Com um faturamento de €18,3 billion, a TUI fica disparada, na frente do seu velho concorrente Thomas Cook que só chegou a €11,3 billion o ano retrasado (Muitos resultados de 2013 não sendo ainda publicados, FVW utilizou muitos números de 2012 para o seu ranking). Juntos, os dois rivais representam mais de 50% do mercado das viagens de lazer na Inglaterra, Escandinávia, Holanda e Bélgica, e mais de 30% na Alemanha.
O suíço Kuoni é a terceira maior operadora europeia, com um faturamento de quase €4,8 billion, mas teve uma importante restruturação em 2013, vendendo sucursais no Benelux, na França, na Espanha e na Rússia para se concentrar no receptivo e nos mercados asiáticos.
O quarto lugar é alemão, da DER Touristik. Faturou €4,65 billion, cresceu pouco internamente, mas adquiriu a operadora tcheca Exim Holding que era muito forte na Europa central.

Outrora italiano, a anglo-americana Costa teve um faturamento de €3,5 billion. Foi um forte crescimento, empurrado pelo sucesso dos cruzeiros vendidos no mercado alemão pela sua filial Aida Cruises. São também alemãs as operadoras colocadas em sexta e sétima posições do ranking, FTI e Alltours, que faturaram respectivamente €1,8 e €1,6 billion.

Em oitava posição, com €1,4 billion, aparece finalmente o francês Club Med, esse tão latino que os burocratas da Uniao Europeia chamam com desprezo os países do Sul da Europa  ‘os países do Club Med’. Saindo duma grande restruturação, agora com um importante investidor chinês, o grupo fundado pelo lendário Gilbert Trigano esta hoje focando resorts de luxo em lugares excepcionais. Depois do sucesso do Clube de Guilin na China, um desses será o futuro quarto investimento do Club Med no Brasil, entre Búzios e Cabo Frio, na praia do Peró.Club Med - Imagem

Fechando esse ranking dos dez maiores vem o italiano  Alpitour, com faturamento de €1 billion, e o suiço Hotelplan (€975 million) que estão lutando para melhorar os seus resultados.

Esse resultados se refiram a mercados longe da realidade brasileira, com consumidores diferentes, e profissionais agindo num cenário econômico e jurídico tambem completamente diferente. Assim mesmo, duas observações me parecem validas. A primeira é que os mercados latinos, com seus viajantes independentes e sempre a espera de oportunidades, são mais relutantes ao surgimento e a consolidação de grandes operadoras, sendo hoje o Club Med a única bem sucedida. A segunda observaçao é que temos no Brasil uma exceção a regra, o impressionante sucesso da CVC que seria hoje, se esse ranking fosse não so da Europa mas  também das Américas, em sexto lugar pelo faturamento (e provavelmente em terceiro pelo numero de turistas). Considerando as perspectivas de crescimento dos dois continentes, um lugar no pódio desse ranking virtual para o grupo liderado pelo Guilherme Paulus é uma probabilidade a curto prazo.

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Jean-Philippe Pérol

Artigo original em inglês: http://www.fvw.com/european-tour-operators-ranking-tui-cook-dominate-european-tourism-market/393/126948/11245