
A imagem do Presidente sempre impactou o turismo para os Estados Unidos
Vendo o impacto da presidência do George Bush sobre os fluxos turísticos internacionais dos brasileiros, um diretor do turismo francês sugeriu na época que a Franca entregasse para ele a “Medalha do turismo”. De fato, enquanto a Europa e os Estados Unidos eram tradicionalmente empatados nos mercados sul- americanos, as medidas restritivos e as vezes vexatórias visando os viajantes chegando (ou transitando) nos aeroportos estadunidenses deram naquele momento um impulso excepcional aos destinos europeus. Nesses ciclos marcando a rivalidade turística entre os Estados Unidos e a Europa, a volta do Trump, independentemente das opiniões politicas de cada um, poderá de novo favorecer fortemente o velho continente bem como o Canadá.

Novo travel ban preocupa os profissionais americanos
Com as primeiras medidas da nova presidência, o impacto negativo sobre o turismo já se baseia em fatos objetivos preocupando e até desanimando os viajantes: controles mais rigorosos nas fronteiras e prazos de concessões de vistos mais longos devido a cortes de pessoal, reativações de proibições de viagem para cidadãos de países considerados com riscos (uma medida já tomada pelo Trump em 2017), restrições aos passaportes sem indicações de género, preocupações sobre a saude pública com a retirada da Organização Mundial da Saude e as possíveis epidemias, ou o crescente mal estar dos ambientalistas com a retirada dos Estados Unidos dos acordo de Paris.

Na Alemanha, os viajantes estão trocando os Estados Unidos pelo Canada
Outras medidas ainda são esperadas e poderiam prejudicar mais ainda o setor do turismo estadunidense – a possível proibição de TikTok preocupando os jovens viajantes que não imaginam viagens sem posts nas mídias sociais, e os aumentos de preços que as taxas sobre os navios de bandeiras estrangeiras, anunciadas pela nova administração, podendo impactar as vendas de cruzeiros. No primeiro mandato do Presidente Trump, medidas menos drásticas já tinham provocadas uma queda dos fluxos de visitantes de mais de 10%, e os profissionais estadunidenses estão agora preocupados com consequências ainda mais fortes enquanto o objetivo era de chegar a 90 milhões de visitantes com o impulso da Copa do mundo FIFA 2026.

Será que Trump vai merecer a medalha do turismo dos destinos concorrentes?
Alem das medidas, o turismo pode também ser prejudicado pela rápida degradação da imagem dos Estados em mercados chaves, especialmente no Canada, no Mexico e na Europa do Norte, mas também na China, nos países árabes ou no Brasil. Observadores otimistas esperam ainda que alguns fatores positivos podem reverter em parte essas tendencias: simpatias politicas com o novo modelo de governo, vistos facilitados para grandes investidores, impostos menores para as pequenas empresas que são a força do trade turístico, energia mais barata e talvez um dolar enfraquecido. Mas no geral é porem provável que os fatores negativos não sejam compensados, e que as viagens internacionais privilegiam seja o Canada seja a Europa.
Jean Philippe Pérol













































