Na COP21 e frente as mudanças climáticas, o turismo vilão, vítima ou solução?

A geleira "Mer de Glace" perto de Chamonix

A geleira “Mer de Glace” perto de Chamonix

Abrindo dia 30 de Novembro, a Conferência mundial sobre as mudanças climáticas virou logo um sucesso para o turismo parisiense. Enquanto Paris ainda atravessava, segundo as palavras do CEO da Accor, o vácuo dos pós-atentados, a chegada de 147 chefes de Estado e de 196 delegações encheu os hotéis e animou os profissionais.COP21 FOTO inauguração Com uma segurança reforçada, lojas, bares e restaurantes voltaram a oferecer aos moradores e aos visitantes esse arte de viver bem parisiense,  misturando prazeres, alegria e liberdade. Mas para o turismo, a COP21 não vai ser somente um evento único reunindo mas de 40.000 participantes e de 3.000 jornalistas, mas  o ponto de partida de numerosas decisões impactando uma industria que mexe com 1,1 bilhão de viajantes, 2.400 bilhões de USD de faturamento e 105 milhões de colaboradores em todos os países do planeta. E se o turismo aparece pouco na agenda das reuniões, ele vai com certeza ser muito presente seja como vilão, vitima ou solução para os cenários de mudanças climáticas que serão levantados.

A Torre Eiffel com Amor!Responsável hoje por 5% das emissões de Gases de Efeito Estufa, o turismo vai aumentar a  sua pressão sobre o aquecimento global. Com turistas provenientes de mercados mais distantes – especialmente os BRICS -, com novos consumidores das gerações X e Y extremamente pegados a viagens internacionais, o setor vai conhecer um crescimento anual de 4 a 5% e espera 1,5 bilhão de chegadas para 2030.  O seu  dinamismo econômico e social seduz os investidores e os responsáveis políticos em todos os países, todos querendo atrair novos turistas para criar empregos, gerar receitas internacionais, financiar infraestruturas e desenvolver equipamentos culturais. Muito denunciado como poluidor, o turismo produz porém duas vezes menos “GEE” que a média das industrias, e dois terços do seu impacto carbono provém do transporte aéreo. Nesse setor os esforços das construtoras, procurando materiais leves e pesquisando em motores híbridos, vão certamente melhorar ainda os resultados já atingidos (hoje 1% de economia por ano). As grandes companhias aéreas, inclusive a Air France, estão investindo em programas  para limitar as emissões nocivas. Nos outros setores do turismo, e especialmente na hotelaria, os esforços foram concentrados mais especificamente sobre os investimentos em torno da agua e da energia, bem como nas informações para mudar o comportamento do turista.

Piscina e acesso a praia dos bungalows

O turismo vai fazer muito mais, porque é hoje um dos setores mais consciente dos problemas gerados pelas mudanças climáticas, e um dos mais atingidos. É vitima a longo prazo, porque o futuro das estações de esqui pode ser ameaçado pela falta de neve, porque o excesso de calor pode prejudicar as regiões vinícolas, ou porque algumas paradisíacas ilhas do Pacifico podem perder as suas praias frente a subida dos oceanos. É vítima a curto prazo porque as perturbações climáticas – erupções vulcânicas, inundações, terremotos, tsunamis ou furacões – já mostraram nos últimos anos seus impactos devastadores, tanto para as populações locais quanto para os turistas e para toda a economia turística.

Vinhedos no Beaujolais

Devendo prever um fundo de investimento maciço de 100 bilhões de USD, principalmente em favor dos países do Sul, a COP21 pode oferecer ao turismo oportunidades de poder continuar o seu crescimento, melhorando a sua oferta para os consumidores e reduzindo os riscos aleatórios dos profissionais. Artesanato Waimiri AtroariAs novas tendências dos produtos turísticos – procura de destinos diferenciados, respeito as tradições e culturas dos moradores, à gastronomia e aos produtos locais, recusa de qualquer forma de poluição ou respeito pelas energias renováveis- encaixam-se perfeitamente com os objetivos desse fundo. Discreto mas muito presente, o turismo poderia assim  virar um dos grandes favorecidos da conferencia, vendo o reconhecimento dos seus esforços pela sustentabilidade e levando possibilidades de novos investimentos. Especialmente nos países do Sul -inclusive no Brasil-, esses poderiam beneficiar tanto os profissionais até então muito prejudicados com as mudanças climáticas, quanto os viajantes que querem continuar com os seus sonhos de descobertas e de intercâmbios nos quatro cantos do mundo. Então, obrigado Cop21?

Jean-Philippe Pérol

Paris visto do topo da Torre Montparnasse

Paris visto do topo da Torre Montparnasse

Na asas da Ethiopian, a volta das Terras do Preste João!

Os vitrais do Afewerk Teklé

Vitrais do Afewerk Teklé na sede da O.U.A.

Enquanto Ejtihad, Emirates, Qatar Airways ou Turkish estão virando o pesadelo da Air France e das grandes companhias aéreas da Europa e da América do Norte, as plataformas de Abu Dhabi, Dubai, Manama e Istambul, poderão em breve ver surgir competidores. A expansão da Ethiopian Air Lines, mostrou aos  hubs do Oriente Médio uma nova ameaça vindo da Etiópia, o antigo Império do Hailé Selassié -o Ras Tafari-, que conhece há dez anos um crescimento econômico de dois dígitos e quer fazer de Addis Abeba a maior plataforma aeronáutica  da África.

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A Ethiopian voando para São Paulo

Em outubro, a companhia, membro da Star Alliance, recebeu o prêmio CAPA  de “Companhia aérea do Ano”. Num continente onde a saúde financeira da aviação é muito frágil, ela anunciou 175 milhões de dólares de lucro, se auto proclamando “maior companhia aérea da África”.Ethiopian logo Presente há dois anos no Brasil, a Ethiopian Airlines tem mesmo a ambição de virar uma grande companhia mundial, com um plano de desenvolvimento “Visão 2025” que prevê de passar  de 77 aparelhos a 150, com uma frota mais diversificados – hoje só de Boeing mas recebendo os primeiros Airbus a partir de maio de 2016. O sucesso da Ethiopian Airlines se deve em parte aos mesmos ingredientes que seus concorrentes do Oriente Médio, uma estratégia bem definida, uma frota nova,  muitos investimentos em tecnologia – com o único simulador de voo da Africa-, e uma formação do pessoal com um centro atendendo 1400 alunos que passará em breve a atender 4000.O simulador de voo da Ethipian O ponto chave é claramente a consolidação do hub de Addis Abeba, a capital bem localizada entre a Europa, a África, a Ásia e especificamente a China onde a Ethiopian Airlines jà tem voos para Pequim, Xangai, Hong Kong e Cantão. Recebendo hoje 6 milhões de passageiros, e esperando 20 milhões nos próximos anos, o governo anunciou a construção de um novo aeroporto, o maior do continente e o mais eficiente para a sua estratégia de hub.

O Leão de Juda em Addis Abeba

O Leão de Judá em Addis Abeba

Essas ambições estão sem dúvidas consolidadas pelas ambições políticas da Etiópia. Com seus quase 100 milhões de habitantes, seu dinamismo econômico e sua condição de capital da União Africana, o pais se orgulha do seu passado. Único do continente a nunca ter sido colonizado, cristão desde o século III, mítico na Europa  desde a procura das Terras do Preste João, o Império teve relações com o mundo ocidental desde o século XV. Castelo de Fasilidas em HararProcurando um aliado contra as potências muçulmanas , os portugueses trouxeram um apoio decisivo ao imperador Cláudio que venceu as tropas turcas e árabes em 1542/1543 numas batalhas onde morreu o Cristóvão da Gama, filho do Vasco. E se o assassinato do Hailé Selassié acabou com a dinastia dos descendentes de Salomão, a vontade da Etiópia de voltar a ser a grande potência regional é mais forte que nunca. Esse ambicioso projeto vai sem duvidas ajudar a Ethiopian Airlines a consolidar as rotas do seu hub  e a dominar os ceús do continente africano. Para as companhias do Golfo, uma nova ameaça vinda das Terras do Preste João!

Jean-Philippe Pérol

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O Imperador Hailé Selassie com o General de Gaulle em Paris em 1964. Atrás, o Gilbert Pérol, então Porta voz da presidência da Republica.

Esse artigo foi inspirado de um artigo original do jornal francês Le Monde. O autor morou na Etiópia, sendo um ex-aluno do Liceu Guebre Maryam de Addis Abeba.

A Air France nos desafios da “França que está no ar”!

A Air France mandou dia 09 de Outubro uma mensagem para seus clientes, lembrando que os últimos incidentes que aconteceram em Paris foram casos isolados, e não refletem a realidade da companhia ou a postura dos seus funcionários.  Deixou claro que os atos violentos estão sendo apurados, dez queixas sendo registradas tanto pela companhia que pelos executivos que foram agredidos, as fotos e os vídeos sendo entregas para policia, mas que a maior preocupação fica  em explicar – e superar-  esses acontecimentos para os clientes.

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Na carta assinada pelo Diretor Geral, Frederic Gagey e as suas equipes, a Air France lembra a necessidade de tomar medidas corajosas para consolidar o seu futuro como grande companhia aérea internacional, Lettre Air Francebem como o trabalho que esta sendo feito para continuar a melhorar os seus produtos e seus serviços, guardando um preço competitivo frente a seus concorrentes. A Air France lembra que quer guardar a sua peculiaridade, um alta qualidade com um toque de arte de viver a francesa -, e no Brasil poderia ter lembrado também o seu pioneirismo tecnológico que acompanhou seus sucessos desde 1927, quando ainda se chamava Aeropostale.

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Num vídeo , que acompanha a carta do Diretor Geral, a Air France deixa a palavra para funcionários representando todas as profissões da companhia. Todos falam do orgulho que eles têm de trabalhar numa grande empresa onde toda a atenção é focada para os clientes. Em francês, espanhol ou chinês, eles fazem questão de lembrar que “Air France é isso, Air France somos nos, Air France é para vocês”. Pessoal da Air FranceO vídeo sozinho não sera com certeza suficiente para resolver os grandes problemas de competitividade frente aos seus concurrentes – os “low costs” europeus ou as jovens e agressivas companhias do Golfo – , mas ficou claro que a maioria dos funcionários e dos executivos da empresa estão determinados a manter “A França no ar”. No mundo inteiro, e mais ainda no Brasil onde a Air France é até nome de praia, muitos viajantes vão torcer com eles!

Jean Philippe Pérol

 

Concorde da Air France. Soy loco por ti, America!

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Na chegada do voo inaugural Paris México, traslados de carruagem para Gilbert Pérol e os convidados da Air France

Para os engenheiros da empresa francesa Sud Aviation, os voos supersônicos teriam sido uma historia bem europeia, com a então chamada “Super Caravelle” percorrendo trechos de medio alcance a uma velocidade acima do som. De Gaulle; vamos construir o ConcordeNo dia 29 de Novembro 1962, o casamento com a construtora inglesa BAC levou a decisão que o novo avião tinha que chegar até a América, e os ingleses aceitaram a sugestão do De Gaulle, de mudar o nome para Concorde – com um controvertido “e” no fim para guardar um jeito afrancesado.

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Os americanos foram mais difíceis de convencer que os ingleses, e quando chegaram em 1975 os primeiros aviões, tanto da British Airways que o da Air France,  não tinham autorização para pousar em Nova Iorque. E enquanto os ingleses seguiram para o Oriente, de Bahrein a Singapura, a Air France decidiu honrar a sua gloriosa historia latino-americana. concorde ccs 1981Depois de Paris-Dakar-Rio (por pouco um Paris Recife Rio) no dia 21 de Janeiro 1976, foi assim abertas a rotas Paris-Santa Maria-Caracas no dia 9 de Abril do mesmo ano, uma decisão mais política que económica: os estudos de mercado assinalavam que a ocupação não passaria de 36%, uma estimativa que foi (infelizmente) perfeita. Se o voo era muito deficitário e fechou no dia primeiro de Abril de 1982, foi nessa rota que o Concorde quebrou os recordes dos seus voos mais longos. Dois deles (um programado, o outro por acaso) conseguiram fazer a ligação direta, seja  7780 km em 4 horas e 19 minutos, sem parar nos Açores.AF PUBLICIDADE CCSDepois da abertura de Nova Iorque em maio de 1976, a América Latina foi mais uma vez o destino final de uma rota do Concorde, com um voo Paris-Washington-México. Foi inaugurado no dia 20 de Setembro 1978,  amadrinhado pela então primeira dama Dona Carmen Romano de López Portillo. braniff2México ficava a somente 7 horas de Paris em vez de 12 horas e 20 minutos nos voos subsônicos. Em Março de 1981 Washington foi substituído por Nova Iorque, tanto para Dallas que para México, mas a crise económica levou o ano seguinte ao fechamento das duas rotas. 

As Américas foram sem dúvidas os destinos preferidos dos Concorde da Air France, não somente com um quase monopólio dos voos regulares (seis num total de sete), mas com muitas outras cidades recebendo voos excepcionais, GISCARD NO AEROPORTO DE MANAUStanto charters comerciais que fretados para viagens governamentais. Foi assim que o Concorde pousou em São Paulo (Viracopos) em 1971 numa viagem do então ministro francês da fazenda, Giscard d’Estaing, que voltou em outubro 1979 no Brasil, chegando de novo no supersónico mas voltando de Manaus num voo regular. Em 1975 pousou em Montreal, numa homenagem a inauguração do novo aeroporto de Mirabel. E em 1976 uma viagem presidencial o levou a Pointe-a-Pitre, Saint Martin, Nova Orleans, e Houston. Concorde em Foz de IguaçuVindo para Rio-92, o Presidente da França Mitterrand realizou o maior roteiro feito pelo Concorde nas Américas: Brasília, Rio, São Paulo, Recife, Bogotá e finalmente Cartagena. Os voos fretados abriram também mais de vinte escalas no continente: de Las Vegas a Acapulco ou San Juan,  de Iguaçu a remota Ilha de Páscoa! E se o Concorde da Air France parou de pousar nas Américas em novembro de 2003, a legenda que a Air France escolheu de escrever com ele no Novo Mundo  vai continuar ainda por muito tempo!

Jean-Philippe Pérol

Giscard d'Estaing chegando de Concorde em Viracopos

Giscard d’Estaing chegando de Concorde em Viracopos

Mirabel

Transporte aéreo: o boom das receitas adicionais vai continuar!

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Quem não gostou de pagar 5 reais seu cafezinho na sua ultima viagem com a Gol vai ser decepcionado de saber que a cobrança de serviços anexos pelas companhias aéreas não para de crescer no mundo inteiro. Numa pesquisa feita junta as 63 maiores empresas de transporte aéreo internacional, a IdeaWorksCompany/Car Trawler mostrou que, pelo oitavo ano seguinte, essas receitas, incluindo vendas a bordo e vendas ligadas a programas de milhas, chegaram a 17,49 USD por passageiro, um crescimento de 8,5% em relação a 2013. air-journal_Ryanair-vs-easyJetNo geral, foram 38,1 bilhões de USD e um crescimento de 21% em um ano. “As receitas adicionais são hoje um indicador do sucesso comercial das empresas”, declarou Michael Cunningham, diretor comercial da CarTrawler. ” Elas não são mais uma característica das companhias low-cost porque todas as companhias aproveitam essa renda. A questão não é de saber quem cobra para os serviços, para se esses serviços são de qualidade. Segundo essa pesquisa, a procura de receitas adicionais aumentou ainda mais a concorrência entre as transportadoras tradicionais e as companhias low cost. E a competição criativa colocou essas receitas, bem como a tarificação extra do máximo possível de serviços, no coração da briga pelos lucros.

Top 10 das companhias aéreas: total das receitas anexas

Top 10 das receitas anexas, em valor

Se o top 10 das companhias aéreas com as maiores receitas adicionais é claramente liderado pelas empresas estadounidenses, se deve anotar a boa colocação da Air France que ficou em quarto lugar com 2,046 bilhões de USD. UNITED BAGAGENSOs detalhes dessas receitas não são fornecidos por todas as companhias que participaram da pesquisa. A partir do exemplo da Easy Jet, pode porem fazer uma estimativa: 50% desses valores provenham das bagagens, 20% de comidas e bebidas, 8% de lugares específicos ou de upgrades, 8% de outras compras a bordo e 14% de compras ligadas aos programas de “frequent flyers”.

Top 10 das companhias aéreas: percentagem das receitas anexas

Top 10 das receitas anexas, em percentagem

O top 10 muda porem completamente quando se mede o peso dessas receitas no faturamento global das empresas, as low costs voltando a liderar a lista e a Spirit, famosa pela sua agressividade nas vendas, sempre colocada em primeiro lugar. Mesmo quando voltaram a atacar também os segmentos de viagens de negócios, essas companhias continuam cobrando os seus serviços, as vezes (caso da Ryan Air ou da Easy Jet) cobrando um forfait anual de 200 USD incluindo automaticamente embarque prioritário, lugares específicos e bagagens suplementares. GOL NO ARNovos serviços vão ainda aumentar as ocasiões para o passageiro colocar a mão no bolso. Para as companhias, a mais promissora é o acesso a Internet que já esta sendo oferecido em alguns trechos por companhias como American Airlines, Lufthansa ou Air France, e que deve ser operacional em breve no Brasil. A Gol está com um projeto quase pronto, fruto de parceria com a empresa de conectividade em aeronaves Gogo, com preço  entre 10 e 20 dólares para passageiros esporádicos e entre 3 e 5 dólares para os passageiros mais frequentes. Ai os viajantes vão ter até saudades dos 5 Reais do cafezinho ….

Champagne para todos. So na Air France!

Esse artigo foi traduzido e adaptado dum artigo original do L’Écho touristique

Belém-Caiena, agora a vez da Azul?

AEROPOSTALE

A rota Belém Caiena que a Azul deve abrir no próximo mês de Agosto é talvez uma das mais antigas da aviação no Brasil. Foi inaugurada pela primeira vez no dia 16 de Junho de 1929, pela companhia francesa Aeropostale, pioneira na América Latina, que queria abrir um voo entre Natal e Caracas.AEROPOSTAL O avião era um Latecoere 26, com três tripulantes a bordo, que tinha pousado em Macapá e Cunaní. Depois de vários problemas mecânicos, só chegou em Caracas em outubro, e a rota não vigorou. A subsidiaria da Aeropostale iniciou porém varias voos dentro da própria Venezuela, e ela perdura até hoje como uma empresa estatal, Aeropostal, “Alas de Venezuela”.

Muito tempo esquecida, a ligação entre a Amazônia brasileira e a Amazônia francesa voltou a atualidade no final dos anos sessenta, B727 da Cruzeiroquando a construção da base de lançamento de foguetes de Kourou atraiu milhares de trabalhadores do Amapá e do Pará, gerando assim um fluxo de viagens que animou as companhias aéreas. Muito sazonal, e com poucos homens de negócios devido ao fraco intercâmbio econômico e turístico entre as duas regiões, a rota era porém frágil. RICOFoi assim que, em trinta anos, oito companhias se sucederam entre os aeroportos de Val-de-Cans e de Rochambeau (hoje Felix Eboué): a Cruzeiro do Sul, a TABA, a VARIG, a Penta, a TAF, a Suriname Airways e a Air Caraïbes. Duas outras, a Total e a Rico, se candidataram mas não chegaram a operar. A própria Air France explorou também esse voo no inicio dos anos oitenta.

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Esse ano, a briga entre as grandes companhias aéreas brasileiras trouxe novidades nessa região das Guianas. Enquanto a Gol revelou a abertura de um Belém Paramaribo no dia 25 de Agosto, a Azul jà tinha anunciado a abertura do Belém Caiena para o dia 20 do mesmo mês, se as autoridades franceses e europeias confirmavam as autorizações.O prefeito de Belem Zenaldo Coutinho e o governador da Martinica Serge Letchimy Abrindo o seu primeiro destino na America latina, com dois voos semanais nas segundas e quintas feira num ATR 72 de 70 passageiros,  Azul deve porém contar com vários fatores favoráveis. Com claro apoio dos governos do Pará e da Guiana francesa, com crescentes intercâmbios econômicos, com vários acordos de cooperação regional (inclusive a abertura de um escritório da Martinica em Belém), o voo deve também se beneficiar de novos fluxos turísticos. Para a França, os paraenses poderão não somente descobrir Caiena, mas continuar a viagem até o Caribe francês (via Air France) ou até Paris (via Air France ou Air Caraïbes). Uma moto brasileira na Guiana francesaPara o Brasil, além dos europeus atraídos pelo turismo ecológico e a Amazônia, o voo deve trazer de volta franceses da Guiana, da Martinica ou da Guadalupe, atraídos pelo Nordeste brasileiro. E dos dois lados do Oiapoque, a maior fronteira terrestre da Franca, os franco-guianenses estão sem dúvidas querendo  vestir a camisa Azul!

Jean-Philippe Pérol

Aeroporto Felix Eboué em Caiena

Aeroporto Felix Eboué em Caiena

Companhias aéreas: na Europa, na França e no Brasil, quanta saudade!

 

varig_777Enquanto viajantes e profissionais brasileiros ainda lembram com saudades a nossa querida Varig, a revista belga Pagtur publicou essa semana umas estatísticas que mostram que a Europa foi, nos últimos quinze anos, um verdadeiro buraco negro de transportadoras. Somando aquelas que pararam as atividades, as que quebraram mesmo, sejam empresas de cargas ou de passageiros, são 645 companhias aéreas cujos aviões sumiram dos céus europeus.

A lista dos países mais atingidos mostra que não se trata dum problema especifico de economias fracas ou emergentes. Abertura Swissair - Gianfranco.p65O pódio reúne Rússia, França e Reino Unido, e dois terços das companhias aéreas são de países da União Europeia. E, nos cinquenta países analisados, ficaram em segunda, terceira e quinta posição três das cinco maiores economias mundiais. A frieza dos números não traduz também os choques econômicos, sociais e humanos que algumas dessas falências trouxeram, especialmente em países menores. Na Suíça com o grupo Swissair, ou na Bélgica com a Sabena, a quebra dessas transportadoras emblemáticas foram verdadeiros dramas nacionais e com grandes repercussões internacionais.

O Brasil viu também muitas companhias desaparecer. Sem lembrar da Panair, nenhuma das grandes companhias existindo nos anos setenta sobreviveu as crises. varig-airline-eiffel-tower-small-50035A Cruzeiro do Sul, então fiel parceira da Air France, foi absorvida pela Varig, a Transbrasil e depois a VASP foram para falência. A própria Varig, que chegou a ser uma das maiores e das melhores companhias do mundo, acabou falindo em 2006 num processo judicial que ainda está se arrastando. Muitas companhias menores também sumiram, e só listando as bandeiras que já atuaram no Norte do Brasil, deu se para mencionar Paraenses, Taba, Penta, Votec, TAF, Total, Nordeste, Rico …

Para os viajantes e para os profissionais, essa fragilidade justificaria a obrigatoriedade de seguros cobrindo todas os serviços e as operações das companhias aéreas. Ao contrario das companhias de cruzeiros, ou das grandes operadoras internacionais com TUI ou Thomas Cook, a aviação só assegura os riscos ligados a suas operações diretas e não as reservas hoteleiras, aos alugueis de carros ou outros serviços reservados nos seus sites. DIA DOS NAMORADOS A PARTIR DE 599 USD No longo prazo, esse risco é porem compensado. As dificuldades do setor têm a mesma coisa que a sua fantástica democratização : a impressionante queda dos preços. Em 1973, uma ida e volta de São Paulo para Paris custava no mínimo 1275 USD (com a tarifa YE …). Hoje de manhã podia comprar a mesma viagem na Air France por 599 USD, seja  10 vezes menos em moeda constante. Pensando que no mesmo prazo o preço do combustível subiu quase 100 vezes, dá para entender melhor  as dificuldades do setor bem como o extraordinário esforço que as companhias aéreas estão fazendo hoje para dar asas aos nossos sonhos.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo de Michel Ghesquière na revista on-line belga Pagtur

Países e numero de companhias fechadas na Europa desde 2000:  

Rússia 88, Reino Unido 76, França 31, Grécia 29, Alemanha 24, Espanha 24, Italia 23, Georgia 22, Austria 20, Suécia 20, Belgica 17, Arménia 16, Hongria 16, Ukrainia 16, Romenia 15, Bulgaria 14, Finlandia 14, Paises-Baixos 12, Polonia 12, Bosnia 10, Chipre 10, Irlanda 10, Suiça 10, Slovaquia 9, Croatia 8, Moldávia 8, Portugal 8, Serbia 8, Turquia 8, Norvègia 7, Albania 6, Dinamarqua 6, Islandia 6, Lituania 6, Tchèquia 5, Estonia 4, Macédonia 4, Slovénia 4 ,Azerbaijão 3, Letonia 3, Malta 3, Chipre Norte 2, Groenlândia 2, Ile de Man 2, Luxemburgo 2, Belarus 1 e Faroe 1.

TOTAL: 645

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O Guiness para um incentivo chinês de 6.400 pessoas na França

A TIENS ESCREVENDO NA PROMENADE DE NICE

De Paris a Nice, um grupo de 6400 turistas, na grande maioria chineses, quebrou vários recordes do Guiness Book, o primeiro deles sendo de ser a maior viagem em grupo organizado da historia do turismo francês. capture-http-www-tianshiindia-co-inA aventura começou no ano passado quando o dono da empresa Tiens, o Senhor Li Jin Yuan, queria um evento marcante para comemorar os 20 anos da empresa, um conglomerado especializado nos complementos alimentares e os cosméticos, com filiais na China mas também no Quénia e na Rússia. Depois de decidir de oferecer um fim de semana magico para os seus melhores vendedores, teve que escolher entre as ofertas da Italia, da Inglaterra e da França. Com um itinerário original, dividido entre os bairros da capital francesa e os charmes da Cote d’Azur, a operadora chinesa U-Tour, devidamente apoiada pela Atout France, convenceu a Tiens que a França era o destino certo, a altura dos objetivos e do desafio da empresa.

touristes-chinois-OKE foi assim que dia 5 de Maio aterrissaram em Paris 5400 chineses e 1000 kenianos ou russos, vindo em84 vôos, hospedando em 140 hotéis e transportados em 136 ônibus. O Louvre foi privatizado, o Pavillon Tambon também, e o Senhor Li Jin Yuan, bem como seus dez diretores foram recebidos nos salões requintados do Quai d’Orsay (o Itamaraty francês) pelo próprio ministro Laurent Fabius que agradeceu seus convidados por ter escolhido a França para essa viagem de incentivo pioneira.

O HOTEL NEGRESCO E A %22BAIE DES ANGES%22

Levados para Nice num TGV especial, os participantes tiveram o grande encontro nos dias 8 de Maio,  quando a “Promenade des Anglais” virou a Alameda dos Chineses. 770218-des-employes-du-groupe-chinois-tiens-paradent-a-nice-ou-ils-sont-venus-avec-environ-6400-collegues-fSob a vigilância dos inspetores do Guiness Book of Records, os 6400 funcionários do grupo escreveram a mais comprida frase jamais visto do céu: “Tiens dream is Nice in the Côte d’Azur”. Juntos com os moradores um pouco surpresos, assistiram depois a um desfile de barcos e de aviões na Baie des Anges enquanto o Presidente da empresa, hospedado no tradicional  Hotel Negresco, passeava num Jeep americano da Segunda Guerra para comemorar também o dia da Vitoria.

Para a Atout France, a agence de desenvolvimento turístico da Franca, o sucesso dessa viagem de incentivo histórica se deve a mobilização de todos os profissionais franceses, sejam públicos, privados ou políticos, Actu_Atout-France_2para ajudar a operadora U-Tour em todos os detalhes dos preparativos e das operações, incluindo na facilitação dos vistos ou da segurança dos participantes. E valeu a pena, não somente pela alegria comunicativa dos participantes, mas também pelo impacto econômico do evento, estimado entre 13 e 20 milhões de Euros, e pela bela demonstração da capacidade da França a organizar grandes eventos corporativos.

Grandes incentivos brasileiros na França já foram organizados*, mas a façanha do grupo Tiens  mostrou que os mercados emergentes podem gerar eventos de grande porte, levando milhares de participantes para viagens de longa distancia,grupodeincentivo130814 com um retorno excepcional não somente para os convidados mas para a própria empresa. Ai, quem será o primeiro empresário brasileiro a festejar com milhares de funcionários um grande evento em Paris, Nice, Cannes, Deauville ou Bordeaux?

Jean-Philippe Pérol

* O maior incentivo registrado no Brasil para França não aconteceu. Teria sido um grupo de mais de 1000 revendedores da Ford que deviam comemorar na Galerie des Batailles do Palácio de Versalhes o lançamento do carro homônimo. Algumas semanas antes do evento o Plano Collor levou a montadora a cancelar o evento que tinha sido organizado pela Oremar, com o apoio da Air France e da então Maison de la France. Saudades… 

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J.O. no Rio: a França também convida para a festa, preparando 2024!

HIPICA DO RIO DE JANEIRO

 

Se os Jogos Olímpicos vão ser para o Rio de Janeiro uma fantástica vitrina frente aos participantes, aos torcedores e aos milhões de telespectadores, vai ser também para muitos países um grande momento para se promover no Brasil. ASSINATURAPela terceira vez desde os J.O. de Pequim, o Comité olímpico francês vai assim abrir um efêmero “Clube France”, quartel geral do esporte francês, aberto não somente a família olímpica mas também aos torcedores e ao publico brasileiro. O lançamento oficial do projeto foi feito na ultima quarta feira na Sociedade Hípica Brasileira, sob o olhar do Cristo Redentor. A parceria com a seletíssima instituição da Lagoa oferecerá não somente um local de altíssimo padrão, entre a zona sul e a Barra da Tijuca, más também o apoio dos 450 sócios da entidade, muito mobilizados pela colaboração franco-brasileira.

O primeiro objetivo do novo “Clube France” vai ser de ser o ponto de encontro da família olímpica francesa, que seja os 800 membros da delegação, – oficiais, atletas e suas famílias -, ou os torcedores franceses que o Brasil espera receber durante os jogos. Ambiente das noites do Clube FranceMas, assim que já foi experimentado durante os Jogos de Londres, o ambiente, os eventos, os restaurantes e as cerimonias que acontecerão na Hípica azul, branca e vermelha, vão também atrair  muitos brasileiros querendo participar dessa festa. Com o apoio de grandes patrocinadores (A Renaut e a Air France já confirmaram seu apoio), muitas apresentações esportivas e culturais, e a presencia das grandes regiões turísticas francesas querendo mostrar tudo que podem oferecer aos turistas brasileiros, o Clube  pode virar um dos grandes pontos de encontros dos J.O. Rio 2016.

Faixada HIPICA DO RIO

Mas a França vai ter um outro motivo  muito importante para comemorar com seus amigos brasileiros na cidade maravilhosa: a  candidatura de Paris para os jogos de 2024.logo-jeux-olympiques-paris-2024-1 Depois de muitas negociações técnicas, financeiras e políticas com o governo francês, a prefeita Anne Hidalgo, anunciou que Paris era candidata e ia enfrentar Roma, Boston e Hamburgo na escolha do Comité Olímpico Internacional. O “Clube France” e os espaços similares que os Estados Unidos, a Alemanha ou a Itália vão abrir ao publico brasileiro durante os jogos do Rio serão sem dúvidas os primeiros testemunhas dessa briga.jo_paris_organisation

No quadro excepcional da Sociedade Hípica Brasileira, entre a Lagoa Rodrigo de Freitas e o Cristo Redentor, os momentos de festa e de alegria que  o Comité Olímpico Francês vai organizar para os torcedores, franceses ou brasileiros, e para o público carioca, contribuirão assim não somente ao sucesso dos J.O. de 2016 no Rio de Janeiro, mas ainda a preparação dos J.O. de 2024 em Paris.

Jean-Philippe Pérol

LES MASCOTTES CÉLÉBRANT LE SUCCÈS DE RIO

Paris e o deserto francês? Os turistas brasileiros jà estão saindo dessa!

O CENTRO POMPIDOU VISTO DE NOTRE DAME DE PARIS

Paris e o deserto francês, o famoso livro do geógrafo francês Jean-Francois Gravier no qual ele opôs a hegemonia e o dinamismo parisiense ao abandono do interior da França, está  muito ultrapassado. Desde 1947 o cenário dos territórios mudou, e cidades como Lyon, Nice, Marselha, Bordeaux, Nantes ou Lille, viraram grandes capitais regionais atraindo investimentos, fluxos de populações e grandes eventos. Uma nova lei, votada no ano passado, redesenhou uma Franca de  treze regiões metropolitanas e quatro de ultramar, cada uma com sua capital atraente, seu peso econômico e suas riquezas turísticas.

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Os turistas internacionais que visitam a Franca também já se espalham pelo pais inteiro. Paris e sua região Ile de France receberam em 2014 30% das receitas do turismo francês e 70% foram gastos nas outras regiões. Os dois vice lideres são a região Rhône Alpes, – com seus dois grandes atrativos: a cidade de Lyon e as principais estações de esqui -, e a região da Provence – com Marselha, a Cote d’Azur, Avignon, e seus vilarejos cercados de oliveiras ou de campos de alfazema. Nos outros favoritos dos viajantes estrangeiros destacam se a Aquitânia (com Biarritz, Bordeaux e seus vinhedos), a Britânia, o Languedoc (com Montpellier e Carcassonne), e o Midi Pyrénées de Lourdes e Toulouse.

SALÃO RVEF PARIS 2015 No salão de turismo “Rendez vous en France”, que a Atout France organizou a semana passada em Paris com o apoio da Air France, mais de 600 dos 750 expositores mostraram para cerca de 1000 visitantes vindo do mundo inteiro – incluindo 40 brasileiros, a terceira mais importante delegação – a força do turismo nas regiões francesas.

Grandes conhecedores de Paris que continua sendo o seu primeiro destino na Europa, os brasileiros ainda são poucos a passear pelo interior da França. A não ser por excursões rápidas nos castelos do Loire ou na Normandia, ainda menos de 20%, principalmente os mais experientes, saiam da capital. Os expositores do “Rendez vous en France” deixaram então bem claro a vontade de muitos destinos franceses de receberem mais turistas vindo do Brasil. São grandes cidades como Bordeaux, Marselha, Toulouse ou Lyon, que podem se posicionar como destinos de viagens competindo com qualquer outra grande capital europeia. JOANA D ARC EM ROUENSão cidades menores que podem ser incluindo em roteiros de carro ou de trem, como Deauville, Lourdes, Rouen, o Mont Saint Michel ou Saint Tropez. São estações de esqui que querem voltar a ver casais ou famílias aproveitando o inverno francês em Val Thorens, Megéve ou Courchevel. Enfim são regiões inteiras, como Rhône Alpes, a Champagne, o Val de Loire, a Aquitânia, a Provence ou Midi-Pyrénées, que jà mostraram para 2015 novos produtos e serviços focados nos turistas brasileiros.

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Girando pela Franca (uma ideia que foi na época copiada do saudoso Salão da ABAV no Brasil), o “Rendez vous en France” vai no ano que vem parar em Montpellier. A região Languedoc, vencedora da licitação feita pela Atout France, aproveitará sem duvidas esse evento para lembrar seu acervo cultural – e a imperdível Carcassonne -, seus vinhos alegres, ou as noites descontraídas e animadas da sua capital. Um destino a mais na novas rotas dos turistas brasileiros no interior da França.

Jean-Philippe Pérol

LIDO PARIS MERVEILLES