Turismo internacional, o ótimismo e a confiança

As viagens internacionais antecipando a retomada do crescimento brasileiro

Com um crescimento de 20% das viagens internacionais e de 50% das despesas no exterior durante o primeiro trimestre, os profissionais brasileiros do turismo estão hoje muito otimistas em relação a 2017. As projeções anuais variam de 5% até 20%, deixando quase certa uma recuperação dos clientes perdidos em 2016 e talvez até em 2015, especialmente  junto aos novos viajantes de lazer. Os “emergentes”  estão de novo transformando o Brasil numa grande potência turística internacional, empurrando o crescimento das vendas das operadoras, com taxa de dois e as vezes de três dígitos.

A nova campanha bem sucedida de Paris para atrair os visitantes

Castigada durante dois anos seguintes, a França está voltando a ser o destino favorito dos brasileiros na Europa, com um crescimento de 25,6% de janeiro a março, e umas perspectivas de quase 50% nos próximos seis meses. Alem de recuperação de demanda reprimida, esses resultados se devem aos esforços dos profissionais e das autoridades no atendimento, na segurança e nos preços, bem como ao cambio favorável ao euro e as facilidades de viagem – fatores que impactam de forma negativo o grande concorrente americano.

Paris se preparando para receber os Jogos de 2024

O otimismo dos franceses em relação as chegadas de turistas brasileiros é agora reforçado com os novos rumos da política da França. Um Presidente jovem, trazendo ideias de abertura ao mundo, de respeito as diversidades culturais e de orgulho de pertencer a um pais acolhedor, deve ajudar os turistas do mundo inteiro a escolher nosso pais . O turismo parece também ser uma das prioridades do novo Presidente, e os profissionais notaram com muita satisfação que o primeiro compromisso oficial que ele assumiu domingo foi de receber o Comité Olímpico Internacional para empurrar a candidatura de Paris para os Jogos 2024.

O Airbus 380, uma das opção para aumentar a oferta de assentos no Brasil

Para esse otimismo ser confirmado com números, o turismo brasileiro precisa agora de confiança. Confiança dos viajantes na retomada, mesmo gradual, da economia bem como na estabilidade do cambio. Confiança também dos profissionais que o setor está mesmo voltando a crescer. Dois gargalos só poderão ser resolvidos com essa confiança. O primeiro é a oferta de voos internacionais que caiu de 25% esse ano, o Brasil tendo menos voos, menos assentos e menos gateways internacionais. Agora com somente 5 voos diários, Paris é um dos destinos onde a situação ficou mais critica. Com saudade de ligações regulares para Brasília, Recife, Salvador ou Manaus, temos que esperar a ampliação de numero de assentos prevista pela Air France e torcer para ver a LATAM – ou uma outra companhia brasileira-  voltar a por a mesma confiança no destino França que a saudosa VARIG.

A Travel week, encontro mor dos profissionais do turismo de luxo

A confiança é também necessária para ver os profissionais estrangeiros voltar a investir em promoção no mercado brasileiro. Os últimos eventos do trade – WTM bem como Travel Week- mostraram queda de 20% e mais nas participação de expositores internacionais, sejam as companhias aéreas, os destinos, os receptivos ou os hotéis. A retomada do mercado só poderá ser definitiva se esses incontornáveis parceiros voltam a investir no Brasil, adaptando os seus serviços e as suas ofertas, e, mais ainda, investindo em ações de promoção. A nos, profissionais brasileiros, o dever de repassar essa confiança, e a convicção que o Brasil continua de ser um dos maiores mercados emergentes do mundo global.

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

O turista do Futuro: livre, sem estresse, online, transparente e ético?

Montreal no inverno

Montreal no inverno

A Universidade do Quebec e Turismo Montreal apresentaram dia 18 de Janeiro os trabalhos de dois especialistas do turismo internacional, Paul Arseneault e Pierre Bellerose, sobre as grandes tendências que vão definir o turismo mundial nas próximas décadas. As mudanças da ordem internacional e da demografia, as ameaças sobre o meio ambiente ou a mundialização das novas tecnologias devem não somente transformar toda a industria das viagens, mas também mudar o perfil dos futuros turistas. Esse turista do Futuro será mais livre, mais intolerante as preocupações e ao estresse, mais seguro de si, mais espontâneo, mais conectado, mais preocupado com sua ética e acima de tudo com a sua imagem. Três tendências  principais levarão a essas mudanças.

e durante o seminario

Arseneault e Bellerose durante a conferência

Com o crescimento da classe media, principalmente nos BRICS e nos outros países emergentes, o turista do Futuro será muito mais livre de viajar. Daqui a 2030,  a classe media passará de 27 a 60% da população mundial, e a VISA projeta que a metade terá acesso a viagens internacionais. Esses novos viajantes virão principalmente da América Latina e mais ainda da Ásia. A China, que já lidera as despesas de turismo internacional com USD 292 bilhões em 2015, poderá representar um terço dos turistas internacionais. A liberdade de viajar será também ampliada pela ampliação do acesso a Internet que deveria dar um pulo de 34 a 50% da população mundial até 2030. O viajante do Futuro será assim mais “inteligente”, querendo afirmar suas particularidades, seus desejos, seus gostos e suas opiniões até na construção dos seus roteiros.

Decreto de Trump levando caos nos aeroportos americanos

Decreto de Trump levando caos nos aeroportos americanos

O turista do Futuro não aceitará preocupações ou estresse, seja pelas situações políticas, pelos riscos de segurança ou pelo aquecimento global. Num mundo mais protecionista e com algumas fronteiras mais fechadas, com populações priorizando a segurança, as viagens domésticos ou para destinos priorizando a segurança vão aumentar, bem como a preferência por grandes marcas de turismo (hotéis, cruzeiros ou operadoras) capazes de responder a essas problemas. As preocupações do turista, e a procura do risco zero, vão abranger também os efeitos do aquecimento global e até as responsabilidades sociais das empresas que contribuirão para suas viagens. Os cancelamentos ou as mudanças em caso de qualquer tipo de problemas terão que ser mais fáceis. .

Web e mídias sociais vão impactar os comportamentos

Web e mídias sociais vão impactar os comportamentos de viagem

Segundo o Foro econômico mundial, 80% da população mundial terá uma identidade numérica até 2023. Web, e-marketing e midias sociais vão impactar as decisões dos turistas do Futuro. Os dados pessoais, mesmo confidenciais, serão mais difíceis de proteger, levando as empresas a oferecer propostas de serviços mais personalizadas. Gerenciar sua imagem no web será cada vez mais importante, impactando a escolha dos  destinos, dos estabelecimentos, e até o comportamento. O numérico levará mais mutações no turismo: o uso das tecnologias para reduzir os estresses do viajante (Amadeus está investindo nisso USD 500 milhões por ano), a chegada de aplicativos que serão verdadeiras agencias de viagem moveis, capazes de acompanhar o turista durante toda a sua viagem, a mundialização das interações nas mídias sociais ou, mais importante ainda, a percepção do próprio turismo como uma necessidade imperativa!

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de  Aude Lenoir  na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat . A apresentação completa pode ser vista nesse link ou no vídeo abaixo apresentado.

Três boas razões para acreditar em 2 bilhões de turistas daqui a 2025!

Sempre jovem, a torre Eiffel pronto a continuar como ícone de turismo mundial

A torre Eiffel pronta a continuar como ícone do turismo mundial

Projetando cerca de 2 bilhões de turistas internacionais para 2025, esperando um espetacular crescimento das despesas de viagem, os especialistas lembram que três tendências estão sustentando a evolução do turismo mundial: a expansão das classes emergentes, o envelhecimento das populações, e o progresso das comunicações. Já observados há uma década, esses fatores foram também destaques de uma pesquisa conjunta do cartão Visa e da Oxford Economics, “International Outbound travel projections”, cujos resultados foram publicados no ultimo mês de julho.

Famílias com renda superior a 20.000 USD por ano (em milhões)

Famílias com renda superior a 20.000 USD por ano (em milhões), nos mercados desenvolvidos e nos mercados e emergentes

O crescimento econômico vai levar cada vez mais consumidores a uma faixa de renda superior a 20.000 USD por ano aonde se encontram 80% dos viajantes internacionais, responsáveis por 90% das despesas. Projetando esse dados no futuro, Visa calculou que a metade das famílias terão como arcar com pelo menos uma viagem em 2015, sendo que uma em cada oito viajará mesmo. Um terço dessas viagens serão internacionais, com uma média de gastos superior a 5.300 USD.

Os dez países com as maiores despesas de viagem em 2015

Os dez países com as maiores despesas de viagem em 2015 (en bilhões de USD)

Os países emergentes terão um lugar de destaque nesse novo cenário, sendo então responsáveis por 45% dos 1.500 bilhões de USD de despesas do turismo internacional. Com um viajante em cada seis, China será o primeiro mercado emissor mundial com 255 bilhões, 86% a mais que em 2015, muito à frente dos Estados Unidos. Dois outros BRICS estarão presentes no Top Ten dos mercados: a Rússia, com o maior crescimento dos próximos 10 anos, e o Brasil que chegará, segundo a pesquisa da Visa, a 38 bilhões de USD de gastos de viagens internacionais.

Os dez países com o maior numero de viajantes de mais de 65 anos em 2025

Os dez países com o maior numero de viajantes de mais de 65 anos em 2025

Com a (ainda) crescente esperança de vida, e uma grande vontade de viajar da “melhor idade”, os turistas de mais de 65 anos vão ganhar muito mercado até 2025, devendo chegar a representar 13% das viagens internacionais nessa data. Podendo viajar fora da alta temporada, escolhendo estadas longas, eles serão provenientes principalmente da Europa ou da América do Norte, mas terão preferências de viagens diferenciadas.

A França iniciou em Setembro uma campanha de promoção do turismo de saúde

A França iniciou em setembro uma campanha de promoção do turismo de saúde

Enquanto alguns percorrerão o mundo, continuando a dar preferência para circuitos de ônibus ou cruzeiros marítimos e fluviais, outros vão dar um impulso excepcional ao turismo de saúde. Segundo a organização Patients Beyond Borders, as viagens com essa finalidade já representam vários bilhões de USD, mas devem crescer de 25% nos próximos anos, principalmente para os Estados Unidos. Alguns países como Tailândia, Singapura ou a Espanha estão também bem posicionados e a França mostrou recentemente que quer virar um dos líderes do setor.

O Airbus A380 da Air France

O Airbus A380 da Air France, tecnologia aproximando os destinos

Além do poder aquisitivo das classes emergentes e da vontade de viajar da melhor idade, os avanços tecnológicos  vão também ajudar a atingir os 2 bilhões de turistas em 2025, reduzindo as distâncias com voos mais diretos e baixo consumo energético. Nos últimos 5 anos, mais de 2.500 novas rotas aéreas foram abertas, e a abertura de 340 aeroportos está prevista nos próximos dez anos, facilitando as viagens. A conectividade globalizada e a proliferação dos smartphones não somente ajudam a escolher os destinos e a preparar as viagens, mas ainda favorecem a espontaneidade e permitem personalizar os roteiros, incentivando e tranquilizando o viajante.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original da  Chantal Neault na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat

Turismo atingido preocupa economia, cultura e liberdade!

Abaixo da Pirámida do Louvre

A desvalorização do real, a falta de perspectivas econômicas e as incertezas políticas levaram as viagens internacionais dos brasileiros a uma seria queda em 2015. Se os números finais ainda não são completamente conhecidos, já parece claro que todos os principais destinos – Argentina, Estados Unidos, França, Portugal ou Caribe – enfrentaram redução de 5 a 10% das chegadas de turistas brasileiros. Mars 2015 , um avião quase vazio para MiamiA queda já comprovada dos gastos dos brasileiros no exterior chegou a  31%, de 24 bilhões de dólares em 2014 para 16 bilhões em 2015. Os viajantes se adaptaram com a nova realidade do Real frente ao Euro e (mais ainda) ao Dólar. Os destinos de shopping – e as despesas de compras- caíram, os hotéis mais econômicos e a AirBnb foram destaques de vendas, e a procura pelas promoções de ultima hora das companhias aéreas mudou os hábitos de reserva.

Destinos de compras sofrem com a crise

Com menos viajantes gastando menos, mesmo se adaptando com mais criatividade e mais esforços de produtividade, as operadoras e as agencias de viagem estão enfrentando um cenário de crise, e varias empresas conceituadas já tiveram que demitir funcionários ou até fechar as portas.  Enfraquecidas pela conjuntura, elas estão agora ameaçadas de receber um novo golpe com  mudanças de tributação. Edmar BullDramaticamente denunciada por todos os profissionais, a não reversão da incidência de 25% para 6,38% dos  tributos sobre remessas para o exterior pode levar a um encarecimento violento e uma queda mais brutal ainda das viagens internacionais. Numa carta endereçada a Presidente Dilma, as entidades do setor, lideradas pela Abav e a Braztoa,  lembraram os riscos econômicos que o imposto de 33% traria para as empresas de turismo, podendo levar a perda de  600 mil empregos diretos e indiretos, a R$ 20 bilhões de impacto negativo na economia brasileira, e ao enfraquecimento de um setor que movimentou em 2014, segundo dados da WTTC, 9,6% do PIB nacional.

Dilma e o turismo

Mas o apelo para que não se desse um novo golpe ao turismo brasileiro não deve se limitar a seu impacto econômico. Viajar para o exterior é hoje uma aspiração profunda a qual ninguém está pronto a renunciar, especialmente esses novos viajantes que, nos últimos dez anos,  colocaram o Brasil nas grandes potências do turismo mundial. Para 66 % dos viajantes(*), viagem é cultura, seja vendo monumentos, visitando museus, assistindo a espetáculos, encontrando gente diferente, descobrindo outras gastronomias e outras maneiras de viver, e mais ainda encontrando gente com visões diferentes do mundo. Turismo é cultura! Bloquear as viagens internacionais é também negar esse direito que tantos brasileiros adquiriram há pouco tempo.  Mais ainda, viajar é não somente um direito, mas também uma liberdade fundamental que não pode ser restrita numa democracia. Impedir os seus cidadãos de ir e vir pelo mundo colocando obstáculos – fossem eles financeiros ou tributarios-  não seria um bom sinal nem para os brasileiros nem para o mundo. O turismo internacional deve sem duvidas trazer sua participação a retomada econômica do Brasil, gerando empregos e riquezas. Será porem, com certeza, recebendo muito mais visitantes vindos do mundo inteiro, trabalhando o acervo conquistado na Copa e nos Jogos Olímpicos,  e não tentando impedir as classes emergentes brasileiras de ter acesso a essas maravilhosas experiências de cultura e de liberdade que o turismo pode trazer a cada viajante.

Jean-Philippe Pérol

A estatua da Liberdade e a Torre Eiffel

 (*) Fonte: Pesquisa Atout France e Swiss tourism sobre o turismo exterior da classe media brasileira (2014)

Viajar é preciso!

Hilton-Bora-Bora-Nui-Resort-French-Polynesia

Depois do pedido de recuperação judicial da Nascimento, a suspensão das operações da Designer Tours foi mais uma notícia dramática que revelou o quanto o setor do turismo é hoje um dos mais prejudicados pela crise econômica e financeira no Brasil. designerDiante de uma previsão de crescimento negativo de 3% este ano e de 1% em 2016, e ao nos depararmos com um dólar que ultrapassa os R$ 4,00, com projeção de atingir o patamar de R$ 5,00, torna-se difícil evitar o pessimismo e conseguir enxergar, nesse cenário atual, algo além de grandes ameaças para todo o setor.

A CIDADE LUZ

Porém, é preciso lembrar que também há razões para escapar do desespero e até mesmo para manter o otimismo. A primeira é que o turismo mundial continua crescendo, tanto doméstico que internacional. Segunda a OMT (organização mundial do turismo), as viagens vão passar de um pouco mais de 1 bilhão em 2015 para 2 bilhões em 2030, um crescimento que será principalmente impulsionado por duas regiões do mundo: a Ásia e a América Latina. O turismo doméstico irá crescer nas mesmas proporções, uma tendência claramente observada esse ano pelas grandes operadoras nacionais que anunciam crescimento de até 20%, com a queda do real impulsionando a competitividade da oferta doméstica.

Turismo domestico no Rio Negro

O crescimento das viagens continuará sem dúvidas no Brasil, pois os novos consumidores “emergentes”, que nos últimos dez anos descobriram destinos como o Nordeste, Gramado, Buenos Aires ou Paris, não vão parar de viajar repentinamente. O turismo agora faz parte do comportamento, do jeito de viver e quase da “cesta básica” de milhões de brasileiros da classe B e C. Viajar se tornou um meio fundamental de acesso à cultura, às compras e ao lazer, que não pode acabar com a crise. Mesmo que haja uma queda nas viagens ou uma mudança na escolha dos destinos e dos produtos, o desejo de viajar não somente vai permanecer, mas ainda vai continuar necessitando da atuação dos profissionais para transformar esses sonhos em realidade.

Hotel_Urbano_pacote_paris_e_lisboa_a__reo_003_medio

Os consumidores continuarão viajando, mas a crise vai acelerar as mudanças não somente no tipo de viagem procurada, mas também na forma de comprar tais viagens. Os danos empresariais e humanos recorrentes do fechamento de grandes operadores ou de pequenos negócios não são somente consequência da crise brasileira. FRAMEles também estão ligados às novas tendências do consumo e às novas tendências da distribuição, tanto no Brasil como nos grandes países da Europa e da América do Norte. Nos últimos quinze anos, um terço das agências de viagens fecharam as portas nos Estados Unidos, muitas operadoras de médio porte desapareceram ou foram compradas e, ainda essa semana, a FRAM, uma das maiores empresa do setor da França, entrou em liquidação judicial.

foto[4]

No entanto, lembrando com respeito, tristeza e saudade da Designer ou da Nascimento, novos atores surgem simultaneamente para oferecer produtos ou serviços mais adaptados às exigências do novo consumidor.Guilhermo Paulus e JPP Grandes destaques existem no próprio Brasil: seja o fantástico sucesso da CVC, a criatividade mundialmente reconhecida do Hotel Urbano, a chegada da JTB, da TUI ou da Expedia, o dinamismo da Schultz. Ressalta-se a grande diversidade de novas pequenas operadoras, que oferece produtos específicos nas áreas da cultura, esporte, enologia, turismo religioso e ecoturismo, e até a economia colaborativa da AirBnb. Surfando nas novas tendências do turismo global, para essas empresas e para muitos profissionais do setor, no receptivo, no doméstico ou no internacional, no lazer ou no turismo corporativo, a crise que o Brasil atravessa será superada. AirBnb RIO 2016Eles poderão aproveitar as oportunidades dessa nova economia, com a tranquilidade de saber que o mercado  continuará crescendo e até dobrando nos próximos quinze anos o número de brasileiros para os quais, mais do que nunca, viajar será preciso!

Jean-Philippe Pérol

ALFAZEMA NO LUBERON - copie

 

Classes emergentes brasileiras: para França, o futuro? para as operadoras, a esperança?

cvc-parisCerta de que o futuro do seu turismo receptivo está se preparando nos BRICS, Atout France está estudando de perto as evoluções das viagens provenientes desses países, que quase dobraram nos últimos cinco anos. Depois da China e da Rússia, foi lançada no mês passado uma pesquisa de mercado sobre o Brasil. Realizada em cooperação com nossos colegas do turismo suíço, ela tem como foco as viagens das novas classes emergentes brasileiras.

Envolvendo profissionais, aproveitando painéis de consumidores, baseada em seiscentas entrevistas de viajantes das classes B e C de seis cidades emissores (SÃO, RIO, BHZ, REC, CWB e ROA), essa pesquisa tem dois grandes objetivos:

avaliar o potencial de viagens para França e a Suíça dessas classes emergentes. Lembramos que o objetivo do turismo francês, 1,5 milhão de turistas brasileiros, só poderá ser atingindo se esses novos clientes continuarem a colocar Paris em primeiro lugar das preferências na Europa. Queremos também saber se eles vão poder ajudar a transformar Marselha, Bordeaux, Nice ou Lyon em grandes destinos turísticos internacionais.

antecipar o comportamento e os hábitos de consumo desses novos clientes para poder oferecer os serviços que eles estarão esperando. Isso ajudará não somente a melhorar a oferta em todos os destinos potenciais, mas também a preparar as promoções e os canais de distribuições certos.

Um ponto chave vai ser o de avaliar a evolução de consumo de pacotes. Marinheiros de primeira viagem, esses consumidores multiplicaram o mercado desses produtos que as clientelas tradicionais mais ricas e mais experientes tinham tendência a desprezar. Foi assim que surgiram oportunidades de crescimento que foram aproveitadas por grandes operadoras. Mas agora que estão se acostumando as viagens internacionais, agora que falam mais inglês ou francês, agora que sabem comparar todas as ofertas, como vão evoluir e onde vão comprar esses clientes?

São as respostas a essas muitas perguntas que vamos tentar encontrar nos resultados dessa pesquisa que serão apresentados no Brasil em fevereiro.

Uma coisa já é certa, o futuro da França como primeiro destino turístico mundial depende da sua capacidade a se adaptar as exigências desses novos consumidores vindo da China, da Rússia, da Índia e do Brasil. E as operadoras tem a mesma problemática.

Jean-Philippe Pérol