853 passageiros nos futuros Airbus A380?

Os primeiros 747 Jumbo da Pan American

Os primeiros 747 Jumbo da Pan Américan

Se o turismo nasceu em 1841 com os trens à vapor, o grande impulso para o turismo internacional foi dado no dia 22 de janeiro de 1970, quando o primeiro 747 Jumbo da Pan Américan decolou de Nova Iorque para  Londres. A capacidade dos jatos passando de menos de 150 passageiros a mais de 350, e a Boeing pressionando para vender os seus aviões, o preço das passagens começou a despencar e o numero de viajantes a subir de forma espantosa. Com a popularização das viagens, novos destinos  distantes começaram a surgir, operadoras de turismo apareceram com produtos atrativos, e agencias de viagem se multiplicaram para ajudar os novos turistas a realizar seus sonhos. E os 140 milhões de viagens de 1969 viraram 400 milhões em 1989 e 1,2 bilhão em 2016.

O Airbus A380 da Air France

O Airbus A380 da Air France

A Airbus está agora pensando numa nova jogada que poderia também revolucionar o turismo internacional, oferecendo para as companhias aéreas de aumentar até 853 assentos a capacidade dos seus A380, enquanto a media é hoje de 500 nos 180 aparelhos explorados por 13 companhias. Numa primeira fase, a recomendação da Airbus seria de adicionar 70 assentos na classe econômica, com uma configuração 3-5-3 em vez de 3-4-3 hoje, mas guardando o mesmo espaço e conforto para cada passageiro. Algumas companhias poderiam ser interessadas já que os números variam muito hoje de uma para outra. O recorde de assentos pertence a Emirates que inaugurou um A380 com 615 lugares (58 na Business e 557 na Econômica ). Os mesmos aviões levam 469 passageiros na British Airways, 484 na Qantas ou 379 na Singapore Airlines (12 na Primeira, 86 na Business, 36 na Premium e 245 na  Econômica) . Na Air France, o A380, que começou a operar na América latina na rota Mexico Paris em janeiro desse ano, tem uma configuração ainda diferente, sejam 9 lugares na primeira, 80 na Business, 38 na Premium e 389 na Econômica – um total de 516 passageiros.

A chegada do primeiro A380 da Emirates em São Paulo

A chegada do primeiro A380 da Emirates em São Paulo

Mas, mesmo com uma preferência disparada dos viajantes, o Airbus A380 é hoje um avião caro que as companhias aéreas são relutantes em comprar – a Emirates sendo a única que mantém  um nível importante de encomendas, e 2016 só indo bem pela espetacular compra de 12 aparelhos pela Iran Air. O aumento de numero de assentos ajudaria a baixar seus custos opcionais, e a aumentar sua competitividade. A Airbus aposta que os preços das viagens poderiam também baixar, gerando um aumento significativo dos fluxos de passageiros, e com ele mais procura para seu gigante do ar. A expectativa seria de chegar a 1000 Airbus A380 vendidos até 2030, contribuído assim a um novo impulso das viagens internacionais dos próximos 15 anos, indo rumo a 1,8 bilhão de viajantes, com o mesmo pioneirismo que caracterizou a chegada dos B747 Jumbo e a revolução do turismo dos anos 70.

 

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista on-line Pagtour

A380 da Airbus em São Paulo (novembro 2007)

A380 da Airbus em São Paulo

Voltar a nadar no Rio Sena, as promessas dos JO 2024 para os moradores de Paris…

O Rio Sena frente a catedral Notre Dame de Paris

O Rio Sena frente a catedral Notre Dame de Paris

Enquanto a despoluição da Baia de Guanabara, que irá sediar diversas provas aquáticas durante os Jogos Olímpicos, segue como tema da imprensa internacional, e ficará provavelmente como uma promessa não cumprida pelos organizadores, Paris prometeu fazer das águas do Rio Sena um dos seus argumentos chaves para sua candidatura de 2024.baia_guanabara_botafogo Assim como seus colegas do Rio de Janeiro quando trabalharam sobre a candidatura, os responsáveis da Prefeitura de Paris estão preocupados a preparar um evento que seja não somente exemplar em termos de sustentabilidade, mas também rico em benefícios para os moradores da cidade, especialmente nas áreas de infraestruturas esportivas, transportes urbanos, e despoluição do ar e das águas.

A prefeita de Paris mostrando o logo da candidatura

A prefeita de Paris mostrando o logo da candidatura

A candidatura de Paris – cuja apresentação final, junto com aquelas de Los Angeles, Roma e Budapeste, será julgada em Lima no dia 13 de setembro 2017 – levou a prefeita Anne Hidalgo a preparar  43 medidas  reunidas num imponente projeto chamado “Os Jogos Olímpicos e Para-Olímpicos , aceleradores de políticas públicas “. Com a clara intenção de convencer os parisienses de que os grandes eventos esportivos ou culturais são um meio de melhorar a qualidade de vida dos habitantes (e depois de contribuir ao crescimento econômico), O futuro bondinho olímpico de Parisa prefeita detalhou alguns exemplos mais espectaculares. Paris terá assim uma nova linha de bondinho atravessando a cidade de leste a oeste, as pistas cicláveis serão ampliadas até os subúrbios, passando de 700 a 1400 quilômetros para interligar todos os sítios olímpicos.  Misturando atividades esportivas e itinerário verde – incluindo o Bois de Boulogne e o Bois de Vincennes -,  uma trilha pedestre de 35 quilômetros dará a volta na cidade, com uma abertura progressiva a partir de 2018.

Era uma vez, a praia dos Tuileries!

Era uma vez, a praia dos Tuileries!

Para convencer os parisienses das melhorias concretas que os Jogos poderão trazer, a promessa de poder voltar a nadar no Rio Sena é sem dúvidas a mais espetacular. Lançada por vários prefeitos desde 1988, a despoluição das águas do Rio mítico e dos principais canais atravessando Paris deve começar logo em 2017. paris-plageAs atividades aquáticas seriam assim progressivamente liberadas, começando pelas competições esportivas. Durante os Jogos, as provas de natação do triathlon (1,5 quilometro) e dos 10 quilômetros de nado livre aconteceriam no rio. E, logo depois da cerimônia de encerramento, moradores e turistas poderão aproveitar várias áreas que serão reservadas para os banhistas. Se não se sabe ainda se a histórica “Plage des Tuileries” será reaberta, não tem dúvidas que o tradicional “Paris plage” virará assim uma verdadeira praia.

Remadores olimpicos na Lagoa Rodrigo de Freitas

Remadores olimpicos na Lagoa Rodrigo de Freitas

Presente durante os Jogos do Rio no “Clube France” que o Comité Olímpico francês vai animar na Sociedade Hípica Brasileira junto com Atout France, Air France e várias outras empresas francesas, a delegação parisiense dos JO 2024 poderá promover sua candidatura olhando a beleza da Lagoa Rodrigo de Freitas cujas águas, prontas para as provas olímpicas de remo, mas sem previsão para ser entregues limpas aos moradores da cidade maravilhosa, lembrarão as dificuldades de cumprir as promessas olímpicas.

Jean-Philippe Pérol

 

Um sucessor do Concorde a preços Virgin?

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O projeto de supersônico da Boom

Desde o dia 31 de Maio de 2013, quando o Concorde da Air France pousou pela ultima vez em CDG procedente de Nova Iorque, não faltaram nostálgicos e visionários para tentar relançar um projeto de avião comercial combinando velocidade superior a Mach 2 e viabilidade econômica. Um grupo de fãs ingleses  juntou 40 milhões de libras para por o próprio Concorde a voar de novo em 2019. AS2 da Aerion:AirbusA empresa americana Aerion projetou o AS2, um avião pequeno – 12 lugares-, voando somente a Mach 1,5 e custando 120 milhões de dólares, mas que já interessou a companhia de taxi aéreo Flexjet. A Lockheed já tem também seu projeto, e a Spike Aerospace de Boston trabalha com a ideia de um avião sem janelas. A própria Airbus imaginou um modelo parecendo um foguete que poderia voar a Mach 5, digno de ficção cientifica mas já protegido com vários brevês e patentes.

Avion fusée Airbus

O avião foguete da Airbus

Richard Branson anunciou agora uma parceria para viabilizar um novo projeto. O imprevisível dono da Virgin, que já queria em 2003 comprar os Concorde da British, ambiciona de relançar voos supersônicos,  mas com tarifas acessíveis: 5000 USD a ida e volta entre Londres e Nova Iorque, ou  7000 USD entre Los Angeles e Sidnei. Escolheu de apoiar o projeto de uma start up do Colorado, a”Boom”, e confirmou uma opção para dez aparelhos. Fundada por Blake Scholl, piloto e ex-executivo da Amazon, e um pequeno grupo de dez engenheiros especialistas  dos voos supersônicos, a “Boom” já conseguiu atrair vários grandes investidores da Silicon Valley e  está desenvolvendo um protótipo num galpão de Denver, no Colorado.

O avião da Boom imaginado no aeroporto de Londres

O avião da Boom imaginado no aeroporto de Londres

Para conseguir a façanha de construir um avião cruzando o Atlântico Norte em três horas e meia, e de viabilizar passagens aos preços da atual Classe Executiva, a “Boom” apostou em utilizar somente tecnologias já existentes, seja na parte aerodinâmica , nos materiais compósitos em fibra de carbono ou nos motores. Richard Branson e o seu GalacticCom o apoio do Branson, a filial da Virgin ” The Spaceship Company” vai também trazer sinergias na engenharia, no design, na produção, nos voos experimentais ou nas próprias operações. O avião poderá transportar 40 passageiros, sendo dez fileiras de quatro  poltronas, duas de cada lado do corredor. Com uma autonomia de sete horas (o dobro do Concorde), a  velocidade será de Mach 2,2 (um pouquinho acima do Concorde que voava a Mach 2), e a altitude de cruzeiro de 18.000 metros, dando – como no Concorde- para ver o céu quase preto e o horizonte bem curvo. A Virgin e a Boom estão programando para o final de 2017 o primeiro protótipo em Denver, mas se recusaram a dar uma data seja para o primeiro voo experimental ou seja para o inicio dos voos comerciais. Muito cautelosos, os especialistas pensam que, se esse projeto se realizar, a Virgin só poderá embarcar seu primeiro passageiro em 2025. Até lá, o Concorde continuará a ter o monopólio dos nossos sonhos aeronáuticos .

Jean-Philippe Pérol

Concorde da Air France, lindo e ainda pioneiro

Concorde da Air France, lindo e ainda pioneiro

 

 

 

Montpellier, capital da França dos 40 destinos turísticos!

Montpellier, sede do Rendez vous en France 2016

Montpellier, sede do Rendez vous en France 2016

No próximo dia 5 de Abril, 740 expositores franceses e 900 profissionais e jornalistas de turismo vindo de 70 países, incluindo 38 brasileiros, vão se encontrar em Montpellier para participar da 11a edição do Salão Rendez-vous en France. 56791583961092591037010415rendezvousfrance0223Maior encontro turístico da França, ultimamente organizado pela Atout France em Toulouse, Clermont-Ferrand e Paris, o “Rendez vous” tem, desde as suas origens, dois objetivos principais: atualizar os contatos entre os grandes atores do turismo francês, e mostrar a diversidade da oferta das regiões francesas – mais especialmente os 80% do território nacional que recebem menos de 20% dos visitantes.

Galeria das Batalhas em Versalhes

Galeria das Batalhas em Versalhes, Rendez vous en France 2002

A vontade de promover destinos novos sempre caracterizou os eventos organizados pelo turismo francês. Nos anos 80, já com o apoio da Air France, a “Bienvenue France” colocava frente a frente, nos salões do Concorde Lafayette, operadores internacionais, hotéis parisienses e agentes receptivos. Eram então privilegiadas as excursões em ônibus circulando pela França inteira ou pela Europa, com os circuitos de Paris Vision, Cityrama ou Transocean. RVEF 2015A partir de 94, a vontade de mostrar a riqueza turística das regiões levou a criação de salões especializados. A então “Maison de la France” desenvolveu, ao lado do “Rendez vous en France”, o “Grand Sud” – reunindo Aquitânia, Midi Pyrénées, Languedoc, Provence e Córsega, o “Cap à l’Ouest” – juntando Britânia, Vale do Loire, Poitou e Normandia, e as “Routes du goût Grand Est” – contando com Borgonha, Champagne, Lorena, e Alsácia. Virou um evento excepcional – chegando em 2002 a encher  até o Palácio de Versalhes -, mas o seu gigantismo e seus dez dias de duração obrigaram então a pensar num outro esquema. Surgiu a ideia de um salão itinerante – inspirado do Pow How americano -, que vigorou a partir de 2006, alternando Paris e cidades candidatas de outras regiões francesas, mas sempre combinando encontros profissionais e roteiros de descobertas.

A praça do Capitole, em Toulouse Pyrénées

O Capitole, em Toulouse Pyrénées, Rendez vous en France 2013

Se o Rendez vous en France sempre foi uma grande ocasião de promover as regiões francesas, o encontro de Montpellier vai ter um destaque especial. Em primeiro lugar porque as regiões vão aparecer pela primeira vez com os novos agrupamentos definidos em janeiro desse ano, seja 17 regiões em vez de 26, sendo agora reunidas as duas Normandia, o Norte e a Picardia, a Alsácia, a Lorena e a Champagne, Midi Pyrénées e o Languedoc, a Auvergne e Rhône Alpes, e a Borgonha (ex ducado) com o seu antigo “franco condado”.  635-rdvefO encontro será também a ocasião de testar, junto aos profissionais convidados, o apelo das novas marcas mundiais que a Franca quer agora promover, marcas tradicionais como Provence, Bordeaux ou Champagne, mas também marcas mais recentes como Alpes-Mont-Blanc, Biarritz-Pays-Basque, Toulouse-Pyrénées ou Languedoc-Méditerranée. Um total de 40 destinos empolgados a oferecer o melhor atendimento aos visitantes vindo do mundo inteiro, e mais especialmente do Brasil!

Jean-Philippe Pérol

 

O Puy de Dome, inesquecível cenario do Rendez vous en France 2014

O Puy de Dome, inesquecível cenario do Rendez vous en France 2014

 

O Teatro Amazonas, o mito e o fascínio da “Opera de Manaus”

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As galerias do Teatro Amazonas

O mito do Teatro Amazonas – ou da “Ópera de Manaus”-, assim chamado na Europa ou nos Estados Unidos-, exerce um fascínio que parece não ter lógica. Carlos Fermín Fitzcarrald, o Fitzcarraldo, nunca poderia ter assistido a um espetáculo no Teatro que ainda não estava inaugurado quando ele passou em Manaus. Caruso nunca cantou no Teatro Amazonas, veio para o Brasil mas não saiu do Rio Janeiro. 00000305 - copie 2Sarah Bernard, a famosa atriz francesa, nunca viajou para Manaus e não poderia ter gritado para seu motorista a gloriosa frase “Chauffeur, à la forêt vierge!”. E no Amazonas da época da borracha, é provável que as tropas francesas que se apresentavam no Teatro fossem mais parecidas como as Folies Bergères que como os Balês do Palais Garnier. A ironia da História é que os dois cantores mais conhecidos que se apresentaram em Manaus foram talvez Mireille Mathieu em 1977 e Sacha Distel em 1978 , ambos levados pela Air France para eventos excepcionais do então tão concorrido Prêmio Molière.

O Teatro Amazonas

Vista geral do teatro com seu domo coberto de telas da Alsácia

Além do mito, o Teatro Amazonas atrai também por sua própria história. A partir da louca ideia lançada em 1881 de construir um teatro lírico em uma cidade com então 20.000 habitantes,IMG-20120513-00333 - copie  foram 17 anos para a construção com arquiteto e material vindo da Itália e da França, empurrada pela vontade do governador, Eduardo Ribeiro, até sua inauguração em dezembro de 1896. Transformado em entreposto de borracha na época da decadência, o Teatro começou a renascer nos anos 70 com a primeira renovação, e o voltou a brilhar nos últimos vinte anos com uma rica programação cultural. Criado em 1997, o Festival Amazonas de Ópera reatou com a tradição lírica da “Ópera de Manaus”.

AMAZON SANTANA CRUISING IN JAU NATIONAL PARK

A beleza das matas e das águas navegando no Rio Jaú

Mas o mito do Teatro vem também do fascínio pela selva amazônica, da folia da expedição de Aguirre, da busca desesperada pelo Casiquiari, dos sonhos de Jules Verne, do drama dos seringueiros  ou da louca aventura de Galvez.Museu do Seringal em Manaus E o visitante sentado nas poltronas de veludo vermelho tira parte da sua emoção ao juntar a sofisticação do espetáculo com as emoções da descoberta das águas, das matas e das tradições dos ribeirinhos do Amazonas e do Rio Negro.  Assim para o Festival 2016, a Secretaria da Cultura, liderada pelo incansável e criativo Robério Braga, programa duas operas, Médée de Cherubini, e Adriana Lecouvreur de Cilea . BOTOCombinada com o encontro das águas, o espetáculo do botos cor de rosa, o emocionante Museu do Seringal ou a casa de farinha duma comunidade cabocla, a estada do visitante terá talvez como outro momento emocionante as músicas e danças  dos índios Dessana. Dando palestra no mundo inteiro, incluindo no famoso Musée des Arts Premiers de Paris, o Cacique Raimundo e sua família, recem-chegados do alto Rio Negro, conseguem manter em sua Oca as tradições culturais que também  são as raízes dos  mitos da Amazônia.

Jean-Philippe Pérol

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Danças dos Indios Dessana

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Barco acostado na Praia do Tupé

Norwegian, a empresa low cost tentando (de novo) os voos de longa duração

Aeroporto Charles de Gaulle esperando Norwegian para Julho

Aeroporto Charles de Gaulle esperando Norwegian para Julho

Enquanto as companhias low cost se concentravam até agora nos voos de menos de 4 horas, o cenário mudou nos últimos dois anos. A companhia norueguesa Norwegian Air Shuttle, já conhecida por ter aberto 38 voos entre a Europa e os Estados Unidos, já presente entre Nova Iorque e Paris Orly, vai inaugurar no próximo mês de Julho vários voos entre o aeroporto Charles de Gaulle e os Estados Unidos. Norwegian em Nova IorqueLigando assim 7 vezes por semana Paris a Nova Iorque, Los Angeles e Fort Lauderdale, ela vai propor tarifas a partir de 179 euros por cada trecho, 33% mais baratas que as melhores ofertas das companhias regulares. Além de uma nova concorrente nas rotas do Atlântico Norte, a  aparição de low cost em voos de longo alcance – que já começou também na Inglaterra, e na Alemanha com a Eurowings – é mais uma ameaça para as grandes empresas tradicionais.

Dreamliner da Norwegian

Dreamliner da Norwegian

Para competir com a Air France, desafiar a força das redes mundiais e oferecer um serviço competitivo mesmo se mínimo, Norwegian conseguiu reduzir os seus custos com três medidas. A primeira é de oferecer tarifas muito baixas, mas sem incluir nada além da passagem, de uma bagagem de cabina de 10 quilos, e do acesso a um excelente wifi a bordo. Qualquer outro serviço é cobrado: uma refeição 70 euros, uma mala no porão 70 euros, uma cadeira marcada 35 euros. As passagens não são reembolsáveis, têm suplementos para fones de ouvidos e até para cobertor, e uma sobretaxa é cobrada se pagar com cartão de crédito …

Hop, a fé da Air France nos low costs nos voos de curta distancia

Hop, a fé da Air France nos low costs para voos de curta distância

O segundo segredo dessas empresas low costs fica nos aviões escolhidos. Os Boeing 787-Dreamliner da Norwegian levam 291 passageiros (inclusive 32 numa classe Premium), em vez de somente 250 nas companhias tradicionais. Aviões da última geração, eles tem um consumo de querosene 15% mais baixo que os aparelhos da geração anterior, além de oferecer alguns serviços, especialmente o wifi, que ainda não são disponíveis em frotas mais antigas. Os custos da companhia estão também reduzidos pela estratégia escolhida para reduzir os custos de pessoal. Contratadas na Irlanda – sede da holding- ou nos Estados Unidos, as tripulações não serão enquadradas pelas pesadas leis trabalhistas francesas, nem influenciadas pelos poderosos sindicatos. A Norwegian espera assim rebaixar essas despesas de quase 50% em relação a Air France, diminuindo  seu peso de 30% a somente 16,3% em relação ao custo global dos voos.

Voo inaugural da Norwegian na Martinica

Voo inaugural da Norwegian para Martinica

Depois das empresas low cost na Europa e dos hubs das companhias do Golfo, o crescimento  da Norwegian ou da Eurowings é mais uma ameaça pesando no modelo tradicional da aviação internacional. Thierry Gargar do turismo da Guadalupe na inauguracão do voo da NorwegianO sucesso do modelo já experimentado em Londres, o rápido desenvolvimento internacional dessas companhias (a Norwegian já opera nas Américas, incluindo com voos entre  a Martinica, a Guadalupe e Boston, Baltimore ou Nova Iorque;  tem projetos em Bordeaux), mostra que essas novas ofertas dos low costs tenham a capacidade de seduzir os viajantes. Mesmo sabendo das dificuldades que o transporte aéreo a baixo custo sempre acaba enfrentando, e lembrando da pioneira Laker Airways ou da falida Zoom Airlines, a Air France e as grandes companhias regulares já estão cogitando uma resposta.

Jean-Philippe Pérol

O famoso explorador Thor Heyerdahl nas asas da Norwegian

O famoso explorador Thor Heyerdahl nas asas da Norwegian

 

2016, Ryan Air x Lufthansa: o mundo muda …

Aviões da Ryan Air

Aviões da Ryan Air

Quem já trabalhava no turismo em 1985 dificilmente imaginaria que os primeiros voos  da recém criada Ryan Air entre a Irlanda e a Inglaterra – com um pequeno Embraer de 15 lugares- anunciavam uma nova era da aviação na Europa. Embraer da Ryan Air em 1985Comemorando os seus 30 anos, a companhia irlandesa deve porém realizar a façanha de passar na frente da Lufthansa. Em 2015, ela encostou 105 milhões de passageiros contra 107 milhões e deveria inverter essas posições em 2016. Aproveitando o potencial das empresas low-costs na Alemanha (hoje elas têm somente 25% do mercado enquanto essa porcentagem chega a 50% no Reino Unido ou na Itália), Ryan Air está lançando  mais linhas e novas ofertas, fazendo sofrer sua concorrente e sua filial Eurowings.

Luzes da noite de Berlim

Fazendo do mercado alemão uma das suas prioridades, a estratégia da Ryan Air é primeiro de abrir novas linhas, incluindo o maior número possível de novas rotas. Será a única companhia a operar de Colônia para Copenhague, Varsóvia, Valença, Porto e Bergamo. Ryanair-Luftansa_01Em Hamburgo terá o monopólio dos voos para Madri e Barcelona. Com preços competitivos frente a TUI, Air Berlin e Eurowings, Ryan Air consegue mesmo excelentes resultados na rota muito concorrencial entre Colônia e a Grande Canária. Com um importante hub em Timisoará, ela se posicionou não somente nos voos da Romênia para Alemanha – Berlim e Frankfurt – , mas também nas principais rotas entre a Romênia e a Bélgica, a Inglaterra ou a Itália.

O Being 747-8 "Queen of the Skies" da Lufthansa

O Being 747-8 “Queen of the Skies” da Lufthansa

Enquanto o domínio da Lufthansa e da Air Berlin, donas de 60% do mercado,  bloqueava o crescimento na Alemanha das companhias low-costs, os aeroportos entenderam agora que essas companhias são as únicas tendo a produtividade necessárias para impedir o fechamento de muitas rotas. Se a jurisprudência europeia proíbe agora os subsídios que ajudaram a abrir novos voos na Franca em cidades como Pau, Nîmes ou Angoulême, as tarifas aeroportuárias deveriam porem baixar e permitir um novo impulso a Easy Jet e a Ryan Air. A Lufthansa, através da sua subsidiaria Eurowings, ainda espera poder aproveitar essa oportunidade. Mas é pouco provável que seus preços sejam competitivos, e que a reconhecida qualidade alemã dos seus serviços ou das suas vantagens sejam suficientes para assegurar a liderança do grupo na Europa.

Mesmo se a França é agora o último mercado a resistir ao sucesso da Ryan Air, o mundo da aviação parece definitivamente transtornado. Veremos em 2016 a iconoclasta companhia irlandesa – que chegou a propor de vender lugares em pé nos seus aviões-  ficar na frente da Lufthansa, da Air France e da British no o primeiro lugar do pódio europeu. Por enquanto.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista online Pagtour

AIR FRANCE EASY JET

Concorde da Air France e Boeing da Easy Jet

Wi-Fi a bordo: em 2016, virando rotina?

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São hoje pelo menos sessenta companhias aéreas que oferecem serviços de Wi-Fi a bordo dos seus aviões. A plataforma de viagem routehappy.com acabou de publicar uma interessante pesquisa comparativa das suas ofertas, tanto nos voos de longas que de curtas distancias. O ranking assim estabelecido leva em consideração os equipamentos, a qualidade do serviço, mas também a oferta global de assentos (available seat miles ASM) de cada companhia, critérios que levam a calcular que 36% dos viajantes podem hoje se conectar com a Internet.Delta As três maiores companhias americanas lideram o ranking, a Delta ficando com uma pequena vantagem sobre United e  American. A Southwest é a quinta colocada, bem na frente da Virgin America que tem 100% de seus aviões equipados, mas com uma oferta global de assentos muito menor. A concorrência na América do Norte obrigou as companhias a acelerar seus investimentos em 2015, e seus passageiros tem hoje 76% de chances de ser beneficiado com uma conexão a bordo,  sendo esse numero reduzido a 24% nas companhias de outras regiões do mundo.

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Depois de Emirates, empatada com Etihad em sexto lugar, a Lufthansa oferece o Wi-Fi em 100% dos seus voos de longa distancia. Ela é uma das poucas companhias europeias  bem colocada, na frente de Aeroflot, Norwegian, Iberia, Aer Lingus ou Turkish. A pesquisa mostra também que duas das maiores companhias europeias e mundiais, a Air France e a British, mesmo dando prioridade para a clientela corporativa, ainda têm muita cautela quando se trata de Wi-Fi a bordo. Wi-Fi na Air FranceEm parceria com a telefônica francesa Orange, a Air France está testando a bordo de vários Airbus A320 um Wi-Fi de alta velocidade onde será até possível de assistir a televisão, uma tecnologia também testada pelos Trens de Grande Velocidade da SNCF. Com muita pressão dos passageiros – especialmente os Frequent flyers – , esse serviço está funcionando na Virgin America e vai começar em breve na Jet Blue. A Delta, a Aeromexico, a Virgin Atlantic e a Lufthansa estão também se preparando e vão obrigar as grandes concorrentes a encontrar em 2016 as soluções técnicas necessárias.

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A pesquisa de routehappy.com mostrou também que a concorrência em algumas rotas obriga as companhias a acelerar a oferta de Wi-Fi. É o caso de Nova Iorque a Dubai, de Los Angeles a Tóquio ou de Londres a Singapura que constam os maiores números de voos conectados, enquanto é difícil navegar na Internet de Londres para Hong Kong, ou nas principais conexões saindo de Paris. Wi-Fi-en-volA concorrência vai também provavelmente acelerar a gratuidade do serviço, hoje exclusiva dos passageiros da Primeira e da Executiva, mas que será com certeza ampliada em breve para todos os viajantes. No Brasil, a GOL saiu na frente, prometendo instalar o Wi-Fi até o final do primeiro semestre de 2016 em toda a sua frota, em parceria com a Gogo, que irá oferecer a tecnologia necessária e a transmissão de dados via satélite quando no ar. Se o Wi-Fi ainda não é rotina nos céus brasileiros, vai com certeza vira-lo em breve.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista de turismo on-line La Quotidienne

Air France WiFi

Reveillon do Ano Novo, só com Champagne! … Mas qual ?

CHAMPAGNE PARA NOITE DE REVEILLON

Comemorado no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Fortaleza, em Miami ou em Paris, um Reveillon a brasileira tem alguns itens básicos que não podem faltar: roupa branca, muitos amigos, lentilhas, uvas, romãs e Champagne francês.Reveillon no Rio Negro Essa primeira taça do Ano Novo é uma escolha importante, e vem sempre a pergunta: qual é a melhor Champagne para comemorar? Sendo que a resposta depende do paladar e da emoção de cada um, cada folião terá sem duvida sua própria resposta. Existem várias listas das melhores marcas de Champagne, nelas sempre constam Louis Roederer, Krug, Laurent-Perrier, Heidsieck, Veuve Clicquot, Taittinger, Perrier-Jouet, Pol Roger, Jacquesson, Moet et Chandon (com o Dom Perignon), Deutz e Ruinart. Mas é esse ultimo que sempre foi meu preferido,  especialmente para brindar no Ano Novo.

Ruinart-Blanc-de-Blancs

Essa paixão vem da historia peculiar e das características do próprio Ruinart. Fundada em 1729, quando o Louis XIV autorizou pela primeira vez o transporte do vinho espumante da região, Ruinart é a mais antiga “maison” da Champagne.  CARTAZ BELLE EPOQUEJá vendia mais de 30.000 garrafas em 1730, já estocava os seus vinhos nas “Crayeres” em 1750, e foi premiada pelo Rei Louis XVIII em 1817. Depois de dois séculos de prestigio, vieram as duas guerras que castigaram o leste da França, e ela quase desapareceu em 1946 quando o seu acervo se reduziu a 17 hectares de vinhedos e as 800 garrafas, sendo seus últimos dois clientes o famoso restaurante Maxim’s e a casa noturna Le Sphinx – o “Love Café” então favorito  dos políticos . A reconstrução demorou, e foi somente em 1963, depois da compra pela LVMH, que a marca começou a se reposicionar como um Champagne  de prestigio, com uma produção pequena atendendo um público de conhecedores. Nos anos setenta o Dom Ruinart já era, junto com o “Comtes de Champagne” e o “La Grande Dame”, Dom Ruinart Rosé 1998uma das Champagne servidos na Primeira Classe na Air France, e ela era encontrado também nos bares das melhores companhias de cruzeiro. O sucesso voltou mesmo nos anos 90 com um sabor consolidado em volta de uvas chardonnay, aromáticos e elegantes, vindo da Côte de Blancs e da Montagne de Reims, tanto nos R de Ruinart, no Rosé, no Blanc de Blanc que nos Dom Ruinart.

RELAIS CHATEAUX LES CRAYERES

Ter uma Champagne preferida é também muito influenciado pela emoções as quais ela foi associada, muitas vezes durante as viagens e mais ainda na própria região de Reims.Champagne de balão Brindar com uma taça de Ruinart para iniciar um jantar no Relais et Châteaux Les Crayeres, para comemorar com amigos, um passeio de balão em cima dos vinhedos, para acompanhar seus convidados numa noite de gala nas “crayeres” onde são guardadas as preciosas garrafas, ou para esperar  o por do sol desde a varanda do Royal Champagne, são experiências que ligam o viajante com a Champagne que presenciou esses momentos.  Agora, para acompanhar o seu próximo Reveillon, segue seus próprios gostos, e procure nas suas próprias lembranças e emoções de viagens qual é a sua melhor Champagne! Santé!

Jean-Philippe Pérol

 

A Accor se firmando no luxo com os míticos Hotéis Raffles

Royal Monceau Rafes em Paris

Royal Monceau Raffles em Paris

Anunciando a compra da Fairmont Raffles Hotels International, Stéphane Bazin, CEO da Accor, confirmou não somente uma aquisição estimada em 2,9 bilhões de dólares, a maior da sua história, mas a entrada do grupo francês no seleto clube dos 5 grandes da hotelaria de luxo. Sebastien Bazin anunciando a compra da FairmontMesmo ficando longe do líder do setor, o Americano Marriott-Starwood, que junta 800.000 quartos, Accor pode contar agora com 100.000 apartamentos divididos em mais de 500 hotéis de luxo. Com três novas marcas, o grupo adquiriu também vários estabelecimentos de prestigio, como o “Palace” Royal Monceau em Paris, o Savoy em Londres ou o Raffles em Singapora, esse mítico estabelecimento aberto em 1887, orgulho do Império britânico, cujos hospedes refinados e fleumáticos chegaram em 1942 a exigir dos  soldados japoneses que invadiram o hotel  de deixar-los acabar o baile antes de ser presos.

O mítico Raffles Hotel de Singapura

O mítico Raffles Hotel de Singapura

Essa operação foi financiada em parte com uma entrada no capital do Qatar (Qatar Investment Authority) e da Arábia Saudita (Kingdom Holding Compagny) que virarão, se as autoridades anti-trust autorizaram, os dois maiores acionistas da Accor. O grupo vai assim reforçar sua posição no setor da hotelaria de luxo, aumentando seus lucros e permitindo uma projeção de 650 hotéis até 2020. O Bar do RafflesA compra da Fairmont vai ajudar a Accor a reequilibrar geograficamente suas atividades, hoje concentrada a 65% na Europa, para a América do Norte e a Ásia onde a Raffles, a Fairmont et a Swissôtel são mais presentes. Segundo o próprio Bazin, essa estratégia focada no luxo é também uma resposta ao crescimento da AirBnb que preocupa todas as grandes empresas hoteleiras, obrigando as marcas mais econômicas a se reposicionar,  mas ainda poupando os segmentos de prestigio menos sensíveis as guerras de tarifas ou aos charmes da Internet.

O Sofitel Copacabana

O Sofitel Copacabana

A aquisição das três marcas e dos 115 hoteis da Fairmont Raffles Hotels International deve então ser um sucesso decisivo na longa caminhada da Accor para se firmar no lucrativo segmento do luxo – com suas diárias acima de 500 dolares e suas margens de rentabilidade superiores a 5%. O grupo superou o fracasso de 1994, quando o então Presidente da Air France se recusou a vender a seus compatriotas os 60 hoteis da sua filial Le Meridien (Incluindo na época o Meridien Copacabana e o Meridien Salvador).Folheto do Le Meridien Copacabana A virada  começou em 2007, quando Accor firmou a escolha de uma cadeia de luxo excluindo 80 dos então 120 Sofitel. A nova estratégia apostou em hotéis definidos pela arte de viver a francesa, seu design, sua gastronomia e sua cultura, mas aproveitando também todas as características das suas localizações. E se na América Latina, o grupo jà conseguiu se posicionar com  hoteis prestigiosos em Cartagena, Buenos Aires, Montevideu, Rio ou Guarujà, a chegada da Raffles abrirá talvez novas perspectivas em São Paulo.

Jean-Philippe Pérol

O SPA "My blend" da Clarins no Royal Monceau

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