Air France, a esperança está na diferença

Ben Smith, o CEO na primeira linha para saida da crise

7,1 bilhões de Euros de prejuízo. Um numero que assusta mesmo no mundo do transporte aéreo atingindo pela crise do Covid, um choque sem precedente para Air France que, junto com sua coligada KLM, perdeu em 2020 59% do seu faturamento e 67% dos seus clientes. Mesmo com fortes reduções de despesas, e corte de 8.700 empregos,  o pesadelo do grupo franco-holandês pode ainda não ter chegada ao fim. O diretor financeiro do grupo avisou que o ano 2021 será complicado, que o primeiro trimestre é  difícil e que a retomada será lenta e progressiva a partir do segundo trimestre desse ano. Os reajustes de despesas continuarão com mais 6.000 cortes de empregos, os resultados só voltarão a ser positivos em 2023, e a crise  deveria ser completamente superada somente em 2024 …

Para seus 60 anos, a Air France ganhou um selo comemorativo

Mesmo se a queda da Pan American em 1991 ensinou que mesma as maiores companhias aéreas são mortais, é impossível imaginar que a “Compagnie Nationale Air France”  não consegue se sair por cima dessa crise. Fundada oficialmente em 1933 – mas tendo incorporado a Aeropostale do grupo Latecoere que tinha sido criada em 1917 -, ele atravessou com sucesso muitas crises econômicas, humanas, políticas e sociais. Para a França, foi durante muito tempo uma excepcional ferramenta de politica internacional e de apoio a industria nacional. A escolha dos seus dirigentes, de Pérol à Juniac, d’Attali à Spinetta ou de Blanc à Janaillac, foi sempre um privilégio da Presidência da República, e o apóio político e financeiro nunca faltou, seja depois da guerra, seja na primeira crise do petróleo em 1974, ou  mesmo quando, em 1994, a companhia precisou de  EUR 4 bilhões de hoje  para se reestruturar.

O Concorde fez história também no Rio de Janeiro

No Brasil, a Air France sempre foi uma companhia diferente. Pela história – gravada da ponta de Fernando de Noronha até as praias de Caravelas ou os campos de Pelotas -, pelo pioneirismo – do Concorde que pousou no Rio de Janeiro de 1976 até 1983, ou dos B747 em Manaus-, ou pelos eventos espetaculares – o Premio Molière nos teatros de Rio, São Paulo, Manaus, ou Belem. Air France devia também sua posição peculiar a importância das ligações entre o Brasil e a França – que foi até 2016 o primeiro destino de viagem dos brasileiros na Europa. Com alegrias, sucessos, e também terríveis tragédias, era percebida como a mais brasileira das companhias aéreas internacionais, e as pesquisas mostravam que nas cabeças e nos corações dos brasileiros, só tinha um concurrente: a VARIG.

A crise levou os velhos B747 bem como os revolucionários A380

A aventura da Air France vai mesmo continuar, o governo francês já injetou  EUR 7 bilhões desde o inicio da crise, e já sinalizou que ia fazer os investimentos necessários – mesmo se tivesse de resistir as vontades de rebaixamento da União Européia. Para todos aqueles que seguem a epopeia dessa grande companhia, a esperança é que continua sendo uma companhia aérea carregando uma visão diferente, não somente explorando aviões mas sendo sempre uma “compagnie nationale”. Uma companhia cujas rotas seguem e reforçam as ligações da França com os países amigos, cujas escolhas tecnológicas continuam pioneiras e seguras, cujo serviço seja a vitrina do art de vivre e da elegância a francesa, uma companhia falando francês, cuja presença nos quatro cantos do mundo, e mais especialmente no Brasil, seja enraizada na historia e na cultura comum.

Jean Philippe Pérol

 

Na grande crise de 1974, Gilbert Pérol da Air France e Antoine Veil da UTA desenhavam juntos as soluções para a retomada

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercado e Eventos

Homens e mulheres no coração do turismo pós crise …

Hoje não se vende as qualidades do hotel, se fala do hoteleiro @latoubana

Aceleradora de tendências, a crise do Covid obriga todos os profissionais a repensar suas ofertas, seus públicos alvo, bem como suas estratégias de marketing para responder às novas procuras dos viajantes que vão compor a retomada. Já anunciado há alguns anos, o foco no lado humano do turismo, dos consumidores até os funcionários e os moradores, o “marketing humanizado” está tomando uma dimensão fundamental. Segundo o marqueteiro Olivier Coullerez, presidente e fundador da agência Espresso Communications, «hoje a ideia não deve ser de vender as qualidades de um hotel, mas de falar do hoteleiro  ».

Para mostrar a resiliência do turismo, e a força do seus atores, a  GLP Films  realizou vários clipes mostrando homens e mulheres que tiveram papéis de destaque no desenvolvimento do seu destino. Com o hashtag  #TourismStrong , são assim popularizadas “success stories” de atores locais na Uganda, no Peru, na Costa Rica, no Brasil ou em Nova Iorque. Além da história de cada profissional envolvido, uma atenção particular é dada aos esforços que foram feitos para promover os “savoir-faire” regionais, através da criação de plataformas especializadas. No estado australiano do New South Wales por exemplo, a organização Culture Maps Central NSW promove as empresas locais de arte e cultura com um mapa interativo valorizando as ofertas.

Helsinki procurando turistas combinando com seus valores

Pensando na retomada, muitos destinos estão trabalhando em definir melhor os seus visitantes internacionais, destacando aqueles que se identificam com os valores da região ou das experiências propostas. Na Finlândia, Laura Aalto, diretora do turismo de Helsinki, lembra que a estratégia de marketing da cidade é construída em torno de visitantes fiéis que se identificam com seus valores: confiança, inovação, abertura de espírito, e sustentabilidade. Os visitantes devem também integrar a comunicação. Visit Florida desenvolveu uma parceria com Outbound Collective, uma operadora especializada em atividades esportivas. Para atrair novos clientes, 12 especialistas vindos de minorias hoje pouco representadas estão apresentando nas mídias sociais experiências personalizadas.

As novas oportunidades do teletrabalho

O turismo pós Covid vai também levar a uma gestão mais humana dos fluxos, espalhar os viajantes em regiões hoje menos visitadas, incentivar as visitas durante a baixa estação, e parar de promover os lugares e as datas que provocaram tensões com os moradores. Com a explosão do teletrabalho, a crise abriu novas oportunidades de longas estadias que alguns destinos, como  Barbados, a  Estónia  ou o Massif de Charlevoix, no Québec , e algumas plataformas ,como Booking.com, souberam aproveitar. O turismo de amanhã já está se definindo, sempre amarrado em experiências humanas, interativas, baseado no respeito de valores sociais sustentáveis e  autênticas que devem integrar não somente a oferta de produtos e serviços mas também a própria promoção.

 

Este artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Fanny Beaulieu Cormier na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat  

A urgência (e a simplicidade) da volta do certificado internacional de vacinacão

Aceito por 194 países, o Certificado da OMS é uma opção imediata

Enquanto as variantes do Covid se espalham pelo mundo e adiam mais uma vez as perspectivas de retomada, muitos profissionais estão pedindo que seja lançado com urgência um “passaporte sanitário” que abriria sem restrições para as pessoas vacinadas o acesso as companhias aéreas e aos destinos. A ideia já foi lançada pela Grécia em maio do ano passado mas não chegou a convencer os outros países da União Europeia. Alguns destinos menores – e mais dinâmicos – criaram porem o seu proprio documento, foi assim o caso das Ilhas Seychelles, da Dinamarca ou da Islândia. Sempre pioneiro quando se trata de promoção turística, esse país nórdico emitiu quase 5000 “passaportes” e está negociando a sua aceitação a nível internacional.

A Inglaterra já está testando o Covipass

Outros países já estão trabalhando sobre o fornecimento de documentos que poderiam restabelecer a confiança e reabrir as fronteiras. A Inglaterra, líder europeia com mais de 10 milhões de vacinações, já está testando um passaporte biométrico. Israel pretende distribuir cadernos verdes liberando das restrições de circulação (mas não das máscaras nem das regras de distanciamento) quem já recebeu as duas doses da vacina. Em teste a nível nacional, o caderno poderia depois ser usado para as viagens internacionais. Na Índia, o ministério da saude estuda um QR code, associado ao número de celular e a carteira de identidade, que poderá ser usado como um passe digital para todas as pessoas vacinadas no pais.

O Commonpass já foi testado em Outubro pela United Airlines

Os profissionais também estão se movimentando, e vários projetos já estão sendo estudados a nível internacional. A ECTAA (European Travel Agents’ and Tour Operators’ Associations) está tentando de convencer a União Europeia de relançar a proposta feita pela Grécia. O Forum de Dávos apoia o projeto suíço CommonPass, um aplicativo interligando centros de vacinações, testes de laboratórios e atestados de saude dos países, que gera um QR code confirmando que o viajante está en conformidade com a legislação do destino. A IATA (International Air Transport Association), trabalha no IATA Pass Travel, um aplicativo dando também as últimas informações sobre viagens internacionais, testes de laboratórios e comprovantes de vacinações, informações que podem ser retransmitidas com segurança as companhias aéreas e as autoridades.

A OMS apoia um aplicativo para modernizar seu Certificado

Frente a urgência da situação e ao risco de colapse do setor,  alguns especialistas pedem para soluções mais fáceis de por em prática, com simples adaptações de procedimentos já existindo. O Alexandre Demaille, da empresa francesa RapideVisa,  lembrou que já existe o  Certificado Internacional de Vacinação, documento reconhecido por 194 países que comprova a vacinação contra doenças. Criado nos anos 60 para erradicar a varíola, ele é ainda exigido por alguns países para se proteger da febre amarela ou  da cólera. Os centros habilitados a emitir esse certificado poderiam simplesmente adicionar as vacinas anti Covid a essa lista. Essa solução simples e rápida é apoiada pela OMS (Organização Mundial da Saúde). Modernizada com um aplicativo e um QR code, poderia restabelecer a confiança dos viajantes, dos moradores e dos profissionais no mesmo ritmo das vacinações.

Jean Philippe Pérol

 

 

 

 

 

 

O cuscuz norte africano no patrimônio da UNESCO

De Alter do Chão a São Paulo, , um desafiador “roadtrip” brasileiro

Os encontros inesperados da Transpantaneira

Na hora das viagens domésticos, do ecoturismo e do turismo transformacional, os “roadtrips” estão virando uma das novas tendências do turismo brasileiro. Enquanto os destinos internacionais demoram para se abrir, e que viajantes cautelosos querem fugir das aglomerações, das praias ou dos destinos  superlotados, é tempo de (re)lembrar que o Brasil têm estradas surpreendentes, hotéis e pousadas de qualidade espalhados em lugares inesperados, gentes acolhedores, roteiros infinitos, e belezas as vezes desconhecidas nos seus 74 parques naturais. E, num pais continente, porque não apostar que a BR163 ou a BR364 podem um dia virar tão famosas que a Road66 estado-unidense?

Na estrada de piçarra para Fordlândia

Mesmo para quem tem experiências amazônicas na Belem Brasília, na Manaus Porto Velho e na Macapá Caiena, uma viagem de carro em família de Santarem para São Paulo é um grande desafio.  Nessa área do Brasil muito falada e pouco conhecida, é melhor reconhecer o caminho antes de iniciar a viagem. Saindo de Alter do Chão com esposa e filha de cinco anos, a rota já efetuada sozinho na ida a semana anterior ajudou a  definir as grandes etapas bem como as atrações e os hotéis. Pela atratividade, a qualidade da hospedagem, e as distancias a percorrer, foram escolhidos Fordlândia, a Cachoeira do Curuá, o Pantanal mato grossense (para passar o Reveillon) e o Parque Nacional das Emas.

Em Fordlândia, as marcas do fracasso de Henry Ford

A 320 km de Alter do Chão (45km sendo de terra), Fordlândia carrega a memória do grande fracasso do Henry Ford.  Seu projeto era não somente a produção de borracha, mas também a implantação na Amazônia de uma cidade ideal desenhada nos Estados Unidos. Alem das lagartas e dos fungos que acabaram com as seringueiras, a incapacidade de entender as condições naturais e humanas da região explicam porque Ford mudou para Belterra a partir de 1934 e se retirou em 1945. Hoje o viajante é surpreso pela pequena vila, erroneamente chamada de cidade fantasma, suas casas, seus comércios, seu restaurante e suas pousadas. A emoção é mesmo marcante nos cais do Rio Tapajos, nos galpões de vidros quebrados, na famosa caixa d’agua, nas mansões abandonadas surgidas do Middle West americano, ou nas duas igrejas católica e presbiteriana.

No Curuá, três cachoeiras de até 90 metros de altura

Deixando os sonhos de Ford, o “roadtrip” segue um pequeno trecho na Transamazônica, parte da qual de piçarra, antes de voltar para BR163 cruzando os caminhões que levem a soja para Santarem. O desmatamento, até então de um lado só para respeitar a Floresta nacional do Tapajos, se extende agora dos dois lados do irregular asfalto da estrada, em maioria para criações de gado. Com poucas planícies, muitos igarapés e mata ainda presente, as paisagens seguem ainda muito amazônicos, pelo menos até Novo Progresso. É nessa cidade que começa hoje a transição para o cerrado e o encontro com os povoamentos gauchos e paranaenses que marcam toda a travessia do Mato Grosso. As últimas etapas no Pará, a Fazenda Borbulha e a Cachoeira do Curuá, são dois lugares de belezas naturais e diversões aquáticas já característicos dessa transição.

 

O tuiuiú, o pássaro emblemático do Pantanal

Depois de uma longa etapa marcada pelo impressionante dinamismo da cidade de Sinop e o horizonte infinito das fazendas de soja, o Pantanal mato-grossense era mais um bioma para descobrir nesse roadtrip, com promessa de encontrar os animais que fizeram a fama do ecoturismo local. A 120 km de Cuiabá, a pousada do rio Mutum junta uma perfeito localização com uma boa estrutura e um atendimento perfeito para uma descoberta da região seja de barco, de carro ou a cavalo. Os terríveis incêndios recentes provocaram muitos estragos na vegetação e na vida animal, mas mesmo assim as arvores estão mostrando sua força, e encontra-se capivaras, tamanduás bandeira, jacarés, tatus, macacos, jabutís e numerosos pássaros – incluindo o emblemático tuiuiú. A pousada serve também de hospital veterinário e virou um verdadeiro zoológico com antas, caititus, guaribas, araras, mutuns e papagaios, vários em semi liberdade.

A entrada do Parque nacional das Emas

O caminho para reencontrar a BR364 é um pouco complicado, e a linda MT30 se perde as vezes na imensidão dos campos de soja. Depois da junção, dos dois lados da estrada, o cerrado segue coberto de plantações somente interrompidas pelas paisagens deslumbrantes da Serra da Petrovina onde o viajante parece de repente mergulhar numa “Monument Valley” a brasileira, com seus mirantes de horizonte infinito,  seus morros achatados e seus paredões de terra vermelha. Com imigração recente do sul do Brasil e até do exterior, todas as cidades atravessadas parecem ter nascidas do soja e do milho. Assim é Chapadão do Sul, portão de entrada do Parque nacional das Emas. Mesmo tendo sofrido varias queimadas devastadoras nos últimos anos, o Parque abriga uma importante variedade de espécies endêmicas do cerrado, com emas, veados campeiros e tatus sempre visíveis durante as visitas.

Céu e soja, as duas imensidões do cerrado

Na BR163, na Transamazônica, na BR364 ou na Rodovia Euclides da Cunha, um “roadtrip” é muito mais que uns sucessivos trajetos em estradas de terra ou de asfalto. São emoções frente as paisagens e as belezas naturais que compõem os seis diferentes biomas brasileiros – sendo quatro atravessados nessa viagem. São encontros com os pioneiros que vivem e trabalham em lugares onde se defina o futuro do Brasil, são momentos fortes de intercâmbio com os familiares que participam de uma aventura transformacional que seguirá cada um dos participantes pelo resto da sua vida. Então, prontos para as experiências de um “roadtrip” em família?

Jean Philippe Pérol

Os 3766 km do roadtrip em família

As hospedagens utilizados e/ou recomendados durante essa viagem foram os seguintes:

Nas águas do Tapajos, frente a praia de Alter, um descanso antes de partir por terra

Os guias de turismo são atores chaves do sucesso de algumas visitas:

  • Jean Pierre Schwarz em Alter do Chão e Fordlandia
  • Rose Santos no Parque Nacional das Emas

Encontros com amigos são uns grandes momentos da viagem

Em Novo Progresso, a fotografa Claudia Ross nos recebeu em família e deu as dicas sobre a Fazenda Borbulha e a Cachoeira do Curuá

Occitânia, as viagens que fazem você crescer

Carcassone, um dos lugares mais emblemáticos da região

Sendo o catalizador de uma verdadeira revolução do turismo mundial, o Covid 21  está obrigando os destinos a ter criatividade para antecipar a mutação dos fluxos turísticos e se reposicionar frente a procura de novas experiências. Se destinos mais exclusivas, na Europa do Norte, no Pacífico ou no Caribe, são pioneiros na antecipação desse novo turismo, os lideres tradicionais não querem ficar de fora. Na França, a Occitânia – região de Toulouse, Lourdes e Carcassone – está  liderando o lançamento dessas ideias novas. Depois de mudar seu nome de “Comité regional de tourisme” para “Comité regional de turismo e lazeres”, dando um foco forte no turismo local e no doméstico, mostrou outras frentes criativas.

O “aligot”, prato tradicional disputado entre a Occitânia e a Auvergne

Se o tempo é de turismo de proximidade, a Occitânia não perdeu oportunidade enquanto se trata de se promover nos mercados distantes. Enquanto alguns (raros) países ainda não reconheceram a vitória de Biden, os dirigentes da região já mandaram para o futuro presidente dos Estados Unidos uma pequena cesta de recordações do terroir: sopa de “pistou”, “aligot” (purê de batata com queijo Cantal), flor de sal da Camargue, e, claro, o tão famoso Cassoulet -a feijoada francesa. As iguarias foram acompanhadas de uma carta de parabéns que destacava os produtos da região, solicitando isenções de taxa de importação e lembrando que os turistas americanos continuarão a ser muito bem vindos.

Lourdes continua sendo o segundo destino turístico da França

As novas viagens devem ter sentido, oferecer encontros e permitir descobertas, respeitando autenticidade e durabilidade  dos destinos. Dona de um patrimônio natural, cultural e humano excepcional, enriquecido desde os caminhos de Santiago e tendo em Lourdes a experiência do segundo destino turístico da França, a Occitânia notou que seus valores tradicionais – agora chamadas de “Occitalité”, misturando convivialidade, responsabilidade, generosidade, hospitalidade – respondem perfeitamente a essas novas tendências. Esse novo turismo é extremamente bem recebido pelos atores locais – moradores e profissionais – pelo seu impacto positivo sobre as oportunidades sociais, o desenvolvimento econômico ou a viabilização de projetos sustentáveis.

A nova proposta occitana: as viagens que fazem você crescer

Para colocar sua região no Top 10 dos destinos turísticos da Europa, os responsáveis da Occitânia apostam que esse conceito de “Occitalité” vai ajudar a diferenciar a sua oferta. Escolhendo como leme ” As viagens que fazem crescer”, mostra uma resposta a tendencia definida por um especialista como  “o fim do turismo e a volta das viagens”,  a nova procura de turismo transformacional. Uma experiência que vai fazer crescer o viajante pela espiritualidade sempre presente da região, pelo ritmo dos encontros, pela ética encontrada no respeito das culturas e da sustentabilidade. Com uma impressionante diversidade na sua oferta, espiritual, cultural, gastronômica, enoturísticas, nas praias, nas montanhas ou nas cidades, de carro, de bicicleta, de peniche ou a pé caminhando nas trilhas, essa experiência pode ser oferecida de forma personalizada para cada viajante.

Jean-Philippe Pérol

No vale do rio Dordogne, o requintado Chateau de la Treyne

Esse artigo foi redigido a partir de um comunicado de imprensa mandado por Jean Pinard, Diretor Geral do “Comité regional de turismo e lazeres” da região Occitânia

 

A guerra do 5G chega nos aeroportos

Fator chave da guerra comercial entre as super potencias do século XXI, o 5G já começou a mexer com todos os setores econômicos. Trazendo imensas opções de comunicação ilimitadas para os atores do transporte e do turismo internacional, oferece assim para os aeroportos a possibilidade de virar verdadeiras cidades inteligentes. Veículos, funcionários, maquinas e passageiros serão todos interligados para ser acompanhados em tempo real, facilitando processos e controles. As autoridades aeronáuticas estão porem cautelosas, e um relatório da Direção da Aviação Civil da França enfureceu há duas semanas as operadoras telefônicas depois de levantar suspeitas sobre um risco trazido pelas antenas 5G.

As autoridades francesas estão cautelosas com as antenas 5G

Retomando acusações publicadas há dois meses num  relatório  americano, o comunicado das autoridades francesas afirma que a banda hertziana utilizada pelo 5G levanta um risco importante para o funcionamento dos radio altímetros dos aviões, aparelhos de bordo medindo as distâncias em relação ao solo que precisam dessa mesma frequências. Sem levar em consideração as prováveis dimensões políticas do relatório americano cujas empresas precisam de tempo para recuperar seu atraso tecnológico em relação a Europa e a China, foram assim pedidos mais análises técnicas, atrasando assim as autorizações das instalações das necessárias antenas.

O Brasil quer a maior concorrência entre os 4 grandes da 5G

A preocupação das operadoras telefônicas francesas vão alem dos aeroportos. Avisaram que a posição das autoridades  pode não somente prejudicar a chegada de novas tecnologias nos aeroportos, mas também impedir o acesso ao 5G das áreas urbanas próximas. Segundo um especialista, “as precauções são legitimas, mas 7% da população mundial já vive com o 5G, e nunca teve nenhum problema com os aviões. O maior risco, com essas dúvidas, é de ver as teorias complotistas, alimentadas pelo concorrência e por setores políticos extremos,  voltar com mais força. “Cientes do problema, as autoridades lembram que 96% das antenas necessárias a nível nacional já foram autorizadas e que uma solução para os aeroportos vai com certeza ser encontrada, assim como já foi na Alemanha.

Helsinki foi o primeiro aeroporto a ficar pronto para 5G

Quem quer que seja o vencedor da guerra tecnológica, as novas exigências operacionais e securitárias dos aeroportos vão precisar do 5G. Não terá mais cartão de embarque, mas câmeras com reconhecimento facial, as informações  poderão ser mandadas para cada passageiro de forma individualizada. Os tempos de espera e as filas nos controles – de policia, saúde, alfândega ou segurança- devem também ser muito reduzidos com os projetos de “One ID” com informações biométricas divididas entre os vários países do itinerário do viajante . Em Helsinki, Bruxelas, Londres, Bangkok, ou em Seul- pioneira nesse setor-, os aeroportos está trabalhando nesse sentido, aproveitando os recursos do 5G para melhorar a qualidade da experiência do passageiro bem como a segurança de todos.

O aeroporto de Seul é um pioneiro da tecnologia “One ID”

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista francesa profissional on-line Mister Travel

Giscard em Manaus, 8 horas para uma visão da Amazônia

 

O  casal presidencial recebido pelo governador Enoch Reis, na fila o Jean Philippe Pérol

Presidente da França de 1974 a 1981, Valery Giscard d’Estaing foi o primeiro dirigente francês a visitar a Amazônia. Numa viagem rápida de 4 dias, ele fez questão de passar oito horas em Manaus para uma visão relâmpago dessa região que já era, com a Transamazônica, a Zona Franca, e os grandes projetos desenvolvimentistas (“Desenvolver para não devolver”, “Integrar para não entregar”), nos focos da atualidade no Brasil e no mundo. Passando por cima do pouco entusiasmo dos seus anfitriões do Rio, São e Brasília, e seguindo os conselhos do seu amigo Michel Poniatowski que tinha visitado a cidade no ano anterior com o agente consular e diretor local da Air France, o Presidente chegou no aeroporto numa manhã de Outubro de 1978.

Nas redes dos amigos da Polícia Federal, a fauna da Amazônia

A preparação da sua viagem não tinha sido muito conforme ao protocolo tradicional. Fora o encontro com o então governador Enoch Reis e a visita da cidade,  toda organização tinha sido confiada ao jovem agente consular da França que tinha proposto um almoço com a pequena comunidade francesa no hotel Tropical, seguido de um passeio no lago Mamori, com três pontos fortes: pescaria, seringueiras e castanhais. O almoço foi descontraído, com todos os pesos pesados do governo que acompanhavam o presidente – Simone Veil, Alain Peyrefitte et Jean François Deniau-, conversando livremente. Cortês, mas sempre distante, Giscard só precisou de um rápido briefing do agente consular para fazer um brilhante discurso sobre as relações franco brasileiras e o exaltante futuro da Amazônia.

No seringal do Girão, o Giscard se impressionou com a história da borracha

Foi no Mamori que o Giscard teve suas maiores emoções. Os cenários foram preparados  com a ajuda de alguns empresários manauara – Fernando Duque levando o presidente-, da polícia federal, da aeronáutica e da equipe da Air France de Manaus – reforçada pelo Gilles Saint Exupéry. Tinham como destaques uma puxada de rede – onde tinham sido pendurados alguns minutos antes um tucunaré, um jacaré e uma tartaruga -, bem como a visita de um seringal onde o presidente ficou impressionado com a história da borracha e as terríveis condições de vida dos homens que escreveram essa epopéia. Na saída da mata, Giscard não esqueceu a elegância e pediu para o coronel que o acompanhava de lhe trocar os sapatos antes de entrar no helicóptero que o levou de volta para Manaus.

A volta de helicóptero, com um tucunaré presenteado pelo Saint Exupéry

A viagem de Giscard faz parte hoje da história de Manaus – o presidente francês foi um dos poucos líderes mundiais que afirmou na cidade a sua crença no desenvolvimento da Amazônia. Algumas perguntas ou fakenews cercaram essa viagem histórica. Não chegou de Concorde, mas foi embora no Jumbo da Air France que pousava nessa época duas vezes por semana na capital do Amazonas. A visita do Mamori não foi acompanhada pelo governador, a mais alta autoridade presente foi o Major Brigadeiro Protásio que emprestou helicópteros e hidravião para a operação. Enfim os filhos do Giscard não participaram da viagem, mas na primeira lista protocolar constava os nomes de três deles, inclusive do Henry que hoje lidera o Club Mediterranée. Se tivesse vindo, quem sabe se a visita relâmpago do Presidente francês teria impactada mais ainda o turismo na Amazônia?

Jean Philippe Pérol

Henri Giscard d’Estaing no Lake Paradise com Caroline Putnoki, Janick Daudet e Jean Philippe Pérol

Sem seu fundador, um novo futuro para a magia do Cirque du Soleil?

Zumanity foi visto por 7 milhões de espectadores em Nova Iorque e Las Vegas

 Mesmo com um apoio emergencial do governo do Quebec de USD 200 milhões, e um acordo dos principais acionistas americanos, chineses e quebequenses, o Cirque du Soleil beirou esse mês sua falência ou sua ida para leilão. Sem receitas desde o início da crise do Covid que levou a cancelar todos os seus espetáculos no mundo inteiro, a empresa fundada pelo emblemático Guy Laliberté, que revolucionou e até recriou o circo contemporâneo, já acumulou esse ano quase um bilhão de USD de dívidas, e despediu 3500 colaboradores. Sem nenhuma previsão de reinício das suas atividades, até o famosíssimo Zumanity de Las Vegas, já aplaudido há 17 anos por mais de 7 milhões de espectadores, foi definitivamente encerrado.

O famoso sapato de palhaço frente a sede

Desde o início da crise, vários cenários de recuperação do Cirque du Soleil já foram ensaiados, um deles liderado pelo proprio Laliberté que se mostrava disposto a voltar na empresa que ele fundou há mais de 36 anos mas que tinha deixado definitivamente em janeiro desse ano quando tinha vendido as suas últimas ações. Apoiado pelo governo do Quebec, esse acordo ia ser um garantia da permanência da sede do Cirque du Soleil em Montreal bem como da recontratação dos milhares de funcionários demitidos, manteria os quebequenses no comando e permitiria que o Guy Laliberté ajudasse a encontrar novidades criativas para os espetáculos do mundo pós-crise. Com a chegada no capital de um novo ator, o fundo Catalyst de Toronto, foi escolhido um novo caminho.

O Quebec apoio a tentativa de Guy Laliberté de recompra do Cirque

Anunciando a saída da recuperação judicial, os novos donos anunciaram o início de uma nova história . Quatro fundos de investimentos – Catalyst Capital de Toronto junto com os americanos  Sound Point Capital, CBAM Partners e Benefit Street Partners – estão agora controlando o conselho de administração onde somente dois quebequenses vão lembrar o passado do Cirque du Soleil. Os novos acionistas falaram que sua presença no Quebec está garantida pelo menos por cinco anos, mas  recusaram qualquer ajuda financeira do governo e o CEO  Daniel Lamarre, quis também deixar claro que Guy Laliberté, mesmo sendo um amigo pessoal, não teria mais nenhum papel na estratégia ou nas operações da empresa.

Com um dos co-presidentes do conselho e um conselheiro, a MGM deve ter um papel importante no futuro do Cirque du Soleil. Parceiro de longa data nos seus hotéis de Las Vegas, onde espetáculos como O ou Ka  geravam a metade dos lucros da empresa de Montreal, o peso pesado americano do divertimento mundial deve assim ser um dos primeiros beneficiados tanto pela prioridade na reabertura das atividades, que pelo  acesso a novos espetáculos – um ou dois segundo Daniel Lamarre- que foram anunciados para 2021. Enquanto a inauguração do já programado Sous un même ciel, que era previsto em abril em Montreal, deve ser em breve confirmado para julho.

Nos projetos do Guy Laliberté -aqui Nukutepipi-, turismo, culture e exclusividade

Se o Cirque du Soleil parece ter garantido seu futuro próximo, várias perguntas ainda deve ser respondidas. O público espera saber se os novos espetáculos vão conseguir responder com criatividade ao desgate do tempo e as profundas mudanças aparecidas durante a crise. Os quebequenses querem ter a certeza que a sede de Montreal será mantida e que  os artistas continuarão a contribuir ao excepcional ambiente de criação cultural que a cidade oferece. Os fãs da epopéia mágica escrita pelo Guy Laliberté vão torcer pelo sucesso mas também seguir os novos lances da sua empresa Lune rouge na cultura, no “entertainment” ou no turismo, as três paixões que convergiram há 36 anos para inventar o Cirque du Soleil. E esse terá que enfrentar a difícil tarefa de superar a saída do seu fundador.

Jean-Philippe Pérol

AmaLuna foi um dos sucessos do Cirque du Soleil no Brasil

 

Caribe Amazônico: ninguém vai acreditar!

No Rio Tapajós, praias de cair o queixo! Credito imagem Claudia Buss

Alguns anos atrás, querendo mudar a sua imagem carregada dos sofrimentos do famoso “Papillon” imortalizado pelo Steve McQueen, a Guiana Francesa lançou uma campanha cujo lema era “Ninguém vai acreditar”. Os visuais mostravam como era possível, na Amazônia francesa, andar de canoa numa correnteza, caminhar no meio duma imensidão verde, beijar um filhote de jacaré, seguir os passos de uma tartaruga na praia ou dormir olhando para um céu estrelado. Aquém do Oiapoque, seria mesmo possível de pegar o mesmo lema, adicionando ainda muitas experiências que só podem ser vividas nos rios, nas matas, nas praias, nas cidades ou nas comunidades da Amazônia brasileira.

÷ A Guiana francesa  já apostou nas inacreditáveis experiências amazônicas

Na Amazônia brasileira, algumas das mais inacreditáveis experiências podem ser vividas na região de Alter do Chão, nas águas do rio Tapajós e dos seus afluentes, ou nas florestas preservadas – parques naturais, reservas extrativistas, reservas indígenas, ou terras quilombolas –  que tocam as suas margens e seus arredores. A imensidão desses rios é sem dúvida a maior especificidade amazônica, oferecendo a oportunidade de chegar a pontos mais exclusivos, de desfrutar de paisagens mágicos e de chegar as comunidades mais distantes para intercambiar com os moradores sobre a sua cultura, o seu artesanato, a sua culinária ou simplesmente descobrir o modo de vida desse Brasil tão peculiar. 

Batismo no encontro das águas, o grupo em volta das madrinhas do Dolphin . Credito imagem Claudia Buss

Ninguém vai acreditar que nesses rios podem agora encontrar o conforto e até o luxo de dois barcos de turismo, mas é porém a oferta feita pela Amazon Rio Negro em parceria com a Turismo Consciente. O Belle Amazon, há dois anos navegando no Tapajós, ganhou agora uma irmão maior. No dia 2 de Novembro, no encontro das águas azuis do Tapajós e das águas barrentas do Amazonas, as madrinhas Andrea Delfino e Caroline Putnoki batizaram o todo reformado Amazon Dolphin com a tradicional explosão de uma garrafa de Chandon e os aplausos de participantes dentre dos quais o empresário Raimundo Delfino, amigo e compadre, o Laurent Suaudeau, chef e consultor gastronômico, e o Ruy Tone da Turismo Consciente. 

Dá para acreditar? Credito imagem Claudia Buss

O que ninguém mesmo vai acreditar sobre esse Caribe da Amazônia, são as praias exclusivas, de águas translúcidas, azuis ou alaranjadas, mas sempre de areia branca, onde o Amazon Dolphin pode agora levar os visitantes. Para relaxar depois de percorrer uma trilha ou de visitar uma comunidade, para desfrutar do sol e da água quente olhando os seus filhos brincar, ou para tomar um aperitivo servido junto com bolinhos de piracuí ou macaxeira frita, o comandante vai saber escolher o ponto certo para atracar e aproveitar o serviço atencioso e eficiente da equipe de bordo. E, acredite ou não, cada refeição é a ocasião de provar e harmonizar um prato da prestigiosa cozinha paraense, porque não um pato no tucupí com um Pinot noir de Provence?

Jean Philippe Pérol

 

Os 36 metros e as 12 cabines de charme e conforto do Amazon Dolphin Credito imagem Claudia Buss