Viajar é preciso!

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Depois do pedido de recuperação judicial da Nascimento, a suspensão das operações da Designer Tours foi mais uma notícia dramática que revelou o quanto o setor do turismo é hoje um dos mais prejudicados pela crise econômica e financeira no Brasil. designerDiante de uma previsão de crescimento negativo de 3% este ano e de 1% em 2016, e ao nos depararmos com um dólar que ultrapassa os R$ 4,00, com projeção de atingir o patamar de R$ 5,00, torna-se difícil evitar o pessimismo e conseguir enxergar, nesse cenário atual, algo além de grandes ameaças para todo o setor.

A CIDADE LUZ

Porém, é preciso lembrar que também há razões para escapar do desespero e até mesmo para manter o otimismo. A primeira é que o turismo mundial continua crescendo, tanto doméstico que internacional. Segunda a OMT (organização mundial do turismo), as viagens vão passar de um pouco mais de 1 bilhão em 2015 para 2 bilhões em 2030, um crescimento que será principalmente impulsionado por duas regiões do mundo: a Ásia e a América Latina. O turismo doméstico irá crescer nas mesmas proporções, uma tendência claramente observada esse ano pelas grandes operadoras nacionais que anunciam crescimento de até 20%, com a queda do real impulsionando a competitividade da oferta doméstica.

Turismo domestico no Rio Negro

O crescimento das viagens continuará sem dúvidas no Brasil, pois os novos consumidores “emergentes”, que nos últimos dez anos descobriram destinos como o Nordeste, Gramado, Buenos Aires ou Paris, não vão parar de viajar repentinamente. O turismo agora faz parte do comportamento, do jeito de viver e quase da “cesta básica” de milhões de brasileiros da classe B e C. Viajar se tornou um meio fundamental de acesso à cultura, às compras e ao lazer, que não pode acabar com a crise. Mesmo que haja uma queda nas viagens ou uma mudança na escolha dos destinos e dos produtos, o desejo de viajar não somente vai permanecer, mas ainda vai continuar necessitando da atuação dos profissionais para transformar esses sonhos em realidade.

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Os consumidores continuarão viajando, mas a crise vai acelerar as mudanças não somente no tipo de viagem procurada, mas também na forma de comprar tais viagens. Os danos empresariais e humanos recorrentes do fechamento de grandes operadores ou de pequenos negócios não são somente consequência da crise brasileira. FRAMEles também estão ligados às novas tendências do consumo e às novas tendências da distribuição, tanto no Brasil como nos grandes países da Europa e da América do Norte. Nos últimos quinze anos, um terço das agências de viagens fecharam as portas nos Estados Unidos, muitas operadoras de médio porte desapareceram ou foram compradas e, ainda essa semana, a FRAM, uma das maiores empresa do setor da França, entrou em liquidação judicial.

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No entanto, lembrando com respeito, tristeza e saudade da Designer ou da Nascimento, novos atores surgem simultaneamente para oferecer produtos ou serviços mais adaptados às exigências do novo consumidor.Guilhermo Paulus e JPP Grandes destaques existem no próprio Brasil: seja o fantástico sucesso da CVC, a criatividade mundialmente reconhecida do Hotel Urbano, a chegada da JTB, da TUI ou da Expedia, o dinamismo da Schultz. Ressalta-se a grande diversidade de novas pequenas operadoras, que oferece produtos específicos nas áreas da cultura, esporte, enologia, turismo religioso e ecoturismo, e até a economia colaborativa da AirBnb. Surfando nas novas tendências do turismo global, para essas empresas e para muitos profissionais do setor, no receptivo, no doméstico ou no internacional, no lazer ou no turismo corporativo, a crise que o Brasil atravessa será superada. AirBnb RIO 2016Eles poderão aproveitar as oportunidades dessa nova economia, com a tranquilidade de saber que o mercado  continuará crescendo e até dobrando nos próximos quinze anos o número de brasileiros para os quais, mais do que nunca, viajar será preciso!

Jean-Philippe Pérol

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O salão da Abav: uma longa historia e uns novos caminhos!

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Encerrando a Expo internacional 2014 da Abav, São Paulo mostrou pela terceira vez esse ano o quanto pode receber com sucesso um grande salão de turismo. Com  250 estandes e 3500 expositores, a feira registrou as entradas de mais de 41.000 profissionais, comemorando com recorde os seus 60 anos. foto 2Andando nos largos corredores, a beleza e até a imponência dos estandes deixavam aparecer algumas tendências. Os destinos de proximidade,  Argentina, Uruguai, Chile ou Colômbia, estão investindo com força no mercado Brasil e no seu potencial de novos viajantes. Os Estados Unidos, com os investimentos de Brand USA e  o dinamismo dos seus estados, estão mesmo querendo chegar em 2016 com 2 milhões de turistas brasileiros. Stand Saint-MartinAs grandes operadoras – CVC, Flytour, ou Hotel Urbano – mostraram a sua força exibindo não somente um leque de produtos cada vez mais amplo, mas também canais de distribuição diversificados – competindo tanto nas agencias tradicionais que nas vendas on-line. Primeiro mercado emissor do pais, São Paulo mostrou que reivindica agora com orgulho o seu primeiro lugar com destino de negócios e turismo, uma Nova Iorque latina com todos os trunfos para competir com os maiores destinos mundiais.

Se a Europa ficou mais discreta, a França fez questão de estar presente com seus parceiros tradicionais – Air France, Accor, Rail Europe – e uma delegação de profissionais num espaço VIP onde eram servidos Champagne e vinhos do Smith Haut Lafitte.IMG_2419 Prestigiada pela presença do ministro do turismo, Vinicius Lages, e do embaixador da França, Denis Pietton, Atout France animou um almoço debate sobre “investimentos turísticos e desenvolvimento regional”. Com palestra do Patrick Mendes da Accor, mostrou se, através do exemplo da Ibis ou das outras marcas do grupo, a importância dos investimentos hoteleiros para levar os turistas fora dos grandes eixos tradicionais, tanto na França que no Brasil.

Com um apoio excepcional do ministro Vinicius Lages que transferiu o seu gabinete no recinto do Anhembi, a Abav mostrou a sua força, e a presencia dos grandes lideres do turismo no Brasil foi impressionante. Mas, na concorrência entre os três grandes salões de turismo de São Paulo, os profissionais esperavam que o grande diferencial da Expo internacional fosse o comparecimento maciço dos agentes, a qualidade dos encontros e o apoio do publico durante os dois dias abertos a todos. Nesses três itens,  os participantes não foram unânimes, e ficou claro que ainda tem caminho para percorrer. Mesmo com um intensa programa de hosted buyers, os expositores nem sempre tiveram as visitas esperadas, e a interessante iniciativa da Vila do Saber ainda não atendeu as grandes expectativas. Sempre muito difícil a combinar, o atendimento a dois tipos de visitantes muito diferentes – profissional e publico – foi um desafio que muitos expositores não conseguiram vencer, muito estandes ficando vazios no final de semana.

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Na hora da Internet e do tempo contado, Expo internacional enfrenta os mesmos problemas que todos os grandes salões internacionais. Os organizadores do IFTM Top Résa de Paris, que encerrou dia 26 de Setembro, ficaram também preocupados pela dificuldade crescente de tirar os agentes de viagens das suas lojas, e pela concorrência de novos canais de comunicação B2B. IMG_2473Em Madrid ou em Berlin, os expositores se queixam cada vês mais da dificuldade de combinar os profissionais e o publico, sendo complicado de ter estandes, folhetos, animações e funcionários capazes de atender os dois. Evento do coração de todos os profissionais brasileiros, carregando a historia do turismo no Brasil, o salão da Abav, que mostrou na vinda para São Paulo todo o seu poder de rejuvenescimento, terá que encontrar suas próprias respostas e assim  continuar nos caminhos de sucesso.

Jean-Philippe Pérol

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Quadro dos principais salões profissionais mundiais

On-line ou tradicionais, para as agências de viagem, tamanho é mesmo documento!

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A pesquisa anual da revista americana Travel Weekly apresenta este ano algumas tendências interessantes referentes a grande competição entre as agências de viagens tradicionais e as agências on-line. Realizada junto a 600 consumidores americanos, ela mostra também ,sem dúvidas, as perspectivas dos outros mercados, e especialmente do Brasil.

As agências tradicionais parecem consolidar a sua posição junto aos viajantes vendendo mais viagens por ano (4,8 contra 3,9), tendo estadas mais longas (8 noites em vez de 6), e com maior gasto médio (494 USD em vez de 238 USD). THOMAS COOKA tendência já observada nos anos anteriores – a concentração das viagens de alto padrão nas agencias – está assim confirmada, mesmo se, por outro lado, as agências continuam a perder fatias de mercado no geral. Pelo terceiro ano consecutivo um numero significativo de consumidores está deixando as agências para outros canais de compras, e menos de 20% deles estão agora procurando um agente de viagens.

A pesquisa dá também boas e más noticias para as OTAs ,agencias on-line, seja a Expedia, Priceline,ou Orbitz nos Estados Unidos, Decolar, Submarino ou até Hotel Urbano no Brasil. HOTEL URBANOO crescimento dessas agências, enraizado nos jovens consumidores da classe média, está agora extremamente ligado ao desenvolvimento do mobile. A maior mudança de comportamento dos últimos anos é o forte aumento do número de reservas on-line feitas a partir de um smartphone: 23% em 2012, 30% em 2013 e 38% esse ano. Isso dará uma vantagem muito forte para as grandes agencias on-line já que as pequenas, bem como as agencias tradicionais, mesmo quando têm uma estratégia on-line, raramente oferecem opções para mobile.

Essas novas tendências do mercado destacadas na pesquisa da Travel Weekly mostram também que a guerra entre os canais de distribuição do turismo está mudando. Há vinte anos, a briga opunha as agências tradicionais às OTAs (on-line travel agencies). Atualmente os dois canais estão se aproximando. As agenciais on-line estão tendo, especialmente no Brasil, grandes centrais de atendimento telefônico e até mesmo lojas de atendimento ao publico. No mesmo tempo as agências tradicionais estão cada vez menos em contato físico com seus clientes (36% nunca viram o seu agente) , e muito delas tem um site de vendas.

DSCN5319A diferença entre as agencias será no futuro uma questão de tamanho –grandes contra pequenas – e não mais de on-line versus off-line . As grandes poderão oferecer todas as novidades tecnológicas com preços imbatíveis pressionando os fornecedores para clientes de todas as classes sociais. As pequenas agências se concentrarão em nichos de mercados, clientes mais sofisticados e produtos mais complexos, oferecendo serviços e cobrando por eles.

Para todas, a pesquisa destaca vários desafios, como por exemplo a crescente satisfação dos consumidores com as vendas diretas (91% de satisfeitos versus 39% para os clientes de agencias), ou o crescimento da “sharing economy”, fornecedores como AirBnb, HomeAway ou Zipcar que já atraiam 8% dos viajantes e podem chegar em breve a mais de 20%.

Positivas ou negativas, essas novas tendências irão definir o futuro tanto dos fornecedores que dos agentes de todos os canais de distribuição. Encaradas com profissionalismo e criatividade, integram o futuro do turismo mundial e do turismo brasileiro.

Jean-Philippe Pérol

O artigo original e a pesquisa completa podem ser encontrados em inglês no site da Travel Week http://www.travelweekly.com/Travel-News/Travel-Agent-Issues/2014-Consumer-Trends/?cid=eltrtwexc

Top ranking dos websites de viagens: lá vem o futuro, lá vem o Brasil!

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Pelo segundo ano consecutivo, o site Skift Travel IQ publica um ranking mundial dos sites de viagens, pegando todos aqueles que tiveram um número de visitas mensais  superior a 5 milhões. Atualizado cada três meses, esse ranking ficou mais interessante ainda esse ano porque consolidou todas as sub-marcas e todos os sites nacionais das empresas relacionadas.

Indicadores chaves para o futuro, esses resultados já foram analisados pelawmX-400x300x4-4c83ba003837d0d668e63767c0af4426fd0c5ed2a590f empresa especializada (Pagtour, artigo de Serge Fabre) que destacou a liderança da booking.com, a progressão de Tripadvisor, as dificuldades de Orbitz e Travelocity, ou o sucesso do marketing agressivo de Cheapoair.com. Mas anota-se tambem três tendencias que parecem muito importantes do ponto de vista das oportunidades e do futuro do trade brasileiro.

A primeira é que dos 33 sites listados, 19 são americanos, a Grã Bretanha sendo o único pais da Europa a marcar boa presença com 4 sites e a França sendo completamente ausente. Nos BRICS, mais que o bom resultado da Índia (3 colocados: MakeMyTrip, Yatra, e Cleartrip) e a emergência da China (2), o que impressiona é a dinâmica do Brasil que é o único pais fora os EE-UU a ter um representante no Top Ten (Hotel Urbano) . logohotelurbano141013A presencia de Decolar em décimo sétimo lugar (e a provável chegada em breve na lista de outros atores como Viajanet ou Submarino) mostra que o Brasil é mesmo um dos grandes do web turístico.

A segunda observação é a quase total ausência dos grandes atores tradicionais do turismo, tanto operadoras como agências de viagens, sendo a Thomas Cook e a Thompson (ambas inglesas) as únicas exceções. Parece que a dificuldade dos gigantes do setor para se adaptar ao mundo novo não é uma especificidade brasileira, mas não deixa assim mesmo de ser uma espada de Dâmocles pesando sobre esses grupos e já ameaçando os seus resultados.

Destacando atores novos, esse ranking mostra também que o futuro do turismo vai ser feito com produtos e serviços novos. Em termo de hospedagem, é significativo que dois sites de ofertas entre particulares já entraram na lista, Airbnb e o grupo Homeaway. TOUR EIFFELMostra o incrível crescimento da oferta não comercial que foi durante muito tempo esquecido pelo setor, inclusivo pelos destinos. Sabendo por exemplo que um terço dos americanos ou dos brasileiros que viajam para França não ficam em hotéis ou aparthoteis, há um potencial excepcional nessa área para os profissionais, com alguns destinos já bem adiantados (exemplo de Paris). A outra novidades é o crescimento dos sites comparativos, Kayak e agora Skyscanner, que mostram que modelos econômicos não baseados em vendas atraiam cada vez mais o consumidor (é por sinal também o caso da Travelzoo que tem uma honrosa décima sexta posição).

Jean-Philippe Pérol

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Clique aqui para ter o artigo completo do Serge Fabre na Pagtour bem como a lista detalhada dos 33 sites e dos subsites agregados.