Montreal, o sucesso da “turismofilia”

Montreal é líder no relacionamento entre moradores e turistas

Enquanto  a temporada de verão de muitas grandes cidades da Europa e do hemisfério Norte foi marcada pelas preocupações com o overturismo, os responsáveis do turismo de Montreal, no Canadá, podem se orgulhar de um balanço 2024 muito positivo. A metrópole quebequense  está seduzindo ainda mais visitantes sem que isso gera muitos atritos com os residentes. Os primeiros números mostraram um crescimento de 4,8% dos visitantes, com um destaque especial para os turistas provenientes dos Estados Unidos (+7,8%) et da França (+3,3%). As maiores atrações foram mais uma vez os grandes festivais culturais, como o Festival de música ao ar livre Osheagá que atraiu quase 150.000 pessoas ou o Final de semana IGA, focado nas famílias, que levou no estádio 68.000 amadores de tênis.

O Festival Osheaga é um dos grandes momentos do verão montrealense

O apoio dos residentes foi importante para este sucesso, assim que foi demonstrado na recente pesquisa realizada pelos serviços de Montreal turismo, seguido o modelo do Resident Sentiment Index da Organização Mundial do Tourisme (ONU Turismo). Realizada pelo segundo ano consecutivo, a pesquisa compara as percepções dos moradores em 13 cidades do mundo ( Barcelona, BerlimBordeauxChicago, Copenhague, Londres, LyonParis, Philadelphia, Québec, TorontoVancouverWashington). Com 30 critérios, são assim estimados os impactos do turismo sobre a economia local, a proteção do meio ambiente, a limpeza das ruas, a animação dos bairros e o desenvolvimento das infraestruturas.

Montreal deve receber mais de 10 milhões de turistas em 2024

Todos os indicadores da pesquisa mostram que os montrealenses sao mais favoráveis ao atendimento dos turistas que os moradores das outras cidades globais. 84% são orgulhosos de receber visitantes internacionais, 7% a mais que a media mundial, 71% estão prontos a receber mais turistas no futuro, 7% a mais que a media, e somente 4% tendo um sentimento de “turistofobia” em relação aos visitantes (1% a menos que a media). Os moradores são 74% a julgar que o setor tem um impacto positivo sobre a qualidade de vida  através da oferta de atividades culturais ou de lazer. Talvez por essa razão, 75% deles são também convencidos que eles participam desse sucesso como verdadeiros embaixadores do turismo  da cidade.

Montreal trabalha também sua atratividade no inverno

Para o presidente de Montreal turismo, Yves Lalumière, os habitantes são mesmo a cara da cidade, um fator essencial da estratégia de destino acolhedor, harmonioso e sustentável. Por isso é importante de sempre manter o diálogo, de valorizar o papel de cada um na experiência dos visitantes, e de insistir nos benefícios trazidos pelos fluxos de turistas  enquanto muitas outras cidades enfrentem desafios de overturismo. A pesquisa ajuda também a lembrar a todos que o turismo é um fator de atratividade, ajudando a trazer investimentos, talentos, ideias e inovações  para melhorar a cidade e a qualidade de vida a seus moradores.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original da revista francesa profissional on-line Mister Travel  

De Veneza a Reykjavik, prevenir a turismofobia melhorando a experiência turística

Veneza tentando conciliar turistas e moradores

Veneza tentando conciliar turistas e moradores

Com mais de 1,2 bilhão de turistas internacionais, o turismo de massa preocupa cada vez mais os moradores dos grandes destinos. Vendo os transtornos trazidos pela surpopulação, autoridades, jornalistas e influenciadores concordam em por a culpa dos transtornos nos próprios viajantes. A estigmatização do turista é uma velha e arrogante tradição aristocrática  do século XIX quando alguns “happy few”, já na época, não aguentavam dividir os monumentos de  Atenas e Roma, os beira mares de Nice e Biarritz, ou os artesanatos de Istambul, com os primeiros seguidores de Thomas Cook. Mas, mesmo se rejeitado até pelos seus pares, deve se reconhecer que o turista nem sempre respeita os moradores, os costumes do local, ou até regras básicas de convivência social ou de proteção do meio ambiente. Virou assim urgente de encontrar soluções para lutar contra a irresponsabilidade e os excessos, sem prejudicar as atividades econômicas nem atrapalhar a convivialidade e a liberdade de viver que os turistas procuram.

Os conselhos da China a  seus turistas antes deles viajar

Preocupando os destinos turísticos, o bom comportamento dos viajantes é também uma preocupação de alguns países emissores que temem que atitudes inadequadas prejudicam a sua imagem. Líder mundial com mais de 110 milhões de turistas, quase todos primeiro-viajantes, a China publicou em 2013  um “Guia do turismo civilizado” com conselhos a seguir, incluindo 64 paginas de recomendações (as vezes surpreendentes) como por exemplo não fazer barulho quando bebe, não limpar o nariz com os dedos, não subir em pé nos toaletes, não levar os coletes salva vidas dos aviões ou não importunar os moradores. Alguns conselhos eram específicos para certos destinos: não estalar os dedos para chamar o garçom na Alemanha, não oferecer flores amarelas na França, não falar da realeza na Tailândia ou não tocar as pessoas com a mão esquerda na Índia. O mau comportamento podendo levar a entrar numa lista negra de pessoas proibidas de viajar, é provável que essa recomendações, por esdrúxulas que sejam, foram seguidas, e devem ter contribuídas a evitar abusos.

O juramento islandês

Destino de sucesso que viu suas chegadas de turistas quintuplicar, mas preocupada com o impacto sobre o meio ambiente e a vida social, a Islândia lançou em julho desse ano um juramento de bom comportamento que os candidatos a turista são incentivado a fazer. “The Icelandic Pledge”, que pode ser encontrado e assinado on-line no site, é um compromisso moral do visitante com 8 clausulas de respeito ao meio ambiente e as regras de segurança: ser um turista eco-responsável, respeitar as regras de transito e de estacionamento, deixar os lugares limpos, não sair dos caminhos autorizados e cuidar com a meteorologia. Mesmo não sendo obrigatório, o juramento já foi assinado por 30.000 pessoas. Para a ministra do turismo da Islândia, “os turistas querem mesmo ser responsáveis, mas nem sabem sempre o que isso significa em termos de comportamento”. O sucesso da campanha foi de lembrar, de maneira cordial e humorística, algumas regras básicas, e de mostrar  que esse respeito era uma forma de integrar a cultura local e de ajudar o relacionamento com os moradores,

 

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi inspirado de um artigo de Josette Sicsic na revista profissional online Tourmag