No castelo de Thoiry, nobreza e criatividade até no zoológico

A magia do solstício de verão no castelo de Thoiry

Ser o herdeiro de um castelo é um sonho que fascina, mas pode virar uma grande dor de cabeça quando a sua manutenção chega a custar centenas de milhares de euros . Foi assim para o Conde Paul de la Panouse, que teve em 1965, aos 21 anos, que encontrar meios de financiar o castelo de Thoiry, pertencendo a sua família há 400 anos. Começou recebendo visitantes, mas teve en seguido a ideia de aproveitar o parque de 40 hectares para abrir um zoológico. Com a ajuda de um amigo diretor de circo, arrumou os espaços, comprou um elefante, alguns ursos e duzentos animais vindo da África. Em maio de 1968, enquanto os estudantes parisienses construíam suas barricadas, os primeiros turistas descobriam a “Reserva africana de Thoiry”.

Os ursos são a grande atração das noites nas tocas

O impressionante sucesso – 500.000 visitantes em 2019 para encontrar os 750 animais espalhados em 400 hectares -, é sem dúvidas o fruto das inovações que o Conde e sua esposa, Anabelle, sempre trouxeram para o parque: jantar dos leões,  abertura no inverno, caminhão-seva, festival das luzes selvagens, túnel dos tigres, tirolesa dos leões, Safari Air Park, ou Wild Forest. Essa criatividade não parou com a crise. Procurando experiências exclusivas, Thoiry está programando a abertura en maio das “tocas de Thoiry”, vinte bangalós, palafitas escondidas onde os hóspedes poderão deitar olhando a vida noturna dos ursos e dos bisões, e serão acordados pelos rugidos dos leões, os berros dos elefantes ou os uivos dos lobos em liberdade.

Os bangalós são simples, sem calefação ou ar condicionado mas com cama king size e banheiro completo, e janelas especiais para poder observar os animais com a devida discrição. Reservar uma toca dá também direito a uma programação privilegiada. O visitante é recebido por um guia que entrega o equipamento  de sobrevivência, lanternas, binóculos, aparelhos de visão noturna necessários para aproximar-se dos animais. Depois de uma visita exclusiva do parque, é hora do churrasco e, de volta no bangaló, de aproveitar o concerto mágico dos gritos e barulhos próprios a cada espécie presente no zoológico.  E acordando cedo, é possível ainda de aproveitar para se despedir dos seus animais favoritos antes da abertura aos outros visitantes.

História e genealogia, as outras paixões do Conde de la Panouse

Se o sucesso de Thoiry veio pelo parque, não se deve esquecer o castelo, ainda habitado pela família. Construído a partir de 1559, suas dimensões seguem o numéro de ouro utilizado nas pirâmides, en harmonia com os ciclos solares , a sala central marcando os solstícios de inverno e de verão. Tendo ficado na mesma familia desde 1612, Thoiry abriga uma excepcional coleção de arquivos que Paul de la Panouse mostra com muito orgulho. São milhares de documentos lembrando uma impressionante genealogia, onde constam o rei Luis XV, um deputado da Revolução e um calife de Cordoba , bem como milhares de livros alimentado sua paixão pela leitura. A sua segunda paixão talvez, sendo a primeira esse excepcional parque que ele construi com ousadia e criatividade, e onde ele gosta de caminhar olhando os animais, conversando com uma familia e até servindo como guia de um grupo de visitantes que terão vivido uma excepcional experiência.

Jean-Philippe Pérol

Castelo, parque -e nobreza- são um assunto de familia juntando o Conde, sua esposa Annabelle, e a nova geração agora no comando

Não faltam hospedes brasileiros no parque!

Capivara com filhote

Tamanduá bandeira

Mico leão

O ‘Val de Loire’ da Joana d’Arc até o Saumur Champigny

Linda promoção da Atout France essa semana em São Paulo, BH e no Rio, apresentando para o trade as novidades da região do Vale do Loire, o pais dos castelos. Quando criança, foi a única viagem de turismo que meu pai organizou para nos na França. Uma viagem aonde ele foi um guia muito atento contando as historias de Joana d’Arc liberando Orleans do cerco inglês, mostrando a gloria dos reis da França através de Chenonceau, Chambord ou Azay-le-Rideau.

Enquanto Isabelle Scipion, do Comité do Turismo, passava as imagens da atualidade eu ficava pensando nos meus próprios imperdiveis: primeiro, Chenonceau – o castelo ponte e suas tres damas brigando por amores reais – mas tambem Cheverny –  o Moulinsart do Tintim – ou as casas trogloditas de Saumur.

Lindos passeios de caro, ou melhor ainda, de bicicleta, para assim aproveitar os meus vinhos favoritos: o Saumur Champigny, um tinto alegre com base de uva gamay, ou Vouvray branco (o mais famoso é o espumante mas eu gosto mais do tranquilo).

Em familia ou namorando, o Vale do Loire é mesmo a “Douce France”.

Jean-Philippe Pérol

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