Belém-Caiena, agora a vez da Azul?

AEROPOSTALE

A rota Belém Caiena que a Azul deve abrir no próximo mês de Agosto é talvez uma das mais antigas da aviação no Brasil. Foi inaugurada pela primeira vez no dia 16 de Junho de 1929, pela companhia francesa Aeropostale, pioneira na América Latina, que queria abrir um voo entre Natal e Caracas.AEROPOSTAL O avião era um Latecoere 26, com três tripulantes a bordo, que tinha pousado em Macapá e Cunaní. Depois de vários problemas mecânicos, só chegou em Caracas em outubro, e a rota não vigorou. A subsidiaria da Aeropostale iniciou porém varias voos dentro da própria Venezuela, e ela perdura até hoje como uma empresa estatal, Aeropostal, “Alas de Venezuela”.

Muito tempo esquecida, a ligação entre a Amazônia brasileira e a Amazônia francesa voltou a atualidade no final dos anos sessenta, B727 da Cruzeiroquando a construção da base de lançamento de foguetes de Kourou atraiu milhares de trabalhadores do Amapá e do Pará, gerando assim um fluxo de viagens que animou as companhias aéreas. Muito sazonal, e com poucos homens de negócios devido ao fraco intercâmbio econômico e turístico entre as duas regiões, a rota era porém frágil. RICOFoi assim que, em trinta anos, oito companhias se sucederam entre os aeroportos de Val-de-Cans e de Rochambeau (hoje Felix Eboué): a Cruzeiro do Sul, a TABA, a VARIG, a Penta, a TAF, a Suriname Airways e a Air Caraïbes. Duas outras, a Total e a Rico, se candidataram mas não chegaram a operar. A própria Air France explorou também esse voo no inicio dos anos oitenta.

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Esse ano, a briga entre as grandes companhias aéreas brasileiras trouxe novidades nessa região das Guianas. Enquanto a Gol revelou a abertura de um Belém Paramaribo no dia 25 de Agosto, a Azul jà tinha anunciado a abertura do Belém Caiena para o dia 20 do mesmo mês, se as autoridades franceses e europeias confirmavam as autorizações.O prefeito de Belem Zenaldo Coutinho e o governador da Martinica Serge Letchimy Abrindo o seu primeiro destino na America latina, com dois voos semanais nas segundas e quintas feira num ATR 72 de 70 passageiros,  Azul deve porém contar com vários fatores favoráveis. Com claro apoio dos governos do Pará e da Guiana francesa, com crescentes intercâmbios econômicos, com vários acordos de cooperação regional (inclusive a abertura de um escritório da Martinica em Belém), o voo deve também se beneficiar de novos fluxos turísticos. Para a França, os paraenses poderão não somente descobrir Caiena, mas continuar a viagem até o Caribe francês (via Air France) ou até Paris (via Air France ou Air Caraïbes). Uma moto brasileira na Guiana francesaPara o Brasil, além dos europeus atraídos pelo turismo ecológico e a Amazônia, o voo deve trazer de volta franceses da Guiana, da Martinica ou da Guadalupe, atraídos pelo Nordeste brasileiro. E dos dois lados do Oiapoque, a maior fronteira terrestre da Franca, os franco-guianenses estão sem dúvidas querendo  vestir a camisa Azul!

Jean-Philippe Pérol

Aeroporto Felix Eboué em Caiena

Aeroporto Felix Eboué em Caiena

Companhias aéreas: na Europa, na França e no Brasil, quanta saudade!

 

varig_777Enquanto viajantes e profissionais brasileiros ainda lembram com saudades a nossa querida Varig, a revista belga Pagtur publicou essa semana umas estatísticas que mostram que a Europa foi, nos últimos quinze anos, um verdadeiro buraco negro de transportadoras. Somando aquelas que pararam as atividades, as que quebraram mesmo, sejam empresas de cargas ou de passageiros, são 645 companhias aéreas cujos aviões sumiram dos céus europeus.

A lista dos países mais atingidos mostra que não se trata dum problema especifico de economias fracas ou emergentes. Abertura Swissair - Gianfranco.p65O pódio reúne Rússia, França e Reino Unido, e dois terços das companhias aéreas são de países da União Europeia. E, nos cinquenta países analisados, ficaram em segunda, terceira e quinta posição três das cinco maiores economias mundiais. A frieza dos números não traduz também os choques econômicos, sociais e humanos que algumas dessas falências trouxeram, especialmente em países menores. Na Suíça com o grupo Swissair, ou na Bélgica com a Sabena, a quebra dessas transportadoras emblemáticas foram verdadeiros dramas nacionais e com grandes repercussões internacionais.

O Brasil viu também muitas companhias desaparecer. Sem lembrar da Panair, nenhuma das grandes companhias existindo nos anos setenta sobreviveu as crises. varig-airline-eiffel-tower-small-50035A Cruzeiro do Sul, então fiel parceira da Air France, foi absorvida pela Varig, a Transbrasil e depois a VASP foram para falência. A própria Varig, que chegou a ser uma das maiores e das melhores companhias do mundo, acabou falindo em 2006 num processo judicial que ainda está se arrastando. Muitas companhias menores também sumiram, e só listando as bandeiras que já atuaram no Norte do Brasil, deu se para mencionar Paraenses, Taba, Penta, Votec, TAF, Total, Nordeste, Rico …

Para os viajantes e para os profissionais, essa fragilidade justificaria a obrigatoriedade de seguros cobrindo todas os serviços e as operações das companhias aéreas. Ao contrario das companhias de cruzeiros, ou das grandes operadoras internacionais com TUI ou Thomas Cook, a aviação só assegura os riscos ligados a suas operações diretas e não as reservas hoteleiras, aos alugueis de carros ou outros serviços reservados nos seus sites. DIA DOS NAMORADOS A PARTIR DE 599 USD No longo prazo, esse risco é porem compensado. As dificuldades do setor têm a mesma coisa que a sua fantástica democratização : a impressionante queda dos preços. Em 1973, uma ida e volta de São Paulo para Paris custava no mínimo 1275 USD (com a tarifa YE …). Hoje de manhã podia comprar a mesma viagem na Air France por 599 USD, seja  10 vezes menos em moeda constante. Pensando que no mesmo prazo o preço do combustível subiu quase 100 vezes, dá para entender melhor  as dificuldades do setor bem como o extraordinário esforço que as companhias aéreas estão fazendo hoje para dar asas aos nossos sonhos.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo de Michel Ghesquière na revista on-line belga Pagtur

Países e numero de companhias fechadas na Europa desde 2000:  

Rússia 88, Reino Unido 76, França 31, Grécia 29, Alemanha 24, Espanha 24, Italia 23, Georgia 22, Austria 20, Suécia 20, Belgica 17, Arménia 16, Hongria 16, Ukrainia 16, Romenia 15, Bulgaria 14, Finlandia 14, Paises-Baixos 12, Polonia 12, Bosnia 10, Chipre 10, Irlanda 10, Suiça 10, Slovaquia 9, Croatia 8, Moldávia 8, Portugal 8, Serbia 8, Turquia 8, Norvègia 7, Albania 6, Dinamarqua 6, Islandia 6, Lituania 6, Tchèquia 5, Estonia 4, Macédonia 4, Slovénia 4 ,Azerbaijão 3, Letonia 3, Malta 3, Chipre Norte 2, Groenlândia 2, Ile de Man 2, Luxemburgo 2, Belarus 1 e Faroe 1.

TOTAL: 645

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