De Napoleão a Paoli, a Córsega turística juntando seus dois patrimônios históricos

Corte

Corte, capital do efêmero Reinado Corso no século XVIII

Talvez a menos conhecida e a mais secreta das grandes ilhas do Mar Mediterrâneo, a Córsega é a terra natal de um dos maiores personagens da Historia da França – e provavelmente um dos mais famosos na Europa, nas Américas e no mundo. Napoleão Bonaparte é conhecido também no Brasil por ter sido responsável da fuga da corte portuguesa para o Rio de Janeiro e assim, de forma indireta, do inicio do processo histórico que levou a Independência do Brasil. Um general e estadista, imperador dos franceses, que por pouco não se tornou um destaque ainda maior da História do Brasil, caso tivesse sucesso com um plano de fuga de Santa Helena projetada em 1817  pelo seu irmão Joseph, com a cumplicidade de autoridades americanas e dos republicanos  da Revolução Pernambucana.

A estatúa do Napoleão na Praça Foch em Ajaccio

A estátua do Napoleão na Praça Foch em Ajáccio

O viajante atraído pela herança cultural do Napoleão será fascinado pelo patrimônio, pelos eventos, pelos museus ou as exposições referente ao herói. Em Ajáccio, onde ele nasceu, encontrará  a Maison Bonaparte, o Palácio Fesch ou a gruta do Napoleão. Mas a descoberta do legado cultural do mais famoso do corsos pode levar a muitas outras cidades imperdíveis ou lugares de destaque como a cidadela de Calvi por onde passou em 1793, o Museu da Córsega em Corte – capital histórica da Ilha onde ele começou sua carreira política ,  a cidade de Cargese onde a sua mãe Laetizia passava o verão, ou as trilhas do Monte Rotondo onde ela jurou que seu filho seria o vingador da Córsega independente vencida em 1769 pelas tropas reais.

Morosaglia, cidade onde nasceu Pascal Paoli

Morosaglia, cidade onde nasceu Pascal Paoli

Mito global, o Napoleão não é porem a única figura emblemática da Córsega. Frente ao  grande herói corso Pascal Paoli, ele ganha em popularidade (57% contre 43%) mas perde (39% contre 61%) quando se trata da importância de cada um na história da Ilha. Para os nacionalistas corsos, Paoli é o pai da Pátria (Babbu di a Pátria na língua corsa), e  os seus itinerários turísticos não podem perder Morosaglia, onde ele nasceu, Corte, onde estabelece a sua capital, Bastia, onde ele voltou do seu primeiro exílio, ou Ponte Novo, onde ele perdeu sua ultima batalha. É para interligar os acervos dos dois heróis que as autoridades da Ilha lançaram o projeto Paoli – Napoleão, juntando seminários e pesquisa históricas com novas rotas turísticas mostrando a validade do patrimônio corso ligado tanto a Pascal Paoli que a Napoleão Bonaparte.

O antigo porto de Bastia a noite

O antigo porto de Bastia a noite

Reconciliando os dois patrimónios  até hoje antagonistas, a Córsega quer dar um novo impulso a seu turismo cultural. Aproveitando a gloria do jovem Napoleão, futuro jacobino e imperador francês, cuja gloria fascina até hoje no mundo inteiro, os seus dirigentes querem ajudar os viajantes a descobrir o despotismo esclarecido e o Iluminismo então inovador do nacionalista Pascal Paoli. Dando uma nova dimensão ao turismo na Ilha, o melhor conhecimento dos seus dois acervos históricos e culturais será também uma excelente introdução a ricos encontros com numerosos moradores – pastores, criadores de porcos, fabricantes de perfumes, artesãos, pedreiros, historiadores ou músicos – que fazem perdurar a peculiaridade da Córsega, para a alegria dos seus visitantes.

Jean-Philippe Pérol

As "Journées napoléoniennes" em Ajáccio

As “Journées napoléoniennes” em Ajáccio

No encontro dos rios Rhône et Saône, o sucesso do Musée des Confluences de Lyon

No encontro dos Rios, o Musée des Confluences

No encontro dos Rios, o Musée des Confluences

Como já demonstrado em Bilbao, Sidney, ou mas recentemente no Rio de Janeiro ou em Bordeaux, a abertura de um  museu combinando um cenário excepcional, uma arquitetura surpreendente e um acervo original pode representar um novo impulso para o turismo, mesmo para uma cidade com a fama internacional de Lyon. ONLYLYONO Musée des confluences, inaugurado em dezembro 2014 na antiga capital da Gália, confirmou essa teoria com quase um milhão de visitantes -o dobro da previsão inicial- no seu primeiro ano de abertura. Seguindo o exemplo do Guggenheim, ou do Museu do Amanha, o novo museu já faz parte dos roteiros incontornáveis, inclusive para 50.000 turistas internacionais vindo de 181 países.

Localizado perto do encontro das águas do Rio Rhône e do Rio Saône, e brincando assim com seu nome (Musée des confluences pode ser traduzido como Museu dos encontros), o Museu foi desenhado pelos arquitetos da empresa austríaca Coop Himmelb(l)au. Num bairro de Lyon em completa renovação – que já consta com vários edifícios surpreendentes-, ele já foi chamado de nave espacial, de lagarto ou de besouro, mas ganhou no final o apelido de “Nuvem de cristal”. Brasserie-des-Confluences-©Godet_0479-600x398Misturando vidro, aço e concreto, o conjunto de 11.000 metros quadrados agrega três blocos: a base, com a chegada dos grupos, os auditórios e os espaços técnicos, o cristal, com a entrada do publico e os espaços de circulação, e a nuvem, com 4 salas de exposições permanentes e 5 de temporárias. No térreo, olhando para o jardim e para as águas do rio, a Brasserie des Confluences do chef Guy Lassaussaie lembra ao visitante que Lyon é também sempre a capital da gastronomia.

Vista geral do quarto das maravilhas

Vista geral do quarto das maravilhas

Mesmo se muitos novos museus brilham mais pela arquitetura e a pedagogia que pelo acervo, o Musée des Confluences teve a sorte de herdar quatro coleções sobre zoologia, etnologia, e historia da humanidade, vindo do antigo museu de historia natural de Lyon (fundado em 1772 e fechado em 2007), do museu Guimet (1879-1978), do museu colonial de Lyon (1927-1968)  e da fundação dos missionários católicos da Propagacão da Fé. IMG_8638Um total de dois milhões de peças  dentre das quais três mil são expostas, junto com algumas compras espetaculares como um esqueleto de Camarasaurus, um dinosauro de 155 milhões de anos que foi encontrado no Wyoming e comprado por um milhão de euros, ou outros esqueletos de mamute, de lobo de Tasmânia ou de dodô. A diversidade do acervo aparece com toda a sua riqueza no “Quarto das Maravilhas” onde são expostos, com harmonia de cores e de apresentações, peças de marfim, troféus de caças e animais raros. Já reconhecida como grande destino de turismo gastronômico, a cidade de Lyon deve encontrar no sucesso desse espetacular Musée des Confluences a confirmação de uma vocação cultural  que atrai agora novos viajantes franceses e internacionais.

Jean-Philippe Pérol

A Praça Bellecour e a estatua do Luis XIV

A Praça Bellecour e a estátua do Luis XIV

 

 

Cannes, alem do Festival, grandes hotéis e cantos exclusivos

Sob a presidência do australiano George Miller, que apresentou o ano passado o seu filme  “Mad Max Fury Road”, o Festival de Cannes foi inaugurado com  Café Society, um novo – e, como sempre, polemico- filme do Woody Allen. DSCN1410 - copieDurante onze dias, a cidade vai viver ao ritmo do cinema, se vestir de tuxedo ou de vestido longo, e celebrar a cultura, o luxo e a elegância. Segunda cidade francesa pelo numero de hotéis 4 ou 5 estrelas, tendo uma das maiores concentrações de lojas de grandes marcas, Cannes aproveita o Festival para mostrar a excelência e o chique do seu serviço, e as vezes as extravagâncias dos seus clientes. Dentro das mais famosas, um entrega de dois mil rosas para uma atriz cobiçada, uma encomenda de banheira cheia de leite de cabra para Faye Dunaway, ou a exigência de paredes azuis na suite de um ator galês que teve que ser pintada no ato.

O Carlton Intercontinental

O Carlton Intercontinental

Mesmo se o Five Seas é badalado e o Novotel Montfleury charmoso, só alguns hotéis de Cannes simbolizam o Festival. O Carlton é o mais tradicional, aberto em 1911, tendo como investidor e cliente fiel o irmão do Imperador da Rússia, o Grande Duque Michel. Dessa época de glória o hotel ganhou seu nome (Carlton quer dizer o país do homem livre em norueguês) , guardou o seu salão tombado, os seus pratos de prata e a coroa imperial da sua louça. A lenda do hotel se juntou aos mitos de Cannes quando a Grace Kelly ou a Elizabeth Taylor. O Majestic é um outro endereço de prestigio ligada ao Festival. Frente ao tapete vermelho do “Palais des Festivals”, pertencendo ao grupo Barrière, ele foi aberto em 1926, completamente renovado em 2010 com uma decoração perfeitamente respeitada até hoje tanto na sua faixada que nos seus dois restaurantes, o Fouquet’s et a Petite Maison. O Martinez  Grand Hyatt é outro endereço tradicional da Croisette. Aberto em 1929, primeiro hotel francês com um elevador, ele é muito procurado pelo seu estrelado restaurante “La Palme d’Or” onde cada prato combina com uma louça de cerâmica especifica.

Mosteiro da Ilha Saint Honorat

Mosteiro da Ilha Saint Honorat

Mas, mesmo durante o Festival, o charme de Cannes continua sendo a sua diversidade e os seus   lugares escondidos onde a exclusividade e o intercâmbio com moradores são também o verdadeiro luxo. Uma das atividades mais exclusiva é conseguir sair a bordo dos barcos pesqueiros. Trinta deles ainda trabalham no porto de Cannes e aceitam alguns visitantes que podem sair no nascer do sol atras de douradas, de “rougets”, de lagostas ou de cavaquinhas. marche-forville-cannes-Depois da pescaria, e duma parada no Café de l’Horloge, os convidados podem seguir até o Mercado Forville para ver a venda nas barracas de produtos locais. Longe da Croisette, um outro passeio imperdível junta exclusividade e autenticidade: o mosteiro fortificado da ilha de  Saint-Honorat onde 21 monges recebem os visitantes amadores de espiritualidade, de passeios nos pinheirais e de degustações de vinhos produzidos no local. Saindo do porto onde acostam iates de milionários vindo do mundo inteiro, a somente 15 minutos dos borbulhas do Festival, essa visita – de um dia ou mais para quem quiser experimentar a hospitalidade dos monges- é sem dúvida uma das mais surpreendentes quanta a extraordinária diversidade da cidade  do Festival mais glamoroso do cinema mundial. Vive le Festival de Cannes!

O "Vieux Port" de Cannes

O “Vieux Port” de Cannes

Na Ilha Saint Honorat, 16 séculos de trabalho dos vinhedos

 Esse artigo foi inspirado de um artigo original do diário francês Le Figaro

La Nuit by Sofitel, Accor no luxo da noite com gastronomia, design e cultura!

Para o viajante que demorou a acreditar que Sofitel tornou-se uma marca de hotéis de luxo, e provavelmente nunca se hospedou no Faubourg de Paris, no Palais Jamai de Fes, no Santa Clara de Cartagena ou no Hyland de Xangai, “La Nuit by Sofitel” organizada no último sábado pelo Caesar Park Ipanema foi sem dúvida a mais convincente das demonstrações. Lançadas em dezembro 2014 em Marrakech na abertura do Festival internacional de Cinema, e já experimentadas em Cannes, Budapeste, Viena e Dubaï , “La Nuit by Sofitel” é um novo conceito de eventos excepcionais misturando cultura, design e gastronomia, três valores fundamentais da marca.

O criativo bufê de doces e "macarrons"

O criativo bufê de doces e “macarrons”

Dando como dresscode o “Black tie criativo”, o convite já dava o tom da festa, mistura de criatividade, de luxo e de tradição. Completamente redecorado com o grafismo característico do “La Nuit” presente desde a recepção até a piscina do rooftop, La Nuit by Sofitel, no Caesar Park Ipanemao Caesar Park impressionava logo na entrada com os seus bares  oferecendo Magnum de champagne Taittinger e seus bufês de queijos, doces e sobremesas,  de chocolates e de algodão doce, tão artísticos, que até os convidados hesitavam em se servir. As atrações eram também exclusivas e diversificadas: um duo Mighty Mezz & Greem,  Cut Killer, o DJ Gringo da Parada, criador do Favela Chic de Londres e Paris, e a mais francesas das Princesas brasileiras, Paola de Orleans e Bragança.

Jorge Ben Jor na noite do Caesar Park by Sofitel

Jorge Ben Jor na noite do Caesar Park by Sofitel

O melhor momento da noite foi sem dúvidas o show do Jorge Ben Jor. Na pequena mas lotadíssima sala do terceiro andar, ele interpretou suas mais famosas músicas, e ensaiou com sucesso algumas palavras de francês encantando o público onde se misturava franceses e brasileiros, artistas e empresários, celebridades da noite carioca e personalidades do turismo. Agora quinto grupo mundial da hotelaria de luxo com a compra dos hotéis Fairmont, Raffles e Swissôtel, um investimento de quase três bilhões de dólares, o grupo Accor conseguiu demonstrar que a marca Sofitel queria também ser parte desse painel mundial do luxo a francesa.

Jean Philippe Pérol

La Nuit by Sofitel em Los Angeles

La Nuit by Sofitel em Los Angeles

La Nuit by Sofitel em Cannes

La Nuit by Sofitel em Cannes

Nas águas e nas terras do Limousin, algumas raízes do luxo francês …

Indo dos confins da Auvergne até os vinhedos de Bordeaux, o viajante olha umas paisagens de colinas verdes e de rios de águas pretas, campos de gado charolês ou limousin, e casas simples com paredes de granito. Ele nem sempre sabe que está atravessando uma da regiões que mais influenciou a industria do luxo francês, sendo até líder em setores específicos como a cerâmica – em Limoges – , a tapeçaria – em Aubusson-, e o couro – sapatos da Weston, luvas Morand ou cintos Daguet. Se foram por muito tempo ignorados ou até desprezados, os produtos locais conseguiram se impôr pela sua qualidade e sua autenticidade, e muitas grandes marcas do luxo, incluindo Prada ou Hermès, estão hoje valorizando o “made in Limousin“.

Serviço "Boulle"de Bernardaud

Serviço “Boulle”de Bernardaud

Foi no século XVIII, nas  minas de kaolim, quartz ou fedspath, que nasceu a porcelana de Limoges, e foi em 1842, com a chegada do americano David Haviland, que ela ficou conhecida no mundo inteiro tanto pela qualidade da própria parcela que pelas sutilezas das decorações – feitas com pincéis ou em cromolitografia- ou a nobreza das suas incrustações de ouro ou platina.Loja de fabrica da Bernardaud A fama do “Limoges” cresceu com a colaboração das principais fábricas com artistas conhecidos como Lalique, Dufy ou Sandoz, ou mais recentemente com grandes designers como Gagnère, Jeff Koons, ou Sophie Calle… A marca mais emblemática é sem duvidas Bernardaud, empresa criada em 1863 e pertencendo hoje a quinta geração da família . A antiga fábrica ainda pode ser visitada e lá se tem uma exposição de peças raras e uma imperdível loja de vendas diretas. Outras marcas de porcelanas famosas, como Haviland (Pavilhão da porcelana)  ou  Médard de Noblat (Espaço do mesmo nome) também recebem os visitantes.

Campanha publicitaria dos mocassins da Weston

Campanha publicitaria da coleção “Le Moc” da Weston

Se as águas negras e ácidas do seus rios explicam a longa tradição de curtume do Limousin, a qualidade e o luxo dos seus produtos de couro vem ainda mais do savoir-faire dos seus artesãos e do talento de gerações de empresários. Botas de tira de cano curto da WestonAssim é a J.M.Weston, a incomparável marca de sapatos cuja fábrica foi fundada em 1891 pelo Edouard Blanchard, pegando o nome atual em 1904 quando o seu filho Eugene voltou dum estágio na empresa Goodyear em Weston, perto de Boston! Orgulhosa de continuar a trabalhar da forma mais tradicional – são 192 operações manuais para finalizar um par de sapatos-, a marca concentra sua produção nos modelos emblemáticos como os mocassins Le Moc’ – vedetes dos anos 60 – ou as botas de cano curto com suas tiras características . Hoje nome prestigioso do luxo francês, a Weston lançou em 2012 uma nova linha de produtos incluindo bolsas, cintos e carteiras que também pode ser encontrada na loja da fábrica de Limoges.

No ateliê da Agnelle

No ateliê da Agnelle

A 30 quilômetros de Limoges, uma outra surpresa espera o viajante em Saint-Junien, capital da luva de luxo francesa desde a idade média. Na pequena cidade encontram as mais tradicionais fábricas como Georges Morand, fornecendo hoje marcas famosas como Inès de la Fressange, Nina Ricci, Sonia Rykiel, e Thierry Muggler, ou Agnelle que produzem os modelos de Jean-Paul Gaultier, Christian Dior ou John Galliano, bem como o fabricante de cintos Daguet, todos com lojas de fábrica. A nova coleção DaguetO anúncio da Hermès, que já encomendava suas luvas na cooperativa “Ganterie de Saint Julien” mas que prepara a inauguração esse ano de um ateliê de fabricação de carteiras, mostrou que as mais famosas marcas mundiais estão acreditando na região. E se espera que a inauguração em Julho da ” Cité Internationale de la Tapisserie ” em Aubusson ajude a atrair também empresas do setor da lã e da moda. Enquanto os valores que definam o verdadeiro luxo estão mudando, deixando o “bling-bling” para voltar a autenticidade, a discrição, e a tranquilidade, os vales do Limousin vão atrair viajantes interessados em descobrir algumas inesperadas raízes do  luxo francês.

 Jean-Philippe Pérol

As aguas taninas debaixo da ponte de Senoueix

Águas pretas e taninas do Rio Thaurion  debaixo da ponte de Senoueix

Os Champs Elysées so para pedestres?

Pintora nos Champs Elysées

Pintando os campos de trigo nos Champs Elysées

A partir do próximo  dia 1 de Maio, a avenida dos Champs Elysées, a mais famosa avenida do mundo, será exclusiva dos pedestres cada primeiro domingo do mês. As oito pistas de asfalto poderão acolher barracas, bares, espetáculos, concertos ou exposições, num ambiente de festa que alegrará turistas e moradores. Os Champs Elysées na Belle ÉpoqueAbertos em 1667 durante o reinado do Luis XIV, o Rei-Sol, os quase dois quilómetros dos  “Campos Eliséus”  e seus vinte milhões de visitantes já viram acontecer muitos momentos excepcionais. Eles são o palco da linha de chegada do Tour de France, o campo de Marte dos desfiles do 14 de Julho, a praça de comemoração do Ano Novo. Eles já foram plantações de trigo para apoiar os camponeses ou transformados em estacionamento de aviões para celebrar os cem anos da industria aeronáutica francesa.

A Paulista entrega a pedestres e ciclistas

A Paulista entrega a pedestres e ciclistas

Paris não vai ser a primeira cidade a entregar aos pedestres a sua mais bela avenida. A primeira foi Copenhague com o Stroget em 1962, depois copiada por Londres (Barnaby Street), Amsterdam (Leidsestraat), Tokyo (Cat Street), Nova York (Times Square) e, desde o ano passado, São Paulo com a Paulista. Adotando essa ideia, Paris mostra que a festa não é somente algo excepcional para comemorar grandes eventos, mas também uma realidade rotineira para moradores e turistas, uma homenagem perene à modernidade da cidade, à sua criatividade e à sua audácia.  Devolver os Champs Elysées aos parisienses e aos turistas vai também ajudar a revalorização do bairro, uma forte reivindicação dos moradores que ajudou o famoso restaurante Fouquet’s a não desaparecer em 1988, empurrou a abertura de vários novos hotéis de luxo, e devolveu à avenida numerosas lojas de artigos de luxo.

O Restaurante Fouquet’s nos Champs-Elysees

As opções de shopping nos “Champs” vão se multiplicar nos próximos dois anos. Desde 1996, o ponto mais quente era a Sephora, propriedade do grupo LVMH. Com 15.000 produtos e 250 marcas, investindo nos serviços aos consumidores, atraindo ricos e famosos, a loja recebe 6 milhões de visitantes por ano. Os relógios têm agora o seu endereço na loja Dubail onde são encontrados Rolex, Cartier, Piaget e todos as grandes marcas da relojoaria mundial, bem como séries especiais ou peças únicas. Sephora Champs ElyseesMas, as maiores novidades são previstas para 2018. Na frente do Fouquet’s, a Apple inaugurará sua quarta loja na capital francesa num prédio de 6200 metros quadrados redesenhado pelo arquiteto americano Norman Foster. Com um aluguel previsto de um milhão de euros por mês, a futura Apple Store deve com certeza virar um dos “flagships” dos Champs Elysées. A outra grande novidade prevista para 2018 será a chegada das Galeries Lafayette na antiga Virgin Megastore, pioneira da abertura nos domingos.GL nos Champs Elysées O projeto deve incluir muitas surpresas e será o maior espaço de shopping da avenida. Mais que uma nova loja, a abertura das Galeries Lafayette será também um símbolo do sucesso dos esforços  para fazer os Champs Elysées voltar como símbolo do luxo a francesa. Em 1927, o fundador das Galeries, Théophile Bader, já tinha comprado o local para abrir uma grande loja no estilo americano, mas a crise de 1929 acabou com seu sonho. Nos Champs Elysées renovados, alem do primeiro domingo do mês reservado para pedestres, ainda tem muito o que acontecer!

Jean-Philippe Pérol

 

Os Champs Elysees verde

Os Champs Elysées festejando a natureza em Maio 2010

Courchevel pronta para soprar 70 velas!

 

 © Pierre Jacques/Hemis/Corbis

Courchevel 1850 a noite

Em 2016, Courchevel vai festejar seus 70 anos. Lançada em 1946 para promover um turismo domestico e popular, tendo escolhido nos anos 60 uma estratégia mais elitista e internacional, a estação é hoje um símbolo do turismo de luxo e dos destinos exclusivos para “russos, vedetes ou bilionários”. Les Airelles, o PalaceClaro que com seus três “Palaces”, seus quinze hotéis cinco estrelas, seus restaurantes premiados e suas butiques de luxo, Courchevel atrai o jet set internacional – inclusive os brasileiros que, há mais de 40 anos, são alguns dos mais fieis frequentadores do local. Mas hoje os fãs da estação são   também jovens apaixonados pelo esqui ou pelo snowboard, homens ou mulheres amantes da montanha, solteiros, casais ou grupos de amigos vindo do mundo inteiro.

Pista das Trois Vallées

Com pistas largas e fáceis, mas aproveitando também “hors-piste” ou pequenas trilhas nos pinheirais, Courchevel quer ser uma estação diversificada. Mesmo com o acesso a toda área esquiável de Trois Vallées – maior área do mundo com 600 quilômetros de pistas divididas com Méribel , les Menuires e Val Thorens -, o passe diário só custa 59 Euros. E se o município  tem o maior numero (3) de Palaces depois de Paris ( Les Airelles, Le Cheval Blanc e o K2), mais da metade dos hotéis são de duas ou três estrelas. Nos chalés, apartamentos ou “chambres d’hôtes” para alugar, existe também uma variedade surpreendente de preços mesmo para quem exige de poder sair “skis aux pieds”, seja ter uma hospedagem com acesso direto as pistas. A cabana dos lenhadores em CourchevelTodos se encontram nas tele-cabines, nos teleféricos ou no Chalet de Pierre, no bar do Bellecôte, e até no bufê do Les Airelles  ou no restaurante estrelado do tão charmoso Le Chabichou. A noite de Courchevel mostra também um espírito de encontros descontraídos e festeiros cujo melhor exemplo é a Cabane des Bûcherons, um restaurante escondido num pinheiral, onde só pode entrar depois de tomar um gole de “genepi” (uma bagaceira da Savóia), onde as grandes mesas e os bancos de madeira obrigam os grupos a se misturar, e onde a noite acaba numa louca corrida de trenós.

O Chalet de pierre

Sempre ter escolhas, sempre ter a certeza da qualidade, isso é o verdadeiro luxo de Courchevel nos seus três níveis (1550, 1650 e 1850 metros), bem como em Le Praz e Saint-Bon, esse ultimo vilarejo sendo o lugar onde nasceu a estação nos anos 20.Snakeglisse Para isso, a badalada estação não para de inovar e abra em dezembro a Aquamotion, um parque “aqualúdico” com uma arquitetura impressionante. Ai o turista encontrará piscinas de agua doce ou salgada, com um lugar para salto, camas de bolhas, um spa e um espaço especial onde são reconstituídas ondas para surfe. Para enriquecer as experiências do pré e do pôs esqui, as novidades contam também com o “snakegliss” – um tipo de trenó para duas a dez pessoas-, o “paret”- um novo tipo de patim-, e até uns jantares dentro de Iglús para até vinte pessoas.

JonOne em Courchevel

As festas dos 70 anos de Courchevel são programadas para todo o ano 2016, e alguns eventos já estão previstos para o próximo mês de dezembro. Do dia 19 até o dia 30 uma projeção de frescos luminosos vai ser feita cada noite na torre da igreja da cidade e nas famosas estátuas do Richard Orlinski. As cabinas do teleférico da Salubre serão decorados pelo artista americano JonOne, misturando arte, neve e glamour, lembrando uma longa tradição de atividades culturais que começou nos anos 60 e contribui a fama internacional e a sofisticação da estação. Raclette do restaurante o Petit SavoyardHoje os responsáveis estão convencidos que, se a excelência e o luxo são essenciais tanto no esqui que no pré e pós esqui, a sobrevivência das tradições da região, do “genepi”, do vinho quente, da “raclette” ou da madeira dos chalés é também fundamental. Essa combinação da autenticidade dos Alpes com a elegância e o “savoir-vivre”  são, há setenta anos, as razões do brilho e do sucesso da estação, o próprio DNA de Courchevel .

Esse artigo foi traduzido, resumido e adaptado dum artigo original de Vincent Jolly  no jornal francês Le Figaro

Chalê em Courchevel

 

 

 

Em Paris, o tão esperado Grande Prêmio!

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Um antigo sonho dos organizadores dos grandes prêmios de Formula 1 vai se realizar no próximo dia 23 de Abril. Paris vai pela primeira vez receber uma corrida de automóveis num circuito especialmente desenhado em volta da Esplanada e da Igreja dos Invalides. Mas o “sim” dado pela prefeita da cidade-luz, Anne Hidalgo, para a Federação Internacional de Automobilismo não foi para mais uma  etapa do circuito de Formula 1, mas para a inovadora Formula E.Nelson Piquet Jr Campião mundial Com sua primeira temporada organizada em 2014 pela FIA com carros monopostos movidos exclusivamente a energia elétrica, essa categoria  já estreou sua segunda temporada que levará seus vinte pilotos – incluindo os brasileiros  Nelson Piquet Junior, o campeão mundial, Bruno Senna e Lucas di Grassi – a enfrentar dez circuitos de Pequim até Londres.

FORMULA E

Para a prefeita de Paris, essa corrida será mais uma maneira de mostrar a vontade inovadora da cidade e seu apoio as energias alternativas. Um cuidado especial foi dado a escolha do circuito. Mais de vinte projetos foram estudados, inclusive o Bois de Boulogne, o Bois de Vincennes, o Parc des Princes ou a Disney, mas os organizadores queriam um itinerário emblemático. A escolha dos Invalides, com sua Esplanada verde, a sua vista sobre a Torre Eiffel, a sua faixada olhando para a Ponte Alexandre III e seu Domo dourado vigiando o tumulto do Napoleão, entusiasmou todos os responsáveis envolvidos.  A pista dará a volta completa do monumento, passando pelo boulevard de la Tour-Maubourg, a avenida de Tourneville, e o boulevard des Invalides. Os boxes serão instalados na Esplanada, os lugares exatos da largada e da chegada esperando ainda a aprovação da FIA, muito atenta a todos os requisitos.

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Alain Prost, dono da equipe Renault campeã do mundo,  tem certeza que o Grande prêmio de Paris será o mais bonito da temporada, uma convicção também afirmada pelos patrocinadores e os fornecedores. A Formula E seduziu muitas grandes empresas, desde a Virgin – dona de uma das equipes -, até a Michelin – que quis participar fabricando pneus especialmente adaptados para esses carros elétricos, usando uma nova tecnologia que poderá amanhã beneficiar os usuários particulares.Bruno Senna O publico terá  muitas razões para se entusiasmar. Além da novidade tecnológica, e da beleza desse circuito único, o Grande prêmio de Paris de Formula E vai mostrar uma nova geração de pilotos, alguns ainda pouco conhecidos mas todos com sobrenomes famosíssimos. Quem não sonhou de ver um dia competindo em Paris o Piquet  (o filho), o Villeneuve (o próprio), o Senna (o sobrinho), e o Prost (o filho)? Rendez-vous então dia 23 de Abril!

Jean-Philippe Pérol

Torre Eiffel e Igreja dos Invalides a noite

Em Paris, o novo Museu do Homem, encarando a velha Dama de Ferro!

Vista do Museu ao por do sol

Um dos museus preferidos das famílias parisienses, o Museu do Homem, reabriu esse final de semana depois de seis anos e 92 milhões de euros de obras. Frente a Torre Eiffel, atrás da faixada “art  deco” do Palais de Chaillot, o novo museu foi não somente  completamente renovado mas também  reinventado.Palacio do Trocadero Ainda fiel a sua história de museu-centro de pesquisa, que foi escrita com colaboradores famosos incluindo o brasilianista Claude Levi-Strauss, ele consegue agora ser lindo, luminoso, atrativo, pedagógico e interativo. E quer dividir com o publico as mais recentes descobertas científicas numa apresentação high tech, abaixo do seu famoso domo de vidro de 1878, obra de Davioud herdada do antigo Palácio do Trocadero.

GRAND PORTANT 2

A obra mestre da Galeria do Homem

As exposições permanentes ficam na Galeria do Homem, uma sala de 2500 metros quadrados cujas janelas abram sobre a Torre Eiffel. 1800 peças são expostas ao publico, muitas delas pela primeira vez, com recursos técnicos facilitando a compreensão e a interatividade: telas numéricas, vídeos, fones de ouvidos, filmes e documentários, experiências sensoriais incluindo até o cheiro duma fogueira pre-histórica … CycloNo “Cyclo”, uma tela gigante de nove metros de altura mostra a progressão do impacto humano sobre o planeta e a evolução dos recursos naturais. A peça mestre do novo museu é uma escada metálica de 19 metros de comprimento e 11 metros de altura – o “grand portant”- carregando 91 bustos de gesso ou de bronze realizados no século XIX para mostrar a diversidade da humanidade. Encontra-se desde o  Sied Enkes, ex escravo sudanês, até a esquimó Eleonora Elizabetta Propulsor aos caprinos selvagensAsenat ou um reitor da universidade de Copenhague. Para seduzir os visitantes, o novo museu abriu os seus tesouros científicos escondidos. Na semi escuridão da Sala dos Tesouros são expostas quatro peças valiosíssimas: a Vênus de Lespugue, estátua de marfim de mamute de 23.000 anos, o propulsor dos caprinos selvagens, arma de 16.000 anos, o mamute da Madeleine, velho de 12.ooo anos, e o bastão furado de Montgaudier, esculpido em chifre de renas.

A parede dos idiomas

A parede dos idiomas

Um museu de ultima geração não pode hoje esquecer de ser lúdico, mesmo quando se trata da diversidade humana e dos 7000 idiomas falados no planeta. Numa parede coberta de tapete vermelho, trinta línguas podem ser acionadas pelo visitante para escutar mensagens em tamul, britão, tunumiisut, yiddish ou outros idiomas raros. vitrine_des_animaux_des_plantes_des_societesAlgumas das vitrinas dão também a prioridade a critérios artísticos e não somente científicos. Podem assim ser vistos juntos o crânio do filósofo Descartes (morto em 1650), o esqueleto dum chimpanzé dissecado em 1750, uma pintura de aborígines australianos, uma mesa chinesa, uma cadeira de chefe da Papuásia  e uma mascara Lipiko da Tanzania.

Café Lucy

Museu do Homem: o Café Lucy

Quem somos nos? da onde vimos? onde vamos? A Galeria do Homem  não responde as ambiciosas perguntas anunciadas no inicio da visita. XVMbd5ac504-7422-11e5-8610-6e8a24f0982c-805x453Mas é porem claro que o novo Museu do Homem  ganhou a sua aposta de contar de forma científica, moderna e interativa, a história da evolução da humanidade, da diversidade humana e das formas de adaptação de cada comunidade a seu meio ambiente. Umas temáticas que tanto os parisienses que os viajantes gostarão de comentar sentados no Lucy, o simpático bar  do museu, sob o olhar ciumento da velha Dama de ferro.

Jean-Philippe Pérol

 

 

Polinésia francesa: na ilha de Taiti, também muito para aproveitar!

Ponto Venus, as areias negras da Ilha de Tahiti

Ponto Vênus, as areias negras da Ilha de Tahiti

Quando perguntamos ao viajante quais são as Ilhas da Polinésia francesa que o faz sonhar, ele se lembra de Bora Bora, o cartão postal e seus bangalôs sobre as águas turquesa, de Moorea, com seus cinquenta tons de azul, de Rangiroa, a ilha sagrada, e de Huahiné, com seus segredos de “ilha-mulher”. voyagers_csg069_bounty_entering_matavai_bay_tahitiPoucos colocam a Ilha de Taiti nos seus roteiros, a não ser como trânsito de chegada ou as vezes de saída. Foi porém em Taiti, mais precisamente na Baia de Matavai, que chegaram os primeiros exploradores, Bougainville, Cook ou os famosos revoltosos do Bounty imortalizados pelo Marlon Brando. Foi a família da rainha de Pare -perto da atual Papeete – que fundou a dinastia dos Pomaré, conquistando uma parte da Polinésia, aceitando o cristianismo e construindo um estado moderno que um dos seus descendentes, Pomaré V, entregou para a França em 1880.

French Polynesian Lifestyle - Hero

Fazer a volta da ilha seguindo pela beira mar é ser surpreendido por uma sucessão de paisagens inesperadas, das praias de areia negra do Ponto Vênus até as ondas míticas de Teahupoo que podem chegar a 15 metros de altura, sede do Billabong, uma etapa do campeonato mundial de surfe . TeahupooTaiti tem também a sua lagoa e seus corais em Tahiti-Iti, lugares ideais para mergulho. E  se for olhar para o mar na Ponta dos Pescadores de manhã ou no final da tarde, pode ter a sorte de ver uma baleia e seu filhote. Passando de um lado da ilha para o outro, o viajante pode parar em Taharaa para aproveitar de um panorama deslumbrante cobrindo as duas partes do Taiti – Tahiti Nui e Tahiti Iki – e a ilha irmã de Moorea.

Islands - Hero

Taiti não é só azul, é também uma ilha verde onde existem algumas florestas primárias. A poucos quilômetros de Papeete, dominado pelo Monte Orohena, o vale do Fautaua oferece um espetáculo de barrancos cobertos de vegetação e de cachoeiras que parecem mergulhar nas matas. Percorridas por várias trilhas de diferentes níveis, o vale abriga vários pontos de interesses culturais ou históricos, DSCN1242seja alguns dos maiores “marae” (altares dos antigos deuses dos polinesianos) da região, ou o Forte de Fachoda onde as tropas francesas e seus aliados venceram em 1846 os últimos partidários da independência. Perto de uma cachoeira onde os taitianos gostam de tomar banho, uma estátua do escritor Pierre Loti lembra o fascínio que Taiti  provocou em muitos artistas franceses.

O mercado central de Papeete

Nas ruas da capital, Papeete, os cheiros de baunilha e as cores dos panos estampados do Mercado municipal são alguns dos imperdíveis. Mas para quem tem poucas horas, a prioridade será com certeza descobrir a pérola negra, com sua cor, seu tamanho, sua forma, seu lustro, e sua superfície, que será a melhor lembrança dessa estada em Taiti. roulottes em papeeteE a noite, para comemorar, as “roulottes” oferecem a melhor opção para encontrar os papeetianos. Para o viajante vindo do luxo de Bora Bora ou do requinte de Tetiaroa , a simplicidade e a convivialidade desses food-trucks agrupados nos estacionamentos da beira-mar são uma agradável maneira de descobrir a comida local e o autêntico jeito de viver de Taiti, a “Ilha Rainha”.

Jean-Philippe Pérol

lBlack lip oyster shell with black pearl. Studio shot isolated on white background.