Biarritz: Luxo, surfe, samba e golfe nos passos da Imperatriz Eugenia!

Hotel du Palais

O Hotel du Palais, cartão postal de Biarritz

Martinho da Vila e a Vila Isabel ovacionados numa aristocrática cidade do litoral atlântico da França?  A insólita noticia só podia chamar a atenção do Brasil para a cidade de Biarritz e seu festival do Filme Sul-americano onde estreou na semana passada o filme “O Samba”. téléchargementMais insólito ainda era o fato que algumas semanas antes, em Anglet, um subúrbio norte da aglomeração,  o surfista brasileiro Bino Lopes  tinha também se destacado ganhando a etapa do WSL Qualifying Series 2015, derrotando o francês Andy Crière nas ondas da praia chamada de “La Chambre D´Amour”. Se tanto o surfe como o samba pode parecer destoar nessa sofisticada cidade balneária do Pais Basco francês, Biarritz sempre foi – e ainda é- um destino que gosta de surpreender seus visitantes, seja a Rainha Vitoria, a Imperatriz Sissi e a princesa imperial russa Youriewski  nos anos 1890, ou o Martinho da Vila hoje.

A imponente casa onde ficou a Rainha Vitoria

A historia de Biarritz é mesmo imperial, quando foi escolhida como residência de verão pela bela Eugenia, esposa espanhola do Napoleão III, que gostava desse então vilarejo de caçadores de baleias, próximo da fronteira com a sua terra natal. Saloes do Hotel du PalaisA lenda conta que, para se fazer perdoar suas aventuras amorosas extra-conjugais, o Imperador lhe ofereceu em 1854 um palacete, a Villa Eugénie, com uma vista excepcional da beira mar, que virou logo um ponto de encontro de toda nobreza da Europa. Vendido e transformado em Hotel Cassino em 1880, tendo adotado em 1893 o nome atual de Hotel du Palais, ele foi completamente reconstruído depois de um incêndio em 1903 com uma planta em “E” para homenagear a Eugenia. O Spa do Hotel du PalaisHoje distinguido com o titulo de “Palace” outorgado através da Atout France, o Hotel du Palais é o símbolo mais forte do destino Biarritz, o lugar imperdível para passar pelo menos uma noite, aproveitando a decoração inspirada do “Secundo Império”, a faixada de estilo “neo-Louis XIII” inspirada do palacete original, ou um dos restaurantes com o cardápio assinado pelo chefe Jean-Marie Gauthier.

Golfe do Farol em Biarritz

O campo de golfe do Farol

A sofisticação de Biarritz vem também dos seus campos de golfe, o Campo do Farol, o segundo mais antigo da Europa depois do lendário Saint Andrews, o Campo de Chiberta na descontraída Anglet ou o Campo de Ilbarritz com seu barranco caindo para o Oceano. Chique pode ser andar num velho 2CV da CitröenO chique pode também ser sair nas estradas do Pais Basco – nas trilhas outrora usadas pelo contrabandistas – para visitar os pequenos vilarejos vermelhos e brancos, dirigindo um velho 2CV amarelo da Citröen. Chique pode ser simplesmente caminhar na beira-mar, andar na passarela construída em 1887 pelo Gustave Eiffel para chegar até a espetacular Roca da Virgem, padroeira dos caçadores de baleias, e suas pedras furadas enfrentando as ondas. rocher-de-la-viergeE quando chega a noite, Biarritz volta a ter a saudade das festas da Imperatriz. Se o Hotel do Palais hospede muitos dos numerosos grandes eventos organizados na cidade, o Cassino fica agora no imponente edifício “art nouveau” construído em 1929 diretamente na areia da mesma praia, com um concorrido restaurante aberto para o mar e um imponente salão do Embaixadores. Saudade da Eugenia?

Jean-Philippe Pérol

Cassino de Biarritz

O Cassino de Biarritz

 

Surfistas em Biarritz

Em Versalhes, criatividade e tecnologia no tricentenário da morte do Louis XIV

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Comemorando dia 1 de setembro os 300 anos da morte do Louis XIV, o palácio de Versalhes mostrou muita originalidade, ao enriquecer ainda mais os roteiros dos numerosos visitantes – mais de oito milhões esse ano – do mais famoso conjunto arquitectural do século XVII, patrimônio mundial da humanidade.Duguay Trouin no Rio de Janeiro E se o “Rei Sol” tem algumas razões para não ser muito popular no Brasil – suas tropas saquearam duas vezes o Rio de Janeiro e ele tentou empurrar as fronteiras com a Guiana do Oiapoque para o Araguari -, seu deslumbrante palácio é um dos favoritos dos viajantes brasileiros, que representam 4% dos visitantes estrangeiros.

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Na riquíssima programação do Tricentenário, alguns eventos merecem ser destacados pela criatividade e a atualidade, mostrando que as homenagens às glorias do passado podem combinar com divertimento e vanguardismo tecnológico. Quarto do Louis XIV no Grand TrianonDuas exposições – o Grande Trianon de Louis XIV até Charles de Gaulle e “Le Roi est mort”–  vão mostrar peças originais, algumas completamente desconhecidas do grande público. Mas para melhor divulgar essa segunda exposição, o Palácio de Versalhes se associou à companhia telefônica Orange para lançar um “MOOC” (Massive Online Open Course), uma formação aberta a todos, com um conteúdo cultural inédito e sete sequências com vídeos, podcasts, quizz lúdicos e o foro de chat com os palestrantes. Com inscrições abertas desde o dia primeiro de setembro, o curso vai entrar no ar no dia 26 de outubro e quem conseguir chegar ao final, dia 4 de janeiro, ganhará um diploma de Versalhes!
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Um outro evento excepcional será o concerto “Les funérailles du Roi”, dias 2 e 3 de novembro. louisxivInspirados das cerimônias funerárias que começaram no dia 9 de setembro 1715, no Palácio de Versalhes, continuaram durante 40 dias na Basílica de Saint-Denis, e que se entenderem depois na Sainte Chapelle e na catedral Notre-Dame-de-Paris, o maestro Raphaël Pichon e sua orquestra “Ensemble Pygmalion” inventaram um espetáculo único. Na Capela Real do Palácio, serão interpretadas as músicas tocadas e cantadas nos funerais, primeiro na câmara mortuária, depois na procissão. E comemorando as últimas cerimônias em Notre-Dame,  a orquestra fechará o concerto com o “Dies Irae de Delalande”.

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Quem procurou na terça-feira passada o hashtag #LouisXIV foi surpreendido pela audácia e pela inovação do Palácio de Versalhes. Túmulo do Louis XIVPara recriar a tragédia nacional, que foi a morte do Louis XIV depois de um reinado de 72 anos, os organizadores do Tricentenário não só abriram o site Leroiestmort.com, mas também criaram uma conta Twitter @cversailles e o hashtag especial #leroiestmort, dando assim aos usuários de mídias sociais a possibilidade de seguir, minuto a minuto, o impacto da morte do Rei Sol e os acontecimentos da época através dos meios de comunicação do século XXI.  E o twit “Le Roi est mort, Vive le Roi”, poderia ter sido, nesse 1 de setembro 1715,  o mais visto da história.  

Jean-Philippe Pérol

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Turismo na “Ile de Ré”, o luxo nascendo da simplicidade

Relais Châteaux em Saint Martin en Ré

A sofisticação dos turistas encontrados nos cais da marina, nas praias, nos bares ou nos restaurantes de Ars-en-Ré poderia parecer a mesma que em Saint Tropez, Biarritz ou Deauville. O viajante vai porem logo perceber que a Ile de Ré,  pequena ilha francesa a 200 quilômetros de Bordeaux, tem um ambiente e uma vida social bem diferentes. Bicicleta em Ars en RéChique aqui não é andar de Ferrari mas de bicicleta ou de Mehari (um carro popular fabricado pela Citröen nos anos sessenta), bem sucedido não é mostrar um iate de cem pés com dez marinheiros mas sair sozinho do antigo porto dirigindo o seu pequeno veleiro, gourmet não é correr atrás de restaurante gastronômico mas mostrar a seus amigos seus talentos de chefe amador. E no porto da cidade vizinha de Saint Martin en Ré, o Relais et Châteaux só tem 20 suites e quartos escondidos num prédio do século 17.

As fortificacões de Saint Martin, patrimônio mundial da Unesco

A historia faz parte do charme da ilha. Sede de muitos confrontos durante as guerras de religiões, cobiçada pelos inglês e os holandeses, a ilha foi completamente fortificada no final do século 17. Os oito quilômetros de muralhas e o porto fortificado de Saint Martin, construídos pelo famoso engenheiro militar Vauban, foram decretadas em 2008 “patrimônio mundial da humanidade”. Os viajantes gostam também do imponente Farol das Baleias.Farol das Baleias e arredores Subindo os seus 257 degraus, e seus 57 metros de altura, aproveita-se duma vista excepcional sobre as praias, o antigo farol do Vauban, e as “eclusas”, armadilhas de pedras usadas pelos pescadores desde a Idade Media para pegar peixes e crustáceos . Outrora terminal do trem que percorria a ilha, a parque do Farol é também centro de muitas atividades de lazer, bem como a sede de um simpático e concorrido festival de jazz durante o mês de Agosto.

A Ponte da Ile de Ré para La Rochelle

Hoje ligada ao continente por uma ponte de 3 quilômetros, a Ile de Ré ficou mas acessível. Mas se a população chega em Agosto a 200.000 habitantes, os vilarejos não perdem o seu tão peculiar ambiente onde o luxo sempre combina com a simplicidade.Venelles de Ars en Ré Nas “venelles” (assim se chamam as ruas da Ile de Ré) floridas, atrás das fachadas brancas e das portas discretas, escondem se casas de alto padrão (que podem ser alugadas), com piscinas e pátios arborizados . Nos mercados, nas feiras livres e nas lojas, pouco “show off”, a preferência vai sempre para produtos autênticos,  “Fleur de sel” das salinas da ilha, Pineau des Charentes (vinho branco produzido localmente e fortificado com Cognac), artesanato “rhétais” ou das regiões próximas (sejam Poitou, Bordelais, Vendée ou Britânia), vestuário útil e com muitas referencias ao mar e a marinha. Café du CommerceOs bares e restaurantes participam também do espírito da Ile de Ré. Seja para um café da manha no Café du Commerce ou no Le V, um aperitivo no Pirates ou no La Cabane de la Patache, um jantar no Fleur de Sel ou no Taxi Brousse, o serviço é sempre descontraído e personalizado. A sofisticação e a exclusividade são trazidos pelo próprio publico, vindo do Quartier latin de Paris, mas também do mundo inteiro, criando um “je ne sais quoi”  onde o verdadeiro luxo é gozar da simplicidade.

Jean-Philippe Pérol

Passeio de veleiro

Veleiro na Praia das Portas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mazagão, do Marrocos ao Amapá, a glória de São Tiago!

MazagãoVisitando no Marrocos a charmosa cidade balneária de Al Jadida, o viajante brasileira fica surpreso em saber que a memoria desse antigo presidio português continua até hoje num recanto do Amapá. A historia começou em 1502 quando os portugueses construíram em Mazagão, no littoral marroquino, um porto fortificado, com poderosas muralhas e cisternas de agua potável, citerne-el-jadida1que desafiou os reis mouros até 1769. Nessa data, o Portugal, enfraquecido depois da destruição de Lisboa, decidiu abandonar a cidade cercada por um imenso exercito. Mas o Marquês de Pombal queria que o extraordinário espírito de luta desse ultimo presidio português continuasse a vingar. Ele  decidiu então transferir as últimas 340 famílias do outro lado do Atlântico para ser os guardiões da margem norte do Rio Amazonas onde ingleses, franceses e holandeses realizavam incursões armadas.

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Depois de duas paradas em Lisboa e Belém, os 2000 sobreviventes chegaram perto de Macapá, e em 1773 Mazagão ressuscitou nas terras tupiniquins. Os colonos reconstruíram a catedral, um teatro, e trouxeram também as suas tradições. IMG-20101227-00067 Assim, desde o ano de 1777, os mazaganenses continuam encenando a batalha de Clavijo, em 844, quando a aparição de São Tiago como um soldado lutando ao lado dos cristãos deu a vitoria para as tropas do Rei Ramiro. Hoje as Festas de São Tiago, as mais antigas desse género no Brasil, correm durante a segunda quinzena de junho. Os traslados da estátua do santo para Macapá e Novo Mazagão (hoje sede do município), a encenação da batalha são momentos de muita emoção, sendo o momento mais esperado o juramento  do santo feito por um figurante,  distante herdeiro dos fidalgos portugueses transferidos para Amazônia: “Puxo a espada da bainha, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. O juramento de SantiagoJuro pela cruz da minha espada, que só a colocarei na bainha quando pôr fim a essa batalha com a minha vitória”. A festa tem também grandes momentos de alegria com as danças do Vominê, o grande Baile das Mascaras ou a Festa das Crianças, uma programação rica e completa que poderá em breve ajudar a atrair para a “cidade que atravessou o Atlântico” turistas vindos do Sul do Brasil ou da Guiana francesa vizinha.

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 Longe do Amapá, Al Jadida é hoje um grande centro turístico internacional. A cidade é inscrita ao patrimônio mundial da UNESCO, e os maiores edifícios construídos pelos português, do Bastião de São Sebastião até a Capela da Inquisição, das cisternas até a Porta do Mar por onde fugiram os mazaganenses, são visitados por viajantes do mundo inteiro. Al Jadida, as praiasE, ao Norte, as praias de Azemmour oferecem alguns dos melhores resorts do Marrocos, incluindo um Pullman Royal Golf e SPA . Mas as festas dos cavaleiros marroquinos não homenageiam mais o vencedor de Clavijo, elas louvam as vitorias dos mouros, e quem procura os juramentos de São Tiago terá mesmo que ir para Mazagão Velho.

 Jean-Philippe Pérol

Fantasia em Al Jadida

Auzances, centro do mundo

Voltar na terrinha e viver as suas raízes, uma das melhores (e maiores) razões de viajar!

Cannes, Bordeaux ou o Mont-Blanc, os primeiros destinos bem sucedidos de 2015

 

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As famosas cabanas de pescadores da lagoa de Arcachon

Enquanto Paris está entregue a alguns irredutíveis moradores e a sábios turistas vindo do mundo inteiro, mais especialmente da América do Norte, da China e do Brasil,  a maioria das regiões francesas estão recebendo mais visitantes esse ano. Três delas parecem ser as grandes tendências desse verão. O primeiro lugar da Côte d’Azur se consolidou, e , atrás, dois destinos estão  se destacando: a Aquitânia (Bordeaux, Biarritz e arredores), e os Alpes (mais especificamente o Mont-Blanc).

Cannes

O porto de Cannes

Na Riviera francesa, 78% dos profissionais já estão satisfeitos com a temporada (eram somente 62% o ano passado). David Liénard, prefeito de Cannes e Presidente do Comitê Regional do turismo, confirmou que todas clientelas estão em alta, desde os acampamentos de mochileiros franceses ou holandeses até as caríssimas suítes dos luxuosos hotéis da Croisette. Uma delegação da Arábia saudita, foco de uma grande polêmica depois de ter privatizado uma praia da região, deixou mais de 10 milhões de dólares para a economia local. Enquanto o aeroporto de Nice registrou uma queda de 1% das suas chegadas, os pequenos aeroportos de Cannes ou Saint Tropez estão registrando um forte crescimento do movimento de jatos particulares.

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O Hotel du Palais, o palace de Biarritz

O turismo na Aquitânia permanece há vários anos o sucesso dos vinhos da sua capital , Bordeaux. Segundo os responsáveis do turismo da região, dois terços dos profissionais do turismo já estão satisfeitos, com alguns destaques. A cidade de Pau, capital do BearnO Bearn, perto da fronteira espanhola, aproveitou o “Tour de France”,  famosa corrida ciclista, para mostrar seu vinho branco, o Jurançon, suas montanhas, seu patrimônio histórico ou sua proximidade de Lourdes, para milhares de fãs franceses e europeus. A um passo de Bordeaux, a lagoa de Arcachon, famosa pelas suas ostras e suas badaladíssimas barracas de pescadores tombadas pelo patrimônio nacional, conhece uma das melhores temporadas da sua história. Juntamente com os vilarejos do País Basco e a encantadora Biarritz, Arcachon tem o recorde de 90% de profissionais satisfeitos!

Mont-Blanc

O Mont-Blanc, mais alta montanha da França e da Europa

O aquecimento global, e os recordes de calor do verão francês, transformaram o clima fresco das montanhas no melhor argumento promocional para atrair os visitantes na região do Mont-Blanc. “As reservas demoraram, mas já ultrapassaram o nível do ano passado, sendo a meteorologia o primeiro fator favorável”, explicou Michel Giraudy, presidente de France Montagnes, à associação encarregada da promoção da montanha francesa. Courchevel no verão francêsFamosas pelo seu turismo de inverno e suas pistas de esqui, estações como Val d’Isère ou Tignes estão atraindo durante o verão famílias e amadores de atividades esportivas. A grande procura de appart hoteis, de chalés ou de apartamentos – em crescimento de 20% esse ano – virou um atrativo importante das montanhas francesas. Apostando na fama internacional do Mont-Blanc, e contando cada vez mais com eventos esportivos e culturais durante o verão,  Giraudy acha que esse turismo ativo e familiar vai também atrair visitantes internacionais. Já acostumados com Courchevel, Megève, ou Chamonix, apaixonados pelos Club Med de Valmorel ou Val Thorens, os brasileiros estão sendo esperados de braços abertos.

Saint Jean Pied de Port, nos caminhos de Santiago

 

Esse artigo foi traduzido e adaptado dum artigo original do diário francês Le Figaro

No Rio Negro, temporada de pescaria, pós-pescaria, praias e esportes náuticos !

Praias do Rio Negro

Quando acaba o inverno – no Norte, a época da chuva -, as águas dos rios do Amazonas começam a baixar, e os oito a dezessete metros da vazão mudam em algumas semanas todas as suas paisagens. Depois da explosão de beleza e de alegria do Festival de Parintins, começa para o viajante a melhor época do ano para aproveitar o espetacular leque de oportunidades que a natureza oferece nessa tão peculiar região.

Pescaria no por do sol

A mais tradicional é a pesca esportiva. Outrora pouco respeitosas do meio-ambiente, oferecendo condições de conforto as vezes precárias, e  exclusivas de grupos de homens a procura de troféus – tucunarés acima de 10 kilos-, as pescarias souberem se diversificar e se adaptar as novas exigências dos turistas. Tucunaré PacaExigindo o “catch and release”, cuidadosos com a gestão dos dejetos, valorizando as comunidades, os programas oferecidos tem também de se adaptar a crescente presencia de pescadoras ou de acompanhantes mais exigentes na qualidade dos quartos ou das cabinas, mais preocupadas com a dietética e a gastronomia, e mais sensibilizadas as belezas da natureza. Assim como no esqui – onde o “après-ski” virou fundamental – , o “pós-pescaria” está virando um argumento chave para ir pescar no Amazonas. IMG-20121229-00250O Rio Negro Lodge, o maior e mais tradicional dos lodges de pesca, oferece não somente atividades  no seu imponente Club House, mas também uma piscina de agua tratada e mais de 4 quilômetros de trilhas para caminhadas ou passeios de quads.  A preocupação com atividades é a mesma nos barcos de luxo, onde aparecem cursos de Yoga, onde os cardápios são mais sofisticados e onde no descanso dos pescadores constam birdwatching, caiaques ou esportes náuticos .

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As praias e as atividades aquáticas  são atrações únicas de certos rios da Amazônia – sendo os mais conhecidos o Rio Negro, o Tapajós ou o Araguaia.c8 Por ser o mais selvagem, o menos povoado, e ter uma agua preta acida demais para os mosquitos, o Rio Negro é para o turista o mais exclusivo. Enquanto os cruzeiros ecológicos estão disparando em toda a bacia amazônica, suas águas quentes e transparentes, suas praias de areias brancas ou suas imensidões oferecem opções que não podem ser encontradas nas águas barrentas do Peru, do Equador, da Bolívia ou do próprio Rio Amazonas. Nos roteiros dos melhores barcos da região estão agora incluindo paradas nas praias – será do Tupé, das Anavilhanas ou de Barcelos – , esqui náutico de mono ou bi-esquis, pratica de wakeboard, de caiaque ou de paddle, e até passeios de ultra-leve amfibio.

O Belle Amazon com seus dois caiaques

Há quarenta anos, na época que o turismo doméstico apenas começava, Peter Schwabe, um dos maiores profissionais do ramo, jà falava que dois destinos no Brasil tinham as melhores praias do mundo para os turistas: a Ilha de Fernando de Noronha e os rios da Amazônia.Ultra leve amfibio O “Best Traveller choice” da Trip advisor, atribuindo a praia da Baia do Sancho, comprovou a visão dele para Fernando de Noronha. Será que a temporada que começou agora nas águas do Rio Negro comprovará que a profecia era também certa para a Amazônia?

Jean-Philippe Pérol

Aproveitando a praia

 

 

A Martinica, entre a Pompei tropical e o Paris do Caríbe

O Rochedo do Diamante visto de Sainte Anne

O Rochedo do Diamante visto de Sainte Anne

Para os brasileiros, a Martinica será sem dúvidas a grande novidade dos cruzeiros caribenhos do verão.  A partir do 19 de dezembro, a MSC Cruzeiros oferecerá um roteiro completo de sete noites, saindo de Fort de France e  com escalas em varias ilhas francesas – alem da Martinica, Saint Martin, Saint Barthelemy e a Guadalupe. mscA viagem aérea de ida e volta entre São Paulo e Fort de France, aproveitará um vôo da companhia Gol, fretado pela MSC e que ligará diretamente as duas cidades pela primeira vez. Ainda pouco conhecida no Brasil – ainda que todos já cantaram Chiquita Bacana ou Banana Real -, a Martinica acredita que o sucesso dessa operação será uma grande oportunidade para os brasileiros descobrir melhor um destino que já foi  conhecido como o Paris das Antilhas.

Martinique - Saint-Pierre e a Montagne Pelée

Martinique – Saint-Pierre e a Montagne Pelée

Mas que suas praias pretas ou brancas,  seu mar turquesa, ou suas flores exuberantes que encantaram o Cristovo Colombo e lhe deram o seu nome (Madinina, a Ilha das Flores) , foi o vulcão Montagne Pelée (a Montanha Pelada) que marcou a historia da Martinica. A sua então capital, Saint Pierre, era em 1902 a cidade mais rica e mais avançada do Caríbe. Tinha industrias de açúcar e de rum, tinha um porto modernismo, ruas pavimentas com  iluminação publica, tinha um bondinho, um jardim botânico e um teatro de 800 lugares copiado do teatro de Bordeaux.Saint Pierre, o dia seguinte No dia 8 de Maio, as 7h52 da manhã, o Paris tropical virou a Pompei do Caríbe. Vindo do cratera do vulcão, uma nuvem de cinzas e de gases, com uma temperatura de mais de 1000 graus, arrasou todos os prédios, fundiu grades e portas de ferros, e matou todos os seus 30.000 habitantes.  A cidade foi reconstruída, perdeu o seu status de capital da ilha para Fort de France, mas a visita dos seus monumentos reconstruídos – Igreja ou Câmara de comercio, dos seus dois museus históricos , a caminhada nas ruínas e a visão da prisão onde era encarcerado Louis Cyparis, o único sobrevivente (protegido pelas paredes dos subterrâneos, ele saiu ileso depois do calor derreter todas as grades), são momentos de grande emoção para o visitante.

A Camara de comercio e a igreja de Saint-Pierre

A igreja e a Câmara de comercio de Saint Pierre

Com os navios da MSC acostando no centro de Fort de France, os brasileiros vão poder caminhar nesse cidade que guardou o espírito parisiense que rodeava as ruas de Saint Pierre. Mesmo misturando as culturas francesa e “créole”, mesmo vibrando tanto com a melodias francesas que com os ritmos do Zouk local, A igreja de BalataFort de France continua com um “je ne sais quoi” de Paris. Pode ser a igreja de Balata que lembra o Sagrado Coração de Montmartre, pode ser a presencia permanente da Josephine, esposa do Napoleon nascida na Ilha, pode ser as estilosas butiques com famosas marcas francesas, pode ser suas numerosas opções de restaurantes. Talvez, mais do que isso, deve ser a paixão pela cultura, a procura permanente pela elegância , e essa pitada de arrogância parisiense que os moradores porem gostam, espírito caribenho obriga, de abandonar frente aos visitantes.

Jean-Philippe Pérol

A praia do Club Med

A praia do Club Med

O Puy du Fou, o parque de lazer que tem História para contar

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Recebendo quase 2 milhões de visitantes por ano, prestigiado com as duas maiores distinções do setor, o The Classic Award e o Applause Award em Orlando, o Puy du Fou, segundo parque francês, é muito orgulhoso não somente do seu sucesso mas da sua especificidade. A menos de 400 km de Paris, ou 300 de Bordeaux, o parque da Vendée abra 150 dias por ano, está chegando a 100 milhões de dólares de faturamento, e tem agora 1500 funcionários e 1200 voluntários para assegurar os 17 espetáculos e a  “Cinéscénie”, o grande show noturno que fez a fama do local.

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Desde o inicio do projeto em 1978, a grande particularidade do parque é a sua ligação com a Historia da região, as lutas que os seus habitantes – chamados de “vendéens” desde a Revolução francesa – travaram pela suas liberdades. O fundador do Puy du Fou, Philippe de Villiers, politico conservador descendente duma velha família nobre, começou seguindo o seu sonho de fazer reviver a sua região. Os ChouansUtilizando o cenário do castelo do Puy du Fou, ele montou com alguns amigos benévolos  um espetáculo de som luzes relembrando a epopéia dos “Chouans”, esses guerrilheiros brancos que lutaram contra as tropas da Revolução em defesa do Rei e da Religião. “Foi um sucesso rápido,” conta o Philippe,” mas percebemos logo que para sobreviver, tinha que oferecer aos espectadores mais que algumas horas de lazer. Em Orlando, vimos o que a gente não queria fazer, mas aprendemos o funcionamento dos parques e percebemos a exigência de oferecer visitas de mais de um dia. Foi assim que criamos o parque atual inaugurado em 1989, bem como as inovações que começaram a partir de 1994 e continuam até hoje.»

CAVALEIROS DA TAVOLA REDONDA

No parque, os enredos, as fantasias, os animais, e os efeitos especiais estão ligados com a Historia da região.  Os espetáculos lembram desde os Romanos (O signo do triunfo) , as grandes invasões (Os vikings), a Idade Media (Os cavaleiros da Távola redonda), a época dos Mosqueteiros (O Mosqueteiro de Richelieu), e até a Revolução Francesa (a Cinéscenie)  que foi na Vendée uma trauma terrível . As proximas novidades do Parque homenageam também a historia da Vendée. Poilus da trincheira das baionetasA primeira se chamará « Le dernier panache », e contará num teatro de 2400 lugares a historia de “Charette” , as façanhas do mais famoso dos chefes militares do grande exercito católico e real, que foi derrotado durante as guerras revolucionárias. A segunda – que já começou a ser apresentada- é uma emocionante reconstituição da Primeira Guerra Mundial. Através de cartas de amor entre um pracinha e sua noiva, foi reconstituído o terrível quotidiano dos soldados e o episódio trágico dos 57 “vendéens” soterrados vivos  na Trincheira das Baionetas.

Parque de cultura e de memoria, enraizado numa região de forte personalidade, o Puy do Fou quer não somente continuar com seu modelo peculiar mas ainda exporta essa forma diferente de divertir os visitantes. O Puy du Fou na InglaterraForam assim montados um espetáculo para o Parque de Efteling nos Países Baixos bem como um som e luzes para o Castelo de Auckland na Inglaterra. Mas recentemente, a imprensa internacional deu uma grande repercussão a um acordo assinado entre o Philippe de Villiers e o Presidente Poutine prevendo a abertura de dois parques, um em Moscou e o outro na Crimeia, homenageando a Historia da Rússia. E se ainda não tem projeto na América Latina ou no Brasil, já está sendo estudado um projeto no Camboja, perto dos famosos templos de Angkor.

Jean-Philippe Pérol

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Comprar vinhos na França, sempre, mas quais sugestões em 2015?

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Se tem mil opções de shopping atraente na França, os vinhos são com certeza uma das mais vantajosas para os brasileiros. Mas qual vinho escolher, e aonde comprar-lo? Claro que o mais divertido é de se informar e de comprar no próprio vinhedo. Sonhar em Saulieu ... Muitos Châteaux de Bordeaux, a maioria dos produtores da Borgonha, as grandes Maisons da Champagne e muitas pequenas propriedades de todas as regiões recebem os visitantes para degustações e vendas de vinho. É uma escolha gratificante, não somente pela compra, mas também pelo contato com o produtor, as explicações do processo de fabricação específico a cada “terroir” e as visitas das  adegas. Pela beleza do local, a atenção do atendimento e a qualidade dos vinhos, alguns vinhedos oferecem uma experiência inesquecível:PETIT HAUT LAFITTE Smith Haut Lafitte e Lynch Bages em Bordeaux, Chateau La Coste na Provence, Ruinart e Moët et Chandon na Champagne, o Chateau de Pommard ou  Drouhin Laroze na Borgonha são alguns desses lugares excepcionais. Se os precos não são muito diferenciados, a descoberta de “deuxième” ou “troisième” vinho  sempre justifica a visita (por exemplo o Petit Haut Lafitte, o Hauts de Lagrange ou o La Goulée). Lojas especializadas são sempre uma boa opção. Assim , em Paris , recomende-se a Lavinia, ou, em Bordeaux, a Vinothèque e a espetacular “L’intendant” que sempre têm ofertas interessantes. As ruas de Saint Émilion escondem varias pequenas lojas onde tem vinhos pouco conhecidos, e ótimos negócios para fazer. E na França inteira, as lojas Nicolas, os supermercados Monoprix ou os armazéns Leclerc surpreendem pelas suas promoções.

Entre a possibilidade de provar os vinhos, de encontrar garrafas excepcionais e de conseguir preços em conta, vale a pena experimentar uma pequena loja em Paris chamada “de Vinis Illustribus”. DSCN0107No coração do Quartier Latin, o enólogo Lionel Michelin começou oferecendo “vinhos de aniversario” , vinhos de safra correspondentes ao ano de nascimento da pessoa presenteada. 378052_221262494617124_152480064828701_485232_101858432_nContinuou ampliando a oferta para vinhos raros, e acabou decidindo de dividir a sua paixão pelo vinho oferecendo degustações para grupos ou individuais. Com um serviço muito personalizado, ele tenta também oferecer para cada cliente uns vinhos combinando com seus gostos, sua carteira, e sua personalidade. Assim, para os brasileiros, que podem importar ate 12 litros por 500 USD, ele tinha sugerido em 2014 duas opções, uma para amadores e uma só para mulheres!

A cesta de doze incluia 2 Château de Ferrand Grand Cru Saint-Emilion 2004, 2 Château La Parde de Haut-Bailly Pessac-Léognan 2009, 2 Fixin « Les Petits Crais » Fournier 2012, 2 Pouilly Fuissé « La Croix » Robert-Denogent 2011, 2 DomainGirls1e Saint-Préfert Châteauneuf-du-Pape 2011 et 2 Domaine Tempier 2010. A nosso pedido, inventou  para mulheres uma  seleção bem feminina de doze garrafas: 1 Champagne Mailly Blanc de Noirs, 1 Champagne Lanson « Extra Age » Rosé, 2 Banyuls « Quintessence » Coume del Mas 2011, 2 Meursault « Les Petits Charrons » Millot 2009, 2 Morgon « Côte du Py » Foillard 2011, 2 Château de Ferrand Grand Cru Saint-Emilion 2004, e 2 Folio Coume del Mas 2011.

Em 2015, pedimos para o Lionel de refazer uma cesta, essa vez com somente 8 vinhos afim de poder levar duas garrafas de cada.De_Vinis_Illustribus-Lionel_Michelin_commenting_a_wine_tasting A escolha  foi então a seguinte: 2 Meursault “les Terres Blanches” Domaine Millot 2011 (41 USD), 2 Beaune “Teurons” Morot 2009 (46 USD), 2 Château de Ferrand Grand Cru Saint-Emilion 2004  (46 USD), 2 Schistes Domaine de la Coume del Mas 2014 (23 USD), 2  Folio “Edition Spéciale” Domaine de la Coume del Mas Collioure 2013 (32 USD), 2 Marsannay “Saint-Urbain” Fournier 2013 ( 23 USD), 2 Saumur blanc “La Dame” Domaine de Rocheville 2011 ( 21 USD) e finalmente 2 Grenache de Sixte 2014 (18 USD). São muitos lugares para comprar e muitas sugestões par ser ouvidas, mas é bom lembrar que a sua melhor escolha será sempre de escolher os vinhos combinando com seu próprio gosto. 

Então Boas compras e “à  votre santé”!

Jean-Philippe Pérol

 Esse artigo foi publicado pela primeiro vez nesse Blog no dia 26 de Julho de 2014, e foi atualizado para levar em consideração novas ideias do autor e do Lionel Michelin.

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