De Marselha até a Córsega, as raízes gregas da França!

O porto de Cargese

Enquanto a Grécia enfrenta umas das crises mais graves da sua longa historia, é sem dúvidas a hora de se lembrar de todo o extraordinário acervo cultural que esse pais trouxe para o mundo, e mais especialmente para os países latinos, incluindo o Brasil e a França. NAVIO FOCEANONa França, a Grécia, seus deuses, seus heróis e seus filósofos fazem parte da língua, da forma de pensar, e da Historia. O próprio vinho, um dos maiores orgulhos da Franca, teria sido trazido na região de Marselha por comerciantes gregos. E ainda hoje existem várias cidades francesas onde o viajante pode encontrar as marcas dessas ligações entre os dois países. Marselha, Avignon, Agde, Antibes, Aléria ou Nice foram assim fundadas por navegadores vindo de Foceia, cidade grega -hoje Eskifoça, na costa ocidental da Turquia, e Nice se orgulha de seu primeiro nome – Nikaia, em homenagem a Nikê, a deusa da Vitoria.

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 A influencia dessas raízes gregas é mais forte em Marselha, cujos habitantes são ainda chamados de “phocéens”. A mitologia da cidade conta que tudo começou em 600 antes do Cristo, com o casamento de Protis, comandante da frota de Foceia, e da Gyptis, filha do rei gaulês da região que deu para os gregos uma área de cinquenta hectares na baia de Lacydon onde ficou hoje o “Vieux Port”. As ruínas das muralhas da cidade, do reservatório, do cemitério e do porto do período heleno podem ser visitadas no “Jardim dos vestígios”, atrás do Museu de Historia. MUCEM de MarselhaMas é na sua cultura que Marselha mostra a maior influencia da Grécia . Cidade marcada pela sua rebeldia e seu espírito de liberdade, ela é também a mais aberta para o Mar Mediterrâneo,  com o seu impressionante Museu das Culturas Mediterrâneas inaugurado em 2013.

Cargese

Menos conhecida e mais recente, a influencia grega é mais visível ainda na historia da pequena cidade de Cargese, na Córsega. A curiosa presencia de duas igrejas, uma de rito latino e uma de rito ortodoxo, dá ao turista a primeira dica sobre a presencia dos gregos, DSCN0644 - copiepresencia confirmada pelos numerosos sobrenomes característicos do local, todos gregos afrancesados (Stephanopoulos, Capodimachos, Papadakos, Zanetakos ou Xingas virando Stefanopoli, Capodimacci, Papadacci, Zanettacci, ou Exiga). Essas famílias descendem de 730 revoltados das montanhas do Peloponeso, vindo do porto de Vitylo, perto de Esparta, que fugiram da repressão turca em 1673.  Com a ajuda de Génova, que na época dominava a Córsega, conseguiram se estabelecer nessa região. Fundaram uma primeiro colónia em 1676 em Paomia, transferida para a cidade atualLa-chapelle-des-Grecs-a-Ajaccio de Cargese em 1773. Tradições religiosas, ligações com a cidade de Vitylo, e uma grande sensibilidade para as lutas pela liberdade ainda caracterizam os moradores. A 50 quilômetros da capital Ajaccio, onde foi também construída uma igreja grega, Cargese oferece para os visitantes não somente sua historia peculiar mas suas paisagens de barrancos, suas praias de areias brancas e suas águas turquesas que lembram as costas gregas de onde saíram os seus fundadores.

Jean-Philippe Pérol

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O autor desse artigo é bisneto de Charles Exiga, grego de Cargese, oficial do exercito francês que serviu na Argélia e depois na Tunísia. 

Em Nice, nos passos dos ingleses, do Rei Carnaval e … de Garibaldi!

PRAÇA GARIBALDI

Foram os ingleses que lançaram o turismo na Riviera francesa. Logo no século XVIII, Nice era o destino favorito dos jovens aristocratas. Assim como o Tobias Smollet, que escreveu entre 1763 e 1765 o primeiro Guia de Turismo da região, esses primeiros ingleses gostavam das belasHOTEL REGINA CIMIEZ paisagens, do panorama excepcional dos azuis do mar e do céu, da proximidade das montanhas, e, acima de tudo, do clima de liberdade imposto pelos habitantes, longe da austeridade e das restrições britânicas. Na Belle Époque, a própria Rainha Vitoria  passou cinco temporada na cidade, nas colinas de Cimiez onde aproveitava as arenas romanas e os jardins do mosteiro. Alem do Hotel Regina – hoje transformado em apartamentos-, os ingleses deixaram varias igrejas, dois cemitérios, e, acima de tudo, a famosa “Promenade des Anglais”. Promenade des anglaisIniciada em 1822 pela comunidade britânica como obra de caridade para dar trabalho aos desempregados, foi primeiro um simples “caminho dos ingleses”. Beirando a praia da Baie des Anges, ele foi pouco a pouco esticado até o Rio Var  onde foi finalizado em 1904. Hoje, entre as praias de pedras e as palmeiras, do Jardim Albert I até o Museu Massena e o Hotel Negresco, este caminho é o mais imperdíveis dos passeios de Nice. Atualmente preparando uma ciclovia e duas novas fileiras de palmeiras, a “Promenade des Anglais” é agora candidata ao Patrimônio Mundial da Humanidade.

HOTEL NEGRESCO

Para o viajante brasileiro, Nice é também desde 1970 a cidade gêmea do Rio de Janeiro, sede do maior Carnaval da França, um dos mais antigo do mundo, já elogiado em 1294 pelo seu soberano, o Conde de Provence.Carnaval NICE 2012 Mas foi somente em 1830 que começaram os desfiles de Carnaval, com umas trinta carruagens homenageando o Rei e a Rainha de Piemonte Sardenha. Os foliões fantasiados se jogavam confetis de papel, ovos, farinha ou gesso. Em 1873 um Comité começou a organizar os desfiles, montar as arquibancadas, criar os carros alegóricos grotescos e coloridos tão característicos, e inventar as espetaculares “Batalhas de flores”. Realizadas hoje na “Promenade des anglais”, elas são o ponto alto dos 15 dias de festas. Cercados de músicos e bailarinos vindos dos quatro cantos do mundo, montados em carros decorados de espetaculares composições florais, destaques vestidos com roupas extravagantes jogam para os espectadores mimosas, gerberas ou lírios.

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Será nos cais do porto, e nas ruas estreitas da cidade velha, que o viajante encontrará os passos do mais famoso dos filhos de Nice. garibaldi em sao pauloGiuseppe Garibaldi, campeão da unidade italiano, comandante da marinha farroupilha, defensor da independência uruguaia e líder carismático das Camisas Vermelhas , herói dos dois mundos, nasceu em Nice, então francesa,  em 1807. As duas casas onde ele viveu não existem mais, mas ficavam frente ao porto, em baixo do morro do Castelo onde os turistas podem ainda hoje desfrutar duma vista maravilhosa sobre o velho Nice. No porto Lympia, hoje cercado de restaurantes típicos, o pai, Domenico, tinha um barco de pesca e foi com ele que o jovem Giuseppe aprendeu as técnicas de navegação com as quais brilhou depois na Lagoa dos Patos. LE COMTE DE NICE EN IMAGESFoi junto a multidão de artesãos, de marinheiros e de doqueiros, nesses bairros onde ainda se fala o patuá “nissart”, que ele começou a sonhar das aventuras que o levarão até o Rio Grande do Sul. Na Praça Garibaldi,  a sua estátua lembra que a sua cidade natal, agora francesa desde 1860, não esqueceu o seu grande herói italiano e gaúcho.

 

Jean-Philippe Pérol

 

Da França para Suíça, as novas surpresas dos velhos caminhos!

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A França e a Suíça iniciaram no Brasil uma campanha para promover as muitas opções de viagens conjugando a Torre Eiffel e a Jungfrau, a Bahnhofstrasse e o Boulevard Haussmann, ou o Reno e o Rhône. Bale e Paris, o Reno e a SenaApoiada pelas empresas ferroviárias  francesas e suíças,  aproveitando o clima do Dia dos Namorados, a promoção “Paris- Suiça, c’est l’amour” oferece descontos e roteiros especiais para quem quer combinar os dois países durante esse verão. Mas alem das rotas tradicionais, será também para os brasileiros a ocasião de descobrir a região francesa fronteiriça , Castelo de Jouxo Franco Condado de Borgonha, que está inaugurando novos caminhos turísticos. Irmão caçula do Ducado de Borgonha – rico do seus vinhos – , o Franco Condado tem um patrimônio arquitectural surpreendente, herdado tanto do seu passado militar – como o famoso Fort de Joux onde foi encarcerado Toussaint Louverture, herói da independência haitiana – , que da sua riqueza mineira – o  sal, o outrora “ouro branco”.

A VIA SALINA

A Via Salina turística

Seguindo a antiga trilha dos vendedores de sal, a Via Salina que ligava as minas de Salins a capital da Suíça – Berna -, a associação Terra Salina recriou um itinerário turístico que pode ser percorrido de carro, de bicicleta, ou melhor ainda a pé, aproveitando. Atravessando as montanhas do Jura,  eles levem dos centro de produção (Arc et Senans ou Salins) até as cidades compradoras, (Berna ou Neuchâtel), passando pelos mercados, as vias comerciais, os lugares de transito e os centros termais onde eram utilizadas as águas salgadas.

A casa do diretor das salinas reais de Arc et Senans

O ponto mais espetacular do roteiro turístico é Arc et Senans, um pequeno Versalhes no meio do nada, aprovado em 1772 pelo Rei Luis XV e construído pelo arquiteto Claude Nicolas Ledoux. Salinas reais de Arc en senanNum lugar escolhido pela proximidade das minas e de grandes florestas, prédios industriais, escritórios, casa grande do diretor e senzalas de operários desenham um majestoso meio circulo de edifícios neoclássicos. Inspirado das grandes ideias dos filósofos do século das luzes, o projeto inicial incluía também uma cidade utópica, mas a Revolução de 1789 prendeu o Ledoux e parou as obras. SALINS LES BAINSMais majestosas que rentáveis, as Salinas Reais foram fechadas em 1895, e foram aberto para o turismo nos anos setenta. Primeiro sitio industrial declarado patrimônio da humanidade pela UNESCO em 1982, elas abrigam hoje um hotel, um restaurante, uma residência de artistas e muitos eventos culturais. O roteiro da Via Salina segue por Salins les Bains, também patrimônio mundial da UNESCO pelas suas minas de sal, suas fortalezas onde eram recolhidas as impopulares taxas ( a “gabelle”), e sua igreja coberta de telhas amarelas. Aproveitando as fontes de agua salgada, um centro termal oferece vários tratamentos a base de sal, grandes momentos de descanso para quem está fazendo a trilha caminhando…

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Antes de chegar em Pontarlier e de passar do lado suíço, o viajante ainda tem que fazer uma imperdível parada em Ornans. Esse linda vilarejo fique um pouco fora da rota, mas além de ser um notável conjunto de edifícios tombados, Restaurante O Courbet em Ornanscom casas e sobrados alinhados na beira do rio Loue, ele é o lugar onde nasceu e viveu o Gustave Courbet. O mestre pintou não somente a polêmica “Origem do Mundo”, mas também muitas telas retratando as paisagens e os moradores da região. E no restaurante da cidade, o “Courbet”, claro, não se deve esquecer de provar o famoso “vin jaune”, o vinho amarelo , o famoso vinho do Jura que acompanha com perfeição o Comté, o queijo dessas montanhas que unem a França e sua amada vizinha Suíça.

Jean Philippe Pérol

Vinho Amarelo e Queijo Comté

No Val de Loire, 40 castelos para cada um poder escolher o seu!

 

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 Se os Reis da França gostavam antes de tudo da doçura do seu clima e da abundância das suas florestas, se foram as suas paisagens culturais que levaram a UNESCO a declarar-lo Patrimônio da Humanidade,  o Val de Loire é antes de tudo a terra dos “Châteaux”. De Sully sur Loire até Angers, mais de 40 castelos, em maioria construídos na Idade Media mas completamente revisitados no Renascimento,  fazem dessa região a “Douce France”, terra do Bem viver a francesa, das arquiteturas majestosas, das belas artes, da gastronomia finas e de vinhos atraentes.

CHAMBORD

Assim que os nove reis da França que aqui moraram e que os números artistas que aqui trabalharam, cada  viajante tem que escolher o seu ou os seus castelos preferidos quando visita a região. Os apaixonados pela arquitetura gostarão de  Chambord, da sua majestade e dos seus telhados ouriçados de 262 chaminés, de Chenonceau e da elegância da sua ponte-galeria, de Amboise e do seu gótico flamejante, de Loches e do seu patrimônio militar, ou de Blois onde sete reis imperaram estilos arquitectorais diferentes.

VILLANDRY

Os parques e jardins vão também ajudar o viajante a diferenciar os castelos, escolhendo seja  os primeiros ensaios de Amboise, o parque “a inglesa” de Azay le Rideau, os dois conjuntos de Chenonceau, o parque de Chaumont sur Loire ou a perfeição de Villandry. E em Chambord, os 5440 hectares da Reserva nacional de Caça e animais selvagens lembram a vida, a riqueza e a beleza das florestas primárias de carvalhos e pinheiros.

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Mas a emoção do visitante vem além de tudo da Historia, das lembranças e da herança cultural, de fatos heróicos, de eventos trágicos ou de anedotas divertidas que cada um desses castelos vai carregando desde o século XVI. closluce_ile_de_la_guerre_credit_chateau_du_clos_luceFoi em Chinon que Joana d’Arc começou sua extraordinária aventura. Chambord foi o sonho italiano e renascentista de François I. Foi em Clos Lucé que viveu – e morreu – o Leonardo da Vinci, um parque museu lembrando hoje as obras do mestre. Em Amboise, a varanda dos enforcados  mostra que foi nesse palácio real que começaram as guerras de religião. MOULINSARTBrissac é orgulhoso de pertencer aos seus duques há vinte gerações, e Cheverny tem como maior atração de ter servido de modelo ao Hergé quando ele inventou de dar o castelo de Moulinsart ao Capitão Haddock, amigo do Tintim!

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Mas são as historias de amor que fazem os mais bonitos e os mais românticos castelos, e assim é Chenonceau, o “Château des trois  Dames”. Diane de Poitiers ClouetCastelo feminino, construído de  1513 à 1521, oferecido pelo Senhor Thomas Bohier a sua esposa Catherine Briçonnet, ele foi depois cedido  para o rei François I. O rei-cavaleiro pouco se interessou pelo castelo, visitando lo somente duas vezes, mas prometendo-lo a uma das suas conquistas, Diane de Poitiers. Morreu antes, mas o filho dele, Henri II, herdando da coroa, de Chenonceau e  da dita favorita, cumpriu em 1547 a promessa do pai.Catherine de Medicis Diane transformou o castelo, recebendo com grandes festas o rei, a rainha e toda corte. Faltava a inauguração da ponte sobre o Rio Cher pelos reais amantes, mas a morte trágica do rei em julho 1559 mudou outra vez o destino do castelo. Diga a lenda que, o rei ainda morrendo, a rainha mandou seus cavaleiros expulsar a favorita que recebeu porém em troca o castelo de Chaumont.

Chenonceau, os jardins

A terceira dama de Chenonceau deu ao castelo seu aspecto atual, criando uns novos jardins, inaugurando as duas galerias sobre a ponte, e realizando umas das mais extraordinárias festas da historia da realeza francesa, onde não faltavam principes, políticos, artistas e ninfetas. Com tantos amores, ciúmes, belezas, heróis e vilões, não é surpreendente que o “Châteaux des trois Dames”, o mais feminino dos castelos, seja, com 850.000 entradas por ano, o mais visitado do Val de Loire.

Jean-Philippe Pérol

SONS E LUZES DO CASTELO DE BLOIS

Alma polinésia em Le Taha’a Island Resort and Spa

O sonho do Marlon Brando, a sustentabilidade reinventando o turismo de luxo

Piscina e acesso a praia dos bungalows

Anunciado no Brasil durante a Travel Week do ano passado, o mais esperado lançamento hoteleiro de 2014, o The Brando, já cumpriu depois de seis meses todas as suas promessas. BUNGALÔ JPPInaugurado dia 1ero de Julho – dia aniversario da morte do Marlon Brando- , esse resort único na Polinésia Francesa abriu respeitando a risco a visão pioneira em inovação tecnológica e desenvolvimento sustentável do seu inspirador. A menos de 20 minutos de Papeete, o   avião da Air Tetiaroa pousa numa picada na mata de coqueiros e lhe deixa no “motu” Onetahi, ilhota de 78 hectares onde ficam os 35 bungalôs de um, dois ou três quartos, cada um com acesso a praia. Aqui, tudo é feito para o conforto, o bem estar e a privacidade dos hóspedes, com uma perfeição nos mínimos detalhes.APERITIVO É a beleza da arquitetura que mistura tradições polinésias e audácias contemporâneas, o requinte do design interno, a criatividade do “Varua polinesian Spa”, ou a escolha muito esperta dos vinhos da adega do restaurante de gastronomia francesa. Do aperitivo “Dirty Old Bob” ao “Maurice”, hipocampo mascote em vidro de Murano, do nome do restaurante “Les mutinés” aos produtos de beleza da marca Algotherm, cada detalhe contribui a surpreender e agradar o hospede.

O banheiro aberto dos bungalôs

Mas a maior novidade trazida pelo The Brando não de ser um resort de altíssimo luxo. É de ser um projeto completo, pioneiro de tecnologia sustentável e de preservação dos eco-sistemos trazendo beneficios diretos para o turista na qualidade dos serviços e do atendimento.Bicicleta no resort O SWAC, um sistema de ar condicionado utilizando a água do mar chegando a 4 graus das profundezas, ajuda a refrigerar em ótimas condições os quartos e as partes comuns. A agua dessalinizada, e depois remineralizada, é oferecida em garrafas de vidro. Os geradores utilizando o óleo de coco afasta qualquer poluição de diesel. A horta orgânica vai ajudar o chefe a se abastecer em produtos frescas e em ervas ou temperos. Assim que desejado pelo Marlon Brando, os projetos desenvolvidos na “universidade do mar”, estudos sobre os oceanos, proteção dos peixes tropicais ou das tartarugas, são abertos aos hospedes que podem visitar o centro de pesquisas científicas e conversar com os pesquisadores. A preservação do meio ambiente chega a todos os doze “motu” do atol de Tetiaroa, o visitante sendo sempre mais fascinado pelo Motu Reiono , com sua mata primaria e seus caranguejos gigantes, o Motu Rimatu’u e seus milhares de pássaros ou o Motu Horotera e seus banhos de lama.OS ATOLS DE TETIAROA Acompanhando os passeios e explicando o projeto, os guias do resort brilham pela paixão, a competência, a gentileza e a discrição. A qualidade do relacionamento humano, o orgulho e a alegria dos funcionários pela sua participação a esse projeto único, a sua vontade de convencer da sua importância e do seu pioneirismo explicam também o ambiente muito especial criado pelo The Brando.

MULHER DOS PÁSSAROS

Outrora terra sagrada, propriedade exclusiva da família real de Tahiti, Tetiaroa virou com o The Brando não somente um destino único demonstrando a capacidade de excelência e de inovação da Polinésia francesa, mas também um projeto revolucionario transformando a relação entre turismo e sustentabilidade,  agora fator incontornável de qualidade de serviço e de bem estar para o viajante.

Jean-Philippe Pérol

Tartaruga

Mais charme e luxo nos hotéis do Caríbe francês

 

Enquanto o Caríbe está agora muito perto de enfrentar profundas mudanças – principalmente, mas não somente, com a volta dos americanos em Cuba -, as ilhas francesas estão cada vez mais se posicionando na hotelaria de luxo ou pelo menos de charme.SERENO ST BARTH A menor delas, Saint Barthelemy, sempre se considerou como um destino exclusivo. Do mesmo tamanho que Fernando de Noronha, Saint Barth é uma parada do jet set international que gosta de se encontrar seja frente aos iates ancoradosLE SELECT no porto de Gustávia, seja no “popular” bar Le Select. A pequena ilha disponha de uma hotelaria excepcional, com sete estabelecimentos cinco estrelas, incluindo dois Relais Châteaux Eden Rock e Toiny, e o tão elegante Le Sereno. Algumas pequenas pousadas e muitas casas exclusivas completam a oferta de hospedagem, todas competindo para mostrar o charme especial dessa lugar cuja historia é dividida entre a França e a Suécia.

LA SAMANNA SAINT MARTIN

A vizinha Saint Martin se diferenciou da sua metade irmã Sint Marteen apostando também no luxo, com o espetacular La Samanna – do mesmo grupo do Copacabana Palace -, e mais ainda no charme de dezenas de pequenos hotéis ou de pousadas aconchegantes. LE PETIT HOTEL EM SAINT MARTIN FRANCÊSO Le Petit Hotel, que ganhou em 2013 o prêmio de excelência da Trip Advisor, fica na praia de Grand Case. Numa casa tradicional que foi completamente renovada em 2012, ele se destacou pelo atendimento personalizado e o charme do design dos seus nove quartos.

Na Martinica, que foi no século XIX a mais sofisticada das ilhas do Caríbe, a hotelaria pegou as mesmas tendências. Além do Relais Chateaux Le Cap Est Lagoon Resort et Spa, e de pequenos hotéis como o Plein Soleil, varias pousadas de charme foram abertas nos últimos anos. HABITATION THIERRY L ILETAs mais procuradas foram instaladas nas antigas “Habitations”. Essas são as tradicionais “casas grandes” das plantações de cana que fizeram a riqueza dos senhores de engenho, sendo o mais famoso o pai da Imperatriz Josefina, primeira e turbulenta esposa do Napoleão. A Habitation Lagrange e a Habitation de l’Ilet Thierry constam hoje como duas das mais charmosas pousadas da Martinica.

Sitting in the sea

Mas é talvez nas ilhas da Guadalupe que a virada para o charme do Caríbe francês é a mais espetacular. FLORES NO JARDIN MALANGAEnquanto muitos dos grandes hotéis de turismo de massa fecharam, começou a pipocar na ilha muitas pousadas oferecendo ambientes mais privativos, serviços personalizados e construções mais integradas as tradições e a historia da ilha. Assim são as deliciosas pequenas pousadas Le Jardin Malanga ou Le Diwali. Assim é o recentemente reformado La Toubana Hotel et Spa. Em cima de um barranco, na frente da praia (e do Club Med) de Sainte Anne, esse pequeno hotel respira um clima diferente, o bom gosto, o charme e a categoria trazidos pelos donos, Patrick e Corinne Vial-Collet. OS LEADERS DO LEADER HOTELMesmo sendo proprietários, com Daniel Arnoux, do maior grupo privado do Caríbe francês, eles estão sempre presentes e deram a La Toubana uma marca bem pessoal, na decoração e no serviço, na espetacular piscina, na adega do restaurante (onde grandes vinhos são vendidos a preço de custo), ou no ambiente atencioso e alegre bem franco-caribenho.

Sempre a procura de novidades, o turista gostando do Caríbe pode achar, nessas novas tendências da hotelaria das ilhas francesas, o tão desejado equilíbrio entre descontração e sofisticação, arte de viver e alegria.

Jean-Philippe Pérol

Sitting in the sea

Na Síria, um crime também contra a cultura da humanidade

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Alem de ser um desastre humanitário e político, a guerra na Síria é também uma catástrofe cultural sem precedentes no Oriente Médio. A UNITAR (órgão das Nações Unidas especializado em pesquisa) revelou em Beirute a situação dos 290 monumentos que componham o acervo desse pais, com origens nas primeiras grandes civilizações do mundo e nos grandes impérios que ocuparam essa região. Utilizando fotos feitas por satélites, os especialistas da ONU anunciaram que 24 monumentos foram completamente destruídos, e 189 parcialmente (incluindo o velho centro de Alepo com seus “souks” milenares, sua fabulosa mesquita dos Omiadas e sua cidadela). Outros 77 não foram fotografados mas são também provavelmente parcialmente destruídos.

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Segundo a UNITAR, esse relatório é um testemunho alarmante das destruições do imenso patrimônio cultural da Síria. Esforços sírios e internacionais tem que ser feitos para proteger essas áreas que tem uma incomensurável importância para historia da humanidade. Os combates entre as forças do governo sírio e as facões rebeldes, apoiadas pelos Estados Unidos e seus aliados, destruíram prédios e sítios históricos no pais inteiro. Bouguereau-Zenobia-1850 Em Palmira, antiga capital da Rainha Zenobia, túmulos e museus foram saqueados. O relatório insiste sobre os estragos nos sítios classificados pela UNESCO, especialmente na cidade de Alepo. Os rebeldes invadiram o Krak dos Cavaleiros, um castelo da época das cruzadas que o exercito regular conseguiu retomar em Março do ano passado depois dum bombardeio pesado. Os monumentos de Raqqa e de Bosra foram parcialmente destruídos pelos rebeldes. Os radicais islamistas estão também destruindo muitos edifícios antigos considerados hereges.

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O governo tenta proteger esse impressionante património onde constam sítios únicos como a Mesquita dos Omíadas (ou de São João Batista, uma das mais belas do mundo muçulmano), a cidade de Palmira (a mais extensa da época romana depois de Efeso), o Krak dos Cavaleiros  (o maior castelo da época dos cruzadas) ou a fortaleza do Rei Saladino. Saladin_and_GuyMaamoun Abdul Karim, diretor dos museus da Síria, é um dos homens que trabalham a proteger esse acervo. Ele já conseguiu colocar, em abrigos protegidos dos saqueadores, dezenas de milhares de peças, testemunhas dos 10.000 anos da historia da Síria. Nesse país com um extraordinário potencial turístico, onde há trinta anos a Air France chegou a erguer quatro hotéis Meridien, um imenso trabalho ainda precisa ser feito para proteger e amanha para restaurar um patrimônio que representa não somente uma das chaves do seu futuro, mas também uma herança de toda humanidade.

Traduzido e adaptado dum artigo original do New York Times 

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Cultura e arquitetura, o sucesso da renovação da França do Norte

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Centre Pompidou-Metz

Muitas vezes desprezados pelos próprios franceses que assimilavam essas regiões a seu passado de miséria nas minas de carvão ou de ferro, gozando dum clima mais frio que inviabiliza os vinhedos, tendo sido devastados durante duas guerras, o Norte e o Nordeste da França demoraram muito para atrair os visitantes. Foi somente a partir dos anos 90, com a abertura do túnel sob o canal da Mancha, a mobilizadora nomeação de Lille em 2004 como capital europeu da cultura, e a multiplicação dos grandes projetos urbanos, que as grandes cidades da região começaram a aparecer como destinos turísticos.

Palais des Beaux Arts de Lille

Palais des Beaux Arts de Lille

Lille tem hoje nove museus importantes, sendo o Palais des Beaux Arts o segundo mais rico da França. O prédio construído em 1892 foi completamente renovado em 1997, e ampliado com uma nova ala desenhada pelos arquitetos  Jean-Marc Ibos e Myrto Vitart. LILLE GALERIESuas paredes de vidros refletem as pedras da ala original, misturando as imagens e as obras do passado e do futuro. Alem de um acervo acumulado desde a criação do Museu (em 1792), com obras de Delacroix, Monet ou Donatello, o Palais des Beaux Arts abriga também uma coleção única de numismática, bem como as famosas e polêmicas mapas militares em baixo relevo de Vauban.

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Place Mazelle de Metz

Antiga cidade fortificada, em crise desde o fim das siderúrgicas francesas, Metz apostou em 2003 num grande projeto cultural, a construção de uma filial do Centre Pompidou assinada pelos arquitetos Shigeru Ban (Tokyo), Jean de Gastines (Paris) et Philip Gumuchdjian (Londres). hd_metz_muse_vue_nuit.showAberto ao publico em 2010, ele recebeu um acervo de 76.000 peças da sua matriz. A audácia do projeto acelerou a renovação urbana e varias outras construções vão em breve se destacar, como o centro de convenções ou o shopping Muse.

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O Louvre de Lens

Era uma antiga ambição do Louvre: abrir um segundo museu fora de Paris para mostrar as suas ambições nacionais, utilizando no interior da França, e com novas ideias, o seu extraordinario acervo. Em 2003, o ministério da Cultura lançou uma licitação que entusiasmou a cidade de Lens. A sua proposta, de autoria da agencia japonesa Sanaa, foi escolhida em 2005 entre mais de 120 projetos.

A Galeria do tempo do Louvre de Lens

A Galeria do tempo do Louvre de Lens

O prédio de vidro e de luz  ajuda também a valorizar um novo conceito revolucionário de apresentação das obras: a Galeria do tempo. Numa única sala de 125 metros de comprimento, 205 peças pertencendo a todas as grandes civilizações apresentam de forma cronológica 6000 anos de historia, uma caminhada simbolicamente fechada pela “Liberté guidant le peuple” de Delacroix.

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O Carnaval de Dunkerque

Orgulhoso de sua passado mineiro e das suas rebeldia, dos seus jardins operários ou das suas montanhas de poeira de carvão (“Terrils”), o Norte da Franca tem também outros trunfos para atrair  os visitantes: a  simpatia da sua juventude, a alegria da sua vida noturna e da sua gastronomia, o sabor das suas cervejas, e seus carnavais descontraídos. Assim que já foi demonstrado em Bilbao com o Guggenheim, os grandes projetos culturais são porem atrativosos excepcionais para atrair novos destinos nos roteiros turísticos internacionais.

Jean-Philippe Pérol

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Os “terrils”, morros artificiais do Norte da França

Borgonha: da fé nasceu o vinho …

 

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Na Borgonha, é talvez no tradicional leilão dos Hospices de Beaune que a estreita ligação entre a fé e o vinho têm a sua maior expressão. Essencial para o ritual da missa católica, o vinho era desde o século V trabalhado na Borgonha pelas comunidades de monges, especialmente os cluniacenses ( a partir de 909 perto de Mâcon e em algumas áreas famosas como a Romanée-Saint-Vivant.) e os cistercienses (a partir de  1098 nas regiões de Côte de BeauneCôte de Nuits, e Chablis). DSCN0138 - copieEm 1443, na auge do ducado de Borgonha, quando as vinícolas ganharam um novo impulso com a proibição do Gamay e a obrigatoriedade do Pinot Noir, o chanceler do duque Nicolas Rolin, homem de muita fé, mandou construir um hospital, os Hospices de Beaune. E para sustentar seu funcionamento, doou também uns 60 hectares de vinhedos. Até hoje, mais de 500 “peças” (barris de 228 litros) leiloadas no terceiro domingo de novembro são os principais recursos dessas obras caritativas. Foi assim que a fé, que criou esses vinhos maravilhosos , foi depois financiada por eles….

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Hoje na Borgonha, os vinhos continuam guiando os passos do viajante. Os nomes dos lugares desfilam feito as ofertas dum grande cardápio de vinho: Gevrey-Chambertin, Nuits-Saint-Georges, Savigny-les-Beaune, Meursault… Vindo do Brasil, as visitas imprescindíveis vão com certeza incluir o castelo do Clos Vougeot, os vinhedos da Romanée e também algumas propriedades que se destaquem: SAO JORGE DALIo Chateau de Pommard com suas impressionantes esculturas de Dali -, o “domaine” de Drouhin Laroze – com suas adegas que podem ser o cenário dum jantar inesquecível, ou o Chateau de Velle com sua animadíssima demonstração de tonelaria. A descoberta das sutilezas do Pinot noir – a uva preferida dos duques porque transmita ao vinho todas as sutilezas dos mil “terroirs” da Borgonha, acontece também nas inúmeras propriedades – quase 5000, com uma media de menos de 7 hectares- onde os produtores gostam de explicar suas especificidades e de deixar o visitante experimentar os seus vinhos antes de poder comprar los.

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A fé sempre fica por perto. Em Vezelay fica uma das maiores basílica do mundo católico, ponto alto dum dos caminhos de Santiago, o Caminho de Limoges, 75 dias de caminhada de Namur até Compostela. O santuário e a abadia ficam numa colina sagrada desde a época dos gauleses, um desses lugares onde sopra o espírito. MARC MENEAUE nos flancos da colina, os vinhedos de Chardonnay chegam até o pequeno vilarejo de Saint-Père onde se esconde o extraordinário restaurante L’espérance do chefe Marc Meneau.  A fé se vê também nas outras 29 abadias que marcam as paisagens da Borgonha: das mais importantes, Fontenay, fundada pelos cistercienses em 1119 e  hoje patrimônio da humanidade , Citeaux, ou Cluny, outrora sede da maior igreja da cristandade, até as menores as vezes transformadas em hotel como o Relais Chateaux Abbaye de la Bussière.

AUXERREE nos confins da Borgonha, já perto da Champagne, a visita dos vinhedos de Chablis, dos seus solos ricos em fósseis e dos seus sutis chardonnay acabará com certeza em Auxerre, nas ruas estreitas que levam a sua catedral gótica e a sua cripta romana. Frente ao altar onde a Joana d Arc rezou em 1429, o visitante poderá meditar sobre esses monges beneditinos ou cistercienses que conseguiram, com trabalho, técnica e criatividade, inventar na terra fria e difícil da Borgonha esses vinhos singulares que foram os preferidos do Louis XIV e do Napoleão.

Jean-Philippe Pérol

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