A Auvergne (e a Costa Verde) nos “dez mais 2016” da Lonely Planet!

 

O Puy de Dome e o Parque natural dos vulcões da Auvergne

O Puy de Dome e o Parque natural dos vulcões da Auvergne

Para os amantes da França, a publicação pela famosa editora estadounidense Lonely Planet dos dez destinos imperdíveis em 2016 foi uma boa surpresa. Lonely PlanetMesmo se as regiões escolhidas não foram nem um pouco tradicionais, foi sem duvidas uma façanha para Auvergne de ser a única francesa selecionada. Para o best-of 2016 da Lonely Planet, divulgado no dia 29 outubro, essas  “dez mais”  foram as seguintes: 1. Transilvânia, Roménia; 2. Islândia Ocidental; 3. Vale de Viñales, Cuba: 4. Regiões vinícolas de Friuli, Itália; 5. Ilha Waiheke, Nova Zelândia; 6. Auvergne, França; 7. Havaí; 8. Baviera, Alemanha; 9. Costa Verde, Brasil; 10. Santa Helena, territórios britânicos.

Os motivos da escolha da Auvergne pelos especialistas da editora são foram também divulgados. Eles gostaram das paisagens “dramaticamente vulcânicas” e dos espaços livres de turistas. Acharam a gastronomia local a altura da fama dos seus pratos típicos (buchada/tripoux, cozido/potée, purê de batata/alligot ou patê de batata),  mas também surpreendente  pela uma culinária criativo. Queijos da AuvergneUma criatividade que encontraram também na cultura “auvergnate”, já que Auvergne tem se reinventado com uma série de projetos artísticos ambiciosos, e um portfólio maior de aventuras na natureza, isso sem perder, segundo eles, o seu charme rural. Adoraram os vulcões, os queijos (Cantal, Saint Nectaire, Bleu, Fourme d’Ambert, Salers) bem como os parques, os vilarejos e os festivais de Aurillac, Clermont-Ferrand ou Puy-en-Velay. A simpatia e o humor dos “auvergnats” – os moradores da região que são, na França, comparados aos mineiros no Brasil- foram também destacados como grandes atrativos da região.

O “best-of 2016” sera, sem duvidas, muito bem recebidos no Brasil já que a Costa Verde, de Guaratiba até Trindade, ficou em nona posição na lista. Pensando nos milhares de turistas esperados para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, a editora foi seduzida pela proximidade da metrópole carioca, Laranjeiraso litoral ainda praticamente intocado, os morros cobertos de florestas cor de esmeralda, as numerosas ilhas tranquilas e as praias quase desertas. A Costa Verde, e mais especificamente a Ilha Grande, é destacada como um paraíso do ecoturismo e do turismo de aventura para os amantes da natureza e da adrenalina, com trilhas nos montes cobertos de mata fechada, passeios de caiaque entre fiordes tropicais desertos, ou mergulhos com peixes coloridos.

O Puy en Velay

Muito esperadas desde que foram lançadas há onze anos, as seleções da Lonely Planet misturam critérios ligados a projetos turísticos e a meio ambiente, AUZANCES BRASILcom um foque importante na atualidade (Cuba da abertura, Bavária dos 500 anos da cerveja, Havai dos 75 anos de Pearl Harbour ou Santa Helena do bicentenário do Napoleão)  Vindo depois de varias premiações francesas – quinta mais bela região segundo o canal de televisão M6, segunda mais dinâmica na Facebook e segundo lugar da catedral de Puy-en-Velay como monumento preferido dos franceses-, a menção honrosa dada a Auvergne será um grande incentivo para se preparar a receber mais turistas do mundo inteiro e especialmente do Brasil.

Outono na Auvergne

As cores do outono nas florestas da Auvergne

 

No meio do Atlântico, o turismo nos passos da lenda do Napoleão!

Estátua do Napoleão na Route Napoléon

Perdida a 3000 quilômetros das costas brasileiras, e a 1600 da África, a pequena ilha de Santa-Helena é conforme a sua lenda, um rochedo escuro rodeado de barrancos gigantes que caiam no oceano. Jamestown streetsPara o viajante, que hoje ainda só pode chegar de navio, essa terra vulcânica, isolada na imensidão do Atlântico, guardou as características que ela tinha quando o Napoleão a vi pela primeira vez no dia 15 de outubro 1815. O desembarque não mudou há dois séculos, e os passageiros – chegando da África do Sul no único navio de linha, ou vindo num cruzeiro da MSC– ainda descem frente a  Jamestown, a capital exprimida entre dois barrancos, do lado de uma praia de pedras pretas.
Jamestown

As ruas da cidade são mais aconchegantes, com pequenas casas coloridas e jardins exuberantes. Foi numa dessas propriedades, chamada “The Briars” que Napoleão morou nas primeiras semanas do seu exílio. LongwoodObcecados por uma possível fuga, os ingleses o transferiram pouco depois para um conjunto de casas de madeira construídas  num morro de difícil acesso, Longwood House, onde o ex-imperador morou até a sua morte. Da varanda da casa principal, ainda dá para olhar o jardim e os arredores, o mar escondido entre dois rochedos, e o coreto construído pelos operários chineses. A mansão não tinha nem conforto nem privacidade, e os aposentos dos acompanhantes do Napoleão – quatro generais e uma dúzia de servidores- eram pequenos e incómodos. O memorial de Santa HelenaEssa corte era medíocre, fofoqueira e briguenta, reforçando o sofrimento – e o tédio – do cativeiro que o governador inglês, o obtuso, indeciso, e mesquinho Hudson Lowe, tentava organizar da forma mais humilhante e desagradável possível. Foi porem nesse triste ambiente que foi escrito o “Memorial de Saint-Hélène”, as memórias que, depois da sua morte, contribuíram tanto para a extraordinária lenda de Napoleão. Enterrado sem mesmo uma placa -os ingleses não permitiram que escrevesse o seu nome- , ele foi vinte anos mais tarde levado de volta para Paris, e recebido pela maior multidão da historia da França. Tumulo de Napoleão
Considerando o difícil acesso, muitos viajantes continuam parando em Santa Helena para visitar os três monumentos que marcaram o exílio de Napoleão,  hoje pertencendo aos Monumentos Históricos da FraLongwood House em Santa Helenança. Longwood House foi comprada durante o reinado do sobrinho Napoleão III, bem como o vale onde fica o primeiro túmulo. A propriedade do “The Briars” foi doada para França em 1959 pela Senhora Mabel Brookes, tataraneta dos donos que receberem o imperador em 1815. Desde o ano 2000, na previsão do Bicentenário, as autoridades francesas financiaram um programa de reabilitação . Em Longwood foram recuperados todos os moveis e a decoração para reconstituir o ambiente do local exatamente como estava em 1821. Tropas francesas homenageando o tumulo do NapoleãoO jardim foi replantado seguindo as instruções outrora dadas pelo próprio Napoleão. O vale do túmulo foi reabilitado por soldados franceses. E, comido pelos cupins, o “The Briars” está sendo completamente reconstruído, tudo devendo ficar pronto para as festas do Bicentenario .

napoleonicbicentenarylogoComeçando no 15 de Outubro com a reconstituição da chegada do Napoleão , o Bicentenário tem eventos programados até 2021. Arredores do aeroporto de Santa HelenaA chegada dos turistas vai ser favorecida por um dos maiores eventos da historia da ilha, a abertura dum aeroporto (código IATA: HLE), construído num vale perto de Longwood e com o primeiro vôo previsto de 2016.  Acessível de avião, e com uma nova rede de celulares, Santa Helena será assim tirada do seu isolamento. E, desdenhando a memória dos seus carrascos, a lenda do Napoleão, o “prodígio filho da Glória”, continuará a dominar a ilha e a se espalhar pelo mundo.

 

Esse artigo foi traduzido e adaptado dum artigo original de Adrien Jaulmes no diário francês Le Figaro

Fortaleza de Santa Helena