Barcelona cansada do turismo?

A Sagrada Familia

A Sagrada Familia

A nova prefeita de Barcelona, Ada Colau, deve apresentar nas próximas semanas um projeto de “des-crescimento turistico”, parte do programa que a ajudou a ser eleita nas eleições de 2015. Pode parecer estranho numa cidade que é considerado um exemplo-mor do turismo internacional, um modelo de estratégia de desenvolvimento que começou com os J.O. de 1992, atraindo hoje 29 milhões de turistas e sustentando 160.000 empregos, 14% do seu PIB, mas a capital catalã parece hoje vitima do seu sucesso. E um sucesso que deve ainda se ampliar com novas oportunidades trazidas pelas companhias low cost, e pelos cruzeiros atraídos pelo terminal marítimo onde quase 3 milhões de passageiros devem chegar esse ano.

"Turisme és misèria" nas paredes de Barcelona

“Turisme és misèria” nas paredes de Barcelona

Mas, desde 2014, os moradores, os comerciantes e as associações de bairros (El Raval, Barceloneta ou Barri Gotic) se queixavam do disparo dos alugueis, da transformação de mais de 30.000 apartamentos em residência de turismo, da inflação da alimentação, da saturação dos transportes coletivos, das brigas noturnas, e do congestionamento dos lugares turísticos nos arredores da Rambla, da Sagrada Familia ou do Parque Guell. Nas ruas do centro, e até no famoso mercado La Boqueria, os comercios tradicionais – a vida e a alma da cidade – estariam se transformando em lojas de souvenirs, em fast-food, em locadoras de bicicletas ou em discotecas para « turismo de borrachera ».

A Rambla durante o mês de Agosto

A Rambla durante o mês de Agosto

Querendo preservar a identidade de Barcelona, capital do Mediterrâneo da festa, do sol, da praia e da vida cultural, a prefeita já suspendeu 38 projetos hoteleiros – inclusive um Four Seasons -, mandou controlar a legalidade dos alugueis de apartamentos e multou a AirBnb. No seu projeto final, a cidade terá o zoneamento em três áreas, reduzindo a oferta de apartamentos na cidade velha, bloqueando o crescimento nos bairros da Sagrada Família e da Vila Olímpia, e autorizando de forma controlado o desenvolvimento na periferia. Esta sendo também estudada uma taxa especial para os cruzeiristas cujas receitas, juntas com as outras taxas turísticas, seriam agora utilizadas não mais para promoção mas exclusivamente para melhorias das infra-estruturas.

O Parque Guell, escolhido por 2,6 milhões de visitantes

O Parque Guell que atrai 2,6 milhões de visitantes

Barcelona vai  dar uma importante virada em direção a um turismo sustentável, mais em fase com os seus moradores. Mas as decisões que serão tomadas pela perfeita, os vereadores, o Consorcio Turismo Barcelona e o recém criado Conselho municipal do turismo (onde encontram-se moradores, ecologistas, hoteleiros e comerciantes) deverão respeitar duas considerações. A primeira é a importância do turismo como primeira atividade econômica da cidade, tanto nos hotéis que conseguem agora manter uma taxa anual de ocupação de 85%, no porto que recebe 750 escales de 40 navios gerando 400 milhões de euros de receitas, que nos milhares de restaurantes ou de comércios. Mas esse sucesso, especialmente junto aos “melhores” turistas, só poderá perdurar se a cidade guardar as suas características, preservar o seu patrimônio e seu modo de viver, respeitar a diversidade dos seus bairros, aproveitar os seus comércios e suas animações genuínas, e acima de tudo, continuar com a participação e o carinho dos seus moradores.

A animação do mercado La Boqueria

Barcelona vai sem duvidas contribuir a inventar um novo turismo urbano mais sustentável e mais respeitoso do jeito de viver dos seus habitantes. A capital catalã está sendo seguindo com muita atenção  por cidades como Amsterdã, Bruges, Berlim, Roma, Lisboa ou até Veneza. Todas elas querem também seguir um caminho combinando, de um lado, o sucesso económico, e , do outro, o bem estar dos moradores cuja felicidade é , cada vez mais, um componente chave de um destino turístico bem sucedido.

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog  “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

Por do Sol em Barcelona

Por do Sol em Barcelona

No Japão, um projeto para reinventar Airbnb?

O projeto de casa coletiva de Yoshino

Imagem do projeto inovador da Airbnb em  Yoshino

No que parece ser uma grande virada estratégica, Airbnb, o gigante da economia colaborativa, está lançando o projeto “Samara”, a construção de um centro de hospedagem na pequena cidade de Yoshino,  a 500 quilômetros  de Tóquio mas somente 60 quilômetros  de Osaka. Esse primeiro alojamento, que esta programado para abrir em outubro desse ano, vai ser um espaço coletivo aonde os visitantes poderão se hospedar, um  ponto de encontro e de integração social onde os moradores poderão passear. Apoiado pela prefeitura que ofereceu o terreno, o projeto quer contribuir para o crescimento econômico,  ampliando a oferta turística dessa região conhecida pelas suas flores de cerejeiras e suas florestas de cedros, mas com pouca infraestrutura hoteleira, contribuindo para o desenvolvimento econômico.

O interior do Casa das Cedras do arquiteto

O interior da Casa dos Cedros, do arquiteto Go Hasegawa. 

Concebida em colaboração com o arquiteto japonês Go Hasegawa, a “Casa dos cedros” quer ir alem dos conceitos de hospedes, empregados, vizinhos ou proprietários. Ela foi desenhada em primeiro lugar para a vila de Yoshino e para os seus moradores, escolhendo para cada detalhe da sua estrutura as necessidades da comunidade e o respeito das suas tradições. Assim se explicam a grande mesa para o jantar comunitário,  as vigas e as tábuas de cedro vindo das florestas dos arredores, ou os peixes ornamentais trazidos dos rios do município.   Os hospedes poderão fazer as suas reservas para o Yoshino  Cedar House na Airbnb, mas deverão viver essa experiência com os moradores que assegurarão os serviços. As receitas serão também creditadas para a comunidade.

Os banheiros da Casa dos Cedros

Os banheiros no estilo tradicional

O projeto inovador da Airbnb foi muito bem recebido no Japão, um pais com falta de hotéis tradicionais para receber turistas nacionais e internacionais cada vez mais numerosos ( 28% de crescimento esse ano), e que tem agora o objetivo de de receber 40 milhões de turistas para 2020. Antes mesmo da inauguração dessa primeiro Casa, a Airbnb já anunciou que está estudando projetos parecidos em vários países do mundo, na Inglaterra, na Korea, na Espanha, na Itália e na França. Enquanto o crescimento da empresa parece hoje sofrer de reações negativas de residentes e autoridades de grandes cidades, esse projeto “Samara” abre novas perspectivas, criando um estoque de apartamentos proprios e ajudando a revigorar  pequenas comunidades rurais com um turismo respeitando o meio ambiente e as tradições culturais dos moradores. Bem sucedida, a experiência de Yoshino poderá também ajudar a Airbnb  a se reposicionar ou até a se reinventar.

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Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo de Charlotte Herrero no jornal francês Le Figaro on line 

 

 

Quem ganhou o UEFA Euro 2016 (alem do Portugal, claro)?

Duas Tour Eiffel com as cores dos dois finalistas do Euro 2016

Duas “Tour Eiffel” com as cores dos dois finalistas do Euro 2016

Se o Portugal foi o grande e merecido vencedor do Euro 2016, os troféus dos maiores retornos econômicos serão muito mais difíceis de definir. Com um investimento publico de quase 2,0 bilhão de Euros, principalmente gastos na renovação dos dez estádios, governo federal, regiões e municípios terão que mostrar aos moradores que as melhorias nas infra-estruturas urbanas, as despesas locais dos organizadores e dos torcedores, e os ganhos em termo de imagem para cada uma das cidades-sede justificaram o dinheiro investido.  O balanço final demorará alguns meses, e relançará a polêmica sobre o custo dos grandes eventos internacionais, mas os primeiros dados já apontam para alguns vencedores.

Toulouse nas cores do Euro 2016

Toulouse na hora do Euro 2016

Os hotéis e os restaurantes foram claramente os mais beneficiados, e o Euro 2016 ajudou a recuperar um setor que esta sofrendo esse ano das consequências da conjuntura internacional, dos atentados, das greves e do mau tempo. Os profissionais são porem muito divididos. LensDe um lado fiquem os parisienses para os quais o Euro 2016 ajudou somente em termos, já que os torcedores afugentaram boa parte dos clientes tradicionais e que a concorrência da Airbnb foi muito prejudicial, deixando as preços por quarto ainda 12% abaixo do nível do ano passado. Nas outras cidades, o impacto foi muito positivo, seja em Toulouse ou Marselha pelas boas receitas, seja em Lens, Lille, Nice ou Bordeaux pelo excepcional crescimento (mais de 20%) dos fluxos turísticos.

A Fan Zone de Lyon, na Praça Bellecour

A Fan Zone de Lyon, na Praça Bellecour

Alem da hotelaria, outros setores do turismo aproveitaram o Euro 2016. Para os bares e restaurantes, Pizza Hut anunciou ter vendido 600.000 pizzas -20% a mais que o ano passado, e seu concorrente Domino’s Pizza chegou a 130.000 encomendas – um novo recorde- na noite da final França Portugal. As cervejarias ainda não publicaram números mas já anunciaram que os torcedores alemães, britânicos ou irlandeses , Os animados torcedores irlandesescom um consumo três ou quatro vezes superiores aos franceses, permitiram um forte crescimento das vendas. Para as transportadores, o Euro foi também uma grande oportunidade e a SNCF (a empresa estatal de trens representada no Brasil pela Rail Europe) registrou uma media de 14.000 passageiros por jogo. O numero de viagens para Marselha cresceu 56%, para Nice 58%, e a cidade de Lens sendo a recordista com um fluxo de passageiros multiplicado por sete em relação a 2015. Os taxis também aproveitaram, bem como seus concorrentes da Uber  que registraram crescimentos de 10 a 20%.

O Euro 2016 invadindo o varejo

O Euro 2016 invadindo o varejo

Outros setores da economia francesa aproveitaram o Euro 2016, as vendas de televisores das lojas Darty aumentaram de 50% e as vendas de material esportivo da Intersport de 6,4%, com um destaque para 50.000 camisetas oficiais do time francês. Os 5000 produtos labelizados pela UEFA somaram 500 milhões de Euros de vendas em roupas, brinquedos, presentes ou produtos alimentares. 2009792_les-produits-derives-de-leuro-sarrachent-aupres-des-fans-web-tete-0211065156726Mesmo assim, os economistas não esperam de imediato um impacto significativo sobre a economia francesa, e os  2,8 bilhões de Euros que foram anunciados deverão ser amplamente corrigidos tanto pelos efeitos sazonais que pelos efeitos negativos sobre os visitantes que não vieram, fugindo de multidões. Como sempre nos grandes eventos, o retorno poderá porem ser muito importante a médio e longo prazo. Sabendo aproveitar o impulso nas infraestruturas, a mobilização dos moradores e o rejuvenescimento da imagem da França bem como das dez cidades envolvidas nos jogos, o turismo pode ser o grande vencedor do UEFA Euro 2016.

Jean-Philippe Pérol

Festa de abertura do UEFA Euro 2016

Festa de abertura do UEFA Euro 2016

Esse artigo foi publicado na revista on-line de Mercados e Eventos no dia 18 de Julho 2016

Hoteleiros x Airbnb: depois dos Jogos, concorrentes ou complementares?

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A praia de Ipanema

Quarta cidade do mundo, atrás de Paris, Nova Iorque e Londres pelo número de quartos cadastrados na Airbnb, Rio de Janeiro preocupou o setor hoteleiro brasileiro assinando um espetacular acordo de colaboração com a controvertida empresa de hospedagem colaborativo para o período  dos Jogos Olímpicos. Rio OlimpicoJustamente preocupados com a desigualdade tributaria ou as diferencias nas garantias dadas aos hospedes, a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih) denunciou o impacto desses 25.000 quartos na ocupação hoteleira da capital carioca. A preocupação dos profissionais ficou ainda maior pensando no futuro pós olímpico. O setor vai não somente ter que enfrentar a concorrência dos 25.000 quartos da Airbnb, mas também a explosão da oferta dos hotéis construídos no embalo dos Jogos Olímpicos , outros 20.000 quartos a mais nos últimos cinco anos.

Oferta da Airbnb para os Jogos Olimpicos

Oferta da Airbnb para os Jogos Olímpicos

Enquanto os hoteleiros temem a concorrência da Airbnb, uma pesquisa inédita da empresa francesa  Coach Omnium, publicada em Abril desse ano, deve  interessar os profissionais brasileiros. Realizada na França onde a oferta da Airbnb já representa mais de 200.000 quartos, os resultados da pesquisa, baseada em 1178 entrevistas de viajantes franceses e estrangeiros bem como na análise das estatísticas da hotelaria, parecem mostrar que as clientelas são muito diferentes, e que os temores dos hoteleiros não são justificados.

Oferta Airbnb em Paris

Oferta Airbnb em Paris

Segunda a Coach Omnium, somente 21,9% dos clientes dos hotéis também utilizam a Airbnb. São para 85,7%  clientes de lazer, sendo 66% reservando um hotel somente uma vez por ano. Eles são jovens (79,5% tem de 18 a  35 anos), e justificam a escolha da Airbnb pelo preço (62,3%) mas também pelo espaço (24,7%), a cozinha (22,8%) ou o atendimento dos proprietários (21,2%). logo-coachomniumE mesmo se a Airbnb esta reivindicando uma clientela de negócios, somente 2,7% dessas estadias são por motivos profissionais, e 4,1% mistas (bleisure) . As análises das taxas de ocupação ajudam a comprovar que o impacto negativo para os hotéis  é praticamente nulo : enquanto a oferta de Airbnb na França passou de 5000 quartos  a mais de 200.000  de 2010 a 2015, essas taxas passaram de 59,0% a 59,2%, mostrando que eventuais perdas da industria hoteleira foram compensados com novos clientes.

Grand Hyatt do Rio de Janeiro

Grand Hyatt do Rio de Janeiro

Mesmo no quadro muito específico das novas capacidades de alojamento turístico  do Rio de Janeiro, a pesquisa mostra que os hotéis tradicionais e a Airbnb são produtos adaptados a clientes diferentes viajando em situações e com exigências diferentes, sendo mais complementares que concorrentes. Airbnb atrai novos viajantes que não frequentam – ou muito pouco – os hotéis, mas que são prontos a viajar para aproveitar ofertas . Ela impactaria pouco a atividade hoteleira, mas pesaria no seu futuro, ajudando com o seu novo tipo de relacionamento com os seus clientes, e sua nova forma de hospedagem, ao desenvolvimento do turismo doméstico e internacional.

Esse artigo foi inspirado  de um artigo original  na revista online Pagtour

A Barra da Tijuca, o desafio do turismo carioca

A Barra da Tijuca, o desafio do turismo carioca

Bleisure: viagem de negócios ou viagem de lazer? Os dois!

O Grand Palais, desde Napoleon III, recebendo feiras e exposições de Paris

O Grand Palais recebendo feiras e exposições desde Napoléon III

Enquanto as maiores agencias de viagem consideravam ainda há pouco que as barreiras entre viagens de negócios e viagens de lazer eram insuperáveis, uma recente pesquisa da Egencia (do Grupo Expedia) mostrou o forte crescimento das viagens combinadas, o “Bleisure” dos profissionais norte-americanos. bleisureO Bleisure é praticado hoje por 24% dos viajantes de negócios  franceses, 20% dos alemães e dos estadunidenses, 10% dos ingleses, e 25% dos brasileiros. Ele interessa os responsáveis das agências corporate que perceberem o potencial dessa nova tendência, e os hoteleiros  já anotaram a prorrogação de estadias para motivos particulares, bem como os pedidos crescente dos homens de negócios para atividades de lazer. Segundo uma pesquisa da BridgeStreet Global Hospitality 60% deles já fizeram uma viagem de tipo “Bleisure”, 54% com familiares, e 46% esticam a maioria das suas viagens de negócios para descobrir o local e suas ofertas culturais. As principais atividades procuradas são as visitas turísticas  (77%), os restaurantes (66%), os eventos culturais ou artísticas (66%), preferencialmente na mesma cidade.

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O Pullman Paris Tour Eiffel

Para atrair esses viajantes, os hotéis multiplicam as ofertas. O Orchard Hotel de Singapura criou um pacote “Bleisure experience” valorizando piscina e jacuzzi, incentivando a visitar a cidade e oferecendo um vale para um salão de beleza. Em São Francisco, o Hotel G promove o “Bleisure at the G” incluindo acesso aos transportes públicos e descontos em varias atrações turísticas.Meeting Room in Pullman concept Com o slogan “Work Hard Play Hard”, a marca Pullman, do grupo Accor, reinventou a sua proposta misturando os ambientes de trabalho e de lazer. Os lobbies dos hotéis, as suas salas de reuniões “Business playground”, os seus restaurantes ou bares foram redesenhados para satisfazer trabalho e divertimento. Com a oferta “Connectivity by Pullman“, conexões de alta velocidade são oferecidas nos quartos e em todas as áreas, com equipamentos desenvolvidos em parceria com a Microsoft e a Samsung. Querendo também atrair os clientes “Bleisure”, os hotéis canadenses Day Inn criaram uma tarifa “Ferias de negócios” 15% abaixo das melhores ofertas anteriores.

Bleisure by Millenium

A “Bleisure experience” da Millenium

Se o Bleisure era até agora promovido de forma discreta junto aos viajantes de negócios, ele é hoje integrado na comunicação e nas campanhas de muitos hotéis. O Ten Manchester Street de Londres aconselha a todos seus clientes de adicionar diárias pessoais às suas estadias profissionais. E o Bob Jacobs, vice presidente dos hotéis Sheraton e Westin para América do Norte, explicou que essas ofertas  são agora sempre incluídas nas propostas para grupos de incentivos, especialmente quando os participantes são jovens executivos da geração Y. Bleisure by AirBnb As agências de marketing especializadas aconselham de oferecer essas tarifas não somente na hora da reserva, mas também durante a estadia dos clientes, especialmente para os finais de semana. A oferta de condições especiais para famílias ou acompanhantes podem, ou até devem, ser integradas nos tarifários dos hotéis, mesmo quando caracterizados como hotéis “business”. Com os viajantes de negócios assumindo a procura de lazer, e os viajantes de lazer querendo continuar a seguir os seus negócios, as fronteiras entre os dois tipos de viajantes, até agora bem distintos, estão ficando flexíveis. Companhias aéreas, hotéis, operadores e agentes de viagem vão ter que se adaptar ao Bleisure. Os novos consumidores não aceitam ser categorizados e não querem limites para os serviços oferecidos. A pioneira Airbnb já avisou: o Bleisure em breve vai virar a regra!

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Aude Lenoir no site profissional canadense Réseau de veille en tourisme –  Chaire de tourisme Transat

France Meeting Hub, encontros de turismo de negocios na Alsacia

France Meeting Hub da Atout France, encontros de turismo de negócios na Alsácia

A Accor se firmando no luxo com os míticos Hotéis Raffles

Royal Monceau Rafes em Paris

Royal Monceau Raffles em Paris

Anunciando a compra da Fairmont Raffles Hotels International, Stéphane Bazin, CEO da Accor, confirmou não somente uma aquisição estimada em 2,9 bilhões de dólares, a maior da sua história, mas a entrada do grupo francês no seleto clube dos 5 grandes da hotelaria de luxo. Sebastien Bazin anunciando a compra da FairmontMesmo ficando longe do líder do setor, o Americano Marriott-Starwood, que junta 800.000 quartos, Accor pode contar agora com 100.000 apartamentos divididos em mais de 500 hotéis de luxo. Com três novas marcas, o grupo adquiriu também vários estabelecimentos de prestigio, como o “Palace” Royal Monceau em Paris, o Savoy em Londres ou o Raffles em Singapora, esse mítico estabelecimento aberto em 1887, orgulho do Império britânico, cujos hospedes refinados e fleumáticos chegaram em 1942 a exigir dos  soldados japoneses que invadiram o hotel  de deixar-los acabar o baile antes de ser presos.

O mítico Raffles Hotel de Singapura

O mítico Raffles Hotel de Singapura

Essa operação foi financiada em parte com uma entrada no capital do Qatar (Qatar Investment Authority) e da Arábia Saudita (Kingdom Holding Compagny) que virarão, se as autoridades anti-trust autorizaram, os dois maiores acionistas da Accor. O grupo vai assim reforçar sua posição no setor da hotelaria de luxo, aumentando seus lucros e permitindo uma projeção de 650 hotéis até 2020. O Bar do RafflesA compra da Fairmont vai ajudar a Accor a reequilibrar geograficamente suas atividades, hoje concentrada a 65% na Europa, para a América do Norte e a Ásia onde a Raffles, a Fairmont et a Swissôtel são mais presentes. Segundo o próprio Bazin, essa estratégia focada no luxo é também uma resposta ao crescimento da AirBnb que preocupa todas as grandes empresas hoteleiras, obrigando as marcas mais econômicas a se reposicionar,  mas ainda poupando os segmentos de prestigio menos sensíveis as guerras de tarifas ou aos charmes da Internet.

O Sofitel Copacabana

O Sofitel Copacabana

A aquisição das três marcas e dos 115 hoteis da Fairmont Raffles Hotels International deve então ser um sucesso decisivo na longa caminhada da Accor para se firmar no lucrativo segmento do luxo – com suas diárias acima de 500 dolares e suas margens de rentabilidade superiores a 5%. O grupo superou o fracasso de 1994, quando o então Presidente da Air France se recusou a vender a seus compatriotas os 60 hoteis da sua filial Le Meridien (Incluindo na época o Meridien Copacabana e o Meridien Salvador).Folheto do Le Meridien Copacabana A virada  começou em 2007, quando Accor firmou a escolha de uma cadeia de luxo excluindo 80 dos então 120 Sofitel. A nova estratégia apostou em hotéis definidos pela arte de viver a francesa, seu design, sua gastronomia e sua cultura, mas aproveitando também todas as características das suas localizações. E se na América Latina, o grupo jà conseguiu se posicionar com  hoteis prestigiosos em Cartagena, Buenos Aires, Montevideu, Rio ou Guarujà, a chegada da Raffles abrirá talvez novas perspectivas em São Paulo.

Jean-Philippe Pérol

O SPA "My blend" da Clarins no Royal Monceau

O SPA “My blend” da Clarins no Royal Monceau

Viajar é preciso!

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Depois do pedido de recuperação judicial da Nascimento, a suspensão das operações da Designer Tours foi mais uma notícia dramática que revelou o quanto o setor do turismo é hoje um dos mais prejudicados pela crise econômica e financeira no Brasil. designerDiante de uma previsão de crescimento negativo de 3% este ano e de 1% em 2016, e ao nos depararmos com um dólar que ultrapassa os R$ 4,00, com projeção de atingir o patamar de R$ 5,00, torna-se difícil evitar o pessimismo e conseguir enxergar, nesse cenário atual, algo além de grandes ameaças para todo o setor.

A CIDADE LUZ

Porém, é preciso lembrar que também há razões para escapar do desespero e até mesmo para manter o otimismo. A primeira é que o turismo mundial continua crescendo, tanto doméstico que internacional. Segunda a OMT (organização mundial do turismo), as viagens vão passar de um pouco mais de 1 bilhão em 2015 para 2 bilhões em 2030, um crescimento que será principalmente impulsionado por duas regiões do mundo: a Ásia e a América Latina. O turismo doméstico irá crescer nas mesmas proporções, uma tendência claramente observada esse ano pelas grandes operadoras nacionais que anunciam crescimento de até 20%, com a queda do real impulsionando a competitividade da oferta doméstica.

Turismo domestico no Rio Negro

O crescimento das viagens continuará sem dúvidas no Brasil, pois os novos consumidores “emergentes”, que nos últimos dez anos descobriram destinos como o Nordeste, Gramado, Buenos Aires ou Paris, não vão parar de viajar repentinamente. O turismo agora faz parte do comportamento, do jeito de viver e quase da “cesta básica” de milhões de brasileiros da classe B e C. Viajar se tornou um meio fundamental de acesso à cultura, às compras e ao lazer, que não pode acabar com a crise. Mesmo que haja uma queda nas viagens ou uma mudança na escolha dos destinos e dos produtos, o desejo de viajar não somente vai permanecer, mas ainda vai continuar necessitando da atuação dos profissionais para transformar esses sonhos em realidade.

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Os consumidores continuarão viajando, mas a crise vai acelerar as mudanças não somente no tipo de viagem procurada, mas também na forma de comprar tais viagens. Os danos empresariais e humanos recorrentes do fechamento de grandes operadores ou de pequenos negócios não são somente consequência da crise brasileira. FRAMEles também estão ligados às novas tendências do consumo e às novas tendências da distribuição, tanto no Brasil como nos grandes países da Europa e da América do Norte. Nos últimos quinze anos, um terço das agências de viagens fecharam as portas nos Estados Unidos, muitas operadoras de médio porte desapareceram ou foram compradas e, ainda essa semana, a FRAM, uma das maiores empresa do setor da França, entrou em liquidação judicial.

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No entanto, lembrando com respeito, tristeza e saudade da Designer ou da Nascimento, novos atores surgem simultaneamente para oferecer produtos ou serviços mais adaptados às exigências do novo consumidor.Guilhermo Paulus e JPP Grandes destaques existem no próprio Brasil: seja o fantástico sucesso da CVC, a criatividade mundialmente reconhecida do Hotel Urbano, a chegada da JTB, da TUI ou da Expedia, o dinamismo da Schultz. Ressalta-se a grande diversidade de novas pequenas operadoras, que oferece produtos específicos nas áreas da cultura, esporte, enologia, turismo religioso e ecoturismo, e até a economia colaborativa da AirBnb. Surfando nas novas tendências do turismo global, para essas empresas e para muitos profissionais do setor, no receptivo, no doméstico ou no internacional, no lazer ou no turismo corporativo, a crise que o Brasil atravessa será superada. AirBnb RIO 2016Eles poderão aproveitar as oportunidades dessa nova economia, com a tranquilidade de saber que o mercado  continuará crescendo e até dobrando nos próximos quinze anos o número de brasileiros para os quais, mais do que nunca, viajar será preciso!

Jean-Philippe Pérol

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Viagens de negocios com Uber ou AirBnb?

 

airbnbbusiness_01Os 43 vereadores de São Paulo que acataram as exigências da corporação dos taxistas podem ser em breve solicitados de novo para barrar outros avanços da economia colaborativa, essa vez nas viagens corporativos.PROIBIU UBER, PERDEU Com 10% dos seus clientes utilizando as suas ofertas de hospedagem durante as suas viagens de negócios, a AirBnb esta desenvolvendo uma opção de cadastro para as empresas ser assim faturadas diretamente das viagens dos seus funcionários, uma opção que a Uber já estava oferecendo. As duas assinaram também um convênio com a agencia online  de viagens corporativas  Concur (ainda não estabelecida no Brasil), ganhando um acesso a 25.000 contas e 25 milhões de funcionários. Segundo uma pesquisa « Faster, smarter, better? » da Carlson Wagonlit Travel, é clara o crescimento da economia colaborativo nas viagens de negócios, especialmente pela adesão dos administradores de contas. AIRBNB BUSINESS TRAVELEles são 41% a achar esses fornecedores importantes para os transportes terrestres, e 31% para a hospedagem. Numa outra pesquisa da Wagons lits, verifica-se que a força dessa tendência junto aos millenials (jovens nascidos entre 1980 e 2000).  Mais de um terço deles utilizam Uber durante as suas viagens de negócios (15 % para os outros viajantes), e 20 % escolham Airbnb ( 10 % para os outros viajantes). Dados da Certify, uma plataforma de administração de viagens de negócios, confirmam essas tendências: Uber teria a preferência de 55% dos viajantes contra 43% para os taxistas tradicionais, as reservas de AirBnb para viagens de negócios vão mais que dobrar em 2015, e a media das estadias é de 3,8 noites contra 2,1 para a hotelaria.

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As grandes empresas  da industria turística estão trabalhando cada vez mais com esses novos atores. American Express integrou a Uber no seu programa de fidelização.Airbnb 2016 A Uber é também parceira de varias cadeias hoteleiras, incluindo  W  ou  Hyatt. Companhias aéreas como United estão incluindo a AirBnb nas suas aplicações, e a KLM iniciou uma verdadeira parceria com ofertas de hospedagem em todos os seus destinos.  Sempre pioneira, a cidade de  São Francisco imaginou novas parcerias com a Airbnb para integrar na sua oferta turística bairros e comércios periféricos. E São Francisco Travel  oferece AirBnb como opção de hospedagem para os organizadores de seminários ou de congressos, uma solução que a cidade do Rio de Janeiro também escolheu com sucesso para os Jogos Olímpicos de  2016.

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Se as ofertas da economia colaborativa agradem os viajantes de negócios pelo custo, a experiência diferente, a convivialidade e a tecnologia, alguns freios ainda existem. Segunda a mesma pesquisa da Wagons lits, 28% (e 42% dos administradores) estão achando os riscos em termo de segurança (falta de seguros, fraudes, roubos ou outros) maiores que nas ofertas tradicionais. choix_presse_hd-006Os progressos nas legislações locais, as garantias oferecidas, e a procura de transparência nos comentários online ajudarão sem duvidas a tranquilizar os consumidores e as empresas. Claro porem que a economia colaborativa não pode satisfazer todos os viajantes de negócios. Muitos vão continuar a privilegiar os serviços, a estabilidade, a segurança e os programas de fidelização, tanto dos hotéis que dos grandes especialistas de viagens corporativos. Assim como a Accor, a hotelaria já parece pronta para o desafio, mas ambos os setores devem prestar a máxima atenção a essas novas ofertas e preparar alternativas valorizando a força dos seus valores.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Claudine Barry  no “Réseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat”.

Na França, o turismo colaborativo invade o alto luxo!

 

Luxo em Paris

Dar carona num Maserati, co-aluguar um jato particular, trocar lugares em palaces, comprar com amigos reservas de caça ou pesca, fazer compras num brechô, mesmo para quem pode, a moda não é mais aparecer mas dividir, o chique é compartilhar os seus sonhos.Compartindo Jatinho Na França, a chamada “economia colaborativa” está agora chegando ao turismo de luxo. Esse novo trend nasceu de uma verdadeira preocupação econômica,  para gastar menos usando os mesmos bens ou serviços, mas é também fruto de outras tendências, a vontade de não desperdiçar, de não poluir o planeta, ou a procura de convivialidade com negociações diretas de particular a particular. É essa vontade de contatos e de intercâmbios que atraiu os “very rich”, que não estão em falta de dinheiro mas que são tão atraídos quanto os emergentes pela idéia de negócios 2.0 . Para esse público, muitas plataformas, todas proclamando “Mais share, melhor”, se especializaram no “luxo colaborativo”.

Deauville com classe

As vezes apresentada como o AirBnb da alta sociedade, a startup  Le Collectionist  oferece  desde 2013 para seus (muitos) seletos associados casas particulares de altíssimo padrão, as vezes pertencendo a personalidades. verbierPode assim alugar a casa  do Richard Branson em Verbier, mas terá que explicar o motivo. São vetados as festas incontroladas  que podem acabar em « Very Bad Trip », e sempre aprovados os aniversários de casamento. Nesse círculo muito fechado, nada de quartinhos em Miami para surfistas amadores de sanduíches. As ofertas ficam em Deauville ou Saint Tropez, no Caribe em Saint Barth ou Saint Martin. O site oferece também  um serviço de concierge capaz de encontrar um chefe, alugar um helicóptero ou arrumar um iate.Casas em Saint Martin Mais urbano, e menos dispendioso, o site onefinestay.com oferece de viver em Paris feito um parisiense, ou em Londres feito um Londrino. Sendo, claro, um parisiense do Marais ou um Londrino de Covent Garden ! Virou também chiquérrimo de expor umas propriedades nesse site, os descritivos nas telas competido com as paginas dos magazine de decoração.

Iates a compartir

Carros de luxo, jatos particulares ou iates também podem ser encontrados em sites colaborativos. cojetage.com oferece dia 28 de Maio quatro assentos no Cessna Mustang de Genebra para Calví por 600 Euros cada um.ToysClub Com uma assinatura de 7000 a 27 500 euros, o  Toys Club lhe da acesso o ano inteiro aos mais cobiçados carros do mundo. Os sócios – franceses ou estrangeiros- podem assim aproveitar Paris, Cannes ou Megève de Bentley, Ferrari ou Aston Martin, “sem as chateações do proprietário”. No site shareboat.fr  são iates ou veleiros de luxo que são oferecidos a partir de marinas muito seletas como Arcachon, La Baule ou La Rochelle para um pequeno grupo de sócios muito seletos. Seleto, talvez a palavra chave do turismo colaborativo quando se trata de luxo, e as ofertas exageradamente abertas não vão agradar esse público. 

Freepstar, o brechó do luxo

Em todo os setores, o compartilhamento, o aluguel, a troca ou a segunda mão de produtos de luxo estão crescendo de forma impressionante. Pedir uma jóia emprestada ou alugar um vestido longo, encontrar uns sapatos  “vintage” ou trocar bolsas de grandes marcas com amigas, são agora atitudes vanguardistas, pensadas, chiques e colaborativas. É porém claro, vendo a multiplicidade das ofertas que aparecem nas telas, que o turismo está essa vez antecipando as tendências dos consumidores.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Valerie de Saint Pierre no Le Figaro do 22 de Maio de 2015

Ferrari para todos

Quais orientações para o turismo em 2015?

Courchevel e AirBnB, uma nova e surpreendente promoção.

Courchevel e AirBnB, uma nova e surpreendente promoção.

Em toda o planeta turismo, observadores, profissionais e viajantes tentam adivinhar as grandes orientações de 2015. No Brasil as primeiras análises parecem pessimistas, ninguém se arrisca a prever um crescimento tanto das chegadas de turistas internacionais quanto das viagens dos brasileiros para o exterior. CB_GUEULETON_CR_UNE_2-400x400As transportadoras já esperam uma super capacidade da oferta, as operadoras e as agências só mostrarão previsões de altas com crescimentos externos alegrando as Bolsas mas não aumentando o número de clientes. A morosidade dos viajantes não impede porém novas mudanças que continuam revolucionando o setor. Pelo terceiro ano, o seminário organizado no Quebec pelo Paul Arseneault, da Universidade do Quebec em Montreal, e  o Pierre Bellerose, de Tourisme Montréal, tentou apontar as ideias marcantes para 2015, algumas já influenciando o mercado brasileiro do turismo.

O turismo virou imagens que devem contar historias personalizadas. O viajante quer bater fotos, fazer selfies, mandar vídeos onde ele vai ser valorizado, essa valorização pessoal sendo quase tão importante quanto o próprio destino escolhido. As informações correm rápido, no Facebook, no Youtube ou no Instagram, e a viagem deve permitir não somente  contar mas construir essa historia. Essa nova atitude deve ser respeitada logo na promoção, a hiper-personalização fazendo de cada cliente uma “nicho” de mercado e matando o marketing de massa.

Os serviços devem sempre incluir qualidade, conforto, criatividade e experiência global. Essas são agora exigências com as quais todos devem se submeter. Em um hotel se espera não somente um colchão de qualidade, um wifi grátis e de alta velocidade, mas um checkin relâmpago, o respeito ao meio ambiente e até uma integração da comunidade local. O restaurante tem que trabalhar com produtos e pratos regionais, oferecer uma verdadeira experiência gastronômica e saber gerenciar as exigências de reservas. Exif_JPEG_PICTUREOs novos conceitos atingem até os aeroportos. Ai o viajante não é mais somente um passageiro com um checkin beneficiado pelas novas tecnologias, cartão de embarque no smartfone e chips para identificar a mala. Ele é um consumidor passeando  em um shopping gigante, comendo em restaurantes ou se divertindo aproveitando um wifi grátis.

As agências tradicionais e as agencias on-line vão se reaproximar. Neste fim da época de ouro do crescimento com dois dígitos, as agencias on-line estão reinventando o seu relacionamento com seus clientes. Frente a agencias tradicionais agora mais consolidadas, convergências vão aparecer. As experiências físicas e virtuais vão se tornar complementares com o uso de todos os canais – on line em computadores, tablets ou celulares , agências, centrais telefônicas, entrega a domicilio. A aparição de uma nova ferramenta da Apple para gerenciar a globalidade das viagens é também uma possibilidade.

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O turismo colaborativo vai continuar a crescer, pelo menos na hospedagem e no transporte. Mesmo com uma forte hostilidade dos outros atores do setor – agências, hotéis ou táxis -, e com necessários acertos com as autoridades – controle de qualidade, taxas ou impostos-, a oferta de serviços colaborativos convenceu os usuários do mundo inteiro. As plataformas de hospedagens e de transporte urbano vão continuar a se expandir, e outros setores, como as visitas com guia ou até a alimentação, podem seguir.

Norte do Peru

Mesmo com uma economia parada e um crédito escasso, as novas tendências vão se firmar no Brasil, cada uma no seu ritmo. A força das mídias sociais, o potencial de algumas operadoras, a recente privatização dos aeroportos vão até acelerar certas mudanças apontadas no exterior. A provável apatia do mercado vai do seu lado dificultar a aparição de novos destinos. JPP NO LES SOURCES DE CAUDALIESCom menos reais e um dólar caríssimo, o crescimento da América do Sul (Chile, Bolívia ou Peru),  e a consolidação dos grandes destinos tradicionais na Europa ( Itália com Milão e Roma, França com Paris, o Mont Saint Michel, Bordeaux ou a Borgonha) devendo ser as tendências mais marcantes.

Jean-Philippe Pérol