Vamos pegar um voo para lugar nenhum?

A baia de Sidnei, um dos pontos sobrevoada na viagem da Qantas

Com a maioria das fronteiras ainda fechadas, e muitos turistas sem nenhumas opções de  viagens internacionais, alguns profissionais estão mostrando muita criatividade para oferecer alternativas aos viajantes desesperados. A companhia aérea australiana Qantas oferece assim no próximo dia 10 de Outubro uma viagem panoramica de Sidnei para …  Sidnei.  O Dreamliner 787 sobrevoará durante um voo de 7 horas os lugares emblemáticos da Austrália como o Monte Uluru, as pedras de Kata Tiuta, a Gold Coast, a Grande barreira de coral, Byron Bay ou a baia de Sidnei. Com preços variáveis de USD500 a USD 2500, as passagens já estariam esgotadas – um recorde na história da empresa.

 Entre le 2 et le 7 juillet, l’aéroport de Taïpei, sur l’île de Taïwan, a organisé des voyages pour « faire comme si on allait à l’étranger » (illustration).

Em Taiwan, o pioneirismo nos voos para lugar nenhum

A primeira experiência de voo para lugar nenhuma tinha sido inaugurada em julho de forma ainda mais radical. O aeroporto de Taipé, em colaboração com as companhias aéreas China Air e a Eva Air, tinha organizado uma viagem “faz de conta”. 7000 taiwaneses participaram de uma loteria para escolher 180 vencedores que tiveram direito a essa experiência. Atendimento na chegada no aeroporto, check-in, subida a bordo do avião, serviço de bordo e chegada foram efetuadas mas os aviões ficavam no chão. O  sucesso da promoção levou a Eva Air a iniciar sobrevoos  de duas horas da ilha, vendidos USD150 e incluindo um almoço gastronômico. A All Nippon Airways e a Royal Brunei Airlines ofereceram experiências similares.

A pressão dos ecologistas leva Singapore a renunciar a seu projeto

A Singapore Airlines, que atravessa uma grave crise financeira e prevê de cancelar 4300 empregos, ia também propor voos para lugar nenhum a partir desse mês. Com uma duração de três horas, organizados em cooperação com as autoridades do turismo local, iam custar USD300 e dar direito a descontos em hotéis, restaurantes e lojas da cidade. O anuncio provocou porém uma forte reação das associações locais de defesa do meio ambiente. Mesmo oferecendo de compensar as duas toneladas de CO2 soltas em cada voo, a Singapore Airlines não teve como enfrentar as criticas e está considerando agora de organizar visitas dos seus Airbus 380, incluindo animações para as crianças e jantares a bordo.

Oferta de 2001 para voos especiais do Concorde

A Air France comunicou que nenhuma operação deste tipo era programada, mas seus funcionários mais antigos se lembrarão que os voos sem destinos já foram numerosos na companhia, sendo para muitos curiosos um meio de voar pela primeira vez ou de experimentar aviões míticos como o B747 ou mais recentemente o A380. Nos gloriosos anos do Concorde, a empresa Air Loisirs Services se especializou em vender batizados supersônicos saindo e voltou do mesmo aeroporto. Foi ela que realizou, dia 31 de Maio de 2003, o ultimo voo comercial do supersônico franco-britânico com passageiros de ambos países. Um voo que saiu de Paris, sobrevoou o Atlantico a Mach 2,06 e voltou para Paris. Um voo para lugar nenhum mas que entrou na historia da aviação.

ANA oferece voos para lugar nenhum no A380

Uma retomada começando pelo turismo domestico, apenas em 2021 e fugindo do overturismo?

 
Pesquisa foi feira em parceria pelo M&E e pela Cap Amazon

Mais uma rodada da pesquisa TERMÔMETRO DO TURISMO, realizada em parceria pelo Mercado & Eventos e pela Cap Amazon, foi divulgada nesta quarta-feira (30). Os resultados mostram que s agentes de viagens estão mais pessimistas em relação a retomada do que nos levantamentos anteriores. Para 45% dos profissionais que responderam o questionário, a volta das viagens e das vendas ocorrerá no primeiro semestre de 2021, 19% apostam no segundo semestre do ano que vem, enquanto outros 19% apontam o mês de dezembro. Foram ouvidos cerca de 300 profissionais de todo o Brasil, com ênfase em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Brasília, Porto Alegre, Manaus e Belém. Das agências pesquisadas, 74% são especializadas em lazer, 9% em corporativo e 17% especializada em nichos específicos. A grande maioria (90%) tem menos de dez funcionários, 8% de dez a 50% e 2% mais de 50. As respostas foram colhidas entre os dias 10 a 30 de setembro. “Lá no começo da pandemia, todos achavam que era uma crise forte, mas que iria passar em um tempo menos. Agora, os agentes de viagens estão percebendo que as perspectivas são muito imprevisíveis”, disse Jean Phillipe Pérol, diretor da Cap Amazon. “Os agentes estão bastante pessimistas se compararmos com a primeira pesquisa, realizada em maio”, completou o executivo, lembrando que na época a maioria apontou que a retomada teria início no mês de setembro.

Anderson Masetto, editor chefe do Mercado & Eventos, acredita que os resultados atuais apontam mais para uma realidade mais clara do que um aumento do pessimismo. “Em maio, tínhamos o exemplo de países que já tinham saído da crise. Na China, onde tudo começou, por exemplo, ela demorou um tempo menor. Agora, as vendas já estão acontecendo e, por isso, o agente de viagens consegue ter uma perspectiva melhor sobre o que deve acontecer nos próximos meses”, explicou. Outra hipótese levantada por Pérol é o fato da retomada já ter começado e estar sendo encaminhada pelos destinos domésticos, uma vez que – antes da pandemia – muitas destas vendas acabavam não passando pelas mãos dos agentes de viagens. “A diferença de percepção da retomada em maio e agora pode vir deste fato”, disse. A oferta de produtos é outro fator que também pode justificar este pessimismo maior do agente de viagens. Segundo Pérol, os voos, por exemplo estão acontecendo, mas em um volume muito menor do que em 2019.

Nas pesquisas anteriores, os agentes de viagens apontaram as viagens pelo Brasil como o principal carro-chefe da retomada. Por isso, nesta terceira rodada foi incluída uma pergunta sobre quais regiões do País teriam uma volta mais rápida do fluxo de turistas. Como esperado o Nordeste ficou na liderança, com 37%, seguido do Sudeste, com 30%, Sul com 22% e Norte com 8%. O Centro Oeste ficou com 2%. “O doméstico é, de longe, o que está mais adiantado em termos de retomada. Aparentemente, o Nordeste é aquele que está aproveitando isso melhor”, destacou Pérol. “Nenhuma surpresa em ver o Nordeste na frente, mas é importante destacar o Sudeste em segundo lugar com 30%. A região é o maior pólo emissor do País e isso reflete a tendência de viagens a lugares próximos neste início de retomada, como o paulista viajando pelo próprio estado, por exemplo”, complementou Masetto. Para Pérol, existem dois fatores que podem ser explicados neste resultado. O primeiro é a viagem para a visita de familiares e amigos, colocada como uma das primeiras modalidades a retornar. O outro, que é um fenômeno mundial, são as viagens de carro para destinos a até 250 quilômetros de distância. “Isso aumentou muito e substitui, em muitos casos, a viagem de avião. Acredito que há muito mais paulistas que viajam para as praias próximas e interior hoje e o mesmo ocorre em outros estados. As pessoas estão indo conhecer pontos turísticos mais próximos”, contou. “Acredito que esta tendência irá continuar no pós-pandemia”, completou.

No caso das viagens internacionais, Portugal “roubou” a primeira colocação da América do Sul nesta terceira rodada. 21% dos agentes de viagens acredita que este será o destino a se recuperar mais rápido. Os destinos sulamericanos vêm em seguida com 19%, seguidos de América do Norte (18%) e Caribe (18%). 14% escolheram outro destino da Europa e 4% outros. Embora isso seja também reflexo da desaceleração da pandemia na Europa, o editor chefe do M&E acredita que estes resultados têm relação também com a oferta de voos. “Embora o desenrolar da pandemia pese, temos visto que as pessoas tem tido confiança nos protocolos e vão viajar. E, em paralelo a isso, os voos estão voltando, com companhias da Europa voltando a operar no Brasil e muitas que não voltaram ainda, já marcaram data. Portanto, é também uma questão de mobilidade. Antes não era possível chegar porque não tinha voos. Agora os voos estão aumentado gradativamente”, afirmou. Para Pérol outro ponto que contribui é que boa parte dos países da América do Sul permanece com as fronteiras fechadas. “Com a falta de previsão de abrir, a América do Sul caiu muito. Outro fator é que a Europa se tornou mais atraente do que os Estados Unidos por vários motivos, um deles é que a imagem do País caiu muito e a pandemia não está controlada, além do fato das fronteiras estarem fechadas”, explicou. “Outro fator é que há um número muito grande de brasileiros com passaporte europeu. Então, eles podem viajar com mais facilidade na Europa”, adicionou.

O primeiro segmento a viajar, para os agentes que participaram da pesquisa, é o lazer, com 41%, seguido da visita a família e amigos, com 35% e do corporativo com 16%. Os cruzeiros são apontados por 5%, feiras e MICE por 2% e 1% outros. O destaque é a queda do corporativo que registrou 30% em maio, 23% em julho e agora caiu ainda mais. “No início da crise os especialistas já diziam isso, mas na nossa pesquisa os agentes de viagens se mostraram mais otimistas. Agora, sentimos uma preocupação muito grande, porque pode ser um fenômeno que vai durar, uma vez que muitas empresas perceberam que podem substituir parte das viagens por reuniões virtuais”, reiterou Pérol. “Este foi o segmento mais atingido e deve passar por algumas mudanças mesmo no pós-pandemia”, completou.

Em relação a motivação e os temas das viagens, não há uma mudança significativa em relação as pesquisas anteriores. Entre as temáticas mais procuradas, os agentes de viagens apontam o Bem Estar (27%) como o preferido. Em seguida vem o Ecoturismo empatado com Negócios, ambos com 13%. Depois Cultura com 12% e Gastronomia com 9% são os mais citados. “O bem estar veio para ficar. Será uma condição básica para qualquer viagem. Esta é uma tendência muito forte que envolve spas e tudo que é ligado a saúde”, destacou Pérol.

Entre as novas tendências, 35% dos agentes de viagens acreditam que os destinos menos procurados terão a preferência no período pós-covid. Ao mesmo tempo, 34% cita a preocupação com a saúde e 20% a segurança. “Há uma evolução em relação ao overturismo. Isso já era tendência, mas hoje se tornou essencial. Acredito que esta é uma grande oportunidade para receptivos, pois isso vai aumentar o interesse para cidades menores e menos frequentados”, ressaltou Pérol.

O noticiário mostra o início de uma segunda onda da pandemia em diversos países da Europa. Os responsáveis pela pesquisa foram, então, questionados se isso pode se refletir nesta retomada e nos resultados do próximo TERMÔMETRO DO TURISMO. Para Masetto, a resposta é não. Para ele, há uma confiança muito grande nos protocolos e estão voltando às atividades que faziam antes, inclusive viajar. “Já foi muito noticiado o quanto é seguro estar dentro de um avião e também sobre a capacidade de proteção das máscaras. A não ser que as fronteiras sejam fechadas, as pessoas não irão mais adiar os seus planos”, ressalta. Pérol também é enfático. Para ele, “a retomada é irreversível”. Para ele, é claro que as pessoas irão escolher os destinos em função da situação sanitária dos países. “Estamos vendo na Europa que há uma resistência muito grande em fechar restaurantes e comércio para enfrentar esta segunda onda”, lembrou.

Veja como foi a apresentação dos resultados:

 

 

Moradores e compatriotas, a revolução-mor do turismo pos Covid?

A Occitânia aposta no turismo de proximidade Foto Patrice Thibault)

Mudando o nome de Comité regional de turismo da Occitânia para Comité regional de turismo e lazeres da Occitânia, os responsáveis dessa grande região turística francesa – sede de destinos famosos como Lourdes, Carcassonne ou Toulouse- aproveitaram uma das maiores revoluções que está sendo trazida pela crise do Covid 19: a nova força do turismo local e doméstico, dos moradores e dos compatriotas. Necessidade durante os meses de fechamento das fronteiras internacionais, essa procura de novas clientelas para compensar o sumiço das clientelas estrangeiras virou o novo eixo estratégico da politica turística occitana, com um orçamento de 3 milhões de Euros logo no primeiro ano.

No Brasil, a Occitânia é a terra de Lourdes e dos caminhos da fé

Longe de ser um detalhe, a mudança de nome mostra a vontade de revalorizar o consumo de lazeres dos moradores, uma virada estratégica para um segmento de clientela que já era cortejado como ator chave do turismo mas nem sempre percebido como consumidor. Mesmo se a ideia não é de desprezar as clientelas internacionais, essa nova orientação deve reequilibrar tanto a oferta de produtos que a comunicação. Segundo Vincent Garel, presidente do Comité, serão assim valorizados o slow-turismo, o turismo sustentável, o glamping, ou o turismo solidário. Com focos nos jovens e nas famílias, essa atenção para moradores levará a um reposicionamento em volta dos valores proprios da Occitânia.

O Pont du Gard atrai tanto turistas como moradores

Sucesso durante a crise, o turismo doméstico não representa somente um segmento de substituição, mas é parte de uma estratégia de longo prazo, não somente pela sua realidade atual mas pelo potencial de crescimento que ele representa. Jean Pinard, Directeur do Comité, gosta de lembrar que 40% dos franceses nunca saiam de férias, um número impressionante que mostra as oportunidades que todos os atores podem encontrar nesse público, tanto para estadias de curtas durações que para ferias principais. Com uma dimensão social que vem reforçar seu impacto econômico, essa nova prioridade deve atrair mais atenção e mais apoios dos responsáveis políticos.

 

Além da Occitânia, a OMT publicou recentemente um relatório sobre interessantes iniciativas junta a clientelas locais. Foi destacada a Slovenia, que  começou a campanha com uma sensibilização para as medidas sanitárias, dando a possibilidade de ganhar uma qualificação Green & Safe. Todas as regiões turísticas do pais foram convidadas a desenhar três itinerários especiais para os turistas domésticos. Eles são apresentados no site do Slovenian Tourism Board  e nas mídias sociais. A campanha mundial e o aplicativo The Time is Now. My Slovenia. têm agora versões em esloveno, e um vídeo promocional  foi divulgado com o apoio de influenciadores locais..

The creative Finnish Booard now targeting local market

O mesmo relatório da OMT mencionou também a campanha da Finlândia.  Com uma verba de 500.000 euros, apoiada na promoção internacional  “100 Reasons to Travel in Finland” da  Finnish Association of Tourism Organisations, a campanha destaca as ofertas dos pequenos profissionais que podem assim promover produtos mais específicos para turistas finlandeses. Centenas de ofertas são apresentadas no site Web, com sugestões de itinerários ou de circuitos. Esses exemplos, e outros da Noruega, da Austrália ou do Canadá, deixam os especialistas da Organização Mundial do Turismo prever que moradores e compatriotas abrem grandes oportunidades para o turismo pos Covid19.  .

Jean=Philippe Pérol

Turismo num raio de 100 km, um conceito que vai longe

Viagens de negócios vão sobreviver a pandemia?

O glamour do Festival de Cannes transferido para 2021

Enquanto no inicio da crise as viagens de negócios pareciam os mais resilientes aos impactos do Covid19, somente 17% doa agentes de viagens brasileiros acham que esse setor está liderando a retomada. Na Europa, uma pesquisa feita pela Global Business Travel Association junto a profissionais do turismo, da hotelaria e do transporte aéreo revelou que 85% deles tiveram que enfrentar o cancelamento de todas ou da grande maioria das viagens corporativos, sendo que somente 12%  acreditava numa retomada das viagens internacionais em 2020, e 59% em 2021. No total, menos da metade dos entrevistados estavam esperando uma volta aos níveis pre-pandemia nos próximos 3 anos!

As reuniões virtuais agora incontornáveis mas nem sempre produtivas

Mesmo se muitas empresas ficaram interessadas pela queda espetacular dessas despesas provocada pela crise, elas acham que podem diminuir as viagens – sejam transportes, hospedagens e restaurantes- mas não podem cancelá-las. Encontros virtuais não sempre suficiente para medir riscos e oportunidades bem como para criar ou consolidar relações de confiança. Olhando o que aconteceu depois da crise financeira mundial de 2008, os consultores da McKinsey pensam assim que a retomada é certa, mas que será muito mais rápida para as viagens de lazer que para o setor corporativo onde poderia levar até cinco anos para ser completa.

As viagens  vão voltar, mas com normas diferentes

Mas se a retomada está chegando, e se os contatos reatados nas primeiras viagens de negócios serão com certeza produtivos, os especialistas são convencidos que ela será lenta e muito diversificada.  Em termos setoriais, as atividades mais atingidas pela crise não terão sempre os recursos necessários. Em termos geográficos, a China e os países do Sudeste da Ásia deveriam ser os primeiros a se abrir pelo seu controle da situação sanitária  e suas oportunidades de negócios. Ao contrário, e sempre segundo a McKinsey, os Estados Unídos e a América do Sul são áreas onde a volta a normalidade deveria demorar mais em função da evolução da luta contre o coronavirus.

O WTM LATAM, adiado para 2021 mas ganhando novas dimensões

Pesquisas e especialistas concordam porém para prever que quando a retomada chegar, as viagens corporativas não vão ser idênticas a aquelas que existiam ante da crise. Muitos encontros físicos serão mesmo transferidos em Skype, Zoom ou MS Team. Quando não for, essas viagens devem ser mais curtas, mais focadas nos centros industriais que nos centros urbanos, com reuniões em grupos menores, muitos cuidados com as normas sanitárias, e encontros sociais reduzidas ao necessário. Os congressos, as feiras e os salões serão os mais lentos a se reerguer, devendo se redimensionar em função dos novos protocolos, e ganhar dimensões virtuais ou multi-localizações. Para todos a sobrevivência necessitará muita criatividade.

Esse artigo foi inspirado de um artigo da revista francesa Courrier Internationsl

França: na retomada do turismo, o sucesso de destinos inesperados

Com 132 metros de altura, o Viaduto das Fadas, ponte mais alta da U.E.

O Taj Mahal, maravilha do mundo e do amor

O Taj Mahal, “cochicho de amor no ouvido da eternidade”

« Um cochicho de amor deixado no ouvido da eternidade, isso é o Taj Mahal, teu sonho de mármore, Shah Jahan ». Foi assim que o poeta falou desse mágico mausoléu que o então imperador mogol dedicou a sua esposa Aryumand Banu Begam, a Mumtaz Mahal. Considerado como uma das sete maravilhas do mundo moderno, o Taj Mahal deve ser descoberto com tempo e silêncio, os dois maiores luxos do visitante. Para quem chega em Agra depois de uma viagem cansativa, procurando os clichês tantas vezes reproduzidos, é melhor não se precipitar, e conhecer primeiro a cidade e sua outra grande atração, o Forte Vermelho, impressionante conjunto arquitetural tombado pela UNESCO que domina o rio Yamuna.

A porte do Forte Vermelho

Construído a partir de 1558 em cima de um antigo forte do século XI, o Forte Vermelho cobre uma área de 38 hectares onde o imperador Akbar mandou construir a fortaleza bem como um palácio digno da nova capital do Império. Erguido com a pedra arenita vermelha característica do Rajastão, o conjunto ganhou o nome de Forte Vermelho. Das muralhas da fortaleza, além da curva do rio carregado de barro amarelo, o visitante pode aproveitar a vista de uma pérola branca e rosa cercada de floresta verde. É o momento para descer das torres cor de sangue, subir no tuk tuk, e atravessar o parque para chegar próximo do Taj Mahal.

Visitantes indianos na grande porta do Taj Mahal

Nos arredores do mausoléu, têm mais de cem barracas de lembrancinhas, refrigerantes ou lanches para atender os milhares de turistas – na grande maioria indianos – que visitam o local, seja por motivos religiosos, históricos, ou para celebrar esse imenso amor. Na multidão, muçulmanos e hindus, homens vestidos de branco seguem mulheres de olhos negros cobertas de véus coloridos, famílias numerosas mostram suas crianças como símbolo de prosperidade enquanto anciãos vão esbanjando sabedoria. Todos participam ao encanto do lugar, mesmo quando o barulho da multidão é pouco a pouco substituído pelos cliques das cameras ou as batidas dos pés nos caminhos de mármore.

Uma das mesquitas do conjunto arquitetural

Uma das coisas mais bonitas do Taj é o espaço que o cerca e que prepara a emoção do visitante. Os prédios anexos são distantes o suficiente para não distrair a atenção do monumento principal, mas são bastantes numerosos e ricos para lembrar a grandeza do Império mogol: várias mesquitas, o túmulo de uma dama de companhia,  outros de principes imperiais. Caminhando entre o canal, as árvores e as cercas vivas, é importante se aproximar devagar do palácio que se ergue entre os minaretes, ainda idêntico a visão do seu criador, como se a perfeição da obra tivesse desanimado os seus sucessores de fazer qualquer mudança ou de adicionar nem que seja uma pedra.

Depois de quase cinco séculos, o Taj Mahal ainda segue intocado

Em todo o monumento, nada distrai o visitante da arquitetura. As paredes, as portas e os pisos são só mármores, alguns especialmente esculpidos, outros combinando cores como se fossem tapetes ou cortinas de seda que o visitante pode acariciar com a mesma sensualidade.  Se tiver a sorte de fazer a visita na época da lua cheia, vale a pena esperar o por do sol quando o mármore quente pega uma cor leitosa, e que os cheiros de tabaco, de lírios e de varas de São José  invadem o pátio. Mesmo se o domo cobra um túmulo, o Taj Mahal não inspira nenhuma tristeza, impressiona ao contrário pela perfeição das vidas que ele comemora. Talvez por isso, esse encontro com uma tal maravilha do mundo e do amor tem que ser preparada e merecida.

Jacques Baschieri

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo do Jacques Baschieri  na revista profissional on-line Mister Travel

Em Versailles ou no Louvre, o underturismo ameaça o patrimônio cultural e histórico nacional

O castelo de Versalhes ainda esperando americanos, chineses e brasileiros …

Lá vem o Click and Boat, o AirBnb dos barcos de lazer?

A barcaça no Rio Sena, primeira sede da Click and Boat

A procura de aluguéis de barcos levou a importantes mudanças no setor, sendo a principal o surgimento da empresa francesa Click and Boat como líder mundial. Fundada  em 2013 pelos empresários Jeremy Bismuth e Edouard Gorioux, a então startup parisiense dispõe hoje de uma frota de 45.000 unidades – barcos, veleiros ou iates-, tem ofertas em 550 portos de 26 países, inclusive no Brasil, e atende agora um milhão de clientes por ano. Se as reservas pararam durante o confinamento, elas estão agora com um crescimento de 60% em relação ao ano passado, e o faturamento deve passar de 50 milhões de Euros em 2019 a 80 milhões este ano.

As compras de concorrentes diversificou a oferta de barcos

No início era uma simples plataforma colaborativa francesa onde os donos podiam oferecer os seus barcos (em geral muito pouco utilizados, na França em torno de 10 dias por ano),e a Click and Boat oferecia a seus parceiros rentabilidade, confiança e segurança.  O sucesso se espalhou pela Europa com a compra de vários concorrentes: Sailsharing em 2016,  Captain’Flit em 2018 , Océans Evasion em 2019 e a alemã Scansail em janeiro desse ano. Foi porém durante a pandemia que foi realizada a maior aquisição, a compra da espanhola Nautal, sediada em Barcelona, com 40 colaboradores, um faturamento de 13 milhões de Euros e uma rede de parceiros internacionais.

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45.000 proprietários já assinaram com a Click and Play

Oferecendo uma experiencia turística misturando privacidade, praias, natureza, ecologia, bem estar, família ou amigos, a Click and Boat antecipa um forte crescimento em 2021, 150 colaboradores, uma oferta chegando a 50.000 barcos e um faturamento passando dos 100 milhões de Euros. A chegada de um novo sócio, o navegador francês François Gabart, a diversificação das bases na Espanha, na Italia, na Grécia, na Croácia ou no Brasil, e o sucesso dos barcos ou iates com tripulação, deixam pensar que as ambições de virar uma verdadeira AirBnb dos barcos de lazer estão ao alcance da outrora pequena startup!
Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo da redação da revista profissional on-line Mister Travel

A crise, uma oportunidade para os destinos turísticos investir na sustentabilidade?

A sustentabilidade, futuro do turismo pos coronavirus?

Nas novas tendências esperadas para a retomada do turismo, a sustentabilidade e a procura de produtos éticos são destaques tanto no Brasil como no mundo inteiro. Segundo muitas grandes mídias internacionais, a pandemia e o confinamento podem ser oportunidades para os destinos turísticos que entenderam a necessidades de mudanças profundas no setor, beneficiando o meio ambiente, os moradores e os turistas. Assim, aproveitar esses tempos de underturismo para investir em desenvolvimento sustentável pode levar, para o World Economic Forum (WEF), a uma vantagem competitiva decisiva em relação a concorrência para convencer tanto os viajantes que os investidores. 

Petra Stušek da Slovénia recebendo o prêmio ITB do turismo sustentável

Para definir e colocar em prática uma nova estratégia de turismo sustentável, os destinos podem usar exclusivamente seus próprios recursos humanos, oucontratar uma certificadora – uma solução mais cara porém mais fácil e com mais credibilidade, especialmente se escolher uma empresa referenciada pelo Global Sustainable Tourism Council , respondendo assim a critérios internacionais. Em ambos os casos, o destino deverá dispor de uma equipe qualificada cujo primeiro objetivo será de fazer um benchmark das melhores práticas dos seus concorrentes, bem como uma avaliação completa das experiências já realizadas pelos profissionais da sua região mobilizados no projeto.

Ilhas Maurício se posiciona agora como destino sustentável

A chave do sucesso de uma política de turismo sustentável fica no equilíbrio entre a vida das comunidades, o desenvolvimento econômico, o respeito dos acervos culturais e a preservação do meio ambiente. Todos os atores devem ser solicitados e apoiados durante todo o processo, e as suas iniciativas devem ser integradas, seguidas e valorizadas no plano global. A conscientização da importância de cada um ajuda também a solidariedade entre os profissionais do setor. No Oceano Índico, nas Ilhas Maurício, uma politica de capacitação especifica para hotéis, restaurantes, agências, e táxis levou ao sucesso da estratégia de todo o destino.

Source : Azores DMO

Com total transparência, um destino sustentável deve também escolher indicadores para medir os impactos sociais, econômicos, culturais ou ambientais das ações. Esses indicadores são geralmente propostas pelas certificadoras, mas exemplos de sucessos merecem ser seguidos. Assim nos Açores, que ganharam a certificação Earthcheck em 2019, foram escolhidos o progresso dos empregos nos hotéis e restaurantes, o número de famílias beneficiadas com o crescimento econômico, a redução dos empregos precários, as economias de água, a redução das emissões de CO2 e a ampliação da coleta seletiva do lixo.

Source : Thompson Okanagan Tourism Association

A sustentabilidade vira um argumento chave da promoção de um destino, a condição de focar todos os públicos em função da especificidade de cada um. Os moradores devem ser os primeiros a ser convencidos virando assim não somente consumidores mas também embaixadores do local. Os profissionais podem ser integrados nas campanhas, um processo muito mobilizador que foi muito bem aproveitado pelo Açores. Para os viajantes potenciais, o plano de comunicação deve promover as boas práticas e o respeito do meio ambiente. Foi a estratégia da Islândia com a Iceland Academy, incluindo um juramento que outros destinos como a Nova Zelândia, Palau ou a região canadense de Thompson Okanagan, na Colúmbia Britânica, já estão propondo a seus visitantes.

Este artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Fanny Beaulieu Cormier na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat  

Nas águas do Tapajós, ecoturismo e comunidades

La Badira, a Tunisia com luxo e bem estar

O outrora Palacio do deserto, o Sahara Palace de Tozeur

Não precisa ter nascido na Tunísia para amá-la, seu povo tolerante e acolhedor, e suas riquezas turísticas ainda pouco ou mal exploradas. Mas precisa ter viajado pra là há muitos anos para lembrar dos estabelecimentos de luxo que fizeram o sucesso de alguns dos seus cantos mais bonitos. Foi o caso por exemplo da oásis de Tozeur, frente ao deserto e a imensidão salgada do Chott el Jerid, quando o mítico Sahara Palace recebia jet setters vindo do mundo inteiro. O “Palácio do deserto” decaiu nos anos noventa e fechou de vez em 2008, mas a Tunísia parece hoje decidida a relançar a sua oferta de luxo e de bem estar, dessa vez na beira do mar Mediterrâneo.

A kasbah de Hammamet na hora do por do sol

Foi frente a praia de Hammamet, a dez minutos da famosa kasbah, a meia hora de Nabeul, capital tunisiana da cerâmica, e a uma hora de Tunis, que surgiu há dois anos o La Badira hotel e Spa. Localizado no norte da cidade, longe dos bairros turísticos superlotados, La Badira , cujo nome significa em árabe “tão luminosa que a lua cheia”, é um prédio branco com todos suas 130 suites e seus dois terraços com vista  para o mar e as duas praias privativas. Exclusivo para maiores de 16 anos, esbanjando serenidade até nos jogos de luzes e de sombras, o La Badira é não somente o primeiro 5 estrelas da região mas também o único hotel da Tunisia pertencendo ao prestigioso grupo internacional The Leading Hotels of the World.

Nessa volta da Tunísia para o luxo e o bem estar, o La Badina quer aproveitar o rico passado da cidade que foi um balneário glamoroso no início do século XX, nos tempos do protetorado francês, quando importantes comunidades francesas e européias influenciavam a arquitetura, a decoração, o artesanato e a vida social de Hammamet. Alternando com um estilo tunisiano moderno e sofisticado, a decoração do hotel lembra o universo das viagens da época quando a beleza e a luz do local atraiu pintores, escritores e artistas. As 6 suites master homenageiam personalidades que foram então  emblemáticas, assim como o poeta francês Jean Cocteau, a princesa inglesa Wallis Simpson ou a atriz italiana natural da Túnísia Claudia Cardinale.

No SPA, ambiente oriental e produtos Clarins

O SPA junta o “savoir-faire” de Clarins e alguns produtos tradicionais como o rhassoul , uma argila naturalmente rica em ferro e em magnésio que as mulheres da África do Norte sempre utilizaram para tratar o corpo e os cabelos. Em volta de uma piscina aberta para o mar, as paredes de mármore cor de rosa, os grandes sofas e o sensual hamam criam um ambiente das Mil e uma noites. E como outro piscar de olhos ao Oriente, esse SPA oferece um equipamento único na África, um “flottarium”, piscina de água com uma salinidade extremamente forte, e onde podem ser aproveitados os mesmos tratamentos e vividas as mesmas experiências que no Mar Morte.

Hammamet é também um ponto de gastronomia, incluindo o imperdível restaurante Barberousse, localizado na Medina e que carrega o nome do famoso almirante tunisiano. Aberto em 1960, ele é famoso pelos seu pescado do dia em crosta de sal, seu tempurá de camarões ou seu carpaccio de robalo. No hotel, nada de all-inclusive, mas três restaurantes, Adra,  Kamilah, e o Beach Grill. O chef Slim Bettaieb, apaixonado pelas especiarias e os sabores locales, oferece uma cozinha tunisiana, revisitando todos os grandes clássicos tradicionais, da “Brik” até a Mloukhia, e do Carneiro assado durante sete horas até o Cuscus de peixe. Mas para muitos hóspedes, a melhor experiência será talvez o luxo e o bem estar de um café da manha servido na luminosa areia da praia…

Luxo e bem estar mesmo é o café da manhã servido na praia

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo da redação da revista profissional on-line Mister Travel

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