Nos novos trens franceses, a resposta ao viajante vai ser sempre: “Oui”!

Os famosos TGV estão virando inOui

Sonho do final dos anos 60, quando o então Presidente francês Georges Pompidou decidiu que a França tinha que recuperar o recorde mundial de velocidade nos trilhos então nas mãos do trem bala Japonês, o TGV virou realidade a partir de 1972. Juntando a vontade e os recursos do governo com a experiência da SNCF e a tecnologia da Alsthom, Pompidou lançou o projeto e viu o primeiro Trem de Alta Velocidade chegar a 160 km/h numa viagem de Belfort a Mulhouse, na Alsácia. Nove anos e dois presidentes depois, no dia 22 de Setembro de 1981, François Mitterand inaugurou a 260 km/h, em duas horas e quarenta minutos,  a primeira linha de TGV entre Paris e Lyon. O sucesso foi imediato, bem como a multiplicação das cidades interligadas – hoje quase 200 – e dos números de passageiros – hoje mais de 100 milhões por ano.

Mitterand inaugurando o primeiro TGV entre Paris e Lyon

Mas as ferrovias franceses não querem parar nisso, e anunciaram agora que querem atrair até o ano 2020 15 milhões de novos passageiros. Para atingir esse objetivo ambicioso, o Presidente da empresa, Guillaume Pepy, sempre fascinado pelo exemplo das companhias aéreas, apostou no lançamento do TGV low cost. Chamado Ouigo, esse novo serviço deve representar daqui a 2020 25% do trafego de alta velocidade, atraindo tanto novos viajantes, passageiros de “low costs” ou jovens hoje acostumados com transportes alternativos. Com um forte investimento promocional, os TGV Ouigo vão ser instalados rapidamente em todos os eixos principais da rede ferroviária francesa. Para responder as exigências desses novos clientes, um site dedicado, ouigo.com, foi aberta para informação, promoções e reservas.

A nova marca Ouigo, o TGV low-cost

Os viajantes vão também anotar as melhorias nos serviços dos TGV tradicionais para os quais estão previstos investimentos excepcionais. A SNCF vai renovar o material atual,  comprar novos trens “Oceane”, instalar novas poltronas com tomadas USB, redesenhar os vagões bar, melhorar os cais das estações, generalizar o wi-fi e investir na formação do pessoal. Com uma nova marca, InOui, Guillaume Pepy quer dar um pulo na qualidade do atendimento, mostrando mais atenção  e mais carinho para os passageiros. Com os melhoramentos tecnológicos, os viajantes vão também poder beneficiar de viagens mais rápidos. Assim, a partir do próximo 2 de Julho, Bordeaux será somente a 2 horas 05 de Paris em vez de 2 horas 40 hoje.

Mesmo se os novos TGV não querem ser considerados uns transportes de luxo, e se não está previsto nenhum aumento de preços, eles querer oferecer o melhor serviço, já prevendo que a concorrência européia chegará na França a partir de 2021. O “Oui” (Sim) que aparece nas duas novas marcas, Ouigo e InOui, é talvez simbólico dessa nova cultura. O próprio site da empresa, hoje voyages-sncf, vai assim ser redesenhado e se chamará « OUI.sncf ». E, na espera do trem bala prometido há anos entre São Paulo e Rio de Janeiro, os brasileiros serão sem duvidas ainda mas entusiastas a dizer “Sim” a Ouigo ou InOui para viver essa experiência de viagem tão francesa.

Jean-Philippe Pérol

Um dia, um “Oui” também para um São Paulo Rio de trem bala?

 

A VizEat, a economia participativo fazendo sucesso na gastronomia!

Virtuoso fechou um acordo com o “AirBnb da comida”

Mostrando a crescente aproximação dos profissionais do turismo com a economia colaborativa, Virtuoso assinou um acordo de referenciamento com o aplicativo VizEat. Start up fundada há três anos pelos franceses Jean-Michel Petit e Camille Rumani, a VizEat vai assim poder oferecer  suas experiências culinárias através das 400 agencias da  prestigiosa marca, sendo 30 agencias no Brasil. Sempre preocupada com a qualidade dos serviços propostos pelos seus 1700 fornecedores, Virtuoso destacou que o conceito inovador da VizEat respondia perfeitamente a duas grandes tendências do turismo do século XXI: o turismo culinário e o turismo sustentável, na sua dimensão de encontros com os moradores.

Jantar VizEat em Paris

Com somente três anos de vida, a VizEat tem hoje  22.ooo anfitriões em mais de 110 países, incluindo 5000 na França, e foi citada  pelo Tim Cook da Apple como sendo o terceiro aplicativo mais popular de 2016. O projeto nasceu do encontro de Jean-Michel Petit – que voltava do Peru onde ficou apaixonado pela hospitalidade e a cozinha dos índios do Lago Titicaca- e de Camille Rumani – amadora da cultura e da gastronomia chinesa. Em busca de autenticidade, tiveram uma ideia simples mas muito original: criar uma plataforma onde viajantes procurando uma experiência culinária local e moradores amando dividir sua paixão pela cozinha poderiam encontrar-se em volta de uma refeição.

Tour culinário na Aquitânia

Chamada de “AirBnb da comida”, a VizEat tem agora websites em inglês, francês, italiano, espanhol, alemão e chinês. Em 2015, depois de comprar o seu concorrente Cookening virou líder europeu e começou a oferecer experiências em outros países, abrindo escritórios na Espanha, na Itália, na Alemanha e na Inglaterra. Alem do acordo com Virtuoso, Jean-Michel e Camille querem multiplicar parcerias com profissionais do turismo,  hoteleiros, operadoras, receptivos, organizadores de eventos ou agencias MICE. Aproveitando um aumento de capital, querem investir em cursos de cozinha, eventos gastronómicos ou tours culinários.

Jantar do David, da VizEat de Londres

O crescimento do “local dining” preocupa os restaurantes tradicionais que temem o impacto que a economia colaborativa pode ter sobre a sua atividade, mostrando o exemplo das consequências do sucesso da AirBnb sobre a hotelaria tradicional. Os sindicatos do setor estão reclamando da concorrência desleal dos anfitriões da VizEat que, segundo eles,  não pagam as devidas taxas, não respeitam as regras de higiene ou de segurança. Argumentam que o site pega uma comissão de 20% sobre o preço da refeição, mas não tem controle de qualidade. Em vários países, e especialmente na França, eles pedem as autoridades para pelo menos impor a todos os atores o mesmo respeito da legislação e da proteção do consumidor,  com os mesmos controles.

Os fãs de “fooding”  estão porem entusiastas tanto pela simplicidade do site  que pela transparência da relação com os anfitriões que comunicam com antecedência informações sobre o cardápio bem como fotos do ambiente. Para os donos da VizEat, dois fatores explicam o sucesso do “local dining”. O primeiro é de ser um evento importante de uma viagem, uma experiência que pode ser escolhida e preparada com antecedência. O segundo é que um jantar na casa de um morador é não somente uma aventura culinária mas um intercâmbio humano. Os viajantes sempre lembram que entraram numa casa como estrangeiros e saíram como velhos amigos.

 

Turismo internacional, o ótimismo e a confiança

As viagens internacionais antecipando a retomada do crescimento brasileiro

Com um crescimento de 20% das viagens internacionais e de 50% das despesas no exterior durante o primeiro trimestre, os profissionais brasileiros do turismo estão hoje muito otimistas em relação a 2017. As projeções anuais variam de 5% até 20%, deixando quase certa uma recuperação dos clientes perdidos em 2016 e talvez até em 2015, especialmente  junto aos novos viajantes de lazer. Os “emergentes”  estão de novo transformando o Brasil numa grande potência turística internacional, empurrando o crescimento das vendas das operadoras, com taxa de dois e as vezes de três dígitos.

A nova campanha bem sucedida de Paris para atrair os visitantes

Castigada durante dois anos seguintes, a França está voltando a ser o destino favorito dos brasileiros na Europa, com um crescimento de 25,6% de janeiro a março, e umas perspectivas de quase 50% nos próximos seis meses. Alem de recuperação de demanda reprimida, esses resultados se devem aos esforços dos profissionais e das autoridades no atendimento, na segurança e nos preços, bem como ao cambio favorável ao euro e as facilidades de viagem – fatores que impactam de forma negativo o grande concorrente americano.

Paris se preparando para receber os Jogos de 2024

O otimismo dos franceses em relação as chegadas de turistas brasileiros é agora reforçado com os novos rumos da política da França. Um Presidente jovem, trazendo ideias de abertura ao mundo, de respeito as diversidades culturais e de orgulho de pertencer a um pais acolhedor, deve ajudar os turistas do mundo inteiro a escolher nosso pais . O turismo parece também ser uma das prioridades do novo Presidente, e os profissionais notaram com muita satisfação que o primeiro compromisso oficial que ele assumiu domingo foi de receber o Comité Olímpico Internacional para empurrar a candidatura de Paris para os Jogos 2024.

O Airbus 380, uma das opção para aumentar a oferta de assentos no Brasil

Para esse otimismo ser confirmado com números, o turismo brasileiro precisa agora de confiança. Confiança dos viajantes na retomada, mesmo gradual, da economia bem como na estabilidade do cambio. Confiança também dos profissionais que o setor está mesmo voltando a crescer. Dois gargalos só poderão ser resolvidos com essa confiança. O primeiro é a oferta de voos internacionais que caiu de 25% esse ano, o Brasil tendo menos voos, menos assentos e menos gateways internacionais. Agora com somente 5 voos diários, Paris é um dos destinos onde a situação ficou mais critica. Com saudade de ligações regulares para Brasília, Recife, Salvador ou Manaus, temos que esperar a ampliação de numero de assentos prevista pela Air France e torcer para ver a LATAM – ou uma outra companhia brasileira-  voltar a por a mesma confiança no destino França que a saudosa VARIG.

A Travel week, encontro mor dos profissionais do turismo de luxo

A confiança é também necessária para ver os profissionais estrangeiros voltar a investir em promoção no mercado brasileiro. Os últimos eventos do trade – WTM bem como Travel Week- mostraram queda de 20% e mais nas participação de expositores internacionais, sejam as companhias aéreas, os destinos, os receptivos ou os hotéis. A retomada do mercado só poderá ser definitiva se esses incontornáveis parceiros voltam a investir no Brasil, adaptando os seus serviços e as suas ofertas, e, mais ainda, investindo em ações de promoção. A nos, profissionais brasileiros, o dever de repassar essa confiança, e a convicção que o Brasil continua de ser um dos maiores mercados emergentes do mundo global.

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

Encontros bem sucedidos mostram cultura e espiritualidade como novas tendências do turismo na Normandia

Perto da nova catedral, o centro antigo de Rouen

Perto da nova catedral, o centro antigo de Rouen

Recebendo o salão Rendez vous en France, o maior encontro do turismo francês – com 740 expositores e 892 agentes de viagens e operadores vindo do mundo inteiro, inclusive 40 brasileiros-, a cidade de Rouen e a região da Normandia mostraram que estão se consolidando como um grande destino do turismo francês. Foi, em primeiro lugar, um sucesso para Rouen que mostrou  que tinha muito que mostrar alem da força da memória de Joana d’Arc e do excepcional patrimônio histórico dos arredores da sua catedral. Convenceu  que era capacitada para organizar grandes eventos,  utilizando o Rio Sena para opções criativas de hospedagem e de passeios, envolvendo os moradores bem como os profissionais da cultura, da alimentação e do lazer.

A Ferme Saint Simeon, onde um Relais Châteaux guarde o ambiente criado pelos impressionistas

A Normandia atrai os visitantes pelo impressionismo, o atrativo turístico mor da região . É foi mesmo o famoso quadro “Impressão, sol nascendo”, pintado pelo Monet em Le Havre em 1872, que batizou esse movimento artístico. Monet escolheu a pequena cidade de Giverny onde trabalhou 43 anos no ateliê hoje aberto ao publico. Junto com ele, Corot foi trabalhar em Barbizon, Millet morou em Cherbourg e depois em Le Havre, Pissaro ficou em Eragny sur Epte, e o parisiense Renoir passava o verão no litoral normando. Todos esses artistas se encontravam  nos arredores de Dieppe ou de Honfleur, especialmente na Ferme Saint Simeon, hoje um Relais Châteaux que se orgulha de oferecer a seus visitantes o mesmo ambiente e o mesmo carinho que a Mère Toutain, então dona do local, oferecia aos primeiros “impressionistas”.

O Arcanjo dourado vigiando o Monte Saint Michel e os peregrinos

Mas os vários tours oferecidos aos participantes mostraram que a Normandia é mesmo um destino turístico internacional surpreendendo pela sua diversidade, com dois destaques: o turismo de memória nas praias do D-Day e no memorial de Caen, e o turismo  religioso. Para os viajantes em busca de espiritualidade, a Normandia oferece três lugares imperdíveis. O Monte Saint Michel passou por uma renovação completa, incluindo até o rejuvenescimento do Arcanjo dourado guardião do local. O monte recuperou sua vocação de ilha com a nova passarela, oferecendo uma paisagem excepcional e uns momentos de grandes emoções. Destino de peregrinações desde a sua fundação em 708, ele  é hoje um dos dez monumentos mais visitados da França, e o mais visitado fora de Paris.

A procissão levando a châsse – a historia de amor da Santa com o Brasil

Os brasileiros têm um carinho especial pela Santa Teresa e a cidade de Lisieux, sendo a quinta nacionalidade a visitar o  santuário. Se Teresa nunca teve ligação direta com o Brasil, mas a devoção de um dos seus conterrâneos, o jesuíta Henri Rubillon, radicado no Rio de Janeiro, divulgou o seu culto. Em 1919 recolheu dinheiro para mandar para o Carmel uma bandeira dentro de um magnifico cofre de madeira de lei. Com o sucesso popular dessa primeira arrecadação, as freiras sugeriram para o padre de presentear o relicário. A  grande mobilização dos devotos deu para financiar uma verdadeira obra de arte, a “châsse du Brésil”, toda de prata, ouro e ônix, onde foram colocadas em 1923 os restos mortais da Santa, homenageados numa procissão emocionante cada último sábado de Setembro.

Show de beleza e bom gosto nas ruas da cidade velha de Rouen

A espiritualidade da Normandia vive também em Rouen, nos passos da Joana d’Arc. A presencia da santa guerreira se vê em todos os cantos, caminhando nas ruas da cidade velha, visitando a torre onde ele ficou em cativeiro, parando  na praça do Velho mercado onde ela foi queimada no dia 30 de Maio de 1431, olhando a cruz erguida no local da fogueira, ou rezando na Igreja Sainte Jeanne d’Arc inaugurada em 1979. No antigo arcebispado, um surpreendente museu, o “Historial da Joana d’Arc”, conta aos visitantes toda a historia e os mitos da mais famosa das heroínas francesas. Rouen aproveita também seu passado para construir seu futuro, reinventando no Panorama XXL a arte das telas gigantes, ou utilizando a majestuosidade da sua catedral para organizar grandes eventos.

A catedral, um espetacular palco para eventos!

Encontros, turismo cultural, turismo de memória, ou turismo espiritual, há muito tempo interligada como Brasil, a Normandia mostrou nesses “Rendez-vous” bem sucedidos que tem tudo para crescer como destino predileto dos brasileiros. Brindando com sidra, ou comemorando com Calvádos?

Jean-Philippe Pérol

Alguns participantes dos Encontros Rendez vous en France

O Monte Saint Michel

Uma outra visão da Amazônia com o Mirante do Gavião

Um olhar da Amazônia francesa sobre os novos empreendimentos turísticos do Rio Negro

Brasil à Francesa

Durante uma recente estadia na minha região brasileira predileta, descobri o Mirante do Gavião, um hotel surpreendente no meio da natureza, a um pouquinho mais de duas horas de Manaus. Meio lodge de selva e meio hotel design, o conceito agrada amantes de natureza, viajantes em busca de experiência e clientes sofisticados acostumados ao melhor conforto e atendimento.

A arquitetura do hotel é muito diferente de todos os hotéis que já vi na Amazônia. Inspirado dos barcos de madeira tradicionalmente construídos na região, a estrutura redonda dos quartos e do restaurante se integra naturalmente e suavemente no meio ambiente. Nenhuma arvore foi cortada do terreno. A suite familiar de dois andares, que oferece uma vista imperdível sobre o Rio Negro, foi construída em volta de uma castanheira enorme.

Mirante do Gavião. © Foto Sitah

O hotel conta com 7 suites só. O restaurante Camu Camu, cujo cardápio rivalisa…

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No Rio Negro, os caminhos do Eldorado revisitados com charme e sustentabilidade

A piscina e o restaurante do Mirante do Gavião

Desde que foi descoberto em 1541 pelo Francisco Orellana, o Rio Negro sempre atraiu  viajantes e aventureiros. Espanhóis, portugueses, franceses, ingleses e holandeses  procuraram – e nunca encontraram-  as riquezas do El Dorado e os caminhos do lago Manoa. Procuraram – e encontraram- o canal do Cassiquiare, mítico defluente que interliga as bacias do Orinoco e do Rio Negro, delimitando as Guianas.  Nos primeiros tempos da colonização portuguesa, quando a capital ainda era Barcelos e quando Airão Velho ainda não tinha sido invadida pela (falsa) lenda das formigas, o Rio Negro foi a rota principal dos desbravadores buscando das “drogas do sertão”. E mesmo depois dos dois ciclos da borracha, os viajantes continuaram a percorrer o rio, procurando seja os peixes ornamentais seja os mistérios da Bela Adormecida ou dos Seis Lagos.

Por do sol em São Gabriel da Cachoeira

O turismo virou nos últimos anos uma das principais atividades da bacia do Rio Negro, com uma oferta dividida entre a pesca esportivo do Tucunaré na região de Barcelos – em barcos ou nos lodges especializados-, e as trilhas de aventura levando para São Gabriel e o Pico da Neblina. Mas frente as incertezas das pescarias – mudanças nos ritmos das águas e rarefação dos peixes grandes, e as precárias infraestruturas de turismo de aventura, era hora de ver novas opções aparecer, um turismo sustentável trazendo benefícios econômicos  e respeitando não somente os ecossistemas da região, mas  também o desenvolvimento sócio cultural das comunidades ribeirinhas. Essa escolha, combinada com o charme e até o luxo de um empreendimento excepcional, foi feita pelo Mirante do Gavião Amazon Lodge.

Cada detalhe do Mirante combina luxo e sustentabilidade. É a própria arquitetura do hotel, desenhado pelo Atelier O’Reilly mas inspirado dos barcos regionais e que foi realizado por marceneiros de Nova Airão. São os jardins paisagistas que respeitaram toda vegetação inicial, não sendo cortada uma só arvore durante a construção, e oferecem a cada hospede uma perfeita privacidade. São os quartos amplos com uma decoração regional enriquecida com alguns acessórios de conforto internacional -como um banheiro com ofurô- e uma varanda para gozar da vista espetacular. Surpresa ainda no restaurante gastronómico, com um cardápio assinado pela Debora Shornik misturando ingredientes amazônicos e receitas internacionais, e onde os pratos são servidos “a francesa”.

A suite Samauma do Mirante do Gavião

Nos novos caminhos turísticos abertos pelo Mirante do Gavião, as atividades e as excursões são também um grande ponto de destaque. O viajante vai descobrir  não só a natureza selvagem, mas também os seus moradores e as comunidades que vivem em comunhão com o rio e a floresta. Os guias e os tripulantes, todos oriundos da região, desenharam roteiros exclusivos durante os quais os intercâmbios,  espontâneos ou preparados na Fundação Almerinda Malaquias que trabalha em Nova Airão para reconciliar turismo, meio ambiente, geração de rendas, e respeito as culturas dos moradores. Com charme e sustentabilidade, o exemplo do Mirante do Gavião mostra que turismo pode ser um Eldorado do século 21,  abrindo novos caminhos nas beiras do Rio Negro.

Jean-Philippe Pérol

O Jacareaçu da Katerre com seus itinerarios saindo do Mirante

No ranking das marcas mais poderosas do mundo, a surpreendente Aeroflot!

American Airlines, a marca mais valiosa do transporte aéreo em 2017

Enquanto os ranking de empresas ou de marcas estão virando uma tradição do inicio do ano em todos os setores, a empresa inglesa Brand Finance publicou seu Brand Strength Index -BSI-, com avaliações financeiras mas também analises de marketing e de serviços. O tradicional ranking dos “most valuable Brands” lista em 2017 mais de 3500 marcas, todas as grandes empresas internacionais, incluindo as companhias aéreas ou as operadoras. O primeiro lugar mudou, a Google passando na frente da Apple com o valor da sua marca chegando a USD 109 bilhões, seguindo da Amazon, da ATT e da Microsoft. No Top 500, as brasileiras ficam longe, Itaú no 220º lugar, Bradesco no 287º, Claro no 302º, Banco do Brasil no 319º, e Petrobrás no 321º.

A TUI, única marca de turismo no Top 500

Pela valorização da marca, aparecem no ranking somente uma operadora, a TUI (no 458º lugar), e nove companhias aéreas, com os Estados Unidos e a China mostrando as suas forças. O primeiro lugar mudou em 1917, passando para American Airlines agora valorizada em USD 9,8 bilhões. Atrás vêm a Delta, a United, a Emirates (que perdeu o primeiro lugar), a Southwest, as três chinesas China Southern, China Eastern, e Air China, e em nono lugar a British Airways. Nenhuma brasileira apareceu nessa lista, e a Air France ficou somente como 24ª marca. Esse primeiro ranking sendo somente financeiro, os especialistas esperam também cada ano a segunda classificação da Brand Finance,  o ranking das marcas mais poderosas,  valorizando mais as expectativas e as satisfações do viajante.

Aeroflot, marca mais poderosa da aviação em 2017

Esse “Brand Strength Index”, lista das marcas mas poderosas, leve em consideração critérios de qualidade como os investimentos em marketing, a fidelidade dos consumidores, o retorno dos investidores e o empenho dos colaboradores. Para o setor da aviação, são analizados uns trinta fatores, seja o tamanho e a idade da frota, a política de segurança, o numero de funcionários, os investimentos, a apreciação da IATA e a nota das agencias de notação financeira. O resultado 2017 foi uma surpresa, colocando em primeiro lugar, a companhia russa Aeroflot que tinha chegada somente em 26º lugar considerando o valor das marcas, mas tomou a liderança desse ranking das marcas mais poderosas.

O Tupolev 144, o “Concordski” que marcou a historia da Aeroflot

Fundada em 1923, herdeira dos tempos da economia soviética, a Aeroflot vai com certeza surpreender até os viajantes mais experientes com essa premiação. Se alguns fatores de sucesso jà eram conhecidos, como a sua liderança no mercado interno, seus 43 milhões de passageiros, ou a posição geográfica estratégica da Russia, outros só aparecerem desde os anos 90. A companhia tem o cobiçado AAA nas agencias de notação, as suas normas de segurança são dentro das mais rigorosas do mundo, só teve um acidente nos últimos 20 anos, sua frota de 190 aviões (em grande maioria Airbus) é uma das mais jovens, seu serviço de bordo é considerado impecável e ela pertence desde 2006 a aliança Skyteam.

Aeroflot com o Skytrax Award 2016

Escolhida em 2016 como melhor companhia da Europa oriental, Aeroflot ganhou em 2017 esse título de marca mais poderosa do mundo na frente da Aeromexico, da American Airlines, da China Southern Airlines, da Delta Air Lines, da Emirates, da Jetblue Airways, da Southwest, da Turkish Airlines, e da Westjet Airlines.

Поздравляем наших удивляющих друзей из Аэрофлота!*

*(Parabens,  surpreendentes amigos da Aeroflot!)

Adotados em 2016, os uniformes fazem a unanimidade dos viajantes

Esse artigo foi inspirado de um artigo original de Serge Fabre na revista on-line La Quotidienne  

Tahiti procurando um elenco muito especial para sua próxima campanha: você!

A Campanha da Tahiti turismo

A Campanha Duas Histórias, um Mana, da Tahiti turismo

Desde o ano passado, Tahiti colocou no ar uma nova campanha mostrando porque a Polinésia francesa, famosa no mundo inteiro por ter sido a primeira a oferecer aos turistas os bangalôs sobre as águas azuis dos seus atóis, continua sendo um destino único frente a novos concorrentes. É única pela diversidade das suas paisagens – do cartão postal de Bora Bora até as praias, o mar e a exuberante natureza  de cada uma das suas 118 ilhas – mas também pela cultura do seu povo, a força e a generosidade que os polinésios acreditam tirar do “Mana”, o sopro de vida das suas religiões tradicionais, próximo do “Axé” brasileiro. Os primeiros clipes da campanha “Duas Historias, um Mana” mostraram casais vivendo – alternativamente separados ou juntos- verdadeiras imersões nas ilhas e nas suas culturas.

Elizabeth e Michel, o primeiro casal selecionado

Elizabeth e Michel, o primeiro casal selecionado

Estreando esta semana a série de três vídeos, confira a viagem do casal francês Michel e Elisabeth. Em sua chegada em Tahiti foram logo surpreendidos, pois suas viagens começariam separadas. Eles foram enviados para vivenciar diferentes experiências, em diferentes ilhas. Elisabeth viveu uma imersão na dança e na música da Polinésia, passeios de bicicleta em surpreendentes paisagens, e desfrutou do pôr do sol a beira-mar… Enquanto que Michel desbravou as florestas em um 4×4, mergulhou com tubarões e se aventurou nas cachoeiras … E dentre as atividades que ambos realizaram, as escolhidas foram feitas para que ambos pudessem conhecer varias faces de Tahiti, vivenciando assim o “Mana”, a força e  a presença espiritual que abraça e conecta todos os seres.

A procura de elenco, nova fase da campanha

A procura de elenco, nova fase da campanha

E com isso, o Tahiti inicia já esta semana a busca pelo novo elenco dessa campanha mundial “Duas Histórias/Um Mana”. Se os três primeiros casais foram escolhas de marketing, tanto pelos perfis que pelos países de origem, da Mering Carson, agência responsável pela campanha, os três próximos elencos estão abertos a todas as candidaturas. Serão agora selecionados  três casais ou famílias, vindos de qualquer país do mundo, que poderão estrelar nos próximos clipes de promoção das Ilhas de Tahiti. Os candidatos selecionados, casais ou famílias de turistas “verdadeiros”, “comuns”, terão suas experiências compartilhadas permitindo que pessoas do mundo todo possam vivenciar o que eles estarão sentindo e fazendo, se imaginando no mesmo cenário.

Thom e Jeff, um dos casais das próximas series

Thom e Jeff, um dos casais das próximas series

Para se candidatar e participar dos capítulos 4, 5 e 6 da série “Duas Histórias/Um Mana”, famílias ou casais devem criar um vídeo de 15 segundos dizendo:
1 – o que asas Ilhas de Tahiti os inspira
2 – quais seriam suas 3 atividades favoritas no Tahiti.
E depois depois devem postar o vídeo nas redes sociais (Facebook, Twitter, Instagram) utilizando o hashtag #TakeMeToTahiti. A data limite de postagem dos vídeos é o dia 5 de abril de 2017. Os casais e famílias escolhidos para fazer parte do elenco serão anunciados em Abril. Eles passarão dez dias nas Ilhas de Tahiti, em Junho, tendo suas aventuras e experiências filmadas e compartilhadas no mundo inteiro, levadas pelo sopro do “Mana”.

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Nos altares de pedra, nas aguas azuis, nas matas fechadas, a força envolvente do Mana

Lembrando da bem sucedida e mundialmente premiada campanha do Queensland “O melhor emprego do mundo” que gerou em 2009 1,4 milhão de participações e 35.000 videos, os organizadores são confiantes no sucesso.  E com a popularidade de Tahiti no Brasil –  quase 250.000 fãs na página Facebook da Tahiti turismo, podemos torcer para ter brasileiros no próximo elenco de “Duas Histórias/Um Mana”. Você?

Como participar para entrar da seleção do elenco

Como participar para entrar da seleção do elenco

 

 

 

25 anos na França, Joyeux Anniversaire, Mickey!

Mickey promovendo Paris junto com Disneylandia Paris

Mickey promovendo Paris junto com Disneyland Paris

Para festejar os 25 anos da Disneyland Paris, o Presidente da Republica foi pessoalmente em Marne-la-Vallée para soprar as velas. Foi a ocasião de lembrar que o parque , com seus hotéis e suas atrações, era a primeira atração turística da França, na frente do Louvre ou de Versalhes com 320 milhões de visitas registradas desde 1992. Francois Hollande fez questão de lembrar que a Disneyland Paris gerava 50.000 empregos diretos e indiretos, e tinha paga desde a abertura o impressionante valor de 6 bilhões de Euros de impostos. O Presidente salientou também que o parque tinha atraído não somente franceses e europeus -principalmente ingleses e espanhóis-, mas também visitantes vindo do mundo inteiro – americanos e até brasileiros.

Para quem participou da inauguração, em Abril de 1992, o sucesso parecia muito distante. Os franceses eram horrorizados pela ideia de sofrer uma afronta aos seus 2000 anos de cultura instalado tão perto da Sorbonne, e meu pai achou chocante de saber que o filho dele confiava e trabalhava no sucesso desse empreendimento. A própria Disney não acreditava muito na França, a sua comunicação insistia na absoluto ausência de know-how francês no projeto, não tinha nenhum marketing previsto para os parisienses, e até o nome do parque ficou em EuroDisney, borrando a “francidade” do projeto.

Convidados mirim no dia da inauguração da Eurodisney

Convidados mirim no dia da inauguração da Eurodisney

Mesmo tendo no Brasil um dos seus maiores mercados para Orlando, Disney não acreditava também no potencial do mercado brasileiro para o seu parque francês. A então Maison de la France ficou sozinha em realizar uma pesquisa, mobilizar a imprensa brasileira – que respondeu acima das expectativas, ou em realizar e distribuir cartazes para as agencias de viagem. Os famtrips organizados com operadoras especializadas – a Stella Barros e a Tia Augusta-, e com o apoio de um fretamento da Varig, tiveram as maiores dificuldades em conseguir convites para a cerimônia inaugural. E as poucas agencias que se arriscar na época a lançar pacotes para a Disney francesa tiveram condições tão rigorosas que inviabilizaram os seus negócios.

Disneylandia Paris comemorando seus 25 anos com muitas novidades

Disneyland Paris comemorando seus 25 anos com muitas novidades

Na comemoração dos 25 anos da Disneyland Paris, os comentários negativos e até os prejuízos dos dois últimos anos ficaram para trás. Lembrando que o Walt Disney era um apaixonado pela França, o parque anunciou uma programação excepcional para esse aniversario: nova versão da Star Tours “A aventura continua” com viagem intergaláctica e pilotagem na Hyperspace Mountain, tudo em 3D; nova Disney Stars on Parade com impressionantes carros alegóricos e fantasias inéditas; novo show do Mickey ” Joyeux Anniversaire Disneyland Paris”; espetáculo a Valsa das Princesas. E a noite, nas muralhas do Castelo da Bela adormecida, a Disney Illuminations vai ressuscitar as historias da Pequena Sereia,  da Bela e da Fera ou da Rainha das Neves.

A Minnie fazendo compras

A Minnie fazendo compras nas Galeries Lafayette

Acreditando na volta dos brasileiros -já foram 70.000 no ano passado, orgulhosa de ser parisiense, e dando o maior apoio as iniciativas da Atout France, da Air France e das operadoras especializadas, a Disneyland Paris vai agora levar essa programação para as agencias e para os viajantes brasileiros. Junto com seus parceiros, vai mostrar que Mickey, o Louvre, Minnie, Versalhes, Cinderela e os Castelos do Loire podem muito bem conviver durante uma viagem para França. Merci, Mickey, e parabéns pelos seus 25 anos na França!

Jean-Philippe Pérol

O pin da inauguração da EuroDisney

O pin da inauguração da EuroDisney

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

As companhias low cost chegando até nas grandes alianças!

As grandes alianças desafiadas pelas low-cost

As grandes alianças enfrentando os desafios das low-cost

Com o crescimento das low-cost nos voos intercontinentais, as barreiras entre as grandes companhias tradicionais e as recém chegadas estão pouco a pouco desaparecendo. Vencendo os seus preconceitos, muitas empresas regulares estão até abrindo subsidiarias para competir com o novo modelo econômico da bem sucedida Norwegian. E até  a Air France conseguiu convencer os seus pilotos de aceitar a criação da “Boost”, filial low-cost que aproveitará ganhos de produtividade de 15% para abrir (ou reabrir) rotas hoje deficitários  – Brasilia ou Recife podendo ser opções de curto ou médio prazo. Para quebrar as barreiras, um outro sinal muito forte do novo olhar sobre as low-cost está sendo dado com a provável entrada de companhias a baixo custo nas grandes alianças internacionais.

Oneworld, procurando parcerias em pais emergentes

Oneworld, procurando parcerias em pais emergentes

A Oneworld, impressionada pelos mercados que as low-cost ganharam nos últimos anos, está procurando parceiras nos países emergentes. Bem posicionada na América Latina com a LATAM, está olhando principalmente na China, na Índia e na África, em lugares aonde essa aliança está sendo distanciada pelas suas concorrentes da Skyteam e da Star Alliance. Varias negociações estão perto de ser fechadas com companhias africanas, as dificuldades maiores sendo de respeitar as posições dos parceiros regionais.

Jazz, subsidiaria low cost da Air Canada

Jazz, subsidiaria low cost da Air Canada

A Star Alliance está mais adiantada na sua colaboração com as low-cost. Em 2016 ela iniciou parcerias  com a companhia sul-africana Mango, empresa domestica que está se desenvolvendo no internacional, e com a chinesa Juneyao Airlines, empresa de Xangai operando em 35 cidades da China e em Hong Kong. A Star Alliance também inovou montando novas parcerias com as subsidiarias low-cost dos atuais sócios da aliança. Deverá ser em breve o caso da Scoot de Singapore Airlines, da EuroWings da Lufthansa ou da Jazz de Air Canada.

U-Fly, primeira aliança de companhias low-cost

U-Fly, primeira aliança de companhias low-cost

Alem de bater na porta das grandes alianças, as companhias low-cost estão criando suas próprias alianças. Em janeiro de 2016, 4 empresas operando no sul da China lançaram a primeira aliança de low-cost, U-Fly, juntando  HK Express, Lucky Air, Urumqi Air e West Air. Essa aliança foi logo superada pela Value Alliance que agremiou em Maio 2016 8 companhias da Asia mas tambem do Oriente médio e do Pacifico: Cebu Pacific, Jeju Air, Nok Air, NokScoot, Scoot, Tigerair Singapour, Tigerair Australia et Vanilla Air. Quarta aliança mundial em termos de passageiros, cobrindo 160 destinos com frotas juntando 176 aparelhos, a Value Alliance não anunciou programa de fidelidade, mas tem muitos projetos, especialmente na área da informática, que mostram que as companhias low-cost querem integrar, até nas alianças, o mundo dos grandes da aviação comercial internacional.

 

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista on-line La Quotidienne

Value Alliance now challenging the biggest traditional careers

Value Alliance desafiando até as maiores companhias tradicionais