Istambul e Turkish Airlines agora com um ambicioso aeroporto para 200 milhões de viajantes

Inaugurando o novo aeroporto de Istambul, o Presidente turco anunciou a ambição de chegar em dez anos ao primeiro lugar do pódio com 200 milhões de passageiros. Com uma capacidade atual de 90 milhões, esse “Ponto de encontro do mundo” deve logo chegar ao terceiro lugar do ranking dos aeroportos internacionais, atrás somente de Atlanta  (103,9 milhões ) e Pequim (95,7 milhões), na frente de Dubaï (88,2 milhões), Tóquio (85,4 milhões) e Los Angeles (84,5 milhões), e dos grandes concorrentes europeus de Londres Heathrow, Paris Charles de Gaulle ou Frankfurt. Com um investimento global de mais de 10 bilhões de USD, a Turquia mostrou que o projeto ia além do transporte aéreo, mas queria reforçar o papel da cidade herdeira de Constantinopla e dos seus três impérios, como ponto de encontro das rotas comerciais e turísticas entre a Europa, o Oriente Médio e a Ásia.

A torre de controle desenhada pela Pinafarina e inspirada da Tulipa otomana

Primeiro aeroporto construído numa nova localização (greenfield) nos últimos 20 anos, o aeroporto de Istambul impressiona pelos seus números, devendo chegar em 2028 com 76 km2 de superfície, 6 pistas, 4 terminais, 6 milhões de m3 de concreto, 53.000  m2 de lojas comerciais (o maior free shop do mundo), um investimento global de EUR$ 10,2 bilhões e … uma torre de controle inspirada da tulipa, a flor símbolo do império otomano. Por impressionantes que sejam, esses números acompanham o crescimento do trafego aéreo turco – 15,7% em 2018 – e as ambições da companhia nacional . Fundada em 1933, e com um crescimento acelerado nos últimos cinco anos, a Turkish Airlines deve transferir ainda esse ano a totalidade dos seus voos para o novo aeroporto, primeiro passo de um projeto que inclui chegar a 500 aviões e 120 milhões de passageiros em 2023.

Emirates, a companhia que segura o futuro do A 380

Com Istambul e a Turkish Airlines, a Air France ou a Lufthansa vão enfrentar um desafio ainda maior em relação a já problemática concorrência das companhias do Golfo. Tanto a Emirates, a Etihad e a Qatar Airways já tinham trunfos decisivos: hubs bem programados, serviços a bordo de grande qualidade, e aviões novos que lhes garantia a escolha dos viajantes, bem como pesos decisivos nas vendas de aviões da Boeing e mais ainda da Airbus que lhe asseguravam os apoios dos governos nas negociações de rotas. Mas, mesmo com os pesados (e bem sucedidos) investimentos de Abu Dhabi e mais ainda de Dubai para aumentar sua atratividade, a importância dos países da região como pólos turísticos depende muito das subvenções indiretas dos seus governos, e seus potenciais como mercados emissores ficam restritos pelas suas próprias demografias.

Antalya ja recebe mais de 10 milhões de turistas internacionais por ano

O hub de Istambul vai aproveitar do bom posicionamento da Turquia, em 2017 sexto destino turístico mundial com 37,6 milhões de visitantes, em forte crescimento nos últimos dois anos. Atraindo ao mesmo tempo russos e alemães, iranianos e israelenses, o turismo turco aproveita o apelo cultural de Istambul – uma das dez cidades mais visitadas no mundo – bem como a qualidade das praias de Antalya, para definir perspectivas de  42 milhões de turistas em 2018 e de 50 milhões em 2023. O novo aeroporto será também fortalecido pelo mercado emissor turco que deve ultrapassar em 2018 os 15 milhões de viajantes e chegar ao dobro nos próximos cinco anos. Juntando o potencial de mercado e de destino dos grandes países europeus com a dinâmica de hub e de companhias aérea dos países do golfo, a Turquia deve mesmo virar um dos maiores”players” do transporte aéreo internacional.

Jean-Philippe Pérol

Istambul guarda o fascinante acervo dos Romanos, dos Bizantinos e dos Otomanos

Na asas da Ethiopian, a volta das Terras do Preste João!

Os vitrais do Afewerk Teklé

Vitrais do Afewerk Teklé na sede da O.U.A.

Enquanto Ejtihad, Emirates, Qatar Airways ou Turkish estão virando o pesadelo da Air France e das grandes companhias aéreas da Europa e da América do Norte, as plataformas de Abu Dhabi, Dubai, Manama e Istambul, poderão em breve ver surgir competidores. A expansão da Ethiopian Air Lines, mostrou aos  hubs do Oriente Médio uma nova ameaça vindo da Etiópia, o antigo Império do Hailé Selassié -o Ras Tafari-, que conhece há dez anos um crescimento econômico de dois dígitos e quer fazer de Addis Abeba a maior plataforma aeronáutica  da África.

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A Ethiopian voando para São Paulo

Em outubro, a companhia, membro da Star Alliance, recebeu o prêmio CAPA  de “Companhia aérea do Ano”. Num continente onde a saúde financeira da aviação é muito frágil, ela anunciou 175 milhões de dólares de lucro, se auto proclamando “maior companhia aérea da África”.Ethiopian logo Presente há dois anos no Brasil, a Ethiopian Airlines tem mesmo a ambição de virar uma grande companhia mundial, com um plano de desenvolvimento “Visão 2025” que prevê de passar  de 77 aparelhos a 150, com uma frota mais diversificados – hoje só de Boeing mas recebendo os primeiros Airbus a partir de maio de 2016. O sucesso da Ethiopian Airlines se deve em parte aos mesmos ingredientes que seus concorrentes do Oriente Médio, uma estratégia bem definida, uma frota nova,  muitos investimentos em tecnologia – com o único simulador de voo da Africa-, e uma formação do pessoal com um centro atendendo 1400 alunos que passará em breve a atender 4000.O simulador de voo da Ethipian O ponto chave é claramente a consolidação do hub de Addis Abeba, a capital bem localizada entre a Europa, a África, a Ásia e especificamente a China onde a Ethiopian Airlines jà tem voos para Pequim, Xangai, Hong Kong e Cantão. Recebendo hoje 6 milhões de passageiros, e esperando 20 milhões nos próximos anos, o governo anunciou a construção de um novo aeroporto, o maior do continente e o mais eficiente para a sua estratégia de hub.

O Leão de Juda em Addis Abeba

O Leão de Judá em Addis Abeba

Essas ambições estão sem dúvidas consolidadas pelas ambições políticas da Etiópia. Com seus quase 100 milhões de habitantes, seu dinamismo econômico e sua condição de capital da União Africana, o pais se orgulha do seu passado. Único do continente a nunca ter sido colonizado, cristão desde o século III, mítico na Europa  desde a procura das Terras do Preste João, o Império teve relações com o mundo ocidental desde o século XV. Castelo de Fasilidas em HararProcurando um aliado contra as potências muçulmanas , os portugueses trouxeram um apoio decisivo ao imperador Cláudio que venceu as tropas turcas e árabes em 1542/1543 numas batalhas onde morreu o Cristóvão da Gama, filho do Vasco. E se o assassinato do Hailé Selassié acabou com a dinastia dos descendentes de Salomão, a vontade da Etiópia de voltar a ser a grande potência regional é mais forte que nunca. Esse ambicioso projeto vai sem duvidas ajudar a Ethiopian Airlines a consolidar as rotas do seu hub  e a dominar os ceús do continente africano. Para as companhias do Golfo, uma nova ameaça vinda das Terras do Preste João!

Jean-Philippe Pérol

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O Imperador Hailé Selassie com o General de Gaulle em Paris em 1964. Atrás, o Gilbert Pérol, então Porta voz da presidência da Republica.

Esse artigo foi inspirado de um artigo original do jornal francês Le Monde. O autor morou na Etiópia, sendo um ex-aluno do Liceu Guebre Maryam de Addis Abeba.

Qual seria a melhor companhia aérea na classe econômica?

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As grandes companhias aéreas internacionais estão brigando há anos para subir nos pódios das melhores Primeira Classe (o World Airline Awards 2014 foi da Singapore Airlines) ou das melhores Business (o mesmo Awards 2014 foi da Qatar Airways), fazendo das “La Première” um eixo central de comunicação. Lembrando que 90% dos passageiros só usam a classe econômica,  a empresa de marketing  Skift.com publicou um inédito ranking nessa categoria. World Airlines Award 2014Claro que o World Airline Award não esquece de premiar também a melhor Classe econômica (em 2014 Asiana, Garuda e Turkish), mas a inovação da Skift foi de escolher fazê-lo não com votos aleatórios mas com critérios objetivos apoiados na experiência completa do viajante nos voos de longa distância.

A metodologia do Skift Airlines Ratings só leva em consideração as companhias aéreas com um grande números de voos e de destinos, incluindo voos intercontinentais. SKIFT-RATINGS-logoAlgumas companhias domésticas, ou de menor porte, não foram incluídas mesmo oferecendo serviços de qualidade. Onze critérios foram escolhidos, sendo que o primeiro, as facilidades de bagagens, só constam como referência. A pontuação começa com o website que devem ser não somente eficiente, mas fácil e agradável para o passageiro. A American Airlines, a Air France e a Lufthansa se saíram bem nesse critério.

O conforto das poltronas foi analisado com três fatores: o pitch, a distância entre as poltronas, a largura das poltronas, e o próprio conforto. economy_smart_seatEsse critério tendo uma importância chave nos voos de longa distância, ele pesou muito na pontuação. As notas são muito influenciadas pelo numero de cadeiras por fila (8, 9 ou 10), e as companhias que operam com o A380 têm uma indiscutível vantagem. As exigências de custo devem limitar os esforços para melhor o conforto, mas as companhias norte americanas não se saíram bem nesse critério.

O serviço de comidas e bebidas não foi julgado em função da qualidade gastronômica ou enológica dos cardápios, sempre muito discutível, mas da apresentação dos pratos, premiando os mais apetitosos, e da qualidade do serviço das tripulações. Nesse item, se destacaram as companhias do Oriente médio, e surpreendentemente a Qantas. Bandeja da Qatar AirwaysO divertimento a bordo, importante nos voos de longa distancia, deu nota máxima para American, Etihad, Emirates e Qatar Airways, tanto na qualidade dos equipamentos que na variedade dos programas apresentados. O critério “wi-fi” destacou os esforços das companhias tanto pela conectividade a bordo que pelos aplicativos.

O ultimo critério, a qualidade do design interno dos aviões, foi o único a ser muito subjetivo. Foram julgados os últimos lançamentos, e os aviões mas novos, de cada companhia, mesmo quando a frota inteira ainda não beneficiava desses novos padrões. Turkish, South African e Etihad tiraram as melhores notas.

Cabina da classe econômica da S.A.A.

Com esses critérios, o titulo de melhor companhia aérea na classe económica para os voos de longa distancia ficou empatado entre a Etihad and Qatar Airways, com 61 pontos sobre um total possível de 73, somente um ponto na frente de Turkish Airlines, Emirates Airlines, e All Nippon Airways (ANA). A vitória apertada mostrou a importância dos mínimos detalhes para fazer a diferença. Nas grandes regiões geográficas, foram premiadas a American para America do Norte, a Turkish na Europa, a South African na África. Na América Latina a Avianca levou o titulo, 7 pontos na frente da AeroMexico e 13 na frente da LAN/TAM….Saudades….

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Skift achou também necessário premiar a aliança com os melhores resultados regionais. O prêmio mundial da melhor Economy Class foi assim concedido para Star Alliance que teve quatro dos seus membros nos vencedores regionais, sendo curiosamente a United Airlines muito mal colocada em relação a seus parceiros.

Mesmo discutível e devendo ser aperfeiçoar no futuro, esse ranking da Skift tem o grande mérito de tentar ser objetivo e de focar a importância do serviço oferecido na classe econômicas. COMANDANTE ROLIM No Brasil tem-se que se torcer para ver a volta do serviço excepcional que as companhias internacionais nacionais chegaram a oferecer na grande época da Varig ou, mais recentemente, na auge da TAM e do tapete vermelho do saudoso Comandante Rolim.

O quadro completa da classificação da Skift Airlines Rating:

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Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi inspirado de um artigo original de Serge Fabre no magazine on-line Pagtour.